} Crítica Retrô

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Wednesday, April 27, 2011

O Aviador / The Aviator (2004)

Um milionário já tem coisas demais para se preocupar, certo? Não para Howard Hughes, milionário aos 18 anos que, durante a conturbada vida, ainda se envolveu com divas do cinema, foi produtor de filmes de sucesso como “Hell’s Angels” e construiu um avião.
Com vocês, o biografado: Howard Robard Hughes Jr (1905 – 1976) foi um milionário hipocondríaco, fortemente influenciado pela superproteção da mãe. Quebrou vários recordes na aviação, referentes à velocidade e à duração de voos transcontinentais. Produziu o caríssimo “Hell´s Angels”, com Jean Harlow, “Sacarface”, com Paul Muni, e “O Proscrito” (The Outlaw), com Jane Russel. Foi dono de uma grande companhia aérea, a TWA, e relacionou-se com Katharine Hepburn, Ava Gardner, Ginger Rogers, Olivia de Havilland e Bette Davis.
É bom saber: Cate Blanchett ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante ao interpretar Katharine Hepburn. Foi a primeira vez que o ganhador interpretou um ganhador real. Embora boa parte das falas de Cate seja bastante didática, explicando hábitos da estrela, há algumas confusões acerca dos apelidos que ela e Hughes utilizavam, da época em que o irmão dela cometeu suicídio e de quando ela conheceu Spencer Tracy.
Para ter um ar original, cada sequência do filme foi filmada usando a tecnologia de cores usada no período retratado.
Excentricidades e neuroses: Hughes era tido como racista e antissemita.
 Já doente e idoso, ele só aceitava que enfermeiros mórmons cuidassem dele, pois os praticantes dessa religião são proibidos de beber.
Hughes chegou a comprar um canal de televisão (o Canal 8) para que ele visse filmes até tarde da noite e, se cochilasse, pudesse ligar para a emissora e mandar repetir a parte que havia perdido.
Ele chegou a projetar um sutiã para que Jane Russel, ao usá-lo no filme “O Proscrito”, parecesse mais sensual.

Sunday, April 17, 2011

A Morada da Sexta Felicidade (1958) / The Inn of the Sixth Happiness (1958)

A difícil tarefa de transportar um grupo de 100 crianças durante a Guerra Sino-Japonesa de uma cidade destruída para um local seguro, atravessando as montanhas, só poderia ter sido realizada por uma alma boa como Gladys Aylward. Se sabemos por essa sinopse que a missionária inglesa foi bela por dentro, a presença de Ingrid Bergman como seu alter-ego cinematográfico não nos deixa dúvida da beleza exterior da benfeitora inglesa - e do talento da estrela sueca.

 

The hard task of transporting a group of 100 children during the Chinese-Japonese War, from a destroyed town to a safe place, crossing the mountains, could only have been made by a good soul like Gladys Aylward. If we know by this synopsis that the English missionary was beautiful on the inside, Ingrid Bergman’s presence as her filmic alter-ego leaves no doubts about the exterior beauty of the English benefactor – and the talent of the Swedish actress.


Com vocês, a biografada: Gladys Aylward (1902 – 1970) foi uma empregada doméstica que se tornou missionária na China. Trabalhando principalmente com crianças, seu mais famoso feito foi a travessia das 100 crianças pelas montanhas em 1940, época em que ela estava doente. Em 1958 ela fundou um orfanato em Taiwan. Sobre o filme, Gladys sentiu-se envergonhada com o relato de seu romance com um soldado chinês, que, apesar de verídico, foi muito rápido.

The biopic is about: Gladys Aylward (1902-1970) was a domestic worker who became a missionary in China. Working maily with children, her most famous deed was the crossing of 100 children through the mountains in 1940, while she was sick. In 1958 she founded na orphanage in Taiwan. About the movie, Gladys felt ashamed because of the portrayal of her romance with a Chinese soldier that, although real, was too brief.

Licença Cinematográfica: Gladys não foi apelidada de “Jan-Ai”, como mostrado no filme. Ela recebeu a alcunha de “Ai-weh-deh”, que significa “a virtuosa” e se tornou uma heroína para os chineses.

Filmic license: Gladys didn’t receive the nickname “Jan-Ai”, as show non the movie. She received the nickname “Ai-weh-deh”, that means “the virtuous one” and became a heroine for the Chinese people.

