} Crítica Retrô

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Saturday, November 15, 2014

E as Chuvas Chegaram / The Rains Came (1939)

O que alguns astros e estrelas estavam fazendo em 1939, considerado o melhor ano do cinema? Bem, Vivien Leigh, Clark Gable, Olivia de Havilland e Leslie Howard filmavam “E o Vento Levou / Gone with the Wind”, Garbo ria em “Ninotchka”, Judy Garland percorria uma estrada de tijolos amarelos e Joan Crawford, Norma Shearer e grande elenco feminino lutava com garras vermelhas em “As Mulheres”. E o que fazia, por exemplo, Myrna Loy? Além de protagonizar mais um filme da série The Thin Man, Myrna ainda teve tempo de ir à Índia (cenográfica, isto é) se envolver com Tyrone Power em “As Chuvas Chegaram”. 
Tyrone Power é o Major Rama Safti, um médico indiano de turbante e bigode. A época das monções se aproxima em Ranchipur e, ao contrário dos aristocratas ingleses, Rama e seu amigo pintor Tom Ransone (George Brent) não pretendem abandonar o local quando a população mais precisa de ajuda. Quem também vai contra a família aristocrata é Fern Simon (Brenda Joyce), uma jovem que pede ajuda a Tom para fugir de casa.
Em uma festa, Tom Ransome encontra uma velha amiga, Edwina Esketh (Myrna Loy), agora casada com um homem velho, gordo, manco e preconceituoso (Nigel Bruce). Há um pouco de romance (não um triângulo amoroso, mas algo muito mais complexo) e muita, muita destruição.
Quem disse que “E o Vento Levou” foi o único épico lançado em 1939? A Fox não poupou despesas para “E as Chuvas Chegaram”, gastando meio milhão de dólares na construção dos cenários (75 mil só para o palácio) e outro meio milhão para as cenas de desastre que são, de fato, impressionantes. Graças a esse esforço, este filme ganhou o primeiro Oscar de Efeitos Especiais da história.
Muitos devem ter lamentado por o filme ser em preto e branco. Não seria maravilhoso ver a exótica Índia em cores? Sim, seria, mas aqui o espetáculo fica por conta da luz e sombra. Perceba como os relâmpagos imprimem o desenho das paredes na parte oposta da sala. Três anos antes de Bette Davis, Myrna protagoniza uma cena sexy com George Brent e um cigarro. A luz se apaga, e o acontece fica por conta de nossa imaginação.
Muito do visual esplêndido pode ser explicado por seu diretor, Clarence Brown, responsável por dois dos mais belos filmes de Greta Garbo: “A Carne e o Diabo / Flesh and the Devil” (1926) e “Anna Karenina” (1935). Clarence, que foi muito influenciado por Maurice Tourneur, consegue fazer de Myrna uma heroína tão bela e sedutora quanto Garbo. Obviamente, o talento da própria Myrna tem grande importância: atriz que começou no cinema mudo, ela não precisa de palavras para nos emocionar, e é em uma cena sem diálogos que ela de fato tem seu melhor momento.
A Índia ainda era possessão inglesa nos anos 30 (o bom e velho Gandhi só viria salvar a pátria em 1948). Muito do colonialismo está presente nas ações dos personagens: por exemplo, não é muito educado ou politicamente correto dizer que vai jogar um empregado para os crocodilos se ele desobedecer. Mas em 1939 isso até era aceitável! E aceitável também era encher atores brancos de maquiagem para que ficassem parecidos com indianos (Tyrone Power e Maria Ouspenskaya foram as vítimas da vez). E repare que o roteiro é construído em cima de um romance entre pessoas de “raças” diferentes!
Vemos um pouco de vários filmes neste: o amor em um lugar exótico de “Terra de Paixão / Red Dust” (1932), a tragédia de “San Francisco” (1936), o sacrifício de uma aristocrata como em “Jezebel” (1938). Apesar dessas semelhanças, é a soma dos fatores que torna “E as Chuvas Chegaram” um filme único. Veja uma, duas, três, quatro vezes. E nunca pare de se maravilhar com a magia que o cinema é capaz de criar.
This is my contribution to the British Empire Blogathon, hosted by Phantom Empires and The Stalking Moon. Tea, anyone?

Tuesday, November 11, 2014

Variações sobre um mesmo tema: “Snow White” (1916) e “Blancanieves” (2012)

Branca de Neve foi um dos contos de fada catalogados e publicados pelos irmãos Grimm em 1812. Felizmente, nenhuma versão do cinema foi fiel ao conto original, em que Branca de Neve, com apenas sete anos (!), acaba na floresta com um caçador que deveria matá-la e retirar seus pulmões e o fígado para a madrasta comer (!!). E a madrasta nunca teve um fim tão triste: no conto dos irmãos Grimm, ela é obrigada a calçar sapatos de ferro quente e dançar até a morte (!!!). A Branca de Neve como a conhecemos deve muito à peça da Broadway de 1912, e sua estrela viria a protagonizar uma adorável adaptação para o cinema quatro anos depois.

