} Crítica Retrô: Fogo de Outono

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Fogo de Outono. Show all posts
Showing posts with label Fogo de Outono. Show all posts

Wednesday, December 31, 2014

Os 14 melhores filmes de 2014

Quem não gosta de uma retrospectiva? Bem, a da televisão pode estar perdendo a popularidade a cada dia, mas na internet (e na vida) sempre vale a pena olhar para trás e fazer uma avaliação do ano que acaba. No meu caso, o balanço gerou uma lista dos 14 melhores filmes que vi em 2014. Como você deve imaginar, nenhum deles é muito recente...

Janeiro: O Grande Desfile / The Big Parade (1925)

Você sabe que está em um relacionamento sério com um filme quando compra a versão em DVD com 30 minutos inéditos. Este épico silencioso leva John Gilbert ao campo de batalha da Primeira Guerra Mundial para lutar, fazer amigos e se apaixonar pela francesinha Renée Adorée. É um filme maravilhoso: nada mais pode descrevê-lo.

Fevereiro: O Presidente / (1919)

Este é o primeiro longa-metragem de Carl Theodor Dreyer, e é melhor que qualquer outro filme de 1919 (inclusive os seus, Mr. D. W. Griffith). Victor promete ao seu pai no leito de morte que jamais se casará com uma mulher pobre. Ele até se envolve com uma moça pobre, mas a abandona. Anos depois, trabalhando como juiz, Victor descobre que tem uma filha ilegítima e que essa moça está prestes a ser condenada à morte. Confie em mim: veja esta obra-prima.

Março: O Relógio Verde / The Big Clock (1948)

Ray Milland está alucinado, mas não é por causa do álcool. Ele interpreta George, um workaholic que faz um favor ao chefe e depois se vê como o suspeito principal de um assassinato. Pode esperar muitos momentos de tirar o fôlego neste pérola que mais gente deveria ver.

Abril: A Carne e o Diabo / Flesh and the Devil (1926)

A estreia de Greta Garbo no cinema americano é de tirar o fôlego. Ela está deslumbrante em todas as cenas, e não é de se espantar que John Gilbert tenha se apaixonado por ela instantaneamente (algumas fontes dizem que esse “amor à primeira vista” foi capturado pelas câmeras, porque Gilbert não teria conhecido Garbo até a cena inicial deles).

Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments (1956)

Como eu vivi 20 anos sem ver esta obra-prima? Sim, há momentos cheios de pieguice e de humor não-proposital, mas Cecil B. DeMille foi muito bem-sucedido em sua adaptação da macro-história bíblica. Um épico maravilhoso de se ver, com milhares de extras e cenas que vão assombrar (no bom sentido) sua memória por muitos anos.

Maio: Fogo de Outono / Dodswortth (1936)

Da série “filmes para amar a década de 30”. O medo de envelhecer assombra o casal Fran (Ruth Chatterton) e Sam Dodsworth (Walter Huston). Após vender a fábrica de automóveis, o casal vai para a Europa. Fran tenta se manter jovem flertando com homens mais novos, enquanto Sam continua a aprender coisas novas para se sentir útil. E Sam inclusive aprende o que é amor verdadeiro.

Junho: A incrível Suzana / The Major and the Minor (1942)

Em um mês recheado de Billy Wilder, esta deliciosa comédia foi o melhor filme. Suzana (Ginger Rogers), desiludida com a vida em Nova York, decide voltar para o interior, mas não tem dinheiro para a passagem de trem. Seu dinheiro é suficiente para comprar uma passagem de criança, e ela não tem dúvida: se disfarça como uma menina de 12 anos (e ela parece novinha mesmo). O problema é quando Suzana se apaixona por um major que está prestes a se casar... É um daqueles filmes que só poderiam ser feitos na época de ouro de Hollywood, com tanta simplicidade e leveza.

