} Crítica Retrô

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Friday, March 27, 2015

Série Retrô: Agente 86 / Get Smart

Cone do silêncio. Sapatofone. “O velho truque!” “Você acreditaria se...” Coisas e frases que me fazem simplesmente sorrir. Eles me lembram um dos meus seriados favoritos, aquele que alegrou muitas noites tristes da adolescência e me apresentou o maravilhoso mundo dos clássicos.
Eu tinha 13 anos quando vi meu primeiro episódio de “Agente 86 / Get Smart”. Era o primeiro para mim, mas “And the Baby Makes Four: Part 2” é na verdade parte da última temporada da série. Nunca me esquecerei da grande briga no hospital e as reações que me fizeram querer assistir mais da série.
É muito difícil escolher meu episódio favorito entre os 138 que foram gravados em cinco temporadas. Mas vou analisar o episódio piloto, “Mr Big”, que deu origem à série e, curiosamente, foi o único gravado em preto e branco.
O episódio piloto já apresenta todos os ingredientes para o sucesso da série: a química entre Maxwell Smart, o agente 86 (Don Adams) e a agente 99 (Barbara Feldon), as bugigangas de espião como o sapatofone e o cone do silêncio, os esconderijos mirabolantes do agente 44, um cachorro adorável, a maneira como Max irrita o chefe do CONTROLE (Edward Platt), a presença de um vilão da KAOS, uma ameaça internacional e um ritmo rápido (e por vezes até bobinho).
Os anos 60 tinham dois grandes ídolos espiões, diametralmente opostos: James Bond e inspetor Clouseau. E, por incrível que pareça, Maxwell Smart foi o resultado da junção de Sean Connery com Peter Sellers. Sim, trata-se de uma paródia, e não se podia esperar nada diferente do homem por trás da série: um dos criadores é Mel Brooks, ainda longe do seu auge (mas já genial). O outro criador da série é Buck Henry, co-roteirista de “A primeira noite de um homem / The Graduate” (1967) e diretor da versão de “O Céu pode Esperar / Heaven Can Wait” protagonizada por Warren Beatty em 1978. Brooks disse que a ideia era fazer uma sitcom não sobre uma família, o que era comum na época, mas (por que não?) sobre um idiota. Nascia assim Maxwell Smart.
E a série teve muito, muito êxito (não apenas porque tem gente como eu que vê seus episódios até hoje). Don Adams ganhou o Emmy de Melhor Ator de Comédia três anos seguidos (1967-1969), e “Agente 86 / Get Smart” foi eleita por dois anos (1968 e 1969) a Melhor Série de Comédia. Apesar de ficar feliz com o fim da série após a quinta temporada em 1970, Adams ficou para sempre marcado como Maxwell Smart, e seu maior projeto posterior foi a dublagem do também atrapalhado espião “Inspetor Bugiganga / Inspector Gadget”. Por falar em voz de personagens, Adams afirmou que baseou-se em William Powell para criar a voz de Maxwell Smart.
Agente 86 / Get Smart” foi apenas o começo de uma maravilhosa experiência de mergulho em filmes e séries do passado. Mas como a primeira vez a gente nunca esquece, a série tem um lugar quentinho e cativo no meu coração: sempre serei grata pelas muitas alegrias que Maxwell Smart me trouxe.

This is my contribution to the Favourite TV Show Episode blogathon, hosted by my friend Terence at A Shroud of Thoughts. Lights, camera, action!

Tuesday, March 17, 2015

Condenado / Odd Man Out (1947)

