} Crítica Retrô: Marcello Mastroianni

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Saturday, September 12, 2020

Tutto Fellini

 

Assim como Scorsese, ele usou suas próprias memórias e problemas em muitas de suas obras. Assim como Almodóvar, ele tinha um alter-ego cinematográfico. Assim como muitos cineastas, sua esposa era sua musa. Mas diversas características são exclusivas dele, como sua inspiração circense onipresente e seus personagens estranhos. Não é à toa que haja um termo para descrever coisas como as que ele filmou: Felliniano. Federico Fellini teria completado 100 anos em 2020, mas faleceu em 1993, um dia após seu 50° aniversário de casamento com a atriz, musa e colaboradora costante Giulietta Masina. Para celebrar seu centenário e focar em tudo o que é Felliniano, uma recomendação: o livro, ricamente ilustrado, “Tutto Fellini”, organizado por Sam Stourdzé.

Like Scorsese, he used his own memories and issues in many of his films. Like Almodóvar, he had a cinematic alter-ego. Like so many filmmakers, he had a muse in his wife. But some characteristics are exclusive to him, like his circus inspiration all over the place and his oddball characters. No wonder there is a term to describe things just like those he filmed: Fellinesque. Federico Fellini would have turned 100 in 2020, but he passed away in 1993, one day after the 50th anniversary of his wedding to actress, muse and constant collaborator Giulietta Masina. To celebrate his centennial and to shine a light on all things Fellinesque, a recommendation: the richly illustrated book “Tutto Fellini”, organized by Sam Stourdzé.

Federico Fellini começou a carreira como caricaturista. Os tipos e arquétipos que ele costumava desenhar nesta primeira fase da carreira habitaram toda sua obra como cineasta. Gente de circo, excluídos, mulheres com curvas generosas - muito diferentes da mulher com quem ele se casaria - e gente comum, não o tipo de gente que se espera ver num filme.

Federico Fellini started his career as a caricaturist. The types and archetypes he used to draw in the beginning of his career went on to populate his whole body of work as a filmmaker. Circus people, misfits, women with generous curves - very different from the woman he went on to marry - and common people, not the kind of people one would expect to see in a movie.

Quando ele começava o casting dos seus filmes, Fellini publicava um anúncio num jornal simplesmente dizendo que estava disponível para conversar. No dia seguinte, centenas de pessoas iam vê-lo, e centenas de fotos chegavam pelo correio, fotos que ele guardava bem organizadas em livros. Quando ele escolhia estes desconhecidos para aparecer num filme, ele sempre deixava que estas pessoas falassem normalmente, como no dia a dia, em vez de memorizar falas do roteiro, para que a performance fosse mais natural. Mais tarde Fellini escolheria dubladores para dublar as falas que estavam no roteiro. Eu me pergunto se algum extra ficou chateado ao ver sua imagem na tela e ouvir a voz de outra pessoa.

When he started the casting for his films, Fellini would put an ad in a newspaper simply saying that he was available to talk. The following day, hundreds of people would come to see him, and hundreds of photos would arrive by mail, photos he’d keep well organized in scrapbooks. Whenever he cast those unknowns in a film, he always let those people talk as they did in real life rather than make then memorize a script, in order to have natural performances. Later Fellini would cast voice actors to dub the lines in the script. I wonder if any extra was ever disappointed to see his/her image on the screen but to hear someone else’s voice.

Muitos de seus filmes eram autobiográficos, em geral baseados em suas memórias - tanto reais quanto inventadas. Fellini tem muitos alter-egos em seus filmes, a maioria interpretada por Marcello Mastroianni, que era, visualmente, o oposto de Fellini. Embora ele mais tarde tenha dito que Mastroianni nunca foi um alter-ego, nos cadernos que usava para anotar e ilustrar seus sonhos, Fellini desenhava a si mesmo quase sempre visto de costas, magro e com cabelo grosso - é assim que ele se via nos sonhos. E esta era a aparência de Mastroianni.

Many of his films are autobiographical, often based in his memories - both real and invented memories. Fellini has many alter-egos in his films, usually played by Marcello Mastroianni, who was visually Fellini’s polar opposite. Although he’d later claim that Mastroianni was never an alter-ego, in the notebooks he used to annotate and illustrate his dreams, Fellini drew himself often seen from the back, slim, with thick hair - that’s how he saw himself in his dreams. That’s also how Mastroianni looked like.