É bom saber: A música cantada pelas crianças durante a travessia ficou muito famosa nos Estados Unidos quando o filme foi lançado, sendo depois incorporado ao folclore local. Ela pode ser encontrada com os nomes “The Children’s Marching Song”e “This Old Man” e, por acaso, me foi apresentada durante um curso de inglês, sendo comumente usada para aprendizagem do idioma.

Esse foi o último filme de Robert Donat. Curiosamente, ele diz para Ingrid Bergman que “Essa pode ser a última vez que nós nos veremos” ao se despedir dela.


It’s good to know: The song sung by the children during the crossing became very famous in the USA when the film was released, and then it was incorporated to the national floklore. It can be found under the names “The Children’s Marching Song” and “This Old Man” and, by chance, it was introduced to me during an English class, as it’s commonly used as teaching material.

This was Robert Donat’s last film. Curiously, he tells Ingrid Bergman “This may be the last time we see each other” when he says goodbye.



A pergunta que não quer calar: As outras cinco felicidades são riqueza, longevidade, boa saúde, virtude, uma velhice pacífica e uma morte sem sofrimento. Sinistro, mas sábio.

The burning question: The other five happinesses are richness, longevity, good health, virtue, a peaceful old age and a death without suffering. Sinister, but wise.

Tuesday, April 12, 2011

Gandhi (1982)

O exemplo máximo de pacifista do nosso tempo, uma das maiores personalidades do século XX, um benfeitor indiano sem o qual seu país não sairia do jugo neocolonial da Inglaterra. Assim como os feitos do biografado, Gandhi é um filme grande, tanto em questões técnicas (cenários, figurantes, duração) quanto em apelo popular.
Com vocês, o biografado: Mohandas Kharamchand Gandhi (1869 - 1948) foi um advogado e ativista político indiano. Lutou contra a discriminação, a segregação e o domínio inglês no território da Índia. Suas táticas de luta eram alternativas e diferentes: pregava a não-violência e a desobediência civil frente às leis e soldados ingleses. Ironicamente, essas táticas muitas vezes levavam multidões à morte. Foi apelidado de “Mahatma” (a grande alma) e tido como símbolo da lua dos mais humildes.
Licença Cinematográfica: Alguns detalhes passaram em branco, como modelos de carros de época e determinados hábitos e comportamentos.
 Quando Gandhi é mandado para a classe econômica do trem, logo no início do filme, note que a primeira classe, de onde ele sai, é um dos primeiros vagões. Isso seria impossível, pois a proximidade das caldeiras tornaria a classe VIP infernal, literalmente. 
Coisa de Cinema: O ator Bem Kingsley, que interpreta Gandhi, nasceu na mesma província que Mahatma. Ele emagreceu, fez ioga e tentou viver segundo os preceitos do grande líder para vivê-lo nas telas. Deu resultado: além de ganhar o Oscar de Melhor Ator, a semelhança foi tão grande que muitos indianos acreditaram que Ben era o fantasma de Gandhi.
Coincidentemente, o hotel em que Gandhi se hospedou na Inglaterra se chamava “Kingsley Hall”!

Friday, April 8, 2011

Blogueiros Cinéfilos Unidos

Olá novamente! Todos os apreciadores de cinema clássico agora têm um point onde podem encontrar os melhores blogs sobre o assunto, com as mais diversas e completas informações.


Fiquem à vontade e participem! é uma grande oportunidade de compartilhar informações...
Beijos de uma orgulhosa participante do grupo,
Lê ^_^ 

Thursday, April 7, 2011

Prêmio Blogueiro Amigo

Olá!!!! É com orgulho que anuncio que o blog Crítica Retrô foi condecorado com mais um selinho, desta vez o de Blogueiro Amigo (no meu caso, blogueira J). A honra foi dada pela Marcia Moreira, do blog Clássicos, não Antigos. Muito obrigada de coração, Marcia!

Como tarefa, vou agora premiar mais cinco blogs. E os vencedores são...
Filmes Atuais e Clássicos (http://filmesatuais-psique66.blogspot.com/)
Foi difícil escolher, mas vocês merecem meninas! Abraços e obrigada pelo carinho e pelas visitas ao blog,
Lê ^_^

Wednesday, April 6, 2011

Madame Curie (1943)



2011 foi escolhido como o Ano da Química pela comunidade científica em celebração ao centenário do Nobel de Química de Marie Curie. A cientista ganhou outro de Física em 1903, sendo até hoje a única mulher a ostentar o prêmio em duas categorias (Linus Pauling ganhou também dois prêmios, de Física e da Paz). Uma das mulheres pioneiras na pesquisa científica, Marie saiu da sombra de seu marido (que conheceu trabalhando como sua assistente) e foi brilhar sozinha na comunidade científica.

