} Crítica Retrô: Fox

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Fox. Show all posts
Showing posts with label Fox. Show all posts

Monday, May 4, 2026

Toureiros (1945) / The Bullfighters (1945)

 

Stan Laurel e Oliver Hardy, a dupla conhecida aqui no Brasil como O Gordo e o Magro, fizeram 107 filmes como dupla, entre 1927 e 1951. Do começo da parceria, vale ser destacado “The Battle of the Century” (1927), sobre o qual escrevi no meu blog Lost and Found Films (eminglês). Da fase final de suas carreiras, escolhi destacar “Toureiros”, um filme que, muitos anos atrás, me recusei a assistir dublado durante uma madrugada e fico feliz com essa decisão - ou não estaria agora escrevendo sobre essa experiência divertida.

Stan Laurel and Oliver Hardy made 107 movies as a duo, between 1927 and 1951. From the beginning of their partnership, it’s worth highlighting “The Battle of the Century” (1927), about which I wrote for my blog Lost and Found Films. From the final phase of the duo, I chose to highlight “The Bullfighters”, a movie that many years ago I decided not to watch dubbed on TV in the wee hours of the night and I’m happy I made this decision - or else I wouldn’t be here writing about this funny flick.

O Gordo e o Magro estão num avião pousando na Cidade do México. O Gordo está interessado nas señoritas mexicanas, o Magro nos tamales mexicanos. Mas eles têm uma missão: são detetives particulares investigando a senhorita Blake (Carol Andrews em seu primeiro filme). Mas acontece que o Magro é um sósia do famoso toureiro Don Sebastian de Barcelona, Espanha. Outra complicação: na cidade podemos encontrar Richard K. Muldoon (Ralph Sanford), um homem que a dupla mandou por engano para a prisão cinco anos antes - e ele quer vingança! Por causa de problemas com o passaporte de Don Sebastian, o Magro terá de ficar no lugar do toureiro sem ser reconhecido pelo Sr Muldoon.

Stan and Ollie are on a plane to Mexico City. Ollie is interested in the Mexican señoritas, Stan in the Mexican tamales. But they are on a mission: they are private detectives investigating Miss Blake (Carol Andrews in her film debut). But it happens that Stan is the doppelgänger of famous bullfighter Don Sebastian from Barcelona, Spain. Another complication: in the town we can find Richard K. Muldoon (Ralph Sanford), a man Stan and Ollie wrongly sent to jail five years prior - and he’s crazy for revenge! Due to problems with Don Sebastian’s passport, Stan will have to impersonate the bullfighter without being recognized by Mr Muldoon.

Chegando na década de 1940, o Gordo e o Magro já tinham estado por toda parte - incluindo numa convenção num dos melhores filmes da dupla, “Filhos do Deserto” (1933). Uma década depois, uma nova dupla ganhava popularidade nas telas: Bud Abbott e Lou Costello, também transformados em dupla por seus diferentes estilos de comédia e características físicas. Abbott e Costello haviam feito filmes para os estúdios Universal e MGM, enquanto em sua já longa carreira o Gordo e o Magro trabalharam para Hal Roach, MGM e estavam agora na 20th Century Fox.

By the 1940s, Stan and Ollie had been nearly everywhere - including in a convention meeting in one of the best movies of the duo, “Sons of the Desert” (1933). A decade later, a new duo gained popularity on screen: Bud Abbott and Lou Costello, also paired for their different approaches to comedy and physical characteristics. Abbott and Costello had made films for Universal Studios and MGM, while in their already long career Stan and Ollie worked for Hal Roach, MGM and were now on 20th Century Fox.

Quando eu falo em “diferentes estilos de comédia” estou falando das duplas dinâmicas em que um é sério e o outro é o encrenqueiro, o alívio cômico. Também nos anos 1940 havia nesta categoria Bing Crosby e Bob Hope e nos anos 1950 outra dupla com essa característica dominou as telas: Dean Martin e Jerry Lewis. N’ O Gordo e o Magro, ambos eram veteranos da comédia, mas o Gordo era o mais próximo que chegavam de ter alguém “sério” na dupla, mesmo com muitas situações cômicas construídas a partir e em volta dele.

