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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Variações sobre um mesmo tema: Imitação da Vida (1934 e 1959)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS.

É durante os períodos mais difíceis da vida que descobrimos quem são nossos maiores amigos e mais perigosos e inimagináveis inimigos. Claudette Colbert descobriu isso em 1934. Vinte e cinco anos depois, foi a vez de Lana Turner passar pela mesma experiência, desta vez com mais cor e algumas modificações. Trata-se de uma história de luta, preconceito, traição e muitas, muitas surpresas. E, por ser tão atual em 1934, 1959 ou 2015, tem o sugestivo nome de “Imitação da Vida”.
O ano é 1934. Bea Pullman (Colbert) é viúva, tem de cuidar da filha pequena Jessie e levar adiante o negócio de maple sirup do falecido marido. Por engano bate à sua porta Delilah (Louise Beavers), acompanhada da filha Peola. É o destino que une as duas, pois Bea oferece comida e moradia para que Delilah trabalhe para ela. Não demora para que Bea, muito astuta, transforme uma receita de família de Delilah em um grande sucesso comercial, que muda a vida de ambas.
O ano é 1959. Lora Meredith (Turner) é viúva e não consegue encontrar sua filha pequena Susie na praia. Com a ajuda de Steve Archer (John Gavin), ela encontra a menina brincando com a filha de Annie (Juanita Moore), uma mulher à procura de emprego. É o destino que une as duas, pois Lora oferece que Annie fique um tempo com ela. Logo Annie se torna babá / empregada e Lora começa uma carreira de sucesso no teatro.
A filha de Delilah / Annie, chamada Peola em 1934 e Sarah Jane em 1959, tem pele clara, mas desde a infância sofre por ter o sangue negro da mãe. São tempos de racismo, de segregação, de lugares separados para brancos e negros. É a garota mestiça a personagem mais profunda e sofredora da história, e sua dor não pode ser curada facilmente.
Delilah fala com a cadência típica dos negros da Hollywood dos anos 1930, cópias vergonhosas dos estereótipos da época da escravidão. Delilah é simplória ao extremo, preferindo cuidar de Bea e Jessie a ter sua própria casa. Ela aceita o sofrimento causado pela rejeição da filha, rejeição esta que também causa dor a Peola, mas nada faz para reagir e voltar a viver.
É louvável, entretanto, mostrar que não é apenas a família negra que tem graves problemas, afinal, Steve Archer (Warren William em 1934 e John Gavin em 1959) está para se casar com Bea / Lora, mas quem se apaixona por ele é sua futura enteada Jessie (Rochelle Hudson) / Susie (Sandra Dee). A criação dada pela mulher branca também não foi perfeita, e seu problema chega a ser até mais chocante que o da mulher negra.
John M. Stahl, o diretor da versão de 1934, consegue congelar a segregação em uma só imagem: ricas e bem-sucedidas, Delilah e Bea vivem na mesma casa, mas a mulher branca vive no brilhante piso superior e a mulher negra fica com o piso inferior. Bea não teria enriquecido sem Delilah, e mesmo assim Delilah se resigna ao plano inferior. São apenas duas escadas, mas elas separam toda a humanidade.
Foi bom ter Douglas Sirk, o homem das lágrimas, por trás da versão de 1959. Apesar da menor importância de Annie para o sucesso de Lora, o drama da mulher negra tem grande destaque e muitos momentos emocionantes. Outro retrocesso foi ter, no papel de Sarah Jane, a atriz Susan Kohner, filha de mãe mexicana e pai judeu. Em 1934, Peola foi interpretada por Fredi Washington, atriz mulata e militante dos direitos civis.
Se você tem coração, irá se emocionar com as duas versões. Se tem cérebro, irá pensar sobre as feridas que o racismo deixa. Porém, é outro o mais poderoso efeito: quando acabar o filme, você terá vontade de abraçar sua mãe com muita força e agradecê-la por tudo.

This is my contribution to the They Remade What? Blogathon, hosted by Laura at Phyllis Loves Classic Movies. Double takes are in!

5 comentários:

Michaela disse...

I haven't seen the original yet, but I did enjoy the Douglas Sirk version. Of course, I kind of love everything Sirk did. Everything is so intentional -- in a funny way, he seems to beat his critics to the punch. "This is so overdramatic!" "Yeah, it is. Isn't it ridiculous?" Anyway, I could go on and on. Great post!

Caftan Woman disse...

Like the best of remakes, we get to see how much or how little has changed in the intervening years both in real life and in cinema techniques. Excellent selection. I enjoy both films very much.

Silver Screenings disse...

Sadly, I've not seen the original 1934 film with Claudette Colbert, and I know I'd love it. I have, however, seen the later film with Lana Turner. I'm not sure how big of a Lana Turner fan I am, but I think she's pretty good in this film. It's a movie I can't NOT watch when it's on TV. Thanks for sharing your thoughts on both these films.

Phyl disse...

I felt the same way after watching the 1959 version. I really want to see the 1934 one.

Thanks so much for participating! I'm glad these movies were covered :)

Judy disse...

I've only seen the Douglas Sirk film, which I loved - I've been meaning to see the original and must get on and do it. You make some very interesting comparisons here, Le, and I'd really like to see Fredi Washington and Louise Beaver in the first film.

Also, I wanted to let you know that there's a Frank Sinatra blogathon coming up, if you have time to join in :)

https://movieclassics.wordpress.com/2015/10/14/sinatra-centennial-blogathon/

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