} Crítica Retrô: Edith Head

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Sunday, April 17, 2022

Tributo de Sangue (1952) / The Turning Point (1952)

Quando eu estava me preparando para assistir a “Tributo de Sangue” (1952) no Internet Archive, percebi que ele estava categorizado como “filme noir tardio”. É uma categoria estranha, e mais estranha ainda se considerarmos que muitos filmes noir foram feitos em meados e até finais da década de 1950. Seja ele um “filme noir tardio” ou não, o que importa é que “Tributo de Sangue” tem o ingrediente principal do filme noir: crime.

As I was getting ready to watch “The Turning Point” (1952) at the Internet Archive, I noticed that it was labeled “late film noir”. It was an odd label, even odder considering that there were several films noir made way into the 1950s. Whether it’s a “late film noir” or not, what is important is that “The Turning Point” exudes the stuff film noir is made of: crime.

Johnny Conroy (Edmond O’Brien) é um promotor de sucesso que está investigando um novo caso. Ele pede ajuda a seu pai, um policial, mas recebe um não como resposta. Surpreso pela recusa, o amigo de Johnny, Jerry (William Holden), que é repórter, decide seguir o pai de Johnny, Matt (Tom Tully), pela cidade.

Johnny Conroy (Edmond O’Brien) is a successful special prosecutor investigating a new case. He asks his father, a cop, for help, and his father refuses. Startled by the father’s refusal, Johnny’s friend Jerry (William Holden), a reporter, decides to follow Johnny’s father, Matt (Tom Tully), through the city.

Acontece que Matt está colaborando com os caras malvados, entregando para eles informações secretas da polícia. Também envolvida com o caso, mas do lado dos bonzinhos, está a namorada e assistente de Johnny, Amanda (Alexis Smith). Conforme vai escrevendo sobre a investigação, Jerry se envolve cada vez mais com o caso – e também se envolve com Amanda.

It turns out that Matt is collaborating with the bad guys, sending them classified information from the police. Also involved in the case, but at the good guy’s side, is Johnny’s girlfriend and work assistant Amanda (Alexis Smith). As he writes about the ongoing investigation, Jerry becomes more and more involved with the case – and he also becomes involved with Amanda.

Em vez do detetive durão que costumamos encontrar no filme noir, em “Tributo de Sangue” temos um repórter durão, Jerry, que é constantemente mais inteligente que Johnny, o promotor e protagonista do filme. Quando Johnny fica inseguro frente a uma decisão de autossacrifício – que é denunciar seu pai – pelo bem do caso, é Jerry que o convence a seguir em frente. Um ano antes de sua performance ganhadora do Oscar em “Inferno Nº 17” (1953), William Holden é o protagonista de fato em “Tributo de Sangue”.

Instead of the hard-boiled detective we often find in film noir, in “The Turning Point” we have a hard-boiled reporter, Jerry, who is usually more intelligent than Johnny, the prosecutor and lead of the movie. When Johnny feels unsure about sacrificing himself – that is, denouncing his father – for the sake of the case, it’s Jerry who convinces him to do so. One year before his Oscar-winning performance in “Stalag 17” (1953), William Holden is the de facto lead of “The Turning Point”.

Não era raro ter repórteres nos filmes noir ou com toques de noir. Podemos mencionar “A Montanha dos 7 Abutres” (1951), um filme com toques de noir no qual um repórter faz de tudo para explorar uma boa história após encontrá-la. O noir argentino “Los Tallos Amargos” (1957) é sobre um esquema mortal envolvendo um curso de jornalismo por correspondência. Não devemos nos esquecer de que o cinema noir por vezes encontrou inspiração em jornais, fosse em casos reais – como aconteceu em “Tributo de Sangue” – ou no estilo cru das fotos tiradas por grandes fotojornalistas dos anos 1930 e 1940, a exemplo de Weegee.

It wasn’t so rare to have reporters in film noir or in “noirish” films. We can mention “Ace in the Hole” (1951), a noirish film in which a reporter does anything for a good story once he finds it. The Argentinian noir “Los Tallos Amargos” (“Bitter Stems”, 1957) is about a deadly scheme involving a journalism correspondence course. We must not forget that film noir often found inspiration in newspapers, be it in real-life cases – which happened in “The Turning Point” – or in the raw looks of the photos taken by lead photojournalists of the 1930s and 1940s, such as Weegee.

