} Crítica Retrô: União Soviética

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Friday, April 28, 2023

Aelita – A Rainha de Marte (1924) / Aelita, Queen of Mars (1924)

 ESTA CRÍTICA TEM SPOILERS / THIS REVIEW HAS SPOILERS


Marte! O sonho de muitos aventureiros, astronautas e lunáticos. Um local que já foi visitado, através do cinema: eu já escrevi sobre viagens cinematográficas para Marte antes, mas há uma lista infindável de filmes com passagem por Marte. Um destes filmes, feito na União Soviética na era muda, é o estranho filme de propaganda “Aelita – A Rainha de Marte”, de 1924.

Mars! The dream of many adventurers, astronauts and lunatics. A place that was already visited, through cinema: I’ve talked about movie trips to Mars before, but there is a never-ending list of films with a passage to Mars. One of these films, made in the Soviet Union in the silent era, is the strange propaganda flick “Aelita, Queen of Mars”, from 1924.

Em Marte, a rainha Aelita (Yuliya SoIntseva) vê num telescópio os habitantes do planeta vizinho, a Terra, com genuína curiosidade. Ela se apaixona por um dos terráqueos. Enquanto isso, na Terra, muitas pessoas em laboratórios recebem uma estranha mensagem: “Anta Odeli Uta”. Acreditando ser uma mensagem de Marte, o engenheiro Loss (Nikolai Tsereteli) decide construir uma nave espacial para visitar o planeta vermelho.

On Mars, Queen Aelita (Yuliya SoIntseva) sees throw a telescope the inhabitants of the neighboring planet, Earth, with genuine curiosity. She falls in love with one of them. Meanwhile, on Earth, several people in laboratories receive a strange message: “Anta Odeli Uta”. Believing it’s a message from Mars, the engineer Loss (Nikolai Tsereteli) decides to build a spaceship to visit the red planet.


Depois de seis meses trabalhando numa usina, Loss volta para casa e encontra a esposa Natasha (Valentina Kuindhzi) numa pose comprometedora com um canalha. Loss atira em Natasha e decide que é hora de ir para Marte. No planeta vermelho, ele encontra Aelita e causa profundo impacto com mudanças para os menos afortunados.

After six months working on a power plant, Loss returns home to find his wife Natasha (Valentina Kuindhzi) in a compromising pose with a scoundrel. Loss shoots Natasha and decides it’s the ideal time to go to Mars. On the red planet, he meets Aelita and has a deep impact on changing how things happen there for the less powerful.


Marte em “Aelita” é futurístico, mas não muito. As roupas usadas pelos marcianos são brilhantes e curiosas – mais curiosas que belas. Não há equipamentos futurísticos mostrados além do estranho telescópio do começo do filme. É futurístico em Marte, mas a norma social vigente é construída em cima da escravidão.

Mars in “Aelita” is futuristic, but not so much. The clothes worn by the Martians are shiny and curious – more curious than charming. There is no futuristic gadget shown other than the weird-looking telescope from the beginning. It’s futuristic on Mars, but the societal norm is built on slavery.


Loss acredita que pode ajudar a “reconstruir a Rússida” com sua missão para Marte. A mensagem “Anta Odeli Uta” é recebida em quatro de dezembro de 1921: apenas quatro anos após a Revolução Russa. Neste sentido, “Aelita” é um tipo estranhíssimo de propaganda, pois os russos vão para Marte para ajudar a estabelecer uma União de Repúblicas Socialistas Soviéticas por lá.

Loss believes he can help “reconstruct Russia” with his mission to Mars. The message “Anta Odeli Uta” is received on December 4th, 1921: only four years after the Russian Revolution. In this sense, “Aelita” is the oddest kind of propaganda, as the Russians who go to Mars help establish a Union of Socialist Soviet Republics there.

