} Crítica Retrô

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Saturday, April 9, 2016

Variações sobre um mesmo tema: Papai Pernilongo / Daddy-Long-Legs (1919, 1931 e 1955)

Depois de “Star Wars: O Despertar da Força / Star Wars: The Force Awakens” (2015) e do teaser de “Rogue One” (2016), ficamos nos perguntando: precisamos de mais heroínas no cinema? Sim, claro! Mas colocar mulheres no comando não é novidade no cinema, mas sim a retomada de uma realidade da era do cinema mudo e, claro, de algumas obras inesquecíveis da literatura mundial.
Jerusha 'Judy' Abbott (Mary Pickford / Janet Gaynor) é uma garota esperta e decidida que vive em um orfanato (na versão de Leslie Caron, o nome da personagem é Julie). Ela defende seus amigos mais novos e os anima. A inteligência de Julie chama a atenção do milionário Jervis (ou Jarvis, dependendo da versão) Pendetlon (Mahlon Hamilton / Warner Baxter / Fred Astaire), que decide apadrinhá-la, pagando os estudos dela na faculdade. A única coisa que Jervis pede em troca é que Judy lhe escreva contando como vão os estudos. A menina cumpre com o combinado, endereçando as cartas ao “Papai Pernilongo” (Daddy-Long-Legs), pois a característica mais marcante do tutor são suas longas pernas. Perto de terminar a faculdade, Judy conhece Jervis e se encanta com ele, mas tem de lidar também com seu pretendente, Jimmy McBride (Marshall Neillan / John Arledge / Kelly Brown).
Um pernilongo à esquerda e uma aranha Daddy-Long-Legs à direita
“Daddy-Long-Legs”, o livro, foi publicado originalmente em 1912. Há um pequeno prólogo narrativo, e o resto da história se desenrola à nossa frente através das cartas que Judy escreve para seu tutor. A autora, Jean Webster, era sobrinha-neta de Mark Twain, se interessava pelos direitos das mulheres e viajou por muitos países. Em 1914 a história foi adaptada para o teatro e protagonizada por Ruth Chatterton. Em 1916, Jean Webster faleceu, aos 39 anos, devido a complicações no parto.
“Daddy-Long-Legs” é leitura obrigatória em muitas escolas norte-americanas. Para os jovens de hoje que tomam contato com a obra a principal dúvida é: a relação entre Judy e Jervis é ou não pedofilia? No começo do livro, Judy tem 17 anos. Em 1919, Mary Pickford tinha 27 anos; em 1931, Janet Gaynor tinha 25 e em 1955, Leslie Caron tinha 24 anos. Jervis Pendetlon teria 20 anos a mais que Judy, portanto, sua idade seria 37. Em 1919, Mahlon Hamilton tinha 39 anos; em 1931, Warner Baxter tinha 42 anos e em 1955 Fred Astaire tinha 56 anos.
A diferença de idade pode ou não ser um tabu. Sempre foi comum que os homens mais velhos se casassem com mulheres mais novas (e no caso de Judy uma abordagem psicológica poderia até argumentar que ela procura em Jervis a figura paterna que nunca teve). Apenas nas últimas décadas foi possível ver casais formados por mulheres mais velhas e homens mais jovens. E o cinema imitava esta realidade.
No cinema, infelizmente até hoje, as mulheres começam a carreira com vinte anos ou menos, atingem o auge por volta dos trinta e aos quarenta já não são mais consideradas para papéis de destaque. Os homens começam a ter sucesso aos 30 e atingem o auge aos 40 ou 50 – e a morte é o limite. As atrizes parecem ter um “prazo de validade”, o que é ridículo, enquanto para os atores, uma vez galãs, sempre galãs.
Assim como sua estrela, o filme de 1919 é adorável. As travessuras da jovem Judy são mostradas com ótimos truques de câmera (incluindo aí a intrincada “visão dupla”) e também um perfeito uso de cartas manuscritas mostradas de vez em quando na tela. Há elegância nos intertítulos e composições, além de muitas metáforas. Mary Pickford foi também roteirista e produtora desta versão.
Na versão de 1931, Judy é a mais velha garota do orfanato, com uma imaginação fértil e muita vontade de tornar a vida das outras crianças menos difícil. Jervis é um homem jovial, que prefere jogar futebol com os meninos do orfanato a participar de reuniões chatas de benfeitoria, e a ideia de mandar Judy para a faculdade não vem dele, mas de uma benfeitora. Aqui está a mais ridícula chefe do orfanato, e também algumas insinuações por parte de Jervis. Janet Gaynor e Warner Baxter, àquela altura, já haviam ganhado um Oscar cada e estão muito bem juntos.
O Jervis de Fred Astaire é um homem muito moderno em uma família conservadora (no livro, Jervis é mostrado como a ovelha negra da família porque era socialista. OMG!). Ele vê a jovem órfã francesa Julie e, encantado com ela, decide adotá-la. Como isso não é possível, ele se contenta em enviá-la para fazer faculdade nos Estados Unidos. Anos depois, e muitas cartas depois, ele a reencontra e eles, obviamente, dançam até um final feliz, começando com o “Sluefoot”, passando por “Something’s Gotta Give” e terminando em um longuíssimo balé de celebração de Carnaval.
Há ainda mais versões da história para o cinema. Em 1935, muitas liberdades foram tomadas em “A Pequena Órfã / Curly Top”, filme estrelando Shirley Temple. Mas Shirley não interpreta o papel equivalente a Judy: este cabe a Rochelle Hudson. As personagens de Shirley e Rochelle são irmãs órfãs que são adotadas por um tutor misterioso, interpretado por John Boles. Além desta, há adaptações feitas na Holanda e na Coreia, além de um anime.
Mary, Janet e Leslie foram escolhidas para protagonizar a história por serem angelicais, mas também capazes de demonstrar força e coragem. Em 1955 o foco da história passou de Judy para Jervis, com modificações importantes. As versões de 1919 e 1931 são muito semelhantes e graciosas, mas a versão muda tem mais sucesso em transportar o romance epistolar para as telas, sem retirar a inteligência e determinação de Judy Abbott.

