} Crítica Retrô: O Pagador de Promessas

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Friday, May 15, 2020

TOP 6 – Meus filmes favoritos da década de 1960

TOP 6 – My favorite films of the 1960s

Ah, os psicodélicos anos 60! O mundo estava mudando e o cinema também se modificava. O Sistema de Estúdio estava vivendo seus últimos anos. A categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira havia sido introduzida no Oscar na década anterior, e os filmes de língua não-inglesa ficavam cada vez melhores e mais acessíveis. Novas estrelas surgiam e algumas estrelas antigas se reinventavam. Muitos filmes divertidos, inspiradores, ousados e mesmo malucos foram feitos nesta década. Por isso foi uma tarefa difícil escolher meus seis filmes favoritos dos anos 60. Curiosamente, acabei com uma lista com dois dramas e quatro comédias!

Oh, the swinging 60s! The world was changing, and the movie world was changing as well. The Studio System was living its last years. The Best Foreign Language Movie category had been created the decade before at the Oscar, and films not English were getting better and more widespread. New stars were blossoming and some old ones were reinventing themselves. Many funny, thoughtful, daring and even psychdelic movies were made during this decade. That's why it was a hard mission to choose my six favorite movies of the 1960s. Curiously, I ended up with two dramas and four comedies!

Menções honrosas: “Cupido Não Tem Bandeira” (1961), “Anjos Rebeldes” (1966) e “Descalços no Parque” (1967).

Honorable mentions: “One, Two, Three” (1961), “The Trouble with Angels” (1966) and “Barefoot in the Park”(1967).

E os filmes escolhidos, em ordem cronológica:

And the chosen movies, in chronological order:

Nunca aos Domingos (1960): Este filme é absolutamente delicioso. O diretor Jules Dassin interpreta um intelectual que quer compreender a decadência da civilização grega. Ele acredita que a Grécia não é mais o berço de artistas e filósofos como no passado porque os gregos modernos se divertem demais. Ele inicia uma cruzada para fazer a Grécia séria novamente, focando na prostituta Ilya (Melina Mercouri, esposa de Dassin), uma amante da diversão. O filme ganhou o Oscar de Melhor Canção Original, sendo a primeira vez que uma música cantada em línguadiferente do inglês levou o prêmio.

Never on Sunday (1960): This film is an absolute delight. Director Jules Dassin also stars as a scholar who wants to comprehend the downfall of Greek civilization. He thinks that Greece is no longer producing artists and philosophers like it once did because the modern Greeks have too much fun. He starts a crusade to make Greece serious again, focusing his case in the prostitute Ilya (Melina Mercouri, Dassin’s wife), a fun-loving woman. The film won the Best Original Song Oscar, and it was the first time a song not in English received the award.

O Pagador de Promessas (1962): Zé do Burro (Leonardo Villar) prometeu doar sua terra e carregar uma enorme cruz – como a cruz de Cristo – de sua casa até uma igreja caso seu melhor amigo fosse curado de uma doença grave. O amigo é curado, e Zé está a caminho da igreja... O problema é que seu melhor amigo é um burro, e isso causa frisson, especialmente, no clero: qual será o impacto para a igreja se deixarmos este homem fazer tamanho sacrifício por causa de um insignificante burro? Outras questões como intolerância a religiões de origem africana, sensacionalismo da imprensa e reforma agrária são discutidos no filme. Se este filme tivesse sido feito na Itália, seria matéria obrigatória em todos os cursos de cinema do mundo. “O Pagador de Promessas” não é uma curiosidade do cinema latino-americano. É uma obra-prima.

The Given Word aka O Pagador de Promessas (1962): Zé do Burro (Leonardo Villar) promised to give away his land and carry a huge cross – like Jesus’ cross – from his house to a church if his best friend was cured from a serious disease. His friend is cured, and Zé is en route to the church… The problem is that his best friend is a donkey, and this fact causes uproar, mainly, in the clergy: what will the impact on the church be if we let a man make such a sacrifice for an insignificant donkey? Other issues like intolerance against African religions, sensationalist press and land reform are tackled in this movie. If this film was made in Italy, it’d be mandatory viewing in all film courses in the world. “The Given Word” is not a curiosity from Latin-American cinema. It’s a masterpiece.

