} Crítica Retrô

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Monday, February 27, 2012

Oscar 2012

A grande festa da Academia, em sua edição número 84, continua a atrair milhões de pessoas ao redor do mundo. Seja pelos ganhadores, por torcer por alguém ou algum filme em particular ou mesmo para conferir os elegantes trajes do tapete vermelho, há sempre um público cativo para o Oscar.
Alguns ganhadores eram quase certeza, devido aos prêmios que vieram antes na temporada de premiação, como Melhor Ator e Atriz Coadjuvante para Christopher Plummer e Octavia Spencer. Plummer, aliás, estabeleceu um novo recorde como o mais velho ganhador, aos 82 anos. Alguns prêmio técnicos também não eram novidade, como Melhor Figurino e Trilha Sonora para “O Artista”.
Os prêmios principais, últimos a serem apresentados, ficaram com Michel Hazanavicious (Diretor), Jean Dujardin (Ator), Meryl Streep (Atriz) e “O Artista” (Filme), quebrando outro recorde ao ser o primeiro filme mudo a ganhar a honra máxima desde a primeira cerimônia, em 1929. E, por falar em recordes, Meryl juntou-se a Ingrid Bergman com a marca de três Oscars, dois como Atriz Principal e um como Coadjuvante.
O grande ganhador da noite foi “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese que, contudo, não levou o prêmio de Melhor Diretor. O filme ganhou cinco Oscars (empatado com “O Artista”), destacando-se em categorias técnicas, como Melhores Edição e Mixagem de Som, Montagem, Direção de Arte e Efeitos Especiais
Com a volta de Billy Cristal como apresentador pela nona vez, alguns risos foram garantidos. Achei bastante simpático o número inicial, em que ele apresentou os concorrentes a Melhor Filme com paródias de algumas famosas músicas americanas. Embora ele não seja um astro do humor contemporâneo (um de seus maiores sucessos é uma comédia da geração passada, “Harry e Sally”, de 1989) foi uma boa aposta. Afinal, a Academia tenta a cada ano chamar o público mais jovem para ver o show armado.   
Mais uma vez o Brasil ficou a ver navios, perdendo a estatueta de Melhor Canção Original para “Man or Muppet”. E a glória de Melhor Filme Estrangeiro foi para o iraniano “A Separação”. O prêmio de Melhor Roteiro Adaptado foi para “Os Descendentes” e o de Roteiro Original, para “Meia-Noite em Paris” e, é claro, Woody Allen não apareceu. 
E, quanto a mim, percebi que preciso estudar mais estatística ou ao menos melhorar minha capacidade de chute. Do bolão feito, acertei 15 das 24 categorias. Para o próximo ano, pretendo melhorar assistindo aos indicados ou ao menos me informando melhor sobre eles se, é claro, perder a magia que vem junto com essa incrível festa do Oscar, celebração máxima do poder do cinema. Ah, e viva os primórdios da sétima arte!

Thursday, February 23, 2012

Bolão do Oscar 2012


Já diz meu avô: “Teimar sempre, apostar nunca”. Mas eu não pude resistir a fazer minhas apostas para o Oscar 2012, pois tive a honra de ser convidada a participar do bolão do DVD, Sofá e Pipoca. Ah, e vou logo avisando que não conferi todos os indicados (desculpa esfarrapada antes mesmo do resultado?).  De qualquer modo, as apostas foram feitas misturando um pouco do meu gosto pessoal, do que já vinha sendo apontado em outras premiações e alguns chutes. Então, vamos lá. A sorte está lançada!

MELHOR FILME: O Artista

MELHOR ATOR: Jean Dujardin - O Artista (simpático e versátil)

MELHOR ATRIZ: Viola Davis - Histórias Cruzadas (Sorry, Meryl)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer - Toda Forma de Amor

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer - Histórias Cruzadas

MELHOR DIRETOR: Michel Hazanivicous - O Artista

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Meia-Noite em Paris

MELHOR FILME
EM LINGUA ESTRANGEIRA
: A Separação (Irã)

MELHOR LONGA ANIMADO: Rango

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: O Artista

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: "Man or Muppet" - Os Muppets (para o meu gosto, “Real in Rio” é bem mais animada...)


MELHORES EFEITOS VISUAIS: Planeta dos Macacos – A Origem

MELHOR MAQUIAGEM: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

MELHOR FOTOGRAFIA: A Árvore da Vida

MELHOR FIGURINO: O Artista

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Pina (de Wim Wenders)

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: The Tsunami and the Cherry

MELHOR MONTAGEM: A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR CURTA: Raju

MELHOR CURTA ANIMADO: La Luna

MELHOR
EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret

MELHOR MIXAGEM DE SOM: Cavalo de Guerra

Saturday, February 18, 2012

Vida de Cachorro / A Dog’s Life (1918)

Muito antes de Rin-Tin-Tin, Skippy (ou melhor, Asta) e Lassie, houve um cãozinho que dividiu a tela com um grande astro, chegando até mesmo a roubar a cena. Em um dos primeiros filmes que têm num animal parte importante da trama, Charles Chaplin e seu amigo de quatro patas encantam a plateia, garantindo meia hora de boas risadas.

Before Rin-Tin-Tin, Skippy (better known as Asta) and Lassie, there was a dog that shared the screen with a great film star, and even stole the scene. In one of the first films with a leading role played by an animal, Charles Chaplin and his four-legged friend amaze the audience and give us half an hour of good laughs.
O vagabundo mora em um terreno baldio com um cachorrinho de nome Scraps, resgatado da fúria de cães maiores no início do filme por Chaplin. Juntos, os dois procuram comida com um vendedor interpretado por Sydney Chaplin, no primeiro filme em que ele trabalha com o irmão. Depois, eles vão em busca de diversão em um clube onde canta Edna Purviance, uma aspirante ao estrelato que não tem tido muito sucesso.

