} Crítica Retrô: That's Entertainment

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Wednesday, May 20, 2020

Cinco Clássicos para Dias Difíceis

Five Classics for Comfort

Enquanto houver cinema, haverá esperança. Este é o mantra que eu adotei nos últimos anos, quando a realidade começou a parecer um filme de terror e os tempos ficaram difíceis demais para nós, sonhadores. Em certo sentido, o cinema sempre me salvou de me afogar em minhas próprias emoções e desgostos. É isso: o cinema salva. Ele pode distrair, emocionar, confortar, maravilhar, inspirar. Quando eu era uma adolescente que sofria bullying, mais de 10 anos atrás, foi o cinema que me deu força para prosseguir, então por que o cinema não poderia fazer o mesmo pelo mundo todo durante uma pandemia? Para este momento, e para qualquer outro momento difícil, eu ofereço minha lista de cinco clássicos para dias difíceis:

As long as there is cinema, there is hope. This is the mantra I have adopted in the last few years, when reality started looking like a horror movie and times became too hard for us, dreamers. In a sense, cinema has always saved me from drowning in my own emotions and sorrows. That's it: cinema saves. It can distract, move, comfort, amuse, inspire. When I was a bullied teenager, over ten years ago, it was cinema that gave me strength to carry on, so why can't cinema do the same for the whole world during a pandemic? For this time, and for any other difficult time, I offer my top five comfort films:

Uma Semana (1920): Sinceramente, eu poderia ter escolhido qualquer filme de Buster Keaton. O homem que nunca ri, ironicamente, nunca falha em colocar um sorriso no meu rosto. “Uma Semana” foi o primeiro curta-metragem solo de Keaton – sem seu mentor no cinema, Roscoe Arbuckle – e é o meu favorito de seus curtas. Os recém-casados Buster e Sybil Seely recebem como presente de casamento uma casa montável que acaba ficando... peculiar. Hilário, adorável e surpreendente, “Uma Semana” é uma pequena dose de felicidade.

One Week (1920): Sincerely, I could have chosen any Buster Keaton film. The man who never laughs, ironically, never fails to put a smile on my face. “One Week” was Keaton's first solo short – without his movie mentor Roscoe Arbuckle – and it's my favorite. Newlyweds Buster and Sybil Seely receive as a wedding gift a DIY house that ends up being very... unique. Hilarious, lovely and surprising, “One Week” is a small doses of happiness.

“Uma Semana” foi recentemente exibido no Silent Comedy Watch Party, que foi a única coisa boa que este caos trouxe. Esta iniciativa traz curtas-metragens mudos exibidos com acompanhamento ao vivo do pianista Ben Model e comentários do historiador Steve Massa. A exibição semanal tem mantido a minha sanidade – e também a de muitos cinéfilos.

“One Week” was recently featured at the Silent Comedy Watch Party aka the only good thing that this chaos brought. This initiative brings silent shorts played with live music accompaniment by pianist Ben Model and commentary by historian Steve Massa. The weekly party has kept me – and many more film fans – sane.

Cantando na Chuva (1952): Há algum filme mais feliz do que “Cantando na Chuva”? Eu acho que não. Eu imagino que as pessoas que trabalhavam no cinema se desesperaram quando os filmes falados surgiram. É assustador seguir em frente quando você não sabe o que o futuro lhe reserva, certo? Você pode estar vivendo isso agora, ou já viveu, ou ainda vai viver, por isso tenha certeza: o show precisa continuar. “Cantando na Chuva” nos ensina que devemos nos adaptar como Don Lockwood, ter um amigo leal e esforçado como Cosmo Brown e seguir nossos sonhos como Kathy Selden – e de preferência, mantendo um senso de humor que nos permita zombar de um técnico de voz de vez em quando.

Singin' in the Rain (1952): Is there a happier movie than “Singin' in the Rain”? I don't think so. I imagine people working in movies got desperate when talkies became a thing. It's scary to go on when you don't know what the future has in store to you, right? You may be living this right now, or have lived this, or will live, so be sure: the show must go on. “Singin' in the Rain” teaches us that we must adapt like Don Lockwood, have a loyal and hardworking friend like Cosmo Brown and follow our dreams like Kathy Selden – and hopefully, keeping a sense of humor that allows us to mock a voice coach sometimes. 