Yuliya SoIntseva é mais lembrada hoje como a primeira mulher a ganhar o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cinema de Cannes, com o filme “A Epopeia dos Anos de Fogo” (1961). Yuliya foi casada com o diretor Aleksandr Dovzhenko e estreou como assistente de direção no seu filme “Terra” (1930), hoje um clássico cult. “Aelita” foi o primeiro trabalho de Yuliya como atriz, e ela apareceu em outros sete filmes até 1930, quando fez a mudança para trás das câmeras. Yuliya dirigiu 14 filmes entre 1939 e 1980.

Yuliya SoIntseva is best remembered today as the first female filmmaker to win the Best Director Award at the Cannes Film Festival, with the film “The Story of the Flaming Years” (1961). Yuliya was married to the director Aleksandr Dovzhenko and debuted as assistant director in his film “Earth” (1930), now a cult classic. “Aelita” was Yuliya’s first role as an actress, and she appeared in seven more films until 1930, when she went behind the cameras for good. Yuliya directed 14 films between 1939 and 1980.

O director Yakov Protazanov estava voltando do exílio. Ele havia deixado o país durante a Revolução Russa, e fez filmes na França e na Alemanha enquanto estava exilado. Protazanov fazia filmes desde 1909, quando dirigiu seu primeiro curta, e escreveu boa parte dos filmes que dirigiu.

Director Yakov Protazanov was coming back from exile. He had fled the country during the Russian Revolution, and made films in France and Germany while on exile. Protazanov had been making films since 1909, when he directed his first short, and he had written a good amount of the movies he directed.

Algo que ninguém esperava: o filme é baseado num romance de Tolstoy. Mas não é Lev Tolstoy: o autor é Alexei Tolstoy, um homem provavelmente assombrado por ter o mesmo nome de um autor conhecidíssimo. Mais lembrado hoje exatamente por escrever o material que deu origem a “Aelita”, Alexei Tolstoy é também o autor de “The Golden Key, or Buratino’s Adventure”, algo que surgiu como um fanfic de Pinóquio.

Something nobody expected: the movie is based on a novel by Tolstoy. But it’s not Leo Tolstoy: the author is Alexei Tolstoy, a man probably plagued by having the same last name of a remarkable writer. Best remembered today exactly for writing the material that gave birth to “Aelita”, Alexei Tolstoy is also the writer of “The Golden Key, or Buratino’s Adventure”, something that was originally a Pinocchio fanfic.

Eu ouvi falar tanto de “Aelita” nos últimos anos e estava animada por finalmente poder conferir o filme. Infelizmente, minhas expectativas eram altas demais, e acabei a sessão frustrada. Eu esperava mais cenas em Marte e, o pior de tudo, o filme tem meu tipo mais odiado de Deus ex machina: a resolução “foi tudo um sonho” – neste caso, foi tudo um sonho acordado. Eu reconheço a importância de “Aelita” para a história da ficção científica e como o filme influenciou o retrato de Marte e dos marcianos em filmes subsequentes. Há muito para se gostar em “Aelita” – isto é, se você não estiver esperando um filme só sobre Marte. É possível fazer uma viagem melhor para Marte em outros filmes.

I’ve heard about “Aelita” so much over the years and was excited to finally see it. Unfortunately, my high expectations weren’t met and I left the session underwhelmed. I expected more scenes in Mars, and, the worst of all, the movie had my least favorite kind of Deus ex machina: the “it was all a dream” resolution – in this case, it was all a daydream.  I recognize the importance “Aelita” has in sci-fi history and in shaping the overall look of Mars and Martians in future films. There is plenty to like in “Aelita” – that is, if you don’t come expecting a huge Mars festival. You can take a better trip to Mars elsewhere..

 

This is my contribution to the Futurethon, hosted by Gill and Barry at Realweegiemidget Reviews and Cinematic Catharsis

Saturday, August 5, 2017

Nunca Me Deixes Ir / Never Let Me Go (1953)

Alguns relacionamentos estão amaldiçoados desde o começo – como o de Romeu e Julieta, que eram membros de famílias rivais. E não havia nada mais moderno em termos de rivalidade em 1953 do que a Guerra Fria. Por isso temos em “Nunca Me Deixes Ir” Romeu e Julieta modernos: ele, Philip Sutherland (Clark Gable), é americano, e ela, Marya Lamarkina (Gene Tierney), é russa.