The Tramp lives in an empty lot with a little dog called Scraps. Scraps was rescued by Chaplin from a group of angry big dogs in the beginning of the movie. Together, the two outcasts look for food with a salesman played by Sydney Chaplin, who is working with his brother by the first time. Later, the Tramp and Scraps look for some fun in a club in which Edna Purviance sings. Edna is a wannabe star who is not very successful so far.
Não podemos negar que temos um protagonista animal. Ele está o tempo todo em cena, garantindo bons momentos – tanto divertidos quanto emocionantes. A personagem canina é de fundamental importância. Sua trajetória em muito se assemelha à do casal principal. É ele, também, quem acha a carteira cheia de dinheiro que promete dar uma vida melhor ao trio, até ser roubada. A cena do resgate do dinheiro, aliás, é sensacional. Mas nem tudo foi fácil nas gravações. Na simpática cena em que ele serve de travesseiro ao vagabundo, Chaplin teve de dar whisky ao cão para não ser mordido.


We can’t deny we have an animal lead. The dog is on the screen all the time and he is the source of several good moments – both fun and moving. The dog character is fundamental in the plot. Its story arc is very much alike the main couple’s. It is the dog, also, the one who finds a wallet full of money that is a promise of a better future – until the wallet is stolen. The scene with the reascue of the money, by the way, is sensational. But not everything was easy during filming. In the charming scene in which the Tramp uses the dog as a pillow, Chaplin had to give whiskey to the dog so it wouldn’t bite him.
Este foi o primeiro filme de Chaplin a somar um milhão de dólares nas bilheterias. Escrito, dirigido e produzido por seu protagonista, também foi o filme de estreia do estúdio First National Films (a United Artists, em que Chaplin era sócio, só surgiria no ano seguinte). Ele conviveu com cães desde a época do vaudeville, quando seu irmão introduziu os caninos em alguns números cômicos. Para o filme, ele testou 21 vira-latas até chegar a Mutt, o astro final, não sem antes haver, literalmente, muita briga de cachorro grande.

This was the first Chaplin film to earn a million dollars in the box office. Written, directed and produced by its leading man, “A Dog’s Life” was the first film released by First National Films (United Artists, the studio and distributor that Chaplin held partnership in, would only be founded in 1919). Chaplin had worked with dogs since his vaudeville times, when his brother put dogs in some comic acts. For the movie, he tested 21 mutts until he found Mutt, the final star. It was, almost literally, a dog-eats-dog world in entertainment.
E não apenas por ser um dos astros caninos pioneiros Scraps / Mutt merece destaque. O cãozinho de sorte foi adotado por Chaplin após a produção, passando a swer a mascote da First National Pictures. O estúdio acabou englobado pela Warner Brothers em 1929. Infelizmente, este foi o único filme do astro canino. Sua carreira durou de janeiro de 1918 até 29 de abril do mesmo ano, quando o animal faleceu. Quando Chaplin foi vender bônus de guerra pelo país, afastando-se do cão, o triste animal se recusou a comer, ficando cada vez mais debilitado.

And Scraps / Mutt deserves his own paragraph not only because it was a groudbreaking dog star. The lucky dog was adopted by Chaplin when production wrapped and became the mascot for First National Pictures. The studio was later bought by Warner Brothers in 1929. Unofrtunately, this was the only film made by the dog star. Its career lasted from January 1918 until April 29th 1918, when the dog passed away. When Chaplin left to sell war bonuses through the country, the sad dog became sad and refused to eat – and live.

O filme completo pode ser visto AQUI. E, para quem ama cãezinhos, há uma surpresa muito fofa ao final do filme!

The full movie can be seen HERE. If you are a dog person, there is a very cute surprise in the end! 

This entry is part of the Classic Movie Dogathon, hosted by Classic Film & TV Cafe. Great idea, Rick!

Sunday, February 12, 2012

Alegria, rapazes! / Something for the boys (1944)

Hollywood, é verdade, produziu vários filmes esquecidos e esquecíveis, apenas pensando no sucesso comercial. No entanto, essas relíquias cinematográficas ainda são capazes de botar um sorriso no rosto do espectador, mostrando que estão com plena capacidade de nos divertir.
Durante a guerra, uma série de musicais foram feitos com a clara finalidade de fazer o público esquecer as agruras dos campos de batalha e os entes queridos que estavam combatendo. Além disso, estes filmes geravam uma boa renda ao incentivarem a plateia a comprar bônus de guerra. Seguindo esta lógica, “Alegria, rapazes!” foi um grande sucesso, pois ao mesmo tempo deu nova esperança ao país, retratou o cotidiano de soldados e seus familiars e se saiu muito bem na bilheteria.
Três primos que não se conheciam descobrem que herdaram um casarão. Chiquita (Carmen Miranda), Harry (Phil Silvers) e Blossom (Vivian Blaine) abandonam seus empregos, que não eram lá muito bons, e decidem reformar o local e alugá-lo para esposas de militares que estão no front, aliando o serviço de hospedaria aos shows performáticos. A atriz Judy Holliday, que seis anos mais tarde ganharia um Oscar, faz uma pequena ponta, com apenas uma fala.   
A Segunda Guerra Mundial não foi só mote para este filme, mas de certo modo influenciou a carreira de sua principal estrela, a portuguesa de coração brasileiro Carmen Miranda. Depois de quase dez anos de sucesso no rádio e no cinema tupiniquins, Carmen foi em 1939 para os EUA, sendo recebida com pompa. Com a entrada dos americanos no conflito, após o atentado a Pearl Harbor em dezembro de 1942, o país procurou conquistar o apoio do maior número de nações possível. Por isso, culturalmente se instalou uma “política da boa vizinhança”, incluindo personagens e personalidades latinos nas telas. Foi o que fez Walt Disney ao criar o galo mexicano Panchito e Zé Carioca. Em seu segundo filme, o papagaio dança com Aurora Miranda, irmã de Carmen. E Carmen, personificando a mulher brasileira, também teve uma ajuda na carreira graças à guerra, tornando-se protagonista de divertidos musicais cuja principal função era entreter.
E é exatamente isso que o filme faz, tendo em Chiquita sua maior força cômica. Vivian Blane, além de cantar a música-título, se sai bem na interpretação de “Wouldn’t be nice if we could fall in love?”, talvez a canção mais emblemática. Carmen tem bons momentos cômicos, principalmente ao ser colocada ao lado do divertido Phil Silvers. Ela tem poucos números musicais, mas que são suficientes para dar-lhe seu merecido destaque.

