} Crítica Retrô: Errol Flynn

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Sunday, June 23, 2019

In the Wake of the Bounty (1933): o primeiro filme the Errol Flynn

In the Wake of the Bounty (1933): Errol Flynn's first film


Muitos de nós devem ter conhecido a história do motim a bordo do navio HMS Bounty através de um filme. De farto, o famoso motim foi levado para as telas muitas vezes, sendo os filmes mais notáveis os de 1935, 1962 e 1984. Nestes filmes, o líder do motim, Fletcher Christian, foi interpretado por, respectivamente, Clark Gable, Marlon Brando e Mel Gibson. Mas estes não foram os únicos filmes sobre o ocorrido. Em um dos menos conhecidos filmes sobre o motim, um novato chamado Errol Flynn foi escalado como Fletcher Christian.

Many of us may have learned the story of the mutiny aboard the HMS Bounty through a film. Indeed, the infamous mutiny was translated to the screen several times, most notably in 1935, 1962 and 1984. In these films, the leader of the mutiny, Fletcher Christian, was portrayed by, respectively, Clark Gable, Marlon Brando and Mel Gibson. But those weren't the only films about the fact. In one of the lesser-known mutiny movies, a newcomer called Errol Flynn was cast as Fletcher Christian.


“In the Wake of the Bounty” começa com o aviso de que não se trata de um filme dramático qualquer. Na realidade, ele é o primeiro de uma série prevista de “grandes filmes de viagem”, filmados em locação pelo estúdio Expeditionary Films. Aparentemente, o plano nunca se concretizou, pois o IMDb mostra que apenas mais uma película foi feita pelo estúdio.

“In the Wake of the Bounty” begins with a warning that it was not a common drama film. In reality, it is the first of an intended series of “great travel films”, shot on location by Expeditionary Films. Apparently, this never happened, as IMDb lists only one more film made by the studio.


Um homem cego chamado Michael (Victor Gouriet) conta a história do HMS Bounty – história da qual ele foi testemunha – para seus amigos em um bar. Através de uma narração solene, ele fala sobre o terrível temperamento do capitão Bligh (Mayne Lynton). O contraste é óbvio quando vemos Bligh sozinho em uma sala grande e bem decorada, enquanto os marinheiros estão todos juntos, empilhados, no convés. Quem recebe ordens do capitão é Fletcher Christian (Errol Flynn). Uma surpresa é que a câmera balança um pouco nas cenas dentro do navio, criando uma sensação que é ao mesmo tempo verdadeira e nauseante.

A blind man named Michael (Victor Gouriet) tells the story of the HMS Bounty – one he witnessed – to his drinking peers. Through a solemn narration, he talks about Captain Bligh's (Mayne Lynton) terrible temper. The contrast is obvious when we see Bligh alone in a huge, well-furnished room, while the sailors are all together in the deck. Receiving orders from the captain is Fletcher Christian (Errol Flynn). Surprisingly, the camera rocks a little in these ship scenes, creating a feeling that is at the same time true and dizzying.


Depois de uma viagem extenuante na qual os marinheiros são explorados e punidos, o navio chega ao Taiti. Lá, eles encontram estereótipos e nudez. Eles ficam seis meses no Taiti, dançando e se divertindo com os nativos. Quando os marinheiros são chamados de volta para o navio, todos ficam desolados – incluindo Fletcher Christian, que se apaixonou por uma nativa. Amor e luxúria serão os combustíveis do motim.

After an extenuating trip in which the sailors are explored and punished, the ship arrives in Tahiti. There, they find stereotypes and nudity. They spend six months in Tahiti, dancing and enjoying their time with the natives. When the sailors are called back to the ship, they are all desolate – including Fletcher Christian, who fell in love with a native. Love and lust will be the fuels for the mutiny on the bounty.


