} Crítica Retrô

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Friday, May 27, 2011

Cupido Não Tem Bandeira (1961) / One, Two, Three (1961)

Uma divertida análise do capitalismo e crítica ao comunismo em plena Guerra Fria.

A fun analysis of capitalism and a critique to communism during the Cold War.

James Cagney estrela esse filme como o chefe da filial da Coca-Cola em Berlim, que tenta levar o refrigerante-símbolo do imperialismo norte-americano para o lado vermelho da cortina de ferro. De olho na promoção para chefe das operações europeias, ele aceita hospedar a espevitada filha do chefe em sua própria casa. Mas as coisas se complicam quando ela se apaixona por um jovem da Berlim Oriental.

James Cagney is the star of this film, playing the manager of a Coca-Cola franchise in Berlin. He tries to bring the soda that symbolizes North-American imperialism to the red side of the Iron Curtain. Wanting the position of chief of European opperations, he accepts to receive his boss' naughty daughter as a guest in his own house. But things get difficult wuen she falls in love with a young man from East Berlin.

Cupido Não Tem Bandeira” foi um filme divertido para o público, mas não para Cagney: após o filme, ele se aposentou, fazendo apenas mais uma pequena aparição em “Na Época do Ragtime” (1981). Dizem que durante a produção o veterano ficava furioso com Horst Buchholz, que tentava roubar a atenção para si nas cenas que faziam juntos. Se eu estivesse em uma produção com James Cagney, meu ator favorito, jamais tentaria roubar a atenção. Talvez eu me levantasse toda vez que ele passasse, como fazem aqui seus funcionários!

One, Two, Three” was a fun movie for the audience, but not for Cagney: after the film, he retired and only made another appearance in “Ragtime” (1981). It's said that, during the production of this film, the veteran actor got mad at Horst Buchholz, who tried to steal the attention for himself in all the scenes he had with Cagney. If I was in a production with James Cagney, my favorite actor, I'd never try to steal the attention. Maybe I'd stand every time he entered the room, just like his employees do!

Muito interessante nesse filme é a referência a outros filmes, algo raro até então. Cagney solta uma frase proferida por Edward G. Robinson. A esposa dele, Phyllis (Arlene Francis), diz: “O que aconteceu com Scarlet? E o Vento Levou...”. Schlemmer se veste de mulher para confundir os comunistas, assim como Jack Lemmon em “Quanto mais quente melhor” (1959), dirigido também por Billy Wilder. Atravessando a fronteira, um policial faz uma imitação de ... James Cagney! E Cagney quase usa um “grapefruit” como arma novamente! (Quem pode esquecer a pobre Mae Clarke tendo a fruta espremida no rosto em “Inimigo Público”, de1931?).

Something very interesting in this film are the references to other films, which wasn't so common back in the 60s. Cagney quotes a line once used by Edward G. Robinson. His wife Phyllis (Arlene Francis) says: “What happened to Scarlet: She is gone with the wind...” Schlemmer dresses as a woman to deceive the communists, and Jack Lemmon does the same in “Some Like It Hot” (1959), also directed by Billy Wilder. Crossing the border a police officer imitates... James Cagney! And Cagney almost uses a grapefruit as a weapon once again! (Who can forget poor Mae Clarke receiving a mashed grapefruit in her face in “The Public Enemy”, from 1931?).


A zombaria com o comunismo é ponto de partida de diversas piadas. O carro usado em Berlim Oriental está obsoleto quase 30 anos. Há paradas com multidões uniformizadas carregando imagens do líder Kruschev, como em “Ninotchcka” (1939), com a diferença que o líder no filme com Garbo (cujo co-roteirista era, por sinal, Wilder) era Stalin. Um dos camaradas, batendo contra a parede, derruba a foto do líder atual, mostrando a do líder anterior, episódio, aliás, verídico. O jovem pretendente da garota americana é preso por carregar um balão dizendo: “caiam fora, comunistas!” e um relógio cuco que toca “Yankee Doodle Dandy”. A sessão de tortura consiste na fita da versão americana de “Biquíni de Bolinha Amarelinha” tocando incessantemente. E, é claro, numa citação de Karl Marx, é citado também Groucho Marx.