O Veredicto: As três versões são muito boas. Mas, se você precisar escolher apenas uma, veja o filme de 1919 com Mary Pickford.


This is my contribution to the Beyond the Cover Blogathon, hosted by Beth at Now Voyaging and Kristina at Speakeasy. Happy reading!

Saturday, April 2, 2016

Três... Ainda é Bom (1932) / Three on a Match (1932)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS.

THIS ARTICLE HAS SPOILERS.

Durante a Primeira Guerra Mundial, havia a superstição que dizia que, se três pessoas acendessem seus cigarros no mesmo fósforo, uma delas morreria em pouco tempo. Uma justificativa era que um fósforo aceso durante vários segundos chamaria a atenção do exército inimigo, e os três fumantes seriam bombardeados. Mais tarde, descobriu-se que essa superstição era só uma jogada de marketing para vender mais fósforos! Mas este filme da Warner Brothers de 1932 mostra que o melhor mesmo é acreditar nas superstições...

During World War First, there was a superstition saying that, if three people light their cigarrettes with the same match, one of them will die soon. One justification for the belief was that a match lit for several sconds would call the attention of the enemy, and the three people with the cigarrettes would be shot down or bombed. Later, it was discovered that this superstition was only a way companies found to sell more matches! But this Warner Bros film from 1932 shows us that sometimes it's better to believe in superstitions...


O ano é 1919. Vivian Revere, Mary Keaton e Ruth Westcott estudam juntas na Escola Pública número 62. Vivian é popular, Ruth é aplicada, e Mary desobedece às regras. Seis anos depois, Vivian (Ann Dvorak) está no colégio interno sonhando com romance, Ruth (Bette Davis) estuda datilografia e Mary (Joan Blondell) foi parar em um reformatório.

The year is 1919.Vivian Revere, Mary Keaton and Ruth Westcott study at Public School Number 62. Vivian is popular, Ruth is a bookworm and Mary doens't follow the rules. Six years later, Vivian (Ann Dvorak) is in boarding school dreaming about romance, Ruth (Bette Davis) suties typing and Mary (Joan Blondell) went to a reformatory. 


O ano agora é 1930, e as três mulheres se reencontram. Vivian, apesar de ter uma vida considerada perfeita, está infeliz. Ela tem um marido rico e compreensivo, Robert Kirkwood (Warren William), um filho fofo e vive com luxo e conforto. Mesmo assim, ela confessa ter inveja das ex-colegas, que precisam trabalhar duro para conseguir o que querem.

The year is now 1930, and the three friends meet again. It looks like Vivian has a perfect life, but she is unhappy. She has a rich and understanding husband, Robert Kirkwood (Warren William), a cute son and lives with luxury and comfort. But she confesses she is jealous of her former mates, who must work hard to get what they want. 


Deprimida, Vivian vai fazer uma viagem internacional de navio e leva o filho consigo. Mary está no mesmo navio, se despedindo de um amigo. Mary apresenta seus conhecidos a Vivian que, depois de beber e dançar com um deles, Loftus (Lyle Talbot), ela decide que não vai mais viajar. Vivian vai viver com Loftus, e leva seu filho junto. Não vai demorar para que Mary e Ruth interfiram na situação, e tudo fica mais difícil quando criminosos aparecem para cobrar uma dívida de Loftus. Preste atenção: em um pequeno, mas importante, papel como criminoso está Humphrey Bogart!

Vivian is depressed, and decides to go on an international sea trip and takes her son with her. Mary is aboard the same boat, saying goodbye to a friend. Mary introduces her acquaintances to Vivian. After she dances and drinks with one of them, Loftus (Lyle Talbot), Vivian decides that she'll  leave her husband, live with Loftus and take her son with her. It don't be long until Mary and Ruth have to interfere, and everything gets more difficult when criminals appear to 'ask' Loftus to pay a debt. Pay attention: in a small, but important role as a criminal, we can see Humphrey Bogart! 


