} Crítica Retrô: aventura

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Friday, May 2, 2025

Inferno (1911) / Dante’s Inferno (1911)

 

Quando falamos de autores de livros no gênero aventura, quem vem à sua mente? Pode ser Mark Twain com sua dupla Tom Sawyer e Huck Finn, ou talvez Júlio Verne. Dificilmente pensaríamos em alguém como Dante Alighieri como autor de aventura, mas o IMDb não pensa assim. O filme de 1911 “Inferno”, adaptado da “Divina Comédia” de Dante, é um dos primeiros filmes classificado como “aventura” no IMDb.

When we talk about book authors in the adventure genre, who comes to your mind first? It might be Mark Twain with his duo Tom Sawyer and Huck Finn, or maybe Jules Verne. We hardly think of someone like Dante Alighieri as an adventure author, but IMDb thinks differently. The 1911 movie “Dante’s Inferno”, adapted from his “Divine Comedy” is one of the earliest movies labeled “adventure” on IMDb.

Dante (Salvatore Papa) é uma alma vagando por uma floresta quando bestas ferozes (pessoas vestidas em roupas de animais, completas com rabos) impedem que ele deixe o lugar. Ele é resgatado por Virgílio (Arturo Pirovano), mas eles marcham direto para o inferno. Numa excursão guiada pelo poeta, Dante visita os círculos do inferno. Enquanto isso, sua amada Beatrice confiou em Virgílio para ajudá-la a se reunir com Dante.

Dante (Salvatore Papa) is a soul walking through a forest when ferocious beasts (people dressed in animals’ clothes complete with tails) stop him from leaving the place. He’s rescued by Virgilio (Arturo Pirovano), but they march straight to hell. In an excursion guided by the poet, Dante visits all the circles of hell. Meanwhile, his beloved Beatrice has trusted Virgilio to reunite her with Dante.

No último parágrafo me referi a Virgílio como “poeta”, mas ele foi mais que isso. Ele foi O poeta da Roma Antiga, da Idade Média e também do início da modernidade, apenas recentemente deixando os bancos escolares e caindo parcialmente no esquecimento. Ele ficou famoso com, acima de tudo e até hoje, com sua Eneida, um poema épico.

In the last paragraph I referred to Virgilio - or Virgil - as “poet”, but he was more than that. He was THE poet of Ancient Rome, the Middle Ages and even the early modern times, leaving the school benches and thus fading into partial obscurity only very recently. He became famous with, above all and until today, his Aeneid, an epic poem.

Dante ouve a história de vida, ou melhor, a história de morte, de muitas almas que estão no inferno. Não é possível aprofundar nas histórias num filme que dura 65 minutos, mas há pequenos vislumbres de pelo menos três histórias que acontecem em cenários variados. Aqui algum conhecimento da “Divina Comédia” pode ajudar, porque há figuras ilustres contando suas histórias e não é fácil reconhecê-las no filme.  

Dante hears the life story, or rather death story, of many souls who are in hell. Not much can be told deeply in a movie that lasts 65 minutes, but there are small snippets of at least three stories that happen in diverse settings. Here some knowledge of the “Divine Comedy” may help, because there are illustrious figures telling their stories and it’s not easy to recognize them in the film.

Enquanto há alguns efeitos especiais muito bons, como almas flutuando acima da cabeça de Dante, há também alguns primitivos, como as já mencionadas bestas e o cão de três cabeças, Cerberus. Multidões de figurantes, em sua maioria nus, foram necessários para fazer o filme. Você poderia pensar que muita tecnologia seria demandada para transportar para as telas as coisas imaginadas por Dante Alighieri, como uma chuva de fogo, mas mais uma vez o primeiro cinema mostra como era inventivo.

While there are some very good special effects, like souls floating over Dante’s head, there are also primitive ones, like the aforementioned beasts and the dog with three heads, Cerberus. Crowds of extras, most of them naked, were necessary to make this movie. You might think that a lot of technology would be necessary to portray on screen the things imagined by Dante Alighieri, such as a rain made of fire, but once again the early cinema shows its inventiveness.

O visual do filme foi inspirado pelo artista Gustave Doré. Suas xilogravuras feitas para ilustrar a “Divina Comédia” de Dante foram seu passaporte para a fama e também a inspiração para o filme. Embora não elogiado em vida como um grande artista, os talentos de Doré foram reconhecidos após sua morte com apenas 52 anos.

