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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Joseph Cotten: um coadjuvante de luxo

Ele nunca foi indicado ao Oscar. Seu nome não é conhecido pelo público leigo. No entanto, os cinéfilos clássicos devem se lembrar com carinho do belo e versátil Joseph Cotten, que teve a sorte de estar em uma série de filmes importantes, entrando para a história da sétima arte e escrevendo seu nome num seleto grupo de atores que teve o privilégio de trabalhar com gênios como Alfred Hitchcock e Orson Welles.
Seu desejo de estar em um palco e representar foi despertado na infância. Nasceu no sul, estudou interpretação em Washington, trabalhou como vendedor de aspiradores e tintas em Nova York e guarda-costas e crítico de teatro em Miami. Em 1936 conheceu Orson Welles, de quem se tornaria amigo íntimo, sendo inclusive seu padrinho no casamento com Rita Hayworth. Na ocasião do encontro, Welles ateou fogo a um cesto de lixo e, em outra história curiosa, ele e Joseph estavam ensaiando para um programa de rádio quando tiveram um ataque de riso incontrolável. Ele também ajudou Welles a fundar o Mercury Theatre.
Em “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941) ele é Jedediah Leland, amigo de Charles Foster Kane e crítico de teatro. Trabalha para a cadeia de jornais e, após ficar bêbado, Kane termina uma crítica por ele. Joseph trabalhou com Welles também em “Soberba / The Magnificent Ambersons” (1942), “Jornada do Pavor / Journey into Fear” (1943), no qual foi também roteirista, "O Terceiro Homem / The Third Man" (1949), “A Marca da Maldade / Touch of Evil” (1958), no qual não foi creditado, e participou de “Verdades e Mentiras / F for Fake” (1973), o último fime de Welles. Ele também participou do curta “Too much Johnson”, que foi a primeira experiência de Orson com o cinema, em 1938. A pequena produção era exibida antes das apresentações do Mercury Theatre.
Com o mestre do suspense Cotten trabalhou nos filmes “Sob o signo de Capricórnio / Under Capricorn” (1949) e “A sombra de uma dúvida / Shadow of a Doubt” (‘1943), este provavelmente seu mais famoso trabalho. Ele também participou da série “Alfred Hitchcock Presents”, aparecendo em três episódios.
Em 1939 ele foi C. K. Dexter Haven na peça “The Philadelphia Story”, contracenando com Katharine Hepburn. Em 1940 a peça virou filme e o papel de Cotten ficou com Cary Grant. Em 1954, foi Linus Larabee em “Sabrina’s Fair”, peça que no mesmo ano daria origem ao filme protagonizado por Audrey Hepburn. Desta vez, Humphrey Bogart fez o papel de Cotten, embora a contragosto.
Joseph Cotten casou-se duas vezes, com ambos os relacionamentos durando mais de 30 anos. Criou a filha de sua primeira esposa, Lenore La Mont, e depois da morte dela casou-se com a atriz Patricia Medina. Era grande amigo de David O. Selznick, tendo trabalhado quatro vezes com a esposa de David, Jennifer Jones. Em uma festa na casa de Selznick, aliás, Cotten e Ingrid Bergman (com quem contracenou em “À Meia-Luz / Gaslight”), por diversão, foram garçom e garçonete. Outra atriz com quem contracenou bastante foi Teresa Wright, com quem fez nove filmes.
Nos anos 50 e 60 Cotten fez várias participações na televisão, ganhando seu próprio show em 1956. Também trabalhou nos filmes “O abominável Dr. Phibes / The abominable Dr. Phibes” (1971) e “Aeroporto 77”. Na velhice, além de trabalhar esporadicamente, dedicava-se à jardinagem e escreveu uma autobiografia, “Vanish will get you somewhere”, considerada uma das melhores e mais bem-escritas do gênero. Faleceu em 1994 e, apesar de ter feito parte de enormes sucessos, é um dos mais subestimados atores do cinema clássico. E um dos mais belos perfis.  

