} Crítica Retrô: A carne e o diabo

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label A carne e o diabo. Show all posts
Showing posts with label A carne e o diabo. Show all posts

Wednesday, November 22, 2017

O Diabo e a Carne (1926) / Flesh and the Devil (1926)

Nós, enquanto cinéfilos, estamos sempre fazendo escolhas. Temos de escolher nosso filme favorito, atriz, ator, diretor, roteirista, dupla e década favorita da história do cinema. E então vamos um passo adiante e temos de escolher nosso filme favorito com nosso ator ou atriz favorita – ou talvez listar um TOP 5. Felizmente, fazer esta escolha não é muito difícil para mim.

We, as cinephiles, are always making choices. We have to choose our favorite film, actress, actor, director, screenwriter, screen duo and favorite decade for movies. And then we go a step further and have to choose a favorite film from our favorite actress and actor – or maybe a top 5. Thankfully, making this choice is not so difficult for me.
Greta Garbo é uma das minhas atrizes favoritas. Conforme eu explorava a lista AFI 100 anos – 100 lendas do cinema, encontrei um nome familiar no quinto lugar: Greta Garbo. E então quando eu a vi, eu fiquei muito surpresa. Eu nunca havia visto uma pessoa tão bonita na minha vida – eu tinha então 16 anos e, caramba, até hoje ainda não vi ninguém tão bonito quanto ela. Eu nunca havia visto a perfeição, mas eu descobri que ela existiu, e trabalhou em Hollywood entre 1925 e 1941. 

Greta Garbo is one of my favorite actresses. As I perused the AFI 100 years – 100 legends list, I found a familiar name in the fifth place: Greta Garbo. And then when I saw her, I was incredibly surprised. I had never seen such a beautiful person in my life – I was then 16 years old, and damn, I still haven’t seen anyone as beautiful as her. I had never seen perfection, but I found out it existed, and worked from 1925 until 1941 in Hollywood.
Se eu tivesse que escolher meu filme favorito com Garbo, eu responderia, sem pensar duas vezes: “O Diabo e a Carne” (1926). Mais do que um drama ou um romance, este é um filme maravilhosamente executado, e que apresenta alguns dos mais belos efeitos já produzidos pelo cinema mudo.
If I had to choose my favorite Garbo film, I would answer without second thought: “Flesh and the Devil” (1926). More than a drama or a romance, this is a beautifully crafted movie, and one that shows some of the best effects the silent cinema has produced.
Greta Lovisa Gustafsson começou a trabalhar em filmes publicitários quando tinha 15 anos. Aos 16 ela foi aceita na Academia Real de Arte Dramática de Estocolmo. Seu filme de 1924, “A Saga de Gosta Berling”, foi um sucesso internacional. No ano seguinte, Louis B. Mayer contratou o diretor do filme, Mauritz Stiller – e Stiller exigiu que Garbo também fosse contratada.

Greta Lovisa Gustafsson started working in advertising films when she was 15. At 16 she was accepted at the Royal Dramatic Theater Academy in Stockholm. Her 1924 film, “Gösta Berlings Saga”, was an international success. The following year, Louis B. Mayer hired the director of the film, Mauritz Stiller – and Stiller demanded Garbo to be hired with him.
Mayer disse que poderia transformar a jovem atriz sueca em uma estrela. E ele conseguiu. Stiller tinha dúvidas sobre ir para Hollywood ou trabalhar na Alemanha. Greta inclusive fez um filme alemão, “Rua das Lágrimas” (1925), no qual tem um bom papel, mas a real estrela do filme é Asta Nielsen. Garbo voltou da Alemanha mais bem vestida e mais segura de si.