Além de gente esquisita, o circo, as memórias e as mulheres, a religião católica é outro elemento constante nos filmes de Fellini. Numa entrevista, Fellini declara, sobre sua geração: “Nós nascemos com três imagens: o Rei, o Duce [Mussolini] e o Papa.” Fellini nasceu em 1920, mas quando ele estava fazendo filmes já não havia mais Rei nem Duce. Só restava o Papa. Nos anos 50, cineastas do Neorrealismo Italiano chamariam Fellini de “um cineasta católico”, pois ele estava contando histórias de redenção enquanto os outros estavam tentando compreender como seria a vida na Itália pós-guerra.

Besides weird people, the circus, the memories and the females, the Catholic religion is another constant element in Fellini’s films. In an interview, Fellini declared, about his generation: “We were born with three images: the King, the Duce [Mussolini] and the Pope”. Fellini was born in 1920, but when he was making his movies the King and the Duce were no more. The Pope was all that was left. In the 1950s, filmmakers from the Italian Neo-Realism would call Fellini “a Catholic filmmaker”, as he was filming stories of redemption while the others were trying to make sense of life in post-war Italy.

"La Dolce Vita" (1960)

De sua juventude, ele não tinha mais o Duce ou o Rei, mas ele tinha outra coisa: as prostitutas. Ele confessa que toda sua geração foi iniciada sexualmente por prostitutas, e elas estão presentes em toda a filmografia de Fellini: das figuras voluptuosas aqui e acolá à menos voluptuosa e mais angelical Cabiria de “Noites de Cabiria” (1957). Fellini acreditava que filmes e mulheres eram inseparáveis, e que o ato de se sentar no escuro em comunhão com imagens em movimento sendo projetadas é “quase uma situação placentária”, como ele disse em uma entrevista de 1988.

From his youth he didn’t have the Duce and the King anymore, but he had something else: the prostitutes. He confesses that his whole generation was sexually initiated by prostitutes, and they are everywhere in Fellini’s filmography: from the voluptuous figures here and there to the less voluptuous, more angelical Cabiria from “Nights of Cabiria” (1957). Fellini believed that films and females were inseparable, and that the act of sitting in the dark in communion with projected images is “an almost placentary situation”, as he said in a 1988 interview.

E das prostitutas vem Casanova, personagem sobre o qual Fellini fez um filme em 1976. Ao mesmo tempo, Fellini se identificava com e odiava Casanova. Ele declarou: “[...] Eu me identificava com ele... não no sentido de um amante, mas como um homem que não consegue amar as mulheres, porque ele ama uma ideia fantástica das mulheres” e também definiu Casanova como “o macho italiano na sua versão mais triste, um covarde, um fascista. Aliás, o que é o fascismo se não uma adolescência prolongada?”

And from the prostitutes comes Casanova, character whom Fellini made a film about in 1976. At the same time, Fellini identified with and loathed Casanova. He declared: “[...] I identify with him... not in the sense of a lover, but as a man who can’t love women, once he loves a fantastic idea of women” and also defined Casanova as “The Italian macho in his saddest version, a coward, a fascist. By the way, what is fascism if not a prolonged adolescence?”

Eu preciso confessar que me incomodo às vezes com Fellini. Tem a ver um pouco com a maneira como ele retratou as mulheres em seus filmes, em especial as já mencionadas prostitutas, mas é principalmente por causa de sua esposa por 50 anos e colaboradora por oito filmes. Giulietta Masina é uma de minhas atrizes favoritas e também uma atriz que poderia ter alcançado muito mais se tivesse saído da sombra de seu marido. Eu entendo, ela cresceu em um tempo diferente, aprendendo valores diferentes, mas ainda fico chateada porque ela colocou a carreira em pausa por anos para cuidar de Fellini quando ele adoeceu. Também me incomoda o fato de Fellini ter dito que Giulietta não conhecia seu potencial na comédia, como se ele fosse o único capaz de vê-lo e guiá-la para atingir este potencial. Sim, ela era brilhante tanto na comédia quanto no drama - e em especial quando ia da comédia ao drama em um minuto, como em “A Estrada da Vida” (1954). Mas talvez ela buscasse ser vista como uma atriz dramática porque isso era um tipo de reconhecimento mais sério? Nunca saberemos isso, nem o que Giulietta poderia ter sido se afastando de Fellini.