When I talk about “approaches to comedy” I’m thinking about the dynamic duos in which one is the straight man and the other is the troublemaker, the main source of comedy. Also in the 1940s there were in this category Bing Crosby and Bob Hope and in the 1950s another duo built this way dominated the screens: Dean Martin and Jerry Lewis. In Laurel and Hardy, both were seasoned funny men, but Hardy was the closest to “serious” that the duo got, even though there were many gags built around him.

Como é de se esperar, há muitas situações cômicas (gags) em “Toureiros”. Há gags envolvendo fontes de água, ovos sendo quebrados com efeitos sonoros galináceos e muitas outras que funcionariam bem tanto em filmes mudos quanto falados. Na verdade, há no filme muitas gags visuais e quase nenhuma que dependa das palavras - uma prova que o Gordo e o Magro nunca abandonaram suas origens. 

As you can expect, there are gags galore in “The Bullfighters”. There are gags involving water fountains, the breaking of eggs completed with chicken sound effects and many others that worked well in both silents and talkies. In fact, there are in the picture many visual gags and close to zero funny one-liners in this movie - proof that Laurel and Hardy never abandoned their origins.

O diretor de “Toureiros” foi Mal St. Clair, com algumas sequências dirigidas por Stan Laurel, sem receber créditos. Mal é apelido de Malcolm. Bem, Malcolm St. Clair foi um cartunista que virou pianista e figurante em 1915. Depois de servir na Primeira Guerra Mundial, ele se tornou diretor. Tendo dirigido dois filmes de Buster Keaton, ele se inspirou no comediante para escrever suas próprias gags. Ele sofreu um bocado com a chegada do som mas continuou na ativa, trabalhando em diversos estúdios até que chegou na 20th Century Fox em 1936 e lá ficou por 12 anos. Malcolm St. Clair faleceu aos 55 anos em 1952.

The director of “The Bullfighters” was Mal St. Clair, with a few sequences directed by an uncredited Stan Laurel. Mal is short for Malcolm. So, Malcolm St. Clair was a cartoonist turned piano player and bit player in 1915. After serving in World War I, he became a director. Having directed two Buster Keaton films, he was inspired by the Great Stone Face in his own gag-writing process. He suffered a bit with the arrival of sound in movies but remained active, working for several studios until he got to 20th Century Fox in 1936, where he remained for 12 years. Malcolm St. Clair died at age 55 in 1952.   

A atriz que interpreta a namorada de Muldoon e cantora de cabaré Conchita é Diosa Costello - lembrando que “diosa” em espanhol significa “deusa”. Ela mostra seus talentos cantando e dançando rumba. Nascida em 1913 em Porto Rico, ela já havia aparecido no musical da RKO de 1941 “Conheceram-se na Argentina”. Ela estava visitando alguém nos estúdios da Fox quando foi avistada e escalada para “Toureiros”. Seu mais famoso papel viria em 1950, quando interpretou Bloody Mary na peça “South Pacific”. Ela viveu até os 90 anos.

The actress portraying Muldoon’s girlfriend and cabaret artist Conchita is Diosa Costello - being “diosa” Spanish for “goddess”. She gets to show her talents singing and dancing the rumba. Born in 1913 in Puerto Rico, she had already appeared in the RKO musical “They Met in Argentina” in 1941. She was visiting someone on the 20th Century Fox lot when she was spotted and cast in “The Bullfighters”. Her most famous role would come in 1950, when she played Bloody Mary in “South Pacific” on the stage. She lived to be 90. 

“Toureiros” foi o último filme d’ O Gordo e o Magro feito em Hollywood. A sessão de filmes B da Fox estava fechando, por isso a dupla teve mais liberdade criativa para fazer este filme. Eles se recusaram a continuar na Fox depois disso e fizeram seu último filme juntos em 1951: a co-produção ítalo-francesa “A Ilha da Bagunça”.

“The Bullfighters” was the last Laurel and Hardy movie made in Hollywood. The B-movie unit on Fox was closing, so the duo had more artistic freedom to do this movie. They refused to stay at Fox afterwards and made their final film together in 1951: the French-Italian co-production “Atoll K”.

“Toureiros” quase acaba em puro caos, mas há uma gag visual final icônica. Durando pouco menos de uma hora, é cheio de boas risadas e é um ótimo exemplo do que o Gordo normalmente diz para o Magro: “mais uma bela bagunça na qual você me meteu”!