A Branca de Neve de 1916 conta a história que todos nós conhecemos: a princesa de pele branca, cabelos negros e lábios vermelhos (Marguerite Clark) sofre nas mãos da madrasta (Dorothy Cumming), que possui um espelho mágico. A madrasta manda Branca de Neve para a floresta com um caçador, que deveria matá-la, mas ele se acovarda e liberta a princesa. Branca de Neve, então, encontra a pequena moradia dos sete anões, onde é acolhida com alegria. Mas a madrasta, ao saber que a princesa está viva, tenta envenená-la com um pente (você não leu errado) e depois com uma maçã, entregue aqui por ninguém mais ninguém menos que Richard Barthelmess.


A história é muito familiar porque serviu de base para a animação de 1937. Walter Elias Disney, então com 15 anos, viu o filme nos cinemas (o filme era exibido ao mesmo tempo em quatro telas não-sincronizadas) e ficou muito impressionado. E vemos que muitas coisas foram copiadas do filme mudo, começando pelo espelho mágico que se comunica com rimas. A atriz Marguerite Clark serviu de inspiração para a versão animada de Branca de Neve (a personagem também tem alguns traços de Hedy Lamarr), e preparem-se para uma revelação surpreendente: Marguerite tinha 33 anos em 1916! Sim, como Mary Pickford, ela era uma moça baixinha que pôde interpretar crianças no cinema mesmo depois dos 30.


Blancanieves” é uma releitura espanhola e, posso dizer, feminista do conto de fadas. Carmen é filha de um toureiro, e vai morar com o pai, paralisado depois de um acidente na arena, e com a madrasta Encarna (Maribel Verdú). Encarna manda seu motorista matar a jovem Carmen (Macarena García), mas ela sobrevive, embora perca a memória. Andando pela floresta, Carmen encontra seis anões que têm um ato itinerante como toureiros. Tendo perdido a memória, ela se junta a eles e se torna a grande toureira Blancanieves... até que a rainha descobre que ela está viva, e vocês sabem o que acontece. 

Apontado e aplaudido como herdeiro direto de “O Artista” (2011), “Blancanieves” é um filme belíssimo que, como disseram os críticos, bem poderia ter sido feito pelos grandes cineastas dos anos 20 (F. W. Murnau, Frank Borzage ou Josef Von Sternberg certamente poderiam tê-lo dirigido). E uma curiosidade: apesar de ter sido concebido como um filme mudo à moda antiga, Blancanieves foi filmado em cores e a película foi descolorida digitalmente!


O diretor Pablo Berger aponta como principal influência, surpreendentemente, o diretor Tod Browning. Ele diz que o primeiro filme que viu em um cineclube foi “Monstros / Freaks” (1932), e ficou muito feliz ao descobrir que Browning concebeu a película como um filme mudo, mas teve de fazê-lo com diálogos – o oposto do que Pablo estava prestes a fazer. Ele também revelou que o que o fez continuar com o projeto, que demorou oito anos para ser completado, foi a certeza de que o filme encontraria um público disposto a vê-lo.


Ambas as películas são muito, muito belas. Quem encontra uma cópia bem preservada da Branca de Neve de 1916 não se decepciona, e fica difícil acreditar que aquelas imagens têm quase cem anos. As letras dos intertítulos são um pouco rebuscadas, mas isso não impede a leitura. Quem dá uma chance para Blancanieves não se arrepende, e se surpreende a cada minuto. As duas versões provam que Norma Desmond estava certa: Eles não precisavam de palavras em 1916. Eles tinham rostos! E, felizmente, ainda têm rostos capazes de criar obras-primas silenciosas.


O Veredicto: Tem uma tarde livre? Veja as duas Brancas de Neve!

This is my contribution to the Fairy Tale Blogathon, hosted by enchanted Fritzi at Movies, Silently. Bibidi-bobidi-boo! 

Wednesday, November 5, 2014

Filosofando sobre o blog


Vez ou outra precisamos parar e refletir sobre o que estamos fazendo. Não, não é apenas no Ano Novo que temos que olhar para trás, avaliar e mudar o que não nos agrada. Toda hora é hora de fazer isso. E a fofa Carol Caniato do blog Uma cadeira, por favor me incentivou a fazer esta reflexão sobre meu blog através da TAG One Lovely Blog Award. Sem mais delongas, vamos a “tudo que você queria saber sobre o blog Crítica Retrô mas tinha medo de perguntar”:

#1 Por que decidiu criar um blog e quando começou?

História incrível: decidi criar o blog enquanto fazia uma prova de vestibular. Ou melhor, não decidi criar, mas sim transformar o blog moribundo que eu tinha em um blog só sobre cinema. Durante a prova do vestibular, eu divagava: “um dia eu posso escrever uma coluna no jornal sobre filmes antigos, e essa coluna vai se chamar Crítica Retrô”. Foi então que eu pensei: por que esperar um dia no futuro se eu tenho um blog para fazer isso agora?

#2 Quais benefícios o blog te traz?

Estar na frente do computador me deixou mais próxima das pessoas!  Na vida real, não conhecia pessoas que gostassem de filmes antigos. Na internet, vi que não estou sozinha, e que o nosso fandom está cheio de gente adorável, inteligente e bem-humorada. Conheci online muitos amigos queridos e aprendi demais lendo outros blogs.