O filme tem apenas 63 minutos, e o foco é na personagem de Ann Dvorak. Seria interessante, entretanto, haver um aprofundamento na personagem de Joan Blondell, que certamente teria várias nuances e poderia nos surpreender. Bette Davis tem muito pouco a oferecer como a nerd da turma que precisa trabalhar duro e acaba se tornando... babá. Bette ainda estava no início da carreira, sofreu com a antipatia do diretor Mervin LeRoy e, embora tenha trabalhado em vários filmes pre-Code, são suas colegas de cena que ficaram mais associadas com esta época da história do cinema.

The film is only 63 minutes long, and focuses on Ann Dvorak's character. However, it'd be interesting if Joan Blondell's cahracter could be deeper explored: she certainly would have several nuances and could surprise us. Bette Davis has little to offer as the nerd girl who has to work hard and ends up as a … nanny. Bette was still in the beginning of her career, and she didn't get along with director Mervin LeRoy. Although Bette has worked in many pre-Codes, her two co-starring actresses are the ones most often associated with the pre-Code era.


Ann Dvorak, recém-saída de sua maior atuação em “Scarface – a Vergonha de uma Nação” (1932), está muito bem como protagonista. O filme funciona, obviamente, como uma lição de moral para as mulheres. Nos pre-Codes, é normal que mulheres casadas e com filhos sejam punidas quando traem o marido e abandonam a família. O mesmo não acontece com as mulheres solteiras que seduzem homens casados, e o exemplo mais contundente disso é Jean Harlow em “A Mulher Parisiense dos Cabelos de Fogo”, também de 1932.

Ann Dvorak, coming from her best performance in “Scarface” (1932), is a very good leadin lady. Thefilm works, obviously, as a cautionary tale for women. In pre-Codes, it's common that married women, with children, are punished when they leave their families. The same, however, doesn't happen to single women who get involved with married men, and the best example of this is Jean Harlow in “Read-Headed Woman”, also released in 1932.


Muitos filmes pre-Code são escandalosos mesmo para quem os vê no século XXI. “Três... Ainda é Bom”, entretanto, será melhor apreciado se olharmos para ele com a mentalidade de 1932. Há detalhes muito sutis que podem escapar a uma plateia acostumada a receber tudo muito bem explicado (exemplo: no GIF acima, o fato de Ann coçar repetidamente o nariz sugere que ela estava usando drogas. Você percebeu isto?). Outros fatos também ressoam com mais força para o público de 1932, como o sequestro de Junior que lembra o de Charles Lindbergh Jr, e também a própria moral da história de que uma vida boêmia e louca, a la Gatsby, leva à autodestruição. Veja, sim, este filme – mas usando seu cérebro como uma máquina do tempo.

Many pre-Code movies are scandalous even for today's standards. “Three on a Match”,  on the other hand, will be better appreciated if we look at it from 1932's perspective. There are very subtle details that may escape an audience that is used to have everything perfectly explained to them (for instance: in the GIF above, Ann scratching her nose several times suggests that she is using drugs. Have you realized that?). Other facts also were more meaningful for the 1932 audience, like Junior's kidnapping being so similar to Charles Lindbergh Jr's, and also the whole moral of the story: a crazy bohemain life, a la Gatsby, xcan only cause self-destruction. Yes, you must watch this film – but be sure to use your brain as a time machine while you do it. 

This is my contribution to the Bette Davis Blogathon, hosted by my friend Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Saturday, March 26, 2016

Sangue e Areia (1922) / Blood and Sand (1922)

Não há dois substantivos que melhor definam as touradas quanto os que Vicente Blasco Ibáñez escolheu para o título de seu famoso romance. Na versão cinematográfica de 1922, as touradas são deixadas em segundo plano e são mais explorados os bastidores da vida do toureiro matador – um ídolo cuja ascensão e queda podem ser tão rápidas e conflituosas quanto ao começo e trágico fim de carreira de um ídolo do cinema dos anos 1920.

There are no better substantives to define the bullfights than the substantives Vicente Blasco Ibañez chose as the title of his famous novel. In the 1922 film adaptation, the bullfights are second to the private life of the bullfighter – an idol whose rise and fall can be so fast and shocking as the beginning and tragic end of a movie idol from the 1920s.


O primeiro intertítulo que vemos no filme já é uma condenação à tourada. Ela é descrita como uma “crueldade disfarçada de esporte para satisfazer a sede do homem por excitação”. Para os espanhóis, “o gosto pela tourada é uma herança da barbárie”. Esta é, sobretudo, uma história de tentação e crueldade, ou seja, um objeto de estudo perfeito para Don Joselito (Charles Belcher).

The first title card in the screen shows us that the film condems bullfights. A bullfight is described as “cruelty disguised as sport to gratify man's lust for excitement”. To the Spanish people, the love for the bullfight is “a heritage of barbarism”. This is, above all, a story about temptation and cruelty, or a perfect object to be studied by Don Joselito (Charles Belcher).

Juan Gallardo (Rodolfo Valentino) não quer seguir a profissão do pai e se tornar sapateiro. Ele prefere ir para Sevilha se apresentar, ainda que aos farrapos, em touradas amadoras. As aventuras de Juan não agradam nada a sua mãe, irmã e cunhado, e é ao confrontá-los que vemos o grande carisma de Valentino: irreverente, irônico, sem medo de desobedecer à autoridade, Juan vive de acordo com suas próprias regras.