A Pantera Cor de Rosa (1963): Sim, o original. Com Peter Sellers e seu Stradivarius, Claudia Cardinale, Capucine, Herbert Lom, David Niven e Robert Wagner. Ah, e também uma certa pantera nos créditos iniciais. Há uma coleção de ótimas gags clássicas nesta comédia deliciosa, e o clímax da ação acontece numa festa à fantasia com uma perseguição. O que mais eu – ou qualquer pessoa – poderia desejar?

The Pink Panther (1963): Yes, the original. With Peter Sellers and his Stradivarius, Claudia Cardinale, Capucine, Herbert Lom, David Niven and Robert Wagner. And, oh, also a certain panther in the opening credits. There is a collection of great classic gags in this delightful comedy, and all the action climaxes in a costume party with a chase. What else could I – or anyone – ask for?

A Senhora e seus Maridos (1964): Louisa (Shirley MacLaine) se casou quatro vezes com caras simples que de repente se tornaram muito ricos. A riqueza trouxe infelicidade e a morte prematura para os quatro homens. Os maridos da senhora foram Dick van Dyke, Paul Newman, Dean Martin e Gene Kelly, e a vida de casada com cada um deles é mostrada como um tipo diferente de minifilme – filme mudo, filme francês sensual, musical extravagante... Um filme hilário, inventivo e visualmente incrível, “A Senhora e seus Maridos” é uma fábrica de sorrisos.

What a Way to Go! (1964): Louisa (Shirley MacLaine) got married four times to simple fellows who suddenly became very rich. Their wealth brought sadness and their premature deaths. Her husbands were Dick van Dyke, Paul Newman, Dean Martin and Gene Kelly, and each married life is seen as a different kind of mini-movie – silent movie, French sexy movie, lavish musical... A hilarious, inventive and visually stunning film, “What a Way to Go!” is a smile factory.

Robin Hood de Chicago (1964): Este filme mistura dois dos meus gêneros favoritos: musicais e filmes de gângster. Ele também traz os talentos vocais e cômicos de Frank Sinatra, Bing Crosby, Sammy Davis Jr e Dean Martin. Com uma trama um bocado complicada, envolve oficiais corruptos, guerra de gangues, casas de jogo ilegais e, no meio disso tudo, Robbo (Sinatra), um gângster que rouba dos ricos para dar aos pobres – nesse caso, ele dá dinheiro a um orfanato. Há muitas canções memoráveis neste filme pouco conhecido, e “Style” é a minha favorita entre elas.

Robin and the 7 Hoods (1964): This film mixes two of my favorite genres: musicals and gangster movies. It also brings the vocal and comic talents of Frank Sinatra, Bing Crosby, Sammy Davis Jr and Dean Martin. With a rather complicated plot, it involves corrupt officers, gang wars, illegal gambling joints and, in the middle of all this, Robbo (Sinatra), a gangster who robs from the rich and gives to the poor – in this case, he gives money to a boys' orphanage. There are many memorable songs in this little known film, and “Style” is probably my favorite among them.

Doutor Jivago (1965): A Revolução Russa sempre foi um tema de me fascinou. “Doutor Jivago” me permitiu a oportunidade de ver como as pessoas viveram e reagiram à revolução – sim, claro que eu entende que a experiência de Yuri (Omar Sharif) e de sua família foram apenas um lado da história. Como historiadora, acho interessante comparar “Doutor Jivago” com os filmes feitos na União Soviética sobre o período e a vida durante e após a revolução. A verdade sobre a vida na Revolução Russa está em algum lugar entre essas duas narrativas – ou talvez ambas sejam verdadeiras. De qualquer forma, “Doutor Jivago” é um épico com uma fotografia maravilhosa, uma história de amor inesquecível e o incomparável Omar Sharif.

Doctor Zhivago (1965):The Russian Revolution was always a theme that fascinated me. “Doctor Zhivago” provided me with the opportunity to see how people lived and reacted to the revolution – yes, of course I understand Yuri's (Omar Sharif) and his family's experiences were only one side of the story. As a historian, I find it interesting to compare “Doctor Zhivago” to the films made in the Soviet Union about the period and the life during and after the revolution. The truth about living through the Russian Revolution is somewhere between these two narratives – or maybe both are true. Anyway, “Doctor Zhivago” is a beautifully shot epic with an unforgettable love story and the incomparable Omar Sharif.