#3 Qual é o post mais acessado?

Até julho de 2014, era a crítica de “Gandhi” (1982). Então alguma coisa estranha aconteceu e o post “O Oscar e a surpreendente década de 1950” passou a ter mais de 2500 visualizações por semana. Ainda não sei por quê.

#4 Você usa as redes sociais?

Sim! Uso o Twitter (em inglês), o Facebook (me adiciona!), e o Google+
#5 Como o blog tem evoluído?

Com os tempos, as postagens ficaram maiores e menos frequentes. E isso nem sempre é bom. Vejo que o público da internet prefere textos menores, e atualização constante. Meu público também vem quase exclusivamente dos eventos de blogagens coletivas (blogathons) internacionais. Não sei se isso é bom, mas por enquanto estou satisfeita com os resultados.


#6 Já viveu algum fato importante por causa do blog?

Sim! Meu segundo livro, “Crítica Retrô – Apontamentos de uma Jovem Cinéfila” surgiu do blog, de textos para outros sites e críticas inéditas. Também foi através do blog que fui convidada para escrever para os sites queridos Filmes & Games, Leia Literatura e Ambrosia. Eu também escrevia nos sites Os Cinéfilos e Antes que Ordinárias, mas eles chegaram ao fim. :(
 
Parece que o poodle gostou do livro!

#7 De onde nasce a inspiração para escrever e continuar com o blog?

Dos... filmes. Quantos filmes foram feitos até hoje? Meio milhão? Mais? Menos? E as pessoas na frente e atrás das câmeras, sem as quais os filmes não existiriam? Um blog sobre cinema jamais ficará sem assunto.

#8 O que você tem aprendido a nível pessoal e profissional esse ano?

Pergunta filosófica. Aprendi a aceitar quando as coisas dão errado, aprendi a recomeçar. Aprendi que podemos fazer tudo diferente e seguir um caminho que jamais imaginamos. E aprendi que eu tinha uma visão muito errada de mim na adolescência, e que, no fundo, apesar dos pesares, minha essência nunca mudou, e fico feliz com isso.

#9 Qual é sua frase favorita?

“Seja uma primeira versão de si mesma, e não uma segunda versão de outra pessoa” – Judy Garland

#10 Qual conselho você daria para quem está começando agora no mundo do blogs?

Faça tudo com bom senso. Não procure a fama a qualquer preço e não siga o que os outros blogueiros estão fazendo só porque deu certo para eles. Descubra sua própria voz, seu próprio estilo.

#11 O que os blogs que você vai indicar têm em comum?


São escritos por pessoas que fazem a diferença na blogosfera. Adoro acompanhar vocês, galera!

Thursday, October 30, 2014

Rita Hayworth: a deusa e a femme fatale / Rita Hayworth: the goddess and the femme fatale

Ela nasceu Margarita Carmen Cansino em 1918. Para milhões de pessoas, ela será para sempre Gilda, a protagonista do filme homônimo de 1946. Mas Rita Hayworth foi muito mais que a sex symbol que seduziu Glenn Ford no clássico noir. Ela inclusive chegou a dizer que seus relacionamentos haviam falhado porque os homens se apaixonavam por Gilda, mas acordavam com Rita.

She was born Margarita Carmen Cansino in 1918. For millions, she will always be Gilda, the leading lady in the homonimous 1946 film. But Rita Hayworth was much more than the sex symbol who seduced Glenn Ford in the noir classic. She even said that all her relationships had failed because the men fell in love with Gilda, but woke up with Rita.
Começou como dançarina, formava uma dupla com o pai, professor de dança, e brilhou nas telas pela primeira vez em 1934 (é praticamente impossível vê-la em seu primeiríssimo filme, de 1926). Não tentem encontrar a Rita que todos conhecemos: aos 16 anos, Rita Cansino era uma moça morena com fortes traços latinos. Precisou se “americanizar” para conseguir papéis melhores e não ser estereotipada. Tornou-se ruiva e fez eletrólise nos cabelos para aumentar o tamanho da testa. Estava criada a lenda.

She started as a dancer, was in a duo with her father, a dance teacher, and was alrady shining in her first film, from 1934 (it's neraly impossible to spot her in her very first screen appearance, from 1926). Don't try to find the Rita we all know: at age 16, Rita Cansino was a brunette with strong Latin features. She had to be “Americanized” to get better roles and not become sterotyped. She became a red-head and did eletrolisis in her hairline in order to widen her forehead. The legend was then created.
A música e a dança estavam muito presentes nos primeiros sucessos de Rita. Embora ela tenha sido notada pelo grande público pela primeira vez em “Paraíso Infernal / Only Angels Have Wings” (1939), foi com os musicais que alcançou maior prestígio no início da carreira. Teve a honra de dançar com Fred Astaire e Gene Kelly. O próprio Fred disse uma vez que Rita foi sua parceira de dança favorita.

