} Crítica Retrô: nerds

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Thursday, June 16, 2016

Harold Lloyd – um adorável nerd

Eu uso óculos. Na verdade, toda minha família usa óculos. Muitas pessoas que eu admiro usam óculos. E não é de se espantar que eu ache óculos um acessório sexy. Você talvez nunca tenha achado óculos sexy, mas eles realmente me atraem – em especial se estiverem no rosto de uma pessoa charmosa, simpática e de bom coração. E você provavelmente nunca achou Harold Lloyd sexy – mas eu o considero o mais fofo dos nerds do cinema mudo.
I wear glasses. In fact, my whole family wear glasses. Many people that I admire wear glasses. And it is not surprising that I think glasses are sexy. Maybe you have never thought glasses could be sexy, but they really attract me – especially if they are on the face of someone who is charming, nice and has a heart of gold. And you probably never thought Harold Lloyd could be sexy – but I consider him the cutest nerd of silent cinema.
O Harold Lloyd dos filmes mudos é o molde perfeito do loser. Ele é muito atrapalhado, sempre se torna alvo de gozação, mas está cheio de boas intenções e mantém sempre um grande sorriso no rosto.
Silent Harold Lloyd is the perfect example of the loser. He is very goofy, is always bullied and laughed at, but has a lot of good intentions and keeps a huge smile in his face.
Harold estreou no cinema em 1913, e a partir de 1915 ele passou a interpretar o personagem Lonesome Luke. Para atrair o público, na época e também agora, era preciso desenvolver uma persona identificável. Lonesome Luke era facilmente reconhecido por seu bigode, entretanto era muito semelhante ao vagabundo de Chaplin.
Harold entered the movie business in 1913, and in 1915 he started to play a character called Lonesome Luke. To attract the public, then and also now, some actors had to develop an identifiable persona. Lonesome Luke was easily indentified by his moustache, but he was very similar to Chaplin's tramp.
E foi quando Harold, com a ajuda de Hal Roach, desenvolveu um personagem original que ele encontrou seu lugar ao sol em Hollywood. Em 1917 surgiu o personagem “Glasses” - um garoto comum, que em muitos filmes recebia o nome de Harold. Em uma entrevista em 1962, Lloyd declarou sobre seus óculos: “eles mais ou menos me colocaram em uma categoria diferente porque eu me tornei um ser humano. Meu personagem era o garoto que mora na casa ao lado ou na sua rua, mas que ao mesmo tempo podia fazer todas as coisas malucas que fazíamos antes [com Lonesome Luke], mas era crível. Era algo natural e o romance era crível”.
And it was only when Harold, with Hal Roach's help, developed an original character that he found his place in the sun in Hollywood. In 1917 the character “Glasses” appeared – he was a regular boy, and in many films was named Harold. In an interview in 1962, Lloyd recalled about his glasses: “"it more or less put me in a different category because I became a human being. He was a kid that you would meet next door, across the street, but at the same time I could still do all the crazy things that we did before, but you believed them. They were natural and the romance could be believable."
São muitos os filmes, entre longas e curtas-metragens, em que Harold conquistou meu coração – e o do público também. São especialmente adoráveis os filmes em que Harold quer conquistar uma garota, mas não sabe muito bem como (por exemplo, em “Ask Father”, 1919, “Harold, Neto Mimado”, 1922 e as obras-primas “O Homem-Mosca”, 1923, e “O Calouro”, 1925). E há também os filmes com situações mais mundanas, como “Just Neighbors” (1919), que foi o primeiro curtas-metragem de Harold Lloyd que eu vi.
In many of his films, both shorts and features, Harold Lloyd conquered me – and also the audience. There are adorable films in which Harold tries to get a girl (like “Ask Father”, 1919, “Grandma's Boy”, 1922 and the masterpieces “Safety Last!”, 1923, and “The Freshman”, 1925). And there are also the films showing daily situations, like “Just Neighbors” (1919), the first short film I've ever seen from Harold.
É difícil apontar precisamente o que tornava esta persona de Harold Lloyd tão amável. Provavelmente era a maneira com que o público se identificava com ele, e torcia por ele. Talvez fossem mesmo os óculos. Mas o fato é que Harold é carismático e apaixonante. Afinal, não é à toa que Harold Lloyd e seu adorável loser de óculos tenha servido de inspiração para Clark Kent, o jornalista comportado mais famoso dos quadrinhos – e, secretamente, um herói. Igualzinho a Harold Lloyd.
It's difficult to point out precisely what made Harold Lloyd's persona so easy to love. It probably was because the public had an identification with him, and therefore rooted for him. Maybe it was the glasses, after all. The truth is that Harold is charismatic and lovely. And that's why Harold Lloyd and his cute loser with glasses were the inspiration for Clark Kent, the most famous well-behaved journalist from comic books – who was secretely a hero. Just like Harold Lloyd.
This is my contribution to the Reel Infatuation blogathon, hosted by lovely ladies Ruth and Maedez at Silver Screenings and Font and Frock.