Com vocês, a biografada: Maria Sklodowska Curie (1867 – 1934) foi uma cientista polonesa radicada na França. Com seu marido Pierre Curie e com o cientista Antoine Henri Becquerel descobriu elementos radioativos como o rádio (que deu origem aos nomes radioativo e radioatividade) e o polônio. Foi professora da Sorbonne após a morte do marido e teve um caso com grande repercussão com o físico casado Paul Langevin. Visitou o Brasil para estudar as águas radioativas da cidade de Lindoia, no interior do estado de São Paulo. Faleceu aos 66 anos, devido a uma leucemia causada pela exposição à radiação durante anos de pesquisa ( os livros que ela usava em sue laboratório há cem anos estão em caixas de chumbo, pois emitem radiação). Um ano depois, sua filha recebeu também um prêmio Nobel de Química.    
  
Licença Cinematográfica: Ao contrário do que é mostrado, Marie não foi sozinha para Paris. Boa parte de sua família também foi viver lá, como sua irmã Bronislawa, uma obstetra.
Aparentemente, Pierre não gostou de ter uma mulher trabalhando em seu laboratório. Uma clássica história de ódio que vira amor.
Em nada Greer Garson e Walter Pidgeon se pareciam com Marie e Pierre Curie.


A própria Marie Curie gostava de romantizar sua vida, muitas vezes se descrevendo como uma heroína, capaz de fazer as maiores descobertas em laboratórios mal-equipados. O filme foi feito com base num livro sobre a cientista escrito por uma de suas filhas, ou seja, uma versão também parcial.

A Crítica Retrô: “Madame Curie” é uma excelente aula de História da Química, mostrando todos os percalços e alegrias das pesquisas científicas que levaram à descoberta da radioatividade e deram o Nobel aos nobres cientistas. Pensado para ser protagonizado por Greta Garbo e, depois da recusa da estrela, feito com a “recém-oscarizada” Greer Garson e seu par em “Mrs Miniver”, Walter Pidgeon, o filme ainda é belo e comovente (sim, Pierre Curie morreu atropelado por uma carroça), sendo um hino ao poder da mulher na Ciência.

Sunday, April 3, 2011

Chaplin (1992)

Uma obra admirável e uma vida mais ainda. Um dos maiores comediantes do cinema, Chaplin não teve uma trajetória alegre, mas conseguiu fazer humor com simplicidade e tornar outras existências mais felizes. E com maestria Richard Attenborough nos presenteou com mais uma inspiradora cinebiografia.
Com vocês, o biografado: Charles Spencer Chaplin (1889 – 1977) dispensa apresentações.


Licença Cinematográfica: No filme fica a impressão de que o filho de Chaplin com Mildred Harris nunca veio a nascer. No entanto, ele nasceu e sobreviveu por apenas três dias.
Embora a caracterização de Robert Downey Jr esteja impecável, um detalhe passou em branco: Chaplin tinha olhos azuis.
No filme, a estréia do personagem Carlitos, o vagabundo, é em uma confusão durante um casamento. Na realidade, o filme de estréia do famoso personagem é “Kids Auto Races at Venice”, um curta de 1914.
O filme sendo rodado quando Chaplin chega aos EUA é “The Adventurer” (1917), logo há um erro cronológico.
O repórter para quem Chaplin conta sua vida ao longo do filme, interpretado por Anthony Hopkins, é fictício.
Aparentemente, Charles, mesmo sendo amigo de Douglas Fairbanks, não gostava de Mary Pickford. Ele a define como “a small-sized bitch” (uma vadia baixinha).
A Crítica Retrô: Mais um bom filme de Attenborough, “Chaplin”, baseado em dois livros ( um deles uma autobiografia) mostra os mais importantes momentos da vida do ator/ diretor/ roteirista/ compositor. A infância pobre, a mãe alcoólatra (interpretada por Geraldine Chaplin), a ida para os Estados Unidos, a era muda, os escândalos amorosos. Com muitas reconstruções e poucas cenas originais, a produção é grandiosa e inspiradora.   

Monday, March 28, 2011

A Rainha do Mar (1952) / Million Dollar Mermaid (1952)

Quem seria mais adequada para viver uma nadadora pioneira do que Esther Williams? Nessa cinebiografia, na pele da campeã australiana Annette Kellerman (uau, quantas letras dobradas! Só perde para Tennessee Williams!), Esther conta a vida de uma pioneira nos trajes de banho de uma única peça e nos filmes, sem deixar de realizar acrobacias e nos entreter.

