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Thursday, October 13, 2011

Inocente Pecadora (1920) / Way Down East (1920)

Um melodrama singular dirigido por D. W. Griffith e estrelado por sua musa e constante colaboradora Lillian Gish, “Inocente Pecadora” ("As Duas Tormentas" em Portugal), com seus 145 minutos, embora com o subtítulo de "uma história simples de pessoas comuns", é prolixo e ao mesmo tempo fluente como a catarata para que Anna se dirige sobre uma pedra de gelo, no clímax da produção.

A singular melodrama drected by D.W. Griffith, starring his muse and Constant collaborator Lillian Gish, “Way Down East”, with its 145 minutes, although with the subtitle “a simple story of common people”, is exaggerate and at the same time fluent as the waterfall where Anna is going to, over a huge ice rock, in the film’s climax.


Assim como a maioria dos filmes mudos, esse tem também uma série de intertítulos que servem de prólogo da ação. Aqui vemos uma celebração do casamento monogâmico e o sofrimento que a infidelidade masculina pode causar para a mulher. As personagens têm nome, mas, como o próprio filme explicita, poderiam ser qualquer pessoa (ainda não houve a sacada de chamar as personagens apenas de "esposa" ou "marido", como faria Murnau em "Aurora", em 1927). Por si só, uma apresentação interessantíssima. E, quando a ação começa, nos vemos enfeitiçados pelo encanto virginal de Lillian e torcemos para sua personagem, embora, como em outros filmes, ela sofra, sofra, sofra e sofra mais um pouco durante toda a projeção.

Like many other silent films, here we also have some intertitles used to set the prologue. Here we see a celkebration of monogamy and the suffering that the male infidelity causes in a woman. The characters have a name, but the movie reinforces that they could be anyone (there hadn’t yet been the case of naming the characters just “the wife” and “the man” like it was done in “Sunrise”, from Murnau, in 1927). Standing alone, this is a very interesting prologue. And, when the action finally starts, we are bewitched by Lillian Gish’s virginal spell and we start rooting for her character, even though she suffers, suffers and suffers a little more, like other characters played by Lillian in other movies.


Anna, uma pobre jovem da Nova Inglaterra, vai a Boston pedir ajuda financeira para uma tia rica. Acolhida falsamente pela ricaça, ela acaba participando de uma festa na mansão, chamando a atenção do mulherengo Lennox Sanderson (Lowell Sherman). Depois de algumas investidas, ele a pede em casamento, mas implora que ela mantenha segredo sobre a cerimônia, pois ele não quer perder a “mesada” que ganha do tio. Mas ela não pode esconder a verdade por muito mais tempo, pois um herdeiro está a caminho. É aí que ele revela que eles não são realmente casados, deixando-a sozinha e desamparada após a morte da mãe. Anna passa a ser vista como “pecadora” por ter um filho sem ser casada, embora seja “inocente” por ter sido enganada por Lennox.


Anna, a poor Young woman from New England, goes to Boston to ask for financial help to a rich aunt. Taken without affection by the old woman, Anna takes part in a party at the mansion, and there she meets Lennox Sanderson (Lowell Sherman). After a few hits, he proposes to her, but begs her to not tell anyone about the marriage, so he won’t lose the ‘allowance’ his uncle gives him. But she can’t hide the truth for much longer, because she is with child. Then he reveals that their wedding was not valid, and he leaves her completely alone, because she had just lost her mother. Anna is now a ‘sinner’ because she had a child out of wedlock, but she is ‘innocent’ because her confidence was betrayed by Lennox.