Mayer said he could turn the young Swedish actress into a star. And he did. Stiller had doubts about going to Hollywood or working in German. Greta actually went to make a German film, “Joyless Street” (1925), in which she has a good role, but the real star of the picture is Asta Nielsen. Garbo came back from Germany better dressed and more secure.
Isso foi pouco comparado com as mudanças pelas quais ela passou em Hollywood. Ao chegar aos Estados Unidos em 1925, Garbo perdeu peso, mudou o corte de cabelo e consertou os dentes. Seu primeiro teste de câmera não interessou a ninguém na MGM, mas o segundo, seguindo algumas dicas da atriz Lillian Gish, foi um sucesso.

This was little compared to the change Hollywood would make. Arriving in the US in 1925, Garbo lost weight, changed her hairstyle and had her teeth fixed. Her first screen test didn’t interest anyone at MGM, but her second one, following some tips by actress Lillian Gish, was a success.
Os caminhos de Lillian Gish e Greta Garbo se cruzariam novamente. Elas se conheceram no set de “La Bohème”, e mais tarde Greta visitou Lillian no set de “A Letra Escarlate”. Lillian quase conseguiu o papel principal em “O Diabo e a Carne”, mas Garbo foi escalada para o papel – de uma vamp. Você consegue imaginar Lillian Gish como uma vamp? Nem eu.

Lillian Gish’s and Greta Garbo’s paths would cross again. They first met on the set of “La Bohème”, and later Garbo visited Gish on the set of “The Scarlett Letter”. Gish was considered for the lead role of “Flesh and the Devil”, but Garbo was cast instead – as a vamp. Could you imagine Lillian Gish playing a vamp? Me neither.
O Diabo e a Carne” foi o terceiro filme de Garbo em Hollywood. Ele fala sobre dois amigos de infância, Leo (John Gilbert) e Ulrish (Lars Hanson), que se apaixonam pela mesma mulher, Felicitas (Garbo). Ironicamente, Felicitas significa “sorte” – algo que os amigos não terão após conhecê-la.

Flesh and the Devil” was Garbo’s third Hollywood movie. It was about two childhood friends, Leo (John Gilbert) and Ulrich (Lars Hanson), who fall in love with the same woman, Felicitas (Garbo). Ironically, Felicitas means “good fortune” – something the friends won’t have after knowing her.
Quando Leo e Felicitas se conhecem, é amor à primeira vista. Temos aqui a rara oportunidade de ver não apenas dois personagens, mas duas pessoas se apaixonando – como Garbo e Gilbert fizeram na vida real. Era um tempo difícil para Garbo, que estava trabalhando muito e foi proibida de ir à Suécia para o funeral de sua irmã. Ela não queria trabalhar em “O Diabo e a Carne”, mas tudo mudou quando ela conheceu Gilbert.

When Leo and Felicitas first meet, it is love at first sight. We have here the rare opportunity to see not only two characters, but two people fall in love – like Garbo and Gilbert did in real life. It was a difficult time for Garbo, who was over-worked and was forbidden go to Sweden to attend her sister’s funeral. She didn’t want to work on “Flesh and the Devil”, but things changed when she met Gilbert. 
Gilbert era mais conhecido e influente que Garbo, então ele ensinou diversas técnicas de atuação para ela e a apresentou para seu empresário, Harry Edington. Com o sucesso de “O Diabo e a Carne” e a ajuda de Edington, Garbo pôde renegociar seu salário e escolher os tipos de papéis que fazia.

Gilbert was more famous and influent than Garbo, so he coached her acting and introduced her to his business manager, Harry Edington. With the success of “Flesh and the Devil” and Edington’s help, Garbo could renegotiate her salary and choose the kinds of roles she played.
Aqueles efeitos incríveis em “O Diabo e a Carne” foram criados pelo director de fotografia William H. Daniels. Daniels havia estreado no cinema com “Esposas Ingênuas” (1922) e se tornaria o diretor de fotografia favorito de Garbo. Além de deixá-la o mais bonita possível através de um jogo de luz e sombra, Daniels também trabalhou para criar duas cenas incríveis: o momento em que Garbo e Gilbert dividem uma chama e o duelo visto pelas sombras.