quinta-feira, 21 de junho de 2012

The Gay, the Bad and the Ugly: desvios de sexualidade e de comportamento no cinema dos anos 50

A censura ainda existia e a ameça comunista virava histeria. Neste contexto se desenvolveu o cinema dos anos 1950, em que por várias vezes os homossexuais foram retratados como vilões ou ao menos personagens perturbados. Qualquer desvio do comportamento considerado adequado era sinal de que havia algo mais de errado com aquela pessoa.
Lembremo-nos, por exemplo, de um célebre vilão, daquele que é meu filme favorito de Hitchcock: “Pacto Sinistro / Strangers on a Train” (1951): Bruno Anthony (Robert Walker), que propõe a troca de assassinatos com Guy Haines (Farley Granger). 

Em 1954, o peculiar faroeste “Johnny Guitar” contou com Mercedes McCambridge, usando roupas escuras e um pouco masculinizadas, como antagonista de Joan Crawford. Mercedes é amargurada porque, segundo algumas teorias, teria sentimentos mal-resolvidos por Vienna. Nem preciso dizer que Mercedes é a vilã da história. Outro exemplo de mulher-macho no western é Jane Calamidade, vivida por Doris Day no musical de mesmo nome de 1953.
 Se James Dean atrai todos os olhares durante a projeção de “Juventude Transviada / Rebel without a cause” (1955), é Plato (Sal Mineo) o personagem mais interessante. Sem amigos e vendo Dean ao mesmo temo como uma figura paterna e heroica, fica quase claro que se trata de um homossexual. A grande crítica que faço é o fato de o personagem não ter família, aumentando a crença na ideia absurda de que a homossexualidade pode ter causas como a desestruturação familiar. Como a maioria das personagens de “comportamento reprovável”, o inocente Plato serve de bode expiatório. Mais uma demonstração de inadequação à sociedade por causa da opção sexual pode ser vista no filme “Chá e Simpatia” (1956).  

Outro filme com subtexto gay é “Gata em teto de zinco quente / Cat in a hot tin roof” (1957), haja vista o desespero e desilusão de Brick (Paul Newman) após a morte de um amigo, fato que o leva a exagerar na bebida e tentar pular obstáculos como no passado. O resultado é uma perna quebrada logo na primeira cena do filme. Ele também é um pouco frígido em relação à esposa, Maggie (Elizabeth Taylor), e o fato de eles não terem ainda herdeiros incomoda o pai dele (Burl Ives).
 O ano de 1959 trouxe dois bons exemplos de intolerância: em “De repente, no último verão / Suddenly, Last Summer”, o personagem Sebastian, que nunca aparece, tem uma relação estranha com a sufocadora mãe, Violet (Katharine Hepburn) e acaba muito mal ao expor a sensual prima Catherine (Liz Taylor) em uma praia. Em “Ben-Hur”, há uma sutil história de amor entre o vilão Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston), algo que apenas Boyd sabia, o que influenciou bastante sua atuação. Por causa dessa temática, inclusive, Rock Hudson rejeitou o papel, aconselhado por seu agente. 

A década de 1950 não foi feita só de dramas: os musicais e as comédias também estiveram presentes. Novamente alguns personagens secundários carregavam o estereótipo do “sissy”, interpretado com maestria na década de 1930 por Edward Everett Horton. Eram retratados como cômicos solteirões, amigos do protagonista., como o personagem de Jack Buchanan em “A Roda da Fortuna / The Band Wagon” (1953).

Chegando em 1960, há ainda um resquício da subjetividade ao tratar do tema, perceptível numa das cenas mais discutidas de todos os tempos: o banho de Crassus (Laurence Olivier) por Antoninus (Tony Curtis) e o famoso discurso sobre “gostar de comer ostras e caracóis”. Só este breve momento já mostrava que o assunto continuaria presente nas décadas seguintes...

