} Crítica Retrô: Sheldon Cooper

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Friday, May 8, 2015

Sem Amor / Without Love (1945)

Um amor nerd na vida é tudo que queremos? Talvez hoje, para algumas pessoas, sim. Mas ver um amor nerd em um filme de 1945 é meio estranho, não acham? Mas é uma comédia, e o jeito nerd e peculiar do casal é perdoado quando descobrimos que as estrelas deste filme delicioso são Spencer Tracy e Katharine Hepburn, talentosos, apaixonantes e apaixonados.
O cientista Pat Jamieson (Tracy) chega à casa de Jamie Rowan (Hepburn) por acaso. Ele é levado até lá pelo primo bêbado da moça, Quentin (Keenan Wynn) e no dia seguinte se apresenta a Jamie como candidato a novo caseiro. Ela logo descobre a farsa, mas aceita que Pat cuide da casa porque ele é filho de um velho amigo do pai dela, já falecido. Pat usa o porão para uma experiência do exército, e em pouco tempo ele recebe ajuda de Jamie, uma entusiasta da ciência.
A ajuda, entretanto, é muito mais do que se esperava. Pat não ganha uma assistente, mas sim uma esposa. O jeito de Jamie propor casamento é dos mais originais da história. É algo simples, é uma parceria, e há uma única condição: será um casamento sem amor. Pat foi iludido pela única mulher por quem se apaixonou, Lila, e Jamie foi muito feliz com o marido, mas uma tragédia a deixou viúva. O casamento de Pat e Jamie é um negócio, é pelo bem da ciência, é fundamental para a criação de uma máscara de oxigênio para o exército!
Talvez este próximo parágrafo pareça um sacrilégio para os fãs de cinema clássico, mas vou arriscar. O relacionamento sem amor entre dois cientistas me lembrou instantaneamente do relacionamento peculiar entre Sheldon e Amy na série The Big Bang Theory. O humor, o contrato de relacionamento, os passos lentos até o primeiro beijo, a colaboração científica: são muitas as coisas em comum com os casais “Shamy” e “Patie”!
Talvez o nome do roteirista lhe seja familiar. Donald Ogden Stewart foi o responsável pela volta triunfal de Katharine Hepburn ao cinema, três anos após ela ser chamada de “veneno de bilheteria”. Donald adaptou a peça “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story”, e o roteiro deu origem ao filme protagonizado por Hepburn, James Stewart e Cary Grant em 1941. Philip Barry, autor da peça “The Philadelphia Story”, também escreveu a peça “Without Love”, e Hepburn também a representou nos palcos em 1942.
Esta é uma comédia com bons momentos. E, quando se fala em comédia americana, não se pode esquecer Lucille Ball, que tem aqui um papel de coadjuvante: a irônica corretora de Jamie, Kitty Tremble. Linda, chique e muito bem-sucedida, Kitty tem frases de efeito, bom-humor, independência e um jogo de gato e rato com Quentin.
Aos 38 anos, Katharine Hepburn apresenta um brilho no olhar nunca visto em toda sua carreira. Repare em quando ela fala do marido morto e nos momentos de testar a invenção genial. Repare no instante em que ela fica com lágrimas nos olhos, usando um vestido maravilhoso com listras brilhantes. Pense no contexto do filme: tudo ali agradava Hepburn. O fato de interpretar uma mulher forte, porém com sentimentos, uma cientista inteligente e determinada, o fato de trabalhar com Donald Ogden Stewart e, claro, seu amado Spencer Tracy. Tudo apontava para um filme inesquecível, embora este não seja o mais memorável dos nove protagonizados pela dupla Hepburn-Tracy.
Arte de Jacques Kapralik para o filme
Em 1942 Spencer Tracy e Katharine Hepburn fizeram seu primeiro filmes juntos, “A Mulher do Dia / Woman of the Year”, e se apaixonaram. Em 1967, pouco antes de Tracy falecer, eles estrelaram no último filme juntos, “Adivinhe quem vem para jantar? / Guess who’s coming to dinner”. Foram 25 anos de um relacionamento bonito, difícil e inspirador. Kate e Spence passaram um quarto de século em uma relação que pode ser definida com muitos adjetivos – mas nunca com “sem amor”.


This is my contribution to the Second Annual Great Katharine Hepburn Blogathon, hosted by Kate expert Margaret Perry.


And everybody won a prize in the end!

Friday, January 11, 2013

Amores de Estudante (1927) / College (1927)

No ano em que o cinema falado nascia, Buster Keaton foi para a faculdade. Isso não quer dizer que o ator de 32 anos desejava obter um diploma universitário porque já sabia que o som iria causar danos ao cinema mudo, mas sim que o enredo de mais uma de suas comédias brilhantes se passa em uma universidade.