Criado como musical da Broadway, estrelado por Ethel Merman e com canções de Cole Porter, o filme foi levado às telas por Mike Todd (terceiro marido de Elizabeth Taylor e produtor de “A volta ao mundo em 80 dias”). Conservando apenas a música homônima, o filme foi bem recebido e, apesar de não estar à altura de alguns musicais, ainda diverte e apresenta um dos momentos de maior brilho de nossa pequena notável.

Wednesday, February 8, 2012

William A. Wellman: um realizador obscurecido

A década de 1930 fiou muito mais marcada pelo nome de grandes produtores que de grandes diretores. Os estúdios controlavam toda a produção e eram aqueles que davam carta branca a um filme que escreveram seus nomes na História, a exemplo de David Selznick e Irving Thalberg. Esta foi, no entanto, uma década de trabalho duro para muitos diretores, alguns mais conhecidos (como Hitchcock, Frank Capra e Leo McCarey) e outros menos, como o responsável por vários sucessos William A. Wellman.
Assinado: Bill Wellman

William nasceu em 29 de fevereiro de 1896, em Massachusetts. Aos 19, participou da Primeira Guerra Mundial como piloto, sendo atingido em combate e ficando com dificuldades de locomoção pelo resto da vida. Ele também conservaria até sua morte a paixão por aviação. Casou-se quatro vezes, adotando a filha da segunda esposa e tendo sete filhos com a última esposa, com quem ficou durante 41 anos.
Na juventude, atuando em Boston, William conheceu Douglas Fairbanks, que sugeriu que ele se tornasse um ator, devido à sua boa aparência. Seria apenas depois da guerra que William seguiria este conselho, fazendo apenas dois filmes em 1919. Ele voltaria a atuar em pequenas pontas em seus próprios filmes. O que William queria mesmo era dirigir.  Depois de passar por muitos estágios nos bastidores do cinema, ele finalmente teve seu nome creditado como diretor em dois filmes que estrearam no mesmo dia em 1923, “Second Hand Love” e “The Man Who Won”. Mas ainda haveria uma estrada pavimentada por más produções até seu grande momento. Willmam diria mais tarde: “Francamente, se você examinar toda minha carreira, não é muito boa. Eu posso dizer que para cada bom filme, eu fiz seis ou sete ruins”.
No ano de 1927, William uniu suas duas paixões ao dirigir “Asas / Wings”, filme sobre dois pilotos combatentes na Primeira Guerra. A produção teve a honra de ser o primeiro ganhador do Oscar de Melhor Filme. Por seu perfeccionismo, o diretor estourou o orçamento e demoru um ano para finalizar o filme. Outros sucessos de Wellman são “Inimigo Público / The Public Enemy” (1931), “Nada é Sagrado / Nothing Sacred” (1937), “Nasce uma Estrela / A Star is Born” (1937), pelo qual ele ganhou o Oscar de Melhor Roteiro, “Consciências Mortas / The Ox-Bow Incident” (1943) e “O Preço da Glória / Battleground” (1949).
Seus primeiros anos em Hollywood deixaram nele um forte desdém para com a profissão do ator. Muitas vezes, Wellman provocava o elenco para tirar deles suas melhores interpretações. Dizia que não gostava do narcisismo dos intérpretes masculinos e da preparação demorada no figurino e na maquiagem por parte das atrizes. Mesmo assim, permaneceu casado até o fim de sua vida com uma atriz, Dorothy Coonan, estrela de seu filme “Wild Boys of the Road” (1933).
Wellman faleceu em 1975, vítima de leucemia. Embora tivesse um Oscar no currículo, seu nome hoje está quase esquecido, mas não seus filmes. Seja pelo belo “Asas”, pelo realisticamente violento “Inimigo Público”, pelo emocionante “Nasce uma estrela” ou pelo instigante “Consciências Mortas / The Ox-Bow Incident”, William tem seu legado reconhecido. Esses filmes são prova de que por trás de toda grande produção há um grande realizador.

Friday, February 3, 2012

Ordem no tribunal! O filme vai começar

Muito do que povoa nosso imaginário acerca do cumprimento da lei vem de influências cinematográficas. Os filmes que se passam em tribunais constituem um gênero próprio, chamado em inglês de “courtroom drama”, e são, sem dúvida, algumas das produções mais inteligentes já feitas. É até difícil escolher o melhor!

A Queda da Bastilha / A Tale of Two Cities (1935): Não é um simples tribunal. É um tribunal do período do terror da Revolução Francesa, ou seja, é certeza de que todos os réus terão como sentença a guilhotina. Um deles pode ser  Sydney Carton (Ronald Colman), tomando o lugar do marido da moça por quem está apaixonado.
 
