} Crítica Retrô

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Monday, June 20, 2011

Nasce um astro: Kids Auto Races at Venice (1914)


Durante seis minutos, uma situação cômica se repete. Durante 240 segundos, uma figura chama nossa atenção: um homem de trajes rotos, chapéu e bengala, com modos elegantes. É a primeira aparição do adorável vagabundo (The Tramp, chamado por aqui de Carlitos) criado por Charles Chaplin.
Sim, é um curta histórico. Mas isso não ameniza suas falhas. A situação cômica é repetida à exaustão. O vagabundo nada mais faz do que entrar na frente de um cinegrafista que grava a corrida das crianças. Parece engraçado no início, mas conforme o filme avança temos a impressão de que, de “acidente”, a ação passa a travessura, e o vagabundo irrita-se ao ter sua intervenção criticada. Ele invade a pista e atrapalha a corrida das crianças e parece fazer isso de propósito.

Ainda distante nos modos e no bom coração do mendigo que faz de tudo para que sua amada volte a enxergar em “Luzes da Cidade” (City Lights, 1931) ou o pedinte que aceita ser preso no lugar de uma bela órfã em “Tempos Modernos” (Modern times, 1936), aqui a personagem parece sempre zangada.  Embora não seja tratado com polidez pelos cinegrafistas, há algo de furioso e desagradável em sua expressão facial. Ele chega inclusive a irritar-se com as crianças passando, mesmo sabendo que ele é que está no lugar errado.

A estreia pode não ser cheia de glamour ou méritos, mas arranca algumas risadas. Felizmente, durante mais de 20 anos, Chaplin pôde desenvolver ao máximo as potencialidades cômicas da personagem e, finalmente, chegar ao ápice com obras-primas como “Em busca do ouro” (The gold rush, 1925) e as duas pérolas valiosas do cinema mudo da década de 1930. 

Thursday, June 16, 2011

Lugar de louco é no cinema



Um mesmo tema pode ser usado para causar riso ou fazer denúncia. Em meados do século XX, a loucura foi retratada no cinema das mais diversas formas.  Em dramas comoventes ou comédias amalucadas, lá estavam enfermeiras, psiquiatras, camisas-de-força, choques elétricos e outras terapias convivendo no ambiente sinistro dos manicômios.

Este mundo é um hospício / Arsenic and Old Lace (1944): Cary Grant acaba de se casar e leva a esposa para morar com sua excêntrica família. Dividem a mesma casa duas tias idosas que envenenam velhos solitários, um irmão que pensa ser Theodore Roosevelt e, como se não bastasse, chega também um irmão desaparecido há tempos, acompanhado de um cirurgião plástico, responsável pela operação que o deixou parecidíssimo com Boris Karloff. 

Lembre-se: Cary era o normal
da família
Meu amigo Harvey / Harvey (1950):James Stewart continua adorável, mas desta vez tem como melhor amigo um coelho branco gigante que só ele vê. Sua irmã, vivida por Josephine Hull, em uma performance ganhadora do Oscar, decide interná-lo em um manicômio, mas ela é que é considerada louca. É uma comédia, mas o ambiente sombrio e desumano dos hospícios está lá.

Quando fala o coração / Spellbound (1945): Gregory Peck, o novo diretor de uma clínica psiquiátrica, parece ser mais perturbado que seus pacientes. Cabe à cerebral doutora Constance (Ingrid Bergman) descobrir o que o perturba – e tentar domar seus próprios sentimentos amorosos pelo colega/paciente. A sequência idealizada por Salvador Dalí, a música de Miklós Rózsa e a surpreendente causa da perturbação de Peck compensam os diálogos didáticos sobre a psicanálise.

Na cova da serpente / The snake pit (1948): Olivia de Havilland está internada em um manicômio e sofre com as condições impostas pelas enfermeiras. Em um ambiente dividido em pavilhões de acordo com a gravidade do estado dos doentes, ela só encontra esperança com o doutor Krik, que está disposto a ajudá-la a se curar, nem que para isso precise de choques elétricos e soros da verdade. Com uma explicação comum de traumas de infância, esse filme se torna célebre por mostrar a dura realidade, o que demandou uma minuciosa pesquisa de campo por parte de Olivia.

De repente, no último verão / Suddenly, Last Summer (1959): Catherine (Elizabeth Taylor) foi mandada pela tia Violet (Katharine Hepburn) para um hospício para passar por uma lobotomia. A intenção é descobrir o que causou a morte do amado filho de Violet, Sebastian, presenciada por Catherine e que a deixou profundamente perturbada. Montgomery Clift, o médico encarregado da instituição psiquiátrica superlotada e sem muita infraestrutura, decide investigar o caso, conhecendo melhor a excêntrica relação entre mãe e filho e convencendo Catherine a contar o que aconteceu “de repente, no último verão”.
Uma cruz à beira do abismo / The nun’s story (1959): Gabrielle van der Mal, ou melhor, irmã Luke (Audrey Hepburn) é uma freira sem muita vocação que deseja ser enfermeira no Quênia. Antes disso, ela terá de passar por verdadeiras provas de fogo, como servir em um manicômio na Bélgica, lidar com loucas perigosas e vivenciar um cotidiano de choques elétricos, banhos “terapêuticos” e camisas-de-força.