Who could be a better fit than Esther Williams to portray a pioneer swimmer? In this biopic, as the Australian champion Annette Kellerman (wow, so many double letters! Almost as many as Tennessee Williams!), Esther tells the life of a woman who pioneered in the bathing suits industry and at the movies, and also did acrobatics and entertained her public.


Com vocês, a biografada: Annette Marie Sarah Kellerman (1886 – 1975) foi uma nadadora australiana, campeã juvenil, artista do Hipodrome de Nova York em seu tempo de glória e estrela de cinema, tendo protagonizado o primeiro nu feminino total da história da sétima arte. Tentou atravessar o Canal da Mancha por três vezes, sem sucesso. Foi presa por atentado ao pudor ao usar uma única peça de banho na praia.

The subject of the biopic: Annette Marie Sarah Kellerman (1886-1975) was an Australian swimmer, juvenile champion, Hippodrome artist in New York at its most glorious days, and movie star. She was the subject of the first total frontal nude in the history of movies. She tried to cross the English Channel three times, but didn’t succeed. She was arrested for public indecency when she wore an one-piece bathing suit at the beach.



Felizes Coincidências: Esther Williams ganhou como apelido o título desse filme (nos EUA: a sereia de um milhão de dólares).
Tanto Williams quanto Kellerman fabricavam suas próprias roupas de banho, pois as de suas respectivas épocas não eram adequadas para a natação em frente às câmeras.

Happy coincidences: Esther Williams got her nickname from the film’s title.

Both Williams and Kellerman designed their own bathing suits, because the bathing suits in their respective times weren’t good enough to swim in front of the cameras.

ALERTA DE SPOILER: Quando há o acidente (fictício) com o tanque, Annette estaria gravando “A Filha de Netuno” (1914). Em 1949, Esther Williams fez um filme com o mesmo título, cuja crítica pode ser lida AQUI.

SPOILER ALERT: When there is a (fictional) accident with the water tank, Annette was supposed to be making “Neptune’s Daughter” (1914). In 1949, Esther Williams made a film with the same title, whose review can be found HERE.

A Crítica Retrô: Nenhum dos “aqua musicais” de Esther Williams figura como obra-prima ou filme essencial. São, sim, bons exemplos de entretenimento e, é claro, de uma bela mulher com força física e talento atlético. “A Rainha do Mar” tem bons momentos de romance, um grandioso balé aquático e um final, para mim, tenso: o que esperar quando o filme está acabando e uma tragédia é iminente?

The Retro Critic: None of Esther Williams’ “aquamusicals” can be considered a masterpiece or an essential film. They are, of course, good entertainment and show a woman with physical strength and athletic skills. “Million Dollar Mermaid” has nice romantic moments, a huge underwater ballet and an ending that is, to me, tense: what can you expect when the film is ending and a tragedy is imminent?

Para Sempre Liz Taylor

Ser fã de cinema clássico implica admirar vários artistas que já não estão mais entre nós. É não ver notícias e entrevistas recentes ou não ter a chance de encontrá-los em uma visita a Hollywood. Talvez isso nos poupe do sofrimento de perder nossos ídolos. No entanto, muitos dos representantes dessa era ainda estão entre nós, e sua perda é inevitável.
Nesses quase dois anos de iniciação à cinefilia clássica, vi perdermos muitos grandes nomes. Mas talvez Jennifer Jones, Jean Simmons, Lena Horne, Dennis Hopper, Blake Edwards, Betty Garrett ou Jane Russel não tenham doído tanto. O triste acontecimento desta semana significou o fim da época em que o cinema era mais inteligente e as estrelas eram mais interessantes.
Curiosamente, vários de seus filmes apresentam mortes iminentes. A pequena órfã tem uma pneumonia fatal em “Jane Eyre” (idem, 1944). A Rebecca de “Ivanhoé” (idem, 1952), acusada de bruxaria, está prestes a ser condenada à fogueira. A apaixonada sulista sofre de uma loucura que põe em risco a vida de toda a sua família em “A Árvore da Vida” (Raintree County, 1957). O patriarca tem uma doença terminal em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat in a Hot Tin Roof, 1958). A única testemunha da morte do primo é atormentada pelas lembranças em “De Repente, no Último Verão” (Suddenly, Last Summer, 1959). Na vida real, ela foi uma batalhadora, uma sobrevivente, uma mulher maior que a vida.
Quando ela nasceu,em 1932, outras grandes lendas já estavam há tempos na ativa, como Mary Pickford, Lillian Gish, Greta Garbo e Katharine Hepburn. Mas Elizabeth Taylor não perdeu tempo: aos dez anos estrelava seu primeiro filme: “A Mocidade é Assim Mesmo” (National Velvet), ao lado de Mickey Rooney. Nos anos seguintes, foi dona de Lassie, jovem comportada do século XIX e uma garotinha encantadora. Aos 17 fez um ensaio nua. A garotinha estava crescendo.
E cresceu, transformando-se numa das mais belas mulheres do cinema. Ganhou dois Oscars, por “Butterfield 8”, em 1961, após três indicações infrutíferas consecutivas, e por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”em 1968.Casou-se oito vezes, teve sete maridos, enviuvou aos 27 anos, roubou o marido de Debbie Reynolds, encontrou o amor de sua vida em Richard Burton. E tudo isso fez dela uma lenda.
Não digo que o cinema ficou órfão, mas, sim, viúvo: quem nunca se enamorou com o rosto de Liz Taylor? 