Some relationships are doomed from the start – like Romeo and Juliet, who were the children of rival families. And there was nothing more modern in terms of rivalry in 1953 than the Cold War. So, we have in “Never Let Me Go” a modern Romeo and Juliet: he, Philip Sutherland (Clark Gable), is an American, and she, Marya Lamarkina (Gene Tierney), is Russian.
A história começa no dia da vitória – o dia em que a Segunda Guerra Mundial foi oficialmente vencida pelos Aliados. Philip, um jornalista, vem mandando flores para Marya, uma bailarina, há mais de um ano. Ele nem imagine que ela corresponde o seu amor e está aprendendo inglês para finalmente poder falar com ele. A oportunidade aparece naquela noite, quando ela dá uma entrevista a uma rádio da Inglaterra e se dirige a ele. É a primeira vez que eles conversam, e as coisas vão bem rápido a partir daí. Em pouco tempo eles estão casados.

The story begins on V Day – the day the Second World War was oficially won by the Allies. Philip, a journalist, has been sending flowers to Marya, a ballerina, for over a year. Little does he know that she corresponds his affection and is learning English in order to finally talk to him. The opportunity appears that night, when she gives an interview to a radio from England and hints at him. It's the first time they talk, and things move pretty quickly for them. In little time they are married.
Mas a alegria não dura para sempre. Os pais dela foram mandados para o exílio e a deixaram na escola de balé. Ela sabe que os soviéticos podem ser cruéis e negar um visto para que ela vá para os Estados Unidos com o marido – eles já fizeram isso com a amiga dela, Svetlana. Ele não liga para a paranoia dela – afinal, 'isso não vai acontecer conosco', ele diz, 'Joe' Stalin – como ele se refere ao líder – não vai se importar com um simples casal.

But joy doesn't last forever. Her parents were sent to exile and left her in ballet school. She knows that the Soviets can be cruel and deny her a visa to go to the US with her husband – they already did it to her friend Svetlana. He doesn't care for her paranoia – after all, 'it won't happen to us', he keeps repeating, 'Joe' Stalin – as he refers to the leader – won't care for a simple couple.
Nós temos um aliado que vai tentar ajudar o casal a ficar junto: Steve Quillan (Kenneth Moore), um radialista inglês que conhece a censura logo no começo do filme e mais tarde decide desafiar as autoridades soviéticas mandando mensagens cifradas através de seu programa de rádio.

We have an ally who will try to help the couple stay together: Steve Quillan (Kenneth Moore), an English radio journalist who feels the censorship right in the beginning of the film and later decides to defy the Soviet authorities by sending secret messages through his radio program.
Este filme tem um quê de propaganda – não há dúvidas a respeito disto. Como a liberdade é um direito tão importante e amado nos Estados Unidos e em outros países ocidentais, o filme foca na pouca liberdade que o povo da União Soviética tem – eles não podem ser felizes a não ser que isso beneficie os sovietes, ou o coletivo. A busca pelo amor é o tema aqui – e vamos combinar: a indústria do cinema em Hollywood foi basicamente construída em cima de filmes sobre a busca pelo amor.

This movie has a propaganda feeling – there is no doubt about it. Being liberty such a beloved and important right in the US and other western countries, the film focuses on the lack of freedom the people of the Soviet Union have – they can't be happy unless it benefits the Soviets, the collective. The pursuit of love is the theme here – and let's face it: the Hollywood industry was basically built with movies about the pursuit of love.
O filme é narrado por Clark Gable, até que de repente o narrador muda, na marca de 40 minutos. Agora é Joe (Bernard Miles), um engenheiro naval, que dá sua opinião sobre as atitudes de Philip. Alguns minutos depois, Gable volta à sua função de narrador. Eu me pergunto se o mesmo acontece no livro que inspirou o filme. E falando em estranhezas, “Nunca Me Deixes Ir” tem pouco balé e muita vodca. Os momentos com vodca são, entretanto, os mais divertidos.