Many jokes are there only to mock communism. The car used in East Berlin is almost 30 years outdated. There are parades with crowds in uniforms carrying images of the leader Kruschev, just like in “Ninotchcka” (1939), with the difference that the leader in the film with Greta Garbo (a film co-written by none other than Wilder) was Stalin. One of the comrades, knocking on a wall, makes the picture of the current leader fall, revealing the image of the former leader – an episode that really happened. The young man who loves the American girl is arrested because he's carrying a balloon with the words “go away, communists!” and a cuckoo clock that plays “Yankee Doodle Dandy”. The torture session consists of a tape of the American version of “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot Bikini” playing non-stop. And, of course, when Karl Marx is mentioned, another mention is made to Groucho Marx.

Mais do que isso: zomba-se do nazismo. Os trabalhadores da empresa, educados e doutrinados durante o Terceiro Reich, repetem os obséquios mecanicamente e se levantam com disciplina militar toda vez que o personagem de James Cagney atravessa o escritório.

More than that: Wilder mocks Nazism. The workers of the factory, raised and indoctrinated during the Third Reich, repete their actions mecanically and stand up following discipline every time James Cagney’s character enters the office.

Cupido não tem Bandeira”, entretanto, não é um filme para ser apreciado por qualquer um. O único nome de peso, além do diretor Billy Wilder, é James Cagney. Além disso, é um filme datado e conteudista. Na época, com a construção do Muro de Berlim acontecendo e, principalmente, hoje, o filme perdeu o aspecto de farsa presente, por exemplo, em “Quanto Mais Quente Melhor”. Mas, se visto com os olhos de 1960, de Guerra Fria sem Muro, continua a divertir.

One, Two, Three”, however, is not a film that can be enjoyed by anyone. The only big name, besides director Billy Wilder, is James Cagney. Besides that, it's a dated film that demands some history knowledge to be understood. At the time, with the building of the Berlin Wall and, in special, today, the film lost the farce facet that, for instance, “Some Like It Hot” has. But, if it is seen with 1960 eyes, thinking about the Cold War without a Wall, it can still be fun.

Monday, May 23, 2011

Pequenas e Notáveis


Tamanho não é documento? Em Hollywood, nunca foi. Desde cedo, as baixinhas como eu fizeram sucesso. Aliás, era comum nos primeiros filmes que as protagonistas fossem pequenas. Mary Pickford (1,54 m), por exemplo, com sua baixa estatura e seus longos cabelos cacheados, fez papeis infantis até perto dos 30 anos. As primeiras protagonistas altas foram Greta Garbo e Katharine Hepburn (ambas com mais de 1,70). Por isso, esqueçamos os apelidinhos delicados e vejamos uma lista de grandes pequenas atrizes:

OBS.: Consideradas as atrizes com até 1,60 metro. Dados de imdb e Wikipedia.

Nas imagens: Mary Pickford (ao lado), Giulietta Masina (com o marido, Federico Fellini) e Carmen Miranda (reparem nas plataformas para parecer mais alta!).

Janet Gaynor (1,52 m)

Edna Purviance (1,57m)

Judy Garland (1,51 m)

Giulietta Masina (1,57 m)

Rosemary DeCamp (1,59m)

Norma Shearer (1,55m)

Ann Sothern (1,56m)

Helen Hayes (1,52 m)

Carmen Miranda (1,52 m)

Jane Wyman (1,59 m)

Leslie Caron (1,56 m)

Jean Harlow (1,55 m)

June Allison (1,55 m)

Betty Bronson (1,53 m)

Merle Oberon (1,57 m)

Julie Christie (1,57 m)

Natalie Wood (1,54 m)

Linda Blair (1,57 m)

Debra Paget (1,57 m)

Simone Simon (1,57 m)

Shirley Booth (1,58 m)

Ann Blyth (1,57 m) 