Mais uma série de tragédias se segue. Numa sequência comovente, Anna batiza seu bebê sabendo que ele está muito doente e segura-o nos braços até ele morrer, quando ela tenta, sem sucesso, reaquecer seu corpinho. Lillian relembra que o pai do bebê estava no set de filmagem e, com a comoção causada pela cena, desmaiou. A sinistra mulher que alugava a casa para a jovem a obriga a sair, pois ela não tem boa reputação. Anna tenta recomeçar sua vida na fazenda Bartlett, escondendo seu passado. Mas um dos vizinhos próximos é o próprio Lennox, que a enganara e agora teme que sua presença estrague seus novos planos de romance com Kate (Mary Hay), até então comprometida com David (Barthelmess). Curiosamente, Barthelmess e Hay se casaram na vida real. Corine Seymour, presença constante nos filmes de Griffith, gravou várias cenas como Kate antes de adoecer gravemente e falecer aos 21 anos. Ela foi substituída por Mary e o que vemos na tela é uma mistura das atuações das duas atrizes.

Another series of tragedies strike. In a moving sequence, Anna baptizes her baby knowing he is very sick and holds him in her arms until he dies, and then she tries, without success, to keep his little body warm. Lillian remembers that the baby’s father was on the studio watching the scene and, moved by it, passed out. The sinister woman who rented Anna a room sends her away because of her bad reputation. Anna tries to start again at the Bartlett farm, hiding her past. But one of the neiughbors is Lennox himself – he now fears that Anna’s presence so near spoils his plans to romance Kate (Mary Hay) who was until then dating David (Richard Barthelmess). As ca curiosity, Barthelmess and Hay got married in real life. Corine Seymour, a constant presence in Griffith’s films, shot several scenes as Kate before she fell gravely ill and passed away at age 21. She was replaced by Mary Hay and what we see on screen is a mix of the two girls’ performances.



Lillian está especialmente bonita nesse filme, quase sempre com seus longos cachos presos em um coque. Os closes durante a festa chique são de uma beleza única, assim como a interação infantil com uma pombinha. É impossível não ser ofuscado por sua presença. Seu co-protagonista Richard Barthelmess (com quem também atuou em “Lírio Partido / Broken Blossoms”, no ano anterior), o sensível fazendeiro David Bartlett, não chega aos pés dela em tempo em cena. Seu grande momento é quando recita um poema para ela e diz que sempre a amou – além, é claro, dos momentos como herói perto do final.

Lillian is particularly pretty in this film, with her long curls almost always in a bun. Her close-ups in the fancy party are beautiful and unique, almost as beautiful as her childish interaction with a dove. It’s impossible not to be overshadowed by her. Her scene partner Richard Barthelmess (with whom she did “Broken Blossoms” the previous year), as the sensitive farmer David Bartlett, has much less screen time than her. His great moment arrives when he recites a poem to her and tells her he has always loved her – besides, obviously, his moments as a hero in the end.


A versão a que eu assisti tem a maioria de suas cenas em tons de sépia, com algumas poucas – em especial a da catarata – em um tom de azul que me lembrou da própria Gish balançando o berço em “Intolerância” (1916). Em se tratando de visual, não podemos deixar de falar da sequência na nevasca, criada exclusivamente para o cinema, que culmina com Anna desmaiada em uma pedra de gelo (feita de madeira pela equipe cenográfica) e sendo levada para a morte. Lillian permaneceu horas com a mão mergulhada nas águas geladas de um rio para completar a cena, ficando com problemas motores na mão direita pelo resto da vida.

The version I watched has mosto f its scenes in sepiatone, with a few – in special the waterfall sequence – in a blue tone that reminded me of Gish herself rocking the cradle in “Intolerance” (1916). If we’re talking about visuals, we have to mention the snowfall sequence, created especially for the film, that culminates with Anna passed out on an ice rock (made of wood by the scenographic team) and being taken slowly to her death. Lillian spent several hours with her hand in the icy waters of a river, what led her to have motor problems in her right hand for the rest oif her life.