The film is narrated by Clark Gable, until it suddenly shifts narrator at 40 minutes or so. Now it's Joe (Bernard Miles), a boat engineer, who gives his impressions about Philip's actions. A few minutes later, Gable is back at his position as narrator. I wonder if it also happens in the book that served as the source for the movie. Speaking of oddities, “Never Let Me Go” has too much vodka and too little ballet. The vodka moments are, nevertheless, the funniest.
É Gene Tierney mesmo dançando? Bem, ela começou a fazer aulas de balé para fazer o filme, mas o mais provável é que não seja ela nos momentos mais complicados – como quando vemos a Rainha dos Cisnes dançando na ponta dos pés em O Lago dos Cisnes, porque é uma tomada longa e não podemos ver com clareza o rosto da bailarina. Vemos Gene em close-ups, mas uma coisa é verdade: por causa do filme ela se apaixonou por balé e continuou indo a e patrocinando espetáculos de balé até o fim da vida.

Did Gene Tierney do her own dancing? Well, she started having ballet lessons in order to do this film, but it's more probable that it's not her in the more complicated moments – like when we see the Swan Queen dancing en pointe in The Swan Lake, because it is a long shot and we can't clearly see the ballerina's face. We see Gene only in close-ups, but one thing is true: because of this film she fell in love with ballet and kept going to and sponsoring ballet recitals until the end of her life.
Tierney é linda e adorável, embora seu sotaque incomode um pouco. Mas o filme é de Gable – é ele que faz todo o esforço para 'nunca deixá-la ir'. É impossível não torcermos por Philip e Marya – e isto por causa de uma escolha sábia de elenco porque, convenhamos, que ator do cinema clássico representa os Estados Unidos melhor que Clark Gable, que pode inclusive ser considerado o melhor exemplo de estrela do sistema de estúdio? É um filme pró-americano, mas com um detalhe interessante: uma russa em particular não vê problema em dedurar camaradas quando necessário – algo que americanos bons e preocupados estavam fazendo então durante as investigações anti-comunistas da caça às bruxas, e estão fazendo agora também. No final, americanos e russos não são tão diferentes.

Tierney is gorgeous and lovely, even though her accent bothers us a little. But it is Gable's film – he is the one making all the effort to 'never let her go'. We can't avoid rooting for Philip and Marya – and this due to a wise casting choice because, come on, which classic Hollywood actor embodies America better than Clark Gable, who may even be the best example of star of the studio system? It is a pro-America film, but with an interesting twist: a particular Russian sees no problem in 'naming names' when necessary – something good, worried Americans were doing in the HUAC investigations back then, and are even doing now. In the end, Americans and Russians are not very different from each other.

For a different take on this film, check the review at Phyllis Loves Classic Movies!

This is my contribution to the En Pointe: The Ballet blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood and Christina at Christina Wehner.

Sunday, March 8, 2015

Eisenstein e sua trilogia “Ivan, o terrível”

