} Crítica Retrô: Walter Brennan

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Saturday, June 11, 2016

Fúria / Fury (1936)

Às vezes precisamos de um soco no estômago. Um soco metafórico, obviamente: algo que nos tire da zona de conforto, que nos incomode, que nos deixe insatisfeitos com nós mesmos. Isso é possível com muitos filmes. Isso aconteceu comigo vendo o primeiro filme feito por Fritz Lang em Hollywoo, “Fúria” (1936), que tenta responder duas perguntas principais: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? E como isso pode destruir a bondade que existe nelas?

Sometimes we need a punch in the stomach. A metaphoric punch, obviously: something to take us out of our comfort zone, to bother us, to leave us dissatisfied with ourselves. This is possible with many films. This happened to me while I was watching Fritz Lang's first Hollywood film, “Fury” (1936), that tries to answer two main questions: Why bad things happen to good people? And how can these things destroy the goodness in those people?
Joe Wilson (Spencer Tracy) era um cara legal. Ele queria se casar com seu grande amor, Katherine Grant (Sylvia Sidney), mas para isso precisava juntar dinheiro. Ele prospera junto dos irmãos com um posto de gasolina em Chicago, enquanto Katherine vai trabalhar em outra cidade. Quando Joe finalmente consegue o dinheiro, decide ir até sua amada, acompanhado de seu fiel cachorro Rainbow (Terry, mais conhecido por interpretar Toto em “O Mágico de Oz” em 1939). E no caminho começam os problemas.

Joe Wilson (Spencer Tracy) was a nice guy. He wanted to marry his sweetheart, Katherine Grant (Sylvia Sidney), but to do it he needed to save money. He does well with his brothers in a gas station in Chicago, while Katharine goes to work in another town. When Joe finally gets enough money, he decides to go meet his sweetheart, carrying along his loyal dog Rainbow (Terry, best known for playing Toto in “The Wizard of Oz” in 1939). And then troubles start.
Joe é detido na estrada e levado para ser interrogado sobre o sequestro de uma moça. Infelizes coincidências levam o delegado a acreditar que Joe sabe algo sobre o crime, e ele é preso até que os fatos sejam apurados. Mas não dá tempo de descobrir a verdade: em pouco tempo se espalha a notícia de que um envolvido no sequestro foi preso, e ninguém quer saber a versão de Joe antes de formarem uma opinião sobre ele. Em uma poderosa e sábia metáfora envolvendo pessoas fofoqueiras e galinhas cacarejantes, fica claro que a verdade é o que menos importa quando os ânimos estão em ebulição.

Joe is stopped on the way and taken to be asked about the kidnapping of a girl. Unfortunate coincidences make the sheriff believe that Joe knows something about the crime, and he is arrested until the facts are checked. But there is no time to find out the truth: quickly the news about a man involved in the kidnapping being arrested spread through town, and nobody wants to know Joe's version before making a judgement about him. In a powerful and wise metaphor involving people who spread gossips and sassy chickens, it becomes clear that the truth is the less important thing when there is too much animosity.
E é por isso que eles colocam fogo na delegacia – e vibram com a ideia de Joe sendo queimado vivo. Quando os verdadeiros sequestradores são presos e confessam o crime, todos os moradores que apoiaram o linchamento preferem esquecer o infortúnio. Mas Joe, que sobreviveu, não esquecerá: ele quer vingança, e mais nada. E há um povoado inteiro a ser julgado e condenado – não apenas os 22 homens acusados de homicídio, mas suas famílias, as pessoas que passaram adiante o boato, e as que se deliciaram com a morte de um inocente.

And that's why they burn down the jail – and rejoice with the idea of Joe being burned alive. When the real kidnappers are arrested and confess the crime, all the people who supported the lynching prefer to forget the misfortune. But Joe, who survived, won't forget: he wants revenge, and nothing else. And there is a whole town to be condemned – not only the 22 people indicted for murder, but their families, the people who spread the rumors and the ones who became happy with the death of an innocent man.
A verdade é que somos julgados diariamente – e em geral por pessoas que têm pouca ou nenhuma moral para nos julgar. E é quando isso acontece que ficamos menos esperançosos com relação à humanidade, perdemos a confiança em outras pessoas e até mesmo pensamos em vingança. Isso já aconteceu comigo.