Menção honrosa para Fogueira de Paixões / Possessed (1945): Louise (Joan Crawford), internada em estado de choque e tomando soro na veia, narra seu passado.

Friday, June 10, 2011

Luz, câmera, paixão!

As demonstrações dos diversos tipos de amor mudaram muito ao longo dos tempos. Na vida e nas artes, as relações estão cada vez menos ingênuas e discretas. Por ser um tipo de arte recente e em constante transformação, o cinema é uma grande fonte de exemplos destas mudanças.

Nos primórdios da sétima arte, quando os gestos largos e expressivos compensavam a falta do som, o galanteio era comum. Belos cavalheiros tiravam as cartolas e faziam mesuras diante das damas apaixonadas de saias compridas. Discrição total era a palavra de ordem da “belle époque”.

Com o advento do som, das guerras e da Grande Depressão, a mulher ganha destaque na sociedade e na relação. Filmes com herdeiras inconseqüentes à caça de um marido viram moda, criando comédias amalucadas com final feliz.

Mesmo assim, o beijo não era comum. As investidas amorosas se estendiam durante o filme, e a rendição ao amor coroava o final. Beijos amistosos entre pessoas do mesmo sexo chocavam as plateias. Polidez e bons modos, só excetuados pela selvageria romântica de Tarzan e Jane!

Tempos depois, foi dado enfoque ao casamento e suas agruras. Passada a paixão e os primeiros beijos, o mar de rosas dá lugar ao mar revolto. Entretanto, o casal conseguia superar as adversidades, salvo em memoráveis casos em que os pombinhos se separavam no final, embora “sempre tivessem Paris”.

Rick e Ilsa: casal-símbolo do romantismo hollywoodiano 
Depois da época em que confusões de identidade acabavam em romance nos musicais, chegaram os casais modernos, com grande diferença de idade, fazendo um cativante jogo de sedução. Assim, as polêmicas cenas de maior intimidade conjugal dividiam as telas com traições escandalosas.

Já foi retratado o amor bandido, além da vida, que se repete fora dos filmes, juvenil, senil, erótico, platônico, impossível, destrutivo, divertido ou destruído pelas ambições de uma “femme fatale”. Sem dúvida, o cinema romântico é uma prova irrefutável de que a arte imita a vida.  

Monday, June 6, 2011

Grandes Coadjuvantes

Eles nunca viram seus nomes em destaque nos créditos iniciais, mas isso não impede que suas atuações sejam tão brilhantes quanto a dos mais elogiados protagonistas. Vários são os eternos coadjuvantes que roubam a cena e a nossa admiração.

Thelma Ritter: Pobre Thelma! Foi seis vezes indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante e nunca ganhou (Deborah Kerr tem esse mesmo recorde na categoria de Melhor Atriz). Quatro dessas indicações foram consecutivas (1950 – 1954). Mesmo assim, esteve em vários filmes importantes, como “A Malvada”, “Janela Indiscreta” e “Os Desajustados”. Sem grandes atrativos físicos, desempenhava com maestria os papéis de enfermeira ou governanta.  Ganhou um Tony em 1958, empatada com Gwen Verdon.
Em Confidências à Meia-Noite, Thelma Ritter
está a cara da Giulietta Masina!

Walter Brennan:  Ao contrário de Thelma, Walter teve seu talento reconhecido: foi três vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por “Meu filho é meu rival” (1936, ano em que a categoria foi criada), “Romance do Sul” (1938) e “O galante aventureiro” (1940). Foi animador das tropas da Primeira Guerra e amigo de Gary Cooper. Fazia todos os tipos de papéis, mas ficou famoso por seus velhos personagens caipiras e peculiares (um acidente que deixou-o quase sem dentes criou marcas que o faziam parecer bem mais velho do que era). Começou no cinema mudo, mas não era creditado. Fez também várias participações em séries de TV.

Mary Astor: Filha de mãe portuguesa e pai alemão, jovem atriz do cinema mudo, Mary passou para o cinema falado em papéis secundários. Entre seus trabalhos estão “O Falcão Maltês”(1941) e “Agora seremos felizes”(1944). Ganhou um Oscar em 1942 por “A Grande Mentira” . Lutou com o alcoolismo, tentou suicídio e viveu alguns escândalos conjugais. Escreveu várias memórias que se transformaram em best-sellers.