Nunca falei isto aqui, mas chegou a hora de confessor: eu adoro o cinema soviético. Eisenstein, óbvio, é o expoente máximo da União Soviética, e seus filmes ficam melhores com o passar do tempo, pois descobrimos o contexto e as obrigações que permeiam cada produção. Sim, a maioria é descarada propaganda soviética, mas com a técnica de Eisenstein se tornem obras-primas, talvez não pelo conteúdo, mas pela forma. Sim, Stalin encomendou muitos dos filmes, e esta é uma grande vantagem: pela primeira vez podemos analisar a manipulação política da arte em sua mais crua manifestação. E a obra que mais nos permite esta observação é justamente a que causou mais atritos entre Eisenstein e Stalin: “Ivan, o terrível”.
O objetivo era claro: comparar Stalin, o então governante da União Soviética, com o corajoso czar Ivan, que subiu ao trono em 1547, contrariando a vontade dos boiardos, ricos proprietários de terra. Assim como Ivan, Stalin (e antes dele, Lênin) teria desafiado a elite e conquistado o apoio do povo para conseguir governar mesmo com tantas forças contrárias o pressionando.
“Ivan, o terrível” não é um filme qualquer. Quem o vê com atenção se torna cúmplice do grande transe criado por Eisenstein. As atuações são teatrais, por vezes até caricatas, mas perdoáveis. Os cenários e a quantidade de extras são assombrosos. A grandeza dos ambientes, as expressões dos personagens, os jogos de luz e sombra: tudo se junta para criar uma obra maior que a vida, sobre um homem maior que qualquer outro na história russa. Muito desta impressão vem da interpretação alucinada de Nikolai Cherkasov, de barba pontiaguda e nariz aquilino, olhar louco e gestos ameaçadores... que às vezes se parece com um camarada que todos nós conhecemos muito bem:
O primeiro filme conseguiu seu intento. E não foi só aos comunistas que o filme agradou: Chaplin teria dito que “Ivan, o terrível” era “o maior filme histórico já feito”. Entretanto, ao rodar a parte dois, Eisenstein e Stalin se desentenderam, e isso deixou tudo mais interessante. Para começar, o filme só foi lançado após a morte de ambos: Eisenstein faleceu em 1948, Stalin em 1953 e o filme estreou apenas em 1958. O czar que uniu o povo ganha uma nova faceta e ambiciona o poder a qualquer preço, não importa quantos cadáveres tiver de deixar para trás.
E o melhor de “Ivan, o terrível – Parte 2” não está no enredo: trata-se da primeira sequência colorida da história do cinema russo / soviético. As plateias da época devem ter ficado tão deslumbradas quanto eu, que via o filme e de repente tive meus olhos tomados por uma explosão de cor. As origens da tecnologia para filmar em cores são controversas: de acordo com o IMDb, trata-se do Bi-Color, um sistema semelhante ao Two-Strip Technicolor dos primitivos filmes coloridos. Já segundo o TCM, só foi possível captar imagens coloridas com equipamentos roubados dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Aqui, a origem do fator não altera o produto, e o resultado é puro e deslumbrante espetáculo.
Mas... não se trata de uma trilogia? Bem, a ideia inicial era fazer uma trilogia, mas após a polêmica da segunda parte, Stalin paralisou a produção da terceira parte e mandou destruir o que já havia sido filmado. Apenas alguns minutos de película sobreviveram:
Não é à toa que quem gosta de história geralmente gosta também de filmes antigos (ou pelo menos está mais propenso a dar uma chance a eles). Quem entende um pouco de história vê as nuances e manipulações por trás de “Ivan, o terrível”. Quem não entende, tem a oportunidade de aprender mais sobre o comunismo e a propaganda ideológica. “Ivan, o terrível” talvez não seja o melhor filme épico de todos os tempos. Talvez nem seja o melhor filme de Eisenstein. Mas é inovador, surpreendente, hipnotizante, essencial: mostra todos os poderes do cinema.

This is my first contribution to the Russia in Classic Film blogathon, hosted by comrade Fritzi at Movies, Silently.
Leia também minha crítica (em inglês) de outro filme de Eisenstein, “Old and New” (1929), AQUI.
You can also read my review (in English) of the Eisenstein flick “Old and New” (aka “The General Line”, 1929) HERE.

Sunday, January 12, 2014

1925: um ano inesquecível / 1925: an unforgettable year

AVISO: este post é muito, muito longo. Mas vale a pena ser lido / assistido.

WARNING: this post is very, very long. But it is one worth reading / watching.

1925 não foi um ano bom para o cinema. Foi um ano ótimo. Excelente. Sensacional. Os três grandes nomes da comédia muda estrelaram longas-metragens (Buster Keaton estrelou dois!), o filme mais caro do cinema mudo foi feito depois de muito atraso (Ben-Hur), uma obra de referência para aspirantes a cineastas e revolucionários surgiu na URSS (O encouraçado Potemkin), Garbo fez o filme que a traria para a América (Rua das Lágrimas) e uma obra-prima sacudiu o mundo (O Grande Desfile).