Music and dance were always present in her first screen successes. Even though she had been noticed by the audience for the first time in “Only Angels Have Wings” (1939), she got more compliments in musicals when she was starting. She had the honor to dance with both Fred Astaire and Gene Kelly. Astaire himself once said that Rita was his favorite dance partner.


E ela foi, realmente, uma deusa em “Quando os Deuses Amam / Down to Earth” (1947). Rita interpreta Terpsícore, a musa grega da música e da dança. Sua função era inspirar os artistas, mas ela tem uma ideia bem diferente: quer atrapalhar o musical de Danny Miller (Larry Parks), que não está tratando as musas com o devido respeito. Ela convence Mr. Jordan (Roland Culver) e o mensageiro 7013 (Edward Everett Horton) a deixarem-na ir para a Terra, prometendo ajudar Danny. O plano de Terpsícore não é executado, porque ela se apaixona por Danny e ainda consegue o papel principal no musical.

She was a literal goddess in “Down to Earth” (1947). Rita plays  Terpsichore, the Greek muse of music and dance. Her function was to inspire artists, but she has a very different idea: she wants to cause trouble in the musical made by Danny Miller (Larry Parks), who is not treating the muses respectifully. She convinces Mr. Jordan (Roland Culver) and Messenger 7013 (Edward Everett Horton) to let her come to Earth, promising she will help Danny. Therpsicore's plan does not go on, because she falls in love with Danny and gets the leading role in the musical.
“Quando os Deuses Amam” não é o melhor musical do mundo. Faltam as músicas que ficam na memória horas, dias, meses após vermos o filme. Alguns momentos são de vergonha extrema (eu não queria ser nenhuma daquelas chorus girls com figurino rosa bizarro). Mas mesmo assim é um filme adorável, graças, principalmente, a Rita Hayworth. É incontestável que ela está realmente divina aqui em Technicolor.

“Down to Earth” is not the best musical in the world. There are no musics that stick to our memory for days, even months, after we saw the movie. Some moments involve extreme shame (I wouldn't want to be one of those chorus girls wearing bizarre pink clothes). Nevertheless, it is an adorable film thanks to Rita Hayworth. We can't deny that she is a goddess in Technicolor.
Ela foi femme fatale mais que tudo: “Gilda” (1946), “A Dama de Xangai / The Lady from Shanghay” (1947), “Carmen / The Loves of Carmen” (1948) e “Salomé” (1953). Com sua sensualidade, ela sempre levava um homem à ruína ao final desses filmes. E foram muitas as vítimas, incluindo Glenn Ford – mais de uma vez – e o então marido / diretor Orson Welles, na obra-prima noir de 1947.

She was a femme fatale in several occasions: in “Gilda” (1946), “The Lady from Shanghai” (1947), “The Loves of Carmen” (1948) and “Salome” (1953). With her sex appeal, she always ruined a man by the end of these films. And there were many victims, including Glenn Ford – more than once – and her then husband and director Orson Welles in the noir masterpiece from 1947.
Mesmo nestes filmes, a música ainda estava presente. Gilda faz o strip-tease comportado e feroz ao som da canção “Put the Blame on Mame”. Como Elsa Bannister, a loira fatal, ela apenas canta “Don’t Kiss Me”, tornando mais fácil o processo de enlouquecimento de Michael O’Hara (Welles) e do marido Arthur (Everett Sloane). A cigana Carmen se exibe em uma taverna. Salomé faz sua dança dos sete véus.

Even in these films, the music was still present. Gilda does a different kind of striptease while singing “Put the Blame on Mame”. As Elsa Bannister, the fatal blonde, she only sings “Don't Kiss Me”, making it easier for Michael O'Hara (Welles) and her husband Arthur (Everett Sloane) to be driven crazy. Carmen the gypsy exhibits her moves in a tavern. Salome does the seven veils dance. 
Talvez seja aí que vemos o talento de uma atriz: na capacidade de interpretar uma personagem tão diferente de si de maneira a convencer o público. Acreditamos no poder destruidor de Rita enquanto femme fatale, mas ela também se mostra crível como a dançarina adorável de “Minha Namorada Favorita / My Gal Sal” (1942) ou Vera, que disputa Frank Sinatra com Kim Novak em “Meus Dois Carinhos / Pal Joey” (1957).

Maybe this is where we see an actress's talent: in her ability to play a character that is so different from herself in a convincing way. We believe in Rita's destructive power as a femme fatale, but she is also believable as the lovely dancer from “My Gal Sal” (1942) or as Vera, who fights with Kim Novak for Frank Sinatra in “Pal Joey” (1957).
Há quem diga que a personagem interpretada por Ava Gardner em “A Condessa Descalça / The Barefoot Contessa” (1954) foi inspirada em Rita. De fato, a personagem María Vargas é uma moça exótica que alcança sucesso no cinema e depois se casa com um nobre. Rita casou-se com o príncipe Aly Khan em 1949 e ficou três anos afastada do cinema.  Há outra lenda, esta mais difícil de ser comprovada, que diz que a Margarita (o drink!) recebeu este nome em homenagem à jovem dançarina que se apresentava uma vez no México. Ah, e outra homenagem: ela foi uma das sexy symbols que serviu de inspiração para criar a personagem Jessica Rabbit.