I must confess that I’ve been bothered sometimes by Fellini. It was a bit of the way he portrayed women in his films, in special those aforementioned prostitutes, but it was mainly because of his wife of 50 years and collaborator of eight films. Giulietta Masina is one of my favorite actresses and also one who could have accomplished so much more if she left her husband’s shadow. I understand, she grew up in different times learning different values, but it still upsets me that she paused her career for years to take care of Fellini when he was sick. It also bothered me that Fellini said that Giulietta didn’t know her potential as a comedienne, as if he was the only one who knew better and who could guide her. Yes, she was brilliant in both comedy and drama - and in special when going from comedy to drama in a minute, as in “La Strada” (1954). But maybe she sought to be seen as a dramatic actress because it was a more serious kind of recognition? We will never know that, not even what Giulietta could have been if she kept a bigger distance from Fellini.


Começando com “8 1/2” (1963), os filmes de Fellini se tornaram mais e mais pessoais. Sobre isso, o cineasta declarou: “Tenho a impressão de ter filmado sempre o mesmo filme: são imagens, meras imagens, que filmei empregando sempre o mesmo material - talvez movido a cada vez por pontos de vista diferentes”. Isso, obviamente, não foi feito sem esforço. Fellini construiu todos os cenários em estúdio, onde ele podia controlar todos os detalhes, incluindo a iluminação. No Estúdio 5 da Cinecittà, ele construiu uma réplica da famosa Via Veneto para “A Doce Vida” (1960) e um mar artificial para “E la Nave Va” (1983). Atenção ao detalhe, controle e inspirações autobiográficas: estes são os ingredientes principais da obra de Fellini.

Starting with “8 1/2” (1963), Fellini’s films became more and more personal. About this, the filmmaker said: “I have the impression I shot always the same film: these are images, simple images, that I shot using always the same material - maybe influenced each time by different points of view.” This, of course, was not made without an effort. Fellini built all his sets in studio, where he could control all the details, including the lighting. At the Studio 5 of Cinecittà, he built a replica of the famous Italian street Via Veneto for “La Dolce Vita” (1960) and an artificial sea for “E la Nave Va” (1983). Attention to detail, control and autobiographical inspirations: these are the main ingredients in Fellini’s oeuvre.

"E la Nave Va" (1983)

Este livro “Tutto Fellini” foi organizado por Sam Stourdzé. Outro livro, com o mesmo título, foi publicado na Itália em 2019 para abrir as celebrações do centenário de Fellini. Stourdzé foi curador de uma exposição sobre Fellini em 2012 no centro cultural Instituto Moreira Salles (IMS), e o livro serviu como um catálogo de luxo para acompanhar a exposição. Aparentemente, o livro não está disponível em inglês, apesar de ser uma análise completa de um dos diretores italianos mais influentes da história e de um observador sagaz do século XX.

This book “Tutto Fellini” was organized by Sam Stourdzé. Another book, with the same title, was published in Italy in 2019 to open the celebration of Fellini’s centennial. Stourdzé was a curator of an exposition about Fellini in 2012 in a Brazilian cultural center called Instituto Moreira Salles (IMS), and the book served as a lux catalogue to accompany the exposition. Apparently, the book is not available in English, even though it’s a complete analysis of one of the most influential Italian filmmakers of all time and a sharp observer of the 20th century.

This is my second contribution to the 2020 Summer Reading Challenge, hosted annually by Raquel at Out of the Past.