The overall look of the film was inspired by artist Gustave Doré. His wood-engravings made to illustrate Dante’s “Divine Comedy” were his passport to fame and also the inspiration for the movie. Although not praised in life as a great artist, Doré’s talents were recognized after his death at only 52.

O cinema era um negócio de família para Giuseppe de Liguoro, que atuou em “Inferno” e também foi um dos diretores. Vindo da aristocracia, ele dirigiu 91 filmes na era muda. Um de seus filhos, Eugenio, por vezes atuava nos filmes do pai, e seu outro filho, Wladimiro, se tornou ator / diretor / diretor de fotografia.

Cinema as a family affair can be found in Giuseppe de Liguoro, who acted in “Dante’s Inferno” and is also one of the directors. Coming from an aristocratic background, he directed 91 films in the silent era. One of his sons, Eugenio, sometimes acted in his films, and his other son, Wladimiro, became an actor / director / cinematographer.

Custando o dobro de outro épico do primeiro cinema, “Quo Vadis?”, feito no ano seguinte, “Inferno” é atualmente o mais antigo longa-metragem preservado e ajudou a trilhar o caminho para os longas por onde passou, fosse na Europa ou nos Estados Unidos, em sessões com custo diferenciado do ingresso, educando  o público para deixá-los acostumados a ficar sentados por períodos mais longos de tempo.

Costing twice as much as the early epic “Quo Vadis?”, made the following year, “Dante’s Inferno” is now the oldest surviving feature film and helped pave the way for features whenever it was exhibited, be it Europe or the United States, in sessions that had a different pricing and educated their public to make them used to sitting through longer periods of time.

Considerado perdido por muitos anos, uma cópia foi encontrada na Filmoteca Vaticana, um arquivo criado pelo Papa João XXIII em 1959. Tive sorte de encontrar uma cópia cristalina e restaurada no YouTube. “Inferno” demorou três anos para ficar pronto, e é ótimo que possamos nos deliciar com essa estranha aventura saída da mente de um dos maiores escritores da História.

Presumed lost for many years, a copy was found at the Filmoteca Vaticana, an archive established by the Pope John XXIII in 1959. I was lucky enough to find a pristine restored copy on YouTube. “Dante’s Inferno” took three years to make, and it’s great that we can still rejoice at this strange adventure taken from the mind of one of the greatest writers in History.

This is my contribution to the Adventurethon, hosted by Gill and Barry at Realweegiemidget Reviews and Cinematic Catharsis.

Saturday, December 18, 2021

Robin e Marian (1976) / Robin and Marian (1976)

 

Costumamos focar tanto na aventura que em geral esquecemos que a lenda de Robin Hood também é uma história de amor. Maid Marian, a garota de Robin Hood, foi interpretada por Olivia de Havilland em “As Aventuras de Robin Hood” (1938) e retratada como uma raposa de vestido rosa e lilás em “Robin Hood” (1973) da Disney, mas o relacionamento deles nunca foi o foco do filme. Corta para 1976, quando os superastros Sean Connery e Audrey Hepburn – que estava longe das telas desde 1967 – foram escalados como Robin e Marian maduros em um filme que mostra que o amor pode ser a maior aventura de todas.

We focus so much in the adventure side of the tale that we often forget that the Robin Hood legend is also a love story. Maid Marian, Robin Hood’s girl, was played by Olivia de Havilland in “The Adventures of Robin Hood” (1938) and portrayed as a fox in a pink and lilac dress in Disney's “Robin Hood” (1973), but their relatioship was never the focus of the movie. Cut to 1976, when superstars Sean Connery and Audrey Hepburn – who had been far from the screens since 1967 – were cast as older Robin and Marian in a film that shows that love may be the biggest adventure there is.

Depois de 20 anos seguindo o rei Ricardo Coração de Leão (Richard Harris), Robin Hood (Sean Connery) o desobedece pela primeira vez. Parece que o coração de Ricardo não era tão bom assim, pois ele ordena que Robin destrua um castelo francês ocupado apenas por mulheres, crianças e um velho. Por sua desobediência, Robin é enviado para um calabouço com seu braço direito, Little John (Nicol Williamson). No dia seguinte, pouco antes de morrer, o rei Ricardo liberta Robin e John.