The truth is that we are all judged every day – and in general by people who have no moral to judge us. And it is when this happens that we lose hope for mankind, can't trust people and even think about revenge. This already happened to me.

Este é um dentre muitos filmes sobre o perigo das massas sedentas por justiça, nem um pouco abertas ao diálogo. Outros filmes com o tema são “Consciências Mortas” (1943) e “”O Sol é para Todos” (1962). Há também um tema menos abordado, que é a corrupção por amizade. Todos na cidade querem defender os culpados – porque, no fundo, todos são também um pouco culpados, inclusive o delegado.

This is one among many movies about the dangers of the mobs looking for justice and not interested in dialog. Other movies about the theme are “The Ox-Bow Incident” (1943) and “To Kill a Mockingbird” (1962). There is also a less common theme, the 'corruption by friendship'. Everybody in the city want to stand for the guilty ones – because, deep down inside, they are all guilty, including the sheriff.
Spencer Tracy está ótimo em momentos tão contrastantes: do moço apaixonado ao sobrevivente cheio de ódio, ele brilha e convence, embora o destaque seja para sua versão mais sombria. Walter Abel também está espetacular como o advogado de acusação, que usa muito a técnica de “você pode apagar uma pergunta da ata, mas não da mente dos jurados”.

Spencer Tracy is great in very distinct moments: from the young man in love to the survivor full of rage, he shines and is convincing, although he is better as the darkest version. Walter Abel is also spectacular as the district attorney, who uses the technique of “you can erase an answer from the report, but not from the jury's minds”.
Fritz Lang havia acabado de sair da Alemanha nazista, e podemos ver reflexos de seu último filme alemão, “M” (1931), em “Fúria”. Entretanto, Lang estava mergulhando em um problema atual de seu novo país, o linchamento, e conseguiu fazer um filme pertinente não apenas para 1936, mas também para os dias atuais. Em “Fúria”, aprendemos que às vezes a razão não consegue vencer a bestialidade. Mas é sempre bom tentar manter a razão – afinal, é ela que nos torna humanos.

Fritz Lang had just left Nazi Germany and we can see an influence from his last German film, “M” (1931), in “Fury”. However, Lang was dealing with a current problem happening in his new country, lynching, and was able to make a pertinent film not only for 1936, but also nowadays. In “Fury”, we learn that sometimes reason cannot defeat bestiality. But it is always good to try to keep reason – after all, it is reason that makes us human.

This is my contribution to the Order in the Court! The Classic Courtroom Movies blogathon, hosted by Theresa and Lesley at Cinemaven’s Essays from the Couch and Second Sight Cinema.

Thursday, May 1, 2014

Adorável Vagabundo / Meet John Doe (1941)

Os créditos rolam com uma trilha sonora composta de músicas muito populares, conhecidas pelo público da época e também por quem tem costume de ver filmes antigos. O filme começa com a troca da placa do jornal “The Bulletin”. São apagadas as palavras “imprensa livre”: o jornal passa a se chamar “The New Bulletin” e vários funcionários são demitidos. O editor quer grandes furos, reportagens realmente explosivas. Uma das demitidas é Ann Mitchell (Barbara Stanwyck), que antes de sair entrega a seu chefe o explosivo que ele queria: a notícia sobre a carta de John Doe, um trabalhador indignado com o rumo que o mundo está tomando.

The credits roll accompanied by very popular songs – you'll recognize them if you are used to watching old movies. The film starts as the newspaper “The Bulletin” has its plaque replaced. The words “free press” are erased: the newspaper is now called “The New Bulletin” and several employees are fired. The editor wants big scoops, news that will shake the world. One of the fired employees is Ann Mitchell (Barbara Stanwyck), who, before leaving, delivers to her boss the big scoop he wanted: the news about John Doe's letter – John Doe is a working man who is mad about the current events.


Mas John Doe não existe. Quando a figura começa a fazer grande sucesso, Ann é recontratada e, junto com os chefões do jornal, cria uma farsa, contratando um falso John Doe que protesta contra o estado atual da civilização e que promete cometer suicídio na prefeitura no dia de Natal. O contratado é Long John Willoughby (Gary Cooper), um aspirante a jogador de baseball que precisa desesperadamente de dinheiro. Ele tem como companhia o amigo “Colonel” (Walter Brennan), que não gosta da ideia de John Doe e que concorda que a carreira no baseball de Long John pode ser prejudicada se a farsa jornalística for longe demais.