Tuesday, November 6, 2012

Cinco filmes para a posteridade

Fazendo uma das tarefas de minha aula de espanhol, surgiu a ideia para este post. Eu tinha de responder a uma pergunta já formulada, que segue:
Uma caixa com objetos que representam nosso desenvolvimento na Terra está sendo preparada para ser mandada em uma missão espacial a outros planetas. Que objetos, num máximo de cinco, você escolheria para colocar na caixa?
Eu, como boa cinéfila, disse que escolheria cinco filmes de diferentes épocas e gêneros para mostrar o desenvolvimento do cinema. Depois de feita a tarefa, ficou pairando a dúvida: que filmes seriam esses? Por isso resolvi fazer esta lista com minhas escolhas, que não foram nem um pouco fáceis.
“Luzes da Cidade / City Lights” (1931): Se um alienígena visse os filmes da caixa e resolvesse descer na Terra, ele, infelizmente, teria uma boa chance de encontrar alguém que não gostasse muito de filmes clássicos. Mas dificilmente seria uma pessoa que nunca tivesse ouvido falar em Chaplin. De qualquer modo, esta comédia demonstra bem o que eram os filmes mudos e, melhor, o que eram os filmes mudos de Chaplin, misturando comicidade, preocupação social e romance.
“Cantando na Chuva / Singin’in the Rain” (1952): Todos merecem saber o que é um bom musical. E esse, considerado o melhor de todos os tempos, é uma explosão de alegria e muito talento. Duvido que um ET não fosse querer vir para cá se tivesse a chance de se divertir muito ao lado de Gene Kelly.
Janela Indiscreta / Rear Window (1954): Toda forma de vida inteligente deveria conhecer a obra de Hitchcock e esta seria uma excelente escolha. Com romance, suspense e uma bela mulher, é um filme indispensável. Além disso, serve para mostrar como o ser humano é curioso, motivo pelo qual se aventura em descobrir se há vida em outros planetas. 
“Oito e Meio / 8 ½” (1963): Todos têm o direito de saber o que nós passamos para fazer os filmes. Não é tudo um mar de rosas, mas sim algumas crises, muita cobrança e, de vez em quando, falta inspiração. Além do mais, duvido que em qualquer outro planeta haja um espécime tão belo quanto Mastroianni.
“O Poderoso Chefão / The Godfather” (1972): Todos os filmes citados são tão alto-astral que seriam capazes de iniciar uma invasão alienígena, tamanha é a propaganda positiva que fazem da Terra. Mas esta joia do gênero gangster mostra que nem tudo são flores em nosso planeta: violência, crime organizado, disputas familiares e protagonistas obesos também fazem parte da realidade.
Estes seriam os cinco filmes escolhidos por mim. Se você não acredita em vida extraterreste, pense na hipótese de ter de salvar apenas cinco filmes para as futuras gerações. Quais seriam os seus escolhidos?

Friday, October 19, 2012

Uma carta para Giulietta

Dear readers, before you start, please note that Google translator is a little dumb, so it refers to Giulietta almost always as a male. Please change in your heads the male possessive pronouns to female ones and, if any doubt still persists, feeel free to ask me. 

Querida Giulietta Masina (ou Giulia Anna Masina, seu nome de batismo),



Acredito que você vá ficar feliz ao receber minha carta, que mostra como você foi e ainda é importante para muitas pessoas. Não deixou filhos, mas todos que tomam contato com as obra-primas “A Estrada da Vida / La Strada” (1954) e “Noites de Cabíria” (1957) se impressionam e se apaixonam por você. Por seu sorriso, por sua simplicidade e, acima de tudo, por seu talento.
Poucas pessoas conhecem você, e isso me entristece. Quantas vezes eu já me enfureci por ver seu nome ser escrito ou pronunciado errado! Mesmo encontrar dados sobre sua vida é difícil, e quer coisa mais frustrante para um fã? Creio que na Itália as novas geraçoes também não te conheçam muito, o que é uma pena, ainda mais porque você foi uma grande sortuda em seu trabalho. Invejo-a por ter a oportunidade de contracenar com Katharine Hepburn em “A Louca de Chaillot / The Madwoman of Chaillot” (1969). E que dizer da sua parceria com Marcello Mastroianni em “Ginger e Fred” (1985)? Mesmo já tendo ambos passado dos 60 anos, como vocês dançaram!
Clique aqui para ler o que Giulietta disse sobre trabalhar com Katharine
E por falar em dança e música, como não me lembrar de Nino Rota, que deu mais vida a seus filmes com músicas espetaculares? Sabendo que a trilha sonora de “A Estrada da Vida” era sua favorita e foi tocada em seu funeral, não pude deixar de emocionar ainda mais.  E outra música bela e emocionante foi composta em sua homenagem por um cantor brasileiro, Caetano Veloso:
Com certeza, Giulietta, muitos conhecem o seu Romeu, o diretor Federico Fellini. Mas o que a maioria não sabe é como você foi importante para ele. Existiria Giulietta sem Fellini, mas nunca o Fellini que conhecemos sem sua Giulietta. Você costumava ficar quieta enquanto ele criava seus filmes mirabolantes, mas sempre chegava um momento em que ele pedia sua opinião. Gosto de imaginar o que em cada filme de Fellini foi sugerido por você. Gosto ainda mais de pensar em vocês dois no apartamento do casal, nas viagens, nas reuniões com amigos, sempre uma dupla de respeito que, além de ter muito talento, se amava muito. Um amor tão forte e tão comovente que ele a deixou um dia depois de suas Bodas de Ouro, e você conseguiu esperar só cinco meses para se juntar a ele. Você dizia que sofria de “crepacuore”: “coração partido”.
Claro que eu não concordo com todos os passos que você deu durante seus 73 anos de vida. Eu nunca imaginaria largar uma carreira de atriz para ser mãe e dona-de-casa. Assim que você se casou com Fellini você fez isso. Infelizmente um aborto e a morte de um filho com um mês de vida trouxeram muita tristeza para a vida conjugal, mas devolveram você aos palcos e depois a introduziram às telas. O que seria de Cabíria e Gelsomina se elas fossem interpretadas por outras atrizes?
Também discordo com o fato de você não querer fazer filmes longe de sua casa e de seu marido. Sei que você cresceu durante o regime fascista de Mussolini, foi uma época difícil, e também que várias ideias conservadoras ficaram enraizadas em seu pensamento. Talvez eu seja liberal ou ambiciosa demais para prender-me a um marido e perder uma oportunidade de emprego. Pensando mais um pouco, não sei se Hollywood seria o lugar ideal para seu talento. Talvez você ficasse estereotipada como Gelsomina, a Chaplin de saias. Aliás, não sei se Charlie teve a oportunidade de conversar com você aí no céu, mas você era a atriz favorita dele. Que honra, não?  
Não escrevo só para reclamar, de maneira nenhuma. Escrevo para dizer o quanto você me inspira. A ser uma pessoa melhor. Encontro vários documentários sobre você em italiano e francês e foi essa sede de informação que me fez começar a aprender italiano sozinha e, no futuro, também francês. Suas roupas também me inspiram. Você usava roupas adoráveis e, com seu sorriso constante, sua baixa estatura e seus cabelos ruivos, era uma verdadeira boneca!   
Realmente não encontro mais palavras para esta carta. Você foi um daqueles nomes do cinema clássico que entrou na minha vida e me deixou obcecada. Você se tornou uma das minhas atrizes favoritas, motivo constante de buscas na Internet, nas redes sociais, e cada vez que eu me deparo com alguém que sabe quem você é eu abro um sorriso. Porque isso significa que sua genialidade não será perdida com o tempo.   
Um baccio, Giulietta! 

