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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Garbo, Gilbert & MGM: um triângulo amoroso

Quando ela chegou à América, ele JÁ era um astro do cinema. Quando ele morreu, ela AINDA era uma estrela das telas. Os caminhos de John Gilbert e Greta Garbo se cruzaram nos primeiros tempos do maior estúdio de Hollywood. Garbo e Gilbert estavam lá para presenciar a MGM engatinhar e chegar ao topo. Eles também chegaram ao topo, como o casal mais famoso do mundo, isso logo depois de Douglas Fairbanks e Mary Pickford.
John Cecil Pringle nasceu no estado de Utah em 1897. De família simples, ele começou no cinema como extra, às vezes creditado como Jack Gilbert, mas sem muita empolgação. Trabalhou com o diretor Maurice Tourneur tanto atuando como escrevendo roteiros. Foi então que ele decidiu se tornar diretor. Sua beleza atrapalhou o caminho e a carreira de John como galã explodiu. Ele dirigiria apenas “Love’s Penalty” (1921) e algumas cenas de “Love” (1927), já com Garbo.
                                  
Gilbert foi contratado pela MGM no ano em que o estúdio começou suas atividades. Seu primeiro grande sucesso foi “Lágrimas de Palhaço / He Who gets slapped” (1924), com Norma Shearer e Lon Chaney. A coroação viria no ano seguinte, com “A viúva alegre / The merry widow” e, em especial, “O grande desfile / The Big Parade”, que rendeu 15 milhões de dólares nas bilheterias.
Greta Lovisa Gustafsson nasceu em 1905 em Estocolmo, Suécia. Também de origem humilde, foi vendedora e apareceu em pequenos filmes de propaganda antes de começar para valer na carreira de atriz. Acumulou elogios em filmes suecos e também na Alemanha, onde fez apenas “Rua das Lágrimas / Die freudlose gasse” (1925). Mas foi “A saga de Gösta Berling”, de 1924, que chamou a atenção de Louis B. Mayer, e ele contratou Garbo e o diretor Mauritz Stiller para seu novo estúdio. Seu terceiro filme na MGM seria “A carne e o diabo / Flesh and the Devil”, e por pouco ele nunca foi feito: Garbo queria voltar para a Europa após a morte prematura de sua irmã. O advogado da estrela a convenceu a continuar na América.

O dia era 17 de agosto de 1926. Garbo e Gilbert se apaixonam. Amor à primeira vista. Algumas versões dizem que Gilbert só conheceu a companheira na hora de rodar a primeira cena, em que a personagem de Garbo, Felicitas, desce de uma carruagem. A expressão de encantamento no rosto de Gilbert, imortalizada em película, seria verdadeira. Outra versão diz que Garbo esnobou Gilbert (Gilbert: “Hello, Greta!” Garbo: “It’s Miss Garbo!”) quando foram apresentados, mas depois não resistiu aos encantos do ator. Talvez haja um pouco de verdade em ambas as histórias. Mas o que importa é que há uma rara explosão de paixão em “The Flesh and the Devil”.
Garbo, Gilbert e Lars Hanson em "Flesh and the Devil"
Naquela época Gilbert chamava Garbo de “Flicka” (“svensk flicka” = garota sueca) e Garbo chamava Gilbert de “Yacky” (= Jack). O próximo filme deles seria “Love” (“Garbo and Gilbert in Love”, entendeu?), uma adaptação de Anna Karenina. A este de seguiu “A woman of affairs” (1928) e vários pedidos de casamento. Talvez não vários, mas pelo menos dois. Quando ela aceitou, foi preparado um casamento duplo em 8 de setembro de 1927, que contava também com os noivos King Vidor e Eleanor Boardman, mas Garbo não apareceu. Louis B. Mayer comentou: “Por que se casar com a garota se você pode dormir com ela e esquecer o que aconteceu?” (Mayer usou o verbo pejorativo “screw”). Gilbert, frustrado e furioso, atacou Mayer. Era o começo do fim.

