} Crítica Retrô

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Sunday, August 15, 2010

Dos musicais para as séries de TV

Olás a todos!! Nós já estamos mais do que acostumados a associar determinados atores e atrizes a determinados gêneros. Isso ocorre com grande freqüência nos musicais. Ruby Keeler, Dick Powell, Fred Astaire, Ginger Rogers, Judy Garland, Gene Kelly, Donald O´Connor, Leslie Caron e tantos outros fizeram história cantando e dançando. Tanto é que alguns trabalhos deles são quase desconhecidos. Vamos nos deter nas surpresas na carreira dos dois mais conhecidos dançarinos do cinema clássico: Kelly e Astaire.

Gene Kelly ficou mundialmente famoso dançando na chuva com febre e um forte resfriado. Mesmo quem nunca viu um filme clássico normalmente se lembra de ter visto a famosa cena, que entrou para a cultura popular. O que quase ninguém sabe é que, em uma série americana chamada “O Bom Pastor”(Going My Way, 1962/63), ele fazia o papel de um padre. Durante um ano, semanalmente, Gene usava uma batina e se comportava religiosamente bem. Mas não se iludam: houve um episódio em que ele ensinou um menininho a dançar, podendo, assim, voltar a sacudir seu esqueleto cheio de fé.

Já Fred Astaire, que desde os anos 30 sapateava e rodopiava com Ginger Rogers pelos ares, passou seus últimos anos de carreira dedicando-se a dramas. Um deles, “Inferno na Torre”, lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Ele também participou da série “O Rei dos Ladrões” (It Takes a Thief, 1968/70), na qual fazia pontas como o pai do personagem principal, Alexander Mundy, interpretado por Robert Wagner. A série era inspirada no filme “Ladrão de Casaca”, de Hitchcock, e é bem parecida com a atual “White Collar”. Também participou de “Galactica – Astronave de Combate” (Battlestar Galactica) e “Dr Kildare”.
Mais uma prova irrefutável de que algumas pessoas nasceram para brilhar em qualquer território.

Wednesday, July 28, 2010

Orson Welles e sua megalomania

Eu amo Orson Welles. Para mim, um dos melhores diretores de cinema e um artista completo. Só não é mais completo que Chaplin porque não compunha as músicas de seus filmes. No entanto, há uma semana, Soberba, de 1942, me decepcionou. Tudo bem, o filme era dublado e eu estava com sono, por isso me confundi um pouco. Mas o filme foi um fracasso já em seu lançamento, e não foi por causa de Welles.

Logo depois de Cidadão Kane, o diretor fez esta adaptação de um romance. Desta vez, não atuaria, apenas narraria. Há relatos que ele sequer esteve presente no set, dirigiu tudo por telefone. Mas fez um filme muito grande para a pequena e quase falida RKO. O filme, que tinha inicialmente 2 horas e 28 minutos teve 17 minutos cortados. Depois, quando Welles veio para o Brasil fazer um documentário encomendado pelo presidente dos EUA ( olha aí embaixo o diretor e o então presidente Getúlio Vargas), cortaram mais 43 minutos. E deu no que deu.


De fato, Orson era conhecido como uma pessoa difícil e viu sua carreira quase desmoronar após apenas dois filmes. Mas não aprendeu. Quando sua então esposa Rita Hayworth convenceu a Columbia a deixá-lo dirigir A Dama de Xangai, ele atacou novamente: no final, o filme ficou com duas horas e 35 minutos. Mas lá vieram os infelizes executivos e deixaram-no com apenas 87 minutos, 1 a menos que Soberba. E, na minha opinião, A Dama de Xangai é uma obra-prima. Fico imaginando se, a exemplo do que fizeram com Nasce uma Estrela de 1954, poderiam encontrar as partes cortadas e restaurar o filme à sua versão original.

Seria fantástico.