Tuesday, March 22, 2011

Sede de Viver / Lust for Life (1956)

Minha iniciação artística se deu com as pinturas de Van Gogh. E dá-lhe cópias de sua biografia e versões do quadro “O Quarto de Van Gogh em Arles”. Essas atividades ficaram em minha memória, e voltaram com força total assistindo à “Sede de Viver”, cinebiografia dirigida por Vincente Minnelli e estrelada por Kirk Douglas.

Com vocês, o biografado: Vincent Willen van Gogh (1853 – 1890) foi um pintor holandês que fez muito mais do que pintar girassóis e cortar a orelha esquerda. Foi um ativo pintor durante apenas cinco anos, deixando centenas de telas. Nome importante do pós-impressionismo (corrente preocupada em transmitir emoções nas pinturas), ao lado de Cézanne e de seu amigo Paul Gauguin, cada mudança nas pinceladas de suas obras representava uma mudança em sua conturbada vida. De gênio difícil, sempre atormentado e sofrendo com problemas mentais como outros membros da família, o pintor suicidou-se aos 37 anos, sem constituir família ou alcançar fama e fortuna.
Licença Cinematográfica: Algumas poucas notas referentes a detalhes (por exemplo, não é mostrado que Van Gogh enviou sua orelha cortada para uma mulher, embora esta apareça no filme). Isso mostra a perfeição do filme, uma biografia fidedigna do grande pintor.

A Crítica Retrô: “Sede de Viver” é uma obra-prima. Kirk Douglas, como Van Gogh, e Anthony Quinn, como seu amigo Gauguin, estão ótimos como homens de pavio curto e personalidade difícil, o que é um empecilho para a amizade deles. Quinn ganha o Oscar, merecido, é verdade, e talvez pela semelhança de temperamentos das personagens, a Academia tenha tirado o prêmio merecidíssimo de Kirk e dado para Yul Brinner em “O Rei e Eu”. Mesmo assim, fica a glória de Vincente Minnelli ter dirigido um belo drama e uma cinebiografia nota 10.

Friday, March 18, 2011

Mata Hari (1931)

A mais famosa espiã da história interpretada por uma das melhores e mais belas (entre outros elogios) atrizes de todos os tempos. Greta Garbo empresta seu ar misterioso à Mata Hari em uma jornada por seus últimos dias, cá entre nós, bem movimentados, com direito a um romance tórrido com Ramon Novarro e uma condenação à morte por fuzilamento depois de ser presa e julgada.

Com vocês, a biografada: Margeretha Geertruida Zelle (1876 – 1917) foi uma boa moça holandesa até o seu divórcio. Quando se separou do marido, um capitão em terras coloniais, voltou da ilha de Java e foi viver em Paris. Adotou o nome Mata Hari, que em malaio significa “olho da manhã” e passou a trabalha como cortesã e dançarina. Tendo vários clientes militares, se envolveu na Primeira Guerra Mundial, trabalhando como agente dupla, espionando tanto para a França quanto para a Alemanha. Presa em meados de 1917 e executada em outubro do mesmo ano, muito de sua vida permanece obscuro: foi espiã responsável pela morte de 50 mil franceses ou um bode expiatório sensual e livre demais para sua época?

