} Crítica Retrô: Bing Crosby

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Wednesday, November 9, 2016

Amar é Sofrer / The Country Girl (1954)

Em 1954, uma mulher baixinha com um vozeirão retomou a carreira no cinema depois de quatro anos afastada. Ela fez um longo e emocionante musical, e era a favorita para o Oscar de Melhor Atriz. Em 1954, uma moça recém-chegada, há apenas dois anos fazendo filmes, ganhou o Oscar de Melhor Atriz, contrariando todas as previsões. Judy Garland e Grace Kelly foram as protagonistas desta que até hoje é considerada uma das maiores injustiças da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Mas o que tinha a performance de Grace para conquistar os votantes?

In 1954, a short woman with a splendid voice came back to making movies after four years. She starred in a long and moving musical, and was the favorite to win the Best Actress Oscar. In 1954, a newcomer, who has been only making films for two years, won the Best Actress Oscar, against all odds. Judy Garland and Grace Kelly were the two ladies involved in this controversial Oscar race, one remembered until today as one of the biggest snubs in the Academy’s history. But what did Grace’s performance have to sweep the votes?
Em “Amar é Sofrer”, o diretor de teatro Bernie Dodd (William Holden) precisa de um novo protagonista para sua peça, e quem aparece para fazer um teste para o papel é Frank Elgin (Bing Crosby), um ator e cantor que há dez anos caiu no esquecimento e no vício em bebidas. Bernie o contrata, mas fazer a peça estrear não será tarefa fácil.

In “The Country Girl”, theater director Bernie Dodd (William Holden) needs a new leading man for his play. Who appears for the audition is Frank Elgin (Bing Crosby), an actor and singer who has been forgotten for ten years, since he started drinking. Bernie hires him, but to make the play hit the theaters won’t be an easy task.

Bernie acredita que a responsável por todos os problemas é a esposa de Frank, Georgie (Grace Kelly). Aparentemente, ela é uma mulher amarga e mandona, que sufoca o marido com seu jeito de ser. Bernie não podia estar mais enganado!

Bernie believes that the one to blame for all the problems is Frank’s wife, Georgie (Grace Kelly). Apparently, she is a bitter and bossy woman who won’t let her husband even breath. Oh, Bernie, how wrong you are!

SPOILERS

Há dez anos, Frank estava saindo de uma sessão de gravação com o filhinho do casal, Johnny, quando se distraiu e soltou o garoto. Johnny foi atropelado e morto. A partir de então, Frank, considerando-se responsável pela morte do filho, se entregou à bebida, tentou suicídio e passou a evitar toda e qualquer responsabilidade. Quando questionado sobre a razão de seus problemas, ele não menciona o acidente, mas inventa comportamentos descontrolados para a esposa.

Then years earlier, Frank was coming out of a recording session with the couple’s young son, Johnny, when he got distracted and let the boy’s hand go. Johnny was hit by a car and killed. From then on, Frank considered himself responsible for his son’s death, started drinking heavily and decided to avoid each and any responsibility. When asked about the reason of his problems, he doesn’t mention the accident, but makes up that his wife has been showing strange behaviors.

FIM DOS SPOILERS

END OF SPOILERS
Grace Kelly está muito diferente neste filme, embora o imaginário do público sobre ela ainda não estivesse bem construído em 1954. Foi com “Janela Indiscreta”, do mesmo ano, que o mundo descobriu a diva Grace Kelly. Mas aqui ela está sem maquiagem, veste-se como uma matrona e tem um tom de voz frágil e caipira, muito distinto da voz aveludada que tem em outros filmes.

Grace Kelly is very different in this film, even though her public persona was not yet consolidated in 1954. It was with “Rear Window”, released in the same year, that the world discovered Grace Kelly, the icon. But here she doesn’t use makeup, dresses matronly and has a fragile, simplorious voice, very distinct from the velvet voice we hear in other films.
Não foi, então, um Oscar dado para uma atriz interpretando um papel diferente do habitual. Bing Crosby, este sim, impressiona com a seriedade que imprime em Frank, e seu sofrimento traumático é genuíno. Mas voltemos à Grace Kelly.

This refutes the hypothesis that the Oscar was given to an actress playing against type. Her type wasn’t even printed in the audience’s mind by then! Bing Crosby, on the other hand, is impressive in the serious role of Frank, and his suffering is traumatic and believable. But, back to Grack Kelly…
Georgie não tem uma vida fácil. Ela perdeu um filho, e agora precisa vigiar o marido inseguro o tempo todo. O que você faria no lugar dela? É uma personagem de comportamento antiquado, que se sacrifica e prefere ver o homem que ama feliz a ser ela própria feliz. Nesse aspecto, o filme e a personagem envelheceram mal.