After 20 years following king Richard the Lionheart (Richard Harris), Robin Hood (Sean Connery) disobeys him for the first time. It looks like Richard’s heart is not so good after all, as he orders Robin to destroy a French castle that has only women, children and an old man inside. For his disobedience, Robin is sent to the dungeons with his right-hand man, Little John (Nicol Williamson). The following day, just before dying, king Richard lets Robin and John go.

Atravessando as florestas rumo à Inglaterra, Robin e John encontram velhos amigos, como Friar Tuck (Ronnie Barker), para quem Robin pergunta sobre Marian, alguém em quem, ele afirma, ele não havia pensado por anos. Marian ainda está nas redondezas, e o mesmo se aplica ao Xerife de Nottingham (Robert Shaw). Robin vai atrás dela e se surpreende ao descobrir que Maid Marian (Audrey Hepburn) é agora uma freira que ajuda os doentes.

Going through the woods back to England, Robin and John meet old friends, such as Friar Tuck (Ronnie Barker), to whom Robin inquires about Marian, someone who, he claims, he hasn’t thought about in years. Marian is still around, and so is the Sheriff of Nottingham (Robert Shaw). Robin goes after her and is surprised to find out that maid Maid Marian (Audrey Hepburn) is now a nun helping the sick.

O Xerife de Nottingham ordenou a prisão de Marian num ato de intolerância religiosa, e ela está disposta a ir sem lutar. Robin não deixa que ela seja presa e a leva para a floresta e, acampados junto aos amigos de Robin e a outras freiras resgatadas, eles reiniciam seu romance enquanto esperam pelo confronto com o Xerife de Nottingham.

The Sheriff of Nottingham has ordered Marian’s arrest in an act of religious intolerance, and she’s willing to go without fighting. Robin doesn’t let her and takes her to the woods and, camping along Robin’s friends and other rescued nuns, they reignite their romance while waiting for the confront with the Sheriff of Nottingham.

"Robin e Marian” foi dirigido por Richard Lester, que também dirigiu “Os Reis do Iê-iê-iê” (1964) e “Help!” (1965), entre outros filmes. Aqui, ele está muito mais contido e escolhe tons de marrom e bege como predominantes na fotografia. Como Roger Ebert escreveu em sua crítica, “ele fotografa a Floresta de Sherwood e seus personagens com um bom realismo que é melhor que a solenidade pretensiosa que às vezes vemos em filmes históricos”.

"Robin and Marian” was directed by Richard Lester, who also directed “A Hard Day’s Night” (1964) and “Help!” (1965), among other movies. Here, he is much more restrained and chooses tones of brown and beige as predominant in the photography. As Roger Ebert wrote in his review, “he photographs Sherwood Forest and its characters with a nice off-hand realism that's better than the pretentious solemnity we sometimes get in historical pictures.”

A trilha sonora foi composta por John Barry. Ele também compôs a trilha de 11 filmes de James Bond e foi responsável por dar forma ao inconfundível tema musical de 007. Barry escolheu “007 Contra Goldfinger” (1964) como sua trilha sonora favorita e “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974) como a que menos gostou, pois teve apenas três semanas para compô-la.

The soundtrack was composed by John Barry. He also composed the soundtrack of 11 James Bond movies, and was responsible for shaping the now unmistakable 007 theme song. Barry has chosen “Goldfinger” (1964) as his favorite score, and “The Man with the Golden Gun” (1974) as his least favorite, because he had only three weeks to work on it.

Esta não é a primeira vez em que Audrey Hepburn interpreta uma freira. Em 1959 ela fez “Uma Cruz à Beira do Abismo”, sobre as dificuldades enfrentadas por uma jovem ingênua ao entrar para o convento. Em “Robin e Marian”, ela interpreta uma freira mais independente, e tem ótima química com Sean Connery – o que é bastante curioso, porque os produtores queriam que Connery interpretasse Little John, com Albert Finney como Robin Hood.

This is not the first time Audrey Hepburn has played a nun. In 1959 she did “A Nun’s Story”, about the hardships a young and naïve woman faces when she joins a nunnery. In “Robin and Marian”, she plays a more independent nun, and has a great chemistry with Sean Connery – which is quite curious, since the producers wanted Connery to play Little John, with Albert Finney as Robin Hood.