Some rumors say that the character played by Ava Gardner in “The Barefoot Contessa” (1954) was inspired by Rita. Indeed, the character María Vargas is an exotic lady who becomes a successful movie star and then gets married to a nobleman. Rita got married to prince Aly Khan in 1949 and spent three years away from the screen. Another legend, mor difficult to be proved true or false, is that the drink Margarita was baptized after a young dancer who was working once in Mexico... And one more homage: she was one of the sex symbols who served as an inspiration to create the character Jessica Rabbit.


Na vida pessoal, Rita era quieta, sofria de complexo de inferioridade e lutava contra o vício em álcool. Sonhava com uma família e acreditou que poderia abandonar o cinema depois de seu casamento com o príncipe Aly Khan, mas não foi bem assim. A história de Rita Hayworth talvez tenha sido um conto de fadas sem final feliz. Rita não foi princesa feliz para sempre. Mas foi deusa. E, para chegar a esse patamar, uma dose de sofrimento é, infelizmente, necessária.

In real life, Rita was shy, suffered from inferiority complex and fought against an addiction to alcohol. She dreamed of having a family and believed she could abandon the cinema after she married prince Aly Khan. It didn't happen. Rita Hayworth's story was, maybe, a fairytale without a happy ending. Rita wasn't a princess for ever after. But she was a goddess. And, in order to achieve this, a dosis of suffering is unfortunately necessary.

This post is part of the “getTV Rita Hayworth Blogathon” hosted by Classic Movie Hub and running during the entire month of October. Please visit getTVschedule to see a full list of Rita Hayworth films airing on the channel this month, and please be sure to visit Classic Movie Hub for a full list of other Blogathon entries.

Sunday, October 19, 2014

Variações sobre um mesmo tema: “O Pássaro Azul” (1918, 1940 e 1976)

Maurice Maeterlinck foi um filósofo belga. Pode parecer estranho que um filósofo tenha deixado como principal legado um conto de fadas, mas, quando conhecemos “O Pássaro Azul”, percebemos que a situação é lógica. Só um filósofo poderia criar uma obra tão poderosa e brilhante sobre o sentido da vida, e foi isto que Maurice fez em 1908, quando escreveu a peça “O Pássaro Azul”, adaptada para o cinema dois anos depois como curta-metragem, e servindo de ponto de partida para três longa-metragens aqui discutidos (e também um desenho animado de 2011). Maurice ganhou o Nobel de Literatura em 1911, e atrevo-me a dizer que talvez seu “Pássaro Azul” seja mais bonito e inspirador que “O Pequeno Príncipe”.

Maurice Maeterlink was a Belgian philosopher. It may seem odd that a philosopher left as his main legacy a fairy tale but, when we get to know “The Blue Bird”, we see that this is only logical. Only a philosopher could create such a powerful and brilliant work about the meaning of life, and it was exactly this that Maurice did in 1908, when he wrote the play “The Blue Bird”, adapted to the screen two years later as a short film. It was also the source for three feature films discussed here (and also an animated film from 2011). Maurice won the Nobel Prize of Literature in 1911, and I dare to say that maybe his “The Blue Bird” is more beautiful and inspiring than “The Little Prince”.
Durante a noite, os irmãos Tyltyl e Mytyl são acordados pela fada Berylune, que tem uma missão para eles: encontrar o raro pássaro azul da felicidade. Claro que eles não partem nesta jornada sozinhos: as almas de todas as coisas ao redor também entram na aventura! Tyltyl, que até então gozava do quem pensava que as coisas tinham alma, fica maravilhado ao descobrir a alma do Leite, do Fogo, da Água, do Ar, do Açúcar, da Luz, do Gato e do Cão. Procurando pelo pássaro, eles passam pelo Castelo da Noite, pela casa dos avós das crianças (que já estão mortos!), por um Palácio de Luxos e pela Morada do Tempo.

During the night, the siblings Tyltyl e Mytyl are waken up by the fairy Berylune, who has a mission for them: to find the rare blue bird of happiness.Of course they don't go alone: the souls of all the things laying around also go on the adventure! Tyltyl, who used to make fun of people who thought things had a soul, is marvelled to find out about the souls of Milk, Fire, Water, Air, Sugar, Light, Cat and Dog. Looking for the vird, they go through the Night Castle, their grandparents' house (even though granny and grandpa are already dead!), through a Palace of Luxury and through the House of Time.
Passei a maior parte do tempo boquiaberta vendo a versão de 1918. Meus olhos viram poucas coisas tão belas quanto este filme. Maurice Tourneur era um excelente artesão das telas e fez filmes muito bonitos visualmente, mas não seria exagero classificar este “O Pássaro Azul” (1918) como sua obra-prima. São vários os momentos em que as lágrimas poderiam rolar, e destaco aqui um: o reencontro das crianças com seus avós e com os irmãozinhos mortos (são SETE irmãozinhos mortos. Esta é a cena mais importante sobre mortalidade infantil na história do cinema).