Saturday, May 14, 2011

A idade não diz nada

Em Hollywood, a data de nascimento em sua carteira de identidade não quer dizer muita coisa. O importante é quantos anos você aparenta ter. Exemplos não faltam de duplas e famílias na tela em que os atores tinham diferenças bizarras de idade. Quer ver?
Em “Rosa da Esperança” (Mrs Miniver, 1942) Greer Garson era apenas onze anos mais velha que seu filho nas telas (Richard Ney). Tanto é que, logo depois que o filme acabou de ser rodado, os dois se casaram.
Em “Intriga Internacional” (North by Northwest, 1959), Cary Grant era apenas sete anos mais novo que sua mãe fictícia, Jessie Royce Landis.
Em “Young Philadelphians”, Paul Newman era quatro anos mais velho que sua mãe.
Em “A Canção da Vitória” (Yankee Doodle Dandy, 1942), a situação era mais extrema: James Cagney era onze anos mais velho que Rosemary DeCamp, a atriz que fazia sua mãe!
Em Hamlet (idem, 1948), Laurence Olivier tinha 41 anos. A atriz que interpretava sua mãe, Eileen Herlie, tinha 28. A ideia de escalar uma atriz tão jovem era de criar um complexo de Édipo em Hamlet e despertar a paixão em Claudius.
Em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat on a Hot Tin Roof, 1958), Burl Ives, que interpretava Big Daddy, era um ano mais velho que Jack Carson, que fazia o primogênito, e 16 anos mais velho que Paul Newman, o caçula.
Em “A Rainha”(The Queen, 2006), Helen Mirren é 11 anos mais nova que Sylvia Syms, sua mãe no filme, e 12 anos mais velha que Alex Jennings, seu filho.

Tuesday, May 10, 2011

A Rainha / The Queen (2006)

Passados alguns dias da febre Real que tomou conta das notícias, vamos a um dos mais famosos filmes recentes sobre a realeza britânica, que rendeu a Helen Mirren o Oscar de Melhor Atriz. Aqui, Elizabeth II é retratada como a maioria de nós a imaginamos: uma mulher sóbria e séria, sempre seguindo o protocolo real.
God save the Queen: Elizabeth Alexandra Mary (1926) é a atual rainha da Inglaterra. Subiu ao trono há 59 anos, em 1952, após o falecimento de seu pai, o rei George VI (o rei gago do filme O Discurso do Rei). Chegou a servir, antes da coroação, no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial. É a monarca inglesa que mais tempo viveu até hoje e a segunda com o mais longo reinado. Foi também a primeira rainha a enviar um e-mail, em 1976 e, dizem, é fã de produtos de alta tecnologia.
Licença Cinematográfica: Tudo o que é mostrado em “A Rainha” veio de informações e conversas com pessoas próximas à família real na época da morte de Diana. No entanto, a emblemática e simbólica sequência da caça ao veado é fictícia. Segundo o diretor brasileiro Fernando Meirelles, ela não tem simbologia definida: cada telespectador tira sua própria conclusão sobre ela.
Muitos erros já esperados aconteceram, por exemplo, o uso de equipamentos e modelos de carro inexistentes na época. No entanto, há algo curioso sobre os telefones: a maioria deles é muito obsoleta pra a época!
É bom saber: Para dar um ar de contraste, as cenas da família real foram gravadas com câmeras 35mm (próprias e comuns do cinema, mais grandiosas) e as da família de Tony Blair com câmeras 16mm (próprias e comuns da televisão, mais próximas do telespectador).   
Helen Mirren se transformava de tal maneira na Rainha que os componentes da equipe técnica costumavam ficar calados e em posição rígida e respeitosa quando ela estava presente no set.
Embora já tenha se encontrado com Helen Mirren duas vezes, a Rainha Elizabeth nunca assistiu ao filme.

Friday, May 6, 2011

As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood (1938)

Muitos costumam dizer que a versão original é sempre a melhor. Talvez valha para este caso: o primeiro Robin Hood do cinema sonoro é um filme a cores, quando essa tecnologia ainda surgia, e traz o grande par romântico Olivia de Havilland e Errol Flynn, um dos maiores expoentes nos filmes de capa e espada. 
Com vocês, o biografado: Por trás do mito Robin Hood existe Sir Robin de Locksley, um nobre inglês cujos bens foram destruídos. Reza a lenda que, para reaver sua posição, Robin se juntou a um bando na floresta de Sherwood. Era um fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Pouco se sabe sobre a veracidade dos fatos aqui narrados, mas, se realmente existiu, Robin Hood teria vivido no século XII e, desde então, tornado-se inspiração para contos, romances, quadrinhos e, é claro, filmes.    
Variações sobre um mesmo tema: Por seu caráter heroico, Robin Hood despertou cedo o interesse dos cineastas. A primeira versão é de 1908, seguida por outras duas versões mudas, de 1912 e 1922, esta última com o galã Douglas Fairbanks. Depois da versão de 1938 sobre a qual tratamos, vieram duas em 1952 e uma em desenho animado em 1973, na qual Robin, sugestivamente, era personificado por uma raposa. Tivemos duas versões brasileiras com Renato Aragão, em 1974 e 1990; uma em 1976 que mostrava Robin já na meia-idade; três remakes na década de 1990 e, finalmente, um em 2010, estrelando Russel Crowe.
Além disso, a premissa de “roubar dos ricos para dar aos pobres” foi usada em outras produções, como “Robin Hood de Chicago”, de 1964, uma comédia musical com Frank Sinatra, Bing Crosby, Bob Hope e Sammy Davis Jr.
É bom saber: Esta primeira versão para cinema sonoro foi planejada para ser estrelada por James Cagney, mas antes de o projeto se realizar ele saiu da Warner Brothers.
Errol Flynn teve uma boa atuação, mas considerava o papel de Robin Hood chatíssimo.
O filme custou cerca de 2 milhões do dólares (na época). Foi o filme com o maior número de dublês usados até então e, para ser filmado em cores, utilizou todas as câmeras Technicolor existentes em 1938.

