} Crítica Retrô

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Thursday, October 13, 2011

Inocente Pecadora (1920) / Way Down East (1920)

Um melodrama singular dirigido por D. W. Griffith e estrelado por sua musa e constante colaboradora Lillian Gish, “Inocente Pecadora” ("As Duas Tormentas" em Portugal), com seus 145 minutos, embora com o subtítulo de "uma história simples de pessoas comuns", é prolixo e ao mesmo tempo fluente como a catarata para que Anna se dirige sobre uma pedra de gelo, no clímax da produção.

A singular melodrama drected by D.W. Griffith, starring his muse and Constant collaborator Lillian Gish, “Way Down East”, with its 145 minutes, although with the subtitle “a simple story of common people”, is exaggerate and at the same time fluent as the waterfall where Anna is going to, over a huge ice rock, in the film’s climax.


Assim como a maioria dos filmes mudos, esse tem também uma série de intertítulos que servem de prólogo da ação. Aqui vemos uma celebração do casamento monogâmico e o sofrimento que a infidelidade masculina pode causar para a mulher. As personagens têm nome, mas, como o próprio filme explicita, poderiam ser qualquer pessoa (ainda não houve a sacada de chamar as personagens apenas de "esposa" ou "marido", como faria Murnau em "Aurora", em 1927). Por si só, uma apresentação interessantíssima. E, quando a ação começa, nos vemos enfeitiçados pelo encanto virginal de Lillian e torcemos para sua personagem, embora, como em outros filmes, ela sofra, sofra, sofra e sofra mais um pouco durante toda a projeção.

Like many other silent films, here we also have some intertitles used to set the prologue. Here we see a celkebration of monogamy and the suffering that the male infidelity causes in a woman. The characters have a name, but the movie reinforces that they could be anyone (there hadn’t yet been the case of naming the characters just “the wife” and “the man” like it was done in “Sunrise”, from Murnau, in 1927). Standing alone, this is a very interesting prologue. And, when the action finally starts, we are bewitched by Lillian Gish’s virginal spell and we start rooting for her character, even though she suffers, suffers and suffers a little more, like other characters played by Lillian in other movies.


Anna, uma pobre jovem da Nova Inglaterra, vai a Boston pedir ajuda financeira para uma tia rica. Acolhida falsamente pela ricaça, ela acaba participando de uma festa na mansão, chamando a atenção do mulherengo Lennox Sanderson (Lowell Sherman). Depois de algumas investidas, ele a pede em casamento, mas implora que ela mantenha segredo sobre a cerimônia, pois ele não quer perder a “mesada” que ganha do tio. Mas ela não pode esconder a verdade por muito mais tempo, pois um herdeiro está a caminho. É aí que ele revela que eles não são realmente casados, deixando-a sozinha e desamparada após a morte da mãe. Anna passa a ser vista como “pecadora” por ter um filho sem ser casada, embora seja “inocente” por ter sido enganada por Lennox.


Anna, a poor Young woman from New England, goes to Boston to ask for financial help to a rich aunt. Taken without affection by the old woman, Anna takes part in a party at the mansion, and there she meets Lennox Sanderson (Lowell Sherman). After a few hits, he proposes to her, but begs her to not tell anyone about the marriage, so he won’t lose the ‘allowance’ his uncle gives him. But she can’t hide the truth for much longer, because she is with child. Then he reveals that their wedding was not valid, and he leaves her completely alone, because she had just lost her mother. Anna is now a ‘sinner’ because she had a child out of wedlock, but she is ‘innocent’ because her confidence was betrayed by Lennox.


Mais uma série de tragédias se segue. Numa sequência comovente, Anna batiza seu bebê sabendo que ele está muito doente e segura-o nos braços até ele morrer, quando ela tenta, sem sucesso, reaquecer seu corpinho. Lillian relembra que o pai do bebê estava no set de filmagem e, com a comoção causada pela cena, desmaiou. A sinistra mulher que alugava a casa para a jovem a obriga a sair, pois ela não tem boa reputação. Anna tenta recomeçar sua vida na fazenda Bartlett, escondendo seu passado. Mas um dos vizinhos próximos é o próprio Lennox, que a enganara e agora teme que sua presença estrague seus novos planos de romance com Kate (Mary Hay), até então comprometida com David (Barthelmess). Curiosamente, Barthelmess e Hay se casaram na vida real. Corine Seymour, presença constante nos filmes de Griffith, gravou várias cenas como Kate antes de adoecer gravemente e falecer aos 21 anos. Ela foi substituída por Mary e o que vemos na tela é uma mistura das atuações das duas atrizes.

Another series of tragedies strike. In a moving sequence, Anna baptizes her baby knowing he is very sick and holds him in her arms until he dies, and then she tries, without success, to keep his little body warm. Lillian remembers that the baby’s father was on the studio watching the scene and, moved by it, passed out. The sinister woman who rented Anna a room sends her away because of her bad reputation. Anna tries to start again at the Bartlett farm, hiding her past. But one of the neiughbors is Lennox himself – he now fears that Anna’s presence so near spoils his plans to romance Kate (Mary Hay) who was until then dating David (Richard Barthelmess). As ca curiosity, Barthelmess and Hay got married in real life. Corine Seymour, a constant presence in Griffith’s films, shot several scenes as Kate before she fell gravely ill and passed away at age 21. She was replaced by Mary Hay and what we see on screen is a mix of the two girls’ performances.