Georgie doesn’t have an easy life. She lost her son and now has to look after her insecure husband all the time. What would you do in her place? She is an old-fashioned character, one who sacrifices herself and her own happiness to see the man she loves happy. In this light, the film and the character aged badly.
A Esther Blodgett / Vicki Lester de Judy Garland sofre vendo a carreira do marido, Norman Maine (James Mason) entrar em declínio enquanto a dela ganha força. É de se espantar, aliás, a semelhança temática dos dois filmes: “Amar é Sofrer” e “Nasce uma Estrela”. Show business, apogeu, queda e reerguimento, relacionamentos, o papel de marido e mulher no show business.

The Esther Blodgett / Vicki Lester played by Judy Garland suffers when she sees her husband Norman Maine’s (James Mason) career going downwards at the same time hers goes up. By the way, it’s surprising how thematically similar the two films are: “The Country Girl” and “A Star is Born”. They talk about show business, relationships, rise, fall and comebacks, the role of husband and wife in show business.
A diferença é o comportamento das personagens. Vicki Lester passa por um tour de force, e exige muito emocionalmente de Judy Garland. Ela é esperançosa, determinada, sofredora, apaixonada, mas resiste e dá a volta por cima. Georgie abdica de si mesma, e prefere viver à sombra de seu marido. Sim, amigos: foi mais uma escolha machista e antiquada.

What makes them different is how each character behaves. Vicki Lester has a tour de force, and she is a character that demands a lot emotionally from Judy Garland. She is hopeful, brave, she suffers and falls in love, but, most of all, she goes on and overcome the obstacles. Georgie abdicates from her own happiness, and prefers to live in the shadow of her man. Yes, my friends: it was another sexist, old-fashioned choice.
Se não fosse a controvérsia do Oscar, “Amar é Sofrer” estaria esquecido no meio da filmografia de seus astros. Tenta ser nobre, ao estilo “A Malvada”, e funciona bem como drama. O veredicto? Grace está bem, mas Judy merecia o Oscar.

If it wasn’t the Oscar controversy, “The Country Girl” would be forgotten in the middle of its stars’ filmography. It tries to be as noble and wise as “All About Eve”, and it works well as a heavy drama. The verdict? Grace is good, but Judy deserved the Oscar.

This is my contribution to the 2nd Wonderful Grace Kelly Blogathon, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema. 

Wednesday, July 15, 2015

A Caminho do Rio / Road to Rio (1947)

O ano é 1947. Desde 1944 Bing Crosby detinha o título de ator com maior sucesso de bilheteria. Em uma situação muito confortável, ele fez com seus parceiros Bob Hope e Dorothy Lamour o quinto dos sete filmes da série “Road to...”, que misturavam comédia, romance e musical em cenários exóticos. Desta vez os três astros iriam para o Rio de Janeiro, e o resultado, além de um filme divertidíssimo, é a imagem mais fiel do Brasil pintada pela era de ouro dei Hollywood.
É como Crosby, junto com as Andrews Sisters, canta sobre o Brasil: não é preciso entender a língua para compreender o que acontece aqui. Bastam a lua, o céu e uma garota nos seus braços. Aí é só olhar fundo nos olhos dela e as palavras serão supérfluas. Mas o riso é garantido.
Scat Sweeney (Bing Crosby) e ‘Hot Lips’ Barton (Bob Hope) estão atrás de mulheres. A busca da dupla já terminou com tiros e homens irados em diversos estados dos Estados Unidos, e a nova empreitada deles também é um fracasso: eles fazem, literalmente, um circo pegar fogo. Na fuga desesperada, eles entram como clandestinos no navio “Queen of Brazil”.

No navio viajam Lucia Maria de Andrade (Dorothy Lamour), sua tia / guardiã / hipnotizadora Catherine Vail (Gale Sondergaard) e mais uma galeria de personagens com alto potencial cômico, incluindo uma banda. Metade do filme se passa neste trajeto que por vezes fica lento, mas nunca cansativo.
Eles são recebidos no Brasil com a mesma música que recebeu o pato Donald cinco anos antes: “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso. A música, só instrumental, sem letra, também acompanha os créditos iniciais, quando os nomes do trio protagonista aparecem dançando sobre a paisagem de Copacabana.