Sunday, May 1, 2011

Rainha Cristina / Queen Christina (1933)

Depois que o som chegou ao cinema e sua voz forte foi ouvida, Greta Garbo ganhou apenas papéis de mulheres nobres e sofisticadas. Por isso a escolha de Garbo para viver a determinada rainha sueca foi imediata. E muito certa!
Com vocês, a biografada: Cristina I da Suécia (1626-1689) foi rainha durante 10 anos. Logo após assumir, conseguiu firmar tratados de paz com Dinamarca e Noruega. No entanto, tomou decisões que desagradaram outros membros da corte. Jamais se casou e passou a coroa para seu primo. Após o fim de seu reinado, a Suécia excluiu por mais de 300 anos as mulheres na linha de sucessão ao trono. A própria Cristina acreditava que mulheres não deveriam governar países.  
Licença Cinematográfica: Rainha Cristina abdicou do trono para se converter ao catolicismo (era protestante). Mas, convenhamos: é muito mais bonito para o cinema abdicar para viver um grande amor, não?
Ao contrário do que mostra o filme, a rainha não subiu ao trono ainda criança. Era herdeira legal já aos 9 anos, mas foi aos 16 que foi convidada a participar do governo pela primeira vez, o que ela recusou, esperando até os 18 anos para ser coroada.
É bom saber: Pela última vez Greta Garbo e John Gilbert formaram um par romântico. Mas Gilbert foi a segunda opção: por sugestão de Garbo o estúdio trouxe Laurence Olivier para o papel. No entanto, não rolou química entre os dois. O estúdio pagou Olivier e o mandou, tristonho, de volta à Inglaterra.
A cena de sedução entre Garbo e Gilbert foi cronometrada para que o resultado fosse o melhor possível. E foi: nunca a exótica mistura de masculinidade e magnetismo feminino de Greta Garbo foi tão adequada à personagem e produziu um resultado tão fantástico.

Wednesday, April 27, 2011

O Aviador / The Aviator (2004)

Um milionário já tem coisas demais para se preocupar, certo? Não para Howard Hughes, milionário aos 18 anos que, durante a conturbada vida, ainda se envolveu com divas do cinema, foi produtor de filmes de sucesso como “Hell’s Angels” e construiu um avião.
Com vocês, o biografado: Howard Robard Hughes Jr (1905 – 1976) foi um milionário hipocondríaco, fortemente influenciado pela superproteção da mãe. Quebrou vários recordes na aviação, referentes à velocidade e à duração de voos transcontinentais. Produziu o caríssimo “Hell´s Angels”, com Jean Harlow, “Sacarface”, com Paul Muni, e “O Proscrito” (The Outlaw), com Jane Russel. Foi dono de uma grande companhia aérea, a TWA, e relacionou-se com Katharine Hepburn, Ava Gardner, Ginger Rogers, Olivia de Havilland e Bette Davis.
É bom saber: Cate Blanchett ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante ao interpretar Katharine Hepburn. Foi a primeira vez que o ganhador interpretou um ganhador real. Embora boa parte das falas de Cate seja bastante didática, explicando hábitos da estrela, há algumas confusões acerca dos apelidos que ela e Hughes utilizavam, da época em que o irmão dela cometeu suicídio e de quando ela conheceu Spencer Tracy.
Para ter um ar original, cada sequência do filme foi filmada usando a tecnologia de cores usada no período retratado.
Excentricidades e neuroses: Hughes era tido como racista e antissemita.
 Já doente e idoso, ele só aceitava que enfermeiros mórmons cuidassem dele, pois os praticantes dessa religião são proibidos de beber.
Hughes chegou a comprar um canal de televisão (o Canal 8) para que ele visse filmes até tarde da noite e, se cochilasse, pudesse ligar para a emissora e mandar repetir a parte que havia perdido.
Ele chegou a projetar um sutiã para que Jane Russel, ao usá-lo no filme “O Proscrito”, parecesse mais sensual.