1925 wasn't a good year for film. It was an excellent year. Fantastic. Sensational. The three greats of silent comedies made feature films (Buster Keaton made two!), the most expensive silent film was releaed after a lot of delay (Ben-Hur), an essential work for wannabe filmmakers and revolutionaries was made in the USSR (Battleship Potemkin), Garbo made the film that would bring her to the US (Joyless Street) and a masterpiece shook the world (The Big Parade).

Technicolor in "Phantom of the Opera"

Muitos dos futuros astros e estrelas fizeram suas primeiras participações. Myrna Loy, Clark Gable, Carole Lombard estavam lá, como extras irreconhecíveis na multidão. Mas por pouco tempo. Outros tantos futuros astros nasceram em 1925: Jack Lemmon, Julie Harris, Paul Newman, Dorothy Malone, Lee Van Cleef, Joan Leslie, Farley Granger, Peter Sellers, Angela Lansbury, Richard Burton, Tony Curtis, Rock Hudson, Sammy Davis Jr, Dick Van Dyke...

Many future stars made their first movie appearances. Myrna Loy, Clark Gable, Carole Lombard were there, as unknonw extras in the crowd. But not for long. Other future stars were born in 1925: Jack Lemmon, Julie Harris, Paul Newman, Dorothy Malone, Lee Van Cleef, Joan Leslie, Farley Granger, Peter Sellers, Angela Lansbury, Richard Burton, Tony Curtis, Rock Hudson, Sammy Davis Jr, Dick Van Dyke...

Mas quais os melhores filmes de 1925? Se já houvesse Oscar naquele ano, quem ganharia? Para responder isso, eu criei meu próprio Oscar, disponível no vídeo abaixo.

But which were the best movies of 1925? If there was already the Oscars that year, who would be the winners? To answer this question, I made my own Oscar ceremony, availabe in the video below.

E agora, uma breve sinopse dos 19 filmes de 1925 que eu vi para escrever este post:

And now, a brief synopsis of the 19 films from 1925 that I watched to write this post:

Chess Fever: Uma cidade russa recebe um campeonato de xadrez, fazendo com que todos os habitantes se tornem entusiastas do jogo. Mas um deles exagera.

Chess Fever: A Russian town hosts a chess championship, and all the citizens become chess enthusiasts. But one citizen goes too far.

Em Busca do Ouro / The Gold Rush: Charles Chaplin é o adorado vagabundo no Klondike, onde ele espera encontrar ouro para dar uma vida melhor à mulher que ama (Georgia Hale).

The Gold Rush: Charles Chaplin is the adorable tramp in the Klondike, where he expects to find gold to provide a better life for the woman he loves (Georgia Hale).

Vaqueiro Avacalhado / Go West: Um homem sem amigos (Buster Keaton) vai para o Oeste e começa uma história de amor e amizade com uma vaca.

Go West: A friendless man (Buster Keaton) goes West and starts a story of love and friendship with a cow.

O Calouro / The Freshman: Harold Lamb (Harold Lloyd) está ansioso para ir para a faculdade. Ele acredita que poderá ser popular se agir como o personagem de um filme, o que inclui fazer uma dancinha e jogar futebol americano.

The Freshman: Harold Lamb (Harold Lloyd) is anxious to go to college. He believes he can be popular if he acts like a character from a film, and that includes a little dance and playing football.

Sete Oportunidades / Seven Chances: Buster Keaton herdará sete milhões de dólares se se casar até as sete horas de seu vigésimo sétimo aniversário. Ele então sai em busca de uma noiva.

Seven Chances: Buster Keaton will inherit seven million dollars if he gets married before seven on the day of his twenty-seventh birthday. So he starts searching for a bride.


O Encouraçado Potemkin: Com um bocado de glamour, o filme conta como os marinheiros do Potemkin se rebelaram contra as condições terríveis do navio e assim iniciaram um levante que contagiou a cidade de Odessa.

Battleship Potemkin: With a touch of glamour, the film tells how the sailors from the Battleship Potemkin started a rebellion against the terrible conditions they worked in and how this rebellion changed the city of Odessa.