This is an entry for the Queer Film Blogathon, in its second edition, at Garbo laughs and Pussy Goes Grrr. Stay tuned in the event!
 

sábado, 16 de junho de 2012

Bernard Herrmann: você já o ouviu em algum lugar

Às vezes, você está tão entretido com o enredo de um filme que acaba nem prestando muita atenção à trilha sonora. Se não for um musical, é provável que suas lembranças depois de acabada a sessão se refiram apenas à trama cinematográfica e não à percepção da música de fundo.

Essa foi uma breve descrição do que normalmente acontece quando eu assisto a algum filme. Devo confessar que perco um bocado ao não prestar muita atenção à trilha sonora. Uma das coisas que perco é sem dúvida a apreciação do talento de vários compositores, entre eles o brilhante Bernard Herrmann.   
Herrmann, descendente de russos, nasceu em Nova York em 1911. Aos treze anos ganhou um concurso de composição e aos 20 formou sua própria orquestra. Em 1934 passou a trabalhar na rádio CBS, onde pôde levar ao público composições quase desconhecidas de grandes músicos e também obras curiosas de personalidades como os reis Henrique VIII e Luis XIII. Foi também na CBS que conheceu Orson Welles e compôs para o Mercury Theatre, inclusive sendo de sua autoria a trilha sonora da avassaladora transmissão de “A Guerra dos Mundos”, feita em 1938 por Welles.
Se o programa de rádio levou Welles para o cinema, ele levou junto Bernard Herrmann, que estreou com chave de ouro, compondo para “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941) e “Soberba / The Magnificent Ambersons” (1942), trabalho pelo qual não foi creditado. Logo em seu primeiro ano no cinema ganhou o Oscar por “The Devil and Daniel Webster”. 
A parcela mais famosa de seu trabalho surgiu através da parceria com o diretor Alfred Hitchcock, que utilizava o talento musical de Bernard mesmo quando havia apenas silêncio: em “Os Pássaros / The Birds” (1963), filme sem trilha sonora, Herrmann foi consultor de efeitos sonoros. O compositor até deu uma de Hitch e fez uma breve aparição em “O homem que sabia demais / The man who knew too much” (1956), como o regente da orquestra. No entanto, nesse filme duas melodias importantes não foram compostas por Herrmann: a gahadora do Oscar “Que sera, sera“ e “Storm Clouds Cantata”, tocada pela orquestra, que foi composta para a primeira versão do filme, em 1934.
A colaboração com Hitch começou em 1955, com “O Terceiro Tiro / The Trouble with Harry” e se estendeu por oito produções, sendo as mais lembradas “Psicose / Psycho” (1960), em que ele inovou ao usar como base os instrumentos de corda, e “Um corpo que cai / Vertigo” (1958), uma obra-prima que voltou às manchetes este ano ao ser incluída na trilha sonora de “O Artista”. A parceria terminou quando Hitchcock se desentendeu com Herrmann ao não aceitar a música dele para “Cortina Rasgada / Torn Curtain”, pedindo “algo com mais ritmo de jazz”. Apesar de nunca mais terem trabalhado juntos, continuaram amistosos.   
Consagrado como compositor de filmes de suspense, Hermann foi chamado por François Truffaut, admirador de Hitchcock, para compor para “Fahrenheit 451” (1966) e “A noiva estava de preto / The Bride Wore Black” (1968). Para Brian de Palma, trabalhou em “Sisters” (1973) e “Obssession” (1974) e teria trabalhado em “Carrie, a estranha” se não tivesse falecido. Foi Brian que indicou Bernard para Martin Scorsese, que o contratou para “Taxi Driver” (1976), o último filme de Herrmann. 
Ele gostava de ter liberdade criativa para compor, algo raro entre os de sua classe, e assim influenciou gerações. A música que fez para Truffaut, por exemplo, serviu de base para os arranjos da canção “Eleanor Rigby”, dos Beatles. Vez ou outra surge uma homenagem na mídia, a exemplo da discografia lançada em 1996 que acabou ganhando um prêmio no Festival de Cannes. Talentoso e versátil, Herrmann também compôs para uma série de filmes de aventura e ficção, como “O dia em que a Terra parou / The Day the Earth Stood Still” (1951), e para a primeira temporada da série “The Twilight Zone”. Além disso, fez uma ópera baseada em “O morro dos ventos uivantes” em 1951. Surpreeendentemente, a composição de que mais gostava era a de um romance: “O Fantasma Apaixonado / The Ghost and Mrs.Muir” (1947). 