Os figurinos de “Tributo de Sangue” foram feitos por Edith Head. Não há roupas extravagantes, pois a maioria dos personagens são homens de terno. Os vestidos usados por Alexis Smith são bonitos, mas não figuram entre as melhores criações de Edith Head. Na história do cinema noir, Edith fez figurinos de filmes notáveis como “Pacto de Sangue” (1944), “Crepúsculo dos Deuses” (1950) e o subestimado “O Relógio Verde” (1948).

The costumes for “The Turning Point” were made by Edith Head. There are no flashy costumes, as most characters are men in suits. The dresses worn by Alexis Smith are pretty, but are not among Edith Head’s best creations. In film noir history, Head also created costumes for the very famous “Double Indemnity” (1944), “Sunset Boulevard” (1950) and the underrated “The Big Clock” (1948).

“Tributo de Sangue” foi dirigido por William Dieterle. O diretor de origem alemã teve uma carreira bem longa, começando como ator em 1913 – seu papel mais famoso é como o coadjuvante Valentin em “Fausto”, de 1926. Ele começou a dirigir filmes na Alemanha em 1923 e em 1931 foi para Hollywood. Com 91 créditos como diretor, de acordo com o IMDb, Dieterle foi prolífico em sua carreira atrás das câmeras, dirigindo vários gêneros durante mais de 40 anos.

“The Turning Point” was directed by William Dieterle. The German-born director had a very long career, starting as an actor in 1913 – his most famous role being the supporting role of Valentin in 1926’s “Faust”. He started directing in Germany in 1923 and in 1931 went to Hollywood. With 91 directing credits to his name, according to IMDb, Dieterle was a prolific director, working in several genres for over four decades.

Com um clímax tenso num ringue de boxe – mas não tão tenso quanto o clímax no carrossel em “Pacto de Sangue” (1951) – “Tributo de Sangue” termina de um jeito amargo, como tantos filmes noir. É um filme pouco visto, considerando a carreira de William Holden, apesar de sua ótima performance, e é outro noir subestimado que eu tive a sorte de encontrar no Internet Archive.

With a tense climax in a boxing arena – but not as tense as the climax in the merry-go-round in “Strangers on a Train” (1951) – “The Turning Point” ends on a bitter note, like so many noirs. It’s an underseen movie in William Holden’s career, despite his very good performance, and it’s another underrated noir I was lucky to find at the Internet Archive.

This is my contribution to the 5th Golden Boy blogathon: A William Holden Celebration, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema, Michaela at Love Letters to Old Hollywood and Emily at The Flapper Dame.

Friday, November 10, 2017

Grace Kelly: style icon

Não podemos negar que o mundo da moda e o mundo do cinema caminham lado a lado desde, no mínimo, os anos 1920. Se tivéssemos que escolher uma estrela para exemplificar a relação entre moda e cinema, a maioria das pessoas escolheria Audrey Hepburn. Eu entendo o motivo: a parceria de Audrey com Givenchy foi icônica e alguns de seus filmes trataram do mundo da moda. Mas eu gostaria de discordar desta maioria: em minha opinião, Grace Kelly e as tendências da moda também andaram de mãos dadas.

We can't deny that the fashion world and the movie world walk side by side since, at least, the 1920s. If we had to choose one film star to exemplify the relationship between fashion and film, most people would point out Audrey Hepburn. I understand them: Audrey's partnership with Givenchy was iconic and some of her movies dealt with the fashion world. But I'd like to disagree with most people: in my opinion, Grace Kelly and fashion tendencies also waked hand in hand.
Grace desfilou pela primeira vez em um evento beneficente da escola. Sua mão e irmãs também participaram do desfile. Quando Grace decidiu tentar a carreira de atriz, ela começou a trabalhar como modelo, e ficou três anos nesta ocupação.

Grace modeled for the first time in a beneficent event at the school she attended. Her mother and sisters were also part of the fashion show. When Grace went on to pursue a career in acting, she started also working as a model, and did it for three years.
Grace começou com papéis na TV. Seu primeiro papel no cinema, em “Horas Intermináveis” (1951), foi muito pequeno. O papel seguinte, em “Matar ou Morrer” (1952), também foi pequeno, mas fundamental para a trama. Ann Peck, figurinista especialista em westerns, foi a responsável pelos figurinos das mulheres do filme.