Felizmente, não há os absurdos costumeiros que vemos quando o Brasil é mostrado no cinema de Hollywood. Não há macacos nem papagaios nas ruas e as pessoas não falam espanhol. Bing Crosby, para surpresa geral, pronuncia até muito bem algumas frases em português. É incrível pensar que cenários tão realistas, como a roda de samba, o hotel e a mansão que aparece no final do filme, foram todos construídos nos estúdios Paramount, mas, obviamente, com boa pesquisa prévia. Observe as roupas dos músicos, os instrumentos e até os cartazes em português! 
E são os Wiere Brothers, também falando um pouco de português, que roubam a cena. Os três irmãos Wiere nasceram na Europa, durante as muitas viagens teatrais dos pais, e foram para os Estados Unidos na década de 1930, mas fizeram poucos filmes. Os palcos continuaram sendo sua morada.
A maioria das piadas vem de diálogos espirituosos, mas há duas longas sequências mudas: na primeira, Hope e Crosby se passam pelo barbeiro e pelo engraxate do navio, e destroem o bigode de um passageiro; e na segunda há uma confusa troca de chapéus, no melhor estilo comédia pastelão / slapstick comedy.

Talvez “Road to Rio” não seja um filme realmente especial. Mesmo assim, foi o sexto maior sucesso de bilheteria de 1947, arrecadando o equivalente a 4,5 milhões de dólares. É uma comédia excelente, do tipo que não é mais feito na atualidade, e que consegue ser ao mesmo tempo um pouquinho apimentada e inteligentemente inocente. Porque é essa mágica que o Rio de Janeiro fez com Crosby, Hope e Lamour.

This is my contribution to the 1947 blogathon, hosted by Karen at Shadows and Satin and Kristina at Speakeasy. 

Tuesday, January 21, 2014

E se... Skyfall fosse protagonizado por Sean Connery?

O ano é 1965. Já estreou “007 contra o satânico Dr No / Dr No” em 1962, Bond já fez seu esforço anti-soviético em “Moscou contra 007 / From Russi with Love” em 1963 e já surgiu nas telas talvez o mais icônico filme do agente, “007 contra Goldfinger / Goldfinger” em 1964. Imagine que os livros de Ian Fleming não são mais interessantes e a ideia é criar uma história original com o personagem. Sim, porque o roteiro de “007 – Operação Skyfall / Skyfall”, de 2012, é original, e com certeza muitos saudosistas assistiram a esse filme pensando: “Sean Connery foi o melhor James Bond!”. Bem , e se Skyfall fosse feito em 1965?

James Bond (Daniel Craig): Sean Connery
M (Judi Dench): Marlene Dietrich
Silva (Javier Barden): Anthony Perkins
Eve Moneypenny (Naomie Harris): Rita Moreno
Gareth Mallory (Ralph Fiennes): Bing Crosby
Q (Ben Whishaw): Dean Stockwell

Na década de 1960, eram poucas as atrizes que chegavam à meia-idade e continuavam com bons papéis. Ou era interpretar a vovozinha ou aposentadoria. Mas não para Marlene Dietrich. A alemã nunca se curvou aos estereótipos de Hollywood e continuou com papéis marcantes, como em “Testemunha de Acusação / Witness for the Prosecution” (1957) e “O Julgamento de Nuremberg / Judgement in Nuremberg” (1960). Ela seria perfeita para o papel de M, a chefe meio mãe de 007.
E que clichê temos aqui? Considero Anthony Perkins um ator muito versátil, mas que não conseguiu escapar do fantasma de Norman Bates. E, se pensarmos bem, o vilão Silva tem algo em comum com Norman...
Hoje 007 tem uma companheira mulata, mas isso seria pouco provável na década de 1960. Mesmo assim, o papel de fica com Rita Moreno, cuja carreira estava no auge após receber o Oscar em 1962.
Mallory, personagem de Ralph Fiennes, é o presidente do Comitê de Inteligência e Segurança, e está cotado para ficar no lugar de M. Acredito que Fiennes tem uma pequena semelhança com Bing Crosby. E quem não gostaria de ver Bing e Marlene Dietrich brigando pelo cargo de chefe do MI6?
Dean Stockwell, um dos poucos atores mirins que prosperaram na carreira, seria o jovem gênio do MI6, Q, o responsável pelas geringonças mirabolantes usadas por Bond.
Sean Connery teria muitas oportunidades para mostrar seu físico e seu peito peludo nas mesmas situações que Daniel Craig o fez. Passando pela China, Turquia e pela velha propriedade da família Bond, o 007 original teria árias cenas de ação a serem filmadas.
Ah, antes que eu me esqueça: a música ganhadora do Oscar, Skyfall, seria cantada por Dusty Springfield.