Juan Gallardo (Rudolf Valentino) doesn't want to follow his father's profession and become a shoemaker. He'd rather go to Seville and take part, dressed in rags, in amateur bullfights. Juan's adventures don't please his mother, sister and brother-in-law, and when he confronts them we see Valentino’s huge charisma: playful, ironic, not afraid of disobeying authority, Juan lives by his own rules.

Mas esta rebeldia compensa no dia em que Juan se torna um famoso matador. Ídolo das multidões, herói da arena, rico e admirado. Para a vida ficar mais perfeita ainda, Juan se casa com Carmen (Lila Lee), que conhece desde a infância.

But these rebel ways pay off the day Juan becomes a famous bullfighter. The idol of the crowds, the hero of the arena, rich and admired. To make life even more perfect, Juan marries Carmen (Lila Lee), his childhood friend.

Juan é seduzido por Doña Sol (Nita Naldi), a bela sobrinha viúva de um criador de touros. Apesar de bem-sucedido, Juan é ingênuo e está pouco à vontade no ambiente dos ricos e poderosos. E ele é, ainda, um tolo, porque para Doña Sol ele é apenas mais uma aventura amorosa.

Juan is seduced by Doña Sol (Nita Naldi), the beautiful niece of a man who sells bulls. Juan may be successful, but he is naïve and he's not comfortable around rich and powerful people. And he is also a fool, because for Doña Sol he is only another romantic adventure.


A simbologia destes dois amores se dá, no filme, através de duas flores. O simples ramo de flores que Carmen deu a Juan quando ele ganhou sua primeira grande tourada o lembra do amor puro e sincero da esposa. Logo esta flor é pisada por Doña Sol, que dá então a Juan uma voluptuosa rosa. Ah, o cinema mudo e seus símbolos maravilhosos!

The two loves of Juan are symbolized by two flowers in the film. The simple flower Carmen gave Juan when he won his first bullfight reminds him of his wife's pure and sincere love. This flower is destroyed by Doña Sol, who gives Juan a voluptuous rose. Oh, silent film and its marvelous symbols!


A atenção primorosa ao detalhe está presente em especial na casa de Doña Sol, que contrasta com o ambiente religioso em que Carmen, criada em um convento, reza enquanto o marido enfrenta os touros. Nestas cenas com Nita Naldi a versão muda não deixa nada a desejar, e o luxo até supera o da versão falada, de 1941. Sim, a Doña Sol de Rita Hayworth brilhava como o astro-rei em Technicolor, mas Nita Naldi, a vamp exótica de Nova York, é tão sedutora e atraente quanto Rita.

It's given great attention to detail in special in Doña Sol's house, a place that makes a contrst with the religious room where Carmen, who was raised by nuns, prays while her husband fights the bull. In these scenes with Nita Naldi the silent version is great, and the luxus is even superior to the one in the talkie, from 1941. Yes, Rita Hayworth's Doña Sol shone as the Sun in Technicolor, but Nita Naldi, the exotic vamp from New York, is as seductive and attractive as Hayworth. 

Quem faz sua estreia como diretora no filme, ainda que sem receber créditos, é Dorothy Arzner. Na verdade, Dorothy era editora do filme, e coube a ela tornar as cenas das touradas realistas para o público. Dorothy, então, intercalou closes e shots de Valentino na arena com cenas de touradas reais para criar o efeito tenso e surpreendente, e foi muito elogiada pelo resultado.

Dorothy Arzner debuts as a director in this film, but doesn't receive credit. Actually, Dorothy was the editor of the film, and was given the task of making the bullfight scenes more realistic for the public. Dorothy chose to mix closes and shots of Valentino in the arena with scenes from real bullfights in order to create a tense and surprising effect. She received many compliments for the final product.

Rodolfo Valentino era charmoso, tinha it, tinha sex appeal e um ar de amante exótico. Eu ainda caio de amores pelo Juan Gallardo que Tyrone Power encarnou em 1941, enquanto apenas tenho vergonha alheia da sobrancelha única de Valentino em 1922. “Sangue e Areia” solidificou Valentino como super-astro, e seus melhores anos ainda estavam por vir. Valentino não apresenta o mesmo desespero da traição que Tyrone Power demonstra ao bagunçar nervosamente os cabelos. Ele tem apenas um decisivo ataque de fúria, e nada mais. O show pertence à Nita Naldi, provocante e deslumbrante.

Rudolf Valentino was charming, had it, had sex appeal and looked like an exotic lover. I'm crazy about the Juan Gallardo played by Tyrone Power in 1941, while I can only be embarrassed by Valentino’s one eyebrow in 1922. “Blood and Sand” solidified Valentino as a great star, and his best years were yet to come. Valentino doesn't present the same panic over the betrayal as Power presents as he nervously passes his hands over his hair. He has only a decisive moment of fury, and that's all. The show belongs to Nita Naldi, provoking and breathtaking.

Sofrência

Há diferenças essenciais entre as versões de 1922 e 1941, que vão muito além do som e do Technicolor. Em 1922 temos dois personagens a mais, o bandido Plumitas e o estudioso do comportamento humano Don Joselito, que já no começo aponta as semelhanças entre o toureiro e o fora-da-lei. O confronto entre Juan, Plumitas e Doña Sol é o clímax do filme mudo, que tem bem menos sangue e areia que seu remake.