Saturday, July 17, 2010

Top Five – Excelentes traduções de títulos

Alô, colegas! De fato, não é fácil traduzir um texto, uma expressão e, em especial, um título de filme. Muitas vezes são dadas expressões cotidianas e gírias norte-americanas, ou nomes simplórios demais às produções. Qual não deve ter sido a dificuldade para traduzir “Duck Soup”, filme dos irmãos Marx?

Vamos à lista:


5. “Um Convidado bem Trapalhão” (“The Party”, 1968): Mais um título que não diz nada, “A Festa”, e foi muito bem consertado, dando a noção, também, de comédia.
4. “Duas semanas de prazer” (Holiday Inn, 1942): Poderiam ter colocado m subtítulo esquisito, como “Holiday Inn – O hotel”, mas o nome que causa estranheza à primeira vista tem um propósito: o hotel aberto por Bing Crosby só funciona nos feriados, que contabilizavam , na época, 14 dias.
3. “Janela Indiscreta” (Rear Window, 1954): A janela através da qual um James Stewart de perna engessada pratica voyeurismo com seus vizinhos não é apenas a “janela traseira”de seu apartamento, mas sim uma janela bem indiscreta.
2. “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” (“Airplane”, 1980): Também muito fraco, “Avião” foi transformado nesta célebre frase, a qual minha mãe adora repetir enquanto dirige, e que já nos dá a noção deque se trata de uma boa comédia.
1. “A Mulher faz o Homem” (“Mr. Smith goes to Washington, 1939): Ao invés de um simples “Sr. Smith vai a Washington”, este título nos revela muito, porque, de fato, o humilde protagonista não seria tão ousado e célebre em sua atuação política se não fosse por sua secretária, admiradora e incentivadora.



Pois é, nem sempre os tradutores fazem lambança na hora de dar títulos aos filmes!
Beijos,
Lê ^_^

Monday, July 12, 2010

Os losers estão de volta!



Eles surgiram há pouco tempo e já viraram mania mundial.Depois de milhões de downloads, visualizações dos vídeos no YouTube, muitos prêmios no Globo de Ouro, Satellite Awards e outros, 19 indicações para o Emmy de 2010, o seriado Glee volta para a segunda parte da sua primeira temporada na Fox nesta quarta-feira (14).


A história é simples e diferente: em uma escola, alguns dos alunos mais marginalizados e mal-vistos do Ensino Médio (entre eles, um homossexual, um cadeirante, asiáticos, líderes de torcida burrinhas e uma garota que não admite que alguém seja melhor que ela) entram para o desacreditado clube do coral. Então, descobrem o que têm de melhor (e de pior), passam a se aceitar e encontram forças na amizade, além de fazerem sucesso nos palcos.


Finalmente, desde os primeiros seriados teen da década de 90, são quebradas as odiosas panelinhas e é dado destaque para os excluídos, os diferentes, os “esquisitos”. A moda idiotamente copiada por adolescentes brasileiros do ataque e preconceito contra esses losers parece agora ter de enfrentar o sucesso de um grupo deles. É louvável que os seriados comecem essa reação cultural contra o preconceito, como acontece em “The Big Bang Theory”, em que os nerds são mostrados como pessoas interessantes, apesar de parecerem excêntricas, indo muito além de qualquer clichê ou estereótipo. Aliás, na década de 90, era comum ver, em traduções de filmes e séries, as palavras “nerd” ou “geek” virem como “idiota” ou “otário”.


Particularmente, me agrada muito a escolha das músicas, que vi desde os sucessos atuais aos mais antigos. Adoro o Kurt (e quem não gosta?) e amaria se ele tivesse mais solos, o que provavelmente não ocorrerá (quem assistiu ao episódio “Wheels” sabe o porquê). Gostaria muito que Chris Colfer ganhasse o Emmy de Ator Coadjuvante em Comédia. Mas ainda torço por Jim Parsons para Ator Principal em Comédia, pois o sem-sal professor Will não me agrada nem um pouco.