Grace started with TV roles. Her first film role, in “Fourteen Hours” (1951), is very brief. The one that followed, in “High Noon” (1952), was also brief, but fundamental to the plot. Ann Peck, a western expert, was responsible for the female outfits in the film.
Ninguém vestiu Grace Kelly melhor que Edith Head. A parceria fashion entre elas durou quatro filmes, uma cerimônia do Oscar e uma viagem de despedida. Uma das mais fascinantes imagens de Grace Kelly se tornou de tirar o fôlego graças ao vestido que ela usa. Quando L.B. Jeffrie (James Stewart) abre os olhos, ele encontra sua noiva, Lisa Fremont (Kelly) bem à sua frente, usando um vestido preto e branco. O filme é “Janela Indiscreta” (1954) e essa é a primeira vez que muitos de nós fomos enfeitiçados por Grace Kelly.

Nobody dressed Grace Kelly better than Edith Head. Their fashion partnership lasted four films, one Oscar ceremony and a farewell trip. One of the most fascinating images of Grace Kelly was made even more breathtaking by the dress she wears. When L.B. Jeffries (James Stewart) opens his eyes, he finds his angelic fiancée, Lisa Fremont (Kelly) right in front of him, wearing a black and white dress. The film is “Rear Window” (1954), and this was the first time many of us were bewitched by Grace Kelly.
A próxima colaboração delas foi em “As Pontes de Toko-Ri”, um filme de 1954 que tem muito pouco de Grace Kelly e quase nada de ação – apenas nos minutos finais. Grace está no filme basicamente apenas para desfilar as criações glamourosas de Edith. O filme seguinte, entretanto, gerou bons frutos: com “Amar é Sofrer” (1954), Grace Kelly ganhou o Oscar de Melhor Atriz e na noite da cerimônia usou um vestido de Edith Head, muito diferente daqueles que a estilista concebeu para o papel dramático de Grace. Um uma decisão arriscada, Grace repetiu no Oscar o vestido usado na estreia do filme.

Their next collaboration was in “The Bridges at Toko-Ri”, a 1954 movie that has too little of Grace Kelly and not enough action – only in the final minutes. Grace is in the film only to walk with Head’s glamorous creations. The film that followed, however, was good for both: with “The Country Girl” (1954), Grace Kelly won the Best Actress Oscar and at the night of the ceremony she received her prize while wearing a dress designed by Edith Head – a dress very different from the simple clothes her character wears in the film. In a daring decision, Grace reused the dress with which she had attended the premiere of the film.
The Bridges at Toko-Ri (1954)
The Country Girl (1954)
“Ladrão de Casaca” (155) é sem dúvida o filme no qual Grace Kelly usa as roupas mais bonitas. Como uma mulher riquíssima que pode ser a próxima vítima de um ladrão de joias, ela pode desfilar com lindos vestidos pelos cenários da Riviera Francesa. Sua beleza e suas roupas são inclusive capazes de fazer você desviar a atenção do queixo glorioso de Cary Grant e, bem, prestar atenção nela.

“To Catch a Thief” (1955) is without a doubt the film in which Grace Kelly wears the most beautiful clothes. As a very rich woman who may be the next victim of a jewel robber, she can show off gorgeous dresses in the French Riviera setting. Her beauty and her outfits can even make you stop looking at Cary Grant's glorious chin and, well, pay attention to her.
O terninho que Grace Kelly usava quando deixou Hollywood de vez foi também desenhado por Edith Head, e dado como um presente de despedida dos estúdios Paramount. Ironicamente, nenhum dos oito Oscar ganhos por Edith Head veio de um filme com Grace Kelly.

The suit Grace Kelly was wearing when she left Hollywood for good was also designed by Edith Head, as a farewell gift from Paramount studios. Ironically, none of Edith Head’s eight Oscar wins was from a film starring Grace Kelly.
O icônico vestido de noiva de Grace Kelly não foi desenhado por Edith Head. Helen Rose, que foi responsável pelo figurino de Grace em quatro filmes – “Mogambo” (1953), “Tentação Verde” (1954), “Alta Sociedade” (1956) e “O Cisne” (também de 1956) – foi escolhida para desenhar dois vestidos de noiva para Grace: um para a cerimônia civil e outro para a religiosa. Em vez que usar uma tiara, ela escolheu usar um chapéu parecido com uma boina. O casamento foi o maior evento fashion de 1956.