Clique nos títulos dos filmes para carregar a trilha sonora no YouTube e leia mais sobre "O Fantasma Apaixonado" aqui.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Made in Canada: Canadenses no Cinema – Parte 2


Norma Shearer: Ela era meio vesga, mas conquistou um magnata, o produtor Irving Thalberg, milhões de fãs e um Oscar em 1930. Norma trouxe também do Canadá seu irmão Douglas, que trabalhou no departamento de som da MGM. Ele ganhou 12 Oscars por seu trabalho e surpreendentemente aprendeu tudo o que sabia por conta própria. Sua irmã Athole também foi para Hollywood, casando-se com o diretor Howard Hawks.

Marie Dressler: Esta comediante conquistou os palcos e depois as telas, ganhando o Oscar de Melhor Atriz em 1931, por “Lírio no Lodo”. Ela trabalhou vendendo bônus de guerra na Primeira Guerra Mundial, sendo homenageada pelos militares, que batizaram uma rua com seu nome. Um de seus primeiros filmes foi com Chaplin e Mabel Normand, em 1914, e em 1917 ela escreveu e dirigiu um filme, “Fired”.  

Yvonne De Carlo: Criada pelos avós e descoberta através de sua bela voz e talento para a dança, durante algum tempo ela foi a rainha do Technicolor, marcando presença como a esposa de Moisés (Charlton Heston) em “Os dez mandamentos”. Muitos se lembram desta atriz por causa de sua interpretação de Lily, matriarca de uma família sinistra na série “Os Monstros”, para a qual foi chamada para recuperar-se de uma depressão.
 Geneviève Bujold: Se você pensou na província do Quebec, acertou. Essa canadende de nome francês ficou conhecida mundialmente ao interpreter Ana Bolena em “Ana dos mil dias”, contracenando com Richard Burton e ganhando um Globo de Ouro de Melhor Atriz. Geniviève trabalhou também com Charlton Heston, Michael Douglas e Clint Eastwood.

Glenn Ford: Tendo ido para os EUA aos oito anos, Glenn adotou o nome da cidade natal do pai como seu nome artístico. Logo após se naturalizar, combateu na Segunda Guerra e, em 1946, teve sua grande chance ao protagonizar “Gilda”, ao lado de Rita Hayworth, com quem faria mais quatro filmes. Passeou por diversos gêneros, sendo seus faroestes sucesso de público.

Gene Lockhart: Ele estreou no cinema mudo e interpretou vários coadjuvantes ilustres, como em “Jejum de Amor”, “O lobo do mar”, “Milagre na Rua 34” e “Carrossel” (1956). Também foi roteirista de teatro, escreveu letras de músicas e deu aulas de interpretação. Sua família é toda de atores, incluindo a esposa Kathleen, a filha June e a neta Anne.   
Gene e Kathleen Lockhart
 Walter Pidgeon: Ele teve uma vida e tanto: sofreu um acidente durante a Primeira Guerra, foi bancário, recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Ator, ficou viúvo aos 24 anos e depois se casou com sua secretária. Para completar, foi descoberto por Fred Astaire enquanto cantava em uma festa! Em sete filmes interpretou o marido de Greer Garson. Esteve em “Planeta Proibido”, de 1956, com outro canadense, Leslie Nielsen.