Como o líder do motim menos sangrento da história, Errol Flynn se sai bem, mas está ridículo com uma peruca de rabo de cavalo. Sua voz é clara e ele demonstra alguma emoção, mas aí o filme se torna... um documentário sobre o Taiti! E volta para a ficção de novo! E depois para o documentário mais uma vez! É tudo uma bela e interessante bagunça.

As the leader of the least bloody mutiny in history, Errol Flynn is good, but looks quite ridiculous with a wig with a ponytail. His voice is clear and he shows some emotion but then the film changes... to a documentary about Tahiti! And then to fiction again! And then documentary once again! It's all a beautiful, interesting mess.


A história do cinema australiano é um tópico selvagem. Embora o primeiro longa-metragem seja australiano – “The Story of the Kelly Gang” (1906) – o país não teve grande tradição cinematográfica. Mais do que isso: as produções de Hollywood demoravam alguns anos para chegar à Oceania. A indústria do cinema australiana  estava em crescimento na década de 1910, mas sofreu um grande golpe com a guerra, e só se recuperou deste golpe nos anos 30.

Australian film history is a wild topic. Even though the first feature film was Australian – “The Story of the Kelly Gang” (1906) – the country didn’t have a big tradition in filmmaking. More than that: Hollywood movies took a couple of years to reach Oceania. The Australian film industry was thriving in the 1910s, but the war came and it suffered a big blow, from which the industry didn’t recover until the 1930s.

"The Story of the Kelly Gang"
Errol Flynn, nascido na Tasmânia em 1909, tinha 24 anos quando “In the Wake of the Bounty” foi feito. Há várias histórias sobre como ele foi escalado para o filme. Também foram criadas diversas histórias para vender o filme, e uma delas dizia que Flynn era descendente direto de Fletcher Christian – ele, obviamente, não era.

Errol Flynn, born in 1909 in Tasmania, was 24 when “In the Wake of the Bounty” was made. There are different stories about how he was cast in the picture. There were also created stories to sell the film, with one of them saying Flynn was a direct descendant of Fletcher Christian – which, of course, he wasn’t.


Na estranha cinebiografia “Flynn” – também conhecida pelo título “My Forgotten Man” – o jovem Errol Flynn é mostrado como um mentiroso que não conhecia limites quando se tratava de conseguir o que ele queria, e isso incluía roubar, dormir com homens e mulheres e entrar em brigas. O filme conta que Errol (interpretado por Guy Pearce) conseguiu o papel em “In the Wake of the Bounty” depois de embebedar outro ator e tomar o lugar dele, assinando um contrato. Não há outra evidência para comprovar essa história que não seja o filme. A película também termina com Flynn se tornando uma sensação do dia para a noite por causa de sua performance, o que não ocorreu, pois foi uma performance muito curta e amadora.

In the odd 1993 biopic “Flynn” – sometimes also called “My Forgotten Man” – young Errol Flynn is portrayed as a liar who saw no limits to get what he wanted, and this included stealing, sleeping with men and women and getting in fights. The film tells that Errol (played by Guy Pearce) got the part in “In the Wake of the Bounty” by getting an actor drunk and showing up in his place to sign the contract. There is no other evidence of this story but the film. The movie also ends with Flynn becoming an overnight sensation due to his performance, which didn’t happen, as it was a very short and incipient performance.   
 
Guy Pearce
Depois de “In the Wake of the Bounty”, Flynn foi para a Inglaterra, onde ele trabalhou no teatro e fez dois filmes. O produtor Irving Asher então recomendou Flynn para a Warner Brothers. Em Hollywood, ele foi primeiro testado em dois filmes B e finalmente se tornou uma estrela com “Capitão Blood” (1935).

After “In the Wake of the Bounty”, Flynn went to England, where he worked in the theater and made two movies. Producer Irving Asher then recommended Flynn to Warner Brothers. In Hollywood, he first was tested in two B-movies and finally became a star with “Captain Blood” (1935).
 