Variety / Varieté: Um acrobata (Emil Jannings) e sua amante (Lya de Putti) têm a chance de se apresentar em um grande espetáculo, mas o dono do show começa a flertar com a moça, despertando ciúmes.

Variety / Varieté: An acrobat (Emil Jannings) and his lover (Lya de Putti) have the chance to present their act in a big show, but the owner of the place starts flirting with the girl, causing jealousy.

O Fantasma da Ópera / Phantom of the Opera: A ópera de Paris é surpreendida por rumores de que uma estranha criatura (Lon Chaney) mora no subsolo e faz de tudo para ajudar a cantora Christina (Mary Philbin) a prosperar na carreira. 

Phantom of the Opera: The Paris Opera is surprised to hear about rumors of a strange creature (Lon Chaney) who is living in the underground and doing everything he can to help the singer Chrisitna (Mary Philbin) to be successful.

O Mundo Perdido / The Lost World: O professor Challenger (Wallace Beery) organiza uma expedição para a Amazônia com o objetivo de provar a existência de dinossauros vivos. No grupo estão o repórter Ed Malone (Lloyd Hughes), o rico aventureiro Lorde Roxton (Lewis Stone) e Paula White (Bessie Love), filha de um explorador morto na expedição anterior.

The Lost World: Professor Challenger (Wallace Beery) organizes an expedition to the Amazon in order to prove that living dinosaurs still exist. In the expedition we can find the reporter Ed Malone (Lloyd Hughes), the rich adventurer Lord Roxton (Lewis Stone) and Paula White (Bessie Love), the daughter of an explorer who was killed in a previous expedition.

Body and Soul: O criminoso “Big Carl” foge da prisão e passa a se apresentar como reverendo Jenkins (Paul Robeson em seu filme de estreia). Na cidade em que ele prega vive a carola Martha Jane (Mercedes Gilbert), que deseja que a filha Isabelle se case com o perigoso reverendo.

Body and Soul: The criminal “Big Carl” runs away from prison and starts presenting himself as the Reverend Jenkins (Paul Robeson in his film debut). In the city where he preaches there is the very religious Martha Jane (Mercedes Gilbert), who wants her daughter Isabelle to get married to the dangerous reverend.


O Águia / The Eagle: Valentino é um oficial da guarda da czarina que deserta ao saber que o pai está morrendo. Ele então decide se vingar do homem que roubou o patrimônio da família, adotando a identidade de Águia Negra.

The Eagle: Valentino is an officer from the Tsarina's guard who leaves when he gets the word that his father is dying. He then decides to seek revenge from the man who stole the family's fortune, and adopts the identity of the Black Eagle.

Sua Vida Pelo Seu Amor / Little Annie Rooney: Em um de seus últimos papéis de criança, Mary Pickford é Annie, uma garota pobre que se apaixona pelo amigo do irmão, membro de uma gangue.

Little Annie Rooney: In one of her last childish roles, Mary Pickford plays Annie, a poor girl who falls in love with her brother's friend, who is a member of a gang.

Rua das Lágrimas aka Joyless Street / Die Freudlose Gasse: Greta (Greta Garbo) e Marie (Asta Nielsen) vivem na pobreza em Viena em 1921. Enquanto Marie foge de casa e cai na prostituição, Greta tem dificuldades para pagar as dívidas do pai e vê como única saída dançar em um cabaré.

Joyless Street / Die Freudlose Gasse: Greta (Greta Garbo) and Marie (Asta Nielsen) live in poverty in Vienna in 1921. While Marie runs away from home and becomes a prostitute, Greta has trouble to pay her father's debts and has to dance in a cabaret.

Ben-Hur: A Tale of the Christ: Judah Ben-Hur (Ramon Novarro) quer se vingar do velho amigo Messala (Francis X. Buschman), que se tornou um soldado romano preconceituoso. Em sua jornada, Ben-Hur conhece Jesus e decide então seguir e defender o Messias.