Lillian está especialmente bonita nesse filme, quase sempre com seus longos cachos presos em um coque. Os closes durante a festa chique são de uma beleza única, assim como a interação infantil com uma pombinha. É impossível não ser ofuscado por sua presença. Seu co-protagonista Richard Barthelmess (com quem também atuou em “Lírio Partido / Broken Blossoms”, no ano anterior), o sensível fazendeiro David Bartlett, não chega aos pés dela em tempo em cena. Seu grande momento é quando recita um poema para ela e diz que sempre a amou – além, é claro, dos momentos como herói perto do final.

Lillian is particularly pretty in this film, with her long curls almost always in a bun. Her close-ups in the fancy party are beautiful and unique, almost as beautiful as her childish interaction with a dove. It’s impossible not to be overshadowed by her. Her scene partner Richard Barthelmess (with whom she did “Broken Blossoms” the previous year), as the sensitive farmer David Bartlett, has much less screen time than her. His great moment arrives when he recites a poem to her and tells her he has always loved her – besides, obviously, his moments as a hero in the end.


A versão a que eu assisti tem a maioria de suas cenas em tons de sépia, com algumas poucas – em especial a da catarata – em um tom de azul que me lembrou da própria Gish balançando o berço em “Intolerância” (1916). Em se tratando de visual, não podemos deixar de falar da sequência na nevasca, criada exclusivamente para o cinema, que culmina com Anna desmaiada em uma pedra de gelo (feita de madeira pela equipe cenográfica) e sendo levada para a morte. Lillian permaneceu horas com a mão mergulhada nas águas geladas de um rio para completar a cena, ficando com problemas motores na mão direita pelo resto da vida.

The version I watched has mosto f its scenes in sepiatone, with a few – in special the waterfall sequence – in a blue tone that reminded me of Gish herself rocking the cradle in “Intolerance” (1916). If we’re talking about visuals, we have to mention the snowfall sequence, created especially for the film, that culminates with Anna passed out on an ice rock (made of wood by the scenographic team) and being taken slowly to her death. Lillian spent several hours with her hand in the icy waters of a river, what led her to have motor problems in her right hand for the rest oif her life.



A música é simpática, combinando melodias agradáveis que se intercalam e algumas músicas conhecidas usadas em pequenos momentos, como a Marcha Nupcial, uma canção de ninar e a cantiga folclórica infantil "Three Blind Mice". Em uma cena de dança (dança no cinema mudo é algo bastante peculiar) a futura estrela Norma Shearer participa como extra. Para surpresa geral, Griffith, em meio ao drama de Anna, salpica momentos e personagens cômicos. Mais uma vez ele constrói histórias paralelas (um gosto pessoal) que nem sempre se mostram úteis (um defeito pessoal).

The soundtrack in this version is very nice, as it mixes pleasant tunes and some well-known songs used in particular moments, such as the Wedding March, a lullaby and the folkloric “Three Blind Mice”. In a dance scene (something that is quite peculiar in a silent movie) future film star Norma Shearer is an extra. As a surprise, Griffith adds, in the middle of Anna’s drama, many comic reliefs. Once more, he builds parallel stories (something he was fond of) that are not exactly useful (something he is guilt of). 


O tema excessivamente puritano soa datado. Anna não poderia mais se casar porque ela não é "a branca flor virginal" com que David sempre sonhou. Hoje isso não mais se aplica (e se aplicasse, meu Deus!).  No entanto, outros aspectos moderninhos prevalecem, como Anna acusando Lennox de tê-la enganado sem medo da reação alheia (OK, ela não tinha medo porque sua situação não podia ficar pior), David atacando o pai após este expulsar Anna e alguns detalhes finais: um beijo cômico entre dois homens e o beijo entre Anna e a sogra, selando a união e terminando a película.

The excessively puritane theme sounds dated. Anna couldn’t get married anymore because she is not the “white virginal flower” that David has always dreamed of. Today, the exigence of being a virgin is almost over in the world (thank God!). However, there are some modern aspects in this movie, for instance: Anna confronting Lennox and accusing him of betraying her, a confront in a fearless way (even though her sitation couldn’t get any worse), David attacking his father after he expels Anna and some final details: a comic kiss between two men and the kiss between Anna and her mother-in-law, a gesture that shows the union is sealed and the movie is over.



Como não gosto do melodrama exagerado de Griffith, não me empolguei com o clímax no gelo, mas confesso que é uma sequência tecnicamente impressionante e de beleza pungente. Este filme foi 175 mil dólares mais caro que o épico "O Nascimento de uma Nação / The Birth of a Nation" (1915). Nada controverso, ele acabou se tornando um sucesso absoluto de público. Surpreendente, incrivelmente moderno em alguns pontos e ultrapassado em outros, "Inocente Pecadora" ainda emociona, diverte, prende o espectador e, em especial, mostra o talento incontestável de Lillian Gish.


I’m not a fan of Griffith’s exaggerated melodrama, so I wasn’t that moved by the clímax in the ice, but I have to agree that the sequence is impressive and very beautiful. This film costed 175,000 dollars more than “The Birth of a Nation” (1915). As it was not controverse, it ended up being a box-office hit. It is surprising, incredibly modern in some points and dated in others, but “Way Down East” is still able to move, entertain, attract the viewer’s attention and, in special, show Lillian Gish’s indisputable talent. 


th,

Sunday, October 9, 2011

Clímax & Desfecho 2: (mais) finais inesquecíveis

Eu não pude resistir a fazer essa continuação. A lista de “Melhores Finais do Cinema” estava imensa e teve de ser dividida. Prova de que os realizadores souberam terminar muito bem seus filmes, deixando-os na memória dos cinéfilos.

Aconteceu naquela noite / It Hapened One Night (1934): Caem as muralhas de Jericó que separavam Clark Gable e Claudette Colbert. Um jeito divertido e sensual de mostrar que a noite de núpcias começou.

