} Crítica Retrô: Edward Everett Horton

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Saturday, October 14, 2023

O que Matou por Amor (1944) / Summer Storm (1944)

 

Até mesmo grandes diretores começaram dando pequenos passos. Hoje nosso foco é um filme de Douglas Sirk feito para os estúdios Angelus Pictures e Nero Film, ambos praticamente esquecidos na atualidade. Nero Film, assim como Sirk, tinha como casa a Alemanha e migrou quando os nazistas chegaram ao poder. “O que Matou por Amor” é apenas o segundo filme de Sirk feito em Hollywood, e um filme que ecoa as raízes europeias do diretor.


Even big directors started small. Today we showcase a film by Douglas Sirk made for the studio Angelus Pictures, as well as Nero Film, both nearly forgotten today. Nero Film, just like Sirk, was based in Germany and fled as Nazis came to power. “Summer Storm” is just Sirk’s second film made in Hollywood, and one that echoed his European roots.


Nossa história começa em 1919, na Rússia revolucionária, quando o ex-conde Volsky (Edward Everett Horton) procura um jornal para publicar uma história. Ele chega à sede do Times local e descobre que a nova editora é uma velha conhecida, Nadena Kalenin (Anna Lee). Ele dá a ela o manuscrito e passamos para dentro da história.

 

Our story starts in 1919, in revolutionary Russia, when the former Count Volsky (Edward Everett Horton) seeks a newspaper to publish a story. He arrives at the local Times headquarters and learns that the new editor is an old acquaintance, Nadena Kalenin (Anna Lee). He then hands her the manuscript and we’re immersed in the story.


Corta para 1912, numa Rússia pré-revolucionária. Nadena acabara de ficar noiva de Fedor ‘Fedya’ Petroff (George Sanders), mas ele conhece uma camponesa encantadora, Olga (Linda Darnell), na casa de Volsky. Olga se casa com um dos empregados de Volsky, Anton Urbenin (Hugo Haas), mas ela claramente tem nojo do marido e vai atrás de Fedya. Não satisfeita, ela também seduz Volsky!

 

Cut to 1912, in pre-revolutionary Russia. Nadena has just gotten engaged to Fedor ‘Fedya’ Petroff (George Sanders), but he meets an enchanting peasant, Olga (Linda Darnell), at Volsky’s place. Olga marries one of Volsky’s employees, Anton Urbenin (Hugo Haas), but she’s clearly disgusted by her husband and pursues Fedya instead. Not satisfied, she also seduces Volsky!


Quando Fedya e Olga se beijam pela primeira vez, ela está mais preocupada com seu único par de botas, que ela estava segurando e que caíram de suas mãos. No segundo beijo deles – ou no segundo beijo que vemos – acontece no dia do casamento dela e de repente ela se mostra mais segura e ousada. Esta mudança de garota simples para um tipo de femme fatale parece estranha, mas faz sentido porque Olga é uma mulher endurecida por sua realidade: com um pai alcoólatra, sua única maneira de escapar de uma vida miserável é através de suas relações com os homens.

 

When Fedya and Olga first kiss, she’s more worried about her only pair of boots, that she was holding and fall from her hand. In their second kiss – or in the second kiss we see – it’s her wedding day and suddenly she’s more secure and bold. This transition from simple girl to a kind of femme fatale seems odd, but makes sense as Olga is a woman hardened by her reality: with an alcoholic father, her only way out of a miserable life is through her relationships with men.

Linda Darnell tinha apenas 20 anos quando fez “O que Matou por Amor”. Nascida Monetta Eloyse Darnell em Dallas, Texas, ela foi obrigada pela mãe a começar uma carreira como modelo aos 11 anos de idade e como atriz aos 13. Ela fez seu primeiro filme em 1939 e vinha interpretando personagens inocentes... até “O que Matou por Amor”. Este filme mudou sua imagem junto ao público e a partir daí ela passou a interpretar personagens mais ambíguas, incluindo algumas femme fatales, com grande sucesso.


Linda Darnell was only 20 when she made “Summer Storm”. Born Monetta Eloyse Darnell in Dallas, Texas, she was pushed by her mother to pursue a modeling career, that started at age 11, and an acting career, starting at 13. She made her first film in 1939 and had been playing innocent characters… until “Summer Storm”. This film changed her public image and from then on she played more ambiguous characters, including a few femme fatales, with great success.