I spent most part of the time watching the 1918 version without words to describe it. My eyes have seen few things as beautiful as this movie. Maurice Tourneur was an excellent artisan of the screen and made very beautiful movies, but it's not an exaggeration to classify “The Blue Bird” (1918) as his masterpiece. There are many moments in which tears could drop, and I highlighht one: when the children meet again their grandparents and dead siblings (there are SEVEN dead siblings. This is the most important scene about child mortality in film history).
Todos os efeitos especiais desenvolvidos de Méliès a D.W. Griffith são usados no filme, e com resultados estupendos. Tudo é crível: as roupas que voam e se ajeitam nas crianças, o jogo de luz e sombra, as mudanças de ambiente. Ajuda muito o fato de Tula Belle (intérprete de Mytyl), Lillian Cook (fada Berylune) e Gertrude McCoy (alma da Luz) serem lindas como anjos. Lillian Cook morreria logo após as filmagens, com apenas 19 anos. Quem também faleceu em 1918 foi John van der Broek, o genial cinegrafista responsável pelo visual mágico do filme (sério, ele merecia o Oscar de Melhor Fotografia!).

All the special effects developed from Méliès to D.W. Griffith are used in the film, and with stupend results. Everything is believable: the clothes that fly and fit the children, the chiaroscuro, the setting changes. It helps that Tula Belle (who plays Mytyl), Lillian Cook (fairy Berylune) and Gertrude McCoy (the sould of the Light) are as beautiful as angels. Lillian Cook would die rigt after filming ended, she was just 19. Who also died in 1918 was John van der Broek, the genius cinematographer who is responsible by the look of the film (really, he deserved the Best Cinematography Oscar!).
A versão de 1940 foi o que sobrou para Shirley Temple depois do sucesso de “O Mágico de Oz” na MGM. Este filme conta inclusive com uma sequência de passagem (abrupta, é bem verdade) das cenas em preto e branco para o Technicolor mágico. Assim, quando Mytyl (Shirley) e Tyltyl (Johnny Russel) são acordados pela fada, é como se eles entrassem em sua terra de Oz particular. Os cenários são maravilhosos e os efeitos especiais, apesar de terem envelhecido pior que os de Oz, são bem utilizados. Mas parece que os gastos foram muitos, porque tivemos um corte nas almas: aqui, os irmãos são acompanhados somente pela Luz (Helen Ericson), pelo cão Tylo (Eddie Collins) e pela gata Tylette (Gale Sondergaard). Também fica de fora a sequência no Castelo da Noite, e no lugar temos árvores iradas.

The 1940 version was what had left for Shirley Temple after “The Wizard of Oz” was a success at MGM. This film also has a transition scene (a very abrupt one) from black and white scenes to the ones in magical Technicolor. So, when Mytyl (Shirley) and Tyltyl (Johnny Russel) are awaken by the fairy, it is ifthey had entered their particular land of Oz. The sets are wonderful and the special effects, even aging worse than the ones from Oz, are well used. But it looks like the budget was huge, because we have a cut in the souls: here, the siblings have only the company of Light (Helen Ericson), the dog Tylo (Eddie Collins) and the cat Tylette (Gale Sondergaard). The Night Castle was also cut, and in its place we have angry trees.
O que mais me chamou a atenção nesta versão de 1940 é a presença da garotinha Caryll Ann Ekelund, que tenta nascer antes da hora pela terceira vez na sequência do futuro. Este foi o único filme de Caryll. Pouco depois das filmagens, ela morreu queimada em um acidente durante o Halloween.

What called the most my attention in this version is the presence of the little girl Caryll Ann Ekelund, who tries to be born before time by the third time in the future sequence. This was Caryll's only film. A little after filming wrapped, she died from burns in a Halloween accident.
Bastidores / Backstage
Em 1976, voltam as almas de todas as coisas, e com acréscimo: agora elas falam em rimas, têm efeitos sonoros e sotaque (porque alguns atores eram soviéticos). Com a volta do Palácio da Noite como cenário, temos a oportunidade de ver críticas pontuais às doenças e às guerras. Isso tudo é muito interessante, mas não chega perto do interesse despertado pelo star cast: Elizabeth Taylor (em QUATRO papéis), Jane Fonda, Ava Gardner e Robert Morley (o rei Luís XVI de “Maria Antonieta”, 1938). Katharine Hepburn e Shirley MacLaine recusaram o convite para fazer parte do elenco.

In 1976, all the souls of the things are back, and with a plus: now they talk in rhymes, have sound effects and accents (because some actors were Russian). With the comeback of the Night Castle, we have the opportunity to see some criticism to disease and wars. Everything is very interesting, but not as interesting as the all star cast: Elizabeth Taylor (in FOUR roles), Jane Fonda, Ava Gardner and Robert Morley (king Louis XVI from “Marie Antoinette”, 1938). Katharine Hepburn and Shirley MacLaine refused roles in the film.
A melhor parte da versão de 1976 sem dúvida é o ballet do pássaro azul (você não leu errado). Aliás, há bastante música nesta versão, e também um ballet performático abstrato envolvendo o Fogo e a Água. E, embora ninguém tenha morrido logo após o filme, os sets estavam cheios de problemas: George Cukor e toda a equipe foram mandados para filmar na União Soviética. Jane Fonda queria discutir o comunismo com a população local. James Coco, que interpretaria o cachorro, só comia pão e engordou tanto que o figurino não servia mais. Cukor acusou a atriz Cicely Tyson (a gata) de usar vudu para atrapalhar as filmagens.