O grupo / The Group (1966)

Era uma maratona dos files de Sidney Lumet na televisão. Eu queria mutio ver “Vidas em Fuga / The Fugitive Kind” (1960), com Marlon Brando e Anna Magnani. Resolvi ver o filme que passou antes, “O Grupo”, e fiquei impressionada. Mesmo com mais de duas horas e meia de duração, o filme prende a atenção. No começo dos anos 30, oito meninas recém-formadas em uma escola só para mulheres são acompanhadas em seus dramas, descobertas e complicadas relações.

Julho: Blancanieves (2012)

Um filme mudo moderno em que Branca de Neve é toureira: impossível não ser sensacional! O renascimento do cinema mudo não terminou com “O Artista”, e você pode saber mais sobre “Blancanieves” clicando AQUI.

Agosto: O Pagador de Promessas (aka The Given Word) (1962)

Finalmente eu entendi o que um filme precisa ter para fazer sucesso além das fronteiras de seu país de origem: um tema universal. A história de “Zé do Burro” poderia se passar em qualquer país do mundo (eu pude visualizá-la tendo como cenário uma região bem religiosa da Itália), e as questões levantadas sobre religião, polêmica, o poder do jornalismo e a reação em cadeia de um povo sofrido podem ser entendidas no mundo todo. Merecidamente, o ganhador da Palma de Ouro em Cannes e o melhor filme brasileiro de todos os tempos.

Setembro: A Imperatriz Vermelha / The  Scarlet Empress (1934)

Este é o tour de force de Marlene Dietrich e a obra-prima gerada pela parceria entre a atriz e o diretor Josef von Sternberg. De jovem ingênua forçada a se casar com um príncipe idiota até se tornar uma poderosa e perigosa imperatriz russa, a personagem não poderia ser mais perfeita.

Outubro: O Pássaro Azul / The Blue Bird (1918)

Lindo de se ver, com efeitos especiais de tirar o fôlego e mais de 90 anos de idade: “O Pássaro Azul” me fez agradecer a Deus, a Méliès e aos irmãos Lumière pela existência do cinema. Saiba mais sobre este espetacular filme mudo neste post.

Novembro: Mãe por Acaso / Bachelor Mother (1939)

Este é o filme favorito da minha amiga Raquel do blog Out of the Past. Quando ela descobriu que eu nunca havia visto este filme, ela me fez uma deliciosa surpresa e me presenteou com o DVD! Essa ótima comédia se passa durante as festas de fim de ano, e Ginger Rogers, recém-demitida, arruma uma grande confusão quando um bebê “aparece” em sua casa e seu patrão desconfia que o menininho é neto dele. Difícil de entender? Veja o filme.

Dezembro: Mary Poppins (1964)


Foi difícil escolher um filme em destaque no mês de dezembro (quase escolhi “Sangue Negro / There Will Be Blood”, que é surpreendente e tem a melhor atuação de Daniel Day-Lewis). Mas por que “Mary Poppins” foi o melhor filme do mês? Porque me transportou para um mundo mágico, em que tudo pode acontecer, me fez desejar ver toda a mágica do filme na tela grande e confirmou que a Disney é a melhor porta de entrada para qualquer cinéfilo.

Thursday, May 22, 2014

Estudando cinema... sem sair de casa! – Parte 2

Oops I did it again! Sim, eu me matriculei em mais um curso online. Sim, era um curso online sobre cinema. E sim, era da Wesleyan University. Acompanhe agora mais um episódio das minhas aventuras como caçadora de diplomas!
                                         
Vendo a sessão sobre cursos de arte, ainda no mês de março, eu vi um anúncio de um novo curso sobre cinema chamado “I Do and I Don’t”, que começaria no dia 21 de abril. O assunto: casamento no cinema. Como os filmes mostraram a vida de casados? Quais as diferenças entre uma época e outra? Quais os problemas que os casais cinematográficos enfrentavam? O que constitui um “marriage movie”? Essas eram as perguntas a serem respondidas pela professora (e responsável pelo rico acervo da Wesleyan University) Jeanine Basinger. Ela é também autora do livro que serviu de base para o curso, e sobre o qual eu só ouvi elogios.
Foram cinco semanas de aula e dez filmes para serem assistidos como exemplo e dever de casa. Entretanto, vê-los não era obrigatório, de modo que se alguém não conseguisse encontrar alguns deles, não ficaria prejudicado (talvez só recebesse spoilers). Os filmes eram mais para exemplificação que para análise, o contrário do que aconteceu no primeiro MOOC de cinema da Wesleyan, The Language of Hollywood.