Happy Saint Patrick's Day! O dia de São Patrício é comemorado bebendo muita cerveja, vestindo-se de verde, procurando trevos de quatro folhas, contando histórias sobre duendes, leprechauns e potes de ouro no fim do arco-íris. Mas nem tudo é festa e diversão na Irlanda: há também problemas, lutas pessoais e coletivas. Porque há um sentimento que ultrapassa fronteiras e une todos os povos do mundo: a liberdade.
Johnny McQueen (James Mason) é chefe de uma organização e há alguns meses escapou da cadeia, onde deveria ficar preso por 17 anos. Johnny está escondido na casa de Kathleen (Kathleen Ryan), onde se encontra com seus companheiros e continua fazendo planos audaciosos. Um desses planos é assaltar um banco e Johnny, apesar de não ver a luz do sol há mais de um ano, faz questão de participar da ação.
Johnny é baleado no ombro e se separa dos companheiros. Assim começa uma grande caçada: policiais e delatores querem a recompensa por Johnny. A doce, corajosa e decidida Kathleen quer encontrá-lo para que juntos possam fugir em um navio e ficar longe dos problemas que têm na Irlanda. É a estreia de Kathleen Ryan no cinema, mas a moça tem o talento de uma veterana e é muito convincente em seu papel. Kathleen e os atores que interpretam os companheiros de Johnny faziam parte de um grupo de teatro de Dublin, o Dublin Abbey Theatre, fundado e dirigido por W.G. Fay, que interpreta o padre Tom.
A direção é de Carol Reed, que dois anos depois faria seu melhor filme, “O Terceiro Homem / The Third Man”. Veja como o filme é cheio de momentos preciosos: a maneira como o interesseiro Shell (F.J. McCormick) se refere a Johnny através de metáforas sobre um passarinho, o momento em que Johnny delira e vê rostos de algozes nas bolhas de uma bebida, a briga entre Shell e o pintor Lukey (Robert Newton), que quer resgatar Johnny apenas para realizar o sonho de pintar o retrato de um moribundo, um novo delírio de Johnny envolvendo retratos enfileirados como pessoas em um tribunal.
O que dizer do sempre brilhante James Mason? Ele chegou a afirmar que Johnny McQueen foi o melhor personagem de sua longa e ilustre carreira. Mason gostou muito de trabalhar com Carol Reed, diretor que admirava, e teve total liberdade para compor seu personagem. Embora Reed gostasse de ter controle sobre todos os aspectos de seus filmes, deixava seus atores livres para criarem os personagens. E sempre deu certo.
Mas... de que organização Johnny McQueen faz parte? Por que ele é perseguido? Por qual causa seus companheiros roubam bancos? Vamos a uma pequena e esclarecedora lição de história: embora ninguém diga isso explicitamente, o cenário do filme é a cidade de Belfast, na Irlanda do Norte. Isso faz com que ele seja, com certeza, membro do IRA (Irish Republican Army), um grupo fundado em 1919 com o objetivo de separar a Irlanda do Norte do Reino Unido e anexá-la à República da Irlanda. Já em 1926 foi feito um filme centrado na organização, “Irish Destiny”, que termina com um close maravilhoso e em cores da bandeira irlandesa. Em “Condenado / Odd Man Out”, desde o começo fica claro que o pano de fundo é a luta IRA contra polícia inglesa, mas o que importa é a trajetória dos personagens, não os desdobramentos da luta por liberdade. Em suma, a história poderia acontecer durante qualquer conflito, e mesmo assim seria humana e verossímil.

Irish Destiny (1926)
“Odd Man Out” é um curioso noir irlandês. Considerado por muito a obra-prima de Carol Reed, elogiado com sensatez e saudosismo por seu protagonista, usado como recurso de propaganda anti-IRA, “Odd Man Out” ainda é pouco visto, mas é imperdível.

This is my contribution to the Luck of the Irish Blog O’thon, hosted by the mighty Metzinger sisters at Silver Scenes.

Saturday, March 14, 2015

Rodolfo Valentino: o homem, a lenda

Quando a lenda se torna fato, imprima a lenda”
“When the legend becomes fact, print the legend”