A jovem criada do conde Volsky, Clara (Laurie Lane), suspira quando vê que Fedya chegou para visitar o amigo. Ela tinha sua razão: George Sanders foi um dos atores mais charmosos da velha Hollywood. Com uma voz distinta e melódica, Sanders foi escolhido para o papel devido à sua semelhança física com o ator alemão Willy Birgel, que era a primeira escolha de Sirk quando o diretor estava desenvolvendo a adaptação do romance ainda na Alemanha. Sirk deixou o país em 1937, mas levou consigo a ideia de adaptar “The Shooting Party” para as telas.

 

Count Volsky’s young maid Clara (Laurie Lane) swoons when she says Fedya is there to see his friend. She had reason: George Sanders was one of the most charming actors from Old Hollywood. With a distinct, melodic voice, Sanders was chosen for the role because he looked like German actor Willy Birgel, who was Sirk’s first choice when the director was developing the adaptation of the novel still in Germany. Sirk left the country in 1937, but kept his idea of adapting “The Shooting Party” to the screen.

“O que Matou por Amor” é baseado num romance do notório escritor russo Anton Chekhov, e o texto foi adaptado para as telas por Douglas Sirk e Michael O’Hara. Mas não existia ninguém chamado Michael O’Hara: é apenas o pseudônimo de Sirk! O roteiro final é creditado a Rowland Leigh, mas ele não foi a primeira escolha de Sirk: o primeiro roteirista contratado, James M. Cain, foi demitido por Sirk porque ele fez os personagens parecerem “americanos demais”. “The Shooting Party” foi o trabalho mais longo de Chekhov e seu único romance.


“Summer Storm” is based on a novel by the notorious Russian writer Anton Chekhov, and the text was adapted to the screen by Douglas Sirk and Michael O’Hara. But there was no such person named Michael O’Hara: it’s only Sirk’s pseudonym! The final screenplay is credited to Rowland Leigh, but he wasn’t Sirk’s first choice: the first screenwriter hired, James M. Cain, was fired by Sirk because he made the characters seem “too American”. “The Shooting Party” was Chekhov’s largest work and only full-length novel.

Feito numa época em que ainda não havia animosidade em relação à Rússia e União Soviética – o país e os EUA eram aliados durante a Segunda Guerra Mundial, e a Guerra Fria ainda levaria um par de anos para começar – “O que Matou por Amor” bebe da tradição russa e nos faz imaginar que obras-primas poderiam vir se Hollywood tivesse continuado adaptando obras russas. Um veículo excelente para suas estrelas, este é certamente um filme que vale a pena ser visto se ainda não foi.


Made in a time when there wasn’t yet animosity regarding Russia and URSS – the country and the USA were allies during World War II, and the Cold War would still take a couple of years to start – “Summer Storm” drinks from Russian tradition and makes us wonder which masterpieces would come if Hollywood kept adapting Russian works. An excellent vehicle for its stars, it is surely a film to check out if you haven’t yet.

 

This is my contribution to the Linda Darnell Centennial blogathon, hosted by Samantha at Musings of a Classic Film Addict.


Saturday, June 17, 2023

Boêmio Encantador (1938) / Holiday (1938)

 “Boêmio Encantador” é o terceiro de quatro filmes que Katharine Hepburn e Cary Grant fizeram juntos. Os outros três são “Vivendo em Dúvida” (1935), “Levada da Breca” (1938) e “Núpcias de Escândalo” (1940). “Boêmio Encantador” é o pior do quarteto, e isso pode ser porque ele é teatral demais – mas ainda é um filme bacana.

 

“Holiday” is the third of four movies Katharine Hepburn and Cary Grant made together. The other three are “Sylvia Scarlett” (1935), “Bringing Up Baby” (1938) and “The Philadelphia Story” (1940). “Holiday” is the worst of the bunch, and this may be because it’s too theatrical – but still a nice movie.

A trama é bem simples. Johnny Case (Grant) conhece Julia Seton (Doris Nolan) há apenas dez dias, mas acredita que está pronto para se casar com ela. O que ele não esperava descobrir é que Julia vem de uma família extremamente rica – sua casa é tão grande que tem um elevador – e que o pai dela tem tudo preparado para o casal: ele planejou a futura casa deles e quer que seu futuro genro aceite um emprego no banco dele... mas o pobre Johnny só quer sair de férias para clarear as ideias.