Friday, January 11, 2013

Amores de Estudante (1927) / College (1927)

No ano em que o cinema falado nascia, Buster Keaton foi para a faculdade. Isso não quer dizer que o ator de 32 anos desejava obter um diploma universitário porque já sabia que o som iria causar danos ao cinema mudo, mas sim que o enredo de mais uma de suas comédias brilhantes se passa em uma universidade.

When talkie films appeared, Buster Keaton wwnt to college. This doesn't mean that the 32-year-old actor wanted to complete a major because he knew the sound would cause damage to his career – this means that the story of another of his brilliant comedies is set in a college campus.


O jovem Ronald (Keaton) está saindo do Ensino Médio e não escapa de passar vergonha nem na formatura. Após ter um problema com seu guarda-chuva, ele fica perto de um aquecedor e sua roupa encolhe, atrapalhando seu adorável discurso nerd – com o qual eu concordo –  sobre como os livros são mais importantes que os esportes. Ao virar motivo de piada de todos, inclusive de Mary (Anne Cornwall), garota por quem ele está apaixonado, Ronald decide mudar seus planos. Ele vai para a mesma faculdade de Mary, trabalha para pagar os estudos e tenta virar atleta. Tudo sem sucesso, mas com muito humor.

Young Ronald (Keaton) is finishing high school and goes through one last shameful moment during his graduation. After going through problems with his umbrella, he sits near a heater and his clothes shrink, making it difficult for him to end his lovely nerd speech – a speech I agree with – saying that books are more important than sports.When evrybody laughs at him, including his crush Mary (Anne Cornwall), Ronald decides to change his plans. He enrolls in the same college as Mary, works to pay for his studies and tries to become an athlete. Everything is done without a chance of succeeding, but with a lot of good humor. 


Ronald não tem nenhuma habilidade que não seja intelectual. Muitas vezes sua inteligência e êxito nos estudos são citados, mas isso não faz com que ele fique mais de um dia em um emprego. No primeiro, como balconista de um bar, ele se atrapalha ao fazer malabarismos para preparar um refresco, e ainda tenta impressionar Mary, sem deixá-la saber que ele é funcionário do local. O outro emprego é como garçom num restaurante onde só trabalham negros. Para conseguir ser contratado, ele pinta o rosto e as mãos e, obviamente, essa sua estratégia não vai dar certo durante muito tempo.

All of Ronald's skills are intelectual. His intelligence and good grades are often cited, but they are not enough for him to keep a job longer than one day. In his first job, as a bar clerk, he has trouble mixing the drinks and trying to impress Mary, without letting her know he works there. His other job is as a waiter in a restaurant with only black employees. To be hired, he paints his face and his hands, and this strategy obviously proves to be innefective.