However, John Doe doesn't exist. When he becomes a big success, Ann is hired again and, with the newspaper bosses, she creates a fake story, hiring a fake John Doe to protest against the current state of civilization and to say that he'll commit suicide at the city hall on Christmas Day. The guy hired for the farce is Long John Willoughby (Gary Cooper) a wannabe baseball player who desperatly needs money. He has as a companion his friend Colonel (Walter Brennan), who doesn't like the John Doe idea and who thinks that Long John's baseball career may be harmed if the newspaper farce goes too far.



Ann usa os diários do pai para criar o discurso de John Doe, que prega o princípio de ser um bom vizinho e ajudar o próximo. Obviamente, uma hora ou outra os políticos se aproveitam da popularidade de John Doe para usá-lo em suas campanhas. 

Ann uses her father's diaries to create John Doe's speech, one that defends the principle of being a good neighbor and helping thy next. Obviously, sooner or later the politicians decide to use John Doe's popularity and make him a campaign asset.


Só esta breve descrição já mostra como o roteiro é sensacional. Aliás, eu acredito que se “Adorável Vagabundo” tivesse estreado em outro ano, ficaria com o Oscar de Melhor Roteiro (é inegável que o prêmio em 1941 foi merecidamente entregue a “Cidadão Kane”). O responsável pelas pérolas de sabedoria que saem das bocas dos personagens é Robert Riskin, colaborador constante de Capra e seu sócio em novas empreitadas após o fim do contrato com a Columbia. Mas Riskin não recebe todos os méritos: o final do filme foi sugerido por um espectador presente em uma exibição de teste, já que Capra havia visualizado vários finais e não conseguia se decidir. Mesmo tendo concordado com o espectador, Capra não ficou feliz, e anos depois ainda diria que o filme poderia ter outro final melhor (qual?).

With this brief synopsis you can imagine how great the script is, can't you? By the way, I believe that, if “Meet John Doe” had been released in another year, it would have got the Best Screenplay Oscar (because we can't deny thaty, in 1941, “Citizen Kane” deserved the award). The one responsible for the many witty quotes is Robert Riskin, Capra's constant collaborator and partner in new adventures after his contract with Columbia ended. But Riskin doesn't receive all the praise: the ending was suggested by a viewer who was at a test screening, because Capra had imagined several endings and couldn't make up his mind. He agreed with the viewer, but wasn't completely happy – years later, Capra would still say that the film could have had a better ending... but how?



Mas cadê a comédia romântica? Bem, fica óbvio que Ann e John vão se apaixonar, mas na maior parte do tempo Ann se deixa seduzir pelos casacos de pele e braceletes de diamante que ganha. A cena mais romanticamente atrapalhada é quando John conta sobre um sonho que teve, no qual impedia Ann de se casar (não vou contar o que ele diz, e talvez até ficaria um pouco confuso se eu tentasse, mas acreditem: é ver para crer no sonho!). A simplicidade fofa de John, o bobo apaixonado, fica óbvia neste momento.

Hey, where is the romantic comedy in all of this? Well, it's obvious that Ann and John will fall in love, but Ann is more easily seduced by the bracelets and fur coats that she gets. The most romantic and clumsy scene happens when John is telling about a dream he head, in which he prevents Ann from getting married – I won't spoil this for you, just go there and see. John's cute simplicity, one of a fool in love, is obvious in this moment.

Walter Brennan, como sempre, rouba a cena. Seu personagem, o cético “Colonel”, é o mais divertido e sempre está tentando convencer John a desistir do trato antes que seja tarde. Gary Cooper tem mais destaque que Barbara Stanwyck, embora seja mágico vê-la nas cenas tristes, com os olhos marejados. Cooper aceitou fazer o filme sem ler o roteiro porque, além de ter tido uma boa experiência com Capra em “O galante Mr. Deeds / Mr Deeds goes to town” (1936), ele queria muito trabalhar com Stanwyck. No outro filme que eles fizeram juntos, o adorável “Bola de Fogo / Ball of Fire” (1942), é Barbara que tem mais destaque com sua espevitada Sugarpuss O’Shea.