"Murder at Monte Carlo", 1935 (lost film)
Fletcher Christian e Errol Flynn têm algumas coisas em comum. Ambos eram aventureiros mulherengos que, mais de uma vez, tomaram decisões pensando em mulheres. Ambos eram rebeldes à sua maneira, e ambos escreveram seus nomes na história por seus atos.

Fletcher Christian and Errol Flynn have some things in common. Both were adventurous womanizers who, more than once, had women in mind when making decisions. Both were rebellious in their own way, and both wrote their names in history thanks to their devilish actions.


“In the Wake of the Bounty” desafia todos os limites entre ficção e documentário, e só por isso já merece ser visto. Ah, e também tem Errol Flynn, é claro.

“In the Wake of the Bounty” defies all limits between fiction and documentary, and for this alone it's a movie worth checking. Oh, and there is Errol Flynn, too.

“In the Wake of the Bounty” is available on YouTube and Internet Archive.

This is my contribution to the Blizzard of Oz blogathon, hosted by Quiggy at The Midnite Drive-In.



Wednesday, May 8, 2013

Making-off: documentários cinematográficos – Parte 2

E lá vamos nós!

Diabo da Tasmânia: a vida rápida e furiosa de Errol Flynn: Errol viveu apenas 50 anos, mas foi intensamente. Seus amores, escândalos, muitos sucessos e diversas curiosidades estao nesse documentário. Você sabia, por exemplo, que, pouco antes de morre, ele entrevistou Fidel Castro durante a Revolução Cubana?

Hitchcock, Selznick e o fim de Hollywood (1998): Quando David Selznick trouxe Alfred Hitchcock da Inglaterra, o sistema de estúdio estava no auge em Hollywood. Ele assinou contrato com Selznick e fez vários filmes medíocres neste período. Seu apogeu só chega com a decadência do sistema de estúdio.

Um perfil de “Os Sapatinhos Vermelhos” / A profile of “The Red Shoes” (2000): Meia hora é muito pouco para tratar de um filme tão mágico e revolucionário quanto este musical de 1948.

Fellini: eu sou um grande mentiroso (2002): Os colaboradores ainda vivos de Fellini na época foram os destaques deste documentário. Com entrevistas menores dos envolvidos já falecidos, como Mastroianni, Giulietta Masina e o próprio Fellini.

Testemunha imaginária: Hollywood e o Holocausto (2004): O tema é promessa certa de lágrimas nas plateias. Já existente durante o Holocausto mas, como o resto do mundo, alheia a ele, Hollywood produziu filmes incríveis aqui discutidos, entre os quais “A escolha de Sofia” (1982) e “A lista de Schindler” (1993).

A era de ouro da música no cinema: 1965/1975: O cinema como um todo se renovou nos anos 1960 e 1970. Não poderia ter sido diferente com as trilhas sonoras, gerando músicas muito originais e inesquecíveis.

Enfim, o cinema (2011): Aqui os irmãos Lumiére não são o começo, mas o fim da jornada. As técnicas de ilusionismo e animação foram desenvolvidas ao longo do século XIX por grandes cérebros hoje esquecidos, mas que foram fundamentais para a criação do cinema.

O som de Hollywood (2009): Se hoje os filmes são coroados por trilhas sonoras e compositores têm emprego garantido em Hollywood, devemos agradecer ao austríaco Max Steiner. A influência deste brilhante compositor, assim como as características e desafios da profissão, são analisados neste documentário.

Stardust: A história de Bette Davis (2006): Narrado por Susan Sarandon, conta com depoimentos em vídeo e em voz de diversos ícones que conheceram e trabalharam com Bette. Sua vida pessoal também é abordada, com forte presença do filho adotivo Michael e da ex-babá que se casou com seu terceiro marido. Polêmicas à parte, o documentário fica mais rápido e menos detalhado a partir dos acontecimentos da década de 1950.