Peter Lorre: Austro-húngaro, protagonista da obra-prima de Fritz Lang “M – O vampiro de Dusseldorf”(1930) e da primeira versão de “O homem que sabia demais”(1934), Peter Lorre foi aos EUA e conseguiu bons papéis secundários em  “O Falcão Maltês”(191), “Casablanca”(1942) e “Passagem para Marselha” (1944). Duas curiosidades: Lorre foi aluno de Freud em Viena e convenceu Humphrey Bogart e Lauren Bacall a se casarem apesar da diferença de idade.

Mercedes McCambridge: Ganhadora do Oscar em sua estréia cinematográfica (“A Grande Ilusão”, 1949), Mercedes fazia, em geral, mulheres amarguradas e antagonistas. Trabalhou também no teatro, fazendo, por exemplo, a protagonista de “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, e no rádio. Fez parte do Mercury Theater, grupo de teatro de Orson Welles. Alguns de seus trabalhos mais importantes foram em “Johnny Guitar” (1954), “Assim Caminha a Humanidade” (1956) e como a voz demoníaca de “O Exorcista” (1973).

Claude Rains:  O grande Capitão Renault de Casablanca era quase cego de um olho (devido a ferimento na Primeira Guerra Mundial), deu aulas de  teatro numa universidade, foi casado seis vezes, era nervosinho, sovina e desenhou a lápide do próprio túmulo. Mas era um grande profissional: memorizava as falas de todos os atores, mesmo não sendo protagonista. Entre seus trabalhos destacam-se: “Lawrence da Arábia”(1963), “Interlúdio”(1946), “Vaidosa”(1944) e “A estranha passageira”(1942).

Celeste Holm: A bela loira nunca passou dos papéis secundários, embora já tenha passado dos 90 anos. Mas isso não impediu que ela deixasse sua marca em filmes como “A Malvada” e “Alta Sociedade”, onde, inclusive, faz um dueto com Frank Sinatra. Outros grandes feitos da coadjuvante foram: estrear no teatro em “Hamlet”, ao lado de Leslie Howard; fazer cinco peças com o lendário George M. Cohan; ganhar um Oscar por “A Luz é para todos”(1948) ; ser porta-voz da UNICEF e ter um título de cavaleira dado pelo rei da Noruega. Desde os anos 50 participa de diversas séries de TV e agora está de volta à tela grande.

Donald Crisp: O ganhador do Oscar por “Como era verde meu vale” tem um currículo invejável. Estreou em 1908, aos 26 anos, esteve em 170 filmes, atuou no cinema mudo e no sonoro com o mesmo sucesso, dirigiu 72 produções (a maioria no cinema mudo)... tudo isso sem ser o protagonista. Além disso, foi membro dos exércitos inglês e americano e conheceu Winston Churchill ainda jovem. Ele teve a honra de estar no primeiro filme de Griffith (The Muskeeters of Pig Alley), em “O Nascimento de uma Nação” (como o general Grant), como um extra em “Intolerância”, vivendo o pai autoritário de Lillian Gish em “Lírio Partido”(1919),  
na primeira versão de “O Grande Motim” (1935) e muito mais!

Thursday, June 2, 2011

Um privilegiado de quatro patas

Muitos fãs sonham em chegar perto de seus ídolos. Muitos sonham em se tornar também ídolos para outros fãs (não no estilo Eve Harrington em “A Malvada”, 1950, espero). Nem todos conseguem. Por outro lado, enquanto os humanos se decepcionam com o sonho de fama e fortuna, muitos animais chegam ao topo do Olimpo cinematográfico, protagonizando diversos filmes de sucesso e contracenando com as maiores estrelas de sua época.

Many fans dream about getting near their idols. Many fans dream about also becoming idols to other fans (not in Eve Harrington style, I hope). Not all of them succeed. On the other hand, while humans get disappointed with the shattered dreams of fame and fortune, many animals reach the top of the cinematographic Olympus. They are leads in many successful films and share the screen with some of the biggest stars of their time.
Skippy foi um deles. Se os anos 20 tiveram Rin-Tin-tin e os 40 contaram com Lassie, os anos 30 viram esse cãozinho se tornar superestrela. Talvez eu esteja exagerando, mas quando Skippy aparecia, ele roubava a cena.

Skippy was one of those lucky animal stars. If the 1920s had Rin-Tin-Tin and the 1940s had Lassie, the 1930s saw this little dog becoming a superstar. Mybe I’m exaggerating, but when Skippy showed up, he was a scene-stealer.
Não se sabe ao certo se Skippy nasceu em 1931 ou 1932. O fox terrier de pelo crespo esteve presente em famosas produções como os dois primeiros filmes da série The Thin Man (A Ceia dos Acusados e A Comédia dos Acusados), Cupido é moleque teimoso (1937) e Levada da Breca (1938).  Ele se aposentou em 1939, não sem antes lançar tendência: assim como a collie Lassie na década seguinte, na década de 1930 espalhou-se uma febre de fox terrier: todos queriam ter um cãozinho como Skippy.