The best part in the 1976 version is without a doubt the blue bird ballett (you didn't read it wrong). There is plenty of music in this version, and also an abstract performatic ballett with Fire and Water. And, even though nobody died right after filming ended, the sets were full of trouble: George Cukor and his crew were sent to shoot in Soviet Union. Jane Fonda wanted to discuss communism with the local population. James Coco, who would play the dog, only ate bread and got too fat for his canine outfit. Cukor accused Cicely Tyson (the cat) of using voodoo to  disturb the shooting.
Do do that voodoo that you do so well
Os filmes de 1940 e 1976 contam com uma sequência em que as árvores atacam as crianças, o que faz muito sentido, pois o pai de Tyltyl e Mytyl é lenhador. Em 1940, há um incêndio digno de Rhett e Scarlett. Ambos têm efeitos especiais um pouco datados. A versão de 1940, entretanto, conta com cenários maravilhosos, enquanto a de 1976 é mais... campestre. Com exceção de Jane Fonda que, de acordo com um usuário do IMDb, parece “Darth Vader travestido”.

The versions from 1940 and 1974 have sequences in which the trees attack the children, which makes sense, because Tyltyl's and Mytyl's dad is a lumberjack. In 1940, there is a fire that would please Rhett and Scarlett. Both have dated special effects. The 1940 version has wonderful sets, while the 1976 one is more... country-ish. Only Jane Fonda doesn't look country: according to an IMDb user, she looks like “Darth Vader in drag”.
Todas as versões de “O Pássaro Azul” foram um fracasso de bilheteria. Entretanto, todas as pessoas que viram um desses filmes quando crianças se lembram deles com carinho e nostalgia. Fica óbvio que foram produções pensadas para crianças... e também para aquele adulto especial que ainda tem uma criança dentro de si e que sabe que o mais importante na vida pode ser o mais banal.

All the versions of “The Blue Bird” were box-office failures. However, everybody who has seen one of those films as a child rememvers them with happiness and nostalgia. It is obvious that they were movies targeted to children... and also to that special adult who still has a child inside and knows that the most important in life can be the simplest thing.

P.S.: Para uma análise mais profunda e bem-escrita da versão de 1918, leia este post maravilhoso da Nitrate Diva.

P.S.: To a deeper and better-written analysis of the 1918 version, read this marvellous post from The Nitrate Diva.

This post is my contribution to the Stage to Screen blogathon, hosted by Rosie and Rachel at The Rosebud Cinema and Rachel’s Theatre Reviews.  

Thursday, October 16, 2014

The D.I. (1957) e o incrível Jack Webb

The D.I. (1957) and the amazing Jack Webb
Ator, produtor, diretor, roteirista. Com este currículo, Jack Webb me fez lembrar Orson Welles. Mas eu nunca havia ouvido falar de Jack Webb, o que me fez pensar que Jack era o Orson Welles dos pobres. Como eu estava enganada! Welles e Web têm muito em comum, além dos diversos papéis em frente e atrás das câmeras: homens durões e sérios, que começaram a carreira no rádio, conquistaram mulheres bonitas, conseguiram sucesso e não cuidaram bem da própria saúde. Welles dirigiu e estrelou seu filme mais conhecido, “Cidadão Kane”. Jack estrelou, dirigiu e também produziu seu filme mais conhecido, “The D.I.” (1957).

Actor, producer, director, screenwriter.  With this resumée, Jack Webb  reminded me of Orson Welles. But I had never heard about Jack Webb, so I though he was the poor people's Orson Welles. How wrong I was! Welles and Webb had a lot in common, besides their functions in front of and behind the cameras: tough and serious men, they both started in the radio, conquered pretty women, were successful and didn't take care of their own health. Welles directed and starred in his best known film, “Citizen Kane”. Jack starred, directed and also produced his best known film, “The D.I.” (1957).


O sargento Jim Moore (Jack Webb) treina seu pelotão com disciplina e pulso firme. Não há lugar para moleza entre os soldados! Mas o exemplar recruta Owens (Don Dubbins), quando está sob pressão, não consegue manter o foco e se atrapalha. Isso leva o sargento Moore a gritar muito com Owens & Companhia, e o ponto alto da tirania acontece quando ele obriga todo o pelotão a encontrar uma mosca que Owens matara naquela tarde na praia. A missão? Enterrar a mosca!

Sergeant Jim Moore (Jack Webb) trains his platoon with discipline and toughness. There is no place for laziness among soldiers! But exemplary newcomer Owens (Don Dubbins), whenever he is under pressure, can't focuse and makes mistakes. That's why sergeant Moore shouts a lot with Owens and Co., and the climax of his tiranny is when he makes the platoon find a fly Owens had killed that afternoon at the beach. The mission? To bury the fly!