O Grande Motim / The Great Mutiny (1935): Fletcher Christian (Clark Gable) é um marinheiro que se revolta contra o tirânico capitão Bligh (Charles Laughton), provocando um motim e fugindo com o navio para o paradisíaco Taiti. Os outros marujos, então, terão de se explicar na corte.
 
A Mocidade de Lincoln / Young Mr. Lincoln (1939): Abraham Lincoln (Henry Fonda) é um jovem advogado começando sua carreira no estado do Illinois. Um de seus primeiros casos consiste na defesa de dois irmãos acusados de assassinato, sendo que nenhum quer contar a verdade, com medo de complicar a situação do outro. 
 
 
A Dama de Xangai / The Lady from Shanghai (1947): Uma das cenas mais espetaculares deste clássico noir dirigido por Orson Welles é um breve julgamento em que Arthur (Everett Sloane), o marido advogado de Elsa Bannister (Rita Hayworth), chama a si mesmo como testemunha e faz uma espécie de “autointerrogatório”.
 
A Costela de Adão / Adam’s Rib (1949): O simpático casal Adam & Amanda Bonner (Spencer Tracy & Katharine Hepburn) se vê em lados opostos do tribunal em um caso em que uma esposa traída (Judy Holliday) tenta matar o marido Warren (Tom Ewell) e sua amante (Jean Hagen). Amanda é a advogada de defesa da moça e Adam é o promotor do caso.
 
 
A Nave da Revolta / The Caine Mutiny (1954): O novo capitão (Humphrey Bogart) coloca sua sanidade à prova durante a viagem, com atitudes tirânicas e paranoicas. Em uma tempestade, um grupo de marinheiros desobece às suas ordens, sendo levados para o tribunal para prestar esclarecimento.
 
Testemunha de Acusação / Witness for the Prosecution (1957): Homem (Tyrone Power) é acusado do assassinato de uma rica senhora, interessado na herança que receberia. Seu único álibi é sua esposa (Marlene Dietrich), mas esta irá testemunhar acusando-o.
 
Doze homens e uma sentença / Twelve Angry Men (1957): O filme começa quando o caso está praticamente resolvido, restando a deliberação do júri. O problema é que o jurado número 8 (Henry Fonda) acredita piamente na inocência do réu e tenta com muita perspicácia, convencer os outros jurados a inocentar o garoto.
 
Glória feita de sangue / Paths of Glory (1957): Durante a Primeira Guerra Mundial, um grupo se recusa a prosseguir com missão suicida. Eles são levados a julgamento. Cabe ao coronel Dax (Kirk Douglas) montar a defesa.


Anatomia de um Crime / Anatomy of a Murder (1959): Advogado (James Stewart) afastado dos tribunais decide aceitar o caso do violento tenente (Ben Gazarra) que matou o estuprador da provocante esposa (Lee Remick). A única saída será provar que o assassino estava fora de si.
 
Julgamento em Nuremberg / Judgement in Nuremberg (1960): Rans Holfe (Maximillian Schell) tem como missão defender um grupo de ministros e juristas que condenaram muitas pessoas na época do nazismo, entre eles Burt Lancaster. Spencer Tracy é o juiz do caso, importunado por Marlene Dietrich, que tenta convencê-lo de que os acusados estavam apenas cumprindo seu dever para com a pátria. 
 
O sol é para todos / To Kill a Mockingbird (1962): Atticus Finch (Gregory Peck) tem a difícil, porém nobre, missão de defender o negro Tom Robeson (Brock Peters), acusado de estupro. Embora o julgamento seja o clímax do filme, quase toda a produção se concentra no ponto de vista dos filhos de Atticus, que também sofrem com o preconceito devido ao caso que o pai defende.
 
 
Filadélfia / Philadelphia (1993): O advogado homossexual Andrew Beckett (Tom Hanks) é demitido sem justa causa e decide processar a empresa em que trabalhava. Para isso contratará o advogado homofóbico Joe Miller (Denzel Washington).
 
Joana D’Arc / Joan of Arc (1999): Neste filme feito para a TV, o que mais me chamou a atenção foi, realmente, o julgamento. O Bispo Cauchon (Peter O’Toole) tem que manter a linha dura, mas realmente não quer ver Joana na fogueira. Por outro lado, Maximillian Schell deseja isso mais que tudo. Dois grandes atores se engalfinhando de batina num tribunal da Inquisição: tem coisa melhor?

Pensaram que tinha acabado? Nada disso! Tive a honra de receber um selinho muito fofo da Iza do blog Vintage Iz. Valeu, Iza! A regra é passar para outros cinco blogs que você admira. Como a lista era muito grande e eu já tinha distribuído o selinho Liebster esta semana, vou variar um pouco, mas saibam, leitores, que foi uma difícil escolha!