O possesso Peter Finch (2011): Usando como título a icônica frase que Howard Bale, personagem que rendeu um Oscar a Finch, manda os telespectadores de seu programa gritarem (“Estou possesso e não vou mais aguentar isso!”), o documentário colhe depoimentos de colegas e, em especial, dos familiares para desvendar esse ator australiano com altos e baixos na vida e na carreira.

Olhar Estrangeiro (2006): Este documentário brasileiro mostra como nosso país é visto lá fora. Boa parte dessa visão é refletida nos filmes feitos por estrangeiros sobre nosso país, sempre com uma boa dose de estereótipos. Vários atores e diretores são entrevistados, embora a quantidade de filmes antigos citados seja bem reduzida.

Truffaut, Godard e a Nouvelle Vague (2008): Jovens críticos da Cahiers du Cinéma, descontentes com as produções da época, resolvem começar um tipo diferente de cinema que lhes agrade. Fica latente que Truffaut foi o principal cérebro do movimento e eu, em particular, fiquei morrendo de vontade de colocar minhas mãos em algum exemplar dessa revista histórica.

Para terminar, respondo às 11 perguntas que me foram feitas pela Samy do blog Meu diário vintage:

1. Por que você gosta do seu blog?
Meu blog me aproxima do mundo, das pessoas que gostam das mesmas coisas de que eu gosto ou que estão dispostas a aprender sobre elas. Através dele conheci pessoas excelentes. 
2. Qual foi a intenção ao criá-lo?
Compartilhar curiosidades sobre o mundo do cinema antigo, pois às vezes as partes mais interessantes de um filme são as histórias dos bastidores.
3. Você tem segredos de beleza?
Nunca saio sem batom!
4. Qual ou quais são os livros que você esta lendo no momento?
“O Processo”, de Franz Kafka, e “Max e os felinos”, de Moacyr Scliar
5. Uma música para o presente momento?
Minha música sempre será “My Way”, na voz de Frank Sinatra
6. Você tem alguma historia interessante sobre o seu namoro/noivado/casamento para contar?
Sou solteira.
7. Qual foi o melhor momento pra você, até agora, desse ano de 2013?
A Feira do Livro que aconteceu recentemente (acabou semana passada) foi muito proveitosa. Também fui escolhida para fazer parte de duas coletâneas internacionais de contos. Mas, como sou otimista, acredito que o melhor momento ainda está por vir! : )
8. Como planeja o seu futuro?
Minuciosamente.
9. O que tem sobrando no seu armário no momento?
Coisas que, infelizmente, não posso usar porque está frio.
10. Você acha que se conhece mais ou os outros te conhecem melhor que si mesma?
Eu me conheço mais que os outros, mas mesmo assim ainda me surpreendo.
11. Se fosse outra época, outro lugar, outro espaço... Diga em qual você viveria?
Hollywood nos anos 20 ou Hollywood hoje, durante o TCM Classic Film Festival.

Friday, May 6, 2011

As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood (1938)

Muitos costumam dizer que a versão original é sempre a melhor. Talvez valha para este caso: o primeiro Robin Hood do cinema sonoro é um filme a cores, quando essa tecnologia ainda surgia, e traz o grande par romântico Olivia de Havilland e Errol Flynn, um dos maiores expoentes nos filmes de capa e espada. 
Com vocês, o biografado: Por trás do mito Robin Hood existe Sir Robin de Locksley, um nobre inglês cujos bens foram destruídos. Reza a lenda que, para reaver sua posição, Robin se juntou a um bando na floresta de Sherwood. Era um fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Pouco se sabe sobre a veracidade dos fatos aqui narrados, mas, se realmente existiu, Robin Hood teria vivido no século XII e, desde então, tornado-se inspiração para contos, romances, quadrinhos e, é claro, filmes.    
Variações sobre um mesmo tema: Por seu caráter heroico, Robin Hood despertou cedo o interesse dos cineastas. A primeira versão é de 1908, seguida por outras duas versões mudas, de 1912 e 1922, esta última com o galã Douglas Fairbanks. Depois da versão de 1938 sobre a qual tratamos, vieram duas em 1952 e uma em desenho animado em 1973, na qual Robin, sugestivamente, era personificado por uma raposa. Tivemos duas versões brasileiras com Renato Aragão, em 1974 e 1990; uma em 1976 que mostrava Robin já na meia-idade; três remakes na década de 1990 e, finalmente, um em 2010, estrelando Russel Crowe.
Além disso, a premissa de “roubar dos ricos para dar aos pobres” foi usada em outras produções, como “Robin Hood de Chicago”, de 1964, uma comédia musical com Frank Sinatra, Bing Crosby, Bob Hope e Sammy Davis Jr.
É bom saber: Esta primeira versão para cinema sonoro foi planejada para ser estrelada por James Cagney, mas antes de o projeto se realizar ele saiu da Warner Brothers.
Errol Flynn teve uma boa atuação, mas considerava o papel de Robin Hood chatíssimo.
O filme custou cerca de 2 milhões do dólares (na época). Foi o filme com o maior número de dublês usados até então e, para ser filmado em cores, utilizou todas as câmeras Technicolor existentes em 1938.