Seria ou não um sucesso?

Thursday, January 17, 2013

Quem foi o melhor cantor do cinema?

Duas vozes potentes, dois intérpretes carismáticos que conquistaram o cinema, o rádio e a televisão. Ambos ganharam Oscars, fizeram muito sucesso, tiveram vidas pessoais dignas de interesse e, com algum esforço, é até possível reconhecer que os olhos azuis conferiam alguma semelhança física entre os dois. Frank Sinatra e Bing Crosby foram os maiores cantores que também invadiram as telas do cinema. Mas qual seria o melhor? 

Vida pessoal: Harry Lillis Crosby nasceu em 1903 e faleceu em 1977. Era o quarto de sete irmãos. Foi casado duas vezes e teve sete filhos. Enviuvou aos 49 anos e casou-se com a também cantora Kathryn Grant. Dois de seus filhos do primeiro casamento cometeram suicídio. Os outros dois morreram de causas mais naturais. Apenas os três do segundo casamento ainda estão vivos.
Um minuto de silêncio pelos frutos do primeiro casamento
Francis Albert Sinatra nasceu em 1915 e faleceu em 1998. Era filho único. Foi casado quatro vezes e teve três filhos, todos com a primeira esposa. Suas cônjuges incluem Ava Gardner e Mia Farrow. Seu filho Frank Sinatra Jr já faleceu, as filhas Nancy e Tina continuam vivas.

Carreira: Bing começou no cinema em 1930 e nos anos seguintes fez uma série de curtas em que aparecia apenas cantando. Só em 1933 fez seu primeiro personagem que não se chamava Bing. Sua filmografia no IMDb conta 86 títulos.
Frank apareceu nas telas pela primeira vez em 1941, ao lado da “Tommy Dorsey Orchestra”. Só em 1944 fez um personagem que não se chamasse Frank. Sua filmografia é menor, com 63 títulos como ator.

Prêmios: Bing ganhou o Oscar de Melhor Ator em 1946, por “O Bom Pastor / Going my Way”. Foi escolhido o ator mais popular por cinco anos consecutivos. Assim como Sinatra, tem um Cecil B. DeMille Award e três estrelas na Calçada da Fama. Além de suas duas músicas mais famosas, outras duas canções que ele cantou ganharam o Oscar: “Sweet Leilani” e “In the cool, cool, cool of the evening”.
Frank ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1954, por “A um passo da eternidade / From here to eternity”. Três músicas cantadas por ele em filmes também ganharam o Oscar de Melhor Canção Original: “Three Coins in the Fountain”, “All the way” e “High Hopes”. Também foi vencedor de um Emmy, três Globos de Ouro e dezenas de outras honras.
Um programa para chamar de seu: “The Bing Crosby Show” teve uma temporada, contabilizando 27 episódios de meia hora. Ele contava a história de um casal com duas filhas adolescentes e um amigo que há tempos vivia na casa deles.

“The Frank Sinatra Show” surgiu primeiro em 1950, durando duas temporadas com episódios de 60 minutos em que esquetes e apresentações musicais eram mostrados. Em 1957, Frank fez uma nova tentativa em outra emissora. Também com 60 minutos de duração, essa nova série, com o mesmo nome, mesclava episódios dramáticos com episódios de variedades.
Greatest Hits: Bing é mais conhecido pela música de Natal “White Christmas”, que vendeu cerca de 100 milhões de cópias ao redor do mundo. Sua segunda música mais famosa talvez seja “Swinging on a Star”.
Frank é a voz que imortalizou “My Way”. Outra música fortemente relacionada a ele é “Strangers in the Night”.

Filantropia: A fama pode mexer com as pessoas de uma maneira boa. Bing começou seu trabalho filantrópico em 1937, com um campeonato de golfe cujos lucros seriam revertidos em ajuda para atletas. Sua caridade se estendeu para atletas universitários, escoteiros, bandeirantes e até a Cruz Vermelha. Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou pesado para ajudar seu país.
A atividade favorita de Sinatra era ajudar crianças carentes, mas ao longo da carreira ele contribuiu com mais de um bilhão de dólares para a saúde, ciência e educação em diversos países. Também sempre ajudou amigos com problemas. Pagou anonimamente pelo funeral de Bela Lugosi, que estava falido.