 

The plot is pretty simple. Johnny Case (Grant) has known Julia Seton (Doris Nolan) for ten days, but believes he’s ready to marry her. What he didn’t expect to discover is that Julia comes from an extremely rich family – her house is so big that it has an elevator – and her father has everything prepared for the soon-to-be newlyweds: he’s planned their future house and wants his future son-in-law to take a job at his bank… but poor Johnny only wants a holiday to clear his mind.

A família da noiva é fora de série: temos o irmão mais novo de Julia, o alcoólatra Ned (Lew Ayres) e a vivaz irmã mais nova Linda (Hepburn). Linda queria dar uma festa de noivado simples e íntima para Julia e Johnny, mas o pai dela decide dar uma imensa festa de véspera de Ano Novo para anunciar o noivado para toda a alta sociedade. Esta festa é o assunto da maior parte do filme.

 

The future in-laws Johnny meets are out of this world: there is Julia’s alcoholic younger brother Ned (Lew Ayres) and vivacious younger sister Linda (Hepburn). Linda wanted to throw a simple and intimate engagement party to Julia and Johnny, but her father decides to throw a huge New Year’s Eve party to announce their engagement to all of high society. This party takes the biggest bulk of the film.

Linda decide não se juntar à festa e fica na sala de jogos da casa, onde podemos encontrar vários brinquedos da infância dos irmãos – um tempo mais simples e mais feliz para eles. No meio da festa se juntam a ela os amigos de Johnny, Nick e Susan Potter, interpretados por Edward Everett Horton e Jean Dixon. Logo Johnny e Ned também se juntam a eles na sala de jogos, onde a verdadeira diversão está – e talvez também o amor verdadeiro.

 

Linda decides to not join the party and stays in the house’s playroom, where we can find several toys from the siblings’ childhood – a simpler, happier time for them. In the middle of the party she’s joined by Johnny’s close friends Nick and Susan Potter, played by Edward Everett Horton and Jean Dixon. Soon Johnny and Ned also join them in the playroom, where the true fun is – and maybe also true love.

“Boêmio Encantador” foi uma peça de teatro que estreou em 1928 e teve 229 performances. Donald Ogden Stewart, que escreveu o roteiro do filme, havia interpretado Nick Potter no teatro, e Katharine Hepburn foi substituta na peça. A peça de Philip Barry – que também escreveu “Núpcias de Escândalo” – já havia sido adaptada para as telas em 1930, e Edward Everett Horton também interpretou Nick Potter neste filme.

 

“Holiday” was a theater play that opened in 1928 and ran for 229 performances. Donald Ogden Stewart, who wrote the screenplay for the movie, had played Nick Potter in the theater, and Katharine Hepburn was an understudy in the play as well. The play by Philip Barry – who also wrote “The Philadelphia Story” – had already been adapted to the screen in 1930, and Edward Everett Horton was in this film as Nick Potter.

Katharine Hepburn não foi a primeira escolha para o papel de Linda. O papel era supostamente de Irene Dunne, e Ginger Rogers e Joan Bennett também foram nomes cotados antes de Hepburn ser emprestada da RKO para a Columbia - o que foi ótimo, uma vez que ela está perfeita no papel. O diretor George Cukor queria que Rita Hayworth interpretasse Julia, mas a novata foi considerada sem experiência suficiente para o papel, que ficou com Doris Nolan.

 

Katharine Hepburn wasn’t the first choice to play Linda. The role was supposed to go to Irene Dunne, and Ginger Rogers and Joan Bennett were also considered before Hepburn was loaned from RKO to Columbia - a great deal, as she is perfect in the role. Director George Cukor wanted Rita Hayworth to play Julia, but the newcomer wasn’t considered to be too inexperienced for the role, that went to Doris Nolan.

“Boêmio Encantador” é certamente um filme sofisticado, mas também verborrágico. Há muita falação – especialmente quando estão solucionando a situação toda – e só um pouco de ação. O momento com mais ação é a acrobacia de Grant e Hepburn, um momento que você pode já ter visto em forma de GIF. Menos famoso que os outros três filmes feitos pela dupla dinâmica Grant e Hepburn, “Boêmio Encantador” pode ser charmoso, mas também é um pouco chato e previsível. Uma pena, mas nem todos os filmes podem ser obras-primas.

