} Crítica Retrô: Clarence Brown

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Friday, July 14, 2023

O Último dos Moicanos (1920) / The Last of the Mohicans (1920)

 

“O Último dos Moicanos” é um clássico, sobre isso não há dúvida. A história foi adaptada para as telas muitas vezes, sendo a adaptação mais famosa provavelmente aquela feita em 1992 estrelando Daniel Day-Lewis. Mas hoje focamos numa adaptação bem mais velha, de 1920.

 

“The Last of the Mohicans” is a classic, no doubt about that. The story was adapted to the screen many times, being the most famous adaptation probably the one made in 1992 and starring Daniel Day-Lewis. But today we focus on a much older adaptation, from 1920.


A história acontece em 1757, quando postos das Treze Colônias estavam sendo invadidos pelo exército francês. O coronel Munro (James Gordon) está em um destes postos, o Forte William Henry, e suas duas filhas Cora (Barbara Bedford) e Alice (Lillian Hall) estão no Forte Edward. As duas garotas vão se encontrar com o pai, passando por um atalho pela floresta com a ajuda do guia indígena Magua (Wallace Beery). No meio do caminho, Magua as abandona porque tem outros planos.  Felizmente, elas encontram o último dos moicanos, Uncas (Alan Roscoe).

 

The story takes place in 1757, when outposts in the Thirteen Colonies were being invaded by the French Army. Colonel Munro (James Gordon) is at one of these outposts, Fort William Henry, and his two daughters Cora (Barbara Bedford) and Alice (Lillian Hall) are at Fort Edward. The two girls go meet their father, going through a shortcut in the forest with the help of Indian guide Magua (Wallace Beery). In the middle of the journey, Magua deserts them as he has other plans. Luckily, they meet the last of the Mohicans, Uncas (Alan Roscoe).

As garotas chegam em segurança, mas os franceses estão próximos e os britânicos são incapazes de pará-los. Mulheres e crianças deixam o forte, mas são capturadas ou mortas pela tribo do Hurons. Magua também está lá, e quer Cora, que agora só tem olhos para Uncas.


The girls arrive safely, but the French are nearby and the British can’t stop them.
Women and children leave the fort, but are taken captive and / or killed by the Huron tribe. Magua is there too, and he wants Cora, who now only has eyes for Uncas.

#NemTodoÍndio é malvado, mas os Hurons com certeza são. Eles desobedeceram à promessa do cacique para os britânicos, que disse que mulheres e crianças poderiam atravessar o território deles e não seriam maltratadas. Pelo bel-prazer de estuprar e matar, eles atacam estas mulheres e jogam crianças pelos ares, matando-as. Os moicanos eram os índios bons, como no começo é dito que eles eram amigos dos caras-pálidas.


#NotAllIndians are bad, but the Hurons certainly are. They disobeyed their Chief’s promise to the British, that women and children could pass their territory and would leave unharmed. For the sheer pleasure of raping and killing, they attack those women and throw children up in the air to their deaths. The Mohicans were the good Indians, as in the beginning it’s said that they were friends with white people.

“O Último dos Moicanos” teve dois diretores: Maurice Tourneur e Clarence Brown. Tourneur – que dirigiu um dos meus filmes mudos favoritos, “O Pássaro Azul” (1918) – adoeceu durante as filmagens e Clarence Brown, que trabalhava como editor e diretor assistente, tomou seu lugar para completar o filme. É por isso que o produto final parece mais um amálgama de dois estilos e não um espetáculo digno de Tourneur.


“The Last of the Mohicans” had two directors: Maurice Tourneur and Clarence Brown. Tourneur - who directed one of my favorite silent films, “The Blue Bird” (1918) - became ill during shooting and Clarence Brown, who was working as editor and assistant director, stepped up to complete the film. That’s why the final product seems more like an amalgamation of two styles and not a full Tourneur spectacle.

Wallace Beery precisa de muita maquiagem para interpretar Magua. Diz-se que Boris Karloff interpreta também um índio neste filme, mas foi impossível reconhecê-lo. Estes eram os tempos em que se valia da yellowface para que atores brancos interpretassem personagens não-brancos, como indígenas. Tendo isto em mente, Beery é um bom – leia-se detestável – vilão. Alan Roscoe também usa a yellowface. Roscoe dividiu as telas com Theda Bara em pelo menos sete filmes, e é mais conhecido por este “O Último dos Moicanos”, pois morreu relativamente jovem em 1933.


Wallace Beery plays Magua relying on heavy makeup. 
It’s said that Boris Karloff plays an Indian in this film, but it’s impossible to recognize him. These were the times of yellowface used so white actors could play non-white roles, such as Indians. This point being noticed, Beery makes a good - read here detestable - villain. Alan Roscoe also uses yellowface. Roscoe was Theda Bara’s leading man in at least seven films, and is better known for this “The Last of the Mohicans”, as he died fairly young in 1933.

Barbara Bedford foi casada com Alan Roscoe – duas vezes! Primeiro no período entre 1922 e 1928, quando tiveram uma filha, e novamente entre 1930 e 1933, quando ele faleceu. Barbara esteve em diversos filmes na era muda, e permaneceu trabalhando como figurante quando os filmes sonoros chegaram em Hollywood.

 

Barbara Bedford was married to Alan Roscoe - twice! First in the period between 1922 and 1928, when they had a daughter, and again from 1930 to 1933, when he passed away. Barbara appeared in several films in the silent era, and remained working as an extra when sound came to Hollywood.