Reconhecimento: Quando Bing se casou pela primeira vez, em 1930, sua esposa Dixie Lee era mais famosa que ele e uma manchete chegou a estampar: “Conhecida estrela da Fox se casa com Bing Covery”. Dezoito anos depois, ele foi escolhido o homem mais admirado do mundo. Durante a carreira, seus filmes venderam mais de um bilhão de ingressos e Bing fez cerca de quatro mil apresentações no rádio.
Sorvete do Bing
Se as adolescentes da década de 1960 viveram a Beatlemania, as da década de 1940 tiveram a Sinatramania. Embora seu sucesso tenha caído um pouco ao final dos anos 40, Frank é um dos mais conhecidos showmen do século XX. Apelidado simplesmente de “A Voz”, também era pintor e inclusive foi responsável pela capa de um de seus álbuns. Inspirou uma série de produtos, inclusive uma boneca Barbie. 
Os encontros: Bing e Frank fizeram juntos o divertido filme “Robin Hood de Chicago / Robin and the Seven Hoods” (1964), um musical que satirizava os filmes de gângsteres, já fora de moda na época. Oito anos antes, eles disputaram o amor de Grace Kelly em “Alta Sociedade”. Também apareceram juntos na TV e gravaram um disco de Natal.

Apesar da suposta rivalidade que foi criada pela mídia envolvendo os dois artistas, Frank e Bing eram bons amigos. Em 1943, quando Sinatra estava começando, Bing enviou-lhe uma carta com vários conselhos (o conteúdo, em ingês, pode ser lido aqui), e anos depois disse: “Frank é um desses cantores que aparecem uma vez na vida. Mas por que tinha que ser justo durante a minha vida?”. 
Qual deles é seu favorito? Ou seria seu cantor de cinema preferido Maurice Chevalier? Yves Montand? Howard Keel? Mario Lanza? Carlos Gardel? Al Jolson?...
This post is part of the “Best of the best Blogathon”, hosted by A Potpourri of Vestiges.
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Friday, March 30, 2012

Astros de batina

Um dos maiores desafios do ofício de um ator é interpretar personagens muito diferentes de sua realidade. Isso exige estudo e preparo, além de uma boa dose de intuição. Para os homens, talvez um dos grandes desafios seja interpretar padres e outros clérigos. Com certeza, em Hollywood não havia muitos candidatos a santos fora das telas, mas no cinema temos muitos exemplos de astros de batina.

Spencer Tracy em “San Francisco” (1936) e “A Hora do Diabo / The Devil at Four O’Clock” (1961): Se Deborah Kerr encarnou uma freira em duas ocasiões (em 1946, em “Narciso Negro” e onze anos depois em “O Céu por Testemunha”), foi Spencer Tracy o ator que por duas vezes viveu um padre. Em ambas ele exerce o sacerdócio em meio a desastres naturais. Em 1936, ele dá vida ao Padre Tim Mullen, amigo do protagonista Blackie (Clark Gable) e tenta fazê-lo mudar de vida, até que acontece o grande terremoto de 1906. Vinte e cinco anos depois, ele interpreta o Padre Matthew Doonan, que precisa retirar um grupo de crianças de um leprosário antes que um vulcão entre em erupção. Para isso, ele contará com a ajuda de três condenados, entre eles Frank Sinatra .
Bing Crosby em “O Bom Pastor / Going my Way” (1944) e “Os sinos de Santa Maria / The bells of Saint Mary” (1945): O cantor e ator Bing Crosby interpretou o mesmo padre em dois filmes. No primeiro, pelo qual ele ganhou um Oscar, Padre Chuck O’Malley usa seus conhecimentos mundanos para ajudar um grupo de crianças e ainda canta a famosa música “Swinging on a Star”. E no ano seguinte ele repete o papel ao lado de Ingrid Bergman vestida de freira. A missão deles é salvar a escola da cidade de Santa Maria. Em uma terceira ocasião, no musical “Robin Hood de Chicago / Robin and the 7 Hoods” (1964), Crosby faz um número musical disfarçado de reverendo.