Monday, January 30, 2012

Pele de Asno (1970): um conto de fadas musicado

O título pode não parecer muito atraente, mas este filme é um belo e surpreendente trabalho, pioneiro em sua concepção, produzido em meio à moda da “Nouvelle Vague” e estrelada por uma das mais famosas atrizes francesas, Catherine Deneuve, que mais uma vez solta a voz e encanta o público.
Num reino distante vivia um rei (Jean Marais) que não tinha do que reclamar. Quando sua esposa morre, ela o faz prometer que ele só se casará novamente se encontrar uma mulher mais bonita que ela. O problema é que esta mulher está bem próxima: é a própria filha do rei! Para escapar do desejo incestuoso do pai, a princesa contará com a ajuda da fada madrinha e precisará fugir e se passar por pobre camponesa.
A história é uma adaptação do conto de fadas homônimo, que encantou o diretor Jacques Demy em sua infância. Catherine foi escolhida para viver a princesa, protagonista que passará por um aprendizado, e ainda deverá cantar, o que já havia mostrado que sabia fazer bem em ”Os Guarda-Chuvas do Amor”, filmado seis anos antes e também dirigido por Demy (ele e Catherine trabalharam juntos em quatro filmes).
O enredo vem de um conto de fadas escrito no século XVII por Charles Perrault, que hoje pode estar esquecido, mas que foi responsável por criar histórias inesquecíveis como Cinderela. Há uma interessante repetição aqui, pois o príncipe procura entre as mulheres aquela em que sirva um anel bem pequeno, pertencente à princesa. Em Cinderela, o anel é trocado por um sapatinho de cristal. Em “Pele de Asno”, tal situação dá origem ao número musical mais engraçado de todos, que mostra o que as moças foram capazes de fazer para afinar o dedo anular, a fim de caber o anel.
Muito do clima de contos de fadas vem da bela fotografia a cores, contando ainda com belos figurinos medievais e até cavalos coloridos que me lembraram de “O Mágico de Oz”.  O filme também é carregado de momentos de comédia, trazidos em especial pela fada madrinha (Delphine Seyrig) que, além de ter um momento de glória cantando uma música, também diverte ao propor à princesa que ela exija presentes absurdos ao pai.
Os contos de fadas são histórias do folclore de vários países e que se espalharam pelo mundo graças à imprensa e ao cinema. Assim como nas fábulas há uma “moral da história”, nos contos há também muitos ensinamentos para as crianças, embora estes estejam mais velados dentro da história. Por exemplo, em “Pele de Asno” temos o tratamento do incesto por parte do rei e o preconceito que a princesa sofre enquanto está vestida com a pele do animal. Assuntos importantes para pessoas de qualquer idade, diga-se de passagem.
Veículo de aprendizado, escapismo, diversão despretensiosa ou obtenção de conhecimento, este peculiar filme francês capta com perfeição um mundo de imaginação nostálgica e simpática; um mundo de onde os adultos desejam nunca terem saído.

Tuesday, January 24, 2012

Sylvia Scarlett e Yentl: meio século de mulheres travestidas

Um grande estratagema cômico, em qualquer época, é a troca de papéis e de figurino entre homens e mulheres. Desde o cinema mudo, temos exemplos de pequenas comédias com personagens, normalmente masculinas, travestidas. De fato o homem se vestir de mulher causa muitas risadas. Prova disso são os divertidos “Quanto mais quente melhor / Some like it hot” (1959) e “Tootsie” (1982).
Mas uma inversão na história causa imenso desconforto. A mulher desempenhando papel masculino incomodava a sociedade que viveu a época de ouro do cinema. Quem não se lembra de Marlene Dietrich, escandalosamente vestindo um smoking e beijando uma mulher em “Marrocos / Morocco” (1931)? Ao mesmo tempo em que chocava, a mulher travestida gerava uma série de situações interessantes a serem exploradas. O visual naturalmente andrógino de algumas atrizes também ajudava na construção de filmes com esse tipo de trama, dando origem a produções notáveis.
Em 1935, o diretor George Cukor reuniu pela primeira vez a dupla Katharine Hepburn e Cary Grant, no simpático filme “Vivendo em dúvida / Sylvia Scarlett”. Katharine é Sylvia, uma garota que, após a morte da mãe, decide se unir ao pai (Edmund Gwenn) para aplicar pequenos golpes. Para isso, ela corta os longos cabelos e se veste de homem, adotando o nome de Sylvester. Durante uma viagem de navio, eles conhecem a personagem de Grant, que também se junta à dupla.
O filme é fotografado em preto-e-branco, mas fica difícil imaginar se os olhos claros e o cabelo ruivo de Hepburn não denunciariam que ela é uma mulher. Outro aspecto que incomoda é a maneira como todos reagem ao descobrir que Sylvester é Sylvia: com risadas, como se não se importassem em terem sido enganados. Neste filme, a construção de screwball comedy ainda é falha, pois partes cômicas se intercalam com momentos dramáticos. Em todo caso, o filme vale pela primeira parceria de Kate e Cary, que mais tarde fariam outros trabalhos fantásticos, e pelas boas surpresas que encontramos no caminho, afinal, não se trata de um desenrolar previsível.
Passados quase cinquenta anos, surgiu outro filme com uma grande estrela vestida de homem: “Yentl” (1983).  Barbra Streisand é uma moça judia vivendo no século XIX que, após perder o pai, decide frequentar uma universidade. O problema é que isso era um privilégio dos homens. Então, Yentl se veste de homem e se vê em um universo 100% masculino, onde conhece seu melhor amigo e confidente, Avigdor (Mandy Patinkin) e, ainda por cima, fica noiva de Hadass (Amy Irving), uma garota rica!
Além de cantar, Barbra também dirige este filme. A história surgiu em um conto e foi para a Broadway em 1975. Apesar de todo o trio principal ter experiência cantando, apenas Streisand solta a voz em uma série de canções memoráveis, embora bastante semelhantes (os compositores disseram que as músicas refletem o Talmude, livro sagrado dos judeus, em que uma lição recapitula as anteriores). De qualquer forma, Barbra convence como um garoto de cabelos loiros e curtos, sempre de boina e óculos. E neste filme, ao contrário do anterior, a revelação do gênero de Yentl é recebida com surpresa e raiva.   
As conquistas das mulheres em diversos campos durante o último século causaram uma reviravolta na sociedade. Mesmo assim, são muitas as situações criativas em que se podem colocar mulheres travestidas sem perder a classe e sem cair no ridículo. Com um pouco de inteligência e bom gosto, podem ser feitos bons filmes explorando este tema, mesmo que o tempo aja para dar a cada um a marca característica de sua época.