A Wikipedia diz que “Robin e Marian” foi a primeira vez na cultura popular que o rei Ricardo Coração de Leão foi retratado como uma figura menos-que-perfeita. Na vida real, Ricardo realmente morreu com uma flechada no pescoço por pensar que não precisava usar armadura durante o cerco de um castelo. Ricardo Coração de Leão também é conhecido como Ricardo I da Inglaterra, e foi rei por apenas 10 anos, de 1189 a 1199.

Wikipedia says that “Robin and Marian” was the first time in popular culture that king Richard the Lionheart was portrayed as a less-than-perfect figure. In real life, Richard did die from an arrow in his neck because he thought he didn’t need to wear armor while besieging a castle. Richard the Lionheart is also known as Richard I of England, and was king for only ten years, from 1189 to 1199.

"Robin e Marian” tem um equilíbrio perfeito de romance e aventura. Há beijos e promessas de amor, mas também paredes sendo escaladas, luta de espadas e muitas flechadas. Parcialmente filmado na Espanha, o estilo do filme é um destaque e “Robin e Marian” acerta em tantos aspectos que se mostra uma excelente adição ao cânone de Robin Hood.

Robin and Marian” has the right balance of romance and adventure. There’s kissing and love promises, but there is also wall climbing, sword fights and many arrows shot. Partially shot in Spain, the looks of the movie are a highlight and “Robin and Marian” does it right in so many aspects that ends up being a great addition to the Robin Hood canon.

This is my contribution to the You Knew my Name: The Bond Not Bond blogathon, hosted by Gill and Gabriella at Realweegiemidget Reviews and Pale Writer.

Thursday, July 13, 2017

O Prisioneiro de Zenda / The Prisoner of Zenda (1937)

A “visão dupla” é uma das técnicas mais ricas, mais exploradas e mais comentadas na mídia filmada. Até hoje, quando um ator interpreta dois papéis em um só filme ou programa de TV, é gerada uma curiosidade e surgem alguns artigos em sites e revistas sobre como o efeito foi criado. Com técnicas de edição, pintura mate e o uso de sombras, não é muito difícil ter “dublês” em filmes. E, em 1937, a técnica foi usada com perfeito realismo em “O Prisioneiro de Zenda”.

“Seeing double” is one of the richest, more commonly explored and more talked about techniques in filmmaking. Until today, when an actor plays two roles in the same movie or TV production, there is curiosity and a few articles in sites and magazines about how the effect was achieved. With editing, matte paintings and the use of shadows, it isn't really that difficult to have doubles in a film. And in 1937, the technique was used with perfect realism in “The Prisoner of Zenda”.
O entusiasta da pesca inglês Rudolf Rassendyll (Ronald Colman) chega em um país europeu fictício perto da Áustria e da Romênia e chama a atenção de todos. Há uma razão para isso: ele é um sósia do príncipe do lugar, que será coroado rei no dia seguinte.

English fishing enthusiast Rudolf Rassendyll (Ronald Colman) arrives in a fictional European country near Austria and Rumania and calls everybody's attention. There is a reason for that: he looks exactly like the prince of the place, who will be crowned king the following day.
Não demora muito até que o príncipe Rudolf (também Ronald Colman) encontra 0 inglês Rudolf e o convida para celebrar o encontro em uma taverna – porque o príncipe tem um probleminha com a bebida. Logo seus companheiros, Rudolf e Fritz (David Niven) caem no sono, e o príncipe decide fazer um último brinde – com um vinho que foi envenenado por seu irmão usurpador, Michael (Raymond Massey).

It doesn't take long until the prince Rudolf (also Ronald Colman) finds the Englishman Rudolf and invites him to a tavern to celebrate their meeting – because the prince has a little problem with alcohol. Soon his companions, Rudolf and Fritz (David Niven) are asleep, and the prince decides to take one last toast – with a wine that happens to have been poisoned by his envious brother, Michael (Raymond Massey).
No dia seguinte, o príncipe está em coma. A única solução encontrada pelo coronel Zapt (C. Aubrey Smith), conselheiro do príncipe, é colocar Rudolf no lugar do príncipe durante a coroação para evitar um escândalo. Rudolf faz isso, e algo mais: ele se apaixona pela noiva do príncipe, a princesa Flavia (Madeleine Carroll). Mas a mentira terá de durar mais que o esperado, porque o capanga de Michael, conde Rupert de Hentzau (Douglas Fairbanks Jr) encontrou e raptou o príncipe.