There are essential differences between the 1922 and the 1941 versions, way beyond the sound and the Technicolor. In 1922 we have two extra characters, the criminal Plumitas and the intellectual Don Joselito, who in the beginning points out how the bullfighter and the outlaw are alike. The confrontation between Juan, Plumitas and Doña Sol is the climax of the silent film, a film that has less blood and sand than the remake.

O cuidado das duas versões nos detalhes é o melhor que elas nos têm a oferecer – cada uma à sua maneira, claro. Isso não impede que possamos apreciar ambas, e ter a oportunidade de ver o desabrochar de Rodolfo Valentino como galã.

The attention to detail is the highlight of both versions – although it's made differently in each one, as we could expect. This makes it possible for us to enjoy both, and have the  opportunity to see Valentino as a blooming star.

This is my contribution to the 2nd Annual Rudolph Valentino Blogathon, hosted by  Michele at Timeless Hollywood.

Sunday, March 13, 2016

Tudo Começou no Trópico / Swing High, Swing Low (1937)

Você gosta de ver duas pessoas se apaixonando, e depois enfrentando os desafios do relacionamento? Eu não gosto, mas mesmo assim dei uma chance a “Tudo Começou no Trópico / Swing High, Swing Low”, de 1937. E sabe por quê? Porque eu adoro analisar representações de países tropicais e seus habitantes em filmes antigos. Normalmente esta representação não é muito lisonjeira, e aqui não foge à regra.
Maggie (Carole Lombard) trabalha como cabeleireira em um navio que está cruzando o canal do Panamá rumo ao Hemisfério Sul. É observando o funcionamento do canal que ela conhece o soldado Skid (Fred MacMurray), que está prestes a pedir dispensa do exército. Quando Maggie e sua amiga chegam na Cidade do Panamá e vão fazer um passeio, o guia turístico que elas encontram é justamente Skid.
A barraca em que Skid as leva para comer lagosta tem ares de cais orientais, como vemos em “O Véu Pintado / The Painted Veil” (1934) e “Mares da China / China Seas” (1935). Quando os panamenhos falam espanhol e Maggie não entende, é o diálogo de reclamação dela que se sobrepõe à fala dos nativos. É mais importante ouvir a incompreensão dos norte-americanos do que a língua falada pelos habitantes locais.
Em seguida, Skid e Maggie vão a um bar com música ao vivo, onde ela é importunada por um Anthony Quinn muito jovem, com quem Skid briga. A confusão leva o casal a passar uma noite na cadeia (nas comédias românticas dos anos 30 todo mundo é preso pelo menos uma vez) e, quando são soltos, veem que o navio de Maggie já zarpou.
Morando na cabana tropical rústica de um amigo de Skid, ele e Maggie vão procurar trabalho, e ela logo consegue ocupação para ambos em um clube. Para isto, entretanto, ela precisa mentir que eles são recém-casados.
Skid toca trompete na banda, e Maggie é dançarina no clube. Outra dançarina e cantora é Anita Alvarez (Dorothy Lamour), a estrela do show e antiga namorada de Skid. Logo Maggie e Skid terão uma chance de chegar ao centro do palco quando começarem a compor suas próprias músicas.
Dorothy Lamour sofreu da maldição que todas as mulheres exóticas sofrem em Hollywood: mesmo se nascidas nos Estados Unidos, elas são sempre associadas a pequenos papéis de sedutoras estrangeiras. A própria associação com sedução e pecado começa na escolha do nome artístico de Mary Leta Dorothy Slaton, Miss New Orleans 1931. Sim, a primeira associação é com a palavra francesa “l'amour”, embora outras fontes garantam que Dorothy teria se inspirado no sobrenome de seu padrasto, Lambour, para escolher seu nome artístico.
A carreira de Dorothy foi marcada por um sarongue que ela usou em seu primeiro sucesso como protagonista: “A Princesa da Selva”, de 1936. Papel semelhante de nativa ela teve em “O Furacão” (1937), uma obra subestimada de John Ford, com ótimos efeitos especiais e excelentes atuações. Dorothy também ficou conhecida por atuar ao lado de Bob Hope e Bing Crosby na série de filmes “Road to...”, e até interpretou uma brasileira em “A Caminho do Rio / Road to Rio” (1947).
Apesar de o filme ser previsível, há uma reviravolta perto do final que surpreende positivamente: tendo muito sucesso como trompetista, Skid precisa enfrentar seus velhos vícios no jogo e na bebida. Sua decadência está ligada à figura de Anita, a dançarina femme fatale, e garante bons momentos dramáticos para Fred MacMurray. Quem perdeu com a reviravolta foi Dorothy Lamour e todas as mulheres latinas, desde sempre e talvez para sempre associadas ao pecado e à tentação.
This is my contribution to the Dorothy Lamour Blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings and Maedez at Font and Frock.