Wednesday, January 18, 2012

O adorável Cary Grant

Quem o conhece não esquece jamais. Prova disso é que o número de fãs de Cary Grant continua crescendo e muitos jovens cinéfilos clássicos o apontam como ator favorito. Com uma longa carreira e um charme indestrutível, Cary interpretou os mais diferentes papeis e, abusando de seu carisma, tornou os clássicos muito mais acessíveis e adoráveis.
Nascido Archibald Alexander Leach, em 18/01/1904, em Bristol, na Inglaterra, ele teve uma infância difícil. Sua mãe, sofrendo de depressão, foi internada em uma clínica quando o filho tinha nove anos e, aos dez, o futuro astro foi abandonado pelo pai após este casar-se novamente. Na verdade, Cary pensou que a mãe estivesse morta, até encontrá-la internada, quando ele tinha 31 anos. Cary foi filho único e, aos 16, imigrou para a América como parte de uma trupe teatral, aprendendo, nos primeiros anos no palco, um inconfundível timing cômico.
Em 1931, ele foi da Broadway para Hollywood, onde mudou seu nome artístico de Archie Leach para Cary Grant, escolhendo as iniciais C e G porque tais letras também estavam presentes nos nomes de grandes atores da época: Clark Gable e Gary Cooper. Nos anos seguintes ele atuou ao lado de lindas mulheres como Marlene Dietrich, Mae West (duas vezes em um único ano, 1933) e Katharine Hepburn (com quem faria quatro filmes) até o imenso sucesso de “Cupido é moleque teimoso / The Awful Truth” (1937), em que contracena com Irene Dunne e concretiza sua persona cinematográfica elegante e espirituosa. Mais tarde, ele diria que a personalidade do personagem foi baseada na do diretor Leo McCarey.
Mas não é só de comédias que foi feita a carreira de Grant. Suas contribuições com o diretor Alfred Hitchcock, seu amigo, são também notáveis. Bem menos taciturno que seu antigo companheiro de cena perturbado pela guerra James Stewart, Cary levou muito charme aos suspenses hitchcockianos, como os inesquecíveis “Suspeita / Suspicion” (1941), “Interlúdio / Notorius” (1946), “Ladrão de Casaca / To catch a thief” (1954) e “Intriga Internacional / North by Northwest” (1959). 
Além de um grande ator, ele foi também empreendedor, fundando sua produtora Granart nos anos 50 e sendo o primeiro ator a sair do sistema de estúdio e trabalhar por conta própria. Felizmente, propostas de trabalho não faltaram e ele só encerrou sua carreira em 1966 pela vontade de dedicar-se à criação de sua única filha, Jennifer. Cary casou-se cinco vezes e faleceu em 1986, aos 82 anos.
Símbolo máximo do galã simpático e divertido, mesmo no fim da carreira recebia propostas para grandes trabalhos, que teve de recusar por conta da idade. Entre os personagens pensados para ele estão James Bond e Jonathan Hart, da série “Casal 20”, ambos bastante refinados e perspicazes. É inegável que tenha inspirado muitos personagens igualmente elegantes e que ainda inspire seus fãs, cada vez mais jovens e ainda encantados por seu magnetismo.
É só procurar pela Internet que constatamos facilmente que o ator continua conquistando fãs de diferentes idades e de vários lugares do mundo. Carismático ao extremo, ele foi indicado duas vezes ao Oscar, em 1941 e 1944, só ganhando um Honorário em 1970. Mas o mais importante ele não para de conquistar: o carinho do público e a certeza que temos de que todo mundo ama Cary Grant.       

Monday, January 16, 2012

Globo de Ouro 2012

Funcionando como uma espécie de prévia para o Oscar, televisionado dias antes das indicações para o maior prêmio do cinema, o Globo de Ouro atrai cada vez mais atenção, desde sua primeira edição, em 1943. Reunindo grandes produções do cinema e da televisão, os vencedores são escolhidos pela Hollywood Foreign Press Association e, como em toda premiação, os acertos e as injustiças dão o que falar.
Os indicados para este prêmio diferem um bocado daqueles nomeados para o Emmy (prêmio exclusivo para as produções televisivas) e o próprio Oscar. Um dos motivos é a união de seis categorias do Emmy em apenas duas, Melhor Ator e Atriz Coadjuvantes, valendo tanto para séries cômicas quanto dramáticas. Outras indicações mesmo existindo categorias idênticas em ambas as premiações, resultaram em vencedores diferentes, como Melhor Atriz em Série Dramática para Claire Danes (por “Homeland”, também escolhida como Melhor Série Dramática), Melhor Atriz e Ator de Comédia, para Laura Dern por “Enlightened” e Matt LeBlanc por “Episodes”. Esse foi, aliás, um prêmio de retornos, pois, além de LeBlanc (o inesquecível Joey da série FRIENDS), Kelsey Grammer (o Dr. Frasier Crane das séries “Cheers” e “Frasier”) ganhou como Melhor Ator em Série Dramática.
Alguns resultados, no entanto, foram idênticos ao Emmy, como Melhor Atriz em Minissérie para Kate Winslet (por “Mildred Pierce”), Melhor Ator em Série Dramática para Peter Dinklage (por “Game of Thrones”); além de Melhor Série de Comédia para “Modern Family” e Melhor Minissérie para “Downtown Abbey”.
Se na TV já havia algumas certezas, o mesmo não pode ser dito do cinema, pois esta é a primeira da série de premiações que culminará no dia 26 de fevereiro. Ele serve como um morno termômetro para o prêmio principal, pois os filmes cômicos e dramáticos são julgados em categorias diferentes. O resultado disso foi a vitória de Michelle Williams por “Minha semana com Marilyn” e Meryl Streep por “A Dama de Ferro”, ambas Melhores Atrizes.
Entre as boas surpresas da noite, houve o reconhecimento do veterano Christopher Plummer como Melhor Ator Coadjuvante (a Melhor Atriz Coadjuvante foi Octavia Spencer) e do filme iraniano “Uma Separação”. Nem tão surpreendente assim, pois já havia sido anunciado, foi a reverência a Morgan Freeman, recebendo o prêmio Cecil B. DeMille, apresentado por Helen Mirren e Sidney Poitier.
Como esperado, alguns favoritos levaram o troféu, a exemplo de Madonna, Melhor Canção Original por W.E., Woody Allen, Melhor Roteiro por “Meia-Noite em Paris”, George Clooney, Melhor Ator por “The Descendants” (também Melhor Filme), e Martin Scorsese, Melhor Diretor por “A invenção de Hugo Cabret”. O filme mais comentado do momento, “O Artista”, ganhou nas categorias Melhor Trilha Sonora (Kim Novak está se remoendo por dentro agora), Melhor Ator para Jean Dujardin e Melhor Filme de Comédia ou Musical. Será que vai dar filme mudo pela primeira vez no Oscar desde 1928? É esperar para ver!

