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sexta-feira, 1 de março de 2013

Live fast, look good: a vida e o legado de John Garfield

John Garfield, uma das maiores estrelas da década de 1940, completaria 100 anos no dia 4 de março. Ele, porém, não viveu nem metade desse tempo: morreu aos 39 anos em 1952. Quase desconhecido das plateias modernas, mas ainda lembrado e elogiado pelos fãs de cinema clássico, Garfield mantém sua presença e seu legado vivos na película.
Nascido Jacob Julius Garfinkle em Nova York, filho de imigrantes russos judeus, o menino perdeu a mãe aos sete anos e passou de casa em casa, acabando por juntar-se a uma gangue, como fazem os meninos Matt e Tom Powers em “Inimigo Público” (1931). Pequeno para sua idade, porém inteligente e habilidoso imitador, Julie, como seus amigos o chamavam, tornou-se o líder da gangue, mas depois de contrair febre escarlate e se envolver em algumas confusões, ele acabou matriculado numa escola para crianças difíceis, onde teve suas primeiras aulas de teatro. Disse que, se não fosse ator, teria se tornado o inimigo número um da América, o que sem dúvida também lhe traria fama.
Antes de sua estreia elogiada, em 1932, Julie se rendeu a seu espírito aventureiro e fez um longo trajeto, vivendo às vezes na miséria, carregando toras de madeira, colhendo frutas ou trabalhando no nordeste do Pacífico. O relato dessas aventuras inspirou o diretor Preston Sturges a criar sua obra-prima “Contrastes Humanos / Sullivan’s Travels” (1941). De volta ao teatro, Garfield recusou propostas de estúdios como a Warner e a Paramount em meados da década de 1930, pois queria ter tempo para dedicar-se aos palcos.
Amigo de grandes nomes do método de interpretação desenvolvido por Stanislavski, como Lee Strasberg, Garfield teve de pedir mutias vezes para entrar em “O grupo”, pequeno grupo de teatro criado por esses atores. Depois de várias negativas, ele foi aceito como aprendiz, e seu sucesso integrou-o à equipe. No entanto, o desencanto ao não ser escolhido para o papel principal da peça “Golden Boy”, escrita especialmente para ele, deixou-o chateado, e o fez dar mais uma chance a Hollywood, para nossa alegria.

Seu primeiro filme, “Four Daughters” (1939), já lhe garantiu a indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Durão, rebelde, de origem simples, Garfield, rebatizado de John por Jack Warner, adicionou aos personagens tão comuns a Cagney ou a Edward G. Robinson uma sensualidade inédita. Magnético, talentoso e decidido, ele lutou contra os estereótipos e os roteiros ruins que garantiam sucesso, mas não desafiavam suas habilidades. Foi um dos pioneiros nessa luta, juntamente com Bette Davis. Com a estrela também esteve nos esforços da Hollywood Canteen, ajudando os soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Também vendeu bônus de guerra e estrelou em diversos filmes feitos para angariar fundos para o conflito e dar esperanças ao país.
Os descendentes diretos de seu estilo de atuação são os conhecidos filhos do Método: Marlon Brando e James Dean, num primeiro momento; Montgomery Clift e Paul Newman, nas ocasiões em que interpretavam personagens rebeldes; Al Pacino e Robert De Niro, nas últimas décadas. O próprio Brando galgou sua carreira em fracassos de Garfield: ficou com o papel do ator na peça “Um bonde chamado desejo”, após um desentendimento deste com a produtora, e também se tornou protagonista de “Sindicato de Ladrões / On the waterfront” com a morte de John Garfield.
Com Lana Tuner em "O destino bate à porta / The postman always rings twice"  (1946)
John concordou em ser coadjuvante com cachê de estrela no filme “A luz é para todos / Gentlemen’s Agreement” (1948), pelo fato de a película tratar do polêmico tema do antissemitismo. Sendo judeu, Garfield sentiu isso na pele e sabia como era importante tocar neste assunto. Seu personagem, também judeu, vislumbra a oportunidade de uma vida melhor quando uma mão amiga lhe é estendida ao final do filme, mas não foi isto que aconteceu na vida do ator. Assim como outra atriz do filme, Anne Revere, responsável por um discurso profético e utópico sobre “o século de todos”, ele foi chamado para depor frente ao Comitê de Assuntos Antiamericanos (HUAC).     
A paranoia comunista pegou John. Pelo simples fato de ter pertencido ao “Grupo” de teatro, uma companhia tão ímpar, ele já era suspeito, e somou-se a isso o fato de sua mulher, Roberta Seidman, ter pertencido ao partido comunista. Um liberal, fã de Roosevelt, John explicou-se, mas se recusou a nomear outros prováveis comunistas na indústria do cinema. Isso acabou com sua carreira. Colocado, retirado e colocado novamente na lista negra, John voltou ao teatro apenas para interpretar o papel que lhe fora negado mais de uma década antes: o de protagonista de “Golden Boy”.
Sofrendo do coração desde jovem, John Garfield sucumbiu em 21 de maio de 1952. Depois de seu episódio com a caça aos comunistas, tentou de todo jeito mostrar seu amor pelo país e revirou montes de documentos que provavam que era um bom cidadão. Bebia muito e dormia pouco, e o stress da situação foi demais para ele. Sua herança de sangue para o cinema foram seus dois fihos que chegaram à idade adulta (a mais velha, Katherine, morreu após uma reação alérgica aos seis anos). David (1943 – 1994) tornou-se ator de teatro e, em seus poucos trabalhos como ator ou mesmo editor no cinema, apereceu creditado como John Garfield Jr ou John David Garfield. Julie Garfield (1946) também se aventurou pelos palcos, e trabalha muito em televisão. Apareceu também no filme “Os bons companheiros / Goodfellas” (1990), como a personagem Mickey.        
Seus filhos não tiveram o mesmo sucesso que ele, mas John Garfield, seu charme e seu talento continuam a ser admirados por milhões de pessoas. Prova disso são os vários sites dedicados à filmografia, à personalidade ou mesmo ao mapa astral do ator, além da blogagem coletiva em homenagem a seu centenário, realizada por Patti em They Don't Make 'Em Like They Used To. 