Raymond Massey: Sua história é bem incomum: combateu na Primeira Guerra e, ao voltar para casa traumatizado, foi mandado para a Sibéria, onde pela primeira vez atuou. A partir daí ele foi para os palcos de Londres e protagonizou o primeiro filme falado de Sherlock Holmes. Um de seus mais famosos papéis é o de Jonathan, o irmão de Cary Grant que fica igual a Boris Karloff após uma plástica em “Esse mundo é um hospício”. O ator também interpretou o presidente Lincoln em três filmes.

Christopher Plummer: O mais novo detentor do recorde de mais velho ganhador do Oscar. Antes disso, Chris esteve no musical “A Noviça Rebelde”, papel que ele afirma não ter gostado, e interpretou John Barrymore nos palcos, ganhando um Tony (prêmio da Broadway) de Melhor Ator. Seu desejo de atuar foi despertado ao ver Laurence Olivier em “Henrique V”. Um grande ator com uma admirável carreira.

Leslie Nielsen: Seus maiores sucessos são a série “Corra que a polícia vem aí” e o filme “Apertem os cintos, o piloto sumiu”, mas Leslie apareceu em mais de 100 filmes e 1500 programas de TV, totalizando mais de 220 personagens. Curiosamente, seu primeiro e seu último trabalho foram participações como narrador.
Dan Aykroyd: Oriundo da primeira leva de comediantes do Saturday Night Live, Dan estabeleceu uma parceria com James Belushi, co-estrelando com ele três filmes. Ele também se aventurou como diretor, roteirista, músico e vinicultor.   

Menção honrosa para o grande pioneiro Louis B. Mayer, que nasceu na Rússia, mas cresceu no Canadá.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Made in Canada: Canadenses no Cinema – Parte 1

Canadá e Estados Unidos são grandes parceiros comerciais. Se por um lado o país mais ao Norte importa muitos produtos ds EUA, há um fluxo inverso no mundo das artes: foram várias as estrelas exportadas para o vizinho mais ao Sul.
Florence Lawrence: A primeiríssima estrela do cinema americano era canadense. Mais conhecida como “Biograph Girl”, Florence foi a protagonista das primeiras produções de Griffith. Ela também inventou o sistema em que atores e diretores podem ver o resultado das filmagens e então corrigir o que estiver errado. Após a fundação de Hollywood, ela desistiu da carreira por não querer ir para a costa da Califórnia.

Mary Pickford: A namoradinha (estrangeira) da América foi, sem dúvida, a maior celebridade do cinema mudo. Pequena, de cabelos cacheados e ar angelical, fez mais de 250 filmes. No entanto, atraiu mais atenção por seu casamento com o astro Douglas Fairbanks e por ter sido a segunda ganhadora do Oscar de Melhor Atriz. Seus irmãos Lottie e Jack também trabalharam em filmes mudos, morrendo respectivamente em 1936 e 1933.

Mack Sennett: Ele foi o fundador dos Estúdios Keystone, responsável por lançar estrelas como Mabel Normand e Gloria Swanson. Fez parte de divertidas comédias na época do cinema mudo, produzindo mais de 1100 filmes, estrelando em 362 e dirigindo 322.
Warner Brothers: Os quatro canadenses mudaram a história do cinema com o filme “O Cantor de Jazz”, mas começaram como distribuidores do filme “O grande roubo do trem”, de 1903. Sam Warner faleceu pouco antes da estreia do revolucionário filme falado, deixando seus irmãos Jack, Harvey e Albert envoltos em brigas.

Fay Wray: Dona de um dos gritos mais famosos da sétima arte, começou no cinema aos 16 anos, em produções mudas. Fez alguns filmes de terror, até ser escalada como substituta de Jean Harlow em King Kong (1933). Nos anos 50 participou do seriado Perry Manson ao lado de outro canadense, Raymond Burr.