Tuesday, January 10, 2012

O cinema em chamas

Um espírito pirotécnico às vezes invade diretores e roteiristas de cinema, criando grandes cenas em que desastres acontecem e grandes propriedades são queimadas. Além de acrescentarem imensa dramaticidade a qualquer filme, as cenas de incêndio são de difícil e meticulosa execução, consumindo longo tempo de planejamento e filmagem. Nada pode sair errado, e tamanha dedicação deu origem a cenas memoráveis. Extintores a postos e vamos lá!

E o vento levou / Gone with the Wind (1939): Talvez o mais conhecido de todos, o incêndio de Atlanta, em meio ao nascimento do filho de Melanie (Olivia de Havilland) e Ashley (Leslie Howard), quase enlouquece Scarlett (Vivien Leigh), que felizmente contou com a ajuda de Rhett (Clark Gable) para fugir. A própria filmagem causou frenesi, pois muitas pessoas ligavam para os bombeiros pensando que o estúdio estava queimando à revelia, enquanto na verdade o diretor Victor Fleming controlava as chamas que destruíam os cenários usados em “King Kong” (1933). 

Jane Eyre (1943): Tudo bem que um incêndio em preto-e-branco não tem muita graça, mas ele é de extrema importância nesta adaptação do romance de Charlotte Brontë. Não muito grandioso, mas igualmente destruidor: e lá se foi o castelo do Sr Rochester (Orson Welles).

Albuquerque (1948): Um pequeno incêndio acomete a empresa de fretes de John Armin (George Cleveland) e o principal suspeito de tê-lo provocado é seu sobrinho Cole (Randolph Scott). Cole vai preso, depois de um dos julgamentos mais rápidos da história do cinema, tão depressa quanto o próprio incêndio mixuruca.
 
Fúria Sanguinária / White Heat (1949): Cody Jarrett (James Cagney) tem o azar de chegar ao “topo do mundo” bem no meio de um incêndio em uma usina nuclear enquanto foge da polícia.

Quo Vadis (1952): O imperador Nero (Peter Ustinov) decide dar um fim nos cristãos e manda atear fogo na parte da cidade em que eles moram. Em meio às chamas, o soldado Marcus Vinicius (Robert Taylor) tenta desesperadamente salvar sua amada cristã, Lygia (Deborah Kerr).

Johnny Guitar (1954): Por uma série de motivos, Emma (Mercedes MacCambridge) coloca fogo no salão de sua rival Vienna (Joan Crawford) que já estava ameaçado pela construção de uma estrada de ferro. Mas Vienna não vai deixar barato, indo atrás de vingança no melhor estilo faroeste.

No caminho dos elefantes / Elephant Walk (1954): Uma mansão foi construída no caminho usado pelos paquidermes para conseguirem água. Depois de anos ameaçando derrubar a propriedade, os imensos animais não apenas o fazem como também causam um incêndio – e com Elizabeth Taylor dentro da casa!

O Mercador de Almas / The Long, Hot Summer (1957): Paul Newman tem um impulso piromaníaco que o deixou com péssima fama e o obrigou a procurar emprego numa cidadezinha em que tudo parece pertencer a Orson Welles.

O Homem que matou o facínora / The man who shot Liberty Valance (1962): Um pouco chateado com a vida e com a perda de sua namorada, Tom Doniphon (John Wayne) decide botar fogo na casinha que vinha construindo com muita dedicação e ficar lá dentro para ser consumido pelas chamas ou se deixar asfixiar pela fumaça.
Inferno na Torre / The Towering Inferno (1974): O arquiteto Doug Roberts (Paul Newman) está todo satisfeito com a inauguração do arranha-céu que ele projetou. Porém, na grande noite, seu medo se torna real quando o início de um incêndio denuncia a má construção do prédio. No elenco também estão  Steve McQueen, Fred Astaire, Robert Wagner, Jennifer Jones, William Holden e Faye Dunaway, entre outros.