We can’t know exactly when Skippy was Born – either 1931 or 1932 have appeared as birth dates. The Wire Fox Terrier was in famous films like the first two of The Thin Man series (The Thin Man and After the Thin Man), “The Awful Truth” (1937) and “Bringing Up Baby” (1938). He retired in 1939, but had already become fashionable: just like the Border Collie Lassie did in the following decade, in the 1930s Skippy originated a Fox Terrier fever. Everybody wanted to have a dog like Skippy.
Muitas vezes Skippy chegou a ser creditado com o resto do elenco, como em “A Ceia dos Acusados”, feito na época em que na abertura imagens das estrelas eram mostradas acompanhadas de seus respectivos nomes.  E não é para menos: em uma série de momentos ele rouba a cena e sua fofura desvia todos os olhares para ele.

In many occasions Skippy was credited alongside the rest of the cast, like in “After the Thin Man” (1936), made in a time when the opening credits had photos of the stars and their names. And Skippy deserves the star treatment: in many moments he steals the scene with his cuteness.
Em “Cupido é Moleque Teimoso”, por exemplo, atendendo pelo nome do Mr Smith, é motivo de uma briga judicial do casal recém-divorciado e sem filhos.

In “The Awful Truth”, for instance, he is called Mr Smith and is in the center of a legal battle of a just-divorced childless couple.


Em “Levada da Breca”, o cão George esconde o osso de dinossauro procurado por Cary Grant.

In “Bringing Up Baby”, the dog George hides the dinosaur bone that is pursued by Cary Grant.

Mesmo tendo mordido Myrna Loy, ele é digno de menção como um animal privilegiado. Não apenas porque ganhava de 200 a 250 dólares por semana, mas principalmente porque contracenou com estrelas de tamanha magnitude – mesmo sem ter consciência disso.

Even though having bitten Myrna Loy, Skippy is still worth being called a lucky animal, not only because he earned from 200 to 250 dollars a week, but because he acted alongside such wonderful stars – even we wasn’t aware of what acting was. 

Friday, May 27, 2011

Cupido Não Tem Bandeira (1961) / One, Two, Three (1961)

Uma divertida análise do capitalismo e crítica ao comunismo em plena Guerra Fria.

A fun analysis of capitalism and a critique to communism during the Cold War.

James Cagney estrela esse filme como o chefe da filial da Coca-Cola em Berlim, que tenta levar o refrigerante-símbolo do imperialismo norte-americano para o lado vermelho da cortina de ferro. De olho na promoção para chefe das operações europeias, ele aceita hospedar a espevitada filha do chefe em sua própria casa. Mas as coisas se complicam quando ela se apaixona por um jovem da Berlim Oriental.

James Cagney is the star of this film, playing the manager of a Coca-Cola franchise in Berlin. He tries to bring the soda that symbolizes North-American imperialism to the red side of the Iron Curtain. Wanting the position of chief of European opperations, he accepts to receive his boss' naughty daughter as a guest in his own house. But things get difficult wuen she falls in love with a young man from East Berlin.

Cupido Não Tem Bandeira” foi um filme divertido para o público, mas não para Cagney: após o filme, ele se aposentou, fazendo apenas mais uma pequena aparição em “Na Época do Ragtime” (1981). Dizem que durante a produção o veterano ficava furioso com Horst Buchholz, que tentava roubar a atenção para si nas cenas que faziam juntos. Se eu estivesse em uma produção com James Cagney, meu ator favorito, jamais tentaria roubar a atenção. Talvez eu me levantasse toda vez que ele passasse, como fazem aqui seus funcionários!

One, Two, Three” was a fun movie for the audience, but not for Cagney: after the film, he retired and only made another appearance in “Ragtime” (1981). It's said that, during the production of this film, the veteran actor got mad at Horst Buchholz, who tried to steal the attention for himself in all the scenes he had with Cagney. If I was in a production with James Cagney, my favorite actor, I'd never try to steal the attention. Maybe I'd stand every time he entered the room, just like his employees do!

Muito interessante nesse filme é a referência a outros filmes, algo raro até então. Cagney solta uma frase proferida por Edward G. Robinson. A esposa dele, Phyllis (Arlene Francis), diz: “O que aconteceu com Scarlet? E o Vento Levou...”. Schlemmer se veste de mulher para confundir os comunistas, assim como Jack Lemmon em “Quanto mais quente melhor” (1959), dirigido também por Billy Wilder. Atravessando a fronteira, um policial faz uma imitação de ... James Cagney! E Cagney quase usa um “grapefruit” como arma novamente! (Quem pode esquecer a pobre Mae Clarke tendo a fruta espremida no rosto em “Inimigo Público”, de1931?).

