} Crítica Retrô: Rita Moreno

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Tuesday, January 21, 2014

E se... Skyfall fosse protagonizado por Sean Connery?

O ano é 1965. Já estreou “007 contra o satânico Dr No / Dr No” em 1962, Bond já fez seu esforço anti-soviético em “Moscou contra 007 / From Russi with Love” em 1963 e já surgiu nas telas talvez o mais icônico filme do agente, “007 contra Goldfinger / Goldfinger” em 1964. Imagine que os livros de Ian Fleming não são mais interessantes e a ideia é criar uma história original com o personagem. Sim, porque o roteiro de “007 – Operação Skyfall / Skyfall”, de 2012, é original, e com certeza muitos saudosistas assistiram a esse filme pensando: “Sean Connery foi o melhor James Bond!”. Bem , e se Skyfall fosse feito em 1965?

James Bond (Daniel Craig): Sean Connery
M (Judi Dench): Marlene Dietrich
Silva (Javier Barden): Anthony Perkins
Eve Moneypenny (Naomie Harris): Rita Moreno
Gareth Mallory (Ralph Fiennes): Bing Crosby
Q (Ben Whishaw): Dean Stockwell

Na década de 1960, eram poucas as atrizes que chegavam à meia-idade e continuavam com bons papéis. Ou era interpretar a vovozinha ou aposentadoria. Mas não para Marlene Dietrich. A alemã nunca se curvou aos estereótipos de Hollywood e continuou com papéis marcantes, como em “Testemunha de Acusação / Witness for the Prosecution” (1957) e “O Julgamento de Nuremberg / Judgement in Nuremberg” (1960). Ela seria perfeita para o papel de M, a chefe meio mãe de 007.
E que clichê temos aqui? Considero Anthony Perkins um ator muito versátil, mas que não conseguiu escapar do fantasma de Norman Bates. E, se pensarmos bem, o vilão Silva tem algo em comum com Norman...
Hoje 007 tem uma companheira mulata, mas isso seria pouco provável na década de 1960. Mesmo assim, o papel de fica com Rita Moreno, cuja carreira estava no auge após receber o Oscar em 1962.
Mallory, personagem de Ralph Fiennes, é o presidente do Comitê de Inteligência e Segurança, e está cotado para ficar no lugar de M. Acredito que Fiennes tem uma pequena semelhança com Bing Crosby. E quem não gostaria de ver Bing e Marlene Dietrich brigando pelo cargo de chefe do MI6?
Dean Stockwell, um dos poucos atores mirins que prosperaram na carreira, seria o jovem gênio do MI6, Q, o responsável pelas geringonças mirabolantes usadas por Bond.
Sean Connery teria muitas oportunidades para mostrar seu físico e seu peito peludo nas mesmas situações que Daniel Craig o fez. Passando pela China, Turquia e pela velha propriedade da família Bond, o 007 original teria árias cenas de ação a serem filmadas.
Ah, antes que eu me esqueça: a música ganhadora do Oscar, Skyfall, seria cantada por Dusty Springfield.

Seria ou não um sucesso?

Friday, August 30, 2013

Variações sobre o mesmo tema: Anna e o Rei do Sião (1946) e O Rei e Eu (1956)