Wednesday, January 4, 2012

É proibido proibir? Filmes & censura

A censura foi usada, desde a Antiguidade, como instrumento de coerção e manipulação intelectual por uma classe de indivíduos ou mesmo por governos autoritários. Na história do Brasil, ela sempre esteve presente, fosse como forma de controle da Coroa Portuguesa nos tempos de Colônia e Império, fosse como limitação da liberdade de imprensa durante o Estado Novo e a Ditadura Militar. Estes dois períodos existiram quando já havia cinema e controlaram ou proibiram a exibição de diversos filmes em território nacional. 
Na ditadura militar, muitas produções nacionais tiveram sua exibição vetada ou proibida para menores de 18 anos.  Os censores, de maneira um bocado paranoica, retiravam de circulação qualquer filme que pudesse fazer menção negativa aos militares. Foi isso que aconteceu com “A Falecida” (1965), baseado em um texto de Nelson Rodrigues, “O Justiceiro” (1967), filme de Nelson Pereira dos Santos que teve até mesmo seus negativos destruídos e “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha.  De maneira curiosa, muitos censores, em seu relatório, escreveram verdadeiras críticas cinematográficas dos filmes censurados, analisando, por exemplo, a atuação do elenco. Mais estranho ainda foi o fato de que, a partir da década de 1970, embora os filmes com temática política fossem proibidos, os que tratavam de sexo passavam tranquilamente pela censura. Esta foi a época de ouro das chamadas pornochanchadas e das produções da “Boca do Lixo”, que afastaram uma parte do público dos cinemas.
Durante a ditadura franquista na Espanha, foram banidos filmes de cunho revolucionário, como “O Encouraçado Potemkin” (1925) e “O Grande Ditador / The Great Dictator” (1941), também proibidos na Itália fascista e na Alemanha nazista.  Outros filmes, que satirizavam a guerra e o Exército, também sofreram censura, a exemplo de “Ardil 22 / Catch 22” (1970). Durante a Guerra eram proibidos filmes como “A Rosa de Esperança / Mrs Miniver” (1942), “Sem novidades no front / All Quiet on the Western Front (1930) e outras propagandas antiguerra ou e outras propagandas de apoio aos Aliados.
A censura no Brasil não se limitou a filmes nacionais. Exemplos célebres foram “Laranja Mecânica / A Clockwork Orange” (1971) e “O massacre da serra elétrica / The Texas Chainsaw Massacre” (1974), filmes que foram censurados em diversos países. Curiosamente, na Inglaterra, foi o próprio diretor Stanley Kubrick que tirou “Laranja Mecânica” dos cinemas, devido às ameaças que sua família vinha recebendo de espectadores. E este fenômeno não se restringe ao passado, haja vista a polêmica proibição da exibição, em 2011, de “A Serbian Film”.
E engana-se quem pensa que a censura é privilégio dos governos totalitários e ditatoriais. Embora seja mais frequente nestes casos, a proibição de filmes acontece em diversos países e em diferentes épocas.
Entre os países mais rígidos estão o Kuwait e a Malásia. Neste último, muitas cenas de beijo são cortadas (pena que não são re-exibidas depois, ao estilo “Cinema Paradiso”) e filmes com temática tocante são proibidos. Alguns casos bizarros de censura são “À Beira do Abismo / The Big Sleep” (1946), “Embalos de Sábado à Noite / Saturday Night Fever” (1977) e “Babe: o porquinho atrapalhado / Babe” (1995).
Às vezes, a temática religiosa se mostra um empecilho para a exibição de algumas produções. Foi o que aconteceu com “Os Dez Mandamentos / The Tem Commandments” (1956), “Ben-Hur” (1959) e “A Paixão de Cristo / The Passion of Christ” (2004) em países de religião não-católica. Até “O Código Da Vinci / The Da Vinci Code” (2006) entrou na dança, sendo proibido nas Ilhas Salomão, em Samoa e no Sri Lanka, além de algumas províncias indianas. Alguns povos também ficaram furiosos com a maneira como foram retratados na tela, causando, para citar um caso, a censura de “Anna e o Rei / Anna and the King” (1999) na Tailândia
Alguns títulos são unanimidade no assunto “barrados no cinema”, como “Nosferatu” (1922), “Pink Flamingos” e “Último Tango em Paris”, ambos de 1972, “O exorcista / The exorcist” (1973), “Salò ou os 120 dias de Sodoma” (1976), “Calígula” e “Monty Python´s Life of Brian”, os dois de 1979, “Holocausto Canibal / Cannibal Holocaust” (1980), “A última tentação de Cristo / The last temptation of Christ” (1988) e os trabalhos recentes de Sacha Baron-Cohen, como “Borat” (2006) e “Brüno” (2009).
O estado da Geórgia acabou banindo o filme
Nos Estados Unidos, país que em 1934 estabeleceu o Código Hays para a censura prévia das produções cinematográficas, cada estado tem sua jurisdição para banir certos filmes. O mesmo ocorre no Canadá. Por conta disso, algumas cidades se sentiram ofendidas e proibiram “O Nascimento de uma Nação / The Birth of a Nation” (1915), “Monstros / Freaks”, “Scarface” e O Fugitivo / I´m a Fugitive from a Chain Gang”, ambos de 1932. Isso também aconteceu no Reino Unido, onde, surpreendentemente, ficaram engavetados por muitos anos os filmes “Encouraçado Potemkin”, “Monstros”, “O Proscrito / The Outlaw” (1945), “Alma em Suplício / Mildred Pierce” (1945), também banido na Irlanda, e “O Selvagem / The Wild One” (1954). 
A censura pode variar de lugar para lugar e conforme a época, mas é certo que os filmes censurados atraem maior atenção do que atrairiam se fossem exibidos sem problema, ou seja, acabam se beneficiando com a condição de censurados. Hoje, nos cinemas e redes de televisão, há apenas a classificação indicativa, às vezes também questionável, mas muito mais democrática.
Não acredito que toda censura seja burra, pois é necessária muita reflexão para realizar uma autocensura. Censurar é um ato que sempre existirá na sociedade, em maior ou menor escala, dentro de casa ou no governo. Cabe a cada um conhecer suas limitações e saber o que consegue aguentar ver nas telas.
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