Este era apenas o segundo filme dirigido por Jack Webb, mas ele já acumulava grande prestígio. Webb foi um dos atores que se tornou ídolo nos primeiros anos da televisão. O novo meio engatinhava e ele já soube o que fazer para alcançar o sucesso. E Jack trabalhou com o que mais gostava: investigação policial. Foi com o filme “O Demônio da Noite / He Walked by Night” (1948) que ele teve a ideia de criar um programa de rádio (e, depois, de televisão) contando casos verídicos investigados pela polícia de Los Angeles. Pela primeira vez o público poderia se sentir parte da investigação, conhecendo métodos e jargões policiais. No rádio, “Dragnet” durou de 1949 a 1957. Na televisão, de 1951 a 1959.

This was only the second film directed by Jack Webb and he already had prestife. Webb was one of the actors who became an idol when TV appeared. The new medium was still crawling and he already knew what to do to be successful. And Jack worked with his favorite thing: police investigation. It was through the film “He Walked by Night” (1948) that he had the idea to create a radio show (and, later, a TV show) about real cases investigated by the LA police department. For the first time, tthe audience could feel like part of the investigation, getting to know the method and the slang used by the police. In the radio, “Dragnet” lasted from 1949 to 1957. On TV, from 1951 to 1959.


Jack Webb gostava de duas coisas em suas produções: economia e veracidade. E ele conseguiu ambos neste filme ao contratar marinheiros de verdade para interpretar os colegas de pelotão do recruta Owens. O próprio ator Don Dubbins, intérprete de Owens, tinha um pouco de experiência na frente de batalha cinematográfica: trabalhou como extra nos filmes de guerra “A um passo da eternidade / From Here to Eternity” (1954) e “A Nave da Revolta / The Caine Mutiny” (1954).

Jack Webb liked two things in his productions: economy and truth. And he got both in “The D.I.” as he hired real Mariners to play the members of Owens's platoon. Actor Don Dubbins himself had some experience in the film front: he had worked as an extra in the war movies “From Here to Eternity” (1954) and “The Caine Mutiny” (1954).


Podemos ver que Webb era um excelente diretor com apenas uma cena: o close da boca de um soldado enquanto este fala suas dezenas de tarefas. São muitos os closes neste filme, e também os travellings no alojamento dos soldados. Webb pode não ter inovado tanto nos ângulos de câmera quanto Welles, mas sem dúvida fez um belo trabalho neste drama psicológico.

We can see that Jack Webb was an excellent director with only one scene: the close-up of a soldier's mouth while he says dozens of chores. There are a lot of close-ups in this film, and also many travellings in the soldiers' quarters. Webb may not have been as innovative with the camera angles, but without a doubt he did a good job in this psychological drama.


São muitos os filmes sobre a Marinha. São muitos os filmes com comandantes tiranos. O sargento Jim Moore em muito se parece, por exemplo, com o capitão Morton, interpretado por James Cagney em “Mister Roberts” (1955). E a situação de treinamento para a batalha nas praias lembra muito “Iwo Jima – O Potal da glória / Sands of Iwo Jima” (1949, que também contava com alguns soldados de verdade no elenco). Não há como não associar os sentimentos paternalistas de Moore pelo recruta Owens com o carinho velado que o sargento Stryker (John Wayne) tem pelo recruta Conway (John Agar) no filme de 1949.

There are many films about the Marines. There are many films with tyrannical commanders. Sergeant Jim Moore is a lot like Captain Morton, played by James Cagney in “Mister Roberts” (1955). And the training sequence at the beach reminds us of “Sands of Iwo Jima” (1949, that also had some real soldiers in the cast). There is no way to deny that Moore's fatherly feelings towards Owens are just like the kind of love Sergeant Stryker (John Wayne) has towards Conway (John Agar) in the 1949 film.
Sands of Iwo Jima (1949)
As três mulheres do filme merecem atenção: Virginia Gregg rouba a cena como a mãe do recruta Owens. Virginia terminaria a carreira dando voz a outra mãe, bem mais notória: ela dubla Norma Bates em “Psicose III” (1986). Monica Lewis canta uma canção escrita por Ray Conniff, “If’n You Don’t, Somebody Else Will”. A vendedora por quem o sargento Moore se interessa é Jackie Loughery, então esposa de Jack Webb e ex-Miss Estados Unidos. Mas, como em todos os filmes em que a Marinha é tema, o destaque é masculino. E Jack Webb merece todos os créditos pelo sucesso de “The D.I.”

The three women in the film deserve attention: Virginia Gregg steals the scene as Owens's mother. Virginia would end her career dubbing another mother, a more famous one: she was the voice of Norma Bates in “Psycho III” (1986). Monica Lewis sings a song written by Ray Conniff, “If’n You Don't, Somebody Else Will”. The salesgirl for whom Sergeant Moore falls is Jackie Loughery, then Jack Webb's wife and former Miss USA. But, as it happens in all films about the Marines, the men receive more attention. And Jack Webb deserves all the credit for the success of “The D.I.”.

This is my contribution to the Jack Webb blogathon, hosted by Toby at The Hannibal 8. Yes, sir!

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