Ruby Keeler: Ela fez vários musicais bem-sucedidos e psicodélicos sob a direção de Busby Berkeley na década de 1930. Seu primeiro marido foi o cantor Al Jolson, protagonista do revolucionário “O Cantor de Jazz” de 1927. Ela deixou o cinema em 1940 e só retornou à Broadway nos anos 70.
Deanna Durbin: Cantora clássica e uma estrela adolescente, Deanna encerrou a carreira aos 27 anos. Seu primeiro trabalho foi em um curta ao lado de Judy Garland.

Ann Rutherford: Ann interpretou a irmã caçula da família O’Hara em “E o vento levou”, preenchendo a vaga que ficou disponível após Judy Garland ser chamada para fazer “O mágico de Oz”. Ann também estrelou diversos filmes da série Andy Hardy, ao lado de Mickey Rooney.

Lorne Greene: Ele fez carreira na televisão, ficando famoso ao interpretar o patriarca Ben Cartwright durante 14 anos na série Bonanza. Mas Lorne também gravou discos no estilo country, que foram outro grande sucesso em sua carreira.

Walter Huston: O patriarca da família Huston, pai de John e avô de Anjelica, se dividiu entre o cinema e o teatro com sucesso. Ele ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1949, tendo sido dirigido por seu filho John em “O Tesouro de Sierra Madre”. A festa foi generalizada na cerimônia, pois John ganhou como Melhor Diretor.

Hume Cronyn: Mais conhecido por suas participações nos filmes de Hitchcock “Sombra de uma Dúvida” e “Um barco e nove destinos”, também colaorou nos roteiros de “Festim Diabólico” e “Sob o signo de Capricórnio”. Embora pouco lembrado, este ator foi também boxeador, marido de Jessica Tandy, apareceu na lista negra durante a histeria comunista e teve um asteroide batizado com seu nome. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Aves sem ninho / Sparrows (1926)

Sim, cinéfilos, Mary Pickford está na moda! Depois de uma boa surpresa na temporada de premiações com a consagração de “O Artista”, em que Jean Dujardin interpreta um alter-ego de Douglas Fairbanks, marido de Pickford, foi a vez de um frenesi tomar conta devido à necessidade de preservação e patrocínio do Mary Pickford Institute. Infelizmente, nem a mobilização generalizada dos fãs impediu que os estúdios dessa pequena notável fossem demolidos, mas este triste fato serviu para unir os admiradores da mocinha que inventou Hollywood e atrair a atenção para essa importante personalidade, que em breve ganhará uma cinebiografia.

Yes, cinephiles, Mary Pickford is in vogue! After a good surprise during awards season with a plethora of prizes going to “The Artist”, in which Juan Dujardin plays a Douglas Fairbanks (Mary's husband) alter-ego; what followed was a frenzy to preserve and support the Mary Pickford Institute. Unfortunately, the fans getting together wasn't enough and the building where Mary's studio was located was demolished. But this sad fact helped to unite Mary's admirers, and to attract attention for her important contribution to the film world.
Quando “Aves sem Ninho” foi feito, Mary tinha uma sólida carreira de mais de 15 anos no cinema e 34 anos de idade. Mesmo assim, ela interpreta uma garota bem mais nova, mas que tem de amadurecer para cuidar das crianças que chegam a uma fazenda, onde são submetidas a trabalhos forçados. O dono do local, o malvado e manco Sr. Grimes (Gustave Von Seyffertitz), além de explorar a mão-de-obra infantil, vez ou outra ameaça jogar uma criança para que afunde no pântano. O que vai mudar tudo é o arriscado negócio que ele fez: combinar o sequestro de uma criança, a filha do rico Dennis Wayne (Roy Stewart), que fica sob os cuidados de Molly, que, assim como outras personagens de Mary, é sofredora, porém decidida e corajosa. Ela não hesita em enfrentar Ambrose (‘Spec’ O’Donnell), o mimado e glutão filho dos “patrões”.