“The Bullfighters” almost ends in pure chaos, but there is a final iconic visual gag. Less than one hour long, it’s packed with good laughs and is a great example of what Ollie often tells Stan: “Another nice mess you’ve got me into”!

This is my contribution to the Make ‘Em Laugh blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.


Wednesday, March 10, 2021

Ilha nos Trópicos (1957) / Island in the Sun (1957)


O começo de “Ilha nos Trópicos” parece um anúncio sedutor que convida o público para visitar a ilha de Santa Marta e aproveitar o verão. De fato, parece ser o paraíso, um lugar como muitos outros no Caribe. Santa Marta é um lugar fictício, mas muitas das características dadas à ilha são encontradas por todo o Caribe há os descendentes dos colonizadores britânicos, há os nativos, há uma economia baseada no turismo e nas plantações e há uma boa dose de tensão racial.

The beginning of “Island in the Sun” looks like a seductive ad calling the audience to visit the island of Santa Marta and enjoy the summer. Indeed, it looks like a paradise, a place like many others in the Caribbean. Santa Marta happens to be a fictional place, but many of the characteristics given to it could be found everywhere in the Caribbean: there are descendants of the English colonizers, there are natives, there is an economy based on tourism and plantations and there is a good deal of racial tension.

Uma das famílias mais ilustres de Santa Marta é a família Fleury. Maxwell Fleury (James Mason) pode ser parte da família bem-sucedida, mas é muito infeliz. Com medo de não corresponder à expectativa das pessoas em relação a ele e à família, Maxwell se torna muito inseguro e começa a acreditar que sua esposa Sylvia (Patricia Owens) está traindo-o com um homem que fuma cigarros egípcios – a única prova que ele tem para alimentar sua paranoia.

One of the most notorious families in Santa Marta is the Fleurys. Maxwell Fleury (James Mason) may be part of the successful family, but he is very unhappy. Fearing that he does not live to people's expectation of him and his family, he becomes very insecure and starts believing his wife Sylvia (Patricia Owens) is cheating on him with a man who smokes Egyptian cigarettes – the only evidence to support his paranoia.

Enquanto isso, a irmã mais nova de Maxwell, Jocelyn (Joan Collins), está aproveitando a vida quando conhece e se apaixona por Euan Templeton (Stephen Boyd), filho do governador da ilha. Joan Collins e Stephen Boyd estavam na época entre os candidatos para os papéis de Cleópatra e Marco Antônio no épico que acabou sendo feito em 1963 com Elizabeth Taylor e Richard Burton.

Meanwhile, Maxwell's young sister Jocelyn (Joan Collins) is living life to the fullest when she meets and falls in love with Euan Templeton (Stephen Boyd), son of the governor of the island. Joan Collins and Stephen Boyd were at the time being considered for the roles of Cleopatra and Marc Anthony in the epic film that was eventually made in 1963 with Elizabeth Taylor and Richard Burton.

Surpreendentemente, há dois casais inter-raciais: David Boyeur (Harry Belafonte) é um líder comunitário em ascensão que está saindo com Mavis Norman (Joan Fontaine), uma mulher muito rica. E Denis (John Justin), que trabalha para o governador, começa a namorar Margot (Dorothy Dandridge), que trabalha numa farmácia.

Surprisingly, there are two interracial couples: David Boyeur (Harry Belafonte) is a rising community leader going out with Mavis Norman (Joan Fontaine), a very rich woman. And Denis (John Justin), who works for the governor, starts dating Margot (Dorothy Dandridge), a drugstore cashier. 

Maxwell e Jocelyn ficam chocados quando um artigo de jornal revela que a avó deles era jamaicana – portanto, negra. Julian, o pai deles (interpretado por Basil Sydney), tenta amenizar a situação com cálculos extremos: a mãe dele era ¾ branca! Ele é apenas 1/16 “de cor”! Já vi este tipo de matemática frequentemente no cinema e na TV norte-americanos – nunca me esquecerei quando alguém numa série de TV disse que era “1/64 Cherokee”. De fato, cor e raça são assuntos de peso nos EUA, e não de maneira velada. Veja isto: recentemente: um site se referiu à atriz Anya Taylor-Joy como “uma mulher de cor” apenas porque ela foi criada na Argentina – ela não nasceu lá, nasceu em Miami, apenas foi criada na América Latina!