Nasce uma Estrela / A Star is Born (1937 / 1954): “Eu sou a Sra. Norman Maine!”. Esther Blodgett, ou melhor, a superestrela Vicky Lester se recupera da tragédia ocorrida com o marido e assume a importância dele para sua carreira em uma volta triunfal aos holofotes.

O Falcão Maltês / The Maltese Falcon (1941): “O material de que são feitos os sonhos” é o mesmo material da estátua que causou toda a mobilização. Ao ver que a mocinha (Mary Astor) por quem está apaixonado ir presa, ele constata que o romance jamais irá se concretizar e solta essa bela frase.

Os Incompreendidos / Les quatre cents coups (1959): Um close que entrou para a História e mostrou que Antoine Doinel (Jean-Pierre Leaud) ainda viveria muitas aventuras.

Psicose / Psycho (1960): Um close sinistro, sobrepondo de maneira subliminar a caveira da mãe de Norman Bates ao rosto do amável Anthony Perkins.

Bonnie & Clide (1967): O casal criminoso interpretado por Faye Dunaway e Warren Beatty recebe uma rajada de balas e seu carro fica parecendo um queijo suíço. Imagine como ficaram seus corpos!

Butch Cassidy / Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969): Outro close antológico. Em tons de sépia, Butch (Paul Newman) e Sundance (Robert Redford), já feridos, vão enfrentar um bando armado.

O Poderoso Chefão / The Godfather (1972): Michael Corleone (Al Pacino), depois de uma grande sequência em que batiza seu sobrinho ao mesmo tempo em que manda matar o pai do garoto, diz à sua esposa Kay (Dianne Keaton) que não pergunte sobre seus negócios, mostrando que é o novo chefão  o novo chefndo que s neg ao mesmo tempo que manda matar o pai do garoto,

Muito além do jardim / Being There (1979): O jardineiro Chance (Peter Sellers) mostra ser realmente alguém bastante especial.
   
Cinema Paradiso (1986): Uma reunião de beijos ardentes da sétima arte ao som da belíssima trilhade Ennio Morricone.



Só Chaplin!

Charles Chaplin sabia construir como ninguém finais inspiradores para seus filmes.

Luzes da Cidade / City Lights (1931): A florista cega (Virginia Cherril) volta a enxergar depois de uma cirurgia. Com uma grande floricultura montada, ela constata, emocionada, que o benfeitor que pagou pela operação não é um milionário como ela imaginava, mas sim um vagabundo de bom coração.

Tempos Modernos / Modern Times (1936): Nem tudo deu certo para o vagabundo e sua amada órfã (Paulette Goddard), mas ele a encoraja a sorrir e, ao som da inesquecível melodia “Smile”, composta por Chaplin, eles vão pela estrada em busca de novas aventuras.

O Grande Ditador / The Great Dictator (1940): Um barbeiro judeu é confundido com o terrível ditador Adenoid Hynkel. Ele é colocado para discursar no lugar do chefe de Estado e faz um belíssimo discurso, longo e profundo, sobre paz e tolerância, terminando com um pedido para sua amada Hannah (Goddard).

Agradeço aos leitores que deram sua contribuição e cito-as como menções honrosas de grandes finais. Não comentarei sobre eles porque (ainda) não assisti a esses filmes.
  • As Diabólicas
  • Clube da Luta
  • Coração Satânico

Monday, October 3, 2011

Clímax & Desfecho: os melhores finais do cinema

O fim coroa a obra, já diz meu avô. Muitos realizadores de cinema acreditam nessa máxima e, com ela em mente, criaram finais arrebatadores para grandes filmes, deixando multidões boquiabertas e uma sensação deliciosa em quem sai da sessão de cinema.  


The Great Train Robbery (1903): O primeiro faroeste causou frisson nas plateias do início do século XX. Pudera: seu icônico final mostra um ator apontando para a câmera e atirando. O ingênuo público gritava e corria tentando fugir dos tiros.


A Caixa de Pandora (1929): Lulu (Louise Brooks) é uma moça muito independente para seu tempo. Depois de seduzir vários homens, matar o marido, ir a julgamento e trabalhar num navio, ela tem um encontro sinistro na noite de Natal de 1888 em Londres.

Inimigo Público / The Public Enemy (1931): O filme que alerta a população sobre os perigos de se tornar um gangster está entre meus favoritos. O destino de Tom Powers (James Cagney) é selado de maneira surpreendente e moralista.


O Fugitivo / I am a fugitive from a chain gang (1932): Paul Muni foi preso injustamente. Depois de duas fugas espetaculares de um campo de trabalhos forçados, ele sorrateiramente revela para sua namorada que o sistema prisional não regenera através de uma frase de efeito ninguém e some na penumbra.


King Kong (1933): “A Bela matou a Fera”. O fim do macaco gigante que escalou o Empire State por amor foi triste, mas poético.


E o vento levou / Gone with the wind (1939): “Amanhã é outro dia!”. Sim, adolescentes obrigados a assistir ao filme contra sua vontade durante as aulas, Scarlett O’Hara voltou à estaca zero e está disposta a recomeçar com uma frase de efeito dita contra o crepúsculo ao som da trilha de Max Steiner.


Casablanca (1942): Mais um final conhecidíssimo e pouco convencional. Não deu para Ilsa (Ingrid Bergman) e Rick (Humphrey Bogart), embora sempre tivessem Paris. Em compensação, Rick e o Capitão Renault (Claude Rains) vislumbram o que pode ser o começo de uma bela amizade.


Fúria Sanguinária / White Heat (1949): Cody Jarrett (James Cagney) sobe em tanques de combustível durane uma fuga, avisa a mãe que atingiu o topo do mundo e... não se dá bem.


Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard (1951): Norma Desmond (Gloria Swanson) está pronta para seu close, Mr. DeMille. Close a ser filmado no hospício, provavelmente.


Anastácia, a princesa esquecida / Anastacia (1956): Constatando com alegria que a atração da festa se foi, a Imperatriz (Helen Hayes) diz que avisará a todos que o espetáculo acabou e que voltem para suas casas. Dado o recado, de fato o espetáculo cinematográfico tem seu fim.  


O sétimo selo (1957): A Morte (Bengt Ekerot) decide levar algumas pessoas para um passeio, tendo, inclusive, viajantes que decidem embarcar por conta própria. Uma cena / dança sinistra e inesquecível.


O Candelabro Italiano / Rome Adventure (1962): O final que deu origem a este artigo. Que garota não gostaria de ser recebida em um porto, depois de uma longa viagem de navio, por Troy Donahue com um candelabro e um buquê de flores?


No próximo post virão as menções honrosas de grandes finais cinematográficos!

Tuesday, September 27, 2011

Marcello Mastroianni: fatos rápidos



  • Nasceu Marcello Vincenzo Domenico Mastroianni em Fontana Liri, Itália, em 28/09/1924 e faleceu em Paris em 19/12/1996, de câncer no pâncreas . Seu pai tinha uma loja de carpintaria e sua mãe era uma imigrante judia.
  • Atuou em 143 filmes ao longo de mais de 40 anos e produziu um filme, “Contro la legge”, de 1950.
  • Casou-se com a atriz Flora Clarabella em 1950, com quem teve uma filha, Barbara. Separaram-se na década seguinte. Teve romances com Faye Dunaway, Catherine Deneuve (com quem teve a segunda filha, Chiara) e a cineasta Anna Maria Tatò. Rumores diziam que tinha romances com todas as mulheres com que contracenava. Ela achava graça da fama de Don Juan.
Com a filha Chiara

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, foi capturado por nazistas e levado a um campo de trabalhos forçados, de onde conseguiu fugir, passando o resto do conflito escondido em Veneza.
  • Depois da guerra, entrou para a Universidade de Roma, para estudar Economia e Comércio, e começou a fazer teatro. Luchino Visconti notou seu talento e o convidou para fazer papeis shakesperianos e também a peça “Um bonde chamado desejo”, no papel de Mitch.
  • Após alguns papeis como extra, estreou em 1948 com a adaptação do romance “Os Miseráveis”.
  • Fez o papel de Rodolfo Valentino em uma comédia musical no teatro em 1966.
  • Trabalhou com Fellini em cinco produções: “A Doce Vida” (1960), “8 ½” (1963), “Cidade das Mulheres” (1980), “Ginger & Fred” (1986) e “Intervista” (1987). A atriz Anouk Aimée disse em uma entrevista que os dois se entendiam muito bem e confiavam plenamente no trabalho um do outro.

  • Seu irmão Ruggero, cinco anos mais novo, editou vários de seus filmes.
  • Contracenou com Sophia Loren em 14 filmes ao longo de 20 anos.
  • Ganhou duas vezes o Prêmio de Melhor Ator em Cannes, em 1970 e 1987. Só três atores têm esse recorde (os outros dois são Jack Lemmon e Dean Stockwell).
  • Ganhou o Globo de Ouro em 1962 e dois BAFTAS de Melhor Ator Estrangeiro em 1963 e 1964. Foi indicado ao Oscar em três ocasiões (1962, 1977 e 1987).
  • Ganhou o Prêmio de Melhor ator no Festival de Veneza em 1989 e um César Honorário em 1993.
  • “Eu acredito na natureza, no amor, na afeição, em amizades, em meu trabalho e meus amigos. Eu amo as pessoas e amo a vida. Talvez seja por isso que a vida tenha me amado em troca. Acredito que eu tenha sido um homem muito sortudo”.  

Thursday, September 22, 2011

Esther Williams e a moda praia

O século XX foi de rápidas mudanças em diversas áreas. Uma delas foi a moda. Dos vestidos longuíssimos e ternos sisudos aos shorts, camisetas e looks despojados. Isso tudo em meros cem anos. De fundamental importância foi o cinema para ditar a moda, uma vez que era a mais popular forma de arte. O endeusamento de suas estrelas fez milhões de espectadoras sonharem com os figurinos pomposos que viam nas telas. Muitas delas foram atrás dessas roupas, copiando no dia-a-dia o visual das estrelas.

Ainda hoje as roupas dos filmes clássicos continuam a encantar. O comentado e atualíssimo figurino de Audrey Hepbrun em “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany´s” acaba de completar, quem diria, 50 anos! Audrey, aliás, é um ícone fashion da sétima arte.

Mas não é dela que vou falar hoje. É de alguém com muito menos roupa. (!) Esther Williams, a sereia da MGM, foi também influente para a moda nas praias e piscinas do mundo todo. Nascida em 1921, a mais nova de cinco filhos, Esther foi campeã de natação e modelo antes de estrear nos cinemas. Antes dela, ninguém teve a grande sacada de glamourizar ainda mais o musical usando números aquáticos. E, por isso mesmo, ninguém tinha experiência para desenvolver maiôs para serem usados nas filmagens.
Em um de seus primeiros filmes “Paixão em Jogo / Thrill of a Romance” (1945), Esther teve de usar maiôs de flanela. Eles encharcavam e pesavam, puxando-na para o fundo da piscina. A saída era, segundo a própria atriz, descer o zíper da peça, retirá-la e voltar nua para a superfície.