16 comentários:

Marcelo C,M disse...

A caça as bruxas foi uma das maiores sacanagens do governo americano, pois acabou afetando inumeros atores, atriz e até mesmo diretores que não tinham nada haver com isso.

FlickChick disse...

So sad that he got caught up in that political horror that took place in the 50s. He was an actor of great talent and a man of conviction and we gone much too soon. Lovely post!

Patti disse...

Terrific post, Le, and a wonderful addition to the blogathon!!

I love Garfield in so many roles, but you mentioned "Gentleman's Agreement." Such a terrific film and, I think, one of his most important, as it was such a "message" movie. In my opinion, he stole the show from Gregory Peck.

Thank you so much for taking part in the blogathon.

Judy disse...

Enjoyed your posting, Le, well done!

Ruby disse...

Morreu muito jovem e pouco tempo teve pra fazer mais filmes e deixar o nome marcado, mesmo o filme com a Lana Turner ser bem comentado eu não vi, tomara que possa ver no TCM. Lê, fiz o meme.

Iza disse...

Não o conhecia - aliás, conheço muito pouco do cinema em geral, tanto do antigo quanto o atual, mas sou uma grande admiradora. Gostei muito de conhecer sua vida, bem interessante. Beijos e boa semana <3

As Tertulías disse...

Ótima matéria!!!!!!!!! ADOREI!!!!!!!!

Victoria disse...

It's so very sad that he died so young and that he had to endure the HUAC questioning. He truly was an Oscar worthy actor. Great post!

Michas disse...

Lê,

Adorei o seu texto! Não conhecia o John Garfield e fiquei muito feliz por ter conhecido um pouquinho através do seu blog. Aliás, aqui no "Crítica Retrô" eu aprendo muita coisa sobre cinema, viu?

Gosto bastante do James Dean e não tinha ideia de que ele sofreu influência do John Garfield. Vou procurar os filmes do ator :)

Beijos e boa semana para você,

Michas

http://michasborges.blogspot.com

Jeff Flugel disse...

You know, Le, I had not noticed your translator device before...anyway, now that I have figured out how to read your blog in English, I want to tell you that I enjoyed your informative post on the life of John Garfield very much. It's a pity that the end of his life was fraught with so much frustration and unhappiness, but at least he left us with many fine films to admire.

DorianTB disse...

Le, as promised, I was able to figure out the translator, thanks to my wonderful husband, Vinnie (also my GIF guy for my animated bits at TALES OF THE EASILY DISTRACTED). Your blog post about John Garfield's life and times was truly fascinating and poignant. I can't help imaging how much better Garfield's life would have been if it weren't for his heart problems and the cruelty he faced at HUAC's hands. Don't you wish you could go back in time and give Garfield's life a happy ending? Excellent post, Le!

Tom disse...

Ensaio muito bom, Le. Eu não sabia que sua filha estava em "Goodfellas", vou ter que assistir esse filme de novo e procurar por ela. Talvez se Garfield viveu após a idade de 39 anos, ele se tornaria uma das mais conhecidas estrelas de Hollywood.

Rubi disse...

Confesso que não sabia muito à respeito de John Garfield; até ler seu texto, claro. Parabéns pelo post que mais uma vez surpreende pela riqueza de informações; vou dar uma pesquisada pra ver se encontro algum dos filmes citados.

Beijos!

Pedrita disse...

se eu vi algum filme com ele não me lembro. vou ficar atenta. beijos, pedrita

Jefferson C. Vendrame disse...

Conheço somente A LUZ É PARA TODOS com Garfield. Não conhecia sua história de vida, muito interessante, aliás, eu também não sabia que o ator tinha falecido tão jovem e a tanto tempo!
Mais um ótimo post Lê!
Parabéns!

Anônimo disse...

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