Licença cinematográfica: Em nada Greta Garbo e Mata Hari se pareciam. Só na aura de mistério que sugeriam. A espiã tinha traços orientais, era morena e ... bem, não era tão perfeita quanto a atriz.
A maioria dos eventos retratados no filme são fictícios.
A Crítica Retrô
Mata Hari está aquém dos maiores sucessos de Greta Garbo, como Dama das Camélias ou Ninotchcka. Esse filme é, sobretudo, uma sinfonia da imagem. A dança sensual, o flerte, o caminho para a execução: são imagens que ficam em nossa mente, não a trama. Mesmo que não seja fidedigna, é para esse propósito que veio a escolha de Garbo para o papel principal: construir a imagem misteriosa e sensual da mítica espiã. E, mais uma vez, Garbo desempenha perfeitamente seu papel.

Sunday, March 13, 2011

Ed Wood (1994)

Se há controvérsias sobre quem é o melhor diretor de cinema de todos os tempos, o nome de Ed Wood é unanimidade quando se trata do pior diretor. Seus filmes trash dos anos 50, no entanto, se tornaram Cult e hoje são reverenciados. Tim Burton, em 1994, com um elenco conhecido e boa dose de talento, filmou a biografia em preto-e-branco desse homem que, ao que o filme indica, sonhava em ser o próximo Orson Welles.
Com vocês, o biografado: Edward Davis Wood Jr (1924 – 1978) dirigiu ou escreveu 30 filmes, em sua maioria de baixíssimo orçamento, o que o obrigava a improvisar e reutilizar cenários, figurinos e materiais de efeitos especiais. Trabalhava com atores de feições caricatas e foi responsável pelos últimos filmes de Bela Lugosi, seu grande ídolo.

Licença Cinematográfica: Ed Wood nunca conheceu Orson Welles. No filme, é depois de ouvir algumas palavrinhas de incentivo de Welles que Wood decide fazer seu mais famoso filme: Plano 9 do Espaço Sideral.
Descobrimos que Wood se encontrou com Bela Lugosi pela primeira vez quando este tinha 74 anos. No entanto, Bela faleceu aos 73.
Coisa de cinema: Assim como mostrado no filme, Ed Wood gostava de se vestir de mulher. Ele dizia que estava usando lingerie feminina durante uma importante missão da Segunda Guerra Mundial. Seu primeiro casamento jamais foi consumado, pois sua mulher descobriu que ele usava sutiã na noite de núpcias.
Mais um ponto para Tim Burton: Ed sempre foi um grande otimista!
Ed dizia que Plano 9 do Espaço Sideral era seu maior orgulho, mas Glen ou Glenda? era um relato de sua vida.
Para terminar, um pequeno vídeo de Ed Wood. Divirtam-se!

Tuesday, March 8, 2011

Cinema & Carnaval

Talvez nem todo cinéfilo goste de carnaval. Eu, pessoalmente, prefiro procurar um bom filme a cair na folia. Mas este ano minha paixão pessoal misturou-se a uma das paixões nacionais com muito estilo. No desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro (um espetáculo à parte ao qual eu nunca  tenho paciência de assistir) duas escolas homenagearam o cinema. Enquanto a Unidos da Tijuca, campeã de 2010, lidou com os filmes de terror e causou espanto com sua comissão de frente, o Salgueiro falou sobre o cnema no Rio, sem deixar de ser um pouco internacional. Logo no início do desfile desta, muitas pessoas vieram vestidas de personagens notáveis, que os comentaristas não foram capazes de identificar para os telespectadores, como Barbra Streisand em Funny Lady e Geraldine Chaplin em Dr Jivago.

Por outro lado, em São Paulo, as escolas homenagearam os teatros. A Unidos do Peruche teve como tema o centenário do Teatro Municipal de São Paulo e a Unidos de Vila Maria fez seu enredo sobre o Teatro Amazonas, de Manaus.
Uma ótima prova de diálogo entre as diferentes manifestações artísticas! 

Sunday, March 6, 2011

A Canção da Vitória / Yankee Doodle Dandy (1942)

James Cagney, mais adorável do que nunca, na pele de um ator de vaudeville, astro da Broadway e, como pedia a época, um patriota exemplar. A interpretação de George M. Cohan lhe valeu um Oscar e a redenção após anos carregando a imagem do gangster durão e incorrigível. Mas será que tudo aconteceu como mostrado no filme?
Com vocês, o biografado: George Michael Cohan (1878 – 1942) foi um compositor, ator, dançarino, produtor... enfim, um faz-tudo da Broadway. Sua famosa frase de agradecimento nos tempos do vaudeville era: “Senhoras e senhores, meu pai agradece, minha mãe agradece, minha irmã agradece e eu agradeço”. Há uma estátua em tamanho real dele na Broadway.