When “Sparrows” was made, Mary was 34 years old and had a solid career in film, that had been going for over 15 years. However, she was a playing a much younger girl who has to become mature to take care of the children who arrive in a hard labor farm. The owner of the place, the evil and limping Mr Grimes (Gustav Von Seyffertitiz), besides exploiting child labor, sometimes threatens to trow a child in the swamp. What will change everything is a risky business Mr Grimes has made: he set up the kidnapping of the heir of wealthy Dennis Wayne (Roy Stewart). The kidnapped little girl is overseen by Molly (Pickford), a suffering, but courageous character. She doesn't think twice to fight Ambrose ('Spec' O'Donnell), the fat and spoiled boss' son.
Como não podia deixar de ser, mais este filme mudo está cheio de belas imagens, começando pelos grandes e expressivos olhos de Mary. Uma das mais belas, em minha opinião, é quando todas as crianças colocam suas mãos nos vãos da madeira do celeiro para acenar, dizendo adeus ao recém-vendido Splutters. Mas, sem dúvida, a mais pungente é a da morte de um bebê, quando Jesus aparece para buscá-lo dos braços de Molly. É impossível não fazer uma ligação com uma cena de mesmo conteúdo feita por Lillian Gish em 1920 no filme “Inocente Pecadora”. Certamente o evento em si é mais bonito no filme de Mary, mas não há dúvida que Lillian é mais tristemente convincente quando se trata de crianças moribundas.

This silent film has a lot of beautiful images, like many other do, starting with Mary's big and expressive eyes.In my opinion, one of the more beautiful images involves all the children with their hands in the porthole of the barn, saying goodbye to Splutters, who has been sold. But, without a doubt, the most harrowing of them all involves the death of a baby, and in this scene Jesus appears to take the child from Molly's arms. We have to make here a connection with a similar scene starred by Lillian Gish in “Way Down East” (1920). Certainly the scene is more beautifully shot in Mary's movie, but there is no doubt that Lillian is more saddening and convincing around dying children.

A religião é parte importante do enredo, pois o tempo todo Molly e as crianças rezam para que sua situação melhore. Vários trechos da Bíblia são citados e até o próprio título tem explicação religiosa: Deus vigia toda ave que cai do ninho.

Religion is an important part of the plot, because all the time Molly and the children pray for their situation to get better Several parts of the Bible are cited and even the title itself has a religious explanation: God watches every single sparrow that falls from the nest.
Os intertítulos, que em minha opinião até facilitam que um espectador estrangeiro veja os filmes mudos americanos, contém várias expressões e palavras diferentes do que conhecemos e estudamos quando estamos aprendendo inglês. Como uma língua viva, o inglês está sempre se modificando, e isso fica claro quando lemos na tela “pertaters” ao invés de “potatoes”, “yer” no lugar de “you” ou “your”, “git” onde deveria estar “get”, entre outros. Há menos intertítulos na segunda metade da película, para dar lugar à ação. Logo após o clímax da fuga no pântano, há uma caçada envolvendo barcos e uma longa conversa, que parecem desnecessários e apenas desaceleram o filme, baixando quaisquer níveis de adrenalina que restavam no espectador. 

The intertitles are something that, in my opinion, make it easier for foreigners to watch an American silent movie. But this one has intertitles with several expressions and words we don’t learn when we learn to speak English. As a living language, English is in constant evolution, and it can be observed when we read “pertaters” instead of “potatoes”, “yer” instead of “you”, “git” instead of “get”, and so on. There are fewer intertitles in the second half of the movie, because there is more action. Right after the climatic escape from the swamp, there is a hunt involving boats and a long conversation, two kind of unnecessary things that only slow down the movie and the adrenaline levels.    