A frase acima é do filme “O Homem que matou o Facínora / The Man who Shot Liberty Valance” (1962), mas se aplica perfeitamente ao caso de Rodolfo Valentino. O amante latino estava no auge da fama quando morreu de repente, aos 31 anos, em 1926, e sua morte causou histeria e comoção internacionais. Ele foi o primeiro de uma longa lista de personalidades que morreram muito jovens, mas (talvez por causa da morte prematura) influenciaram muitas gerações. Elvis Presley, Marilyn Monroe, James Dean, Janis Joplin: o fascínio atravessou décadas e não foi apenas pela suposição de “o que poderia ter sido se eles não tivessem ido embora tão jovens”. A morte os eternizou, mas a vida atribulada, desregrada e cercada de mistérios continua impressionando quem toma contato com essas personalidades.
E muitas vezes a polêmica e os boatos se tornam mais importantes que as obras do artista. Afinal, quem quer conhecer os filmes de Marilyn se é muito mais divertido discutir quantos abortos ela teria feito? Quem não ama romances atribulados e proibidos das estrelas do passado? E as supostas relações homossexuais, então: são perfeitas para atrair curiosos. E com esses ingredientes foram feitos muitos filmes sobre a vida de Valentino.
A maioria das pessoas que conheceram Valentino ainda estavam vivas em 1951, incluindo sua ex-mulher Natacha Rambova. Isso gerou uma onda de protestos e processos por difamação, e o estúdio foi obrigado a adaptar a história ocultando nomes e fatos. No final, o que temos é o bailarino Valentino (Anthony Dexter, parecidíssimo), que se torna um ator muito popular do dia para a noite, e precisa enfrentar muitos problemas com a mulher que ama, que pode atender pelos nomes Joan Carlisle ou Sarah Gray, dependendo do momento da carreira em que está (ela é interpretada por Eleanor Parker). Assim como na cinebiografia “O Palhaço que Não Ri / The Buster Keaton Story”, de 1951, o filme tem de tudo... menos verdade.
Uma cinebiografia melhor, também denominada “Valentino”, foi feita em 1977 e parte do funeral do astro para apresentar a vida dele em flashback, incluindo as muitas mulheres que se apaixonavam por ele. Alla Nazimova (Leslie Caron) é uma delas, e aparece no funeral vestida de rainha tarântula. Não é, de maneira alguma, um retrato lisonjeiro de Nazimova. Quem interpreta Valentino é o dançarino russo Rudolf Nureyev, que em nada se parecia com o astro dos anos 20, mas dançava lindamente e surpreende como ator.
De acordo com o filme, Valentino atraiu a atenção da roteirista June Mathis durante uma festa particular de Fatty Arbuckle, na qual Valentino teria enfurecido o comediante. Arbuckle é retratado como uma pessoa muito, muito desagradável, sempre arrancando risadas à custa da humilhação de outras pessoas. Jesse L. Lasky, um dos fundadores da Paramount, só pensa em lucros... e mantém um macaco de estimação preso em uma jaula.
Quase sempre colocada de lado pelas obras que se referem a Valentino, a esposa Natacha Rambova ganha muita importância aqui: ela é mostrada como a força motriz ambiciosa por trás da carreira de Valentino, é demasiado controladora e deseja ser responsável por todos os aspectos dos filmes do marido: figurino, cenário, roteiro, direção e produção. Não é de se espantar que ela não goste de dividir Rudy com as milhões de fãs histéricas.
Apesar das falhas, há muitas coisas boas: é impagável a cena em que Valentino exige escolher os roteiros que quer filmar. Repare bem e você verá que há todo um western clichê sendo gravado ao fundo da cena! E a sequência de abertura, com manchetes de jornal e a canção “There is a new star in Heaven tonight”, é o convite perfeito para que entremos na vida de Valentino.
Em 1975, Franco Nero interpretou Valentino em um filme feito para a TV. Em 1977, Gene Wilder parodiou a imagem do amante latino no filme “O Maior Amante do Mundo / The World’s Greatest Lover”. No quase desconhecido “Return to Babylon”, de 2013, Valentino aparece brevemente. Mais um filme sobre ele, “Silent Life”, já tem até pôster no IMDb e pode ser lançado em 2015, mas há constantes atrasos em sua produção.
Quem poderia interpretar Valentino em um filme feito hoje? Robert Pattinson? Mario Lopez? Um talento ainda não descoberto? Definitivamente, ainda não foi feita uma cinebiografia de Valentino que agradasse a todos. Talvez porque seja impossível transportar para as telas, mais uma vez, todo o fascínio que Rodolfo Valentino sempre gerou.

This is my contribution to the Rudolph Valentino blogathon, hosted by Timeless Hollywood.

Wednesday, March 11, 2015

Meias de Seda / Silk Stockings (1957)