Em 1948, ela passou a ser garota-propaganda da marca Cole. Feitos de látex e sem zíper, os maiôs da marca proporcionaram muito mais conforto à estrela. Em 1952, ela desenvolveu um maiô especialmente para as mulheres da Marinha americana.   

Nesse mesmo ano ela filmava “A Rainha do Mar / Million Dollar Mermaid” (1952), cinebiografia da nadadora australiana Annette Kellerman. Um dos pontos altos do filme é o escândalo causado pela roupa de banho usada por Annette em 1900. De peça única, ela quase foi presa por atentado ao pudor.
Depois da aposentadoria das telas, Esther se dedicou, entre outras coisas, a criar roupas de banho com estilo retrô. Ela ainda possui essa linha. Seus maiôs certamente influenciaram uma geração de banhistas. Talvez a influência não tenha sido tão acentuada quanto foram outros ícones do cinema, mas certamente várias cinéfilas já se imaginaram nadando em uma de suas extravagantes roupas de banho.  

"I can’t remember a time when I wasn’t in a swimsuit. There were all those hours and weeks and years of competitive swimming – and ‘magic movie swimming’!"














P.S.: A todos os leitores que, além de cinema, gostam de TV, leiam um artigo que escrevi para o Cinebulição sobre a legendária série FRIENDS: http://cinebuli.blogspot.com/2011/03/diario-de-um-cinefilo-2-bimestre2011.html

Friday, September 16, 2011

Alice nas Cidades (1974)

Vamos às definições: “road movie” é um filme cujo enredo se passa “na estrada” e a viagem do (s) protagonista (s) serve de metáfora para um aprendizado.  Wim Wenders é um cineasta alemão responsável por vários filmes que tratam de questões existenciais, como “Paris, Texas” (1984), pelo qual ganhou a Palma de Ouro em Cannes.

Em meados da década de 1970, ele realizou uma trilogia de “road movies” estrelados pelo ator Rüdiger Vogler. “Alice nas Cidades” é o primeiro deles. Vogler interpreta Philip Winter, um jornalista alemão sem inspiração na América. Com um punhado de fotos tiradas por ele mesmo e nenhum assunto para escrever, ele decide voltar para a Alemanha. Isso não será tão fácil como parece: um problema no sistema aeroviário impede a viagem já planejada. No aeroporto, Philip conhece Lisa e sua filha Alice (Yella Rottländer), também prestes a ir para a Alemanha. Mais por necessidade que por afinidade, eles travam amizade e dividem um quarto de hotel. Na manhã seguinte, Philip descobre que Lisa foi embora, deixando Alice sob seus cuidados. Ela promete reeencontrá-los em Amsterdã, o que não acontece, levando homem e menina a cruzarem a Europa em busca da avó de Alice.

Se nos Estados Unidos Philip sentia-se sozinho, durante a viagem ele e Alice experimentam uma curiosa solidão a dois. Sim, estão sós, pois, mesmo perseguindo um mesmo objetivo (encontrar a avó de Alice), não iniciaram essa jornada por vontade própria. Philip não se sente confortável com a companhia da criança. Talvez sinta-se tão perdido dentro do mundo adulto que mesmo sua própria infância é incapaz de voltar-lhe à mente como algo plausível e do qual ele poderia retirar alguma simpatia para com Alice. Talvez ele esteja tão descrente que precisa das fotos (de uma documentação) para provar a si mesmo o que viu da vida.

A importância da imagem para Philip é evidente. Ele tira fotos incessantemente, mesmo elas não representando a realidade, como ele conclui e confessa. O que seria, então, uma representação do mundo melhor e mais evoluída que a fotografia? O cinema. E, talvez, a televisão. Mesmo quebrando um televisor e revoltando-se com as imagens veiculadas pelas propagandas norte-americanas, mais tarde é a TV assistida pela menina que se torna símbolo do início da mudança de Philip. E Alice, por sua vez, retoma o contato com sua identidade e com o mundo através de uma foto da casa da avó.

Aos nove anos de idade, Alice parece mais madura que seu acompanhante perdido. Ela traduz o cardápio escrito em holandês, sabe se cuidar e é a causa da mudança de Philip. Séria, porém carismática, ela não se torna jamais frágil ou dramaticamente sentimental. Procurar a avó da menina é uma metáfora para Philip se procurar, ou procurar sentido em sua vida. Quando se vê responsável por uma criança, percebe finalmente que tem de assumir novas responsabiliades típicas da idade adulta. Contagiado por Alice, ele acaba mostrando que não odeia realmente a cultura norte-americana que não o inspirou. Por fim, Alice e Philip estão se divertindo, tirando fotos em uma cabine.

Quando Alice é informada de que sua avó foi localizada, assim como sua mãe, acaba também a viagem de Philip: ele se reencontrou. Não podemos deixar de nos deliciar com a jornada comparada, de maneira ao mesmo tempo óbvia, simplória e genial, de Alice e o Chapeleiro Louco (ou seria o próprio Lewis Carroll?) e imaginar que, finalmente, Philip encontrou em Alice um assunto para sua história.