Maxwell and Jocelyn are shocked when a newspaper article reveals that their grandmother was Jamaican – that means: black. Julian, their father (played by Basil Sydney), tries to compensate the situation by doing extreme math: his mother was ¾ white! He’s only 1/16 “colored”! I've seen this kind of math frequently on US film and TV – Il'll never forget when someone on a TV show claimed to be “1/64 Cherokee”. Indeed, color and race are huge issues in the US, and not in a veiled way. Take a look at this: recently, a website referred to actress Anya Taylor-Joy as “a woman of color” only because she was raised in Argentina – she wasn't born there, she was born in Miami, she was only raised in Latin America!

From dvdbeaver.com

De volta ao filme: quando o pai o obriga a agir como se nada tivesse acontecido, um contrariado Maxwell diz que é maravilhoso que o artigo tenha sido publicado porque ele pode fazer campanha para um cargo político chegando nos eleitores e dizendo “Sou um de vocês agora”, porque ele combina o negro e o branco. Maxwell acaba de dobrar suas chances de ser eleito – e de atrapalhar a carreira política de David Boyeur.

Back to the film: when his father makes him act as if nothing happened, an upset Maxwell says that it’s wonderful that the article was published because he can campaign for a political position by approaching all people and saying “I’m one of you now”, because he combines black and white.Maxwell just doubled his chances of being elected – and he can even stand in the way of David Boyeur's political career.

Além dos romances e da eleição, há mais uma coisa acontecendo na ilha: assassinato! Hilary Carson (Michael Rennie) é assassinado em sua casa, e um chefe de polícia muito sagaz, o coronal Wittingham (John Williams), investiga o caso.

Besides the romances and the election, there is something else happening in the island: murder! Hilary Carson (Michael Rennie) is murdered in his house, and a very clever chief of police, Colonel Wittingham (John Willams), investigates the case.

Quando perguntado sobre o principal problema na ilha, David Boyeur responde rapidamente: cor. Boyeur acredita que também há problemas com a manutenção das tradições. Maxwell, por outro lado, não perde a oportunidade para lembrar Boyeur de que o pai dele trabalhou na plantação do pai de Maxwell, e não foi deixado sem assistência quando adoeceu – ou seja, quando deixou de ser útil para o patrão. “Isto é caridade. O que nós queremos é igualdade”, Boyeur resume.

When asked what is the biggest problem in the island, David Boyeur answers in a heartbeat: color. Boyeur believes there are problems with keeping traditions as well. Maxwell, on the other hand, doesn't waste the opportunity to remind Boyeur that his father had worked in Maxwell's father's plantation and wasn't left unassisted when he got sick – that is, when he was no longer useful for his master. “That's charity. What we want is equality”, Boyeur summarizes.

E David está certo: há um problema envolvendo cor na ilha. Quando David e Mavis compram refrigerantes para um grupo de crianças, uma mulher mulata tira o refrigerante da mão do filho e devolve a bebida, mostrando que o menino de pele clara não deveria ser tratado da mesma forma que as outras crianças, que tinham a pele mais escura. Outro momento tenso, e muito surpreendente para um filme de 1957, ocorre quando Mavis segura uma máscara na frente do rosto e David violentamente tira a máscara, porque ela simula blackface - algo subentendido e, aparentemente, considerado normal na ilha.

And David is right: there is a problem about color in the island. When David and Mavis buy sodas for a group of kids, a mixed-race woman takes the soda away from her son’s hand and gives it back, showing that the boy with light-colored skin shouldn’t be treated like the other children, who had darker skin. Another tense moment, and a surprising one for a 1957 movie, is when Mavis puts a mask in front of her face and David violently takes it from her, as it simulates blackface - something implied and, apparently, considered normal in the island.

Maxwell é o personagem principal e a maior parte do filme é sobre ele, o que é um pouco desanimador, pois eu preferiria ter visto mais sobre os problemas enfrentados pelos casais inter-raciais. Mesmo assim, podemos dizer que é um milagre que este filme tenha sido feito, considerando os vários assuntos polêmicos que foram minimamente abordados - e isso inclui retratar David como um líder popular carismático e justo em tempos de histeria McCarthista.