Nos esportes Ronald também é um desastre. Ele tenta de tudo dentro da universidade: futebol americano, beisebol, corrida, lançamento de dardo e de disco, salto em altura e com vara. Surpreendo-me por eu própria saber os nomes de todos esses esportes e ser capaz de identificá-los na tela! Só quando Ronald conta sobre seus sentimentos para o “deão” (espécie de reitor) da universidade, interpretado pelo baixinho Snitz Edward, é que ele encontra, a conselho do próprio deão, um esporte perfeito: o remo.

Ronald also fails at sports. He tries everything at college: football, baseball, running, dart and discus throwing, jumping. I even get surprise when I realize I know the names of all these sports and I can identify them at the screen! Only when Ronald shares his true feelings with the college dean, played by shorty Snitz Edward, he finds the perfect sport, suggested by the dean himself: rowing.


Um efeito especial muito interessante é o slow motion presente na cena em que Buster é jogado para cima por seus colegas de faculdade e, em posse de um guarda-chuva, demora a cair. Enquanto está no ar, ele observa uma senhora gorda, de camisola, pela janela.

One very interesting special effect is the slow motion we have when Buster is launched up by his college mates and, because he has an umbrella, he falls slowly. While he is in the air, he observes by a window a fat woman wearing a negligée.


Sigo o estereótipo de que nerds não são bons em esportes. Educação física sempre foi, para mim, uma bobagem, uma chatice e uma tortura. Por isso me identifiquei em parte com a personagem de Keaton neste filme. Com certeza defendo os livros ao invés de elogiar os esportes e felizmente nunca tive de virar esportista para impressionar alguém. Isso, inclusive, me lembra do episódio da série The Big Bang Theory, “The Rothman Desintegration”, em que, quando os físicos Sheldon (Jim Parsons) e Kripke (John Ross Bowie) são perguntados em que atividade eles são igualmente ruins, ambos respondem “esportes”.

I am one of those stereotyped nerds who suck at sports. Physical education was always a silly and boring torture to me. That's why I felt an identification with Keaton's character in this film. I'll always defend books and downplay the sports and luckily, I never had to become an athlete to impress someone. This situation even reminds me of one episode from The Big Bang Theory, “The Rothman Desintegration” in which physicists Sheldon (Jim Parsons) and Kripke (John Ross Bowie) are asked in which activities they are not good at, and they quickly answer “sports”.


Além do próprio Keaton, outro nome que me chamou a atenção nos créditos foi o de Florence Turner, a “Vitagraph Girl”. Logo que os estúdios de cinema nasceram, seus donos não creditavam os astros do filme, mas os ligavam a cada estúdio. Assim surgiu a primeiríssima estrela, a “Biograph Girl”, cujo nome verdadeiro era Florence Lawrence. Turner foi a resposta da Vitagraph e teve uma carreira interessante no cinema mudo, inclusive produzindo e escrevendo alguns curtas. Aqui, um de seus últimos trabalhos, ela aparece por pouco tempo como a mãe zelosa de Ronald. Curiosamente, Florence era apenas 10 anos mais velha que Buster Keaton.

Besides Keaton himself, another name that called my attention in the opening credits was Florence Turner's, the “Vitagraph Girl”. When film studios first appeared, its owners didn't give credits to the movie stars, but they linked the star to the studio. That's how the very first movie star appeared: the “Biograph Girl”, whose real name was Florence Lawrence. Turner was Vitagraph's response to Biograph, and she had an interesting career in silent cinema, both as an actress, writer and producer. In “College”, one of her last movies, she appears briefly as Ronald's zealous mother. Curiosity: Florence was only 10 years older than Buster Keaton.




Anos mais tarde, Keaton confessaria duas coisas sobre esta produção: James W. Horne, creditado como diretor juntamente com Buster, pouco esforço teve durante a realização da película. A segunda revelação foi que Buster usou um dublê para a cena, perto do final, em que ele salta com a vara para dentro de uma janela, em um dos raros momentos em que o comediante não fez ele mesmo uma de suas acrobacias perigosas.