Embora Reginald Johnson, tutor do último imperador da China, tenha tido uma papel semelhante na história e tenha sido também eternizado no cinema por Peter O’Toole em “O Último Imperador” (1989), Anna Leonowens continua como a mais famosa educadora ocidental no oriente. Essa premissa já se mostra falsa ao descobrirmos que Anna nascera na Índia, mas esta é apenas uma das muitas licenças cinematográficas sobre a vida da mulher que serviu ao rei do Sião e cuja história foi contada em dois filmes inesquecíveis.
Anna Leonowens (Irene Dunne em 1946 e Deborah Kerr em 1956) é uma viúva inglesa que viaja ao Sião com o filho, pois foi contratada para ser tutora dos filhos do rei Mongkut (Rex Harrison e Yul Brynner). Não demora para que Oriente e Ocidente entrem em conflito e choques culturais aconteçam. Para começar, Anna se surpreende com a poligamia e com as centenas de filhos do rei. Depois, vossa majestade instala a tutora no palácio, e não em uma casa própria, como ele havia prometido. A situação fica realmente crítica quando chega a escrava birmanesa Tuptim (Linda Darnell e Rita Moreno), a nova esposa do rei que não quer se casar de jeito de nenhum, porque tem outro amor.
O rei do Sião passou para a história como um dos monarcas mais hilários que já existiu, graças à visão sempre eurocêntrica com a qual é retratado. Rex Harrison, em seu primeiro trabalho no cinema americano, está bem magro, excessivamente maquiado e bastante divertido. A vontade de obter mais conhecimento e o descompasso entre as tradições inglesa e siamesa fica mais latente na versão de 1946. Dez anos depois, o traço maior de fome de saber do rei é a música “A Puzzlement”, a única cantada pelo personagem.
Os originais
Anna é explorada mais a fundo na versão de 1946. Ela passa por momentos de raiva, compaixão, admiração e divertimento com o rei. Ela se envolve com os problemas das muitas esposas, de Tuptim em especial. Ela é mais incisiva em suas vontades e em suas lições tanto para as crianças quanto para o rei. Talvez o fato de Irene Dunne já ser uma grande estrela na época tenha direcionado o foco dessa versão mais para Anna, enquanto o musical foca bastante no rei. Não que Deborah Kerr esteja mal: dublada em suas canções por Marni Nixon, ela expressa saudades do marido falecido e o amor pelas crianças.
A Anna de Irene é mais maternal, e o filme de 1946 dá bastante espaço para Louis (Richard Lyon e Rex Thompson), o filho de Anna, que inclusive se torna amigo do príncipe Chulalongkorn (Tito Renaldo e Patrick Adiarte) e cujo destino é bastante fantasioso neste filme. Ambas as versões ocultam um fato: Anna não tinha um, mas dois filhos: além de Louis, ela levou também ao Sião a filha mais velha, Avis. A Anna de Deborah Kerr não era nem para ter existido: a ideia inicial era que Gerturde Lawrence fizesse o mesmo papel que fazia ao lado de Yul na Broadway. Entretanto, ela faleceu antes do início das filmagens e começou a cruzada para arranjar uma substituta. Kerr não foi a primeira opção, pois Maureen O’Hara, cujo potencial como cantora quase nunca é reconhecido, foi recusada. Além do mais, Dunne é uma confidente do rei, enquanto a relação de Kerr com o soberano tem um lado mais amoroso, pois ele sente ciúmes dela e a música “Shall We Dance” mostra toda a tensão sexual entre eles.
A disputa é acirrada quando se trata do rei. Não é possível negar que este é o papel mais comumente associado a Yul Brynner, um tipo exótico que sem o rei do Sião dificilmente conseguiria trabalho em Hollywood. Brynner deu vida a Mongkut desde a estreia do musical em 1951 na Broadway, e continuou protagonizando novas temporadas dele até sua morte em 1985, além de interpretar o rei na televisão em 1972. Rex Harrison, por sua vez, tem outros personagens memoráveis, entre eles o protagonista de “O Fantasma Apaixonado \ The Ghost and Mrs Muir” (1947) e o professor Higgins em “My Fair Lady” (1964), pelo qual ganhou o Oscar. “O Rei e Eu” foi o responsável por dar o Oscar de Melhor Ator a Yul Brynner, e aqui tenha minha opinião: quem merecia o prêmio na ocasião era Kirk Douglas por interpretar Van Gogh em “Sedede Viver \ Lust for Life”. 
Todas as obras referentes a Anna e o rei do Sião são baseadas nas memórias de Anna e também no livro escrito por Margaret Landon em 1944. Ambas eram feministas, e por isso deram bastante ênfase à misoginia com que as várias mulheres da corte eram tratadas. Em 1946, o rei surge como uma figura mais engraçada, pois sua busca por sabedoria muitas vezes se mostra ingênua, enquanto em 1956 e na própria peça de teatro de Rodgers & Hammerstein ele é uma figura mais tirânica. O reflexo dessa caracterização foi óbvio: na Tailândia, antigo Sião, a versão de 1956 foi banida, enquanto a de 1946 pode ser exibida. Mesmo assim, a primeira provocou reação: dois intelectuais tailandeses escreveram em 1948 um livro com sua versão sobre o rei do Sião.

A história de Anna e o rei do Sião também virou desenho, em 1999, e mais um filme, no mesmo ano, com Jodie Foster e Yun-Fat Chow. Com alguns exageros e outros detalhes surpreendentes (o rei realmente escreveu para o presidente dos Estados Unidos oferecendo-lhe uma manada de elefantes, o que Abraham Lincoln recusou educadamente), a história dessas duas pessoas tão diferentes merece ser conhecida, não importa a qual versão você assista. Et cetera, et cetera, et cetera : ) 

This is my last contribution to the Summer Under the Stars Blogathon, hosted by Jill at Sittin’ on a Backyard Fence and Michael at ScribeHard on Film. Wonderful event!

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