Walter Brennan is a scene-stealer, as always. He character, the skeptic Colonel, is the funniest of them all and is always trying to convince John to back up on the deal before it's too late. Gary Cooper has more importance to the story than Barbara Stanwyck, but it's magic to see her in the saddest scenes, with her eyes full of water. Cooper accepted to make the film without reading the script because, besides having a good previous experience with Capra on the set of “Mr Deeds goes to town” (1936), he really wanted to waork with Stanwyck. On the other film they did together, “Ball of Fire” (1942), Barbara is the top player as the fesity Sugarpuss O'Shea.  


Aqui o tema do homem comum de Capra é elevado à centésima potência, pois é este homem que John Doe personifica. Antes de seu discurso no rádio, essa imagem de homem comum é reforçada pela mídia quando tiram fotos dele com uma moça eleita “a garota comum” e também com dois anões (“they’re the little people!”).

Here, the “common man” theme Capra explored is multiplied by a hundred, because this is the man that John Doe personifies. Before his radio speech, this common man image is reinforced by the media when they take picutres of him with a lady elected “the common girl” and also with two midgets (“they're the little people!”).


A maioria dos grandes magnatas de Hollywood chegou ao país sem recurso algum, e batalhou para alcançar o sucesso. Foi assim com Frank Capra. Foi assim com Stanwyck e Cooper, que não eram imigrantes, mas tiveram de lutar por seu lugar ao sol. É assim com todos nós, anônimos que querem seu espaço, que querem deixar sua marca no mundo. Somos todos John Doe.

Most moguls in Hollywood arrived in the country without resources, and fought to achieve success. The same happened to Frank Capra. The same happened to Stanwyck and Cooper, who weren't immigrants, but had to fight for a place in the sun. The same happens to all of us, anonymous people who want to leave a mark in the world. We're all John Doe.

This is my contribution to the Romantic Comedy Blogathon, hosted by Lara at Backlots and Vince at Carole & Co.

Friday, September 21, 2012

Roubando a cena: Walter Brennan e Mercedes McCambridge

Alguns personagens realmente chamam toda a atenção para si quando aparecem na tela. O caso mais memorável para mim é de Madame De Farge em “A Queda da Bastilha / A Tale of Two Cities” (1935) que, histericamente, pede que todos os réus sejam condenados à guilhotina. Quem a interpreta é a desconhecida atriz Blanche Yurka, mas vez ou outra surgem intérpretes igualmente inesquecíveis. Quem não se lembra do sempe divertido Edward Everett Horton? Ou da talentosa coadjuvante Thelma Ritter? Ou desses dois atores que são o assunto do post?
Walter Brennan foi ganhador de três Oscars de Melhor Ator Coadjuvante, incluindo na primeira cerimônia em que esse prêmio foi apresentado, em 1936. Um de seus papéis mais marcantes é Eddie em “Uma Aventura na Martinica / To Have and Have Not” (1944). Eddie bebe muito e tem um andar peculiar, que Brennan obteve colocando uma pedra em um de seus sapatos. Companheiro de Humphrey Bogart, mas de maneira mais cativante que o pianista Sam de Casablanca, ele tem direito até a uma divertida frase de efeito: “Você já foi picado por uma abelha morta?” (Was you ever bit by a dead bee?)
Seus personagens são normalmente tipos peculiares e mais velhos que o ator. Um acidente, em condições que eu desconheço, deixou-o quase sem dentes e criou marcas em seu rosto. Sua voz ficou rouca após combater na Primeira Guerra Mundial, quando o ator ficou exposto a diversas substâncias tóxicas. Ao voltar da guerra, mais uma tragédia: Walter perdeu quase todo seu dinheiro no início da década de 1920, quando se envolveu com a especulação financeira. Foi neste momento que ele começou a participar de filmes como extra, roubando a cena sempre que lhe era permitido.
Mercedes McCambridge ganhou apenas um Oscar, e no seu filme de estreia, “A Grande Ilusão / All the King's Men” (1949). E continuou com grandes atuações ao longo da carreira. Mercedes é uma de minhas atrizes coadjuvantes favoritas e só de ver seu nome na tela eu já me alegro porque, sem dúvida, verei uma grande atuação.
Em “Johnny Guitar”(1954), ela ganha destaque como Emma, a antagonista invejosa e mal-amada. Este é meu western favorito, e com certeza Mercedes é fundamental para que eu goste tanto desse filme. Dentro e fora do filme ela teve uma rivalidade com Joan Crawford, que não gostou nem um pouco de ter como sua antagonista uma mulher mais jovem.
No ano de 1956 ela apareceria em poucos minutos do longo épico “Assim caminha a humanidade /Giant”, mas seria de total importância. Como Luz Benedict, a decidida e fatalmente teimosa irmã de Bick (Rock Hudson), ela está incrível. Implicando com Elizabeth Taylor e protegendo James Dean, sua presença é curta, mas fundamental para a história. Por sua atuação ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, perdendo para Dorothy Malone.
Em 1958 ela maltrata a pobre Janet Leigh enquanto seu marido Charlton Heston está ocupado com Orson Welles em “A Marca da Maldade / Touch of Evil”. No ano seguinte ela voltaria a contracenar com Elizabeth Taylor, desta vez interpretando a mãe da bela moça, em “De repente, no último verão”.
Em “Cimarron” (1960) ela é uma mãe de família que vai para o oeste em busca de terras, conhecendo as personagens de Glenn Ford e Maria Schell. Seu tempo na tela é ínfimo, mas marcante. E na década seguinte vem o filme que a tornou uma estrela cult: “O Exorcista” (1973). Tendo sofrido de bronquite a vida toda, Mercedes usou o problema a seu favor para dublar o demônio (isso mesmo). Ela não foi creditada, mas posteriormente seu nome foi adicionado aos créditos.
Você não esperava ver isto

