} Crítica Retrô: beisebol

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Sunday, June 5, 2016

Ídolo, Amante e Herói (1942) / The Pride of the Yankees (1942)


Quem não ama um herói que vem das camadas mais baixas da sociedade e triunfa, apesar de todas as dificuldades? Lou Gehrig era filho de imigrantes alemães, e logo no início do filme seu talento no beisebol é mostrado romanticamente através de um jogo de crianças no bairro, uma janela quebrada e um sermão da mãe, que desejava que ele estudasse engenharia em Columbia.

Who doesn't love a hero that comes from the lower classes and triumphs, overcoming all difficulties? Lou Gehrig was the son of German immigrants, and just in beginning of the movie his talent as a baseball player is shown with a neighborhood kids' game, a broken window shop and a lecture from Lou's mother, who wanted him to study Engineering at Columbia University.

Lou vai para Columbia, mas, por ser de origem humilde e ajudar a mãe na cozinha da faculdade, ele não é bem aceito pelos colegas. Eles inclusive o provocam do mesmo jeito que fariam com Longfellow Deeds – mas Lou Gehrig tem sangue quente e ataca quando é provocado. Mas isto não é problema: como em qualquer história de superação, Lou vai rir por último.

Lou enters Columbia but, being from a humble household and working as his mother's helper at the college canteen, Lou is not well accepted by his mates. They even tease him in the same way they'd do with Longfellow Deeds – but Lou Gehrig has a bad temper and attacks when teased. However, this is not a problem: as in any inspirational story, Lou will have the last laugh.


Lou Gehrig faleceu aos 37 anos. Gary Cooper tinha mais de 40 quando fez o filme. “Ídolo, Amante e Herói” é acima de tudo uma obra com licença poética, feita para emocionar um público que idolatrava Lou, e que estava muito abalado por sua morte tão recente. E, para isso, Lou é mostrado como gente comum, tímido quando próximo do ídolo Babe Ruth ou bobo quando apaixonado por Eleanor (Teresa Wright).

Lou Gehrig passed away at age 37. Gary Cooper was older than 40 when the film was shot. “The Pride of the Yankees” is above all a work full of poetic license, made to move an audience that idolized Lou, and was still grieving because of his very recent death. And, to achieve this level of connection, Lou is shown as an average man, shy when he gets close to his idol Babe Ruth or acting foolishly when he falls in love with Eleanor (Teresa Wright).


A maior parte do filme trata dos sucessos de Lou Gehrig, muitas vezes de maneira idealizada. Seu casamento com Eleanor é perfeito demais, e a mãe de Lou assume por alguns minutos o papel de mãe castradora que não quer ver o filho querido com outra mulher. É tudo muito perfeito até que o filme começa a ficar interessante – e trágico.

The most part of the film shows Lou Gehrig’s accomplishments, many times in an idealized way. His marriage do Eleanor is too perfect, and Lou’s mother, for a few minutes, becomes the castrating mother that can’t see her dear son with another woman. Everything is too perfect until the film starts to become interesting – and tragic. 


Lou começa a sentir algo errado com seus músculos. A cena em que ele cai de um banco tentando amarrar os sapatos, no meio do vestiário do New York Yankees, é tão comovente quanto a queda de Eddie Redmayne como Stephen Hawking no meio do campus da universidade em “A Teoria de Tudo” (2014). É, afinal, a mesma doença que acomete ambos: a Esclerose Lateral Amiotrófica.

Lou realizes there is something wrong with his muscles. The scene in which he falls from a chair while trying to tie his shoes, in the middle of the New York Yankees’ locker room, is as moving as Eddie Redmayne’s fall as Stephen Hawking in the middle of the university campus in “The Theory of Everything” (2014). It is, after all, the same disease that both have: Amyotrophic Lateral Sclerosis.


A passagem do tempo é mostrada através de uma montagem de recortes de jornal colecionados por Eleanor. Do momento em que Lou começa a sofrer com a doença até o final, o filme se torna espetacular. Gary Cooper sequer queria interpretar Lou no começo, pois não sabia nada de beisebol (leia AQUI sobre o truque usado para que Gary jogasse de maneira convincente), mas foi capaz de dar toda a dramaticidade necessária ao discurso final de Lou. Não é preciso ser fã de beisebol para apreciar estes minutos finais – basta ser humano para ficar com um nó na garganta.

The passage of time is shown through an assemblage of newspaper snippets collected by Eleanor. From the moment Lou starts suffering with his disease until the end, the film becomes outstanding. Gary Cooper didn’t even want to play Lou at the beginning, because he knew nothing about baseball (read HERE about the trick used to show Gary as a convincing ball player), but he was able to add all the drama Lou’s final speech required. You don’t have to be a baseball fan to enjoy those final minutes – you just need to be human to be left with a lump in your throat.