Por incrível que pareça, eu e mais outras pessoas do curso gostamos mais do filme que não era para ser assistido como exemplo, mas que foi recomendado em uma lição: “Fogo de Outono / Dodsworth” (1936). Um casal de meia idade, Sam e Fran Dodsworth (Walter Huston e Ruth Chatterton) vai para a Europa depois que Sam vende sua fábrica de automóveis. Ambos têm medo da velhice, e cada um a enfrenta de seu jeito: enquanto Sam quer mostrar-se útil e ativo, Fran prefere paquerar homens mais novos (!). Excluindo este filme, o melhor é o belo e agridoce “Desencanto / Brief Encounter” (1945), sobre uma dona de casa simplória (Celia Johnson) que começa um affair com um médico (Trevor Howard), encontrando-se com ele todas as quintas-feiras.
Dodsworth (1936)
Outro escolhido foi “A costela de Adão / Adam’s Rib” (1949) e, embora seja um bom filme sobre problemas na vida conjugal, eu acredito que seria melhor ter passado aos alunos a tarefa de ver “A mulher do dia / Woman of the Year” (1942), com a mesma dupla Hepburn-Tracy, mas com um enredo no qual a maioria dos casais se identificaria. E mais um filme excelente indicado foi “Desde que partiste / Since you went away” (1944), com um elenco esplêndido.

Embora a terceira semana, sobre os sete problemas que o cinema impunha para transformar em drama a vida de um casal feliz, tenha sido muito interessante, a minha semana preferida foi a primeira, sobre “marriage movies” no cinema mudo. Esta semana também me deixou com excelentes indicações de filmes para procurar, entre eles os muitos de De Mille com Gloria Swanson. E, para melhorar, a primeira semana também teve a exibição de “Orquídeas Silvestres / Wild Orchids” (1929), uma espécie de “O Véu Pintado / The Painted Veil” (1934) em Java estrelando Greta Garbo, Lewis Stone e o belo e exótico Nils Asther.

Um problema que eu vi neste curso e não havia visto em nenhum outro foi a quantidade de pessoas insatisfeitas nos fóruns. Muitas reclamavam que tinham de comprar ou alugar os filmes para um curso que se dizia gratuito. Outras tantas começaram a levar para o lado pessoal, dizendo que não gostavam de filmes tristes ou, pior, o que aconteceu comigo: comecei um tópico sobre “remarriage comedy”, um termo que vi pela primeira vez em um blog que comentava o filme “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940). “Remarriage comedy” é aquele filme que começa com o divórcio e toma todo o caminho para mostrar que o casal deve ficar junto no final. Pois bem, a resposta que eu recebi foi de uma pessoa reclamando sobre como os participantes do curso se achavam verdadeiros psicólogos, “marriage consultants”, e ainda essa pessoa começou a dizer como o casamento dela havia sido horrível! Na próxima sessão de cursos como esse eu sugiro que a plataforma Coursera proíba comentários anônimos.
Jeanine Basinger
Mas, afinal, o que é “marriage movie”? Segundo Jeanine, é aquele filme que seria completamente diferente se os personagens não fossem casados. Mas, mais do que isso, eu aprendi algo muito profundo com esse curso: que o divórcio foi uma das melhores coisas já inventadas. Ou, nas palavras de Gloria Swanson:


“I don’t believe in marriage as an institution. I believe in divorce as an institution”.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...