William Beaudine, diretor de filmes B (a exemplo de “Jesse James encontra a filha de Frankenstein” e “Billy the Kid contra Drácula”) que vez ou outra aparecia creditado como William X. Crowley, nem pôde aproveitar o sucesso do filme, pois brigou com Mary Pickford no set, abandonando a filmagem e deixando seu assistente Tom MacNamara completá-la. Mary e William, que tinham a mesma idade, nunca mais trabalharam juntos. Outra história dos bastidores tem a ver com os crocodilos, uma vez que há controvérsias em relação ao uso de animais vivos no set. Mary dizia que os animais eram verdadeiros, e ela discutiu com o diretor por este insistir que ela fizesse a cena carregando um bebê de verdade e não um boneco. No entanto, o fotógrafo envolvido na gravação afirma que não foi usado nenhum crocodilo verdadeiro, o que fica evidente quando vemos o filme com bastante atenção. Mesmo assim, a realidade da cena impressiona.
William Beaudine, B-movie director (he was behind such films as “Jesse James meets Frankenstein’s Daughter” and “Billy the Kid versus Dracula”) was sometimes credited as William X. Crowley. He couldn’t even enjoy the success of this movie, because of a big fight with Mary Pickford at the set. After the fight, William left the movie and his assistant Tom McNamara finished it. Mary and William, who had the same age, never worked together again. Another backstage story involves crocodiles, and there are controversies about using live animals in the set. Mary said that there were real animals, and she argued with Beaudine when he insisted that she shot a scene carrying a real baby among the animals, and not a doll. However, the film photographer says that no real crocodiles were used, and it becomes evident when we watch closely. No matter what, the scene still looks very convincing.
O fato de haver crianças neste filme torna-o mais dramático e até mesmo chama mais a atenção das novas plateias. Claro que uma das crianças atrasa vez ou outra a fuga do pântano. Sem dúvida o destaque infantil é a fofa Mary Louise Miller, a garotinha sequestrada. Pickford, na época casada com Fairbanks e sem filhos, mostrou interesse em adotar a pequena, o que os pais da atriz mirim de apenas dois anos recusaram. Em seu terceiro casamento, com Charles ‘Buddy’ Rogers, Mary Pickford acabaria adotando um casal de filhos.

The fact that the film is focused on children makes it more dramatic and can even attract a young audience. Without a doubt the outstanding child actress in the cast is cutie Mary Louise Miller, the little girl who is kidnapped. Pickford, at the time married to Fairbanks and childless, showed interest in adopting the two-year-old girl, but her parents refused the offer. During her third marriage, with Charles ‘Buddy’ Rogers, Mary adopted a boy and a girl.  
Duas Marys
Depois que completou trinta anos, Mary Pickford decidiu abandonar o estilo “menininha”, o que desagradou os fãs. Por isso ela voltou à velha persona cinematográfica para este filme de despedida, considerado um dos melhores de sua carreira e que sobreviveu muito bem ao tempo. Depois de “Sparrows”, Mary faria mais um filme mudo e conquistaria o Oscar com seu primeiro filme falado, “Coquette”, de 1929. Ela se aposentou aos 41 anos e viveu em sua mansão Pickfair até a morte, em 1979.

Since turning 30, Mary Pickford abandoned the “little girl” style, and fans weren’t happy. That’s why she returned to her old film persona to this final performance, considered one of the best of her career, and also one that stood the test of time. After “Sparrows”, Mary would do only one more silent and win the Oscar for her first talkie, “Coquette”, from 1929. Mary retired at 41 and lived at Pickfair until dying in 1979.

“Aves sem Ninho” pode ser encontrado AQUI. E pensar que, durante parte de sua vida, Mary queria que seus filmes fossem destruídos após sua morte, acreditando que ninguém se importaria com eles depois que ela se fosse! 

“Sparrows” can be found HERE. It’s hard to think that, during part of her life, Mary wanted her films destroyed after her death, believing that nobody would care about them after she was gone!

This post is part of the Mary Pickford Bogathon, hosted by KC at Classic Movies. Check out this cool banner and the whole event:
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