} Crítica Retrô: O maior espetáculo da Terra

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Monday, February 11, 2013

O Oscar e a surpreendente década de 1950

Quem não gosta de uma boa surpresa? Com certeza, quem depende de apostas. Sejam aquelas feitas com dinheiro, ou apenas entre amigos, ninguém gosta de perder uma aposta. E quando a aposta em questão é um bolão do Oscar, um palpite errado pode gerar desapontamento e raiva no cinéfilo ou comentarista que tinha toda a certeza de quem seria o vencedor. Não sei se apostas desse tipo eram feitas na década de 1950, mas, em caso afirmativo, a Academia nesta década enganou vários apostadores e surpreendeu muita gente dentro e fora da indústria cinematográfica.

1951: Dois nomes consagrados do meio eram as favoritas ao Oscar de Melhor Atriz: Gloria Swanson por “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” e Bette Davis por “A Malvada / All About Eve”. Todos ficaram de boca aberta quando o prêmio foi para a quase novata Judy Holliday, por “Nascida Ontem / Born Yesterday”.
1952: Enquanto as torcidas para Melhor Filme se dividiam entre “Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun” e “Uma rua chamada pecado / A streetcar named desire”, Vincente Minnelli, Gene Kelly e Arthur Freed chegaram sem fazer barulho e ganharam, além dessa categoria, mais cinco estatuetas. No dia seguinte, havia uma faixa na MGM com um desenho do leão mascote do estúdio dizendo: “Honestly, I was just standing ‘in the sun' waiting for ‘a streetcar’” (Honestamente, eu só estava parado ao sol esperando por um bonde), numa clara troça com os derrotados.      
1953: Este ano traz um filme que é considerado um dos piores ganhadores do Oscar de Melhor Filme: “O maior espetáculo da Terra / The greatest show on Earth”, que derrotou os superiores “Depois do vendaval / The quiet man” e “Matar ou morrer / High Noon”. O claro subtexto de caça aos comunistas no último filme com certeza atrapalhou seus votos, mas nada justifica a derrota da película de John Ford, ganhador do prêmio de Melhor Diretor naquele ano. 1953 também o foi o ano da primeira transmissão nacional da cerimônia do Oscar pela televisão.
1955: Se o ano anterior representou a volta triunfal de Judy Garland ao cinema, era de se esperar que ela fosse a vencedora do Oscar de Melhor Atriz. Dezenas de repórteres ficaram alertas no quarto de hospital onde Judy e seu filho recém-nascido estavam, prontos para transmitir o discurso de agradecimento da atriz. Mas quem ganhou o prêmio foi Grace Kelly por “Amar é Sofrer / The country girl”, numa das maiores surpresas e injustiças do Oscar. Novamente Humphrey Bogart e Marlon Brando se enfrentaram, mas, ao contrário de 1952, desta vez Brando saiu vencedor.  Neste ano Greta Garbo também foi escolhida para receber um prêmio honorário mas, como era de se esperar, não apareceu na cerimônia.
1957: Outro controverso ganhador do Oscar de Melhor Filme: “A volta ao mundo em 80 dias / Around the world in 80days”.  A vitória sobre “Assim caminha a humanidade / Giant”, “Sede de viver / Lust for life” e o épico “Os dez mandamentos” surpreendeu a todos. Mais uma surpresa foi o exótico Yul Brynner ser escolhido Melhor Ator por “O Rei e Eu / The King & I”, vencendo Kirk Douglas, magnífico como Vincent van Gogh. E, depois de um período de ostracismo e trabalho na Europa, Ingrid Bergman volta aos EUA e ganha o Oscar de Melhor Atriz por “Anastácia”. Para completar, neste ano foi criada a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o grande sucesso de John Ford, “Rastros de Ódio / The searchers”, não recebeu nenhuma indicação.
1959: Um musical dirigido por Minnelli volta a triunfar. “Gigi” ganhou incríveis nove Oscars, batendo o recorde de “E o vento levou / Gone with the wind”, estabelecido em 1940. As telefonistas da MGM, no dia seguinte à entrega dos prêmios, atendiam ao telefone dizendo: “Hello, M-Gigi-M”. Do mesmo ano de Gigi é o hoje consagrado “Um corpo que cai / Vertigo”, recentemente eleito o melhor filme de todos os tempos pela revista Sight & Sound. Em sua estreia, foi um fracasso de bilheteria. Indicado a dois Oscars (som e direção de arte), não ganhou nenhum.
Um brinde à vitória!
O recorde de “Gigi” não duraria muito, pois na cerimônia de 1960 o épico Ben-Hur se consagrou com onze das estatuetas da noite. Nos prêmios principais, só não ganhou nas categorias Melhor Atriz e Atriz Coadjuvante (respectivamente, Simone Signoret e Shelley Winters).
A década de 1950 esteve envolvida em muitas outras polêmicas. Com o clímax da ameaça comunista e da caça às bruxas em Hollywood, muitos envolvidos com cinema foram parar na lista negra. Diversos roteiristas, dentre eles o mais famoso caso é de Dalton Trumbo, tiveram seus créditos retirados dos filmes ou assinaram nomes falsos. Vários deles ganharam Oscars, mas não foram receber ou mesmo a academia não lhes entregou. Décadas depois, a Academia tentopu se redimir, entregando estatuetas aos roteiristas, já idosos, ou aos parentes dos já falecidos, além de ter dado crédito nos lançamentos subsequentes dos filmes.