O cinema sonoro havia chegado. Como transportar os astros da tela muda para essa nova realidade? Gilbert o fez em 1929, e se engana quem diz que a voz dele era horrorosa: dono do uma voz perfeitamente normal, ele foi sabotado por Mayer. Pouco a pouco foram diminuindo as ofertas de trabalho, e os papéis eram cada vez piores. A frustração era combatida com álcool, o que piorava a situação de Gilbert. Garbo, por sua vez, teve sua estreia com som adiada até 1930, e ficou para sempre estereotipada como a mulher inatingível, graças a seu sotaque peculiar.

Garbo e Gilbert fizeram mais um filme juntos, “Rainha Cristina / Queen Christina” (1933), e foi Greta que insistiu que John fosse contratado para o papel. Antes disso, Gilbert havia sido considerado para dois papéis em filmes sonoros de Garbo: o de protagonista em “Susan Lenox” (1931), que ficou com Clark Gable, e o do barão Von Geigern em “Grande Hotel” (1932), interpretado depois por John Barrymore, mas cuja primeira opção era Buster Keaton. Depois de Garbo, Gilbert se casou mais duas vezes. Em 1936, John Gilbert faleceu de ataque cardíaco.

O estrelato de Gilbert durou cinco anos. O de Garbo, 16. Se não fosse a MGM, eles talvez jamais tivessem se conhecido. Com Gilbert, Garbo perdia sua timidez e se sentia, pela primeira vez, acolhida na América. Faltam-me palavras para falar sobre este casal que, apesar de não ser perfeito, viveu intensamente, à maneira deles, a vida e o relacionamento.

This is my contribution for the MGM Blogathon, hosted by the Metzinger sisters, Constance and Diana, at Silver Scenes, in honor of the studio’s 90 years. Hooray!


11 comentários:

FlickChick disse...

hello, my dear! I love the story of Garbo & Gilbert (of GilBo or GarBert as they were dubbed by the press). His life was so tragic and he was so self-destructive, but he had a great time while he was on top. A great part of MGM history!

Carol Caniato disse...

Tem coisa mais bonita que uma história de amor real atravessada pelo cinema? *.* Sou suspeita pra falar, mas acho a coisa mais romântica, haha!
Não conhecia muito a história da Garbo, principalmente essa parte.
Beijos Lê!

Marcelo Castro Moraes disse...

Para mim Rainha Cristina é um dos melhores filmes de Garbo

Caftan Woman disse...

They were absolute magic on the screen. There was something so very likeable about John Gilbert and always so very heartbreaking about Greta Garbo.

Rich disse...

I've been reading about silent film stars recently, including Gilbert, and I didn't realize how big a star he was - or how well liked he was in Hollywood. Garbo tried to keep his career alive after sound, as did Marlene Dietrich, but it didn't happen for him the way it did for Garbo. A shame.

Pedrita disse...

lindos. vi poucos filmes com eles. beijos, pedrita

girlsdofilm disse...

One of my favourite on (and off!) screen pairings. Such chemistry! And my favourite quote (from him): "I would rather spend an hour with Fleka than a lifetime with any other woman."

(Although I'm not sure why he called her Fleka, I think it might mean 'Swedish girl')

Silver Screenings disse...

Such a sad end for John Gilbert, and the story of their ill-fated romance is always a bit depressing. But what a fascinating story, and you've told it so well.

Thanks for including this in the blogathon. The story of MGM would not be complete without John Gilbert and Greta Garbo.

Bruna Bianconi disse...

Estou encantada com o seu blog, li algumas coisas e você tem um conteúdo bem interessante!

E essa história é incrível!

vintagepri disse...

Garbo <3

vintagepri.blogspot.coom

Christian Esquevin disse...

A great addition to the MGM blogathon Le. Gilbert and Garbo made such a great pair in their silent films. But it was Dietrich that really loved him, and of course his wife Leatrice Joy.

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