Vinda do famoso Mercury Theatre, grupo de teatro de Orson Welles que levou muitos talentos ao cinema, Mercedes teve uma carreira de sucesso no rádio antes de chegar ao cinema e na década de 1970 voltou aos palcos em uma série de peças, como “A Ratoeira” e “Gata em teto de zinco quente”. Sempre em papéis secundários, roubando a cena e fazendo muito sucesso.

This is my contribution for the What a Character! Blogathon, hosted by the three wise girls Paula, Aurora and Kellee at Paula’s Cinema Club, Once Upon A Screen and Outspoken & Freckled.  

Monday, June 6, 2011

Grandes Coadjuvantes

Eles nunca viram seus nomes em destaque nos créditos iniciais, mas isso não impede que suas atuações sejam tão brilhantes quanto a dos mais elogiados protagonistas. Vários são os eternos coadjuvantes que roubam a cena e a nossa admiração.

Thelma Ritter: Pobre Thelma! Foi seis vezes indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante e nunca ganhou (Deborah Kerr tem esse mesmo recorde na categoria de Melhor Atriz). Quatro dessas indicações foram consecutivas (1950 – 1954). Mesmo assim, esteve em vários filmes importantes, como “A Malvada”, “Janela Indiscreta” e “Os Desajustados”. Sem grandes atrativos físicos, desempenhava com maestria os papéis de enfermeira ou governanta.  Ganhou um Tony em 1958, empatada com Gwen Verdon.
Em Confidências à Meia-Noite, Thelma Ritter
está a cara da Giulietta Masina!

Walter Brennan:  Ao contrário de Thelma, Walter teve seu talento reconhecido: foi três vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por “Meu filho é meu rival” (1936, ano em que a categoria foi criada), “Romance do Sul” (1938) e “O galante aventureiro” (1940). Foi animador das tropas da Primeira Guerra e amigo de Gary Cooper. Fazia todos os tipos de papéis, mas ficou famoso por seus velhos personagens caipiras e peculiares (um acidente que deixou-o quase sem dentes criou marcas que o faziam parecer bem mais velho do que era). Começou no cinema mudo, mas não era creditado. Fez também várias participações em séries de TV.

Mary Astor: Filha de mãe portuguesa e pai alemão, jovem atriz do cinema mudo, Mary passou para o cinema falado em papéis secundários. Entre seus trabalhos estão “O Falcão Maltês”(1941) e “Agora seremos felizes”(1944). Ganhou um Oscar em 1942 por “A Grande Mentira” . Lutou com o alcoolismo, tentou suicídio e viveu alguns escândalos conjugais. Escreveu várias memórias que se transformaram em best-sellers.

Peter Lorre: Austro-húngaro, protagonista da obra-prima de Fritz Lang “M – O vampiro de Dusseldorf”(1930) e da primeira versão de “O homem que sabia demais”(1934), Peter Lorre foi aos EUA e conseguiu bons papéis secundários em  “O Falcão Maltês”(191), “Casablanca”(1942) e “Passagem para Marselha” (1944). Duas curiosidades: Lorre foi aluno de Freud em Viena e convenceu Humphrey Bogart e Lauren Bacall a se casarem apesar da diferença de idade.