Como sempre, minha birra é pela mania da Fox de dublar suas séries, o que as descaracteriza um pouco, além de ser esquisito na hora em que o áudio original começa durante as músicas.


Enfim, ficamos prontos para o início deste novo ciclo e, espero, de uma nova mentalidade da juventude.
Beijos mil,
Lê ^_^

Monday, July 5, 2010

Meu Top 10 – Drama / Aventura

Olá!! Com certeza vcs já devem ter visto listas, até as oficiais do AFI (American Film Institution) com o ranking dos melhores filmes. Como uma boa aficionada, resolvi discordar um pouco dessas listas e bolar meus próprios “top 10”, começando pelas produções que nos levam às lágrimas: os dramas!

10- “Madame Curie” (idem, 1943): A descoberta do rádio e do polônio pela cientista (Greer Garson), com seu marido Pierre Curie, é relatada de maneira fascinante. Baseado nos relatos de uma filha do casal, mostra como foi difícil o caminho que levou Marie a ser a primeira e única pessoa a ganhar prêmios Nobel em categorias distintas.

9- “A Mulher faz o Homem” (Mr. Smith Goes to Washington, 1939): No Ano do Cinema, um simplório chefe de escoteiros (James Stewart) é indicado ao Senado para poder ser manipulado por um inescrupuloso bando. Sua única vontade é impedir a construção de uma barragem que passa por áreas preservadas importantes. Para isso conta com a ajuda e o incentivo de sua secretária (Jean Arthur).

8- “Nasce uma Estrela” (A Star is Born, 1937 / 1954): Hollywood é uma fábrica de sonhos, mas alcançar prestígio nestas terras não é fácil. Que o diga Esther Blodget, transformada por essa fábrica em Vicki Lester, superestrela. Seu apogeu coincide com a queda de seu marido, Norman Maine, astro alcoólatra que a encantou e incentivou. Eu só assisti à primeira versão, com Janet Gaynor e Fredrich March. Dizem que a segunda, com Judy Garland e James Mason, é melhor, até pela aproximação com a vida conturbada de Judy.

7- “Depois do Vendaval” (The Quiet Man, 1952): Ex-lutador (John Wayne, fora de um faroeste) volta para sua Irlanda natal após ter matado um adversário. Apaixona-se por uma moça difícil (Maureen O’Hara) e, contra a sua vontade, terá de lutar para casar-se com ela. Conta-se que o nome da moça, Mary Kate Danaher, veio da junção dos nomes das duas mulheres da vida do diretor John Ford: sua esposa Mary e Katharine Hepburn. Injustiça ter perdido o Oscar de Melhor filme para “O Maior Espetáculo da Terra”.


6- “A um Passo da Eternidade” (From Here to Eternity, 1953): A história se passa no Havaí em 1941, em um quartel militar onde um alto funcionário (Burt Lancaster) mantém uma escandalosa relação com a esposa do chefe (Deborah Kerr) e dois jovens soldados arrumam confusões: Montgomery Clift e Frank Sinatra, provando com um Oscar que não era apenas uma grande voz.

5- “A volta ao mundo em 80 dias” (Around the world in 80 days, 1956): Vc realmente viaja em três horas de aventuras e perigos que Phileas Fogg (David Niven) e seu “assistente” Passepartout (Cantinflas) vivem para ganhar uma aposta. Pura magia em todos os lugares pelos quais eles passam. Outro dia, inclusive, achei o livro de Júlio Verne em uma biblioteca. Nessa versão, o nome da personagem de Cantinflas é traduzido como “Chavemestra”. Loucura total.

4- “Julgamento em Nuremberg” (Judgement in Nuremberg, 1961): Alguns nazistas são julgados por um tribunal americano em Nuremberg, apenas 3 anos depois da guerra. Mas eles não são carrascos de campos de concentração, smas sim juízes e ministros que condenaram e promulgaram leis racistas. A atuação de Maximillian Schell, como advogado de defesa, até nos leva a crer na inocência dos acusados, e a bela Marlene Dietrich, que combateu os nazistas, está aqui defendendo-os para o juiz Spencer Tracy. Destaque também para os emocionados Montgomery Clift, Burt Lancaster e Judy Garland.