This is my contribution to the 6 from the ‘60s blogathon, hosted by Rick at Classic Film & TV Cafe for National Classic Movie Day.

Saturday, December 1, 2018

Adventures in cinematography


Tudo começou com um desafio do Facebook: escolher 10 filmes que me causaram impacto e publicar cenas destes filmes, durante 10 dias, deixando seus amigos adivinharem qual o filme de cada dia. Minha grande amiga – e também Suffragette – Rafaella me desafiou e eu decidi escolher apenas as mais belas imagens para publicar. Com isso, eu pude explorar um assunto que vem chamando minha atenção ultimamente: a fotografia dos filmes e os grandes diretores de fotografia do cinema.

It all started as a Facebook challenge: choose 10 films that made an impact on you, and post frames of them over 10 days, letting your friends guess which film it was. My good friend – and fellow Suffragette – Rafaella challenged me and I decided to choose only very beautiful frames to add to my feed. With this, I could dive deeper into something that has been calling my attention lately: cinematography and great cinematographers.


Eu sei que os filmes noir têm algumas das melhores direções de fotografia, e grandes diretores de fotografia como Greg Tolland e John Alton fizeram filmes noir. Para minha lista, eu escolhi um filme noir, três filmes mudos, e fiz questão de incluir filmes dos EUA, América Latina e Europa.

I know noir has some of the best photographies, and great cinematographers like Greg Tolland and John Alton worked in noir. For my list, I chose one film noir, three silent films, and I also made an effort to choose from both US, Latin and European films.

Estes foram os dez escolhidos, com algumas observações:
Here are my chosen ten, with some notes:

Aconteceu Naquela Noite, 1934. Dirigido por Frank Capra. Diretor de fotografia Joseph Walker.
Este foi o filme que deu origem ao blog Crítica Retrô!

It Happened One Night, 1934. Directed by Frank Capra. Cinematographer Joseph Walker.
This was the film that originated the blog Crítica Retrô!


A Dama de Xangai, 1947. Dirigido por Orson Welles. Diretores de fotografia Charles Lawton Jr (creditado), Rudolph Maté e Joseph Walker (ambos não creditados).

The Lady from Shanghai, 1947. Directed by Orson Welles. Cinematographers Charles Lawton Jr (credited), Rudolph Maté, Joseph Walker (both uncredited).
It has one of my favorite sequences of all films.


E o Vento Levou, 1939. Dirigido por Victor Fleming. Diretores de fotografia Ernest Haller (creditado), Lee Garmes (não creditado).

Gone with the Wind, 1939. Directed by Victor Fleming.  Cinematographers Ernest Haller (credited), Lee Garmes (uncredited).


Europa ’51, 1952. Dirigido por Roberto Rossellini. Diretor de fotografia Aldo Tonti.

Europa '51, 1952. Directed by Roberto Rossellini.  Cinematographer Aldo Tonti.

Quando Explode a Vingança, 1971. Dirigido por Sergio Leone. Diretor de fotografia Giuseppe Ruzzolini.
Outro elemento icônico do filme é a bela trilha sonora composta por Ennio Morricone.

A Fistful of Dynamite aka Duck, You Sucker!, 1971. Directed by Sergio Leone. Cinematographer Giuseppe Ruzzolini.
Another iconic element in this film is the beautiful soundtrack composed by Ennio Morricone.


Um Homem com uma Câmera, 1929. Dirigido por Dziga Vertov. Diretores de fotografia Mikhail Kaufman (creditado), Gleb Troyanski (não creditado).
Mikhail Kaufman é também o protagonista deste grande filme.

Man with a Movie Camera, 1929. Directed by Dziga Vertov.  Cinematographers Mikhail Kaufman (credited), Gleb Troyanski (uncredited).
Mikhail Kaufman is also the lead in this great film.


O Fugitivo, 1932. Dirigido por Mervyn LeRoy. Diretor de fotografia Sol Polito.

I am a Fugitive from a Chain Gang, 1932. Directed by Mervyn LeRoy. Cinematographer Sol Polito.


O Pássaro Azul, 1918. Dirigido por Maurice Tourneur. Diretor de fotografia John van den Broek.
John van den Broek faleceu menos de três meses após a estreia deste filme.

