} Crítica Retrô: Celeste Holm

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Celeste Holm. Show all posts
Showing posts with label Celeste Holm. Show all posts

Wednesday, November 9, 2011

Alta Sociedade / High Society (1956)

É preciso um trio de peso para fazer frente aos protagonistas da primeira versão da história, levada às telas em 1940 com o título “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story”: Katharine Hepburn, James Stewart e Cary Grant. O elenco foi, de fato, esplêndido: Grace Kelly, Frank Sinatra e Bing Crosby. Embora charmosos ao extremo, eles não conseguiram chegar ao nível das três lendas das décadas de 30 e 40, embora façam um espetáculo digno de nota.
A socialite Tracy Lord (Grace) está prestes a trocar alianças pela segunda vez. Seu casamento é de interesse público, por isso dois repórteres (Frank e Celeste Holm) são enviados para cobrir a cerimônia contra a vontade da noiva. O charme do personagem de Frank, Mike Connor (interpretado por James Stewart no original), desperta a paixão de Tracy, que tem mais alguns empecilhos: o ex-marido C. K. Dexter Haven (Bing aqui, Cary Grant em 1940) e sua irmãzinha palpiteira Caroline (Lydia Reed). Tracy fica dividida entre Dexter, Mike e seu futuro marido que, de longe, é o que tem menos chances de conquistar o coração da moça.
Frank e Bing emprestam todo seu carisma e suas belas vozes para dar um toque todo especial aos seus galantes personagens, chegando muito perto das interpretações de Stewart e Grant, igualmente adoráveis, mas nem um pouco afinados. Veja e ouça, por exemplo, como James Stewart entoa “Over the Rainbow” na versão original, bêbado e carregando Kate Hepburn no colo.
A música e o colorido são grandes destaques, pois não estavam presentes na primeira versão. Com músicas de Cole Porter que ajudam a dar fluidez à trama sem atrapalhá-la, o filme abusa dos talentos musicais. Além de Crosby e Sinatra, há a ilustre presença de Louis Armstrong, um gigante da música americana que interpreta a música homônima ao filme. Fica a cargo de Bing a romântica “True Love” com Grace e Sinatra brilha em um dueto com Celeste Holm no empolgante número “Who wants to be a millionaire”. 

A interpretação de Grace Kelly, de malas prontas para tomar seu posto como princesa de Mônaco, tem várias falas e momentos idênticos aos de Hepburn. Usando seu real anel de noivado, ela assume um papel pensado inicialmente para Elizabeth Taylor. É a segunda vez que ela trabalha com Bing Crosby, tendo sido a primeira o filme pelo qual ganhou seu Oscar, “Amar é Sofrer / The Country Girl” (1954). Elegante e bela como sempre, Grace não consegue, no entanto e em minha humilde opinião, se aproximar da performance de Katharine. Ambas viveram de certo modo a realidade de Tracy Lord, mas é a ruiva que incorpora melhor sua personalidade (ou talvez lhe empresta sua própria personalidade?).   
A história surgiu como uma peça de Philip Barry e foi estrelada nos palcos da Broadway por Katharine Hepburn, que comprou os direitos da peça e mais tarde vendeu-os para a MGM com a condição de que ela fosse a protagonista, tornando o filme de 1940 o pontapé inicial para o renascimento de sua carreira. Neste ano o filme levou os prêmios Oscar de Melhor Roteiro e Melhor Ator para James Stewart. Com diálogos afiados, talvez o original seja de fato bem superior ao seu remake, mas justiça seja feita: “Alta Sociedade” é entretenimento de altíssima qualidade.

Monday, June 6, 2011

Grandes Coadjuvantes

Eles nunca viram seus nomes em destaque nos créditos iniciais, mas isso não impede que suas atuações sejam tão brilhantes quanto a dos mais elogiados protagonistas. Vários são os eternos coadjuvantes que roubam a cena e a nossa admiração.

Thelma Ritter: Pobre Thelma! Foi seis vezes indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante e nunca ganhou (Deborah Kerr tem esse mesmo recorde na categoria de Melhor Atriz). Quatro dessas indicações foram consecutivas (1950 – 1954). Mesmo assim, esteve em vários filmes importantes, como “A Malvada”, “Janela Indiscreta” e “Os Desajustados”. Sem grandes atrativos físicos, desempenhava com maestria os papéis de enfermeira ou governanta.  Ganhou um Tony em 1958, empatada com Gwen Verdon.
Em Confidências à Meia-Noite, Thelma Ritter
está a cara da Giulietta Masina!

