Este
texto contém spoilers.
Quando
somos crianças, nos fazem a pergunta: “o que você quer ser quando
crescer”? Acredito que seria mais sensato reformular a questão, e
perguntar: “QUEM você quer ser quando crescer”? Sim, respostas
absurdas serão inevitáveis, mas tantas outras poderão ser
surpreendentes, reveladoras e de muita ajuda no futuro. Ter um
modelo, um exemplo a ser seguido, é muito importante na vida de
qualquer pessoa. E, se alguém me perguntasse “quem você quer ser
quando crescer”, eu responderia: Tess Harding.
Quem
é Tess Harding? Tess é a personagem de Katharine Hepburn em “A
Mulher do Dia / Woman of the Year” (1942). Tess é uma jornalista
muito respeitada da área de relações internacionais. Seu colega da
sessão de esportes do jornal New York Chronicle é Sam Craig
(Spencer Tracy) que, após ouvir uma entrevista de Tess no rádio,
critica os conhecimentos dela sobre esportes em sua coluna no jornal.
Tess revida, se inicia uma pequena guerra entre os dois e ela culmina
com o primeiro encontro deles na diretoria do jornal. É amor à
primeira vista.
Abra
bem os olhos para as cenas em que Tess e Sam se beijam, em silhueta,
em frente a uma janela iluminada. É uma sequência muito bonita em
um filme que tem tudo de lindo. Katharine Hepburn nunca foi capturada
tão bela pela câmera. A casa do pai de Tess também é um encanto,
e até o campo de beisebol tem seu charme. O amor embeleza tudo no
filme.
Tess
representa tudo o que eu desejo ser: uma mulher moderna,
independente, inteligente, reconhecida por sua inteligência,
bem-humorada, charmosa. Tess sabe se portar em meio ao caos, aprende
qualquer coisa com rapidez, fala muitos idiomas, e ainda se preocupa
com os órfãos. Eu amo o cabelo de Tess, as roupas de Tess (criadas
pelo estilista Adrian!), a independência de Tess, o sucesso de Tess,
o apartamento de Tess, a vida de Tess.
Há
uma cômica inversão de papéis no romance. Sam é atrapalhado,
ansioso, inseguro. É o alvo da maioria das piadas, mas é também o
personagem central do filme, com destaque desde o início. A carreira
de Tess o incomoda, e incomodaria qualquer homem acostumado à velha
ordem machista que de uma hora para outra se visse atado a uma fêmea
alfa.
Muitas
pessoas se sentem incomodadas com os minutos finais do filme, pois
acreditam que Tess desiste de tudo que conquistou para se tornar uma
dona de casa. Ela até tenta fazer isto, em uma sequência adorável
de comédia física, mas o gosto amargo da derrota feminista some
logo: eu interpreto que, se o filme tem alguma mensagem, é que Tess
não precisa ser a jornalista incrivelmente durona nem a esposa
perfeita. Como Sam diz, não precisa ser Tess Harding nem a senhora
Craig. Pode ser Tess Harding-Craig, e encontrar um ponto de
equilíbrio entre as duas personas tão diferentes.
E
é esta a lição mais importante que Tess me ensinou: você não
deve fazer só o que quer, mas também não deve deixar a sociedade
regular a sua vida. É necessário lutar para conquistar o que se
deseja, mas vez ou outra é preciso se deixar moldar um pouco pelo
mundo e pelas mudanças. Se tivesse feito apenas o que eu queria ou
se tivesse seguido cegamente as ordens de outros, eu não estaria
aqui agora. Talvez estivesse melhor, talvez estivesse pior, mas não
estaria feliz. Obrigada por ser minha mentora, Tess Harding.
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is my contribution to the Anti-Damsel Blogathon, hosted by the mighty
girls Fritzi at Movies, Silently and Jo from The Last Drive In. Girl
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