The Blue Bird, 1918. Directed by Maurice Tourneur. Cinematographer John van den Broek.
John van den Broek passed away less than three months after this film premiered.


Aurora, 1927. Dirigido por F.W. Murnau. Diretores de fotografia Charles Rosher, Karl Struss.

Sunrise, 1927. Directed by F.W. Murnau. Cinematographers Charles Rosher, Karl Struss.


O Pagador de Promessas, 1962. Dirigido por Anselmo Duarte. Diretor de fotografia H.E. Fowle.
H.E. Fowle era comumente creditado como ‘Chick’ Fowle. Ele era um diretor de fotografia inglês que veio para o Brasil em 1950 com Alberto Cavalcanti, com quem colaborou em vários trabalhos.

The Given Word (O Pagador de Promessas), 1962. Directed by Anselmo Duarte. Cinematographer H.E. Fowle.
H.E. Fowle was credited as 'Chick' Fowle. He was an English director of photography who came to Brazil in 1950 with Alberto Cavalcanti,  his frequent collaborator.


Eu devo concordar com meu bisavô que filmes em preto e branco são mais bonitos!

I must agree with my grand-grandfather that black and white movies are more beautiful!

Friday, February 12, 2016

O Brasil e o Oscar – ou a traumática falta dele

Brazil and the Oscars – or the traumatic lack of one

O Brasil pode ter muitas coisas de que se orgulhar: linda natureza, animado carnaval, povo simpático, biodiversidade incrível, cinco títulos de Copas do Mundo. Mesmo assim, o povo ainda amarga uma questão: não temos nenhum Oscar.

Brazil might have many things to be proud of: beautiful nature, exciting Carnaval, nice people, incredible fauna, five World Cups. But the people still mourns one thing: we don’t have any Oscars.

Há todo um clima de união quando um filme brasileiro é indicado à estatueta. De repente, toda a nação se junta em torno desse filme, que passa a ser “o Brasil no Oscar”: nossa grande esperança de mostrar que também temos cultura. Em nenhum outro país uma indicação ao Oscar é capaz de unir um povo, ou os americanos seriam o povo mais unido e contente do mundo.

There is a whole union feeling when a Brazilian film is nominated for the award. Suddenly, the whole nation unites over this film, then considered “Brazil at the Oscars”: out huge hope about showing that we also have a worthwhile culture. In no other country in the world na Oscar nomination is able to unite the people, or else the Americans would be the most united and happiest people in the world.

Em 1960, logo após surgir o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira (que até então era uma categoria honorária, sem concorrentes anunciados com antecedência), o Brasil chegou a ganhar o Oscar, mas não levou. Vamos explicar: o roteiro, o elenco, a música, quase tudo era brasileiro em “Orfeu Negro”, que adapta a lenda de Orfeu para a época do Carnaval. Mas o produtor e o diretor do longa-metragem eram franceses, e assim uma produção 100% tropical rendeu mais um Oscar... à França.

In 1960, right after the award for Best Film in a Supporting Language was created (it was until then an honorary category, without nominees announced), Brazil won an Oscar, but didn’t take it home. Let’s explain: the script, cast, songs, almost everything was Brazilian in “Black Orpheus”, an adptation of the Orpheus legend to the Brazilian Carnaval. But the producer and the director were French, and because of this na otherwise 100% tropical production won another Oscar... for France.


Quatro filmes brasileiros foram indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: “O Pagador de Promessas” (1962), “O Quatrilho” (1994), “O que é isso, companheiro?” (1997) e “Central do Brasil” (1998). Tínhamos a esperança de sermos indicados novamente com o tocante “Que Horas ela Volta?” (2015), mas o filme ficou de fora até mesmo da lista de pré-finalistas e, convenhamos, não tinha chance contra “O Filho de Saul”, produção húngara sobre o Holocausto.

Four Brazilian movies were nominated for the Best Foreign Language Film at the Oscars: “The Given Word” (1962), “O Quatrilho” (1994), “Four Days in September” (1997) and “Central Station” (1998). We had hopes to be nominated again with the touching “The Second Mother” (2015), but the film was shut out even from the shortlist and, we must see it, had no chance against “Son of Saul”, Hungarian production about the Holocaust.