Maxwell is the main character and most of the film revolves around him, which is a little upsetting, as I'd rather have seen more of the troubles faced by the interracial couples. Nevertheless, we can say that it's a miracle that this film was made at all, considering the many risky subjects that were barely addressed – and this includes the portrayal of David as a charismatic and just popular leader in a time of McCarthism hysteria.

Mas, na Hollywood dos anos 50, Darry F. Zanuck não tinha (muito) medo de arriscar - lembre-se de que ele foi produtor de outro filme sobre o controverso tema da miscigenação, “O que a Carne Herda” (1949). Zanuck comprou os direitos de adaptação do romance “Island in the Sun” quando ele foi publicado em 1955. Mesmo com sua experiência em polêmicas, Zanuck ficou apreensivo com possíveis reclamações e exigiu algumas mudanças no roteiro - por exemplo, Dorothy Dandridge e John Justin tiveram de enfrentar o produtor para que seus personagens pudessem dizer que se amavam.

But, in Hollywood in the 1950s, Darryl F. Zanuck was not (very) afraid of risking – remember that he was the producer of another movie about the controversial theme of miscegenation, “Pinky” (1949). Zanuck bought the rights to adapt the novel “Island in the Sun” when it was published in 1955. Even though he was experienced in polemics, Zanuck was apprehensive about possible complaints and demanded some changes in the script – for instance, Dorothy Dandrige and John Justin had to battle the producer so their characters were able to say that they loved each other.

O último filme de Dorothy Dandridge tinha sido “Carmen Jones”, em 1954, com Harry Belafonte. Depois do sucesso do filme e uma indicação ao Oscar, Dorothy assinou um contrato com a 20th Century Fox, que planejava um remake de “O anjo Azul” (1930) com um elenco todo negro, um projeto que infelizmente não se concretizou. Dorothy então recusou o papel coadjuvante de Tuptim em “O Rei e Eu” (1956), papel que foi para Rita Moreno. Em 1957, ela processou a revista Confidential após a publicação de uma notícia falsa que a acusava de “ter fornicado com um músico branco” em Nevada em 1950.

Dorothy Dandridge's last film had been “Carmen Jones”, in 1954, with Harry Belafonte. After the success of the film and an Oscar nomination, Dorothy signed with 20th Century Fox, that was planning to film a remake of “The Blue Angel” (1930) with an all-black cast, a project that unfortunately wasn’t further developed. Dorothy then refused the supporting role of Tuptim in “The King and I” (1956), a role that went to Rita Moreno. In 1957 she sued Confidential magazine when it published a false story accusing Dorothy of having “fornicated with a white band leader” in Nevada in 1950.

Logo antes de o filme estrear, Belafonte se casou com Julie Robinson, uma mulher branca. Mesmo assim, Joan Collins diz em sua autobiografia que ela e Belafonte tiveram um caso durante as filmagens de “Ilha nos Trópicos”. Poucos anos após o filme ser feito, nos anos 60, Belafonte se envolveu com o movimento dos Direitos Civis, tornando-se próximo de Martin Luther King Jr. Em sua carreira, Belafonte recusou diversas ofertas quando o papel retratava negros de maneira negativa ou quando o elenco era segregado racialmente.

Right before the film opened, Belafonte married Julie Robinson, a white woman. Nevertheless, Joan Collins claimed in her autobiography that she and Belafonte had an affair while filming “Island in the Sun”. A few years after the film was made, in the early 1960s, Belafonte got involved in the Civil Rights Movement, becoming close to Martin Luther King Jr. Throughout his career, Belafonte refused several offers if the role portrayed black people in a derogatory way or if the cast was segregated.

Como era de se esperar, o filme não foi bem recebido por racistas. A Ku Klux Klan e outros fanáticos mandaram cartas odiosas para Joan Fontaine - e ela nem beija Harry Belafonte no filme, mas o fato de eles beberem do mesmo coco foi considerado chocante demais! Joan precisou de escolta policial para ir à estreia do filme em Hollywood - o mesmo tipo de coisa que sua personagem jamais poderia imaginar, mas que é algo que afeta o personagem de Belafonte todos os dias. Houve protestos contra o filme em Minneapolis, um político tentou bani-lo na Carolina do Sul e o filme foi de fato banido em Memphis. Em todos estes casos, assim como acontece hoje, os racistas estavam protestando contra o filme sem tê-lo visto: para eles, a simples existência de tal filme era inaceitável.