Grace Kelly's iconic wedding dress wasn't designed by Edith Head. Helen Rose, who was responsible for Grace’s outfits in many films – “Mogambo” (1953), “Green Fire” (1954), “High Society” (1956) and “The Swan” (also 1956) – was chosen to design both wedding dresses for Grace: one for the civil ceremony and one for church. Instead of a tiara, she chose to wear a beret-style hat. The wedding was the biggest fashion event of 1956.
Mogambo (1953)
Green Fire (1954)
High Society (1956)
The Swan (1956)
Após o casamento, Grace se afastou de Hollywood, mas não do mundo da moda. Ela começou a usar roupas de alta costura europeia e uma bolsa coringa, que de acordo com uma lenda era perfeita para esconder sua barriga na primeira gravidez. A grande bolsa de mão Hermès passou a ser chamada de “Kelly bag”.

After her marriage, Grace stayed away from Hollywood, but not from the fashion world. She started wearing European haute culture and a favorite handbag that according to the legend was used to cover up her first pregnancy. The big Hermès handbag she used became known as the “Kelly bag”.
Grace Kelly faleceu há mais de 35 anos, mas seu estilo ainda é lembrado e reconhecido. Em 2012, ela estava entre os 100 ícones da moda mais influentes desde 1923 escolhidos pela revista TIME. E, se pensarmos em um look elegante e perfeito dos anos 1950, provavelmente visualizaremos algo usado por Grace Kelly.

Grace Kelly died more than 35 years ago, but her style is still remembered. In 2012, she was among the 100 most influential fashion icons since 1923 picked by TIME magazine. And, if we think about a perfect fancy 1950s look, we’ll probably think about something worn by Grace Kelly.

This is my contribution to the third Wonderful Grace Kelly blogathon, hosted by Virginie at The Wonderful World of Cinema.

Thursday, February 24, 2011

Preparação para o Oscar – Os maiorais

Bom dia, leitores! Venho dar continuidade aos posts pré-Oscar. Hoje é dia de destacar grandes lendas do cinema: atores, diretores e países que ganharam o maior número de prêmios da Academia.

Mais prêmios de Filme de Língua Estrangeira:
A honra vai para a Itália, que ao longo dos anos ficou com 10 prêmios de 27 indicações (o que você esperava de um país com Fellini e De Sica?). A França (Truffaut, Resnais, Nouvelle Vague...) vem logo atrás com 9 Oscars e 35 indicações.

Filmes que ganharam mais prêmios:
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Titanic e Ben-Hur conseguiram 11 Oscars cada. Em seguida vem Amor, Sublime Amor (West Side Story), ganhador de 10 Oscars.

Atriz com Mais Oscars:
A lendária e maravilhosa Katharine Hepburn foi uma recordista do Oscar. Em sua longa e ótima carreira, ela ficou com o Oscar de Melhor Atriz incríveis quatro vezes em 1932, 1967, 1968 & 1981. Meryl Streep está se aproximando  com 16 indicações (Melhor Atriz e Melhor atriz Coadjuvante) e duas vitórias.

Diretor com Mais Oscars:
Vai para a lenda John Ford, que conseguiu quatro vitórias em sua longa carreira.

Mais Oscars de Figurino:
A famosa Edith Head ganhou oito. Orson Welles certa vez disse: “Edith Head gives good costume”(não é um bom trocadilho se for traduzido...).

Atores que ganharam um Oscar mais de uma vez:
Spencer Tracy, Gary Cooper,Marlon Brando, Jack Nicholson, Fredric March, Dustin Hoffman e Tom Hanks ganharam dois Oscars cada. Jack Nicholson foi indicado incríveis12 vezes, ganhando três .

O homem com mais Oscars:
Ele pode ter sido um maluco antissemita, mas o Titio Walt Disney não fazia nada errado aos olhos da Academia. Ele ganhou 26 Oscars durante sua vida…de 64 indicações. Nada mal para um cara que não desenhava muito bem.

Levando tudo:
Apenas três filmes ganharam os cinco prêmios principais de Melhores Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro: Aconteceu Naquela Noite em 1935, Um Estranho no Ninho em 1976 e O Silêncio dos Inocentes em 1992.

Levando tudo 2:
O que há com o número 3? De novo, apenas três filmes ganharam em todas as categorias em que foram indicados: Gigi em 1959 e O Último Imperador em 1988, ambos com nove prêmios, e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, que ganhou 11.

Nos próximos dias, a última (e mais curiosa) parte!
Abraços, Lê ^_^
P.S.: Caramba! Nenhum comentário no último post? Fiquei triste! ;(

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