Licença Cinematográfica:
A canção mais famosa diz “Sou um sobrinho de verdade do Tio Sam / Eu nasci no dia 4 de julho” ("I'm a real nephew of my Uncle Sam / I was born on the 4th of July"). Cohan não nasceu no dia do aniversário da independência das Treze colônias, mas sim no dia 3 de julho. Sua irmã Josie, no filme mais nova que ele, era na verdade dois anos mais velha.
O próprio mote do filme é falso: George não recebeu a Medalha de Honra do presidente, mas sim uma Medalha de Honra do congresso

George foi casado duas vezes, embora no filme só exista uma esposa, Mary. No entanto, nenhuma das cônjuges de Cohan se chamava Mary! Entretanto, uma das filhas dele tinha esse nome. No filme não são mostrados seus filhos.
Após a morte do pai,em 1917, George é tido como o último Cohan. No entanto, sua mãe ainda estava viva na época, só vindo a falecer em 1928.
Muitas peças são mostradas como produções contemporâneas entre si, sobrepondo os sucessos e fracassos do ator e produtor e desrespeitando a distância de tempo entre elas. Na verdade, se fosse como mostrado na sequência de letreiros, o cara usaria a Broadway toda só pra ele.
Após ver o filme em uma sessão privativa, o ilustre biografado teria dito: “Gostei do filme. Sobre quem era?”.  
Até a próxima! Lê ^_^

Saturday, March 5, 2011

É tudo verdade? – Especial Cinebiografias

Todos nós já vimos pelo menos um filme biográfico. Seja a realista autobiografia de Bob Fosse em “O show deve continuar”, ou as vidas de santos e personalidades históricos, como Joana D’Arc, Robin Hood,Lutero, Jesus, reis e rainhas, como “A Rainha”de Helen Mirren ou Elizabeth de Cate Blanchett. Alguns filmes biográficos me chamaram a atenção, pois contam apenas parte da vida dos biografados, deixando a platéia com um gostinho de “quero mais” e uma curiosidade latente. Neste mês, portanto, será a vez de um especial sobre cinebiografias. Preparados? Alguma sugestão?

Saturday, February 26, 2011

Preparação para Oscar – Poucas e Boas

Chegamos à parte final da preparação para o Oscar! Enquanto fazemos a contagem regressiva, vamos a pequenas e curiosas notas:
Vale o Peso em Ouro:
A estatueta pesa quase três quilos, é maciça e tem quase 40 centímetros de altura (cuidado!). Logo, seria útil para atacar um intruso. Até agora, no entanto, ninguém foi ferido por um golpe com um Oscar.
Origem do nome ‘Oscar’:
Para ser honesta, não há resposta definitiva. Algumas razões apontadas ao longo dos anos incluem Bette Davis comentando que a estatueta parecia com seu marido;  a executiva da Academia Margaret Herrick pode tê-la nomeado em homenagem ao tio; o chefão da MGM Louis B. Mayer também é um candidato e dizem que Walt Disney chamou-a de  Oscar in 1932. Esse tornou-se o nome oficial em 1939.

 “Ganhei!” (Não, você perdeu):
Em 1934, Will Rogers disse, “Venha receber, Frank!” O diretor Frank Capra subiu ao pódio e só então percebeu que o diretor Frank Lloyd tinha ganhado. Sem se sentir mal, Capra ganhou como Melhor Diretor no ano seguinte pelo filme Aconteceu Naquela Noite. Há uma história parecida com Humphrey Bogart: estava tão confiante com sua vitória em Casablanca que se levantou sem ouvir o nome do vencedor. Quando viu que outro estava subindo ao pódio, a saída foi aplaudir de pé.

Um Mito do Oscar:
Houve um boato maldoso de que Jack Palance disse o nome errado quando Marisa Tomei ganhou seu Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante em 1993 por Meu Primo Vinny. Um crítico de cinema maldoso espalhou o boato.


Um Oscar que ganhou um Oscar:
Oscar Hammerstein II (melhor canção, 1941, 1945)

Primeiro Filme a Cores a ganhar como Melhor Filme:
E o Vento Levou... (1939)

Último Filme Preto e Branco a ganhar como Melhor Filme:
A Lista de Schindler(1993)

É uma Tradição Familiar:
Três gerações dos Coppolas e dos Hustons conquistaram Oscars. Algumas tradições familiares são extravagantes!