Sunday, April 17, 2011

A Morada da Sexta Felicidade (1958) / The Inn of the Sixth Happiness (1958)

A difícil tarefa de transportar um grupo de 100 crianças durante a Guerra Sino-Japonesa de uma cidade destruída para um local seguro, atravessando as montanhas, só poderia ter sido realizada por uma alma boa como Gladys Aylward. Se sabemos por essa sinopse que a missionária inglesa foi bela por dentro, a presença de Ingrid Bergman como seu alter-ego cinematográfico não nos deixa dúvida da beleza exterior da benfeitora inglesa - e do talento da estrela sueca.

 

The hard task of transporting a group of 100 children during the Chinese-Japonese War, from a destroyed town to a safe place, crossing the mountains, could only have been made by a good soul like Gladys Aylward. If we know by this synopsis that the English missionary was beautiful on the inside, Ingrid Bergman’s presence as her filmic alter-ego leaves no doubts about the exterior beauty of the English benefactor – and the talent of the Swedish actress.


Com vocês, a biografada: Gladys Aylward (1902 – 1970) foi uma empregada doméstica que se tornou missionária na China. Trabalhando principalmente com crianças, seu mais famoso feito foi a travessia das 100 crianças pelas montanhas em 1940, época em que ela estava doente. Em 1958 ela fundou um orfanato em Taiwan. Sobre o filme, Gladys sentiu-se envergonhada com o relato de seu romance com um soldado chinês, que, apesar de verídico, foi muito rápido.

The biopic is about: Gladys Aylward (1902-1970) was a domestic worker who became a missionary in China. Working maily with children, her most famous deed was the crossing of 100 children through the mountains in 1940, while she was sick. In 1958 she founded na orphanage in Taiwan. About the movie, Gladys felt ashamed because of the portrayal of her romance with a Chinese soldier that, although real, was too brief.

Licença Cinematográfica: Gladys não foi apelidada de “Jan-Ai”, como mostrado no filme. Ela recebeu a alcunha de “Ai-weh-deh”, que significa “a virtuosa” e se tornou uma heroína para os chineses.

Filmic license: Gladys didn’t receive the nickname “Jan-Ai”, as show non the movie. She received the nickname “Ai-weh-deh”, that means “the virtuous one” and became a heroine for the Chinese people.

É bom saber: A música cantada pelas crianças durante a travessia ficou muito famosa nos Estados Unidos quando o filme foi lançado, sendo depois incorporado ao folclore local. Ela pode ser encontrada com os nomes “The Children’s Marching Song”e “This Old Man” e, por acaso, me foi apresentada durante um curso de inglês, sendo comumente usada para aprendizagem do idioma.

Esse foi o último filme de Robert Donat. Curiosamente, ele diz para Ingrid Bergman que “Essa pode ser a última vez que nós nos veremos” ao se despedir dela.


It’s good to know: The song sung by the children during the crossing became very famous in the USA when the film was released, and then it was incorporated to the national floklore. It can be found under the names “The Children’s Marching Song” and “This Old Man” and, by chance, it was introduced to me during an English class, as it’s commonly used as teaching material.

This was Robert Donat’s last film. Curiously, he tells Ingrid Bergman “This may be the last time we see each other” when he says goodbye.



A pergunta que não quer calar: As outras cinco felicidades são riqueza, longevidade, boa saúde, virtude, uma velhice pacífica e uma morte sem sofrimento. Sinistro, mas sábio.

The burning question: The other five happinesses are richness, longevity, good health, virtue, a peaceful old age and a death without suffering. Sinister, but wise.