The next day, the prince is comatose. The only solution found by Colonel Zapt (C. Aubrey Smith), the prince's counselor, is for Rudolf to replace the prince in the coronation to avoid a scandal. Rudolf does this, and more: he falls in love with the prince's fiancée, Princess Flavia (Madeleine Carroll). But the lie will have to last longer than intended, because Michael's minion, Count Rupert of Hentzau (Douglas Fairbanks Jr) have found and kidnapped the real prince.
“O Prisioneiro de Zenda” tem um grande elenco. Você acabou de ver: Colman, Carroll, Massey, Fairbanks Jr, Niven, C. Aubrey Smith – um dos meus favoritos – e Mary Astor como Antoinette, uma garota apaixonada por Michael. Douglas Fairbanks Jr havia feito teste para o duplo papel protagonista, mas Colman foi escalado, o que devastou o jovem atlético. Seu pai, o ídolo Douglas Fairbanks, disse que o papel de Rupert era, na verdade, “uma bênção disfarçada”.

“The Prisoner of Zenda” has a great cast. You just read: Colman, Carroll, Massey, Fairbanks Jr, Niven, C. Aubrey Smith – a personal favorite – and Mary Astor as Antoinette, the girl in love with Michael. Douglas Fairbanks Jr had tested for the double leading role, but Colman got it instead, which devastated the young athletic man. His father, the swashbuckling idol Douglas Fairbanks, said that the role of Rupert was actually “a blessing in disguise”.
E o velho Fairbanks tinha razão. Embora Rudolf seja a estrela e Colman seja ao mesmo tempo charmoso, brincalhão e destemido – Rupert é também um ótimo personagem – e talvez até mais interessante. Rupert é esperto e leal apenas a si mesmo. Ele é ambicioso, corajoso e ousado. E ele se envolve em uma luta de esgrima fantástica e climática contra Rudolf – uma sequência que só ficou completa com vívidas sombras dos dois duelando.

And the old Fairbanks was right. Although Rudolf is the star and Colman is at the same time charming, playful and daring, Rupert is also a great – if not more interesting – character. Rupert is smart and loyal only to himself. He's ambitious, daring and fearless. And he engages in a fantastic climatic swordfight against Rudolf – a sequence that was made complete by vivid shadows of them fencing.
Se você esperava uma produção com cenários maravilhosos, não ficará desapontado. As duas personagens femininas no filme têm menos substância que as masculinas, com Mary Astor se saindo melhor que Madeleine Carroll. A atenção de Selznick ao detalhe ajudou o visual do filme a ser surpreendente – incluindo as três cenas em que Ronald Colman contracena com “ele mesmo”.

If you expected a production with lavish sets, you won't be disappointed. The two female characters in the film have less substance than their male counterparts, with Mary Astor performing better than Madeleine Carroll. Selznick's attention to detail helped the visuals of the film to be wonderful – including the three scenes in which Ronald Colman shares the screen with himself.
“O Prisioneiro de Zenda” teve diversas adaptações para o cinema, começando em 1913. Esta é a primeira da era falada, e também a versão definitiva. Ronald Colman adicionou uma tonelada de carisma aos dois papéis que interpretou, mas são as cenas de ação e o clímax tenso que tornam o filme extremamente divertido.

“The Prisoner of Zenda” had several adaptations to the screen, starting in 1913. This one is the first of the sound era, and also the definitive one. Ronald Colman injected a ton of charisma in his two roles but the action scenes and the tense climax are the elements that make the film extremely enjoyable.


This is my contribution to the Swashaton – The Swashbuckler Blogathon, hosted by Fritzi at Movies, Silently.