Quem poderia substituir Greta Garbo em sua obra-prima “Ninotchka”? Resposta: ninguém. A personagem, que vai da seriedade completa à entrega amorosa, é perfeita para Garbo. Mas e se Ninotchka se transformasse em um musical? Aí o número de opções crescia, mas o papel se tornava mais difícil. Felizmente, com sotaque e charme, Cyd Charisse foi incumbida de seguir os passos de Garbo – e se saiu muito bem.
O produtor de cinema Steve Canfield (Fred Astaire) conegue resolver todos os problemas que aparecem em seu caminho. Ele entra em ação mais uma vez quando o compositor de seu novo filme, o russo Boroff, é visitado por três camaradas (Peter Lorre, Jules Munshin e Joseph Buloff) que têm a missão de levar o compositor de volta à União Soviética. Com um bom argumento e uma canção, Canfield convence os três russos a ficar ali mesmo em Paris, pois a presença deles pode representar um grande avanço para a União Soviética no mundo das artes cinematográficas. Logo os três estão embriagados (literalmente) com os prazeres da capital francesa.
Para trazer de volta os três comissários e o compositor Boroff, a escolhida é a camarada Nina Yoschenko (Cyd Charisse), uma agente séria e objetiva, que quer apenas fazer seu trabalho e voltar para a Mãe Rússia, mas acaba se entregando aos encantos de Paris... e de Steve Canfield, claro. Ou melhor, este envolvimento só acontecerá se a estrela do filme, a narcisista e pouco esperta atriz / cantora / nadadora Peggy Dayton (Janis Paige), não interferir com seu ego enorme.
Veja os paralelos entre "Meias de Seda" e "Ninotchka": a personagem de Greta Garbo é aqui interpretada por Cyd Charisse, Fred Astaire repete o papel de Melvyn Douglas e a intrometida e rica Swana de Ina Claire fica a cargo de Janis Paige, com muito mais humor.
A Ninotchka de Greta Garbo se rende ao comprar um chapéu ridículo. A Ninotchka de Cyd Charisse se rende dançando com Fred. E que dança! Outro momento simbólico de sua metamorfose é o balé Meias de Seda, que conta apenas com Cyd flutuando por um grande quarto enquanto se livra de suas vestimentas sisudas e as troca por meias de seda e lingerie, tudo embalado por uma bela música instrumental.
Temos novamente várias críticas ao comunismo, só que feitas de maneira menos sutil que na versão de 1939. Entretanto, são críticas mais escrachadas. O humor de Lubitsch era aquele que nos deixava apenas com um leve sorriso delineado no rosto. O humor do remake de Mamoulian é aquele que usa rápidas frases de efeito para arrancar uma gargalhada dos espectadores atentos.
Além das canções, uma atração única e imperdível dos musicais é o espetáculo das cores. Como conta nos créditos, “Meias de Seda” é apresentado em CinemaScope e Metrocolor, e o filme faz piada com isso: Janis Paige e Fred Astaire cantam a importância da riqueza de cores e do som ultra-realista para atrair os espectadores: será que o roteiro e o elenco não importam mais? Até parece que o compositor Cole Porter estava prevendo o futuro do cinema de catástrofe / super-herói / entretenimento sem conteúdo.
Faria toda a diferença ver o filme nos cinemas, em 1957, com a tela enorme, o glorioso Technicolor, CinemaScope de tirar o fôlego e som estereofônico. A direção de Rouben Mamoulian é magistral, como sempre, embora ele não tivesse sido uma escolha popular feita pelo estúdio. Mamoulian trabalhava desde o final da década de 1920, era um mestre dos efeitos e... detesteva o CinemaScope. Uma vez disse: “[CinemaScope is] the worst shape ever devised”.
O filme tinha tudo para não dar certo: começando pelo contexto de animosidade extrema entre Estados Unidos e União Soviética, passando pela pouca esperança dos próprios produtores e desembocando nas várias incertezas do elenco. Cyd Charisse tinha um trabalho muito exigente a ser feito, Peter Lorre lutava com seu vício em medicamentos, Rouben Mamoulian fazia de tudo para não ultrapassar o orçamento e os prazos previstos, e Fred Astaire quis de Cole Porter músicas mais modernas. Mas nenhuma destas dificuldades transparece no filme: “Silk Stockings” é leve, alegre, adorável. É a fábrica de sonhos do cinema em seu apogeu.

This is my contribution to the CinemaScope blogathon, hosted by my pals Rich at Wide Screen World and Becky at Classic Becky's Brain Food.

Sunday, March 8, 2015

Eisenstein e sua trilogia “Ivan, o terrível”

Nunca falei isto aqui, mas chegou a hora de confessor: eu adoro o cinema soviético. Eisenstein, óbvio, é o expoente máximo da União Soviética, e seus filmes ficam melhores com o passar do tempo, pois descobrimos o contexto e as obrigações que permeiam cada produção. Sim, a maioria é descarada propaganda soviética, mas com a técnica de Eisenstein se tornem obras-primas, talvez não pelo conteúdo, mas pela forma. Sim, Stalin encomendou muitos dos filmes, e esta é uma grande vantagem: pela primeira vez podemos analisar a manipulação política da arte em sua mais crua manifestação. E a obra que mais nos permite esta observação é justamente a que causou mais atritos entre Eisenstein e Stalin: “Ivan, o terrível”.
O objetivo era claro: comparar Stalin, o então governante da União Soviética, com o corajoso czar Ivan, que subiu ao trono em 1547, contrariando a vontade dos boiardos, ricos proprietários de terra. Assim como Ivan, Stalin (e antes dele, Lênin) teria desafiado a elite e conquistado o apoio do povo para conseguir governar mesmo com tantas forças contrárias o pressionando.
“Ivan, o terrível” não é um filme qualquer. Quem o vê com atenção se torna cúmplice do grande transe criado por Eisenstein. As atuações são teatrais, por vezes até caricatas, mas perdoáveis. Os cenários e a quantidade de extras são assombrosos. A grandeza dos ambientes, as expressões dos personagens, os jogos de luz e sombra: tudo se junta para criar uma obra maior que a vida, sobre um homem maior que qualquer outro na história russa. Muito desta impressão vem da interpretação alucinada de Nikolai Cherkasov, de barba pontiaguda e nariz aquilino, olhar louco e gestos ameaçadores... que às vezes se parece com um camarada que todos nós conhecemos muito bem:
O primeiro filme conseguiu seu intento. E não foi só aos comunistas que o filme agradou: Chaplin teria dito que “Ivan, o terrível” era “o maior filme histórico já feito”. Entretanto, ao rodar a parte dois, Eisenstein e Stalin se desentenderam, e isso deixou tudo mais interessante. Para começar, o filme só foi lançado após a morte de ambos: Eisenstein faleceu em 1948, Stalin em 1953 e o filme estreou apenas em 1958. O czar que uniu o povo ganha uma nova faceta e ambiciona o poder a qualquer preço, não importa quantos cadáveres tiver de deixar para trás.
E o melhor de “Ivan, o terrível – Parte 2” não está no enredo: trata-se da primeira sequência colorida da história do cinema russo / soviético. As plateias da época devem ter ficado tão deslumbradas quanto eu, que via o filme e de repente tive meus olhos tomados por uma explosão de cor. As origens da tecnologia para filmar em cores são controversas: de acordo com o IMDb, trata-se do Bi-Color, um sistema semelhante ao Two-Strip Technicolor dos primitivos filmes coloridos. Já segundo o TCM, só foi possível captar imagens coloridas com equipamentos roubados dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Aqui, a origem do fator não altera o produto, e o resultado é puro e deslumbrante espetáculo.
Mas... não se trata de uma trilogia? Bem, a ideia inicial era fazer uma trilogia, mas após a polêmica da segunda parte, Stalin paralisou a produção da terceira parte e mandou destruir o que já havia sido filmado. Apenas alguns minutos de película sobreviveram:
Não é à toa que quem gosta de história geralmente gosta também de filmes antigos (ou pelo menos está mais propenso a dar uma chance a eles). Quem entende um pouco de história vê as nuances e manipulações por trás de “Ivan, o terrível”. Quem não entende, tem a oportunidade de aprender mais sobre o comunismo e a propaganda ideológica. “Ivan, o terrível” talvez não seja o melhor filme épico de todos os tempos. Talvez nem seja o melhor filme de Eisenstein. Mas é inovador, surpreendente, hipnotizante, essencial: mostra todos os poderes do cinema.