Tuesday, April 12, 2011

Gandhi (1982)

O exemplo máximo de pacifista do nosso tempo, uma das maiores personalidades do século XX, um benfeitor indiano sem o qual seu país não sairia do jugo neocolonial da Inglaterra. Assim como os feitos do biografado, Gandhi é um filme grande, tanto em questões técnicas (cenários, figurantes, duração) quanto em apelo popular.
Com vocês, o biografado: Mohandas Kharamchand Gandhi (1869 - 1948) foi um advogado e ativista político indiano. Lutou contra a discriminação, a segregação e o domínio inglês no território da Índia. Suas táticas de luta eram alternativas e diferentes: pregava a não-violência e a desobediência civil frente às leis e soldados ingleses. Ironicamente, essas táticas muitas vezes levavam multidões à morte. Foi apelidado de “Mahatma” (a grande alma) e tido como símbolo da lua dos mais humildes.
Licença Cinematográfica: Alguns detalhes passaram em branco, como modelos de carros de época e determinados hábitos e comportamentos.
 Quando Gandhi é mandado para a classe econômica do trem, logo no início do filme, note que a primeira classe, de onde ele sai, é um dos primeiros vagões. Isso seria impossível, pois a proximidade das caldeiras tornaria a classe VIP infernal, literalmente. 
Coisa de Cinema: O ator Bem Kingsley, que interpreta Gandhi, nasceu na mesma província que Mahatma. Ele emagreceu, fez ioga e tentou viver segundo os preceitos do grande líder para vivê-lo nas telas. Deu resultado: além de ganhar o Oscar de Melhor Ator, a semelhança foi tão grande que muitos indianos acreditaram que Ben era o fantasma de Gandhi.
Coincidentemente, o hotel em que Gandhi se hospedou na Inglaterra se chamava “Kingsley Hall”!

Friday, April 8, 2011

Blogueiros Cinéfilos Unidos

Olá novamente! Todos os apreciadores de cinema clássico agora têm um point onde podem encontrar os melhores blogs sobre o assunto, com as mais diversas e completas informações.


Fiquem à vontade e participem! é uma grande oportunidade de compartilhar informações...
Beijos de uma orgulhosa participante do grupo,
Lê ^_^ 

Thursday, April 7, 2011

Prêmio Blogueiro Amigo

Olá!!!! É com orgulho que anuncio que o blog Crítica Retrô foi condecorado com mais um selinho, desta vez o de Blogueiro Amigo (no meu caso, blogueira J). A honra foi dada pela Marcia Moreira, do blog Clássicos, não Antigos. Muito obrigada de coração, Marcia!

Como tarefa, vou agora premiar mais cinco blogs. E os vencedores são...
Filmes Atuais e Clássicos (http://filmesatuais-psique66.blogspot.com/)
Foi difícil escolher, mas vocês merecem meninas! Abraços e obrigada pelo carinho e pelas visitas ao blog,
Lê ^_^

Wednesday, April 6, 2011

Madame Curie (1943)



2011 foi escolhido como o Ano da Química pela comunidade científica em celebração ao centenário do Nobel de Química de Marie Curie. A cientista ganhou outro de Física em 1903, sendo até hoje a única mulher a ostentar o prêmio em duas categorias (Linus Pauling ganhou também dois prêmios, de Física e da Paz). Uma das mulheres pioneiras na pesquisa científica, Marie saiu da sombra de seu marido (que conheceu trabalhando como sua assistente) e foi brilhar sozinha na comunidade científica.

Com vocês, a biografada: Maria Sklodowska Curie (1867 – 1934) foi uma cientista polonesa radicada na França. Com seu marido Pierre Curie e com o cientista Antoine Henri Becquerel descobriu elementos radioativos como o rádio (que deu origem aos nomes radioativo e radioatividade) e o polônio. Foi professora da Sorbonne após a morte do marido e teve um caso com grande repercussão com o físico casado Paul Langevin. Visitou o Brasil para estudar as águas radioativas da cidade de Lindoia, no interior do estado de São Paulo. Faleceu aos 66 anos, devido a uma leucemia causada pela exposição à radiação durante anos de pesquisa ( os livros que ela usava em sue laboratório há cem anos estão em caixas de chumbo, pois emitem radiação). Um ano depois, sua filha recebeu também um prêmio Nobel de Química.    
  
Licença Cinematográfica: Ao contrário do que é mostrado, Marie não foi sozinha para Paris. Boa parte de sua família também foi viver lá, como sua irmã Bronislawa, uma obstetra.
Aparentemente, Pierre não gostou de ter uma mulher trabalhando em seu laboratório. Uma clássica história de ódio que vira amor.
Em nada Greer Garson e Walter Pidgeon se pareciam com Marie e Pierre Curie.


