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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

#TheResistance at the movies: Horas de Tormenta (1943) / Watch on the Rhine (1943)

“Horas de Tormenta” é mais conhecido por ser o filme que fez Paul Lukas ganhar um Oscar de Melhor ator quando Humphrey Bogart também concorria ao prêmio por sua interpretação de Rick Blaine em Casablanca. Mas o filme merece ser conhecido por outros atributos. É verdade que Paul Lukas interpreta o melhor personagem, deixando até Bette Davis em segundo plano, e ele é também o mais inspirador – e deveria ser nossa inspiração nos tempos sombrios que estamos vivendo.

“Watch on the Rhine” is best remembered for being the film that made Paul Lukas win an Oscar over Humphrey Bogart’s portrayal of Rick Blaine in Casablanca. But the movie deserves to be remembered for more than this. It’s true that Paul Lukas is the greatest character onscreen, overshadowing even Bette Davis, and he’s also the most inspirational – and one that should be our inspiration in times as somber as the ones we live in.
Em 1943, o Oscar foi todo sobre #TheResistance. Embora o filme com mais indicações e prêmios tenha sido “A Canção de Bernadette”, podemos ver o tema comum e combater o mal em “Horas de Tormenta”, “Casablanca” e “Por quem os sinos dobram”, um filme que levou apenas a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante. E os três ativistas lutando pelo prêmio de Melhor Ator eram o ativista discreto Rick, de Bogart, o ativista sem medo Kurt, de Lukas, e o ativista que punha a mão na massa Robert Jordan, de Gary Cooper.

In 1943, the Oscars were all about #TheResistance. Although the film with the most nominations and wins was “The Song of Bernadette”, we can sense a common theme of fighting evil in both “Watch on the Rhine”, “Casablanca” and “For whom the bell tolls”, a film that ultimately got the Best Supporting Actress award. As for the three activists battling for the Best Actor statuette, we get the quiet activist on Bogart’s Rick, the outspoken one in Lukas’ Kurt and the go-getter in Gary Cooper’s Robert Jordan.  
Nós não estamos novamente neste momento artisticamente, mas certamente precisamos resistir ao fascismo, assim como o personagem de Paul Lukas, Kurt Muller, faz em “Horas de Tormenta”. Então aí vão 10 lições sobre ativismo por Paul Lukas (as falas retiradas diretamente do filme estão em negrito):

We’re not again at this moment artistically, but we certainly are in need of resisting against fascism, just like Paul Lukas’ character, Kurt Muller, does in “Watch on the Rhine”. So here we have 10 lessons on activism by Paul Lukas (quotes taken directly from the film are in bold):

1- Nós seriamente precisamos de pessoas como ele: o texto no início do filme elogia quem lutou contra o fascismo desde sua gênese, e não apenas quando o mal chegou o poder. Seria você uma destas pessoas?

1- We seriously need people like him: The text at the beginning praises the people who have fought fascism since its genesis, and not only when it rose to power. Are you one of those people?
2- “O mundo mudou, e algumas pessoas nele são perigosas”: Sara (Bette Davis) se refere aos nazistas que chegaram ao poder no começo dos anos 30 e estavam então em guerra contra os aliados, mas eu aposto que você consegue citar ao menos três pessoas perigosas no mundo atualmente.

2- “The world has changed, and some people in it are dangerous”: Sara (Bette Davis) is talking about the Nazis that rose to power in the early 1930s and were then at war against the Allies, but I bet you can cite at least three dangerous people living in the world right now.

3- “Soa tão grande. E é tão pequeno. Eu sou um anti-fascista”: Kurt não tem medo de contar à família de sua esposa qual é sua profissão. Mais do que isso: ele não tem nem vergonha nem orgulho do que faz. Ele odeia ser chamado de “um homem nobre” apenas porque ele luta contra o fascismo. É apenas o trabalho dele.

3- “It sounds so big. And it is so small. I’m an anti-fascist”: Kurt is not afraid to tell his in-laws what he does for a living. More than that: he’s neither ashamed nor proud of what he does. He hates being described as “a noble man” only because he fights fascism. It’s only his job.
4- “Antes da tempestade nazista… Eu descobri que apenas a esperança não é suficiente”: como podemos ter esperança se não lutamos? Você vai depender da luta dos outros? E, desculpem-me as pessoas religiosas, mas ações dizem mais e fazem mais que simples orações.