This is my first contribution to the Russia in Classic Film blogathon, hosted by comrade Fritzi at Movies, Silently.
Leia também minha crítica (em inglês) de outro filme de Eisenstein, “Old and New” (1929), AQUI.
You can also read my review (in English) of the Eisenstein flick “Old and New” (aka “The General Line”, 1929) HERE.

Friday, February 27, 2015

E o Mundo Marcha (1934) / The World Moves On (1934)

*Atenção: No IMDb o título do filme é “A Marcha dos Séculos”. Entretanto, ele foi exibido na televisão como “E o Mundo Marcha”*
Vez ou outra encontro um filme em preto e branco na TV a cabo e, não importa seu enredo ou seus protagonistas, sempre o assisto. E vez ou outra este filme surpresa se transforma, em frente aos meus olhos, em uma obra-prima desconhecida e menosprezada. “E o Mundo Marcha” só é lembrado por ter sido o primeiro filme aprovado pelo Código Hays (está lá o selo número 1 no começo da película), mas este belo trabalho de John Ford merece muito mais reconhecimento.

Every now and then, I find a black and white film on cable TV and, no matter the story or the leads, I watch it. And every now and then this surprise film becomes, in front of my eyes, in an unknown and underrated masterpiece. “The World Moves On” is only rememberd as the first film approved by the Hays Office (the seal with the number 1 is there in the beginning of the film”, but this beautiful film by John Ford deserves a lot more recognition.


Só o nome de John Ford já anuncia que estamos prestes a ver algo muito bom. E a história dividida em fases não decepciona. No início do século XIX, as famílias Warburton e Girard se unem no negócio do algodão. O marido de Mary Warburton (Madeleine Carroll) se torna sócio de Richard Girard (Franchot Tone), mas Mary e Richard se apaixonam. Quase um século se passa até que esse amor possa ser consumado através dos bisnetos de Mary e Richard, que “por acaso” têm o mesmo nome dos antepassados e são interpretados pelos mesmos atores. Até então o negócio do algodão foi um sucesso total, mas tempos tempestuosos estão por vir.

John Ford’s name alone announces that we’re about to see something very good. And the story that is divided in phases does not disappoint. In the beginning of the 19th century, the families Warburton and Girard make a partnership to sell cotton. Mary Warburton’s (Madeleine Carroll) husband becomes partners with Richard Girard (Franchot Tone), but Mary and Richard fall in love. Almost a century goes by until this love can be consummated through Mary’s and Richard’s great-grandkids, who “by chance” have the same name as them and are played by the same actors. Until then the cotton business had been going well, but bad times are coming.


Um fortuito detalhe do enredo: o negócio de algodão é comandado por diversos herdeiros, cada um vivendo em um país afetado pela Primeira Guerra Mundial. Temos percepções diferentes dos campos de batalha e da luta dentro dos exércitos francês, inglês, americano e alemão. O ator que interpreta Henri Girard, aliás, é o brasileiro Raul Roulien, que John Ford considerava “meu amigo e grande ator”.

An interesting detail in the plot: the cotton business is managed by several heirs, each one living in a country affected by World War I. Because of this we have different perceptions of the battle field and the fights inside the French, English, American and German armies. The actor who plays Henri Girard, by the way, is the Brazilian Raul Roulien, who John Ford considered “my friend and great actor”.