When talkie films appeared, Buster Keaton wwnt to college. This doesn't mean that the 32-year-old actor wanted to complete a major because he knew the sound would cause damage to his career – this means that the story of another of his brilliant comedies is set in a college campus.


O jovem Ronald (Keaton) está saindo do Ensino Médio e não escapa de passar vergonha nem na formatura. Após ter um problema com seu guarda-chuva, ele fica perto de um aquecedor e sua roupa encolhe, atrapalhando seu adorável discurso nerd – com o qual eu concordo –  sobre como os livros são mais importantes que os esportes. Ao virar motivo de piada de todos, inclusive de Mary (Anne Cornwall), garota por quem ele está apaixonado, Ronald decide mudar seus planos. Ele vai para a mesma faculdade de Mary, trabalha para pagar os estudos e tenta virar atleta. Tudo sem sucesso, mas com muito humor.

Young Ronald (Keaton) is finishing high school and goes through one last shameful moment during his graduation. After going through problems with his umbrella, he sits near a heater and his clothes shrink, making it difficult for him to end his lovely nerd speech – a speech I agree with – saying that books are more important than sports.When evrybody laughs at him, including his crush Mary (Anne Cornwall), Ronald decides to change his plans. He enrolls in the same college as Mary, works to pay for his studies and tries to become an athlete. Everything is done without a chance of succeeding, but with a lot of good humor. 


Ronald não tem nenhuma habilidade que não seja intelectual. Muitas vezes sua inteligência e êxito nos estudos são citados, mas isso não faz com que ele fique mais de um dia em um emprego. No primeiro, como balconista de um bar, ele se atrapalha ao fazer malabarismos para preparar um refresco, e ainda tenta impressionar Mary, sem deixá-la saber que ele é funcionário do local. O outro emprego é como garçom num restaurante onde só trabalham negros. Para conseguir ser contratado, ele pinta o rosto e as mãos e, obviamente, essa sua estratégia não vai dar certo durante muito tempo.

All of Ronald's skills are intelectual. His intelligence and good grades are often cited, but they are not enough for him to keep a job longer than one day. In his first job, as a bar clerk, he has trouble mixing the drinks and trying to impress Mary, without letting her know he works there. His other job is as a waiter in a restaurant with only black employees. To be hired, he paints his face and his hands, and this strategy obviously proves to be innefective.


Nos esportes Ronald também é um desastre. Ele tenta de tudo dentro da universidade: futebol americano, beisebol, corrida, lançamento de dardo e de disco, salto em altura e com vara. Surpreendo-me por eu própria saber os nomes de todos esses esportes e ser capaz de identificá-los na tela! Só quando Ronald conta sobre seus sentimentos para o “deão” (espécie de reitor) da universidade, interpretado pelo baixinho Snitz Edward, é que ele encontra, a conselho do próprio deão, um esporte perfeito: o remo.

Ronald also fails at sports. He tries everything at college: football, baseball, running, dart and discus throwing, jumping. I even get surprise when I realize I know the names of all these sports and I can identify them at the screen! Only when Ronald shares his true feelings with the college dean, played by shorty Snitz Edward, he finds the perfect sport, suggested by the dean himself: rowing.


Um efeito especial muito interessante é o slow motion presente na cena em que Buster é jogado para cima por seus colegas de faculdade e, em posse de um guarda-chuva, demora a cair. Enquanto está no ar, ele observa uma senhora gorda, de camisola, pela janela.

One very interesting special effect is the slow motion we have when Buster is launched up by his college mates and, because he has an umbrella, he falls slowly. While he is in the air, he observes by a window a fat woman wearing a negligée.


Sigo o estereótipo de que nerds não são bons em esportes. Educação física sempre foi, para mim, uma bobagem, uma chatice e uma tortura. Por isso me identifiquei em parte com a personagem de Keaton neste filme. Com certeza defendo os livros ao invés de elogiar os esportes e felizmente nunca tive de virar esportista para impressionar alguém. Isso, inclusive, me lembra do episódio da série The Big Bang Theory, “The Rothman Desintegration”, em que, quando os físicos Sheldon (Jim Parsons) e Kripke (John Ross Bowie) são perguntados em que atividade eles são igualmente ruins, ambos respondem “esportes”.

I am one of those stereotyped nerds who suck at sports. Physical education was always a silly and boring torture to me. That's why I felt an identification with Keaton's character in this film. I'll always defend books and downplay the sports and luckily, I never had to become an athlete to impress someone. This situation even reminds me of one episode from The Big Bang Theory, “The Rothman Desintegration” in which physicists Sheldon (Jim Parsons) and Kripke (John Ross Bowie) are asked in which activities they are not good at, and they quickly answer “sports”.