Mercedes McCambridge: Ganhadora do Oscar em sua estréia cinematográfica (“A Grande Ilusão”, 1949), Mercedes fazia, em geral, mulheres amarguradas e antagonistas. Trabalhou também no teatro, fazendo, por exemplo, a protagonista de “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, e no rádio. Fez parte do Mercury Theater, grupo de teatro de Orson Welles. Alguns de seus trabalhos mais importantes foram em “Johnny Guitar” (1954), “Assim Caminha a Humanidade” (1956) e como a voz demoníaca de “O Exorcista” (1973).

Claude Rains:  O grande Capitão Renault de Casablanca era quase cego de um olho (devido a ferimento na Primeira Guerra Mundial), deu aulas de  teatro numa universidade, foi casado seis vezes, era nervosinho, sovina e desenhou a lápide do próprio túmulo. Mas era um grande profissional: memorizava as falas de todos os atores, mesmo não sendo protagonista. Entre seus trabalhos destacam-se: “Lawrence da Arábia”(1963), “Interlúdio”(1946), “Vaidosa”(1944) e “A estranha passageira”(1942).

Celeste Holm: A bela loira nunca passou dos papéis secundários, embora já tenha passado dos 90 anos. Mas isso não impediu que ela deixasse sua marca em filmes como “A Malvada” e “Alta Sociedade”, onde, inclusive, faz um dueto com Frank Sinatra. Outros grandes feitos da coadjuvante foram: estrear no teatro em “Hamlet”, ao lado de Leslie Howard; fazer cinco peças com o lendário George M. Cohan; ganhar um Oscar por “A Luz é para todos”(1948) ; ser porta-voz da UNICEF e ter um título de cavaleira dado pelo rei da Noruega. Desde os anos 50 participa de diversas séries de TV e agora está de volta à tela grande.

Donald Crisp: O ganhador do Oscar por “Como era verde meu vale” tem um currículo invejável. Estreou em 1908, aos 26 anos, esteve em 170 filmes, atuou no cinema mudo e no sonoro com o mesmo sucesso, dirigiu 72 produções (a maioria no cinema mudo)... tudo isso sem ser o protagonista. Além disso, foi membro dos exércitos inglês e americano e conheceu Winston Churchill ainda jovem. Ele teve a honra de estar no primeiro filme de Griffith (The Muskeeters of Pig Alley), em “O Nascimento de uma Nação” (como o general Grant), como um extra em “Intolerância”, vivendo o pai autoritário de Lillian Gish em “Lírio Partido”(1919),  
na primeira versão de “O Grande Motim” (1935) e muito mais!

Sunday, January 30, 2011

Astros nas trincheiras II – Antes da Fama, a Guerra

Olá! Pesquisando sobre atores que foram à guerra, encontrei vários exemplos de combatentes anônimos da Primeira Guerra Mundial que acabaram alcançando a fama no cinema. Olhem as fotos da época do alistamento:


Humphrey Bogart foi guarda da marinha. Ele teve de atirar em um prisioneiro em fuga (!). Curiosamente, ganhou seu único Oscar em um flme sobre a Primeira Guerra, "Uma Aventura na África".

Walter Brennan servia na artilharia quando aprendeu a imitar uma mula. Um belo dia, depois da guerra, um estúdio precisava de uma imitação de mula para um filme. Assim começou sua carreira.

Ronald Colman servia ao Exército Britânico antes mesmo do começo do conflito. A foto é do filme "Na Noite do Passado", em que ele interpreta um soldado que volta sem memória da Guerra. Ronald serviu por poucos meses, pois foi ferido em 31/10/1914 e afastado do combate.

Charles Laughton lutava no fim da guerra quando um ataque de gás venenoso atingiu seu grupo. Dizem que esse ataque afetou sua voz para sempre. No entanto, o que sabemos é que a batalha realmente afetou sua fé, fazendo-o abandonar a crença em qualquer religião.

Victor MacLaglen foi boxeador antes da Guerra. Lutou com os Fusileiros Irlandeses no Oriente Médio e ganhou o Oscar por "O Delator / The Informer" de John Ford.

Espero que tenham gostado. Na verdade, a lista de atores que participaram, de algum modo, de guerras, é enorme. Essa foi apenas uma pequena tentativa de reunir facetas desconhecidas desses grandes astros.
Lê^_^
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