A própria Marie Curie gostava de romantizar sua vida, muitas vezes se descrevendo como uma heroína, capaz de fazer as maiores descobertas em laboratórios mal-equipados. O filme foi feito com base num livro sobre a cientista escrito por uma de suas filhas, ou seja, uma versão também parcial.

A Crítica Retrô: “Madame Curie” é uma excelente aula de História da Química, mostrando todos os percalços e alegrias das pesquisas científicas que levaram à descoberta da radioatividade e deram o Nobel aos nobres cientistas. Pensado para ser protagonizado por Greta Garbo e, depois da recusa da estrela, feito com a “recém-oscarizada” Greer Garson e seu par em “Mrs Miniver”, Walter Pidgeon, o filme ainda é belo e comovente (sim, Pierre Curie morreu atropelado por uma carroça), sendo um hino ao poder da mulher na Ciência.

Sunday, April 3, 2011

Chaplin (1992)

Uma obra admirável e uma vida mais ainda. Um dos maiores comediantes do cinema, Chaplin não teve uma trajetória alegre, mas conseguiu fazer humor com simplicidade e tornar outras existências mais felizes. E com maestria Richard Attenborough nos presenteou com mais uma inspiradora cinebiografia.
Com vocês, o biografado: Charles Spencer Chaplin (1889 – 1977) dispensa apresentações.


Licença Cinematográfica: No filme fica a impressão de que o filho de Chaplin com Mildred Harris nunca veio a nascer. No entanto, ele nasceu e sobreviveu por apenas três dias.
Embora a caracterização de Robert Downey Jr esteja impecável, um detalhe passou em branco: Chaplin tinha olhos azuis.
No filme, a estréia do personagem Carlitos, o vagabundo, é em uma confusão durante um casamento. Na realidade, o filme de estréia do famoso personagem é “Kids Auto Races at Venice”, um curta de 1914.
O filme sendo rodado quando Chaplin chega aos EUA é “The Adventurer” (1917), logo há um erro cronológico.
O repórter para quem Chaplin conta sua vida ao longo do filme, interpretado por Anthony Hopkins, é fictício.
Aparentemente, Charles, mesmo sendo amigo de Douglas Fairbanks, não gostava de Mary Pickford. Ele a define como “a small-sized bitch” (uma vadia baixinha).
A Crítica Retrô: Mais um bom filme de Attenborough, “Chaplin”, baseado em dois livros ( um deles uma autobiografia) mostra os mais importantes momentos da vida do ator/ diretor/ roteirista/ compositor. A infância pobre, a mãe alcoólatra (interpretada por Geraldine Chaplin), a ida para os Estados Unidos, a era muda, os escândalos amorosos. Com muitas reconstruções e poucas cenas originais, a produção é grandiosa e inspiradora.   

Monday, March 28, 2011

A Rainha do Mar (1952) / Million Dollar Mermaid (1952)

Quem seria mais adequada para viver uma nadadora pioneira do que Esther Williams? Nessa cinebiografia, na pele da campeã australiana Annette Kellerman (uau, quantas letras dobradas! Só perde para Tennessee Williams!), Esther conta a vida de uma pioneira nos trajes de banho de uma única peça e nos filmes, sem deixar de realizar acrobacias e nos entreter.

Who could be a better fit than Esther Williams to portray a pioneer swimmer? In this biopic, as the Australian champion Annette Kellerman (wow, so many double letters! Almost as many as Tennessee Williams!), Esther tells the life of a woman who pioneered in the bathing suits industry and at the movies, and also did acrobatics and entertained her public.


Com vocês, a biografada: Annette Marie Sarah Kellerman (1886 – 1975) foi uma nadadora australiana, campeã juvenil, artista do Hipodrome de Nova York em seu tempo de glória e estrela de cinema, tendo protagonizado o primeiro nu feminino total da história da sétima arte. Tentou atravessar o Canal da Mancha por três vezes, sem sucesso. Foi presa por atentado ao pudor ao usar uma única peça de banho na praia.

The subject of the biopic: Annette Marie Sarah Kellerman (1886-1975) was an Australian swimmer, juvenile champion, Hippodrome artist in New York at its most glorious days, and movie star. She was the subject of the first total frontal nude in the history of movies. She tried to cross the English Channel three times, but didn’t succeed. She was arrested for public indecency when she wore an one-piece bathing suit at the beach.