Além do próprio Keaton, outro nome que me chamou a atenção nos créditos foi o de Florence Turner, a “Vitagraph Girl”. Logo que os estúdios de cinema nasceram, seus donos não creditavam os astros do filme, mas os ligavam a cada estúdio. Assim surgiu a primeiríssima estrela, a “Biograph Girl”, cujo nome verdadeiro era Florence Lawrence. Turner foi a resposta da Vitagraph e teve uma carreira interessante no cinema mudo, inclusive produzindo e escrevendo alguns curtas. Aqui, um de seus últimos trabalhos, ela aparece por pouco tempo como a mãe zelosa de Ronald. Curiosamente, Florence era apenas 10 anos mais velha que Buster Keaton.

Besides Keaton himself, another name that called my attention in the opening credits was Florence Turner's, the “Vitagraph Girl”. When film studios first appeared, its owners didn't give credits to the movie stars, but they linked the star to the studio. That's how the very first movie star appeared: the “Biograph Girl”, whose real name was Florence Lawrence. Turner was Vitagraph's response to Biograph, and she had an interesting career in silent cinema, both as an actress, writer and producer. In “College”, one of her last movies, she appears briefly as Ronald's zealous mother. Curiosity: Florence was only 10 years older than Buster Keaton.




Anos mais tarde, Keaton confessaria duas coisas sobre esta produção: James W. Horne, creditado como diretor juntamente com Buster, pouco esforço teve durante a realização da película. A segunda revelação foi que Buster usou um dublê para a cena, perto do final, em que ele salta com a vara para dentro de uma janela, em um dos raros momentos em que o comediante não fez ele mesmo uma de suas acrobacias perigosas.

Years later, Keaton would make two confessions about this production: James W. Horne, credited as co-director, had little to do during the shooting. The second confession was that Keaton used a body double for the scene near the end in which he uses a pole vault to enter a room by the window. This is one of the rare moments when Keaton himself didn't perform one of his dangerous stunts.


Com intertítulos divertidos e um final curioso, “Amores de Estudante” em muito se parece com “O Calouro”, filmado dois anos antes e protagonizado por Harol Lloyd. Feito como um veículo que agradasse ao público para compensar o fracasso do hoje cultuado “A General”, o filme apostou na moda colegial da época, mas foi outro fracasso para Keaton. Neste penúltimo filme antes de “cometer o maior erro de sua vida” e ir para a MGM, Keaton mostra, mais do que nunca, seus dotes atléticos. E também como os nerds são legais desde 1920. 

With funny intertitles and a curious ending, “College” is a lot like “The Freshman”, made two years before by Harold Lloyd. Made as a movie that would draw a lot of public to compensate the commercial failure that was the now cult “The General”, this film used the 1920's college fever, but it was another failure for Buster. In this penultimate film before making what he called “the biggest mistake of my life” - that was going to MGM – Keaton shows all his athleticism. And he also shows that nerds are cool since 1920.

Sunday, May 20, 2012

Uma personalidade clássica

Baseado em um post da Brandie do blog True Classics

Desvendar a personalidade de uma pessoa é coisa que só Freud explica? E definir sua própria personalidade, é algo fácil? Que tal contar mais um pouco sobre você comparando-se com vários personagens de flmes clássicos? Vamos tentar?

Rita Hayworth, porque me inspiro nela para arrumar meu cabelo (P.S.: nem sempre dá certo).

Tess Harding (Katharine Hepburn em “A Mulher do dia / Woman of the Year”, de 1942), porque levo meu trabalho muito a sério, seja ele qual for, e defendo meus valores e ideais, chegando mesmo a ser muito teimosa (além disso, também me comportaria igual a ela na cozinha). Para saber mais das habilidades culinárias de Tess, assistam a esse vídeo a partir dos 35 segundos.

Ninotchcka (Greta Garbo em “Ninotchcka”, de 1939), porque aparento ser mais séria do que realmente sou.

Jo Stockton (Audrey Hepburn em “Cinderela em Paris / Funny Face”, de 1957), porque sou apaixonada por livros e adoraria trabalhar em uma livraria, ainda mais se um dia Fred Astaire aparecesse por lá.

Ann Newton (Edna May Wonacott em “Sombra de uma dúvida / Shadow of a doubt”, de 1943), porque sou apaixonada por livros desde pequena. Além diso, sou meio chatinha com questões intelectuais, em especial regras da gramática. E devo confessar que achei Ann meio irritante quando vi o filme.

Não é clássico, mas...

Sheldon Cooper (Jim Parsons na série “The Big Bang Theory”), porque sou nerd e tenho orgulho disso. Em alguns episódios me vi retratada, como naquele em que Sheldon tenta perder o medo de dirigir.  
P.S.: Mas eu nunca usaria este chapéu
Qual seria sua personalidade clássica, amigo leitor?
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