This is my contribution to the Athletes in film blogathon, hosted by dream team Aurora and Rich at Once Upon a Screen and Wide Screen World.

Monday, March 31, 2014

Tudo que sei sobre beisebol, eu aprendi no cinema

Nelly Kelly loved baseball games,
Knew the players, knew all their names.
You could see her there ev'ry day,
Shout "Hurray"
When they'd play.
Her boyfriend by the name of Joe
Said, "To 
Coney Isle, dear, let's go",
Then Nelly started to fret and pout,
And to him, I heard her shout:
Take me out to the ball game,
Take me out with the crowd;
buy me some 
peanuts and Cracker Jack,
I don't care if I never get back.
Let me root, root, root for the home team,
If they don't win, it's a shame.
For it's one, two, three strikes, you're out,
At the old ball game.
Antes de tudo: eu não entendo nada de esportes. Seguindo o bom e velho estereótipo nerd, eu detesto esportes. Por isso, não é de se espantar que eu saiba muito pouco sobre beisebol. E, estando no Brasil, isso talvez não fizesse muita falta para mim, afinal, eu sei um pouco sobre futebol, o esporte favorito da nação. Mas o beisebol é parte importante da cultura americana, e aparece em muitos filmes. Para entendê-los, é necessário saber um mínimo sobre o beisebol. E foi graças a esses filmes que eu aprendi um pouquinho sobre o esporte. Não a ponto de me tornar a Nelly Kelly da música acima, mas...

Gene Kelly e Frank Sinatra interpretaram jogadores de beisebol que eram também artistas de vaudeville em “A Bela Ditadora / Take me out to the ball game” (1949). E foi esse filme que me ensinou que, além de O’Brien, Ryan e Goldberg, citados na música, há outros seis jogadores num time, totalizando nove. E essa música em particular me ensinou também que um jogo de beisebol é dividido em innings. Mas “O’Brien to Ryan to Goldberg” não é a música mais importante do filme. A mais importante é a que dá título ao filme, composta em 1908. A história de Gene e Frank como jogadores de beisebol se passa entre 1909 e 1911, mas a letra que eles cantam para “Take me out to the ball game” é de 1927. Incongruências à parte, essa música é o hino do beisebol.


Também de 1908 é o poema “Casey at the bat” (a letra original de “Take me out...” apresentava Katie Casey, e não Nelly Kelly), adaptado para as telas do cinema mudo e animado pelos estúdios Disney em 1946. A rima divertida não acabou por aí, pois em 1954 Disney atacou de novo com “Casey bats again”, mostrando desta vez o time de beisebol formado pelas filhas de Casey. 

Além de Gene Kelly, havia outros fãs de beisebol em Hollywood. Um dos mais notáveis é Joe E. Brown (segundo meus avós, o apelido dele aqui no Brasil era “boca larga”), mais conhecido pelo papel de Osgood Fielding III em “Quando mais quente melhor / Some like it hot” (1959). Antes de se apaixonar por Jack Lemmon em roupas de mulher, Joe protagonizou filmes sobre beisebol: “De bom tamanho / Elmer the Great” em 1933 e “Alibi Ike” em 1935. Ambos foram adaptados para o rádio poucos anos depois, e Joe reprisou seu papel.


Joe E. Brown fez outro filme sobre beisebol, “Fumo e Fumaça / Fireman, save my children” (1932), mas seu fanatismo pelo esporte ia além das telas: na vida real, ele serviu muitas vezes como radialista em dias de transmissão de jogos. O filho de Joe também era fanático pelo esporte e foi empresário do time Pittsburgh Pirates por mais de 20 anos.

Por falar em comediantes e beisebol, há também a famosíssima sequência “Who’s on First?”, retirada do filme de Abbott e Costello “The Naughty Nineties”, de 1945. Embora eles já tenham feito essa cena anteriormente, aqui ela aparece por completo:

Vamos voltar um pouco no tempo, para o cinema mudo. A comédia era o gênero que mais usava o beisebol, embora o esporte tivesse seu lugar até mesmo nas cinebiografias do período, como “The Babe Ruth Story” (1920), em que o próprio jogador encena sua vida de maneira bem fantasiosa. Já na comédia, Buster Keaton, interpretando um nerd, tenta com muita atrapalhação aprender a jogar beisebol em “Amores de Estudante /College” (1927). E podemos ir um pouco mais longe, com “The Busher” (1919), divertido filme sobre beisebol que traz John Gilbert como antagonista (!).

Se estes filmes todos foram informação demais para você, leitor, não se preocupe. Um único filme é suficiente para transformar qualquer um em perito no esporte. Em menos de oito minutos você pode aprender tudo sobre beisebol... com a Disney:
 This is my contribution to the Big League Blogathon, hosted byTodd at Forgotten Films. Nelly Kelly loved baseball games…

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