Todo e qualquer espectador fica boquiaberto nos minutos finais do filme, quando John Ford prevê a Segunda Guerra Mundial – com uma marcha de suásticas e tudo o mais. Serão tempos difíceis, prevê a personagem de Madeleine Carroll.

Each and all viewers become speechless in the final minutes of the film, when John Ford predicts World War II – with a march full of swastikas. These will be difficult times, and Madeleine Carroll’s character predicts.


Há, sim, um detalhe que mancha o filme, e não posso deixar de citá-lo: o tratamento do personagem Dixie (Stepin Fetchit) é muito, muito racista. O pobre negro não é nada inteligente, e por isso sempre está envolvido em confusões. Obviamente, a intenção original era usar o personagem como contraponto cômico em meio ao drama, mas aqui John Ford cometeu um grande erro. Em 1934 o personagem poderia ter sido engraçado (e ele até é divertido ainda hoje, porém causa mais vergonha que riso), mas o tempo e as novas ideias de igualdade e respeito mancharam este aspecto do enredo. Só que Stepin Fetchit pouco importava com as reações contra sua persona cinematográfica: parceiro constante de John Ford, foi o primeiro ator negro de cinema a ficar milionário.

There is a negative detail in the film, and I have to mention it: the treatment of the character Dixie (Stepin Fetchit) is very, very racist. The poor black man is not intelligent, and gets involved in many troubles because of it. Obviously, the original intention was to use the character as a comic relief in the middle of so much drama, but John Ford made a huge mistake. In 1934 the character could have been funny (and he is kinda funny even today, but now he generates more shame than laugh), but time and new widespread ideas of equality and respect stained this detail of the film. But Stepin Fetchit didn’t really care about the reactions against his film persona: a constant in John Ford’s stock company, he was the first black actor to become a millionaire.

Raul Roulien e Stepin Fetchit
É o melhor filme de algum dos envolvidos? Definitivamente não. Madeleine Carroll fez “Os 39 Degraus / The 39 Steps” em 1935, mesmo ano em que Franchot Tone esteve em “O Grande Motim / Mutiny on the Bounty” e “Perigosa / Dangerous”. John Ford esteve envolvido na confecção de uma dúzia de clássicos, e por isso é até compreensível a mínima atenção dada a este filme.

Is this the best film of any of the involved cast? Not at all. Madeleine Carroll did “The 39 Steps” in 1935, the same year when Franchot Tone did “Mutiny on the Bounty” and “Dangerous”. John Ford was involved in the making of a dozen classics, and that’s why we can understand the little attention given to this film.


Para Peter Bogdanovich, John Ford confessou que gostaria de esquecer que fez “E o Mundo Marcha”. Ele não queria dirigir o filme. Brigou, discutiu, ganhou a fama de durão, e não escapou. A Fox o obrigou a dirigir a película, pois a intenção era repetir o sucesso de “Cavalgada / Cavalcade”, Oscar de Melhor Filme de 1933 que também contava a saga de uma família durante muitas gerações e vários conflitos. Não havia sobrado criatividade para o roteirista Reginald Berkeley, e o resultado são diálogos e situações que não ficam muito tempo na nossa memória.

To Peter Bogdanovich, John Ford confessed that he’d like to forget that he did “The World Moves On”. He didn’t want to direct the movie. He fought, argued, became known as a tough guy, and had to do it anyway. Fox made him direct the film, because they wanted to repeat the success of “Cavalcade”, the 1933 Best Picture Winner that also told the story of a family through several generations and many conflicts. There was not much creativity left for screenwriter Reginald Berkeley, and the result are dialogs and a situations that don’t stay long in our memories.


O que fica são as cenas de guerra, que causam um estranho déjà vu até no espectador mais jovem. Associei as cenas com “O Grande Desfile/ The Big Parade” (1925), mas a fonte era outra: as elogiadas cenas de batalha eram nada mais que cenas não utilizadas de “Cruzes de Madeira”, filme francês de 1932.

What stay with us is the war scenes, that cause a strange déjà vu even in the youngest viewer. I associated the scenes with “The Big Parade” (1925), but the source was different: the great battle scenes were only unused footage from “Wooden Crosses”, a French film made in 1932.


Madeleine Carroll, emprestada ao estúdio Fox em seu primeiro trabalho nos Estados Unidos, estava mais interessada no diretor Ford que no filme em si. John Ford preferiu esquecer esta sua obra. Franchot Tone não parece ter comentado sobre ela. O filme foi um fracasso de bilheteria, mas surpreende quem hoje, oitenta anos após ser filmado, lhe dá uma chance de mostrar a que veio. Porque até o pior filme de John Ford é excelente.