4- “Before the Nazi storm… I find out that hope by itself is not enough”: how can you have hope if you don’t fight? Will you rely on the fight of others? And, I apologize to religious people, actions speak louder and do more than simple prayers.
5- “Os homens que sabem por que eles lutam vão lutar com mais afinco”: autoexplicativo. Informação é poderosa. Informação gera raiva e medo, os combustíveis da mudança.

5- “Given men who know what they fight for, and will fight hard”: self-explanatory. Information is powerful. Information generates anger and fear, the fuels for change.

6- “A vontade de lutar não pode ser inserida em um homem, mas quando ela já está lá...”: ela só é extinta com a morte.

6- “The willingness to fight cannot be put in a man, but when it is there…”: it’s only extinguished with death.
7- “Você não sabe o que é estar com medo. Infelizmente, acho que você vai ter de aprender”: uma mensagem para nossos tempos, quando o fascismo está ganhando espaço novamente. É também uma mensagem para as famílias dos ativistas mais apaixonados, que terão medo por seus entes queridos, mas terão de aceitar o fato de que lutar é a missão deles.

7- “You don’t know what it is to be frightened. Unfortunately, I think you’ll have to learn”: a message for our times, when fascism is rising once again. It’s also a message for the families of the most passionate activists, who will fear for their loved ones, but will have to accept that fighting is their mission.

8- “Bem, é o que em geral acontece com os heróis, infelizmente”: falando de seu amigo e ativista Max Freidank, que havia acabado de ser capturado pelos nazistas e perdeu um braço na luta. Esta frase de Kurt nos mostra uma verdade dura e amedrontadora, mas lembre-se: há muitos ativistas, mas poucos heróis. Você pode lutar por uma causa, mas isso não significa que você terá de se sacrificar por ela se este não for seu destino.

8- “Well, it’s what often happens to heroes, unfortunately”: speaking of his friend and activist Max Freidank, who had just been captured by Nazis after losing an arm. This quote by Kurt tells us a harsh, chilling truth, but remember: there are many activists, but few heroes. You can be a fighter for a cause, but it doesn’t mean you’ll have to sacrifice yourself for it if this is not your destiny.
9- “Os únicos homens que fazem valer seu tempo na Terra são aqueles que lutam por outros homens”: seja um deles. Esteja do lado correto da história.

9- “The only men on Earth worth their time on Earth were the men who would fight for other men”: be one of them. Be in the right side of history.

10- “Eu devo tomar meu lugar. Não posso fazer mais nada. Deus me ajude. Amém”: esta frase de Lutero é citada por Kurt e deve ser seguida por todos os não-conformistas.

10- “I must make my stand. I can do nothing else. God help me. Amen”: this quote by Luther is cited by Kurt and should be followed by all non-conformists.
Além de tudo isso, Kurt e Sara nos lembram que fascistas não são aliens: são pessoas como nós, feitas de carne e osso, não são invencíveis e podem ser destruídas. (SPOILERS) Ironicamente, o escritório do Código Hays queria que Kurt morresse no fim porque ele atirou em um fascista, afinal, o personagem teria de pagar por seu crime! Isso em muito se parece com o recente debate sobre “é certo socar um nazista”. Fico feliz em dizer que Kurt terminou bem, então tudo bem para nós lutarmos contra os nazistas como bem entendermos.

Besides all that, Kurt and Sara reminds us that fascists are not aliens: they are human beings like us, made of flesh and bone, not invincible, and can be destroyed. (SPOILERS) Ironically, the Hays Office wanted Kurt to die in the end because he shot a fascist, after all, he had to pay for his crime! This is very much like the recent “is it OK to punch a Nazi” debate. I’m happy to inform that, for Kurt it ended up OK, so it’s OK for us to fight Nazis any way we want. 

Um comentário:

Caftan Woman disse...

A timely and well-spoken article.

I think the more people see Watch on the Rhine, the more they will be inspired. Perhaps also they will appreciate Paul Lukas' wonderful performance.

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