Wednesday, March 9, 2016

Muito além de Rosebud: descobrindo Marion Davies

Beyond Rosebud: discovering Marion Davies

É sabido que “Cidadão Kane” (1941) foi inspirado na vida do magnata das comunicações William Randolph Hearst. Em certo ponto do filme, Kane toma como amante a cantora sem talento Susan Alexander (Dorothy Comingore), e decide fazer dela uma estrela. Para a posteridade, ficou a impressão de que foi isso que Hearst fez com sua amante, a atriz Marion Davies (cujo órgão sexual era chamado por Hearst exatamente de Rosebud, segundo boatos). Marion era, entretanto, uma talentosa comediante que teve, sim, sua carreira auxiliada por Hearst, mas que com certeza teria sucesso também sem ele.

It’s widely known that “Citizen Kane” (1941) was inspired in William Randolph Hearst’s, the mogul of comunications, life. At a certain point of the film, Kane takes untalented singer Susan Alexander (Dorothy Comingore) as his lover and decides to turn her into a star. That’s why so many people think Hearst did the same with his lover, actress Marion Davies (whose sexual parts were called exactly Rosebud by Hearst, according to gossips). Marion was, however, a talented comedienne who indeed had her career molded by Hearst, but there is no doubt that she would have succeeded even without him.


Marion Cecelia Douras nasceu no Brooklyn e seguiu os passos da irmã mais velha, tornando-se dançarina na adolescência. Logo ela se tornou uma Ziegfeld Girl, e o cinema era seu próximo passo. O filme de estreia, “Runaway, Romany” (1917) foi também escrito por Marion. Apesar de não ter feito muito sucesso com esta primeira empreitada, ela continuou atuando, e “Cecilia of the Pink Roses” (1918) foi o filme que chamou a atenção de Hearst.

Marion Cecelia Douras was born in Brooklyn and followed her older sister’s footsteps, becoming a dancer as a teenager. Soon she became a Ziegfeld Girl, and the movies were her next natural step. Her debut movie, “Runaway, Romany” (1917) was also written by her. This wasn’t a big hit, but Marion kept on acting, and it was the film “Cecilia of the Pink Roses” (1918) the one who called Hearst’s attention. 


Como qualquer magnata apaixonado, Hearst decidiu construir um estúdio de cinema só para Marion. A Cosmopolitan Productions surgiu em 1918, teve seu auge nos anos 20 e se diversificou nos anos 30, quando até John Ford trabalhou lá. Até 1923 a sede dos estúdios era em Nova York e os sócios de Hearst no empreendimento eram os estúdios Paramount. Entre 1924 e 1934 Hearst se associou à MGM para distribuir os filmes da Cosmopolitan Productions, e a partir de 1934 o novo distribuidor foi a Warner Brothers.

Like any mogul in love would do, Hearst decided to build a movie Studio for Marion. Cosmopolitan Productions was created in 1918, had its heyday in the 1920s and became a more diverse studio in the 1930s, when even John Ford worked there. Until 1923 the headquarters were in New York and the movies were distributed in Hollywood by Paramount. Between 1924 and 1934 MGM was the distributor of the Cosmopolitan Productions, and from 1934 onwards the distributor was Warner Brothers.


E foi na Cosmopolitan que Marion se aventurou no drama épico pela primeira vez. Seu grande sucesso no gênero veio com “When Knighthood was in Flower” (1922), em que ela interpreta a princesa Mary Tudor, apaixonada por um simples soldado mas atormentada pela sede de poder do irmão, o rei Henrique VIII (Lyn Harding), que insiste em casá-la com o esquelético rei da França. As expressões de Marion em alguns close-ups são preciosas, e a pompa da produção impressiona: são grandes cenários, vistosos figurinos, milhares de extras e uma bela luta de espadas.

And it was at Cosmopolitan that Marion worked in an epic drama for the first time. Her big hit in this genre came with “When Knighthood was in Flower” (1922). In this film she plays Princess Mary Tudor, who is in love with a simple soldier. She is bothered by her brother’s, King Henry VII’s (Lyn Harding), obsession with power: he insists in marrying her to the skinny king of France. Marion’s expressions in some close-ups are precious, and the fancy production is impressive: there are huge sets, big dresses, thousands of extras and an exciting sword fight.


Sem dúvida, o melhor filme de Marion Davies, o primeiro que eu vi com ela e aquele que todos deveriam ver é “Fazendo Fita / Show People” (1928). Nele, Marion interpreta a singela Peggy Pepper, uma moça do interior que vai para Hollywood para se transformar em uma grande atriz dramática. O único emprego que ela consegue, por intermédio de Billy Boone (William Haines) é em uma comédia slapstick ao melhor estilo Keystone Cops. Billy diz que é necessário levar alguns reveses na comédia antes de ter sua grande chance no drama. Não demora para que Peggy seja notada por um grande estúdio, mas quando realiza seu sonho (justamente em um épico ao estilo dos que trouxeram elogios a Marion Davies), ela esquece seus amigos dos velhos tempos da comédia.