Meu Tio (1958): Esta belezinha francesa funciona basicamente como um filme mudo. Monsieur Hulot, o tio, interpretado pelo próprio diretor Jacques Tati, vive uma vida simples em um bairro pobre. Enquanto isso, sua irmã, cunhado e sobrinho vivem em uma casa tecnológica e os dois adultos pensam que podem ajudar Hulot a ter uma vida melhor. Isso leva ao conflito entre o velho e o novo, e a várias gags visuais deliciosas. Além disso, por causa deste filme eu sempre serei louca por uma fonte em forma de peixe.

Mon Oncle (1958): This French beauty basically works as a silent film. Monsieur Hulot, the uncle, played by director Jacques Tati himself, lives a simple life in a poor neighborhood. Meanwhile, his sister, brother-in-law and nephew live in a high-tech house and the two adults think they can help Hulot have a better life. This leads to the conflict between old and new, and a lot of delightful visual gags. Also, because of this film I'll be forever obsessed with a fish-shaped fountain.

Descalços no Parque (1967): Assim como “Cantando na Chuva”, este filme mostra que, depois que as dificuldades são superadas, vem a alegria. Corie (Jane Fonda) e Paul (Robert Redford) são recém-casados e muito diferentes: Corie é extravagante e espontânea, enquanto Paul é quieto e sério. A tentativa deles de encontrar um equilíbrio conforme começam uma nova vida juntos é uma graça, e a noite de aventuras com a mãe de Corie e com um vizinho é brilhante. Você pode ler mais sobre “Descalços no Parque” AQUI.

Barefoot in the Park (1967): Just like “Singin' in the Rain”, this film shows that, after hardships are overcome, there comes bliss. Corie (Jane Fonda) and Paul (Robert Redford) are newlyweds and very different: Corie is extravagant and spontaneous, while Paul is quiet and serious. Their attempt to find balance as they begin a new life together is heartwarming, and their night out with Corie’s mother and a neighbor is priceless. You can read all my thoughts about “Barefoot in the Park” HERE.

Era uma Vez em Hollywood, a trilogia: Sinto que estou trapaceando duas vezes aqui porque estou escolhendo uma trilogia e esta trilogia tem pedaços de muitos filmes. De qualquer forma, os musicais sempre, sempre me deixam feliz. Eles foram minha fonte de esperança nos dias tristes da minha adolescência, e eu tinha 17 anos quando vi pela primeira vez “Era uma Vez em Hollywood” (1974). Este filme, assim como “Isso Também Era Hollywood” (1976) e “Era uma Vez em Hollywood – Parte III” (1994), traz uma compilação de clipes de musicais da era de ouro e também algumas cenas descartadas e material dos bastidores. Ah, e eu mencionei que o segundo filme traz Fred Astaire e Gene Kelly dançando juntos, 30 anos depois da primeira vez que eles fizeram ISSO? Porque isso acontece e é incrível. Essa trilogia prova que o cinema é, realmente, uma fábrica de sonhos e de esperança.

That's Entertainment! Trilogy: I feel like I'm cheating twice here because I'm choosing a trilogy and this trilogy has bits of many films. Anyway, musicals always, always make me happy. They were my main source of hope in my sad teen years, and I was 17 when I first saw “That's Entertainment! - Part 1” (1974). This film, and also Part II (released in 1976) and Part 3 (released in 1994), brings a compilation of clips from Golden Age musicals and also some unused footage and behind-the-scenes material. Oh, have I said that Part II brings Fred Astaire and Gene Kelly singing and dancing together, 30 years after the first time they did THIS? Because it does and it's awesome. This trilogy show that cinema really is a dream – and hope – factory.

This is my contribution to the Classics for Comfort blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

Thursday, April 25, 2013

Making-off: documentários cinematográficos – Parte 1

Nós adoramos ver o que os atores fazem em frente às câmeras, mas atrás delas às vezes a vida pessoal de astros e estrelas de cinema pode ser tão ou mais interessante que um filme. Por isso os documentários se tornam tão populares e são um deleite para qualquer fã. Feitos em sua maioria após a morte do assunto do documentário, eu selecionei várias produções que recomendo:

That’s Entertainment!: Em comemoração aos 50 anos da MGM, esta produção reuniu um dos mais espetaculares elencos já vistos pelo olho humano. A missão desses astros era apresentar clipes que reviviam a época de ouro do estúdio e de seus alegres musicais. Com o sucesso do primeiro, lançado em 1974, teve origem uma trilogia e um spin-off, “That’s Dancing!”.
Bette Davis, um magnânimo vulcão / Bette Davis: a basically benevolent volcano (1983): A própria Bette nos narra sua trajetória, desde a infância em Boston até o estrelato em Hollywood, demonstrando o que todos os seus fãs já sabiam: que era uma mulher forte e decidida. Um dos deleites é um clipe de “Fashions of 1934”, em que ela se veste de Greta Garbo. O documentário está disponível em oito partes no YouTube.
Rita Hayworth: Dancing into the dream (1990): Sim, nossa querida Rita começou como dançarina fazendo para com seu pai, e foi dançando que ela entrou em Hollywood. Neste interessante documentário, o destaque é para a filha Yasmin, uma verdadeira princesa e a única das duas filhas de Rita a aparecer no vídeo.