Wednesday, January 12, 2011

Astros nas Trincheiras

Enigmático título, não? Pois bem, muitos dos que prestaram um pouco de atenção às aulas de História durante os tenros anos de formação intelectual sabem como o “breve século XX” foi um período conturbado. Foi também a época de afirmação e popularização do cinema. Por isso, muitas vezes eles se entrelaçaram, não apenas em filmes de guerra, mas também em curiosos casos de atores que foram para os campos de batalha e felizmente voltaram sãos e salvos. Alguns casos que descobri recentemente:


Herbert Marshall: O mais antigo ator da lista e, talvez por isso, o menos conhecido, lutou na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e perdeu a perna direita em combate (!). Teve de passar o resto da vida com uma prótese de madeira ( = tecnologia dos anos 1920). Nessa época o público não desconfiava de nada. Para uma cena de “Ladrão de Alcova” (Trouble in Paradise, 1932), em que sua personagem descia as escadas carregando uma mulher, um dublê foi necessário.

Errol Flynn: O grande aventureiro das telas também viveu momentos marcantes na vida real. Ele participou da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) como correspondente. Aliás, Errol sempre sonhou com essa profissão e gostava muito de escrever. Até lançou um romance, sucesso de vendas. Em 1959, voltou à cena, desta vez durante a Revolução Cubana, chegando a encontrar Fidel Castro. Seu filho Sena seguiu a carreira de correspondente e fotógrafo e, infelizmente, foi dado como morto ao entrar no Camboja durante a Guerra do Vietnã.

James Stewart: O ator foi ao campo de batalha como membro da Força Aérea durante a Segunda Guerra (1939-1945). Durante todo o tempo que passou por lá, Stewart não se separou da carta escrita por seu pai, um barbeiro para quem o ator deu sua estatueta do Oscar. Além de aparecer em pequenos filmes de propaganda incentivando o alistamento, Stewart chegou ao título de Brigadeiro e aposentou-se da Força Aérea apenas em 1968. Ironicamente, participou de um bombardeio Guerra do Vietnã (1955-1975), combate no qual seu filho adotivo morreu.


Clark Gable: Abaladíssimo pela morte da esposa, Carole Lombard, em um acidente de avião, Gable viu como fuga o alistamento para as forças aéreas, coisa que Carole já lhe havia sugerido. No entanto, o inexperiente astro era velho demais para combater. Mesmo assim, participou de cinco bombardeios e foi um excelente garoto-propaganda para as Forças Armadas. Reza a lenda que Hitler era um grande fã seu e, ao saber que o ator estava na Guerra, teria oferecido uma recompensa a quem trouxesse Gable até ele.


David Niven: Outro combatente da Segunda Guerra, Niven desembarcou na Normandia alguns dias após o Dia D (06/06/1944). Ele lutava pela Inglaterra, seu país natal, e chegou a conversar pessoalmente com o primeiro-ministro Winston Churchill. É ele quem aparece na primeira foto.