3- “A Dama de Xangai” (The Lady from Shanghai,1947): Orson Welles é meu favorito. Polivalente, roteirista, diretor e ator, deixou aqui mais um conjunto de pensamentos inesquecíveis (o que é ter vantagem? Quão importante é a essência de cada um? E a história dos tubarões em Fortaleza, então?) e uma sequência de tirar o fôlego na sala dos espelhos. Dirigiu Rita Hayworth com maestria mesmo em franca crise conjugal com a ex-ruiva. Uma curiosidade é que nosso poetinha Vinicius de Moraes estava nos EUA como embaixador e acompanhou as filmagens desta película.

2- “Casablanca” (idem, 1941): Aquele tipo de filme que todos sabem o que vai acontecer no final, mas mesmo assim atrai multidões. Não há outro que deixou tantas frases no imaginário e no vocabulário das pessoas, ou uma música tão memorável tocando tantos corações (aliás, meu sonho é aprender a tocar As Time Goes By no piano). Que importa o aparente coração frio de Rick (Humphrey Bogart) e o final pouco usual? Entrou para a história.

1- “E o vento levou” (Gone with the Wind, 1939): É tudo!!! As 3h42min mais bem gastas, com um filme surpreendente, atuações primorosas, imagens incríveis e a mais humana das personagens: Scarlett O’Hara (Vivien Leigh). Não dá para ser o mesmo depois de assisti-lo. Vc fica pensando, digerindo a trama por horas após o fim. E não é possível chegar à conclusão de que a voluntariosa mocinha mereceu ou não sua sina.

Infelizmente, eu ainda não tive a oportunidade de ver Cidadão Kane, aclamado por duas vezes como o melhor filme de todos os tempos.

Beijos!!

Thursday, July 1, 2010

Drummond e o cinema clássico

Olá, amigos!! Sou uma grande apreciadora de literatura: leio muito, de quase tudo, adoro estudar as vidas e as obras dos mais diferentes autores. Um dos meus favoritos é o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Como pessoa sensível e observadora no seu tempo, “o breve século XX”, ele escreveu muito sobre os marcantes acontecimentos da época. Mas não foi só sobre isso que o poeta versou: sendo também um consumidor de arte nos anos 1900, Drummond também falou sobre as estrelas e os filmes clássicos. Como os poemas são vários e um pouco extensos (por favor, não fique desestimulado a ler porque eles são grandes, vale à pena) para colocar em um post, aqui vão alguns links:

Canto ao homem do povo Charles Chaplin:
http://www.lumiarte.com/luardeoutono/drummond1.html



Joan Crawford: In Memorian
(o poema está na página 16 – desculpe por estar num formato tão esquisito, foi muito difícil achá-lo) http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/banco_objetos_crv/4_A_LITERATURA_EM_DIALOGO_COM_OUTRAS_ARTES.pdf



Os 27 filmes de Greta Garbo: http://pracadapoesia.blogspot.com/2011/02/os-27-filmes-de-greta-garbo.html


A Carlito: http://mila-chaplin.blogspot.com/2007/10/carlito-carlos-drummond-de-andrade.html


Outros dois poemas, chamados “O Grande Filme”, sobre Intolerância, de 1916,e “Retrorelâmpago de amor visual”, que cita várias atrizes clássicas que Carlos considera como suas namoradas, são muito pouco conhecidos e, portanto, não consegui encontrá-los. Se tiver um tempo, digito-os para vcs.
Beijos cinematográficos,
Lê ^_^