As you may expect, the film was not received well by racists. The Ku Klux Klan and other fanatics sent Joan Fontaine hate letters – and she doesn't even kiss Harry Belafonte in the movie, but they simply sharing a coconut was considered too shocking! Fontaine needed police escort to attend the premiere of the film in Hollywood – just the kind of thing her character could never imagine, but it's something that affects Belafonte's character daily. There were protests against the film in Minneapolis, a politician tried to ban it in South Carolina and it was indeed banned in Memphis. In all these cases, just as it happens nowadays, the racists were protesting against a movie without having seen it: for them, the simple existence of such a movie was unacceptable.

Há um momento em que David diz “minha pele é meu país”. De fato, muitas pessoas sofrem por causa da cor da pele, não importa aonde elas vão - há preconceito, e especialmente preconceito racial, em toda parte do mundo. “Ilha nos Trópicos” tem boas performances e poderia ter sido muito mais revolucionário. Também poderia ter sido censurado. Por isso, vamos nos alegrar porque o filme foi feito e exibiu os talentos de artistas como Dorothy Dandridge e Harry Belafonte.

There is one moment when David says “My skin is my country”. Indeed, many people suffer because of their skin color anywhere they go - there is prejudice, and especially racial prejudice, anywhere in the world. “Island in the Sun” has nice performances and it could have been much more groundbreaking. It could also have been censored. So, let’s get happy because it was made at all, with talents such as Dorothy Dandridge’s and Harry Belafonte’s.

This is my contribution to the Joan Collins blogathon, hosted by Gill at Realweegiemidget Reviews.

Wednesday, January 6, 2016

Quando Tyrone conheceu Loretta...

Sempre que encontro uma foto de Loretta Young na internet, tenho de parar alguns segundos para admirar a beleza dela. O mesmo acontece quando há uma foto de Tyrone Power em qualquer rede social. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que dois dos mais bonitos atores de Hollywood trabalharam juntos em cinco filmes.
Em 1937, Loretta Young era uma veterana do cinema. Nascida em uma família de artistas, ela participou de shows e de alguns filmes mudos com suas três irmãs (Georgiana, Polly Ann e Sally Blane). Seu nome de batismo era Gretchen Young, e foi creditada como Loretta pela primeira vez em 1928. Fez pre-Codes ousados como “O Passado de uma Mulher / Midnight Mary” (1933), contracenou com galãs da época e estava no auge da fama.
Em 1937 Tyrone Power dava seus primeiros passos em Hollywood. Vindo de uma linhagem de atores e sendo filho de um ator do cinema mudo, estreou no cinema em 1936, fazendo par romântico com ninguém menos que... Loretta Young. Ainda creditado como “Tyrone Power Jr.”, ele era a atração menor de “Ladies in Love”, mas sua beleza começou a chamar a atenção do público e no filme seguinte, “Lloyd's de Londres”, já era protagonista.
No ano de 1937, Tyrone e Loretta contracenaram em três comédias românticas de enredo previsível e algum charme. Em todas as produções Loretta usa roupas lindíssimas e o personagem de Tyrone protagoniza momentos cômicos estando bêbado.
Love is News” é um dos melhores filmes de que você nunca ouviu falar. Previsível, sim, mas cheio de momentos para gargalhadas (o filme peca apenas pela manutenção do estereótipo do personagem de Stepin Fetchit). Há cenas muito divertidas em uma prisão e também em um bar, onde Steve (Power) joga damas com copos cheios de cerveja no lugar das peças. Como a redação de um jornal é o cenário mais importante, o filme lembra “Jejum de Amor / His Girl Friday” (1940), e não é difícil imaginar Cary Grant no papel de Tyrone Power, Ralph Bellamy no lugar de Don Ameche e Rosalind Russell (ou mesmo Katharine Hepburn) em vez de Loretta Young.
O destaque de “Segunda Lua-de-Mel / Second Honeymoon” (1937) vai para um adorável guaxinim e para os dois coadjuvantes MacTavish (Stuart Erwin) e Joy (Marjorie Weaver). Tyrone e Loretta são apenas mais um ex-casal que descobre que o amor não acabou, ao estilo de (SPOILER) “Cupido é Moleque Teimoso / The Awful Truth”.
Ignorem a marca d'água
Prepare-se para “Café Metrópole” (1937): este é o melhor momento cômico da carreira de Power, com direito a sotaque russo e um monóculo. Sua função é seduzir e enganar Laura (Young) a mando de Victor (Adolphe Menjou), e a veia cômica o faz roubar a cena em vários momentos.
Já “Suez” (1938) é um drama histórico com ares de superprodução, cenários reproduzindo o Egito e um imenso tornado. Após ter seu pedido de casamento negado por Eugenie (Young), Ferdinand DeLesseps (Power) vai para o Egito como diplomata. Lá ele conhece a “moleca” Toni (Annabella) e tem a ideia de construir um canal para ligar o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo. Mas muitas brigas políticas, que tornam o filme um pouco cansativo, atrapalharão seus planos.
No set de seu último filme juntos, Tyrone Power conheceu a charmosa atriz francesa Annabella, que se tornou sua primeira esposa, apesar dos protestos de Darryl F. Zanuck, chefe do estúdio Fox. Há boatos de que foi Zanuck que impediu que um romance florescesse entre Tyrone e Loretta, algo confirmado pela filha de Loretta, Judy Lewis. Mas mais bonito que o amor da dupla nas telas foi a amizade verdadeira que surgiu fora delas. Nas palavras da própria Loretta Young:
This is my contribution to the Loretta Young Birthday Blogathon, hosted by Liz at Now Voyaging, Kayla at Cinema Dilettante and The Young Sisters Appreciation Group.