Walter Brennan:  Ao contrário de Thelma, Walter teve seu talento reconhecido: foi três vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por “Meu filho é meu rival” (1936, ano em que a categoria foi criada), “Romance do Sul” (1938) e “O galante aventureiro” (1940). Foi animador das tropas da Primeira Guerra e amigo de Gary Cooper. Fazia todos os tipos de papéis, mas ficou famoso por seus velhos personagens caipiras e peculiares (um acidente que deixou-o quase sem dentes criou marcas que o faziam parecer bem mais velho do que era). Começou no cinema mudo, mas não era creditado. Fez também várias participações em séries de TV.

Mary Astor: Filha de mãe portuguesa e pai alemão, jovem atriz do cinema mudo, Mary passou para o cinema falado em papéis secundários. Entre seus trabalhos estão “O Falcão Maltês”(1941) e “Agora seremos felizes”(1944). Ganhou um Oscar em 1942 por “A Grande Mentira” . Lutou com o alcoolismo, tentou suicídio e viveu alguns escândalos conjugais. Escreveu várias memórias que se transformaram em best-sellers.

Peter Lorre: Austro-húngaro, protagonista da obra-prima de Fritz Lang “M – O vampiro de Dusseldorf”(1930) e da primeira versão de “O homem que sabia demais”(1934), Peter Lorre foi aos EUA e conseguiu bons papéis secundários em  “O Falcão Maltês”(191), “Casablanca”(1942) e “Passagem para Marselha” (1944). Duas curiosidades: Lorre foi aluno de Freud em Viena e convenceu Humphrey Bogart e Lauren Bacall a se casarem apesar da diferença de idade.

Mercedes McCambridge: Ganhadora do Oscar em sua estréia cinematográfica (“A Grande Ilusão”, 1949), Mercedes fazia, em geral, mulheres amarguradas e antagonistas. Trabalhou também no teatro, fazendo, por exemplo, a protagonista de “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, e no rádio. Fez parte do Mercury Theater, grupo de teatro de Orson Welles. Alguns de seus trabalhos mais importantes foram em “Johnny Guitar” (1954), “Assim Caminha a Humanidade” (1956) e como a voz demoníaca de “O Exorcista” (1973).

Claude Rains:  O grande Capitão Renault de Casablanca era quase cego de um olho (devido a ferimento na Primeira Guerra Mundial), deu aulas de  teatro numa universidade, foi casado seis vezes, era nervosinho, sovina e desenhou a lápide do próprio túmulo. Mas era um grande profissional: memorizava as falas de todos os atores, mesmo não sendo protagonista. Entre seus trabalhos destacam-se: “Lawrence da Arábia”(1963), “Interlúdio”(1946), “Vaidosa”(1944) e “A estranha passageira”(1942).

Celeste Holm: A bela loira nunca passou dos papéis secundários, embora já tenha passado dos 90 anos. Mas isso não impediu que ela deixasse sua marca em filmes como “A Malvada” e “Alta Sociedade”, onde, inclusive, faz um dueto com Frank Sinatra. Outros grandes feitos da coadjuvante foram: estrear no teatro em “Hamlet”, ao lado de Leslie Howard; fazer cinco peças com o lendário George M. Cohan; ganhar um Oscar por “A Luz é para todos”(1948) ; ser porta-voz da UNICEF e ter um título de cavaleira dado pelo rei da Noruega. Desde os anos 50 participa de diversas séries de TV e agora está de volta à tela grande.

Donald Crisp: O ganhador do Oscar por “Como era verde meu vale” tem um currículo invejável. Estreou em 1908, aos 26 anos, esteve em 170 filmes, atuou no cinema mudo e no sonoro com o mesmo sucesso, dirigiu 72 produções (a maioria no cinema mudo)... tudo isso sem ser o protagonista. Além disso, foi membro dos exércitos inglês e americano e conheceu Winston Churchill ainda jovem. Ele teve a honra de estar no primeiro filme de Griffith (The Muskeeters of Pig Alley), em “O Nascimento de uma Nação” (como o general Grant), como um extra em “Intolerância”, vivendo o pai autoritário de Lillian Gish em “Lírio Partido”(1919),  
na primeira versão de “O Grande Motim” (1935) e muito mais!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...