Saturday, May 22, 2010

Ziegfeld Follies e estranhas coincidências


Minha idéia original era apenas comentar os divertidos segmentos do musical de 1945, Ziegfeld Follies. Mas as notícias recentes não me deixam fazer isso: fiquei arrepiada com as estranhas coincidências que aconteceram na semana após a exibição do filme:


* Na segunda-feira seguinte, não conseguia tirar da cabeça a música Love, cantada lindamente no filme por Lena Horne. E qual não foi meu espanto quando vi no jornal que ela tinha morrido? Sinistro
* Procurando mais informações na internet, não pude deixar de me deparar com as Ziegfeld Girls. Li que ainda havia uma viva, com 106 anos. E, na terça-feira, ela também faleceu!
* Outra que também nos deixou recentemente foi Kathryn Grayson, que canta a música final do filme (There's Beauty Everywhere).


Em suma, ou eu tive a comprovação de meus poderes paranormais, ou foi apenas uma série de infelizes coincidências. Mas vamos à parte deliciosamente divertida do filme:


# Fred Astaire se apresenta quatro vezes, no número inicial, Here's To The Girls, na valsa com Lucille Bremmer (This Heart of Mine), na trágica dança Limehouse Blues, e em um maravilhoso sapateado com Gene Kelly.
# Judy Garland canta e representa em The Great Lady Has an Interview.
# Bons “esquetes”, como “Pague os dois dólares”, “Número, por favor”, e a ótima sequência com Fanny Brice.
# Esther Willians está maravilhosa em um balé aquático e o superclássico é super bem representado pela Traviata.


Viva os musicais de 1940! Pura diversão!

Saturday, May 8, 2010

E no mês com os melhores filmes...

Olá! Venho hoje meio triste comentar o especial de maio do TCM, Swing Time. Os melhores e mais famosos musicais de todos os tempos sendo exibidos, infelizmente, no meu horário de aula. Gosto muito de musicais pela beleza da música e da dança e pelo puro entretenimento: filmes feitos para nos distanciarmos do mundo real por um tempo e nos envolvermos pela simples história e pelos belos passos. Em suma, produções para serem vistas em um momento de lazer de que eu não disponho ultimamente.
E, de novo, o site do TCM traz uma introdução pontual e inspirada para o especial (estou virando fã do autor desses textos):



Adaptação natural do teatro às telas, o musical encontrou no cinema o cenário ideal para exibir todo o seu brilho, tão sinônimo de espetáculo quanto uma resplandecente marquise.

Em maio, o TCM se orgulha em apresentar o especial Swing Time, em que veremos astros fulgurantes como Fred Astaire, ao lado de sua inseparável loura Ginger Rogers; Frank Sinatra, visitando pela primeira vez sua amada Nova York vestido de marinheiro; Gene Kelly, em uma belíssima coreografia sob uma chuva torrencial; John Travolta, ostentando um topete engomado e jaqueta de couro acinturada, se exibindo com uma dança sedutora à Olivia Newton-John; uma camaleônica Julie Andrews impostando sua voz em um cabaré parisiense e fingindo ser um transformista… e veremos até o nascimento de uma verdadeira estrela como Judy Garland entoando doces melodias, desde a cidade de St. Louis até o final de um arco-íris musical.

Coreógrafos brilhantes e diretores audaciosos serão os refletores que iluminarão o céu na noite de estreia. O perfeccionista Busby Berkeley contribuirá com suas caleidoscópicas representações abarrotadas de extras; Gene Kelly – do outro lado da câmera desta vez – exibirá suas complexas e inovadoras coreografias, e Bob Fosse contribuirá com um pouco de transgressão e erotismo. Outra contribuição moderna e iconoclasta é a de Alan Parker, que fez a fama de um grupo de jovens que incendiou com sua espontaneidade e ímpeto o gênero e, em sua parceria com o Pink Floyd, quebrou o muro que separava o musical de temáticas obscuras. Assim como Andrew Lloyd Webber, que iluminou com ares de flower power a paixão de Jesus Cristo.
Fique de olho na tela porque o show vai começar!

