Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик
Showing posts with label Quo Vadis. Show all posts
Showing posts with label Quo Vadis. Show all posts
Friday, June 7, 2013
Tuesday, January 10, 2012
O cinema em chamas
Um espírito pirotécnico às vezes invade diretores e roteiristas de cinema, criando grandes cenas em que desastres acontecem e grandes propriedades são queimadas. Além de acrescentarem imensa dramaticidade a qualquer filme, as cenas de incêndio são de difícil e meticulosa execução, consumindo longo tempo de planejamento e filmagem. Nada pode sair errado, e tamanha dedicação deu origem a cenas memoráveis. Extintores a postos e vamos lá!
E o vento levou / Gone with the Wind (1939): Talvez o mais conhecido de todos, o incêndio de Atlanta, em meio ao nascimento do filho de Melanie (Olivia de Havilland) e Ashley (Leslie Howard), quase enlouquece Scarlett (Vivien Leigh), que felizmente contou com a ajuda de Rhett (Clark Gable) para fugir. A própria filmagem causou frenesi, pois muitas pessoas ligavam para os bombeiros pensando que o estúdio estava queimando à revelia, enquanto na verdade o diretor Victor Fleming controlava as chamas que destruíam os cenários usados em “King Kong” (1933).
Jane Eyre (1943): Tudo bem que um incêndio em preto-e-branco não tem muita graça, mas ele é de extrema importância nesta adaptação do romance de Charlotte Brontë. Não muito grandioso, mas igualmente destruidor: e lá se foi o castelo do Sr Rochester (Orson Welles).
Albuquerque (1948): Um pequeno incêndio acomete a empresa de fretes de John Armin (George Cleveland) e o principal suspeito de tê-lo provocado é seu sobrinho Cole (Randolph Scott). Cole vai preso, depois de um dos julgamentos mais rápidos da história do cinema, tão depressa quanto o próprio incêndio mixuruca.
Fúria Sanguinária / White Heat (1949): Cody Jarrett (James Cagney) tem o azar de chegar ao “topo do mundo” bem no meio de um incêndio em uma usina nuclear enquanto foge da polícia.
Quo Vadis (1952): O imperador Nero (Peter Ustinov) decide dar um fim nos cristãos e manda atear fogo na parte da cidade em que eles moram. Em meio às chamas, o soldado Marcus Vinicius (Robert Taylor) tenta desesperadamente salvar sua amada cristã, Lygia (Deborah Kerr).
Johnny Guitar (1954): Por uma série de motivos, Emma (Mercedes MacCambridge) coloca fogo no salão de sua rival Vienna (Joan Crawford) que já estava ameaçado pela construção de uma estrada de ferro. Mas Vienna não vai deixar barato, indo atrás de vingança no melhor estilo faroeste.
No caminho dos elefantes / Elephant Walk (1954): Uma mansão foi construída no caminho usado pelos paquidermes para conseguirem água. Depois de anos ameaçando derrubar a propriedade, os imensos animais não apenas o fazem como também causam um incêndio – e com Elizabeth Taylor dentro da casa!
O Mercador de Almas / The Long, Hot Summer (1957): Paul Newman tem um impulso piromaníaco que o deixou com péssima fama e o obrigou a procurar emprego numa cidadezinha em que tudo parece pertencer a Orson Welles.
O Homem que matou o facínora / The man who shot Liberty Valance (1962): Um pouco chateado com a vida e com a perda de sua namorada, Tom Doniphon (John Wayne) decide botar fogo na casinha que vinha construindo com muita dedicação e ficar lá dentro para ser consumido pelas chamas ou se deixar asfixiar pela fumaça.
Inferno na Torre / The Towering Inferno (1974): O arquiteto Doug Roberts (Paul Newman) está todo satisfeito com a inauguração do arranha-céu que ele projetou. Porém, na grande noite, seu medo se torna real quando o início de um incêndio denuncia a má construção do prédio. No elenco também estão Steve McQueen, Fred Astaire, Robert Wagner, Jennifer Jones, William Holden e Faye Dunaway, entre outros.
Monday, August 1, 2011
Quo Vadis (1951)
Nesse contexto surge um amor proibido quase shakespeariano entre o general Marcus Vinicius (Robert Taylor) e a plebeia Lygia (Deborah Kerr), o que desagrada o desequilibrado Nero (Peter Ustinov, insuperável). Durante quase três horas de projeção, o casal frequenta cerimônias religiosas então banidas, conhecendo São Pedro (Finlay Currie), enfrentando o imperador, escapando de um incêndio e ficando muito perto de virar comida de leões.
O projeto foi concebido para ser estrelado por Elizabeth Taylor e Gregory Peck em 1949. Ele acabou sendo deixado de lado por dois anos até que fosse realizado. Com os dois astros indisponíveis, Clark Gable foi procurado para o papel principal. Aos 50 anos, Gable recusou-o por considerar ridícula a sainha do uniforme de soldado romano. Elizabeth Taylor foi chamada para fazer uma ponta como extra. Outra figurante famosa no filme é Sophia Loren, ainda no início da carreira. Por ser uma longa produção com cenários gigantescos e 30000 extras, é quase impossível identificar as duas mulheres em meio à multidão, o que causa controvérsia sobre quando e mesmo se elas realmente participaram do filme.
A recusa de Gable foi de extrema sorte para Robert Taylor, galã que viu sua carreira renascer das cinzas após “Quo Vadis” e hoje, infelizmente, está um pouco esquecido. Par romântico de mulheres talentosíssimas como Greta Garbo em “A Dama das Camélias / Camille” (1936) e Vivien Leigh em “A Ponte de Waterloo / Waterloo Bridge” (1940), ele normalmente era ofuscado por suas parceiras ou coadjuvantes. Aqui, quem rouba a cena é o polivalente Peter Ustinov, interpretando com perfeição o louco imperador megalomaníaco.
| Nero entediado |
O título em latim vem da frase de São Pedro: “Quo Vadis, Domine?” (“Aonde vai, Senhor?”). Trata-se, acima de tudo, de um filme bíblico que mostra como os cristãos resistiram bravamente às perseguições durante o Império Romano. É de impressionante beleza a sequência de torturas mortais aos quais, sadicamente, os grupos de cristãos são submetidos e, inevitavelmente, a eles sucumbem: lutas com leões, crucificação, queima na fogueira. Ao mesmo tempo em que nos comovem, essas cenas fazem o espectador mais sagaz lembrar o que, séculos mais tarde, os próprios cristãos, aqui vítimas, fariam com os hereges durante a Inquisição.
Com direção de Mervin LeRoy, substituindo John Huston, e música de Miklós Rózsa, “Quo Vadis” é puro entretenimento em tons vibrantes de Technicolor, que deixam a cena do incêndio ainda mais grandiosa (sinceramente, não tem graça filmar um incêndio em preto-e-branco). O compositor assinou as trilhas de outros grandes épicos, a exemplo de “Rei dos Reis / King of Kings” (1963) e “Ben-Hur” (1959). Mais um grande nome é Walter Pidgeon, responsável pela narração. E é nisso que poderia dar uma reunião de tantas estrelas: um grande filme (em todos os sentidos).
Labels:
1951,
bíblico,
Deborah Kerr,
drama,
épico,
incêndio,
Nero,
Peter Ustinov,
Quo Vadis,
Robert Taylor,
Roma
Subscribe to:
Posts (Atom)