Ben-Hur: Judah Ben-Hur (Ramon Novarro) wants revenge from his old friend Messala (Francis X. Bushman), who became a prejudiced Roman soldier. In his journey, Ben-Hur meets Jesus and decides to follow and to defend the Messiah.

O Jardim dos Prazeres / The Pleasure Garden: Neste primeiro filme dirigido por Hitchcock, as coristas Patsy (Virginia Valli) e Jill (Carmelita Geraghty) precisam tomar uma decisão quando seus namorados vão para a América. Jill promete esperar para se casar, enquanto Patsy se casa rapidamente com homem que é infiel.

The Pleasure Garden: In this first film directed by Hitchcock, the chorus girls Patsy (Virginia Valli) and Jill (Carmelita Geraghty) need to make up their minds when their boyfriends go to America. Jill promises to wait for him to get married, while Patsy quickly marries a man who later proves to be unfaithful.

O Grande Desfile / The Big Parade: O jovem e rico Jim Apperson (John Gilbert) vai para a Primeira Guerra Mundial e faz amizade com o operário Slim (Karl Dane) e o barman Bull (Tom O’Brien). Com a divisão do exército treinando em vila francesa, Jim conhece a adorável Melisande (Renée Adorée), mas precisa deixá-la para ir ao front.

The Big Parade: Young and rich Jim Apperson (John Gilbert) enlists to fight in the First World War and becomes friends with the construction worker Slim (Karl Dane) and the barman Bull (Tom O'Brien). As the army is in training in a French village, Jim gets to know the adorable Melisande (Renée Adorée), but has to abandon her to go to the front.

A Viúva Alegre / The Merry Widow: O príncipe Danilo Petrovich (John Gilbert) se apaixona pela dançarina Sally O’Hara (Mae Murray), mas sua posição e sua família impedem o casamento. Devastada, Sally se casa com velho banqueiro que sustenta a família real.

The Merry Widow: Prince Danilo Petrovich (John Gilbert) falls in love with the dancer Sally O'Hara (Mae Murray), but his position and his family prohibit the union. Devastated, Sally gets married to an old banker who financially supports the royal family.

Ação, ciúme, pancadaria! / Action, jealousy, fighting!

O Feiticeiro de Oz / The Wizard of Oz: Esta versão muito louca da história de L. Frank Baum mostra Dorothy (Dorothy Dwan) como a rainha perdida de Oz, que foi levada ainda bebê para o Kansas. Já crescida, ela desperta a paixão de um fazendeiro (Larry Semon, o faz-tudo do filme). Oliver Hardy interpreta outro fazendeiro.

The Wizard of Oz: Thisvery crazy version of the L. Frank Baum story brings Dorothy (Dorothy Dwan) as the lost queen of Oz, who was taken to Kansas as a baby. As an adult, she becomes the object of desire of a farmer (Larry Semon, the man who did it all in the movie). Oliver Hardy plays another farmer.

O Leque da Lady Margarida / Lady Windermere’s Fan: Oscar Wilde é o autor da história de lady Margaret Windermere (May McAvoy), ou melhor, da mãe dela, Mrs Erlynne (Irene Rich), que foi uma mulher de vida desregrada. Depois de muitos anos, Mrs Erlynne volta a Londres mas, para evitar que Margaret, que pensa que a mãe morreu, tenha uma surpresa desagradável, o Lorde Windermere paga uma quantia para Mrs Erlynne deixá-los em paz.  

Lady Windermere's Fan: Oscar Wilde is the author of the story about Lady Margaret Windermere (May McAvoy), or better, her mother's, Mrs Erlynne's (Irene Rich), story. Mrs Erlynne lived an unruly life. After many years, she goes back to London but to avoid an unpleasant surprise for Margaret, who thinks her mother is dead, Lord Windermere pays a good sum so Mrs Erlynne will leave her daughter alone. 

Wow! This is my contribution for the Film History Project Blogathon, hosted by Fritzi, Aurora and Ruth, respectively at Movies, Silently, Once Upon a Screen and Silver Screenings.


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