Madeleine Carroll, loaned to Fox in her first work in the US, was more interested in director Ford than in the film itself. John Ford preferred to forget this work. It looks like Franchot Tone never said anything about it. The film was a box-office failure, but it surprises whoever gives it a try today, eighty years after it was filmed. Because even John Ford’s wors movie is excellent.

This is my contribution to the Madeleine Carroll blogathon, hosted by Dorian at Tales of the Easily Distracted and Ruth at Silver Screenings!

Thursday, February 19, 2015

Bolão do Oscar 2015

Carnaval, Quarta-Feira de Cinzas, início das aulas, bolão do Oscar organizado pelo blog DVD, Sofá e Pipoca: estes são os eventos obrigatórios do mês de fevereiro. E com certeza as apostas para o Oscar são minhas preferidas. Apesar de não ter tanta certeza em minhas previsões quanto tinha em 2014, me arrisquei mesmo assim:

MELHOR FILME: Boyhood – Da infância à juventude

MELHOR ATOR: Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo / The Theory of Everything

MELHOR ATRIZ: Julianne Moore, Para Sempre Alice / Still Alice

MELHOR ATOR COADJUVANTE: J.K. Simmons, Whiplash – Em busca da perfeição

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Patricia Arquette, Boyhood – Da infância à juventude

MELHOR DIRETOR: Richard Linklater, Boyhood – Da infância à juventude

MELHOR ANIMAÇÃO: Como treinar seu dragão 2

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Birdman

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Graham Moore, O Jogo da Imitação

EFEITOS VISUAIS: Interestelar

TRILHA SONORA: Johann Johannsson, A Teoria de Tudo / The Theory of Everything

DIREÇÃO DE ARTE: O Grande Hotel Budapeste

FOTOGRAFIA: Emmanuel Lubezki, Birdman

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Glory, Selma

FIGURINO: Milena Canonero, O Grande Hotel Budapeste

CABELO E MAQUIAGEM: O Grande Hotel Budapeste

MELHOR EDIÇÃO: Boyhood – Da infância à juventude

EDIÇÃO DE SOM: Sniper Americano

MIXAGEM DE SOM: Sniper Americano

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Ida

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Citizenfour

DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: Crisis Hotline: Veterans Press 1

MELHOR CURTA: The Phone Call

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: Feast

Sunday, February 8, 2015

Keaton fala! / Keaton speaks (easily)!

Quem ficou em Hollywood quando os filmes falados viraram primeiro febre, depois regra, não teve alternativa a não ser enfrentar a prova de fogo e tentar repetir o sucesso do cinema mudo na nova era sonora. Alguns falharam, outros tiveram êxito, outros adiaram o máximo possível. Mas é preciso sobreviver em Hollywood, e parte da sobrevivência inclui se adaptar aos novos tempos.
The actors who stayed in Hollywood when talkies became a fever and, later, a rule, had no alternative but face the difficult challenge of repeating the success they had in silents in the new talkie era. Some failed, others were successful, and some others postponed their talkie debut as much as they could. But you had to survive in Hollywood, and part of this survival was adapting oneself to the new times. 


É muito estranho pensar em Buster Keaton... falando. Sua expressão sempre imutável e sua comédia física eram suficientes para garantir fãs e risadas no cinema mudo. E foi com um personagem excêntrico em uma produção sobre os bastidores do mundo teatral (algo que estava muito na moda) que ele deu seu show: “Speak Easily”, de 1932 (no Brasil, o título é “Pernas de Perfil”).

It's very wird to think about Buster Keaton talking. His never-changing expression and physical comedy were more than enough to make his fans laugh in silent cinema. And it was playing an excentric character in a production about the backstage stories in a theater – something in vogue at the time – that Keaton made a success: it was in “Speak Easily”, from 1932.

O solitário Professor Timoleon Zanders “T. Z.” Post está um pouco triste com as insinuações de seu assistente, que diz que a depressão poderá matá-lo a qualquer momento, como aconteceu com seu antecessor. Mas tudo muda quando o Professor recebe a notícia de que herdou 750 mil dólares. Na mesma hora, ele larga tudo e decide viajar. Ele logo vai a uma estação de trem (ah, o que seria de Keaton sem um trem?) e lá encontra uma trupe de artistas, dentre os quais está o músico-ator-comediante James (Jimmy Durante) e a encantadora Pansy Peets (Ruth Selwyn).

Lonely professor Timoleon Zanders 'T.Z.' Post is a little sad with waht his assistant says: that depression can kill him any time now, like it did with his predecessor. But everything changes when the Professor learns he has inherited 750 thousand dollars. He leaves everything behind and decides to travel the world. He goes to a train station – waht would become of Keaton without his trains? - and there he meets a group of artists, among them musician-actor-comedian James (Jimmy Durante) and the charming Pansy Peets (Ruth Selwyn).


Cheio de dinheiro e sem ter o que fazer, o Professor empresta um pouco para pagar as despesas dos artistas, e assim é elevado à posição de gerente do grupo. Ele decide então ir com o show para a Broadway!