Without a doubt, Marion’s best film, the first I’ve seen her in and the one that everybody must see is “Show People” (1928). Marion plays Peggy Pepper, a girl who goes to Hollywood to become a successful drama actress. The only job she gets, thanks to Billy Brone (William Haines), is in a slapstick comedy, very similar to the Keystone Kops. Billy says it is necessary to take some pies in the face in comedy movies in order to have a chance at doing drama. It’s not long until Peggy calls the attention of a big studio, but when she fulfills her dream (in an epic movie like the ones that brought fame to Marion Davies), she forgets her old friends from comedy. 


Gosto de pensar que a Marion Davies da vida real se assemelhava muito com sua personagem em “Show People”: determinada, vivaz, ótima no drama mas absolutamente fantástica na comédia (todo mundo precisa ver as imitações que Marion faz de outras atrizes do cinema mudo em “Filhinha Querida / The Patsy”, de 1928). Tanto é que foi a esta que ela dedicou sua breve carreira no cinema falado.

I like to think that, in real life, Marion Davies was a lot like her character from “Show People”: bold, charming, good in drama but absolutely fantastic in comedy (everybody must see Marion’s imitations of other silent film actresses in “The Patsy”, from 1928). Indeed, when talkies came she focused in comedies.

Em “Cain e Mabel” (1936), Marion é Mabel, uma garçonete transformada em estrela de teatro por um publicitário. Para alavancar ainda mais a carreira de Mabel, ele decide inventar um romance da moça com o pugilista em ascensão Larry Cain (Clark Gable, sem bigode). A primeira interação entre os dois não foi nem um pouco amigável, mas eles precisam continuar se vendo para que o esquema publicitário funcione. Você já sabe o que vai acontecer, não é?

In “Cain and Mabel” (1936), Marion plays Mabel, a waitress who becomes a theater star thanks to a publicist. To make her even more famous, he decides to tell the tabloids that she is dating the up and coming boxer Larry Cain (Clark Gabel, sans moustache). Their first meeting is not pleasant at all, but they must go on with the farse to make the story believable. You already know what happens next, don’t you?  


O último filme de Marion, “Desde os Tempos de Eva / Ever Since Eve” (1937) tem uma premissa ridícula: Marge (Marion) não consegue um emprego fixo porque é muito bonita e é sempre assediada por seus chefes. Assim, ela prefere se demitir a lutar contra os vermes que a assediam. Quando o escritor Freddy Matthews (Robert Montgomery) anuncia que precisa de uma datilógrafa ghostwriter para ajudá-lo a terminar seu livro, Marge se candidata à vaga, mas vai trabalhar disfarçada para que seu “problema” não se repita. O filme, apesar de tudo, ainda consegue ter bons momentos, em especial as cenas em um restaurante praiano. A comédia sobre dupla identidade funciona bem, apenas o motivo que começa tudo é antiquado e envelheceu mal.

Marion’s last movie, “Ever Since Eve” (1937), has a ridiculous plot: Marge (Marion) can’t keep a job because she is too beautiful and she’s often harassed by her bosses. So, she prefers to quit and not fight against the rotten men harassing her. When writer Freddy Matthews (Robert Montgomery) is looking for a ghostwriter typist to help him finish his book, Marge applies for the job, but dresses as an ugly woman so her “problem” won’t happen again. The film, despite everything, still has funny moments, like the scenes in the beach restaurant. The double identity comedy works well, only the reason to start it all is odd.


Surpreendentemente, acredita-se que apenas um de seus filmes estja perdido: “The Cinema Murder” (1919). No entanto, relativamente poucos dos 49 títulos de sua filmografia estão disponíveis para o público em DVD ou streaming. É uma lástima que seja tão difícil conhecer os trabalhos desta grande atriz, injustiçada por um mito do cinema, mas que merece toda a admiração dos cinéfilos.

Surprisingly, it looks like there is only one of her films lost: “The Cinema Murder” (1919). However, relatively few of her 49 films are available on DVD or via streaming. It’s too bad that this great actress can’t be seen by more people. She was the victim of a cinematic injustice, and deserves all the cinephiles’ admiration.


This is my contribution to the Marathon Stars Blogathon, hosted by my friends Virginie and Crystal at The Wonderful World of Cinema and In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Saturday, February 27, 2016