Frank Sinatra em “O Milagre dos Sinos / The Miracle of the Bells” (1948): Frank interpreta o Padre Paul neste filme que gira em torno da tentativa de um agente de transformar em um evento a morte de uma aspirante a estrela de cinema. Tendo falecido após fazer apenas um filme em Hollywood, a moça vai ser enterrada em sua cidade natal e seu agente pede que todas as igrejas toquem seus sinos por três dias.
Montgomery Clift em “A Tortura do Silêncio / I Confess” (1953): O Padre Michael Logan se vê numa situação difícil após ouvir a confissão de um crime. Respeitando a regra de tornar público o segredo do confessor, ele passa a ser o principal suspeito nesta obra de Hitchcock.
Gene Kelly em “O Bom Pastor / Going my Way” (1962-63): Em um ano da série, Gene interpretou o Padre Chuck O’Malley em 30 episódios, papel feito no cinema por Bing Crosby. Em uma história mais moderna, o padre chega para ajudar um reverendo mais velho (Leo G. Carroll) e ainda encontra um velho amigo (Dick York) que cuida do centro comunitário local. Mais informações sobre a série aqui. Amém!

Wednesday, November 9, 2011

Alta Sociedade / High Society (1956)

É preciso um trio de peso para fazer frente aos protagonistas da primeira versão da história, levada às telas em 1940 com o título “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story”: Katharine Hepburn, James Stewart e Cary Grant. O elenco foi, de fato, esplêndido: Grace Kelly, Frank Sinatra e Bing Crosby. Embora charmosos ao extremo, eles não conseguiram chegar ao nível das três lendas das décadas de 30 e 40, embora façam um espetáculo digno de nota.
A socialite Tracy Lord (Grace) está prestes a trocar alianças pela segunda vez. Seu casamento é de interesse público, por isso dois repórteres (Frank e Celeste Holm) são enviados para cobrir a cerimônia contra a vontade da noiva. O charme do personagem de Frank, Mike Connor (interpretado por James Stewart no original), desperta a paixão de Tracy, que tem mais alguns empecilhos: o ex-marido C. K. Dexter Haven (Bing aqui, Cary Grant em 1940) e sua irmãzinha palpiteira Caroline (Lydia Reed). Tracy fica dividida entre Dexter, Mike e seu futuro marido que, de longe, é o que tem menos chances de conquistar o coração da moça.
Frank e Bing emprestam todo seu carisma e suas belas vozes para dar um toque todo especial aos seus galantes personagens, chegando muito perto das interpretações de Stewart e Grant, igualmente adoráveis, mas nem um pouco afinados. Veja e ouça, por exemplo, como James Stewart entoa “Over the Rainbow” na versão original, bêbado e carregando Kate Hepburn no colo.
A música e o colorido são grandes destaques, pois não estavam presentes na primeira versão. Com músicas de Cole Porter que ajudam a dar fluidez à trama sem atrapalhá-la, o filme abusa dos talentos musicais. Além de Crosby e Sinatra, há a ilustre presença de Louis Armstrong, um gigante da música americana que interpreta a música homônima ao filme. Fica a cargo de Bing a romântica “True Love” com Grace e Sinatra brilha em um dueto com Celeste Holm no empolgante número “Who wants to be a millionaire”. 

A interpretação de Grace Kelly, de malas prontas para tomar seu posto como princesa de Mônaco, tem várias falas e momentos idênticos aos de Hepburn. Usando seu real anel de noivado, ela assume um papel pensado inicialmente para Elizabeth Taylor. É a segunda vez que ela trabalha com Bing Crosby, tendo sido a primeira o filme pelo qual ganhou seu Oscar, “Amar é Sofrer / The Country Girl” (1954). Elegante e bela como sempre, Grace não consegue, no entanto e em minha humilde opinião, se aproximar da performance de Katharine. Ambas viveram de certo modo a realidade de Tracy Lord, mas é a ruiva que incorpora melhor sua personalidade (ou talvez lhe empresta sua própria personalidade?).   
A história surgiu como uma peça de Philip Barry e foi estrelada nos palcos da Broadway por Katharine Hepburn, que comprou os direitos da peça e mais tarde vendeu-os para a MGM com a condição de que ela fosse a protagonista, tornando o filme de 1940 o pontapé inicial para o renascimento de sua carreira. Neste ano o filme levou os prêmios Oscar de Melhor Roteiro e Melhor Ator para James Stewart. Com diálogos afiados, talvez o original seja de fato bem superior ao seu remake, mas justiça seja feita: “Alta Sociedade” é entretenimento de altíssima qualidade.
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