Something very interesting in this film are the references to other films, which wasn't so common back in the 60s. Cagney quotes a line once used by Edward G. Robinson. His wife Phyllis (Arlene Francis) says: “What happened to Scarlet: She is gone with the wind...” Schlemmer dresses as a woman to deceive the communists, and Jack Lemmon does the same in “Some Like It Hot” (1959), also directed by Billy Wilder. Crossing the border a police officer imitates... James Cagney! And Cagney almost uses a grapefruit as a weapon once again! (Who can forget poor Mae Clarke receiving a mashed grapefruit in her face in “The Public Enemy”, from 1931?).


A zombaria com o comunismo é ponto de partida de diversas piadas. O carro usado em Berlim Oriental está obsoleto quase 30 anos. Há paradas com multidões uniformizadas carregando imagens do líder Kruschev, como em “Ninotchcka” (1939), com a diferença que o líder no filme com Garbo (cujo co-roteirista era, por sinal, Wilder) era Stalin. Um dos camaradas, batendo contra a parede, derruba a foto do líder atual, mostrando a do líder anterior, episódio, aliás, verídico. O jovem pretendente da garota americana é preso por carregar um balão dizendo: “caiam fora, comunistas!” e um relógio cuco que toca “Yankee Doodle Dandy”. A sessão de tortura consiste na fita da versão americana de “Biquíni de Bolinha Amarelinha” tocando incessantemente. E, é claro, numa citação de Karl Marx, é citado também Groucho Marx.

Many jokes are there only to mock communism. The car used in East Berlin is almost 30 years outdated. There are parades with crowds in uniforms carrying images of the leader Kruschev, just like in “Ninotchcka” (1939), with the difference that the leader in the film with Greta Garbo (a film co-written by none other than Wilder) was Stalin. One of the comrades, knocking on a wall, makes the picture of the current leader fall, revealing the image of the former leader – an episode that really happened. The young man who loves the American girl is arrested because he's carrying a balloon with the words “go away, communists!” and a cuckoo clock that plays “Yankee Doodle Dandy”. The torture session consists of a tape of the American version of “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot Bikini” playing non-stop. And, of course, when Karl Marx is mentioned, another mention is made to Groucho Marx.

Mais do que isso: zomba-se do nazismo. Os trabalhadores da empresa, educados e doutrinados durante o Terceiro Reich, repetem os obséquios mecanicamente e se levantam com disciplina militar toda vez que o personagem de James Cagney atravessa o escritório.

More than that: Wilder mocks Nazism. The workers of the factory, raised and indoctrinated during the Third Reich, repete their actions mecanically and stand up following discipline every time James Cagney’s character enters the office.

Cupido não tem Bandeira”, entretanto, não é um filme para ser apreciado por qualquer um. O único nome de peso, além do diretor Billy Wilder, é James Cagney. Além disso, é um filme datado e conteudista. Na época, com a construção do Muro de Berlim acontecendo e, principalmente, hoje, o filme perdeu o aspecto de farsa presente, por exemplo, em “Quanto Mais Quente Melhor”. Mas, se visto com os olhos de 1960, de Guerra Fria sem Muro, continua a divertir.

One, Two, Three”, however, is not a film that can be enjoyed by anyone. The only big name, besides director Billy Wilder, is James Cagney. Besides that, it's a dated film that demands some history knowledge to be understood. At the time, with the building of the Berlin Wall and, in special, today, the film lost the farce facet that, for instance, “Some Like It Hot” has. But, if it is seen with 1960 eyes, thinking about the Cold War without a Wall, it can still be fun.

Monday, May 23, 2011

Pequenas e Notáveis


Tamanho não é documento? Em Hollywood, nunca foi. Desde cedo, as baixinhas como eu fizeram sucesso. Aliás, era comum nos primeiros filmes que as protagonistas fossem pequenas. Mary Pickford (1,54 m), por exemplo, com sua baixa estatura e seus longos cabelos cacheados, fez papeis infantis até perto dos 30 anos. As primeiras protagonistas altas foram Greta Garbo e Katharine Hepburn (ambas com mais de 1,70). Por isso, esqueçamos os apelidinhos delicados e vejamos uma lista de grandes pequenas atrizes:

OBS.: Consideradas as atrizes com até 1,60 metro. Dados de imdb e Wikipedia.

Nas imagens: Mary Pickford (ao lado), Giulietta Masina (com o marido, Federico Fellini) e Carmen Miranda (reparem nas plataformas para parecer mais alta!).