This is my blog contribution to the A Letter to the Stars Blogathon, hosted by Marcela, Rianna and Natalie at Best of the Past; Frankly, My Dear and In the Mood. Good reading!

Thursday, April 26, 2012

Fred e Ginger, Ginger & Fred

Fred Astaire e Ginger Rogers formaram uma das duplas mais famosas do cinema. Suas figuras são tão indissociáveis quanto as de O Gordo e o Magro, Romeu e Julieta ou Tom e Jerry. Dançaram juntos em dez musicais que renderam milhões nas bilheterias. Era de se esperar que tamanho sucesso da dupla criasse um imenso legado e rendesse diversas homenagens. Foi isso que o cineasta italiano Federico Fellini fez em 1985, quando reuniu em uma sátira à televisão dois de seus colaboradores favoritos: os atores Marcello Mastroianni e Giulietta Masina.
Frederic Austerlitz nasceu em 1899. Doze anos depois nasceu sua futura parceira, Virginia Katherine MacMath.  Ele começou a dançar aos cinco anos ao lado da irmã Adele. Ginger só iria para os palcos aos 14, depois de ganhar um concurso de Charleston. Eles se conheceram na Broadway, nos ensaios de “Gun Crazy”, mas seria apenas em 1933, nas filmagens de “Voando para o Rio / Flying Down to Rio” que eles dançariam juntos. Apesar de coadjuvantes, fizeram sucesso e a RKO logo os escalou para mais musicais. Eram filmes de roteiro simples, que serviam apenas como veículos para elaborados números. 
Surgiram muitos boatos de que a dupla não se dava bem longe das câmeras, algo que nunca foi confirmado ou negado. Depois do fracasso de “A história de Vernon e Irene Castle”, em 1939, eles seguiram caminhos diferentes. Ginger revezou papéis dramáticos e cômicos, ganhando um Oscar em 1941. Fred continuou dançando com outras mulheres belas e talentosas, a exemplo de Rita Hayworth, Cyd Charisse, Judy Garland, Audrey Hepburn e Leslie Caron. Depois que envelheceu, fez papés dramáticos, participou de séries e foi indicado a um Oscar como Ator Coadjuvante por “Inferno na Torre / Towering Inferno”, em 1974. 