O que é isso, companheiro? / Four days in September

O Pagador de Promessas”, se feito na Itália, poderia ser considerado uma obra-prima do Neorrealismo. Explorando um tema universal, tem todos os ingredientes de um filme estrangeiro inesquecível, capaz de comover pessoas de qualquer nacionalidade. O vencedor daquele ano foi, entretanto, “Sundays and Cybele / Les dimanches de Ville D’Avray”, um filme pouco conhecido.

“The Given Word”, if made in Italy, would be considered a masterpiece of Neorealism. With an universal theme, it has all the ingredients of an unforgettable foreign film, that can move people from all nationalities. The winner that year was “Sundays and Cybele / Les dimanches de Ville D’Avray”, a lesser-known film.

A criatividade do cinema brasileiro foi cortada brutalmente em 1964, quando ocorreu o golpe militar. Nos 21 anos seguintes, o governo censurou muitos filmes. Os filmes independentes tratavam de temas mais imediatos e políticos de forma sutil, sem grande apelo internacional.

The very creative Brazilian cinema suffered a hard blow in 1964, when a military coup d’etat happened. In the 21 years that followed, the government censored many movies. Independent films were made about more immediate and political issues in a subtle way, without much international appeal.

A retomada do cinema brasileiro começa oficialmente em 1995. Em 1999, uma surpresa agradável: além de “Central do Brasil” ter sido indicado como Filme em Língua Estrangeira, a maior atriz do país, Fernanda Montenegro, foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz. Cate Blanchett era a favorita, mas em uma noite esquisita, foi Gwyneth Paltrow que ganhou a estatueta, gerando um ódio que muitos cinéfilos brasileiros alimentam contra ela até hoje. Quanto ao Melhor Filme em Língua Estrangeira, o prêmio ficou com “A Vida é Bela”, e arrisco dizer que, se este comovente filme de Roberto Benigni não estivesse na competição naquele ano, teríamos um Oscar para chamar de nosso.

Brazilian cinema is officialy reborn in 1995. In 1999, a pleasant surprise: besides being nominated as Best Foreign Language Film, “Central Station” also led Fernanda Montenegro, considered the finest actress of the country, to be nominated as Best Actress. Cate Blanchett was the favorite, but in a weird night, Gwyneth Paltrow won the award, generating a hatred that many Brazilian cinephiles still have against her. For the Best Foreign Language Film, the award went to “Life in Beautiful”, and I dare to say that, if this moving film by Roberto Benigni wasn’t competing that year, we’d have an Oscar to call ours. 


Em 2002, “Cidade de Deus” não foi indicado na categoria Filme em Língua Estrangeira, mas conseguiu indicações para Edição, Roteiro Adaptado, Fotografia e Diretor, iniciando uma carreira internacional para o diretor Fernando Meirelles. Lembre-se também de que outro brasileiro de sucesso no exterior é Carlos Saldanha, que trabalhou no curta-metragem ganhador do Oscar “Bunny” em 1998, criou o esquilo Scrat da franquia “A Era do Gelo” e dirigiu outro curta-metragem indicado à estatueta, “Gone Nutty” (2002).

In 2002, “City of God” wasn’t nominated among the foreign films, but was in categories such as Editing, Adapted Screenplay, Cinematography and Director, igniting diretor Fernando Meirelles’s international career. Another Brazilian who is successful abroad is Carlos Saldanha, who worked in the Oscar-winning short “Bunny” in 1998, created Scrat the squirrel from the “Ice Age” franchise and directed another short nominated for an Oscar, “Gone Nutty” (2002).

Excluindo os indicados na categoria mais óbvia, o Brasil também já esteve na disputa nas categorias Documentário (com “Lixo Extraordinário”, 2010, e “O sal da Terra”, 2014), Canção Original (quando a animadíssima “Real in Rio” perdeu para “Man or Muppet”, uma música bem ao gosto americano) e Curta-Metragem Live-Action (com “Uma História de Futebol” em 2000). Em 2016, “O Menino e o Mundo” foi indicado na categoria Animação e fez uma grande e bem-sucedida campanha de crowdfunding, mas é provável que o ganhador seja o favorito “Divertida Mente”, elogiado filme da Pixar.