A música é simpática, combinando melodias agradáveis que se intercalam e algumas músicas conhecidas usadas em pequenos momentos, como a Marcha Nupcial, uma canção de ninar e a cantiga folclórica infantil "Three Blind Mice". Em uma cena de dança (dança no cinema mudo é algo bastante peculiar) a futura estrela Norma Shearer participa como extra. Para surpresa geral, Griffith, em meio ao drama de Anna, salpica momentos e personagens cômicos. Mais uma vez ele constrói histórias paralelas (um gosto pessoal) que nem sempre se mostram úteis (um defeito pessoal).

The soundtrack in this version is very nice, as it mixes pleasant tunes and some well-known songs used in particular moments, such as the Wedding March, a lullaby and the folkloric “Three Blind Mice”. In a dance scene (something that is quite peculiar in a silent movie) future film star Norma Shearer is an extra. As a surprise, Griffith adds, in the middle of Anna’s drama, many comic reliefs. Once more, he builds parallel stories (something he was fond of) that are not exactly useful (something he is guilt of). 


O tema excessivamente puritano soa datado. Anna não poderia mais se casar porque ela não é "a branca flor virginal" com que David sempre sonhou. Hoje isso não mais se aplica (e se aplicasse, meu Deus!).  No entanto, outros aspectos moderninhos prevalecem, como Anna acusando Lennox de tê-la enganado sem medo da reação alheia (OK, ela não tinha medo porque sua situação não podia ficar pior), David atacando o pai após este expulsar Anna e alguns detalhes finais: um beijo cômico entre dois homens e o beijo entre Anna e a sogra, selando a união e terminando a película.

The excessively puritane theme sounds dated. Anna couldn’t get married anymore because she is not the “white virginal flower” that David has always dreamed of. Today, the exigence of being a virgin is almost over in the world (thank God!). However, there are some modern aspects in this movie, for instance: Anna confronting Lennox and accusing him of betraying her, a confront in a fearless way (even though her sitation couldn’t get any worse), David attacking his father after he expels Anna and some final details: a comic kiss between two men and the kiss between Anna and her mother-in-law, a gesture that shows the union is sealed and the movie is over.



Como não gosto do melodrama exagerado de Griffith, não me empolguei com o clímax no gelo, mas confesso que é uma sequência tecnicamente impressionante e de beleza pungente. Este filme foi 175 mil dólares mais caro que o épico "O Nascimento de uma Nação / The Birth of a Nation" (1915). Nada controverso, ele acabou se tornando um sucesso absoluto de público. Surpreendente, incrivelmente moderno em alguns pontos e ultrapassado em outros, "Inocente Pecadora" ainda emociona, diverte, prende o espectador e, em especial, mostra o talento incontestável de Lillian Gish.


I’m not a fan of Griffith’s exaggerated melodrama, so I wasn’t that moved by the clímax in the ice, but I have to agree that the sequence is impressive and very beautiful. This film costed 175,000 dollars more than “The Birth of a Nation” (1915). As it was not controverse, it ended up being a box-office hit. It is surprising, incredibly modern in some points and dated in others, but “Way Down East” is still able to move, entertain, attract the viewer’s attention and, in special, show Lillian Gish’s indisputable talent. 


th,

17 comments:

Anonymous said...

Oi, Le!
Adorei seu blog, de verdade, críticas de filmes retrô são sempre bem vindas, né. Não pare o bom trabalho!
Vou favoritar seu blog lá nos meus, tá?

PS: Quero muito ver "Inocente Pecadora" agora!

Beijão!

Rui Luís Lima said...

Olá
Obrigado pela visita e comentário.
Gostei muito do seu blog, já o estou a seguir. Os nossos parabéns.
Este filme do Griffith é espantoso e a Lilian Gish está fabulosa como sempre.
Cumprimentos cinéfilos
Rui Luís Lima

ANTONIO NAHUD JÚNIOR said...

Esse filme é fabuloso, Lê. A gente fica o tempo todo torcendo por Lillian. E tem a Norma Shearer numa ponta...

O Falcão Maltês

Ravel said...