"Encontrei com Alice nas Cidades a minha própria caligrafia no cinema. Muito mais tarde, tornou-se-me claro que, nestes anos que passaram, o meu trabalho oscilara entre dois pólos: os filmes a preto e branco sobre temas pessoais e os filmes a cores, adaptações de obras literárias."
Wim Wenders

Saturday, September 10, 2011

Top Five – Péssimas traduções de títulos

Nós, amantes do cinema clássico, vira-e-mexe nos deparamos com títulos esdrúxulos. Muitas vezes encontramos termos pomposos da época do lançamento, como “Marujo Intrépido”, “Idílio em Dó Ré Mi”, “Bravura Indômita” e “Os Bravos Morrem de Pé”. Outras vezes, gírias da época foram usadas, como em “Levada da Breca” e “Essa pequena é uma parada”, sendo, aliás, o segundo uma refilmagem do primeiro (só trocam o leopardo que causa toda a confusão por uma maleta). Porém, algumas traduções descaracterizam totalmente o título e dão uma idéia errada ao espectador. Vamos a uma pequena lista desse último caso:

5.       Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 1977): Título ótimo para um filme sobre um casamento... coisa que certamente nunca passou pelas cabeças das personagens de Woody Allen e Diane Keaton
4.       Jules e Jim – Uma mulher para dois (Jules et Jim, 1962): Regra básica da língua portuguesa: aposto é uma explicação ou restrição de um termo já citado. Pois bem, o subtítulo “uma mulher para dois” é o aposto, mas “Jules e Jim” são os dois para quem é a mulher, logo, nada têm a ver com o subtítulo. Confuso.
3.       Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story , 1940): Não haveria perda se o filme tivesse o nome de “Uma história da Filadélfia” (“A história”pareceria algo sério demais). Só que o nome pelo qual ficou conhecido recentemente (na época da péssima dublagem para exibição original, o nome era “Casamento Grã-Fino”. Hoje ninguém mais usa esse adjetivo) nos leva a crer que não é uma comédia, mas sim um drama, ou talvez algo mais picante.
2.       Daunbailó (Down by Law, 1986): Provavelmente um tradutor em crise criativa precisou dar conta desse título. Leu em inglês e copiou a pronúncia exata. Esse título não dá nenhuma interpretação errada, mas, convenhamos: é péssimo.
1.       Uma Rua chamada Pecado (A Streetcar named Desire, 1951): Estava me esquecendo desta que é, sem dúvida, a PIOR TRADUÇÃO já feita! Pode até ser que, pelo enredo pesado e pelas situações-limite mostradas, o nome pareça adequado, não fosse um pequeno detalhe: Blanche chega à casa de sua irmã, que não fica na “rua Pecado”,  ao tomar um bonde (a streetcar) chamado (named) desejo (desire)!!!  

Tuesday, September 6, 2011

Sindicato de Ladrões (1954) / On the Waterfront (1954)

As Docas de Nova York” já é o título de um filme de 1928. Se não fosse, seria um ótimo nome para este filme que ganhou oito Oscars, revelou uma jovem atriz, teve seus bastidores permeados pelo espírito caça-comunista e apresentou um dos monólogos inesquecíveis da sétima arte.
  
The Docks of New York” was already the title of a film from 1928. If it wasn’t, it would be a perfect title for this film, “On the Waterfront”, that won eight Oscars, revealed a young actress, had the shootings contaminated by the anti-communist spirit, and presented one unforgettable monologue. 


O ainda belo Marlon Brando já era sex-symbol popularizado por “Uma Rua Chamada Pecado” (1951) e “O Selvagem” (1953). Aqui vive Terry Malloy, ex-lutador fracassado que cria pombos e está à mercê do chefe do sindicato John Friendly (Lee J. Cobb), a mando de quem participa de um assassinato. Tudo se complica quando ele se apaixona pela irmã do estivador que ajudou a matar, a bela Edie Doyle (Eva Marie Saint), moça que vai à luta e convence o padre Barry (Karl Malden, com quem Brando já trabalhara em “Uma rua chamada pecado”) a agir contra a corrupção.

Marlon Brando, still in his prime, was already a sex symbol thanks to movies like “A Streetcar Named Desire” (1951) and “The Wild One” (1953). Here he plays Terry Malloy, a failed ex-prizefighter who takes care of pidgeons and has to obey the union’s chief John Friendly (Lee J. Cobb), who tells him to take part in a murder. Things get complicated when he falls in love with the sister of the shoreman he helped killing, beautiful Edie Doyle (Eva Marie-Saint), a young woman who wants justice and who convinces Father Barry (Karl Malden, with whom Brando had already worked in “A Streetcar Named Desire”) to act against corruption.              



Sindicato de Ladrões” é uma história de traição, dentro e fora das telas. Terry foi traído pelo irmão advogado, Charlie (Rod Steiger). O garotinho (Arthur Keegan) que admirava Terry, ao descobrir em seu ídolo também um assassino, mata seus pombos. É impossível falar do filme sem citar a história por trás dele, correndo em paralelo no Comitê de Atividades Antiamericanas no Congresso. Elia Kazan, diretor também de outros clássicos, ex-membro ativo do Partido Comunista, ao ver-se acusado, decidiu apontar seus antigos camaradas e colocou-os em maus lençóis. O dramaturgo Arthur Miller, marido de Marilyn Monroe, trabalhava no roteiro do filme e decidiu abandoná-lo, passando a escrever uma peça que fazia referência à caça às bruxas que acontecia em Washington. Miller abandonou o projeto quando os chefes do estúdio exigiram que os gângsteres, vilões do filme, fossem comunistas. Kazan escalou então o amigo Budd (vejam só, “amigo” em inglês!) Schulberg para escrever o roteiro, baseando-se em uma série de 24 artigos de jornal que garantiram o Prêmio Pulitzer para o jornalista Malcolm Johnson. Mais tarde Kazan tornou pública sua identificação com Terry, dividido sem saber a quem ser leal. Conflitos à parte, o diretor tornou-se persona non grata no meio artístico, da mesma forma como foram excluídos aqueles que ele delatou. Em 1999, ao receber um Oscar honorário, Elia Kazan viu a Academia dividir-se entre contentes e indiferentes, criando um clima pesado inédito na festa do Oscar (pelo menos na entrega do prêmio honorário).