Monday, July 12, 2010

Os losers estão de volta!



Eles surgiram há pouco tempo e já viraram mania mundial.Depois de milhões de downloads, visualizações dos vídeos no YouTube, muitos prêmios no Globo de Ouro, Satellite Awards e outros, 19 indicações para o Emmy de 2010, o seriado Glee volta para a segunda parte da sua primeira temporada na Fox nesta quarta-feira (14).


A história é simples e diferente: em uma escola, alguns dos alunos mais marginalizados e mal-vistos do Ensino Médio (entre eles, um homossexual, um cadeirante, asiáticos, líderes de torcida burrinhas e uma garota que não admite que alguém seja melhor que ela) entram para o desacreditado clube do coral. Então, descobrem o que têm de melhor (e de pior), passam a se aceitar e encontram forças na amizade, além de fazerem sucesso nos palcos.


Finalmente, desde os primeiros seriados teen da década de 90, são quebradas as odiosas panelinhas e é dado destaque para os excluídos, os diferentes, os “esquisitos”. A moda idiotamente copiada por adolescentes brasileiros do ataque e preconceito contra esses losers parece agora ter de enfrentar o sucesso de um grupo deles. É louvável que os seriados comecem essa reação cultural contra o preconceito, como acontece em “The Big Bang Theory”, em que os nerds são mostrados como pessoas interessantes, apesar de parecerem excêntricas, indo muito além de qualquer clichê ou estereótipo. Aliás, na década de 90, era comum ver, em traduções de filmes e séries, as palavras “nerd” ou “geek” virem como “idiota” ou “otário”.


Particularmente, me agrada muito a escolha das músicas, que vi desde os sucessos atuais aos mais antigos. Adoro o Kurt (e quem não gosta?) e amaria se ele tivesse mais solos, o que provavelmente não ocorrerá (quem assistiu ao episódio “Wheels” sabe o porquê). Gostaria muito que Chris Colfer ganhasse o Emmy de Ator Coadjuvante em Comédia. Mas ainda torço por Jim Parsons para Ator Principal em Comédia, pois o sem-sal professor Will não me agrada nem um pouco.


Como sempre, minha birra é pela mania da Fox de dublar suas séries, o que as descaracteriza um pouco, além de ser esquisito na hora em que o áudio original começa durante as músicas.


Enfim, ficamos prontos para o início deste novo ciclo e, espero, de uma nova mentalidade da juventude.
Beijos mil,
Lê ^_^
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...