Those amazing effects in “Flesh and the Devil” were crafted by cinematographer William H. Daniels. Daniels had started with “Foolish Wives” (1922) and would become Garbo’s favorite director of photography. Besides making her the most beautiful he could through light, Daniels also worked to create two great scenes: the lighting of the cigarette and the duel in shadows.
Podemos dizer que a maior parte do que conhecemos como Greta Garbo – talvez um toque Garbo? – começou a se desenvolver em “O Diabo e a Carne”. Não é apenas o nascimento de uma lenda do cinema, de uma verdadeira estrela – é um clímax na própria arte de fazer filmes.

We can say that most that was later known as Garbo – maybe a Garbo touch? – started being developed in “Flesh and the Devil”. It’s not only the birth of a film legend, a real star – it is a climax in filmmaking itself.

This is my contribution to the Greta Garbo blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Wednesday, December 31, 2014

Os 14 melhores filmes de 2014

Quem não gosta de uma retrospectiva? Bem, a da televisão pode estar perdendo a popularidade a cada dia, mas na internet (e na vida) sempre vale a pena olhar para trás e fazer uma avaliação do ano que acaba. No meu caso, o balanço gerou uma lista dos 14 melhores filmes que vi em 2014. Como você deve imaginar, nenhum deles é muito recente...

Janeiro: O Grande Desfile / The Big Parade (1925)

Você sabe que está em um relacionamento sério com um filme quando compra a versão em DVD com 30 minutos inéditos. Este épico silencioso leva John Gilbert ao campo de batalha da Primeira Guerra Mundial para lutar, fazer amigos e se apaixonar pela francesinha Renée Adorée. É um filme maravilhoso: nada mais pode descrevê-lo.

Fevereiro: O Presidente / (1919)

Este é o primeiro longa-metragem de Carl Theodor Dreyer, e é melhor que qualquer outro filme de 1919 (inclusive os seus, Mr. D. W. Griffith). Victor promete ao seu pai no leito de morte que jamais se casará com uma mulher pobre. Ele até se envolve com uma moça pobre, mas a abandona. Anos depois, trabalhando como juiz, Victor descobre que tem uma filha ilegítima e que essa moça está prestes a ser condenada à morte. Confie em mim: veja esta obra-prima.

Março: O Relógio Verde / The Big Clock (1948)

Ray Milland está alucinado, mas não é por causa do álcool. Ele interpreta George, um workaholic que faz um favor ao chefe e depois se vê como o suspeito principal de um assassinato. Pode esperar muitos momentos de tirar o fôlego neste pérola que mais gente deveria ver.

Abril: A Carne e o Diabo / Flesh and the Devil (1926)

A estreia de Greta Garbo no cinema americano é de tirar o fôlego. Ela está deslumbrante em todas as cenas, e não é de se espantar que John Gilbert tenha se apaixonado por ela instantaneamente (algumas fontes dizem que esse “amor à primeira vista” foi capturado pelas câmeras, porque Gilbert não teria conhecido Garbo até a cena inicial deles).

Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments (1956)

Como eu vivi 20 anos sem ver esta obra-prima? Sim, há momentos cheios de pieguice e de humor não-proposital, mas Cecil B. DeMille foi muito bem-sucedido em sua adaptação da macro-história bíblica. Um épico maravilhoso de se ver, com milhares de extras e cenas que vão assombrar (no bom sentido) sua memória por muitos anos.

Maio: Fogo de Outono / Dodswortth (1936)

Da série “filmes para amar a década de 30”. O medo de envelhecer assombra o casal Fran (Ruth Chatterton) e Sam Dodsworth (Walter Huston). Após vender a fábrica de automóveis, o casal vai para a Europa. Fran tenta se manter jovem flertando com homens mais novos, enquanto Sam continua a aprender coisas novas para se sentir útil. E Sam inclusive aprende o que é amor verdadeiro.