Em 1985, quando a televisão já predominava sobre o cinema, o cineasta Federico Fellini atacou o jovem meio de comunicação mostrando os bastidores grotescos de um programa de variedades. Em meio ao show de horrores um ex-casal de dançarinos tenta voltar à cena, depois de trinta anos sem se apresentar. Amelia e Pippo bailavam como Fred e Ginger e depois da aposentadoria dos palcos seguiram suas vidas. Ou melhor, ela seguiu, enquanto ele cultivou a saudade. Novamente Federico trata do tema do saudosismo, atacando a nova forma de diversão popular. As demais atrações são pitorescas, mas Amelia e Pippo também têm sua dose de comédia. 
Aqui, ao contrário do filme “Monstros / Freaks”, de 1932, estamos frente a um show de horrores ao qual os participantes vão por livre e espontânea vontade. E talvez isso os torne ainda mais repugnantes. Nem se tivesse uma bola de cristal Fellini poderia imaginar que estava criando um filme que continuaria tão atual. Ainda hoje, com a mania de correr atrás dos 15 minutos de fama, as mais variadas pessoas se submetem a reality shows e outros programas de televisão (ou vídeos na Internet) mostrando seus duvidosos talentos. E, como o diretor italiano, nós também olhamos incrédulos, suspirando pelo esquecimento de talentos verdadeiros de Ginger & Fred.  
Assim como os dançarinos de Fellini, Fred e Ginger se reencontraram: fizeram mais um musical, “Ciúme, sinal de amor / The Barkleys of Broadway” (1949) e, em 1950, quando Fred ganhou seu Oscar honorário, foi Ginger quem lhe entregou o prêmio.

Tuesday, September 27, 2011

Marcello Mastroianni: fatos rápidos



  • Nasceu Marcello Vincenzo Domenico Mastroianni em Fontana Liri, Itália, em 28/09/1924 e faleceu em Paris em 19/12/1996, de câncer no pâncreas . Seu pai tinha uma loja de carpintaria e sua mãe era uma imigrante judia.
  • Atuou em 143 filmes ao longo de mais de 40 anos e produziu um filme, “Contro la legge”, de 1950.
  • Casou-se com a atriz Flora Clarabella em 1950, com quem teve uma filha, Barbara. Separaram-se na década seguinte. Teve romances com Faye Dunaway, Catherine Deneuve (com quem teve a segunda filha, Chiara) e a cineasta Anna Maria Tatò. Rumores diziam que tinha romances com todas as mulheres com que contracenava. Ela achava graça da fama de Don Juan.
Com a filha Chiara

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, foi capturado por nazistas e levado a um campo de trabalhos forçados, de onde conseguiu fugir, passando o resto do conflito escondido em Veneza.
  • Depois da guerra, entrou para a Universidade de Roma, para estudar Economia e Comércio, e começou a fazer teatro. Luchino Visconti notou seu talento e o convidou para fazer papeis shakesperianos e também a peça “Um bonde chamado desejo”, no papel de Mitch.
  • Após alguns papeis como extra, estreou em 1948 com a adaptação do romance “Os Miseráveis”.
  • Fez o papel de Rodolfo Valentino em uma comédia musical no teatro em 1966.
  • Trabalhou com Fellini em cinco produções: “A Doce Vida” (1960), “8 ½” (1963), “Cidade das Mulheres” (1980), “Ginger & Fred” (1986) e “Intervista” (1987). A atriz Anouk Aimée disse em uma entrevista que os dois se entendiam muito bem e confiavam plenamente no trabalho um do outro.

  • Seu irmão Ruggero, cinco anos mais novo, editou vários de seus filmes.
  • Contracenou com Sophia Loren em 14 filmes ao longo de 20 anos.
  • Ganhou duas vezes o Prêmio de Melhor Ator em Cannes, em 1970 e 1987. Só três atores têm esse recorde (os outros dois são Jack Lemmon e Dean Stockwell).
  • Ganhou o Globo de Ouro em 1962 e dois BAFTAS de Melhor Ator Estrangeiro em 1963 e 1964. Foi indicado ao Oscar em três ocasiões (1962, 1977 e 1987).
  • Ganhou o Prêmio de Melhor ator no Festival de Veneza em 1989 e um César Honorário em 1993.
  • “Eu acredito na natureza, no amor, na afeição, em amizades, em meu trabalho e meus amigos. Eu amo as pessoas e amo a vida. Talvez seja por isso que a vida tenha me amado em troca. Acredito que eu tenha sido um homem muito sortudo”.  

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