Excluding the nominees in the most obvious category, Brazil was also nominated in the categories Documentary (with “Waste Land”, 2010, and “The Salt of the Earth”, 2014), Original Song (when the groovy “Real in Rio” lost for the shaped-for-American-taste “Man or Muppet) and “Live-Action Short (with “Uma História do Futebol” in 2000). In 2016, “Boy and the World” was nominated in the Animation category and made a successful crowdfunding campaign, but the winner will probably be the favorite “Inside Out”, the acclaimed Pixar movie.

Nós ainda não ganhamos o Oscar. Mas filmes importantes, provocativos e surpreendentemente sensíveis estão sendo produzidos e exportados pelo Brasil, como “Hoje eu quero voltar sozinho / The way he looks” (2014) e “Que horas ela volta? / The Second Mother” (2015). A ditadura tentou destruir a criatividade do cinema brasileiro, mas nossos cineastas se reergueram e estamos evoluindo. Um dia ainda realizaremos o sonho da estatueta dourada – e eu quero estar lá para ver isso acontecer.

We haven’t got an Oscar yet. But importante, provocative and surprisingly sensitive films are being made and exported by Brazil, like “The way he looks” (2014) and “The Second Mother” (2015). The dictatorship tried to destroy the creativity in Brazilian film, but our filmmakers persevered and we’re evolving. One day we’ll fullfil the dream to have the Golden statue – and I will want to be there to witness it. 

Um dia o meme vai acabar!

This is my contribution to the 31 Days of Oscar Blogathon, hosted by the mighty trio Aurora, Kellee and Paula at Citizen Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.

Wednesday, December 31, 2014

Os 14 melhores filmes de 2014

Quem não gosta de uma retrospectiva? Bem, a da televisão pode estar perdendo a popularidade a cada dia, mas na internet (e na vida) sempre vale a pena olhar para trás e fazer uma avaliação do ano que acaba. No meu caso, o balanço gerou uma lista dos 14 melhores filmes que vi em 2014. Como você deve imaginar, nenhum deles é muito recente...

Janeiro: O Grande Desfile / The Big Parade (1925)

Você sabe que está em um relacionamento sério com um filme quando compra a versão em DVD com 30 minutos inéditos. Este épico silencioso leva John Gilbert ao campo de batalha da Primeira Guerra Mundial para lutar, fazer amigos e se apaixonar pela francesinha Renée Adorée. É um filme maravilhoso: nada mais pode descrevê-lo.

Fevereiro: O Presidente / (1919)

Este é o primeiro longa-metragem de Carl Theodor Dreyer, e é melhor que qualquer outro filme de 1919 (inclusive os seus, Mr. D. W. Griffith). Victor promete ao seu pai no leito de morte que jamais se casará com uma mulher pobre. Ele até se envolve com uma moça pobre, mas a abandona. Anos depois, trabalhando como juiz, Victor descobre que tem uma filha ilegítima e que essa moça está prestes a ser condenada à morte. Confie em mim: veja esta obra-prima.

Março: O Relógio Verde / The Big Clock (1948)

Ray Milland está alucinado, mas não é por causa do álcool. Ele interpreta George, um workaholic que faz um favor ao chefe e depois se vê como o suspeito principal de um assassinato. Pode esperar muitos momentos de tirar o fôlego neste pérola que mais gente deveria ver.

Abril: A Carne e o Diabo / Flesh and the Devil (1926)

A estreia de Greta Garbo no cinema americano é de tirar o fôlego. Ela está deslumbrante em todas as cenas, e não é de se espantar que John Gilbert tenha se apaixonado por ela instantaneamente (algumas fontes dizem que esse “amor à primeira vista” foi capturado pelas câmeras, porque Gilbert não teria conhecido Garbo até a cena inicial deles).

Os Dez Mandamentos / The Ten Commandments (1956)

Como eu vivi 20 anos sem ver esta obra-prima? Sim, há momentos cheios de pieguice e de humor não-proposital, mas Cecil B. DeMille foi muito bem-sucedido em sua adaptação da macro-história bíblica. Um épico maravilhoso de se ver, com milhares de extras e cenas que vão assombrar (no bom sentido) sua memória por muitos anos.