Janet Gaynor (1,52 m)

Edna Purviance (1,57m)

Judy Garland (1,51 m)

Giulietta Masina (1,57 m)

Rosemary DeCamp (1,59m)

Norma Shearer (1,55m)

Ann Sothern (1,56m)

Helen Hayes (1,52 m)

Carmen Miranda (1,52 m)

Jane Wyman (1,59 m)

Leslie Caron (1,56 m)

Jean Harlow (1,55 m)

June Allison (1,55 m)

Betty Bronson (1,53 m)

Merle Oberon (1,57 m)

Julie Christie (1,57 m)

Natalie Wood (1,54 m)

Linda Blair (1,57 m)

Debra Paget (1,57 m)

Simone Simon (1,57 m)

Shirley Booth (1,58 m)

Ann Blyth (1,57 m) 

Saturday, May 14, 2011

A idade não diz nada

Em Hollywood, a data de nascimento em sua carteira de identidade não quer dizer muita coisa. O importante é quantos anos você aparenta ter. Exemplos não faltam de duplas e famílias na tela em que os atores tinham diferenças bizarras de idade. Quer ver?
Em “Rosa da Esperança” (Mrs Miniver, 1942) Greer Garson era apenas onze anos mais velha que seu filho nas telas (Richard Ney). Tanto é que, logo depois que o filme acabou de ser rodado, os dois se casaram.
Em “Intriga Internacional” (North by Northwest, 1959), Cary Grant era apenas sete anos mais novo que sua mãe fictícia, Jessie Royce Landis.
Em “Young Philadelphians”, Paul Newman era quatro anos mais velho que sua mãe.
Em “A Canção da Vitória” (Yankee Doodle Dandy, 1942), a situação era mais extrema: James Cagney era onze anos mais velho que Rosemary DeCamp, a atriz que fazia sua mãe!
Em Hamlet (idem, 1948), Laurence Olivier tinha 41 anos. A atriz que interpretava sua mãe, Eileen Herlie, tinha 28. A ideia de escalar uma atriz tão jovem era de criar um complexo de Édipo em Hamlet e despertar a paixão em Claudius.
Em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat on a Hot Tin Roof, 1958), Burl Ives, que interpretava Big Daddy, era um ano mais velho que Jack Carson, que fazia o primogênito, e 16 anos mais velho que Paul Newman, o caçula.
Em “A Rainha”(The Queen, 2006), Helen Mirren é 11 anos mais nova que Sylvia Syms, sua mãe no filme, e 12 anos mais velha que Alex Jennings, seu filho.

Tuesday, May 10, 2011

A Rainha / The Queen (2006)

Passados alguns dias da febre Real que tomou conta das notícias, vamos a um dos mais famosos filmes recentes sobre a realeza britânica, que rendeu a Helen Mirren o Oscar de Melhor Atriz. Aqui, Elizabeth II é retratada como a maioria de nós a imaginamos: uma mulher sóbria e séria, sempre seguindo o protocolo real.
God save the Queen: Elizabeth Alexandra Mary (1926) é a atual rainha da Inglaterra. Subiu ao trono há 59 anos, em 1952, após o falecimento de seu pai, o rei George VI (o rei gago do filme O Discurso do Rei). Chegou a servir, antes da coroação, no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial. É a monarca inglesa que mais tempo viveu até hoje e a segunda com o mais longo reinado. Foi também a primeira rainha a enviar um e-mail, em 1976 e, dizem, é fã de produtos de alta tecnologia.
Licença Cinematográfica: Tudo o que é mostrado em “A Rainha” veio de informações e conversas com pessoas próximas à família real na época da morte de Diana. No entanto, a emblemática e simbólica sequência da caça ao veado é fictícia. Segundo o diretor brasileiro Fernando Meirelles, ela não tem simbologia definida: cada telespectador tira sua própria conclusão sobre ela.
Muitos erros já esperados aconteceram, por exemplo, o uso de equipamentos e modelos de carro inexistentes na época. No entanto, há algo curioso sobre os telefones: a maioria deles é muito obsoleta pra a época!
É bom saber: Para dar um ar de contraste, as cenas da família real foram gravadas com câmeras 35mm (próprias e comuns do cinema, mais grandiosas) e as da família de Tony Blair com câmeras 16mm (próprias e comuns da televisão, mais próximas do telespectador).   
Helen Mirren se transformava de tal maneira na Rainha que os componentes da equipe técnica costumavam ficar calados e em posição rígida e respeitosa quando ela estava presente no set.
Embora já tenha se encontrado com Helen Mirren duas vezes, a Rainha Elizabeth nunca assistiu ao filme.