On the Waterfront” is a story of betrayal, inside and outside of the screen. Terry was betrayed by his brother, lawyer Charlie (Rod Steiger). The little boy (Arthur Keegan) admired Terry, but when he found out his idol was a murderer, he kills all the pidgeons. It’s impossible to talk about this movie without mentioning the backstage story, one unfolding at the House of Un-American Activities. Elia Kazan, who directed several important films, was a former member of the Communist party, and when he was called ton testify by the HUAC, he decided to betrayal his old comrades and put them in a difficult situation. Playwriter Arthuer Miller, Marilyn Monroe’s husband, was working in the film’s screenplay and decided to abandon it and start writing a play that made references to the witch hunt that was happening in Washington. Miller abandoned the project when the etudio bosses demanded that the gangsters, the villains of the film, were written as communists. Kazan than called his bud Budd Schulberg to write the screenplay based on a 24-article series that gave the Pulitzer Prize to journalist Malcolm Johnson. Later, Kazan made public his identification with Terry, who was torn between two people who wanted his loyalty. The director became persona non grata in the artistic field, as did the people who he betrayed. In 1999, when he received an Honorary Oscar, Elia Kazan saw the Academy divided between happy people and indifferent ones who refused to applaud, creatind a heavy atmosphere that was something new to the Honorary Oscar presentation.      



Apesar de sua atuação ter lhe rendido seu primeiro Oscar, Marlon Brando não queria aceitar o papel. John Garfield era a primeira escolha, mas faleceu antes de começarem as filmagens. Frank Sinatra já havia aceitado e estava louco para atuar revivendo parte de sua juventude em Hoboken, New Jersey, mas os produtores persuadiram Brando, pois queriam um nome que chamasse mais a atenção do público. Mesmo com um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante ganhado no mesmo ano, Frank foi descartado. Para convencer Brando, foi feito um teste falso: um jovem ator do Actor’s Studio foi chamado para simular a leitura do papel e despertar a competitividade de Brando. Funcionou. O jovem ator chamado para a farsa mais tarde ganharia destaque: Paul Newman.  

Although his performance earned him his first Oscar, Marlon Brando didn’t want to accept the role. John Garfield was the first choice, but he passed away before production began. Frank Sinatra had already accepted the role and was excited to act and relive his youth in Hoboken, New Jersey, but the producers tricked Brando into accepting it, because they wanted a more famous lead. Even with a Best Supporting Actor Oscar under his belt, Sinatra was turned down. To convince Brando, they simulated a fake test: a young actor from the Actor’s Studio was called to be tested for the role, and hopefully make Brando competitive enough to accept it. It worked. The young actor called for the farse would become famous later on: he was Paul Newman.    
      

Durante as filmagens, Brando ia diariamente a um analista que o ajudava a lidar com a recente morte da mãe. Isso obrigava toda a equipe a se adequar aos compromissos do ator. Um exemplo é o famoso diálogo entre os irmãos no banco do táxi. Marlon começou a improvisar suas falas, dizendo trivialidades, e enfureceu o diretor Elia Kazan. Então seguiu o roteiro, gravou sua parte e saiu para a consulta. O ator Rod Steiger teve de gravar seus closes sem ter com quem contracenar. Isso tornou ainda mais profunda sua expressão de desolação, visto que ele ficou bastante chateado com a saída de Brando durante a gravação.  

During the shooting, Brando would go every day to an analyst who was helping him accept his mother’s recent passing. This commitment would reschedule all the crew’s plans. One example of this rescheduling is the famous dialog between theb brothers in a taxi. Brando started improvising and saying trivial stuff, what made Eliza Kazan mad. Then he followed the script, shot his part and left for the therapy. Actor Rod Steiger had to record his close-ups without having a scene partner. This made his expression of desolation even deeper, because he got very upset when Brando left in the middle of the shooting. 


Vinda de sete anos de trabalho na televisão, Eva Marie Saint estreou no cinema aos 30 anos já ganhando um Oscar. As outras opções para o papel de Edie eram Grace Kelly e Elizabeth Montgomery. Grace preferiu filmar “Janela Indiscreta”. Elizabeth foi descartada por não convencer como uma garota criada no cais de Nova York. Anos mais tarde ela alcançaria imortalidade como protagonista da série “A Feiticeira”. Apesar de ter um papel de destaque e várias falas e cenas memoráveis, Eva foi indicada como Atriz Coadjuvante, pois o produtor Sam Spiegel achou que assim seria mais fácil ela ganhar das demais concorrentes. Deu certo. E, dois dias depois da cerimônia, nasceu seu primeiro filho.

After seven years working on TV, Eva Marie Saint made her first film at age 30 and already got an Oscar for her performance. The other options for the role of Edie were Grace Kelly and Elizabeth Montgomery. Kelly chose to appear on “Rear Window” instead. Monmtgomery was refused because nobody would believe that she was raised in the New York shore. Years later she would become a TV immortal when she starred in the sitcom “Bewitched”.      Even though her role was substantial and she was in memorable scenes, Eva was nominated for the Supporting Actress award, because producer Sam Spiegel thought that her chances would be bigger than if she competed with the leading actresses. It worked. And, two days after the ceremony, her first child was born.


Sério, sombrio e realista, “Sindicato de Ladrões” trouxe elementos do Neorrealismo italiano para Hollywood e conquistou com isso grande sucesso e boas críticas. Mais do que isso, consolidou o método usado pelos novos talentos que vinham despontando. E, como não podia deixar de ser, mexeu com uma legião de cinéfilos, seja pelo enredo de romance e dilemas éticos, pelas atuações, por seus oito Oscars ou pela significativa história dos bastidores.