Bacall on Bogart (1988): Lauren nos acompanha pelos estúdios em uma viagem pela vida e carreira de seu primeiro marido. Com clipes interessantes e ótimas histórias, ela traz ainda várias entrevistas, e eu destaco a de Katharine Hepburn. Assista-o sem legendas AQUI.
Além dos maiorais: ítaloamericanos e o cinema (2008): Se a versão assistida não contar com a identificação dos entrevistados, o documentário pode ficar um pouco confuso. Caso contrário, a sensação que fica é que ele é curto demais para tantas informações interessantes.
Aprendendo a falar: Um dos mais primorosos documentários cinematográficos mostra que o desejo de adicionar som às imagens em movimento é tão antigo quanto o cinema, assim como o são as experiências feitas para esse intento. 
A década que mudou o cinema / A decade under the influence (2003): Os próprios cineastas responsáveis por esta revolução na maneira de fazer cinema comentam as influências que tiveram, as histórias por trás de seus filmes e o impacto deles na época e hoje. Destaque para a camisa florida de Francis Ford Coppola

Essas sombras assombrosas / These amazing shadows (2011): Uma obra obrigatória para todos que amam cinema clássico. A preservação de uma série de películas escolhidas anualmente para fazer parte do arquivo do American Film Institute é o tema, e a melhor abordagem é sem dúvida apresentar quem batalhou para que cada filme entrasse nesta seleta lista. Veja esta pérola AQUI.
Clark Gable: Tall, Dark and Handsome: O rei de Hollywood ganhou um documentário à altura em 1996. Seu filho, que ele nao conheceu, e a filha com Loretta Young, que foi escondida a vida toda, têm alguns dos depoimentos mais reveladores. Veja um trecho:
François Truffaut: uma autobiografia (2004): Uma autobiografia feita décadas após a morte do biografado, algo que só seria capaz com Truffaut. A cena de “Os incompreendidos”, em que os meninos roubam fotos de Cidadão Kane de um cinema, é refeita com fotos dos filmes de Truffaut no lugar, em uma emocionante homenagem. As palavras de Woody Allen e a música final também são destaques.


Terror Universal (1998): Narrado por Kenneth Branagh, faz uma viagem por duas décadas em que a Universal reinou com seus filmes de terror (1920-1940). Além de analisar as produções, há também trechos de filmes europeus que influenciaram essa generosa safra do terror. Além disso, é a oportunidade de desvendar efeitos especiais que impressionaram os cinéfilos.
Teen Spirit: Adolescentes em Hollywood (2009): De James Dean a High School Musical, passando por Ferris Bueller e o Clube dos Cinco. A imagem do adolescente passou por diversas mudanças ao longo dos últimos cinquenta anos, e tudo isso graças à sétima arte.

Wednesday, November 30, 2011

Mais estrelas que há no céu... em um mesmo filme


O que faz um bom filme? Elenco, enredo, diretor, fotografia? Se for o elenco, sem dúvida os outrora famosos all-star movies tinham de tudo para ser sucesso absoluto. É inegável que muitos nomes conhecidos chamam a atenção do público. Mas nem sempre vêm as boas críticas. Se já é tarefa hercúlea reunir tantos astros e estrelas numa mesma produção, imagine como é difícil evitar guerras de egos e aproveitar o melhor de cada um, dando-lhes igual oportunidade para brilhar. É por isso que grandes elencos estrelaram em filmes não tão grandiosos assim... Mas deixemos esse assunto para depois!

Ben-Hur (1925): Protagonizado pelo charmoso Ramon Novarro, a segunda versão do livro de Lew Wallace (a primeira é de 1907) traz uma selação invejável de extras. Os grandes nomes não são personagens, mas sim participam a multidão na suntuosa corrida de quadrigas, tão longa quanto e menos perigosa que a da versão de 1959. Para quem quiser se aventurar a procurá-los, na plateia estão Lillian Gish, Dorothy Gish, Gary Cooper, Myrna Loy, Clark Gable, Joan Crawford, Carole Lombard, Janet Gaynor, Fay Wray, John Barrymore, Lionel Barrymore, John Gilbert, Douglas Fairbanks, Harold Lloyd, Collen Moore, Marion Davies, Mary Pickford e outros menos conhecidos.