Felizes Coincidências: Esther Williams ganhou como apelido o título desse filme (nos EUA: a sereia de um milhão de dólares).
Tanto Williams quanto Kellerman fabricavam suas próprias roupas de banho, pois as de suas respectivas épocas não eram adequadas para a natação em frente às câmeras.

Happy coincidences: Esther Williams got her nickname from the film’s title.

Both Williams and Kellerman designed their own bathing suits, because the bathing suits in their respective times weren’t good enough to swim in front of the cameras.

ALERTA DE SPOILER: Quando há o acidente (fictício) com o tanque, Annette estaria gravando “A Filha de Netuno” (1914). Em 1949, Esther Williams fez um filme com o mesmo título, cuja crítica pode ser lida AQUI.

SPOILER ALERT: When there is a (fictional) accident with the water tank, Annette was supposed to be making “Neptune’s Daughter” (1914). In 1949, Esther Williams made a film with the same title, whose review can be found HERE.

A Crítica Retrô: Nenhum dos “aqua musicais” de Esther Williams figura como obra-prima ou filme essencial. São, sim, bons exemplos de entretenimento e, é claro, de uma bela mulher com força física e talento atlético. “A Rainha do Mar” tem bons momentos de romance, um grandioso balé aquático e um final, para mim, tenso: o que esperar quando o filme está acabando e uma tragédia é iminente?

The Retro Critic: None of Esther Williams’ “aquamusicals” can be considered a masterpiece or an essential film. They are, of course, good entertainment and show a woman with physical strength and athletic skills. “Million Dollar Mermaid” has nice romantic moments, a huge underwater ballet and an ending that is, to me, tense: what can you expect when the film is ending and a tragedy is imminent?

Para Sempre Liz Taylor

Ser fã de cinema clássico implica admirar vários artistas que já não estão mais entre nós. É não ver notícias e entrevistas recentes ou não ter a chance de encontrá-los em uma visita a Hollywood. Talvez isso nos poupe do sofrimento de perder nossos ídolos. No entanto, muitos dos representantes dessa era ainda estão entre nós, e sua perda é inevitável.
Nesses quase dois anos de iniciação à cinefilia clássica, vi perdermos muitos grandes nomes. Mas talvez Jennifer Jones, Jean Simmons, Lena Horne, Dennis Hopper, Blake Edwards, Betty Garrett ou Jane Russel não tenham doído tanto. O triste acontecimento desta semana significou o fim da época em que o cinema era mais inteligente e as estrelas eram mais interessantes.
Curiosamente, vários de seus filmes apresentam mortes iminentes. A pequena órfã tem uma pneumonia fatal em “Jane Eyre” (idem, 1944). A Rebecca de “Ivanhoé” (idem, 1952), acusada de bruxaria, está prestes a ser condenada à fogueira. A apaixonada sulista sofre de uma loucura que põe em risco a vida de toda a sua família em “A Árvore da Vida” (Raintree County, 1957). O patriarca tem uma doença terminal em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat in a Hot Tin Roof, 1958). A única testemunha da morte do primo é atormentada pelas lembranças em “De Repente, no Último Verão” (Suddenly, Last Summer, 1959). Na vida real, ela foi uma batalhadora, uma sobrevivente, uma mulher maior que a vida.
Quando ela nasceu,em 1932, outras grandes lendas já estavam há tempos na ativa, como Mary Pickford, Lillian Gish, Greta Garbo e Katharine Hepburn. Mas Elizabeth Taylor não perdeu tempo: aos dez anos estrelava seu primeiro filme: “A Mocidade é Assim Mesmo” (National Velvet), ao lado de Mickey Rooney. Nos anos seguintes, foi dona de Lassie, jovem comportada do século XIX e uma garotinha encantadora. Aos 17 fez um ensaio nua. A garotinha estava crescendo.
E cresceu, transformando-se numa das mais belas mulheres do cinema. Ganhou dois Oscars, por “Butterfield 8”, em 1961, após três indicações infrutíferas consecutivas, e por “Quem tem medo de Virginia Woolf?”em 1968.Casou-se oito vezes, teve sete maridos, enviuvou aos 27 anos, roubou o marido de Debbie Reynolds, encontrou o amor de sua vida em Richard Burton. E tudo isso fez dela uma lenda.
Não digo que o cinema ficou órfão, mas, sim, viúvo: quem nunca se enamorou com o rosto de Liz Taylor? 
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