Oi, Letícia! Obrigado pela visita em meu blog, meio bagunçado mas, enfim, cheio de boas intenções (espero que eu não vá pro inferno por causa disso, re re). O seu é fantástico! Seu textto e suas análises são de excelente qualidade, e instigam muito a ver os filmes. Estou louco pra ver Inocente Pecadora. Volte sempre em nossos arquivos, e se um dia quiser colaborar será muito bem vinda. Um abração!

As Tertulías said...

Mas que postagem divina... menina, porque voce nao entra para o blog da Carla Marinho (é um grupo de blogs): http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/

esta tua postagem sobre Gish deveria ter entrago lá - ela na semana passada fez uma homenagem! Poca, seríamos uns felizardos se vce, com toda essa sensibilidade, entrasse para lá...

Samara de Oliveira said...

Olá Lê... obrigada pela visita no meu blog... adorei teu cantinho tbm...

fico por aki...

bjinho no coração

=*

Yohana Sanfer said...

Olá moça vim revisitar seu blog!
Fiquei curiosa ao ler este post! =)

Ivone Poemas said...

Parabéns pelo blog! É lindo!Adoro filmes!
Abraços
Ivone poemas
henristo.blogspot.com

Engraçadinha said...

Obrigada pela visita. Eu amo filmes, mas não tenho curiosidade pelos clássicos, a exceção de Chaplin.

Mione said...

Gente do céu, como tu escreve bem!!
Obrigada pela visita, adorei teu blog.

Concordo contigo, esse filme foi um dos que pouco me empolgaram do Griffith. Adorei inocente pecadora, meu preferido dele.

Assim que der eu vou postar mais seguido, tenho uma sequência de posts que tá sendo trancada pelo filme que não tinha achado - Esposas ingênuas, já viu?
Agora que achei eu vou assistir e logo já posto novamente.

Vou visitar aqui mais vezes, pode ter certeza (:
aliás, ainda não fiz o link com o blog de filmes, mas vi que tu gosta de ler também... Tenho outro blog (não consigo juntar tudo, vira uma bagunça haha
gatopretodebiblioteca.blogspot.com.br

beijo!

Mione said...

Gente do céu, como tu escreve bem!!
Obrigada pela visita, adorei teu blog.

Concordo contigo, esse filme foi um dos que pouco me empolgaram do Griffith. Adorei inocente pecadora, meu preferido dele.

Assim que der eu vou postar mais seguido, tenho uma sequência de posts que tá sendo trancada pelo filme que não tinha achado - Esposas ingênuas, já viu?
Agora que achei eu vou assistir e logo já posto novamente.

Vou visitar aqui mais vezes, pode ter certeza (:
aliás, ainda não fiz o link com o blog de filmes, mas vi que tu gosta de ler também... Tenho outro blog (não consigo juntar tudo, vira uma bagunça haha
gatopretodebiblioteca.blogspot.com.br

beijo!

Mione said...

opa, é sem br haha http://gatopretodebiblioteca.blogspot.com/

beijo

'Lara Mello said...

Enriquecedor esse teu texto :) Parabéns =**

Por que você faz poema? said...

Ótimo blogue,
há muito para se ver
por aqui.

Rodrigo Mendes said...

Griffith e Gish na boa forma dos primórdios cinematográfico. Referência obrigatória aos cinéfilos e realizadores da indústria.

Bjs;)

Lúcia Leiro said...

Olá, Letícia
Griffith é de uma genialidade incrível. Conseguiu transformar cinema em um grande negócio, sem abrir mão da estética cinematográfica, o que poucos conseguem.
Obrigada pela visita ao meu blog
www.mulherecinema.blogspot.com

Rubi said...

Esse é um dos meus filmes preferidos de D.W. Griffith. E a Lillian Gish dispensa comentários, é impossível não ficar encantada com a brilhante atuação dela. Um filme belíssimo, sem dúvida alguma!

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