Paramount on Parade (1930): O som havia recém-chegado ao cinema, os primeiros filmes falados eram de gosto duvidoso e nesse cenário a Paramount decidiu realizar uma extravaganza dando voz às suas maiores estrelas. Em diversos esquetes aparecem Maurice Chevalier, Jean Arthur, Clara Bow, Nancy Carroll, Gary Cooper, Kay Francis, Fredrich March e Fay Wray.

Grande Hotel / Grand Hotel (1932): “Grande Hotel. Sempre o mesmo. Pessoas vêm e vão. Nada acontece.” Como nada pode acontecer com gente tão ilustre passando pelo hotel? Nele se hospedam Greta Garbo, John Barrymore, Joan Crawford, Lionel Barrymore, Wallace Beery e Lewis Stone. Ganhador do Oscar de Melhor filme, é considerado o exemplo máximo de all-star cast.  

Jantar às Oito / Dinner at Eight (1933): As maiores estrelas da MGM foram convidadas para um jantar que tem tudo para dar errado. As vidas particulares e os desentendimentos pessoais de Jean Harlow, Marie Dressler, John Barrymore, Wallace Beery, Lionel Barrymore e Billie Burke têm todos os requisitos para ser um empecilho.

Hollywood Party (1934): Em uma trama que envolve filmes e leões, encontramos estrelas como Jimmy Durante, Stan Laurel, Oliver Hardy, Lupe Velez e... Mickey Mouse!
Seis Destinos / Tales of Manhattan (1942): Cinco histórias diferentes são contadas através da entrada do mesmo fraque na vida dos personagens, interpretados por Rita Hayworth, Charles Laughton, Ginger Rogers, Henry Fonda, Edward G. Robinson, Paul Robeson, Charles Boyer e Ethel Waters. Só mesmo um fraque mágico para reunir tantos talentos.

A Conquista do Oeste / How the West was Won (1952): Foi necessário um time de primeira para recontar a saga da expansão para o oeste. Entre os escalados para dar vida aos desbravadores estão Debbie Reynolds, James Stewart, John Wayne, Gregory Peck, Carroll Baker, Henry Fonda, Karl Malden, Lee J. Cobb, Carolyn Jones, George Peppard, Richard Widmark, Walter Brennan, Agnes Moorehead, Russ Tamblyn e Thelma Ritter. O filme teve quatro diretores diferentes e é narrado por Spencer Tracy. Ufa! 
A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in 80 Days (1956): David Niven e seu assistente Cantinflas topam uma aposta de dar a volta ao mundo em menos de três meses. No caminho eles resgatam Shirley MacLaine e encontram os ilustres Frank Sinatra, Marlene Dietrich, Peter Lorre, George Raft, John Carradine, Buster Keaton e Hermione Gingold. São centenas de extras, mais ou menos famosos.


A Maior História de Todos os Tempos / The Greatest Story Ever Told (1965): Um épico bíblico com Max Von Sydow no papel de Jesus Cristo, Dorothy McGuire como Maria, Charlton Heston como João Batista, além de Carroll Baker, Marin Landau, Van Heflin, Angela Lansbury, Pat Boone, Sal Mineo, Sidney Poitier, John Wayne, Claude Rains, Telly Savalas e Shelley Winters.

Assassinato no Expresso do Oriente / Murder at Orient Express (1974): São muitos os suspeitos do assassinato do Sr Cassetti, ou melhor, Ratchett, nesta adaptação do romance de Agatha Christie. Alguns dos investigados são Ingrid Bergman (ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), Anthony Perkins, Lauren Bacall, Sean Connery, Jacqueline Bisset, Vanessa Redgrave e outros. Albert Finney dá vida ao detetive Hercule Poirot.

Era uma Vez em Hollywood / That’s Entertainment! (1974): Em formato de documentário, este alegre filme comemora os 50 anos da MGM, estúdio que começou (feliz coincidência!) com Ben-Hur, em 1925. Apresentado por Gene Kelly, Frank Sinatra, Fred Astaire, Elizabeth Taylor, Mickey Rooney, Liza Minneli, Bing Crosby, Debbie Reynolds, Donald O’Connor, Peter Lawford e James Stewart; conta ainda com dezenas de outras estrelas nas sequências mostradas. Sucesso de público, deu origem a uma trilogia.
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