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domingo, 15 de setembro de 2013

Oliver Stone: cinema & política

Desde o cinema mudo ficou comprovado que a sétima arte era uma forte arma de propaganda política (D. W. Griffith sabia bem disso) e todos os momentos críticos do século XX, em qualquer país, espelharam e inspiraram obras cinematográficas. Entretanto, se durante as duas guerras mundiais os filmes eram feitos sempre para a exaltação dos Estados Unidos, isso estava para mudar. Já durante o Macarthismo, a perseguição louca aos comunistas, os políticos não encontraram apoio total em Hollywood e isso se refletiu em grandes obras alegóricas sobre o assunto. Mas são casos isolados na filmografia de um ou outro diretor. Na década de 1970 chega Oliver Stone, pronto para mudar a política de seu país através de filmes inesquecíveis.
Stone é o diretor de “Platoon” (1986), “Wall Street” (1987) e “Nascido em Quatro de Julho” (1989), mas este post se concentra em “Salvador – O martírio de um povo” também de 1986. Em um enfoque pouco usual dos problemas de um país estrangeiro e tão estranho ao público quanto El Salvador, Stone mostra muito da política externa de seu país não apenas para um público às vezes distante no tempo, mas também para os próprios americanos.
O jornalista Richard Boyle (James Woods) e seu amigo DJ drogado Doctor Rock (James Belushi) têm em suas mentes a mesma imagem da América Latina que milhões de americanos na época tinham: seu quintal, sua área de lazer, local para diversão sem lei e, claro, antro de prostituição. Eles passam pela Guatemala e chegam a El Salvador, onde Richard já esteve, e descobrem que lá há uma guerra civil. Reencontrando-se com seus velhos conhecidos, entre eles voluntários que ajudam os desabrigados, Richard, que acabou de sair da prisão, resolve fotografar a guerra e vender suas fotos para a imprensa americana. Quando a situação fica grave e muito perigosa, Richard percebe que não pode deixar o país sem sua companheira, María (Elpidia Carrillo).   
Desde o começo somos avisados de que estamos diante de uma explosão de pólvora e adrenalina. Os créditos por si só são eletrizantes. Os banhos de sangue são constantes. Os jornalistas fotográficos podem ter a melhor foto em troca da própria vida. Os fracos não tinham vez em El Salvador e em nenhum outro país que os Estados Unidos invadiram no século XX com a intenção de impedir o avanço do comunismo.
Antes de seus grandes trunfos, dos quais “Salvador” é o primeiro, Oliver Stone foi roteirista de grandes filmes como “O Expresso da Meia-Noite” (1978) e “Scarface” (1983). Antes disso, ele foi aluno de Martin Scorsese na Universidade de Nova York e dirigiu dois filmes de terror no início dos anos 70. Entretanto, ele havia vivenciado o horror real entre 1967 e 1968, quando combateu na Guerra do Vietnã.
A Guerra Civil de El Salvador se iniciou em 1980, em um embate entre o governo de direita (portanto, apoiado pelos EUA) e a guerrilha de esquerda. Antes do filme de Stone, nunca o cinema tinha agido de forma tão contundente para acabar com um conflito em andamento. Sim, “O Franco-Atirador” é um dos filmes que se mostram contra a Guerra do Vietnã, mas a película estreou três anos após o fim do conflito. Aliás, há durante toda a projeção de Stone a possibilidade sinistra de que El Salvador seja para os Estados Unidos um novo Vietnã.
Além de mostrar a presença americana, o filme também faz uma análise do impacto da guerra para os personagens. Há a pertinente reflexão sobre como ambos os lados estão errados ao usarem violência extrema, mostrando que não devemos sentir pena quando a barbárie não tem lado. Por vezes o filme adquire tons de documentário, em especial no final, quando adota uma narrativa semelhante à das produções sobre pessoas reais. De fato, as experiências do jornalista Rick Boyle serviram de inspiração para o filme, e ele foi responsável pelo roteiro. Entretanto, não se deu bem com James Woods, que o interpreta no filme. 

“Salvador” foi bem recebido entre os críticos, mas não foi um sucesso de público. Após o triunfo na cerimônia do Oscar de outro filme do diretor, “Platoon”, lançado no mesmo ano, “Salvador” ganhou mais atenção e voltou aos cinemas, desta vez atraindo mais espectadores. Mesmo que muitos deles ficassem chocados com o horror na América Central, a opinião popular não pressionou o suficiente para acabar com o conflito, que durou até 1992. Mesmo assim, Oliver Stone mostrou bem que tinha chegado para mudar os rumos da história e do cinema.

This is my contribution to the Oliver Stone Blogathon, hosted by Ratnakar at Seetimar - Diary of a Movie Lover. 

6 comentários:

Pedrita disse...

eu me incomodo com filmes que fazem propaganda a um regime político. mas acho importante ver filmes que falem de uma parte da história, mesmo que de forma tendenciosa. pq aí é procurar a obra seguinte que vai criticar para pensar e encontrar a própria opinião. beijos, pedrita

Marcelo C,M disse...

Otima matéria.

Carol Caniato disse...

Pareceu muito bom esse! Vou colocar na minha lista :) Não conheço muito o Oliver Stone, achei muito bom o post! Já assisti Platoon e curti muito.
Beijinhos!

Gilberto Carlos disse...

Gosto dos primeiros filmes de Oliver Stone, principalmente Platoon e Nascido em 04 de julho, que considero os melhores.

Rubi disse...

Do Oliver Stone vi alguns filmes, talvez não muito conhecidos, e anos atrás. Consegui encontrar o Dvd de Platoon por acaso e assim que o vi, comprei. Tenho uma enorme vontade de seguir toda sua filmografia, em ordem cronológica aliás. É um diretor bastante peculiar, eu diria.

Beijos!

Suzane Weck disse...

Ola,vi poucos filmes de Oliver Stone,sendo que "Salvador" não esta entre eles.A matéria que escrevestes esta excelente pois conseguistes nos dar um brilhante "trailer" do filme.Meus cumprimentos querida LÊ.

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