Years later, Keaton would make two confessions about this production: James W. Horne, credited as co-director, had little to do during the shooting. The second confession was that Keaton used a body double for the scene near the end in which he uses a pole vault to enter a room by the window. This is one of the rare moments when Keaton himself didn't perform one of his dangerous stunts.


Com intertítulos divertidos e um final curioso, “Amores de Estudante” em muito se parece com “O Calouro”, filmado dois anos antes e protagonizado por Harol Lloyd. Feito como um veículo que agradasse ao público para compensar o fracasso do hoje cultuado “A General”, o filme apostou na moda colegial da época, mas foi outro fracasso para Keaton. Neste penúltimo filme antes de “cometer o maior erro de sua vida” e ir para a MGM, Keaton mostra, mais do que nunca, seus dotes atléticos. E também como os nerds são legais desde 1920. 

With funny intertitles and a curious ending, “College” is a lot like “The Freshman”, made two years before by Harold Lloyd. Made as a movie that would draw a lot of public to compensate the commercial failure that was the now cult “The General”, this film used the 1920's college fever, but it was another failure for Buster. In this penultimate film before making what he called “the biggest mistake of my life” - that was going to MGM – Keaton shows all his athleticism. And he also shows that nerds are cool since 1920.

Monday, July 12, 2010

Os losers estão de volta!



Eles surgiram há pouco tempo e já viraram mania mundial.Depois de milhões de downloads, visualizações dos vídeos no YouTube, muitos prêmios no Globo de Ouro, Satellite Awards e outros, 19 indicações para o Emmy de 2010, o seriado Glee volta para a segunda parte da sua primeira temporada na Fox nesta quarta-feira (14).


A história é simples e diferente: em uma escola, alguns dos alunos mais marginalizados e mal-vistos do Ensino Médio (entre eles, um homossexual, um cadeirante, asiáticos, líderes de torcida burrinhas e uma garota que não admite que alguém seja melhor que ela) entram para o desacreditado clube do coral. Então, descobrem o que têm de melhor (e de pior), passam a se aceitar e encontram forças na amizade, além de fazerem sucesso nos palcos.


Finalmente, desde os primeiros seriados teen da década de 90, são quebradas as odiosas panelinhas e é dado destaque para os excluídos, os diferentes, os “esquisitos”. A moda idiotamente copiada por adolescentes brasileiros do ataque e preconceito contra esses losers parece agora ter de enfrentar o sucesso de um grupo deles. É louvável que os seriados comecem essa reação cultural contra o preconceito, como acontece em “The Big Bang Theory”, em que os nerds são mostrados como pessoas interessantes, apesar de parecerem excêntricas, indo muito além de qualquer clichê ou estereótipo. Aliás, na década de 90, era comum ver, em traduções de filmes e séries, as palavras “nerd” ou “geek” virem como “idiota” ou “otário”.


Particularmente, me agrada muito a escolha das músicas, que vi desde os sucessos atuais aos mais antigos. Adoro o Kurt (e quem não gosta?) e amaria se ele tivesse mais solos, o que provavelmente não ocorrerá (quem assistiu ao episódio “Wheels” sabe o porquê). Gostaria muito que Chris Colfer ganhasse o Emmy de Ator Coadjuvante em Comédia. Mas ainda torço por Jim Parsons para Ator Principal em Comédia, pois o sem-sal professor Will não me agrada nem um pouco.


Como sempre, minha birra é pela mania da Fox de dublar suas séries, o que as descaracteriza um pouco, além de ser esquisito na hora em que o áudio original começa durante as músicas.


Enfim, ficamos prontos para o início deste novo ciclo e, espero, de uma nova mentalidade da juventude.
Beijos mil,
Lê ^_^
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