With a lot of money and nothing to do, the professor lends some of it to the artists, and they decide to name him the manager of the group. Then, the professor decides to follow the show all the way to Broadway!


Mas há muitos problemas no caminho. Primeiro: trata-se do show com o pior grupo de coristas já visto. O Professor não percebeu isso porque está apaixonado por Pansy, que aliás é a pior das dançarinas. Há também a ambiciosa artista Eleanor Espere (Thelma Todd), que está apenas interessada no dinheiro do Professor. Isso sem mencionar um certo probleminha com a herança do Professor...

But there are many problems in their way. First: this is the show with the most chorus girls ever. The professor doesn't see the other girls because he is love with Pansy, who is, by the way, the worst dancer of them all. There is also ambitious Eleanor Espere (Thelma Todd), who is only interested in the professor's money. And there is also a little problem about the professor's inheritage...


Muitas pessoas notaram uma semelhança entre Buster Keaton e Jim Parsons, que interpreta o Dr. Sheldon Cooper em The Big Bang Theory. Mais de uma vez Jim fez referência a Keaton no Instagram, e choveram comentários sobre como seria incrível se um dia Parsons interpretasse Keaton. Eu aplaudo a ideia e adoraria que isso acontecesse, pois teria a oportunidade de ouro de ver dois de meus ídolos em um. Pois bem, em “Speak Easily” o personagem de Keaton em muito se assemelha a Sheldon. Ambos são professores universitários com poucas habilidades sociais e que acabam provocando risadas sem querer.

Many people noticed the similarities between Buster Keaton and Jim Parsons, who plays the physicist Sheldon Cooper in The Big Bang Theory. Several times Jim mentioned Keaton in his Instagram, and manhy comments pointed that it'd be incredible if someday Parsons played Keaton. I love the idea, because I'd have the opportunity to see two of my idols at once. And in “Speak Easily” Keaton's character is a lot like Sheldon. Both are college teachers with few social skills who make people laugh without meaning it.


Há poucos momentos de comédia física no filme, e estes são os mais divertidos. Sim, há alguns momentos em que a graça vem dos diálogos, e isso não prejudica em nada a performance de Buster Keaton. Colocá-lo em uma dupla com Jimmy Durante (só eu que acho que Jimmy se parece com Ed O’Neil?), aliás, foi uma excelente ideia, tanto é que eles repetiram a parceria em outros dois filmes.

There are few slapstick moments in this film, and these are the best moments. Yes, sometimes there is fun coming from the dialogues, and this doesn't harm Keaton's performance at all. To pair him with Jimmy Durante – who looks like Ed O'Neil in my opinion – was an excellent idea, and they appeared together again in two more films. 


A carreira sonora de Keaton não foi tão brilhante quanto sua fase muda, mas foi, sim, muito boa. Ele fez muitos curta-metragens, trabalhou na televisão e propôs gags para diversos filmes, entre eles o ótimo musical “A Bela Ditadora” (1949). Sua derrocada não veio por causa do som, mas por causa de uma mudança desastrosa: ao assinar contrato com a MGM em 1928, ele perdeu muito de sua liberdade para criar e inovar na comédia.

Keaton's sound career wasn't as brilliant as his silent phase, but it was good nevertheless. He made a lot of short films, worked on TV and was a gag advisor to many films, including the fun musical “Take Me Out to the Ball Game” (1949). His fall wasn't caused by the talkie revolution, but because of a disastrous move: when he signed with MGM in 1928, he lost his creative freedom and stopped inovating in his comedies.


E o cinema sonoro trouxe um pequeno problema: o humor não era mais universal. O filme teria de ser traduzido para que espectadores de outros países os entendessem. E aí começa a loucura: a MGM gravava cada cena dos filmes falados de Keaton três vezes: a primeira em inglês, a segunda em espanhol, e a terceira em outra língua (francês ou alemão). Some a este cansaço alguns problemas pessoais, como o divórcio da esposa Natalie Talmadge, o distanciamento dos filhos e o alcoolismo: está explicado por que o gênio criativo de Keaton não floresceu com o mesmo vigor nos anos 30.

And talkies brought a little problem: humor was not universal anymore. The films had to be translated so the foreign public would understand it. And this is where the craziness begins: MGM shot each scene of Keaton's films three times: once in English, the second time in Spanish and the third time in another language (either French or German). Add to this effort some personal problems, like the divorcing Natalie Talmadge, growing far from his kids and alcoholism: these are the reasons why Keaton's creative genius didn't flourish with the same strength in the 1930s.  


O importante é que Keaton fala. Fala bem e faz comédia. Como nunca deveria ter deixado de fazer.
But the important thing is that Keaton speaks. He speaks well and is funny – as funny as he always was.

This is my contribution to the First Annual Buster Keaton Blogathon, hosted by Lea at Silent-ology.

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