 

“Holiday” is certainly a sophisticated film, but also a “talky” one. There is too much talking – especially when they are solving the whole situation – and just a little action. The moment with the most action is Grant’s and Hepburn’s tumbling trick, a moment you might have already seen as a GIF. Less famous than the other three films made by the dynamic duo Grant and Hepburn, “Holiday” may be charming, but it’s also a bit boring and predictable. Too bad, but we can’t have only masterpieces.


 

 This is my contribution to The Intruder blogathon, hosted by Silver Scenes. 

Sunday, November 12, 2017

O Mundo é um Teatro / Ziegfeld Girl (1941)

As mulheres frequentavam os cinemas nos anos 1930 queriam ter uma garota como melhor amiga: Joan Blondell. Esperta, divertida, espirituosa e sempre pronta para te apoiar: as personagens de Joan tinham tudo o que uma boa amiga deveria ter. As mulheres que frequentavam os cinemas nos anos 1940, por outro lado, tinham outro tipo de melhor amiga dos sonhos: Eve Arden.

Female filmgoers from the 1930s wished they had one girl as their best friend: Joan Blondell. Wise, funny, quick-witted and supportive: Joan's characters embodied everything a good pal should have. Female filmgoers from the 1940s, on the other hand, had other kind of dream best friend: Eve Arden.
Três moças são recém-chegadas no grupo das Ziegfeld Girls. Sheila (Lana Turner) era ascensorista antes de ser descoberta pelo próprio Sr. Ziegfeld. Susie (Judy Garland) nasceu em uma família do teatro e o Sr. Ziegfeld viu o número que ela fazia com o pai, mas contratou apenas a garota. Sandra (Hedy Lamarr) estava acompanhando o marido violinista em um teste quando um cantor a viu e a mandou para o Sr. Ziegfeld. Ela aceitou o trabalho porque o casal estava passando por dificuldades.

Three women are new in the Ziegfeld Girls group. Sheila (Lana Turner) was an elevator operator before being spotted by Mr. Ziegfeld himself. Susie (Judy Garland) was born in a vaudeville family and Mr. Ziegfeld saw her number with her father, but hired only her. Sandra (Hedy Lamarr) was accompanying her violinist husband in an audition when a singer spotted her and sent her to Mr. Ziegfeld. She accepted the job as a show girl because the couple was out of money.
“O Mundo é um Teatro” é sobre as relações destas mulheres com os homens de suas vidas. Sheila tem um namorado simples, Gil (James Stewart), mas decide sair com um “benfeitor das artes”, Geoffrey Collins (Ian Hunter), que lhe presenteia com joias caras.

“Ziegfeld Girl” is all about the relationship these women have with the men in their lives. Sheila has a simple-minded boyfriend, Gil (James Stewart), but she decides to hang out with an “arts benefactor”, Geoffrey Collis (Ian Hunter), who gives her expensive jewelry.
O pai de Susie (Charles Winninger) deve encarar uma amarga verdade: ele ensinou tudo para sua garotinha, mas agora ele está acabado e o show quer contratar apenas ela. Ao mesmo tempo, Susie se interessa pelo irmão mais novo de Sheila, Jerry (Jackie Cooper).

Susie's father (Charles Winninger) must face a bitter truth: he has taught everything to his little girl, and now he's washed up and the shows only want her. At the same time, Susie becomes sweethearts with Sheila's young brother, Jerry (Jackie Cooper).
Sandra se vê dividida entre o marido Franz (Philip Dorn), que não gosta do novo trabalho dela, e o cantor Frank Merton (Tony Mayer), um conhecido mulherengo que foi responsável pela descoberta dela. Das três, Susan é aquela que tem menos tempo em cena, enquanto Sheila é a que tem mais.

Sandra becomes torn between her husband Franz (Philip Dorn), who disapproves her new job, and lead singer Frank Merton (Tony Martin), a well-known womanizer who discovered her. Out of the three, Sandra is the one that gets less screen time, while Sheila has the most.
Patsy Dixon (Eve Arden) não é uma das estrelas principais entre as Ziegfeld girls. A pobre Eve sequer é creditada no começo do filme! Patsy é uma artista que coleciona duas coisas: joias e maridos. Ela parece antipática e frívola, até que dá um conselho a Sheila em um momento delicado. E, se Eve Arden está lhe dando um conselho, é melhor escutá-la.