Maio: Fogo de Outono / Dodswortth (1936)

Da série “filmes para amar a década de 30”. O medo de envelhecer assombra o casal Fran (Ruth Chatterton) e Sam Dodsworth (Walter Huston). Após vender a fábrica de automóveis, o casal vai para a Europa. Fran tenta se manter jovem flertando com homens mais novos, enquanto Sam continua a aprender coisas novas para se sentir útil. E Sam inclusive aprende o que é amor verdadeiro.

Junho: A incrível Suzana / The Major and the Minor (1942)

Em um mês recheado de Billy Wilder, esta deliciosa comédia foi o melhor filme. Suzana (Ginger Rogers), desiludida com a vida em Nova York, decide voltar para o interior, mas não tem dinheiro para a passagem de trem. Seu dinheiro é suficiente para comprar uma passagem de criança, e ela não tem dúvida: se disfarça como uma menina de 12 anos (e ela parece novinha mesmo). O problema é quando Suzana se apaixona por um major que está prestes a se casar... É um daqueles filmes que só poderiam ser feitos na época de ouro de Hollywood, com tanta simplicidade e leveza.

O grupo / The Group (1966)

Era uma maratona dos files de Sidney Lumet na televisão. Eu queria mutio ver “Vidas em Fuga / The Fugitive Kind” (1960), com Marlon Brando e Anna Magnani. Resolvi ver o filme que passou antes, “O Grupo”, e fiquei impressionada. Mesmo com mais de duas horas e meia de duração, o filme prende a atenção. No começo dos anos 30, oito meninas recém-formadas em uma escola só para mulheres são acompanhadas em seus dramas, descobertas e complicadas relações.

Julho: Blancanieves (2012)

Um filme mudo moderno em que Branca de Neve é toureira: impossível não ser sensacional! O renascimento do cinema mudo não terminou com “O Artista”, e você pode saber mais sobre “Blancanieves” clicando AQUI.

Agosto: O Pagador de Promessas (aka The Given Word) (1962)

Finalmente eu entendi o que um filme precisa ter para fazer sucesso além das fronteiras de seu país de origem: um tema universal. A história de “Zé do Burro” poderia se passar em qualquer país do mundo (eu pude visualizá-la tendo como cenário uma região bem religiosa da Itália), e as questões levantadas sobre religião, polêmica, o poder do jornalismo e a reação em cadeia de um povo sofrido podem ser entendidas no mundo todo. Merecidamente, o ganhador da Palma de Ouro em Cannes e o melhor filme brasileiro de todos os tempos.

Setembro: A Imperatriz Vermelha / The  Scarlet Empress (1934)

Este é o tour de force de Marlene Dietrich e a obra-prima gerada pela parceria entre a atriz e o diretor Josef von Sternberg. De jovem ingênua forçada a se casar com um príncipe idiota até se tornar uma poderosa e perigosa imperatriz russa, a personagem não poderia ser mais perfeita.

Outubro: O Pássaro Azul / The Blue Bird (1918)

Lindo de se ver, com efeitos especiais de tirar o fôlego e mais de 90 anos de idade: “O Pássaro Azul” me fez agradecer a Deus, a Méliès e aos irmãos Lumière pela existência do cinema. Saiba mais sobre este espetacular filme mudo neste post.

Novembro: Mãe por Acaso / Bachelor Mother (1939)

Este é o filme favorito da minha amiga Raquel do blog Out of the Past. Quando ela descobriu que eu nunca havia visto este filme, ela me fez uma deliciosa surpresa e me presenteou com o DVD! Essa ótima comédia se passa durante as festas de fim de ano, e Ginger Rogers, recém-demitida, arruma uma grande confusão quando um bebê “aparece” em sua casa e seu patrão desconfia que o menininho é neto dele. Difícil de entender? Veja o filme.

Dezembro: Mary Poppins (1964)


Foi difícil escolher um filme em destaque no mês de dezembro (quase escolhi “Sangue Negro / There Will Be Blood”, que é surpreendente e tem a melhor atuação de Daniel Day-Lewis). Mas por que “Mary Poppins” foi o melhor filme do mês? Porque me transportou para um mundo mágico, em que tudo pode acontecer, me fez desejar ver toda a mágica do filme na tela grande e confirmou que a Disney é a melhor porta de entrada para qualquer cinéfilo.
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