Saturday, May 1, 2010

Cadê o filme que estava aqui?


Não se assustem, aqui no blog não tem nenhum filme desaparecido. Faço essa pergunta para o querido canal TCM, especializado em filmes clássicos, que vira e mexe exibe um filme bem diferente da programação prometida. Vamos citar os exemplos que eu mesma presenciei:
1- Outro dia, no especial Hitchcock, estava prometido o filme Suspeita, com Cary Grant e Joan Fontaine. Certo, até que ele começou a ser exibido, mas sem áudio, só um chiado insuportável. Entra a propaganda (comercial no meio de um filme no TCM é sinal de que deu xabu), mas logo aparece a vinheta do mesmo estúdio RKO. O que acontece é que começa Levada da Breca, de 1938, com o mesmo Cary Grant e Katharine Hepburn, uma comédia substituindo um suspense!! E o detalhe é que Levada da Breca era dublado, com vozes esquisitíssimas.

2- No mês de março, os reponsáveis pela programação estavam meio pirados. Primeiro, A Volta ao Mundo em 80 Dias começou 2 horas antes do previsto, no lugar de O Morro dos Ventos Uivantes (os dois filmes com David Niven). Nos dois sábados seguintes, O Maior Espetáculo da Terra foi exibido duas vezes, no mesmo horário.
3- Numa tarde, estava prometido Dançando nas Nuvens, com Gene Kelly (bem, se há dança só pode ser Gene Kelly – ou Fred Astaire), mas nem chegou a começar: a atração exibida foi O Mágico de Oz (preciso citar o elenco?). Ok, trocou-se um musical por outro. Mas o pior ainda está por vir...
4- Em uma noite, havia a indicação da exibição de Nasce uma Estrela (não sei se é a versão com Judy Garland ou com Barbra Streisand, mas tenho certeza de que não era a original, com Janet Gaynor). E qual não foi minha surpresa quando vi que estava sendo exibido O Poderoso Chefão, de 1972? Quem troca um drama musical por um drama gângster? Só o TCM mesmo.
Enfim, erros como esses são até compreensíveis. Lembro-me agora apenas destes, mas se houve mais, devemos torcer para que sejam cada vez menos freqüentes, porque esse é um sinal de que há um problema com a qualidade dos arquivos que poderiam ser exibidos para um público fiel, como nós.
Beijos e até logo!
Lê ^_^

Thursday, April 1, 2010

TCM, sobre Greta Garbo

Olá! Nós, cinéfilos de plantão, sabemos que no dia 15 desse mês de abril faz vinte anos que o mundo perdeu Greta Garbo, um dos mais belos rostos do cinema. Nesse dia, o canal especializado em cinema clássico TCM vai prestar uma homenagem exibindo 5 de seus filmes (meu Deus, eu tenho que parar minha vida por um dia e ver esse especial!!). O que mais me chamou atenção foi esse texto no site do TCM, sobre o especial, que, ao que parece, foi escrito por um poeta ou um grande admirador:





Dona de um rosto perfeito e gélido – e, às vezes, capaz de transmitir emoções intensas -, artífice de uma vida coberta por um véu de mistério e de uma reclusão precoce e impenetrável, ela se fez um dos mitos mais emblemáticos da história do cinema: Greta Garbo, “a mulher que não ri”.

Nascida em 1905, Greta Lovisa Gustafsson começou sua carreira de atriz no cinema mudo, aos 15 anos de idade, em sua Suécia natal. Sua beleza irretocável e sua expressividade na tela deslumbraram o soberano da MGM, Louis B. Mayer, que a levou a Hollywood com um contrato exclusivo. A chegada do cinema sonoro, longe de prejudicá-la, a estabeleceu definitivamente, quando se escutou sua voz pela primeira vez com um carregado sotaque sueco, no filme Anna Christie(1931). Tanto seus seguidos sucessos nas telas quanto os rumores de sua ambiguidade sexual e o hermetismo de sua vida privada começaram a transformá-la em uma lenda. Surpreendentemente, no topo de sua popularidade e com apenas 36 anos, ela encerrou abruptamente sua louvada carreira e iniciou seu afastamento da vida pública, desatando uma feroz perseguição por parte da imprensa, a qual ela respondia com uma distância ainda maior.

