Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

domingo, 13 de novembro de 2016

O Circo / El Circo (1943)

Comparar gênios da comédia é uma boa maneira de se ter uma dimensão da popularidade e genialidade de alguns atores. Comumente, Cantinflas é comparado com Charles Chaplin, e diz-se que o próprio Carlitos considerava o comediante mexicano melhor que ele. Na recente cinebiografia Cantinflas (2014), muita licença poética é usada quando o filme mostra que foi Chaplin que mandou o script de “A Volta ao Mundo em 80 Dias” para Cantinflas, e assim o tirou do fundo do poço e o convenceu a fazer seu grande filme em Hollywood. Isso tudo provavelmente é mentira, mas há um elo ligando Chaplin e Cantinflas: o remake de “O Circo”.

Comparing comedy geniuses is a good way to have a notion of their popularity and geniality. Cantinflas is commonly compared to Charles Chaplin, and it is told that Chaplin himself considered the Mexican comedian the best of the two. In the recent biopic Cantinflas (2014), a lot of poetic license is taken when the film shows how Chaplin was the one who sent the script of “Around the World in 80 Days” to Cantinflas and convinced him to do the movie, taking Cantinflas out of depression and giving him his big break in Hollywood. All this script story is much probably invented, but there is something connecting Chaplin and Cantinflas: the remake of “The Circus”.  
Resolvi ver “El Circo” (1943) em um domingo à noite apenas porque, com 92 minutos de duração, seria uma diversão relativamente rápida. Comecei a ver, a rir, e a me dar conta de que eu já conhecia aquela história. Era como se eu estivesse tendo um déjà vu. Mas aí me lembrei de que no mundo do cinema não existem déjà vus: existem apenas remakes.

I decided to watch “El Circo” (1943) on a Sunday night only because it was a relatively quick distraction, clocking at 92 minutes. I started watching, laughing, and realized that I already knew that story. It was like having a déjà vu. But then I remembered that in the film world there are no déjà vus: there are only remakes.
No filme de 1928, Chaplin é o conhecido Vagabundo. Acusado injustamente de roubar uma carteira. Perseguido por um policial, ele foge e invade o picadeiro do circo. Ele interfere em diversos números do circo, e é aplaudido pelo público. Logo, o Vagabundo é contratado pelo dono do circo e se apaixona pela filha do dono do circo, a equilibrista (Merna Kennedy). Ele limpa jaulas e o picadeiro, ensaia com palhaços, participa dos números do mágico e dos equilibristas.

In the 1928 film, Chaplin is the well-known Tramp. He is wrongly accused of stealing a wallet. Running away from a police officer, he invades a circus presentation. He interferes with several circus numbers and the public loves him. Soon the Tramp is hired and falls in love with the circus’s owner’s daughter and bareback rider (Merna Kennedy). He cleans cages, rehearses with clowns, takes part in magic tricks and acrobatic numbers.

No filme de 1943, Cantinflas é um sapateiro anônimo. Ele vai a um show do circo, e se apaixona pela domadora de cavalos e filha do dono do circo, Rosalinda (Gloria Lynch). Ela vai à oficina dele pedir que ele conserte sua bota e, ao ir entregá-la no circo, ele acaba contratado para trabalhar lá. Ele acaba sendo trapezista, limpador de jaulas, mestre de cerimônias e equilibrista.

In the 1943 film, Cantinflas is na unnamed shoemaker. He goes to a circus presentation and falls in love with the circus’s owner’s daughter and horse tamer, Rosalinda (Gloria Lynch). She goes to his shoe shop and asks him to fix her boot. When he goes to the circus to give her the fixed boot, he is hired to work there. He works as a trapeze artist, cage cleaner, master of ceremonies and acrobat.
É particularmente interessante observar como um filme mudo é refeito como filme falado. Chaplin fez um filme recheado de gags visuais, enquanto a versão de Cantinflas está cheia de frases bem-humoradas e inesperadas, além de uma boa quantia de trocadilhos que infelizmente perdem a graça quando traduzidos. “O Circo” de Chaplin e “El Circo” de Cantinflas são, por isso, filmes com fontes de comédia diferentes, mas histórias idênticas.

It’s particularly interesting to see how a silent film is remade as a talkie. Chaplin made a film full of visual gags, while Cantinflas’s version has a lot of humorous quotes, unexpected comebacks and also a good amount of puns that, unfortunately, make no sense when translated. Chaplin’s “The Circus” and Cantinflas’s “El Circo” are movies with different comic sources, but identical plots.
“El Circo” foi produzido pela Posa Films, um pequeno estúdio e distribuidor do qual Cantinflas era um dos sócios. A Posa Filsm foi responsável por diversas paródias de filmes hollywoodianos, como “Ni Sangre Ni Arena” (1940) e “Romeo Y Julieta” (1943), que parodiavam “Sangue e Areia” (1922, remake em 1941) e “Romeu e Julieta” (1936). Ambas as paródias estrelavam Cantinflas.

“El Circo” was produced by Posa Films, a small studio and distributor owned by Cantinflas and two other partners. Posa Filsm was responsible for several parodies of Hollywood films, like “Ni Sangre Ni Arena” (1941) and “Romeo y Julieta” (1943), parodies of respectively “Blood and Sand” (1922, remade in 1941) and “Romeo and Juliet” (1936). Both these parodies starred Cantinflas.
Misturando comédia física, verbal e uma pitada de emoção, Cantinflas conseguiu fazer um excelente remake. Seus melhores filmes ainda estavam por vir, mas, para quem quer conhecer a obra do grande mexicano, “El Circo” é um ótimo ponto de partida.

Mixing physical comedy, verbal slapstick and a bit of emotion, Cantinflas could make an excellent remake. His best films were still to come but, if you want to get to know the whole body of work of the great Mexican comedian, “El Circo” is a perfect starting point.

This is my contribution to the #AtTheCircus blogathon, hosted by dear Summer at Serendipitous Anachronisms and, well… me.



Thank you to all who took part in our event! There is more to come!  

3 comentários:

Virginie Pronovost disse...

Wow, I want to see BOTH film! They both sound fantastic! Great post as always Letícia! :) And thanks for hosting the blogathon!

Joe Thompson disse...

Hi Lê. I had never heard of the Cantinflas movie. I have to add it to my list. I enjoyed your essay and thank you for co-hosting the blogathon. I know it is a lot of work.

FlickChick disse...

Very interesting post. Very new to me. But, if you are going to steal, stealing from the best is the way to go. Many thanks for co-hosting, Le!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...