Dirigindo-se para a Glória:
Laurence Olivier em Hamlet em 1948 e Roberto Benigni em A Vida é Bela em 1997.

Sempre Quase Lá:
Indicados cinco vezes, nunca ganharam: Alfred Hitchcock, King Vidor, Robert Altman e Clarence Brown.

Primeira Pessoa a Dizer “Não, Obrigado”:
Dudley Nichols recusou seu prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por O Delator em 1935.

Pai, Mãe e filha Ganham:
Vincente Minnelli (Melhor Diretor, 1959); Judy Garland (Oscar Honorário,1940); Liza Minnelli (Melhor Atriz,1973).

Para quem domina bem o inglês e quer mais curiosidades o site oficial da Academia fez uma super retrospectiva desses 83 anos de Oscar. Ele ainda permitiu a interatividade através de perguntas diárias sobre cinema. A minha resposta foi escolhida como a melhor e está publicada na página da 28ª cerimônia, com meu nome do twitter (@startpreading)
Agora chegou a hora do tapete vermelho! Boa premiação a todos!
Lê ^_^

Thursday, February 24, 2011

Preparação para o Oscar – Os maiorais

Bom dia, leitores! Venho dar continuidade aos posts pré-Oscar. Hoje é dia de destacar grandes lendas do cinema: atores, diretores e países que ganharam o maior número de prêmios da Academia.

Mais prêmios de Filme de Língua Estrangeira:
A honra vai para a Itália, que ao longo dos anos ficou com 10 prêmios de 27 indicações (o que você esperava de um país com Fellini e De Sica?). A França (Truffaut, Resnais, Nouvelle Vague...) vem logo atrás com 9 Oscars e 35 indicações.

Filmes que ganharam mais prêmios:
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Titanic e Ben-Hur conseguiram 11 Oscars cada. Em seguida vem Amor, Sublime Amor (West Side Story), ganhador de 10 Oscars.

Atriz com Mais Oscars:
A lendária e maravilhosa Katharine Hepburn foi uma recordista do Oscar. Em sua longa e ótima carreira, ela ficou com o Oscar de Melhor Atriz incríveis quatro vezes em 1932, 1967, 1968 & 1981. Meryl Streep está se aproximando  com 16 indicações (Melhor Atriz e Melhor atriz Coadjuvante) e duas vitórias.

Diretor com Mais Oscars:
Vai para a lenda John Ford, que conseguiu quatro vitórias em sua longa carreira.

Mais Oscars de Figurino:
A famosa Edith Head ganhou oito. Orson Welles certa vez disse: “Edith Head gives good costume”(não é um bom trocadilho se for traduzido...).

Atores que ganharam um Oscar mais de uma vez:
Spencer Tracy, Gary Cooper,Marlon Brando, Jack Nicholson, Fredric March, Dustin Hoffman e Tom Hanks ganharam dois Oscars cada. Jack Nicholson foi indicado incríveis12 vezes, ganhando três .

O homem com mais Oscars:
Ele pode ter sido um maluco antissemita, mas o Titio Walt Disney não fazia nada errado aos olhos da Academia. Ele ganhou 26 Oscars durante sua vida…de 64 indicações. Nada mal para um cara que não desenhava muito bem.

Levando tudo:
Apenas três filmes ganharam os cinco prêmios principais de Melhores Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro: Aconteceu Naquela Noite em 1935, Um Estranho no Ninho em 1976 e O Silêncio dos Inocentes em 1992.

Levando tudo 2:
O que há com o número 3? De novo, apenas três filmes ganharam em todas as categorias em que foram indicados: Gigi em 1959 e O Último Imperador em 1988, ambos com nove prêmios, e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, que ganhou 11.

Nos próximos dias, a última (e mais curiosa) parte!
Abraços, Lê ^_^
P.S.: Caramba! Nenhum comentário no último post? Fiquei triste! ;(

Sunday, February 20, 2011

Um comercial curioso

Boa tarde, leitores! Interrompe brevemente a série de preparação para o Oscar para mostrar algo interessante que encontrei outro dia na internet: um comercial da Volkswagen estrelando dois dos meus astros favoritos: Gene Kelly e Donald O'Connor!


Embora fique claro que trata-se de uma montagem, mesmo  para os leigos que não conhecem os dois dançarinos, achei uma boa iniciativa de trazer os clássicos para a nova geração!
O que vocês me dizem?
Abraços cinematográficos,
Lê ^_^
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