This is my first contribution to the 31 Days of Oscar Blogathon, hosted by Aurora, Kellee and Paula at Once upon a screen, Outspoken and Freckled and Paula’s Cinema Club.

Tuesday, February 5, 2013

Mas que palhaçada!


Em festas infantis, programas de TV dedicados às crianças e, especialmente, no circo, os palhaços são o grande destaque. Fazendo trocadilhos ou apenas gestos, com roupas bufantes e muita maquiagem, eles fazem a alegria das crianças e de muitos adultos. Mas nem tudo é riso: muitos palhaços já foram mostrados, pelo menos no cinema, como criaturas demoníacas e em programas ou desenhos cômicos há sempre uma personagem que tem medo de palhaços. Aliás, como Crítica Retrô também é cultura, preciso dizer que o medo exagerado de palhaços é chamado coulrofobia. Não importa sua vestimenta ou sua natureza boa ou má, os palhaços são parte importante da galeria de personagens do cinema. 
Reconheceu o James Stewart?
Koko, the clown: Max Fleischer estava fazendo uma experiência com um aparelho denominado rotoscope e para isso fotografou seu irmão Dave vestido de palhaço. Ele transformou essa imagem em desenho e desde 1919, Koko protagonizou centenas de curtas, sendo o primeiro companheiro de cena de Betty Boop, criada em 1933.
Lágrimas de Palhaço / He who gets slapped (1924): Depois de ser ridicularizado em público, o professor Paul Beaumont (Lon Chaney) torna-se um palhaço que é estapeado  para fazer o público rir. Ele se apaixona pela bela Consuelo (Norma Shearer em seu primeiro papel como protagonista), mas ela gosta do acrobata Bezano (John Gilbert), e mesmo assim o pai da moça quer lhe arranjar um casamento com o arqui-inimigo do ex-professor. Lon Chaney voltaria a interpretar um palhaço apaixonado em “Lugh, clown, laugh” (1928).
O Circo / The circus (1928): Após ser confundido com um ladrão e ir parar em um circo, o vagabundo (Charles Chaplin) acaba no meio da apresentação dos palhaços e faz a maior confusão. O que ele não esperava é que suas trapalhadas fizessem tanto sucesso com o público.
O maior espetáculo da Terra / The greatest show on Earth (1952): Buttons (James Stewart) é um palhaço com o rosto sempre escondido por maquiagem e que tem um segredo sujo em seu passado. Com um personagem tão interessante, o filme peca por não explorá-lo o suficiente.
Scaramouche (1952): O título refere-se a um personagem do teatro cômico popular da França pré-revolucionária, que nada mais é que um palhaço com uma máscara de nariz pontudo. Não é à toa que André (Stewart Granger) escolha este disfarce para escapar da fúria de um nobre (Mel Ferrer), fazendo sucesso na companhia itinerante de sua namorada (Eleanor Parker).
Poltergeist (1982): Assim como Chuck, o boneco assassino, um brinquedo se transforma em pesadelo e assusta o público em Poltergeist.
Palhaços Assassinos / Killer Klowns from outer space (1988): Se existisse uma regra para julgar um filme pelo título, ela seria: nunca confie num filme com as palavras “from outer space”. Se Ed Wood já fez sua loucura no espaço sideral em 1959, imagine o que acontece quando palhaços assassinos chegam do espaço.
It, uma obra-prima do medo / It (1990): Com mais de três horas de duração, esta minissérie inspirada em livro de Stephen King conta a história de um grupo que tem de enfrentar o mesmo palhaço demoníaco que viram na infância.
Os Simpsons – O filme: Krusty, o palhaço politicamente incorreto da série, também apareceu no filme.
O Palhaço (2011): Valdemar e Benjamim, pai e filho, vividos por Paulo José e Selton Mello, são os palhaços Puro Sangue e Pangaré num circo itinerante. Problemas começam a surgir quando Benjamim acredita que não é mais engraçado.
Menção honrosa para o Coringa, vilão de diversos filmes do Batman e que usa uma maquiagem de palhaço, embora não faça palhaçadas. Personagem semelhante a ele visualmente aparece no filme de 1928 “O homem que ri”.
Por fim, um vídeo adorável com Gene Kelly e Judy Garland cantando “Be a Clown” no filme “O Pirata”.

Laço de incentivo à leitura
Minha querida amiga Iza do blog Vintage Iz me passou este laço de incentivo à leitura. Nada poderia ser tão propício para uma escritora! Preciso responder à pergunta: “Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?”.
Bem, além de meu livro de estreia “Escritos de Garota – Contos, crônicas e poemas dos 7 aos 17” (propaganda básica), eu indico qualquer livro da coleção “Para gostar de ler”, publicada pela editora Ática. Lançada em 1977, a coleção traz contos, crônicas e poemas de consagrados autores brasileiros contemporâneos. Ela já sofreu alterações estéticas e também devido à reforma ortográfica, e hoje conta com mais de 40 volumes, além da coleção derivada “Para gostar de ler júnior”. Sendo os temas e estilos bem variados, creio que haverá histórias para todos os gostos, e começar com textos curtos é o melhor meio para formar um bom leitor.
Ao invés de passar o laço para outros dez blogs, deixo o questionamento para todos os leitores que se dispuserem a pensar: “Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?”.

Falando em leitura, não deixem de ler minha entrevista para a Revista Innovative, disponível aqui. 
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