Patsy Dixon (Eve Arden) is not one of the main Ziegfeld girls. Poor Eve is not even credited in the beginning of the movie! Patsy is a showgirl that collects two things: jewelry and husbands. She sounds unsympathetic and frivolous, until a pivotal moment in which she gives advice to Sheila. And, if Eve Arden is giving you advice, you'd better listen to her.
Busby Berkeley foi a escolha perfeita para dirigir os números de dança. Florenz Ziegfeld Jr não era um homem básico, e seu estilo combinou perfeitamente com o de Berkeley. Obviamente, a edição e os truques de câmera impossíveis de serem realizados no teatro deram uma pequena vantagem a Berkeley, e ele chegou um pouco mais longe de Ziegfeld com suas criações, que estão eternizadas em celuloide.

Busby Berkeley was the perfect choice to direct the dance numbers. Florenz Ziegfeld Jr wasn't a basic man at all, and his style combined perfectly with Berkeley's. Of course, editing and camera tricks that were not part of the theater world gave Berkeley a small advantage, and he went a mile further than Ziegfeld with his own creations, forever burned on celluloid.
É interessante notar que o próprio Sr. Ziegfeld nunca é visto. Quando o filme tinha data de estreia prevista para 1938, Walter Pidgeon havia sido escalado, e havia a possibilidade de William Powell reprisar o papel de Ziegfeld que já havia feito em “Ziegfeld – Criador de Estrelas” (1936). Walter Pidgeon acabou interpretando Ziegfeld em “Funny Girl – A Garota Genial” (1968). Em minha opinião, foi uma decisão sábia não mostrar o Sr. Ziegfeld no filme, ou o foco mudaria da vida das artistas, da Ziegfeld girls, para a vida do próprio showman.

It's interesting to notice that Mr. Ziegfeld is never seen. When the film was set for a 1938 release, Walter Pidgeon had been cast, and there was a chance that William Powell would recreate his role as Ziegfeld from the 1936 Oscar-winning extravaganza “The Great Ziegfeld”. Walter Pidgeon ended up playing Ziegfeld in “Funny Girl” (1968). In my opinion, it was a wise decision to not show Mr. Ziegfeld in the movie, because otherwise the focus would shift from the girls’ lives to the showman’s life.
Edward Everett Horton está adorável como sempre em seu papel de caça-talentos super-preocupado. Jackie Cooper tem pouco a fazer, apenas ser fofo ao lado de uma igualmente adorável Judy Garland, e foi particularmente bom ver o veterano do vaudeville Al Shean fazendo um número em frente às câmeras. James Stewart está muito bem e demonstra grande alcance nas técnicas de atuação.

Edward Everett Horton is his usual delightful self as the over-worried talent hunter. Jackie Cooper has little to do but to be cute to an equally adorable Judy Garland, and it was particularly nice to see vaudevillian Al Shean doing his routine for the cameras. James Stewart is very good in the movie, showing a fine acting range.
O final é previsível, mas isso não tira os méritos do filme. Se nem todas as histórias são exploradas ao máximo, “O Mundo é um Teatro” merece ser visto por causa dos incríveis números musicais, da direção de arte de Cedric Gibbons, dos figurinos fantásticos de Adrian, da boa performance de Lana Turner e da voz maravilhosa de Judy Garland.

The ending is predictable, but this doesn't take away the film's merits. If not all the stories deliver their full potential, “Ziegfeld Girl” deserves to be seen because of the amazing song and dance numbers, the art direction by Cedric Gibbons, the fantastic gowns by Adrian, Lana Turner’s good performance and Judy Garland’s marvelous voice.


This is my contribution to the Eve Arden blogathon, hosted by Laura at Phyllis Loves Classic Movies.

Saturday, January 9, 2016

A Viúva Alegre / The Merry Widow (1934)