Rodeada pelo mesmo mistério que inspirou toda a sua vida, em 15 de abril de 1990, Garbo deu seu último passo em direção à imortalidade. A 20 anos desse dia, o TCM presta uma homenagem à estrela com cinco de seus filmes mais celebrados - Mata Hari (1931), Rainha Cristina (1933), O Véu Pintado (1934), A Dama das Camélias (1936) e sua surpreendente incursão pela comédia, Ninotchka (1939), para que, como uma homenagem, possamos esboçar um respeitoso e tímido sorriso recordando a mulher que decidiu, talvez, rir sozinha.



Lindo e à altura desse grande talento da sétima arte, não?
Beijos!
Lê ^_^

Saturday, January 16, 2010

O dia em que a MGM emprestou Clark Gable

Atuando desde 1925, Clark Gable era uma das estrelas da MGM, sempre como galã em dramas e romances. Em 1934, ele recusou fazer um filme e, como punição, seus serviços foram postos à disposição da até então inexpressiva Columbia. Foi assim que ele ganhou seu único Oscar, por um papel que nunca teria na MGM.
Frank Capra, um conhecido diretor, leu um conto sobre uma herdeira em fuga que apaixona-se por um jornalista e resolveu transformar a história em um filme. Usou Gable, que estava disponível, e viu várias atrizes recusarem o papel principal por acharem a história ruim. Ele chamou então Claudette Colbert, que estava prestes a sair de férias. Relutante de início, ela só aceitou fazer o filme se dobrassem o seu salário (de 24 mil dólares semanais, foi para 50 mil) e se todo o filme fosse rodado durante suas quatro semanas de férias. Capra aceitou, mas ela mesmo assim reclamava nos sets e teria comentado, após o fim das filmagens, que esse fora seu pior filme. Ela também ganhou seu único Oscar de melhor atriz, tendo, na cerimônia, apenas agradecido o prêmio e o dedicado ao diretor.

Surpreendentemente, “Aconteceu Naquela Noite” foi responsável pelas 5 primeiras nomeações da história da Columbia e ganhou todos os prêmios (Melhores Filme, Ator, Atriz, Diretor e Roteiro), feitos só repetido em 1975, por “Um Estranho no Ninho”. Ao contrário do que se poderia imaginar, foi sucesso de bilheteria e de crítica.

Curiosidade 1: Clark Gable nunca havia feito comédias, e se divertiu muito nas filmagens. A cena em que, no meio da estrada, ele come uma cenoura, serviu de inspiração para a criação da personagem Pernalonga, em 1938.

Curiosidade 2: Claudette não queria tirar a roupa em frente às câmeras nas cenas em que ela e Gable estavam em quartos de pensões. Por isso ela sugeriu que fosse posto um cobertor para separá-los, já que as personagens não eram casadas, de maneira que só Clark fosse mostrado despindo-se. As “muralhas de Jericó”, como ficou conhecido o cobertor, viraram um símbolo do filme e conferiram humor e sensualidade à cena final.
Curiosidade 3: Na época, a camiseta era uma peça usada embaixo da camisa, para evitar manchas de suor. Nas cenas em que Clark Gable tira o terno e veste seu robe, ele não usa camiseta, porque Frank Capra achou que a cena ficaria longa e cansativa. Desde então as vendas de camiseta despencaram por causa do filme, e algumas fábricas ameaçaram processar a Columbia.

Enfim, essa semana vi o filme e adorei! Vale a pena conferir, por ser tão bom, tão premiado, e ter sido feito em tão pouco tempo!! Abraços,
Le^_^
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