Eu me empolguei e também assisti à versão de 1936 de “O Último dos Moicanos”. Este filme B, produzido pelo estúdio Reliance Pictures, tem como estrela Randolph Scott interpretando Hawkeye, que se torna o herói da história. Na versão de 1920, Hawkeye só é citado brevemente. Dado o poder do nome de Randolph Scott na época, podemos entender a mudança de foco, mas a história de Cora permanece como a mais interessante.


I got carried away and also watched the 1936 version of “The Last of the Mohicans”. This B-movie, produced by Reliance Pictures, stars Randolph Scott as Hawkeye, who becomes the lead of the story. In the 1920 version, Hawkeye is only briefly mentioned. Given Scott’s star power at the time, we can understand the shift of focus, but Cora’s plot remains the most interesting.

Os escritos de James Fenimore Cooper já foram adaptados tanto para as telonas quanto para as telinhas 43 vezes, de acordo com o IMDb, com uma futura adaptação de “O Último dos Moicanos”, sua obra mais famosa, em produção como série de TV. Visualmente bela, a versão de 1920 da história com certeza agradará a todos os públicos.


James Fenimore Cooper’s writings were adapted to the big and small screen 43 times already, according to IMDb, with an upcoming adaptation of “The Last of the Mohicans”, his most famous story, in the works as a TV series. Visually stunning, the 1920 version of the story is sure one to please all the audiences.

 

This is my contribution to the 2023 Classic Literature on Film Blogathon, hosted by Paul at Silver Screen Classics.


Saturday, November 15, 2014

E as Chuvas Chegaram / The Rains Came (1939)

O que alguns astros e estrelas estavam fazendo em 1939, considerado o melhor ano do cinema? Bem, Vivien Leigh, Clark Gable, Olivia de Havilland e Leslie Howard filmavam “E o Vento Levou / Gone with the Wind”, Garbo ria em “Ninotchka”, Judy Garland percorria uma estrada de tijolos amarelos e Joan Crawford, Norma Shearer e grande elenco feminino lutava com garras vermelhas em “As Mulheres”. E o que fazia, por exemplo, Myrna Loy? Além de protagonizar mais um filme da série The Thin Man, Myrna ainda teve tempo de ir à Índia (cenográfica, isto é) se envolver com Tyrone Power em “As Chuvas Chegaram”. 
Tyrone Power é o Major Rama Safti, um médico indiano de turbante e bigode. A época das monções se aproxima em Ranchipur e, ao contrário dos aristocratas ingleses, Rama e seu amigo pintor Tom Ransone (George Brent) não pretendem abandonar o local quando a população mais precisa de ajuda. Quem também vai contra a família aristocrata é Fern Simon (Brenda Joyce), uma jovem que pede ajuda a Tom para fugir de casa.
Em uma festa, Tom Ransome encontra uma velha amiga, Edwina Esketh (Myrna Loy), agora casada com um homem velho, gordo, manco e preconceituoso (Nigel Bruce). Há um pouco de romance (não um triângulo amoroso, mas algo muito mais complexo) e muita, muita destruição.
Quem disse que “E o Vento Levou” foi o único épico lançado em 1939? A Fox não poupou despesas para “E as Chuvas Chegaram”, gastando meio milhão de dólares na construção dos cenários (75 mil só para o palácio) e outro meio milhão para as cenas de desastre que são, de fato, impressionantes. Graças a esse esforço, este filme ganhou o primeiro Oscar de Efeitos Especiais da história.
Muitos devem ter lamentado por o filme ser em preto e branco. Não seria maravilhoso ver a exótica Índia em cores? Sim, seria, mas aqui o espetáculo fica por conta da luz e sombra. Perceba como os relâmpagos imprimem o desenho das paredes na parte oposta da sala. Três anos antes de Bette Davis, Myrna protagoniza uma cena sexy com George Brent e um cigarro. A luz se apaga, e o acontece fica por conta de nossa imaginação.
Muito do visual esplêndido pode ser explicado por seu diretor, Clarence Brown, responsável por dois dos mais belos filmes de Greta Garbo: “A Carne e o Diabo / Flesh and the Devil” (1926) e “Anna Karenina” (1935). Clarence, que foi muito influenciado por Maurice Tourneur, consegue fazer de Myrna uma heroína tão bela e sedutora quanto Garbo. Obviamente, o talento da própria Myrna tem grande importância: atriz que começou no cinema mudo, ela não precisa de palavras para nos emocionar, e é em uma cena sem diálogos que ela de fato tem seu melhor momento.
A Índia ainda era possessão inglesa nos anos 30 (o bom e velho Gandhi só viria salvar a pátria em 1948). Muito do colonialismo está presente nas ações dos personagens: por exemplo, não é muito educado ou politicamente correto dizer que vai jogar um empregado para os crocodilos se ele desobedecer. Mas em 1939 isso até era aceitável! E aceitável também era encher atores brancos de maquiagem para que ficassem parecidos com indianos (Tyrone Power e Maria Ouspenskaya foram as vítimas da vez). E repare que o roteiro é construído em cima de um romance entre pessoas de “raças” diferentes!
Vemos um pouco de vários filmes neste: o amor em um lugar exótico de “Terra de Paixão / Red Dust” (1932), a tragédia de “San Francisco” (1936), o sacrifício de uma aristocrata como em “Jezebel” (1938). Apesar dessas semelhanças, é a soma dos fatores que torna “E as Chuvas Chegaram” um filme único. Veja uma, duas, três, quatro vezes. E nunca pare de se maravilhar com a magia que o cinema é capaz de criar.
This is my contribution to the British Empire Blogathon, hosted by Phantom Empires and The Stalking Moon. Tea, anyone?
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