Friday, May 6, 2011

As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood (1938)

Muitos costumam dizer que a versão original é sempre a melhor. Talvez valha para este caso: o primeiro Robin Hood do cinema sonoro é um filme a cores, quando essa tecnologia ainda surgia, e traz o grande par romântico Olivia de Havilland e Errol Flynn, um dos maiores expoentes nos filmes de capa e espada. 
Com vocês, o biografado: Por trás do mito Robin Hood existe Sir Robin de Locksley, um nobre inglês cujos bens foram destruídos. Reza a lenda que, para reaver sua posição, Robin se juntou a um bando na floresta de Sherwood. Era um fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Pouco se sabe sobre a veracidade dos fatos aqui narrados, mas, se realmente existiu, Robin Hood teria vivido no século XII e, desde então, tornado-se inspiração para contos, romances, quadrinhos e, é claro, filmes.    
Variações sobre um mesmo tema: Por seu caráter heroico, Robin Hood despertou cedo o interesse dos cineastas. A primeira versão é de 1908, seguida por outras duas versões mudas, de 1912 e 1922, esta última com o galã Douglas Fairbanks. Depois da versão de 1938 sobre a qual tratamos, vieram duas em 1952 e uma em desenho animado em 1973, na qual Robin, sugestivamente, era personificado por uma raposa. Tivemos duas versões brasileiras com Renato Aragão, em 1974 e 1990; uma em 1976 que mostrava Robin já na meia-idade; três remakes na década de 1990 e, finalmente, um em 2010, estrelando Russel Crowe.
Além disso, a premissa de “roubar dos ricos para dar aos pobres” foi usada em outras produções, como “Robin Hood de Chicago”, de 1964, uma comédia musical com Frank Sinatra, Bing Crosby, Bob Hope e Sammy Davis Jr.
É bom saber: Esta primeira versão para cinema sonoro foi planejada para ser estrelada por James Cagney, mas antes de o projeto se realizar ele saiu da Warner Brothers.
Errol Flynn teve uma boa atuação, mas considerava o papel de Robin Hood chatíssimo.
O filme custou cerca de 2 milhões do dólares (na época). Foi o filme com o maior número de dublês usados até então e, para ser filmado em cores, utilizou todas as câmeras Technicolor existentes em 1938.

Sunday, May 1, 2011

Rainha Cristina / Queen Christina (1933)

Depois que o som chegou ao cinema e sua voz forte foi ouvida, Greta Garbo ganhou apenas papéis de mulheres nobres e sofisticadas. Por isso a escolha de Garbo para viver a determinada rainha sueca foi imediata. E muito certa!
Com vocês, a biografada: Cristina I da Suécia (1626-1689) foi rainha durante 10 anos. Logo após assumir, conseguiu firmar tratados de paz com Dinamarca e Noruega. No entanto, tomou decisões que desagradaram outros membros da corte. Jamais se casou e passou a coroa para seu primo. Após o fim de seu reinado, a Suécia excluiu por mais de 300 anos as mulheres na linha de sucessão ao trono. A própria Cristina acreditava que mulheres não deveriam governar países.  
Licença Cinematográfica: Rainha Cristina abdicou do trono para se converter ao catolicismo (era protestante). Mas, convenhamos: é muito mais bonito para o cinema abdicar para viver um grande amor, não?
Ao contrário do que mostra o filme, a rainha não subiu ao trono ainda criança. Era herdeira legal já aos 9 anos, mas foi aos 16 que foi convidada a participar do governo pela primeira vez, o que ela recusou, esperando até os 18 anos para ser coroada.
É bom saber: Pela última vez Greta Garbo e John Gilbert formaram um par romântico. Mas Gilbert foi a segunda opção: por sugestão de Garbo o estúdio trouxe Laurence Olivier para o papel. No entanto, não rolou química entre os dois. O estúdio pagou Olivier e o mandou, tristonho, de volta à Inglaterra.
A cena de sedução entre Garbo e Gilbert foi cronometrada para que o resultado fosse o melhor possível. E foi: nunca a exótica mistura de masculinidade e magnetismo feminino de Greta Garbo foi tão adequada à personagem e produziu um resultado tão fantástico.

Wednesday, April 27, 2011

O Aviador / The Aviator (2004)