Como se já não tivessem o mundo a seus pés, esses artistas ainda acham maneiras de inventar novas aventuras! É claro que não deixa de ser uma demonstração de patriotismo. Imaginem hoje, se o Brasil entrasse numa guerra, que artista iria querer combater? :)

Beijos!
Lê ^_^

Wednesday, December 8, 2010

Fiquem de olho nos documentários da TV Cultura!

Olá! Nos últimos meses, a TV Cultura, excelente canal, passou a exibir documentários na faixa das 23h. Última segunda dei a sorte de pegar desde o começo " Diabo da Tasmânia: A vida rápida e furiosa de Errol Flynn". Hoje resolvi acessar o site em busca da programação e olhem só a atração de amanhã:


Hitchcock, Selznick e o fim de Hollywood

No dia 10 de dezembro de 1938, David O. Selznick incendiou Atlanta. Nos fundos de seu estúdio, em Culver City, Selnick havia iniciado aquele que foi o maior, o mais profuso filme da Era de Ouro de Hollywood, ... E o Vento Levou. Enquanto as chamas ardiam, os telefones das delegacias locais não paravam de tocar. “A MGM está pegando fogo!”, gritavam. “Não”, era a resposta, “David O. Selznick está filmando.”

O responsável, naquela noite, era o produtor de arte William Cameron Menzies, mas todos sabiam que era homem de Selznick. Com apenas 36 anos de idade, Selznick já era uma lenda. Ele dirigiu um estúdio importante antes dos trinta, criou sua própria companhia independente aos trinta e três e, casando-se com a filha de Louis B. Mayer, o chefão da MGM, muitos consideravam que ele ocuparia o trono de uma nova dinastia de Hollywood.
Mas também era horrível trabalhar para Selznick. Ele trocaria cinco diretores e dúzias de roteiristas antes de terminar ...E o Vento Levou; nada, nem ninguém ficava em seu caminho. Depois disso, Selznick transformaria a maneira como os filmes americanos eram feitos e comentados; ele ensinou Hollywood a criar um evento, como nunca fora feito antes ou chegou a ser feito depois. Mas foi durante ...E o Vento Levou que Selznick contribuiu de maneira mais duradoura com o cinema. Por estranho que pareça, não teve nada a ver com seu grande épico sulista. No verão de 1939, David O Selznick trouxe Alfred Hitchcock para Hollywood.
Hitchcock já havia experimentado a fama com seus thrillers ingleses O Homem que Sabia Demais e 39 Degraus. Ninguém fazia tanto sucesso na Inglaterra, nem era tão conhecido. E ninguém dominava tão bem a arte de fazer filmes quanto Hitchcock. Ele planejava meticulosamente cada tomada, sabendo exatamente do que precisava para obter o efeito desejado. Na verdade, o modo como Hitchcock fazia cinema era muito diferente da maneira descontrolada e inconclusiva de Selznick. Mas Hitchcock queria ir para Hollywood e ninguém mais o teria.

De 1939 até 1946 Hichcock trabalhou sob contrato com David Selznick. Sua colaboração foi marcada por alguns dos maiores filmes da década de 1940: Rebecca, Spellbound (Quando fala o Coração) e Notorious (Interlúdio) e prejudicada por um dos piores, The Paradine Case (Agonia de Amor). Mas, o mais importante foi esse relacionamento que exemplificou a mudança da guarda em Hollywood. Melhor do que qualquer indivíduo, David O. Selznick representou o sistema do estúdio, no qual produtor/estúdio tinham controle absoluto sobre um filme e o talento sob contrato. Alfred Hichcock foi um dos primeiros diretores reconhecidos por controlar todos os aspectos dos filmes que fazia.



Não vou perder por nada! anotem em suas agendas e fiquem de olho: Cultura Documentários, dia 9/12!
Aproveitem!
Lê ^_^
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