Sunday, November 8, 2015

O Pirata Negro (1926) / The Black Pirate (1926)

Johnny Depp, como o Capitão Jack Sparrow. Errol Flynn. Tyrone Power. Basil Rathbone. Capitão Gancho. E, antes de todos eles, Douglas Fairbanks. O espadachim original das telas modelou todos os seus sucessores: corajoso, atlético, bonito e muito dedicado à sua donzela favorita. Desde que se tornou uma superestrela, Fairbanks sonhava em levar para o alto-mar uma história de vingança, aventura e romance. E ele não poderia tê-lo feito de melhor maneira.
Durante os primeiros três minutos, você tem a apresentação básica do elenco e equipe, e algumas telas com escritos sobre a época em que piratas infestavam os mares – é, afinal, um filme mudo. Mas as primeiras imagens trazem consigo uma imensa surpresa: é um filme COLORIDO. E com cores mais belas e realistas que muitos filmes criados em computador que vemos por aí. É como se estivéssemos entrando em uma pintura - dos grandes mestres, é claro.
Os piratas sanguinários estão saqueando um navio, e pretendem não deixar testemunhas do crime. Depois que todos os passageiros são acorrentados, a pólvora do navio é espalhada e o fogo é aceso. Fugindo com pressa nos pequenos barcos de resgate, os piratas e as riquezas já estão longe quando o navio explode. Mas dois homens sobrevivem: Douglas Fairbanks, de túnica verde e braços musculosos, e o pai, já velho e fraco, que morre nos braços de Doug pouco depois de chegar à praia.
Doug promete vingar a morte do pai, e para sua sorte os piratas atracam na ilha para enterrar um tesouro. A estratégia para vencê-los é juntar-se a eles, e Doug mostra suas habilidades com a espada lutando contra o homem mais forte do bando. A próxima prova é sequestrar um navio mercante sozinho. Como ele consegue, sem a ajuda de nenhum outro homem? Porque ele é Douglas Fairbanks. E também porque ele é muito esperto.
No navio capturado estava a princesa Isobel (Billie Dove) e, para salvar a bela moça e também a pobre tripulação, Doug sugere que peçam um resgate pela princesa, o que é aceito por todos, em especial pelo chefe do bando, Mac Tavish (Donald Crisp, com um braço só). Quem não fica nem um pouco satisfeito com a história do resgate é o sempre invejoso Pirata Tenente (Sam De Grasse), que já havia ganhado a posse da princesa em um sorteio.
Douglas Fairbanks é, obviamente, a estrela do filme, e as melhores cenas envolvem suas múltiplas acrobacias e muita, muita habilidade corporal. Há também ótimos momentos com Donald Crisp, que se mostra um pirata divertido e de bom coração. Crisp era até então associado a papéis de vilões, como em “Lírio Partido / Broken Blossoms” (1919) e “O Filho do Zorro / Don Q Son of Zorro” (1925). Crisp também tinha uma carreira prolífica como diretor e, como já havia dirigido Fairbanks em “Don Q”, Crisp começou “O Pirata Negro” atrás das câmeras. Após um desentendimento com Fairbanks, Crisp foi substituído pelo diretor Albert Parker e ficou na película apenas como ator.
De Grasse, Crisp e Fairbanks
Desde o sucesso de “Zorro” (1920), Fairbanks já pensava em fazer um filme sobre piratas – mas tinha de ser em cores, e nem um pouco artificial. Ele esperou a tecnologia dos filmes totalmente coloridos ser testada em “The Toll of the Sea” (1922), “The Glorious Adventure” e “The Wanderer of the Wasteland” (ambos de 1924). Também escolheu os tons certos, de modo que a cor fosse um elemento complementar, e jamais se tornasse mais atrativa que o enredo. A história, aliás, foi escrita por Fairbanks (creditado sob o pseudônimo “Elton Thomas”).
Billie Dove tem como única função ser uma bela donzela em perigo. Ela cumpre bem este papel, mas não tem sequer a honra de beijar nosso herói no final: na cena do beijo apaixonado, que inclusive deixa cansado Donald Crisp, Fairbanks não está beijando Billie Dove, mas sim sua esposa Mary Pickford, vestida como a princesa Isobel!
Mary Pickford
Apesar de alguns problemas técnicos (eram necessárias duas películas coloridas, uma colada sobre a outra, para atingir os tons desejados, o que confundiu alguns projecionistas), “O Pirata Negro” foi um imenso sucesso de bilheteria. O retorno financeiro é digno de ser comemorado, mas o filme conseguiu algo muito mais importante: simples, belo e emocionante, mantém o espectador completamente envolvido com a trama. Nada mal para um filme com quase noventa anos, não?
O Pirata Negro” pode ser visto no YouTube (versão estendida de 94 minutos).
This is my contribution to the Swashaton - A blogathon of Swashbuckling Adventure, hosted by mighty Fritzi at Movies, Silently.
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