Peter Sellers: cem personagens, zero Oscars

Uma instituição antiga, muito conservadora, envolvida em algumas polêmicas e que não acompanha as mudanças do mundo na mesma velocidade em que elas acontecem. De quem estamos falando? Da Igreja Católica? Não. Da família tradicional? Não. Da classe política? Não. Da sua velha tia do interior? Não. É da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS), mais conhecida por ser a instituição que todos os anos escolhe os vencedores do Oscar.
Muito conservadora, a Academia raramente reconhece interpretações em filmes de comédia, ou mesmo grandes performances de comediantes em filmes dramáticos. Peter Sellers, que já foi chamado de “o maior comediante britânico depois de Chaplin”, foi injustiçado três vezes pela Academia, tanto na comédia quanto no drama.
Peter Sellers não apenas criava com perfeição personagens muito diferentes entre si: ele criava com perfeição personagens muito diferentes em um mesmo filme. Em seu mais conhecido esforço, “Doutor Fantástico / Doctor Strangelove or How I Stopped Worrying and Learned to Love the Bomb” (1964), do diretor Stanley Kubrick, Sellers interpreta três personagens: o cientista maluco que dá nome ao filme, o capitão Lionel Mandrake e o presidente Muffley.
Em outro filme igualmente satírico e hilário, porém pouco lembrado, Sellers tem também três papéis. O filme é “O Rato que Ruge / The Mouse that Roared” (1959), em que ele interpreta o soldado Tully, o primeiro-ministro Rupert e a grã-duquesa (!!!) Gloriana XII. Se interpretações cômicas já são pouco reconhecidas, imagine uma interpretação cômica E travestida... Apesar de ser um dos melhores momentos de Peter Sellers e de tratar com muito humor a paranoia das armas nucleares, “O Rato que Ruge” continua pouco conhecido.
No mesmo ano de “O Rato que Ruge”, Sellers foi indicado ao Oscar na categoria de curta-metragem. “The Running Jumping and Standing Still Film” surgiu como uma diversão pessoal de Sellers com sua câmera de 16mm, e foi filmado em Londres em dois dias com um orçamento de 70 libras. O curta-metragem ganhou um prêmio no festival de San Francisco, conquistou os Beatles, mas perdeu o Oscar para o filme francês “Histoire d’um Poisson rouge / The Golden Fish”, dirigido por Jacques Cousteau (sim, o mergulhador).
A segunda indicação, agora como ator, foi exatamente por “Doutor Fantástico / Doctor Strangelove” (1964). Na ocasião o vencedor foi Rex Harrison por “Minha Bela Dama / My Fair Lady”.
A última chance de Peter Sellers ganhar o Oscar foi em 1980, com um papel desafiador e redentor (literalmente). Como o jardineiro Chance em “Muito Além do Jardim / Being There” (1979), Peter provou que era tão genial no drama quanto na comédia. Chance era simplório, conhecia o mundo através apenas da televisão, mas possuía sensibilidade para palpitar sobre o governo, o funcionamento do mundo e também para destruir sem querer o cinismo que o cercava. O vencedor da noite foi Dustin Hoffman, por “Kramer vs Kramer”, filme que levou, aliás, cinco estatuetas. O colega de elenco de Peter, Melvyn Douglas, ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
Peter Sellers seria um forte candidato a um Oscar Honorário se não tivesse morrido repentinamente em 1980. Mesmo assim, ao longo da carreira, Peter colecionou outros prêmios, como um BAFTA por “It’s All Right Jack” (1959) e um Globo de Ouro por “Being There”. Mais do que isso, ele criou um adorável, incomparável e inimitável detetive do cinema: o Inspetor Clouseau. Seu método de composição dos personagens envolvia dedicação, exercícios vocais e inclusive distanciamento da realidade e “ficar no personagem” mesmo longe das câmeras – em suma, um Daniel Day-Lewis da comédia. E é por isso que Peter Sellers merecia, sem dúvida, o reconhecimento da Academia.

This is my contribution to the Oscar Snubs Blogathon, hosted by Constance and Diana Metzinger at Silver Scenes and Quiggy of The Midnite Drive-In.

Wednesday, February 24, 2016

Bolão do Oscar 2016

O melhor final de semana de 2016 se aproxima! Se você é como eu e muitos outros cinéfilos, deve estar na contagem regressiva para o Oscar. Como de costume, participo do Bolão do Oscar organizado pelas meninas do blog DVD,Sofá e Pipoca, e neste ano tive grandes dificuldades para fazer minhas apostas. Temos algumas certezas, e ainda muitas dúvidas sobre os vencedores do maior prêmio do cinema. Podem acontecer muitas surpresas no domingo, mas espero ter um bom índice de acertos.
E minhas apostas são...

MELHOR FILME: O Regresso / The Revenant

MELHOR ATOR: Leonardo DiCaprio, O Regresso / The Revenant

MELHOR ATRIZ: Brie Larson, O Quarto de Jack / Room

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sylvester Stallone, Creed

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Alicia Vikander, A garota dinamarquesa / The Danish girl

MELHOR DIRETOR: Alejandro González Iñarrítu, O Regresso / The Revenant

MELHOR ANIMAÇÃO: Divertida Mente / Inside Out

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Spotlight

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: A Grande Aposta / The Big Short

EFEITOS VISUAIS: Star Wars: O Despertar da Força / Star Wars: The Force Awakens

TRILHA SONORA: Ennio Morricone, Os Oito Odiados / The Hateful Eight

DIREÇÃO DE ARTE: Mad Max: Estrada da Fúria / Mad Max: Fury Road

FOTOGRAFIA: Emmanuel Lubezki, O Regresso / The Revenant

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Til it Happens to You”, The Hunting Ground

FIGURINO: A Garota Dinamarquesa / The Danish Girl

CABELO E MAQUIAGEM: Mad Max: Estrada da Fúria / Mad Max: Fury Road

EDIÇÃO: A Grande Aposta / The Big Short

EDIÇÃO DE SOM: Mad Max: Estrada da Fúria / Mad Max: Fury Road

MIXAGEM DE SOM: O Regresso / The Revenant

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Filho de Saul

MELHOR DOCUMENTÁRIO: Amy

DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: A Girl in the River: The Price of Forgiveness

MELHOR CURTA: Shok

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: World of Tomorrow

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