Um milionário já tem coisas demais para se preocupar, certo? Não para Howard Hughes, milionário aos 18 anos que, durante a conturbada vida, ainda se envolveu com divas do cinema, foi produtor de filmes de sucesso como “Hell’s Angels” e construiu um avião.
Com vocês, o biografado: Howard Robard Hughes Jr (1905 – 1976) foi um milionário hipocondríaco, fortemente influenciado pela superproteção da mãe. Quebrou vários recordes na aviação, referentes à velocidade e à duração de voos transcontinentais. Produziu o caríssimo “Hell´s Angels”, com Jean Harlow, “Sacarface”, com Paul Muni, e “O Proscrito” (The Outlaw), com Jane Russel. Foi dono de uma grande companhia aérea, a TWA, e relacionou-se com Katharine Hepburn, Ava Gardner, Ginger Rogers, Olivia de Havilland e Bette Davis.
É bom saber: Cate Blanchett ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante ao interpretar Katharine Hepburn. Foi a primeira vez que o ganhador interpretou um ganhador real. Embora boa parte das falas de Cate seja bastante didática, explicando hábitos da estrela, há algumas confusões acerca dos apelidos que ela e Hughes utilizavam, da época em que o irmão dela cometeu suicídio e de quando ela conheceu Spencer Tracy.
Para ter um ar original, cada sequência do filme foi filmada usando a tecnologia de cores usada no período retratado.
Excentricidades e neuroses: Hughes era tido como racista e antissemita.
 Já doente e idoso, ele só aceitava que enfermeiros mórmons cuidassem dele, pois os praticantes dessa religião são proibidos de beber.
Hughes chegou a comprar um canal de televisão (o Canal 8) para que ele visse filmes até tarde da noite e, se cochilasse, pudesse ligar para a emissora e mandar repetir a parte que havia perdido.
Ele chegou a projetar um sutiã para que Jane Russel, ao usá-lo no filme “O Proscrito”, parecesse mais sensual.

Sunday, April 17, 2011

A Morada da Sexta Felicidade (1958) / The Inn of the Sixth Happiness (1958)

A difícil tarefa de transportar um grupo de 100 crianças durante a Guerra Sino-Japonesa de uma cidade destruída para um local seguro, atravessando as montanhas, só poderia ter sido realizada por uma alma boa como Gladys Aylward. Se sabemos por essa sinopse que a missionária inglesa foi bela por dentro, a presença de Ingrid Bergman como seu alter-ego cinematográfico não nos deixa dúvida da beleza exterior da benfeitora inglesa - e do talento da estrela sueca.

 

The hard task of transporting a group of 100 children during the Chinese-Japonese War, from a destroyed town to a safe place, crossing the mountains, could only have been made by a good soul like Gladys Aylward. If we know by this synopsis that the English missionary was beautiful on the inside, Ingrid Bergman’s presence as her filmic alter-ego leaves no doubts about the exterior beauty of the English benefactor – and the talent of the Swedish actress.


Com vocês, a biografada: Gladys Aylward (1902 – 1970) foi uma empregada doméstica que se tornou missionária na China. Trabalhando principalmente com crianças, seu mais famoso feito foi a travessia das 100 crianças pelas montanhas em 1940, época em que ela estava doente. Em 1958 ela fundou um orfanato em Taiwan. Sobre o filme, Gladys sentiu-se envergonhada com o relato de seu romance com um soldado chinês, que, apesar de verídico, foi muito rápido.

The biopic is about: Gladys Aylward (1902-1970) was a domestic worker who became a missionary in China. Working maily with children, her most famous deed was the crossing of 100 children through the mountains in 1940, while she was sick. In 1958 she founded na orphanage in Taiwan. About the movie, Gladys felt ashamed because of the portrayal of her romance with a Chinese soldier that, although real, was too brief.

Licença Cinematográfica: Gladys não foi apelidada de “Jan-Ai”, como mostrado no filme. Ela recebeu a alcunha de “Ai-weh-deh”, que significa “a virtuosa” e se tornou uma heroína para os chineses.

Filmic license: Gladys didn’t receive the nickname “Jan-Ai”, as show non the movie. She received the nickname “Ai-weh-deh”, that means “the virtuous one” and became a heroine for the Chinese people.

É bom saber: A música cantada pelas crianças durante a travessia ficou muito famosa nos Estados Unidos quando o filme foi lançado, sendo depois incorporado ao folclore local. Ela pode ser encontrada com os nomes “The Children’s Marching Song”e “This Old Man” e, por acaso, me foi apresentada durante um curso de inglês, sendo comumente usada para aprendizagem do idioma.

Esse foi o último filme de Robert Donat. Curiosamente, ele diz para Ingrid Bergman que “Essa pode ser a última vez que nós nos veremos” ao se despedir dela.


It’s good to know: The song sung by the children during the crossing became very famous in the USA when the film was released, and then it was incorporated to the national floklore. It can be found under the names “The Children’s Marching Song” and “This Old Man” and, by chance, it was introduced to me during an English class, as it’s commonly used as teaching material.

This was Robert Donat’s last film. Curiously, he tells Ingrid Bergman “This may be the last time we see each other” when he says goodbye.



A pergunta que não quer calar: As outras cinco felicidades são riqueza, longevidade, boa saúde, virtude, uma velhice pacífica e uma morte sem sofrimento. Sinistro, mas sábio.

The burning question: The other five happinesses are richness, longevity, good health, virtue, a peaceful old age and a death without suffering. Sinister, but wise.

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