Serious, somber and realistic, “On the Waterfront” brought elements from the Italian Neorrealism to Hollywood and, because of that, received positive reviews and was a box-office success. More than that: it consolidated the Method used by the new up-and-coming talents. And, of course, it moved millions of cinephiles, some because of the romantic plot, some because of the ethical dilemmas, some because of its eight Oscar and others yet because of the meaningful backstage story.

Friday, September 2, 2011

Assim caminha a humanidade / Giant (1956)


Em enquete feita pelo blog sobre os filmes de James Dean, os leitores escolheram (surpresa!) “Assim caminha a humanidade / Giant”, épico de 1956 baseado no romance homônimo de Edna Ferber e que conta com um grandioso elenco. Dividem a tela com Dean: Rock Hudson, Elizabeth Taylor, Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (seu primeiro papel no cinema foi em “Juventude Transviada”, também com James Dean), Carroll Baker e Sal Mineo.

Jordan “Bick” Benedict (Rock Hudson) vai até Maryland,na casa da família de Leslie (Elizabeth Taylor) para comprar um cavalo premiado. Acaba saindo de lá com o equino e uma esposa geniosa. Quem não gosta das novas aquisições é a irmã solteira de Bick, Luz (Mercedes McCambridge), responsável pela propriedade da famíla, o rancho Reata no Texas. Além de causar desconfiança em Luz, Leslie desperta a paixão de Jett Rink (James Dean), trabalhador que herda de Luz um pequeno pedaço de terra. Ao longo de três horas e 17 minutos (um filme realmente “gigante”) vemos as mudanças causadas pelo petróleo encontrado por Jett e como isso afeta Leslie, Bick e seus descendentes.

O petróleo é o principal tema do filme. Jett fica rico com sua companhia JetTexas e tem o mundo a seus pés para divertir-se, namorar, aproveitar a vida e tentar compensar o amor não-correspondido que tem por Leslie. Jett domina as cenas em que aparece, seja indo coberto de petróleo esnobar a família Benedict ou afundando no alcoolismo com o passar dos anos.No “futuro”, já bem mais velho, Jett tem um breve romance com Luz Benedict II (Carroll Baker), avoada filha caçula dos vizinhos e ex-patrões. Bick se recusa a explorar petróleo, apesar de ser quase certo que há ouro negro também em sua propriedade. Ele quer manter a tradição rancheira de Reata, tendo ainda atitudes conservadores em relação ao futuro dos filhos.

Outro tema é o preconceito com relação aos mexicanos. Na propriedade dos Benedict trabalham muitos mexicanos. Em contraste com a opulência dos patrões, eles vivem em condições precárias em uma vila próxima ao rancho. Isso decepciona Leslie, uma mulher forte e decidida. Ela se preocupa com os imigrantes, chegando a “apadrinhar” Angel Obregon (vivido por Sal Mineo, quando adulto), que ela ajuda a salvar ainda bebê e recebe entusiamada em uma festa de Natal anos mais tarde, dando-lhe um relógio. A tensão só aumenta quando Jordy (Dennis Hopper) decide se casar com uma mexicana, para desespero do pai. O caminho não é fácil para o casal inter-racial e será com a aceitação de Bick e a luta deste pela igualdade da nora e dos netos que Leslie afirmará, encerrando esta odisseia cinematográfica, que ela o respeita e que a família deles é um orgulho.

O resultado da equação grande elenco + boa história + temática social só podia ser sucesso. É um filme que assusta pela duração, mas que prende a atenção do início ao fim, não deixando o espectador sequer bocejar. É uma reconstrução precisa do período entreguerras em um local quase inóspito e muito conservador, feito em uma época em que os movimentos pela igualdade ainda não tinham estourado.

É bom saber: Do fim das filmagens até sua estréia, o filme gastou um ano na sala de edição. Valeu a pena: além de ganhar o Oscar de Melhor Direção e ser indicado em mais 8 categorias, também foi a maior bilheteria da Warner por 22 anos.

George Stevens, diretor com mão-de-ferro, queria Alan Ladd no papel de Jett. Sua esposa não gostou da ideia. James Dean foi escalado no lugar e teve de suar para mostrar o método de atuação improvisado que usava.

Lace a Liz, Rock!
Grace Kelly foi a primeira opção para o papel de Leslie. Rock Hudson preferiu Elizabeth Taylor, que mais tarde tornou-se sua amiga íntima. Grace foi filmar “Janela Indiscreta / Rear Window”. Audrey Hepburn também foi considerada. Para o papel de Bick, algumas opções foram John Wayne, William Holden, Sterling Hayden, Robert Mitchum e Forrest Tucker.

Tudo entre amigos: outra opção para o papel de Jett era Montgomery Clift, também amicíssimo de Elizabeth Taylor.

Carrol Baker, apesar de interpretar a filha de Elizabeth Taylor, é um ano mais velha que a estrela de olhos violeta.

Em uma noite, no início das filmagens, Taylor e Hudson saíram para beber e conversar. A confraternização acabou depois das três da manhã. Às cinco horas eles estavam no estúdio gravando a cena do casamento, felizmente sem falas. Ficaram tão concentrados tentando não parecer bêbados que levaram muitos membros da equipe às lágrimas, emocionados com a expressão de paixão no rosto dos atores.

Jett Rink foi inspirado em uma figura real: o magnata do petróleo Glenn McCarthy. A autora Edna Ferber o conheceu no Shamrock Hotel, propriedade do ricaço que serviu de inspiração para a parte final da trama.

James Dean faleceu oito dias após a filmagem de sua última cena. Ele recebeu uma nomeação póstuma ao Oscar de Melhor Ator. 
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