Junho: A incrível Suzana / The Major and the Minor (1942)

Em um mês recheado de Billy Wilder, esta deliciosa comédia foi o melhor filme. Suzana (Ginger Rogers), desiludida com a vida em Nova York, decide voltar para o interior, mas não tem dinheiro para a passagem de trem. Seu dinheiro é suficiente para comprar uma passagem de criança, e ela não tem dúvida: se disfarça como uma menina de 12 anos (e ela parece novinha mesmo). O problema é quando Suzana se apaixona por um major que está prestes a se casar... É um daqueles filmes que só poderiam ser feitos na época de ouro de Hollywood, com tanta simplicidade e leveza.

O grupo / The Group (1966)

Era uma maratona dos files de Sidney Lumet na televisão. Eu queria mutio ver “Vidas em Fuga / The Fugitive Kind” (1960), com Marlon Brando e Anna Magnani. Resolvi ver o filme que passou antes, “O Grupo”, e fiquei impressionada. Mesmo com mais de duas horas e meia de duração, o filme prende a atenção. No começo dos anos 30, oito meninas recém-formadas em uma escola só para mulheres são acompanhadas em seus dramas, descobertas e complicadas relações.

Julho: Blancanieves (2012)

Um filme mudo moderno em que Branca de Neve é toureira: impossível não ser sensacional! O renascimento do cinema mudo não terminou com “O Artista”, e você pode saber mais sobre “Blancanieves” clicando AQUI.

Agosto: O Pagador de Promessas (aka The Given Word) (1962)

Finalmente eu entendi o que um filme precisa ter para fazer sucesso além das fronteiras de seu país de origem: um tema universal. A história de “Zé do Burro” poderia se passar em qualquer país do mundo (eu pude visualizá-la tendo como cenário uma região bem religiosa da Itália), e as questões levantadas sobre religião, polêmica, o poder do jornalismo e a reação em cadeia de um povo sofrido podem ser entendidas no mundo todo. Merecidamente, o ganhador da Palma de Ouro em Cannes e o melhor filme brasileiro de todos os tempos.

Setembro: A Imperatriz Vermelha / The  Scarlet Empress (1934)

Este é o tour de force de Marlene Dietrich e a obra-prima gerada pela parceria entre a atriz e o diretor Josef von Sternberg. De jovem ingênua forçada a se casar com um príncipe idiota até se tornar uma poderosa e perigosa imperatriz russa, a personagem não poderia ser mais perfeita.

Outubro: O Pássaro Azul / The Blue Bird (1918)

Lindo de se ver, com efeitos especiais de tirar o fôlego e mais de 90 anos de idade: “O Pássaro Azul” me fez agradecer a Deus, a Méliès e aos irmãos Lumière pela existência do cinema. Saiba mais sobre este espetacular filme mudo neste post.

Novembro: Mãe por Acaso / Bachelor Mother (1939)

Este é o filme favorito da minha amiga Raquel do blog Out of the Past. Quando ela descobriu que eu nunca havia visto este filme, ela me fez uma deliciosa surpresa e me presenteou com o DVD! Essa ótima comédia se passa durante as festas de fim de ano, e Ginger Rogers, recém-demitida, arruma uma grande confusão quando um bebê “aparece” em sua casa e seu patrão desconfia que o menininho é neto dele. Difícil de entender? Veja o filme.

Dezembro: Mary Poppins (1964)


Foi difícil escolher um filme em destaque no mês de dezembro (quase escolhi “Sangue Negro / There Will Be Blood”, que é surpreendente e tem a melhor atuação de Daniel Day-Lewis). Mas por que “Mary Poppins” foi o melhor filme do mês? Porque me transportou para um mundo mágico, em que tudo pode acontecer, me fez desejar ver toda a mágica do filme na tela grande e confirmou que a Disney é a melhor porta de entrada para qualquer cinéfilo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...