O que primeiro vem à sua mente quando você pensa na França? Torre Eiffel? A Marselhesa? Boinas? Napoleão? Escargot? Para mim, há duas coisas que representam a França: Versalhes e Maurice Chevalier. E ambos podem ser vistos em “A Viúva Alegre”.
O conde Danilo (Chevalier) é o guarda mais cobiçado do reino da Marshovia. Ele poderia ter qualquer mulher que quisesse, mas se apaixonou justamente por uma inalcançável: a rica viúva Sonia (Jeanette MacDonald). Sonia também se mostra interessada por Danilo, mas sua reputação de galanteador a decepciona. Para esquecer Danilo, Sonia decide dar fim ao seu período de luto e viajar para Paris.
Quem não fica nem um pouco feliz com a viagem de Sonia é o rei Achmet (George Barbier). Como a viúva é a pessoa mais rica da Marshovia, sua mudança significa dar adeus à maior parte do dinheiro do reino – e um casamento com um estrangeiro significaria o fim da Marshovia. Por isso, o rei decide mandar Danilo, que tinha encontros furtivos com a rainha Dolores (Una Merkel) para Paris para seduzir a viúva – e até então Danilo não sabe que a tal viúva é sua amada Sonia.
Danilo tem muitas amigas em Paris. Ele se mostra o rei do baile, o mais popular entre as garotas, o favorito de Fifi, Mimi, FruFru e companhia. Sonia aparece no mesmo baile que Danilo e o reconhece, mas ele não sabe quem ela é porque nunca a viu sem o véu preto do luto. Sonia se passa por mais uma das garotas da noite francesa e é ela quem passa a seduzir Danilo – até ele se mostrar novamente um galanteador.
O reino fictício da Marshovia é predominantemente rural, lembrando em alguns momentos o vilarejo de “Frankenstein” (1931). A mansão de Sonia, habitada por dezenas de empregadas, é tão luminosa quanto um clube art deco onde dançam Fred Astaire e Ginger Rogers. Mas é quando chegamos em Paris que nossos olhos se fartam.
Estamos na belle époque (a história se passa em 1885), e o luxo de Paris transborda nos cenários e figurinos. A vida noturna é agitada, mas nada se compara ao grande baile do embaixador. O cenário imita Versalhes, principalmente na cena do baile com os espelhos. São centenas de dançarinos em um redemoinho tão hipnotizante quanto as coreografias de caleidoscópio de Busby Berkeley. É este o clímax do filme, e mil palavras não são suficientes para descrever a beleza desta festa.
Jeanette MacDonald e Maurice Chevalier fizeram quatro filmes juntos, e “A Viúva Alegre” foi o último da dupla. Os dois não se davam muito bem nos bastidores, e Chevalier não estava nem um pouco contente com sua mudança de estúdio, da Paramount para a MGM, e com o diretor Ernst Lubitsch. Mas não são os protagonistas os personagens mais interessantes da história: com muito humor, a rainha Dolores (Una Merkel) e o embaixador Popoff (Edward Everett Horton) roubam a cena.
A opereta “A Viúva Alegre” surgiu em 1905. Foi adaptada para o cinema pela primeira vez em 1925 e novamente em 1934 e 1953. Em 1925, dirigido por Erich von Stroheim, estrelado por John Gilbert e Mae Murray, havia um diferencial: contar o passado da viúva alegre. Quem era ela antes de viver no luxo? E como ela já conhecia Danilo? Não há essa história no filme de 1934, e em termos de roteiro ele é mais pobre, simplista e às vezes sexista, embora seja divertido e ousado com frases de duplo sentido. É charmoso, mas não é o melhor da carreira de Lubitsch.
Versão de 1925
“A Viúva Alegre” é uma festa para os olhos. Tanto luxo teve um preço, e causou prejuízo para a MGM. Jeanette abandonou Chevalier, e no ano seguinte iniciou uma parceria brilhante com Nelson Eddy. A opereta pode não agradar a todos (sinceramente, não me agradou muito), mas o filme é uma festa para os olhos. Nunca a mítica Paris, templo dos boêmios e dos amantes, foi retratada de maneira tão bela no cinema.

This is my contribution to the France on Film blogathon, hosted by Summer at Serendipitous Anachronisms. Au revoir!

Monday, September 14, 2015

Médica, Bonita e Solteira / Sex and the Single Girl (1964)

Comédia psicodélica dos anos 60 à vista! Começam os créditos e já somos surpreendidos pelo tipo de animação que ficou famosa naquela década com os filmes da Pantera Cor-de-rosa. Uma caricatura de Tony Curtis persegue uma caricatura de Natalie Wood. Símbolos masculinos e femininos nos apresentam também Henry Fonda, Lauren Bacall e Mel Ferrer. Vem coisa boa por aí? Hum, não exatamente.
A psicóloga PhD Helen Brown (Natalie Wood) acaba de escrever um best-seller intitulado “Sex and the S1ngle Girl”, o que rendeu muita notoriedade para ela e para o instituto onde ela trabalha. Mas a revista sensacionalista STOP publicou uma matéria desacreditando a autora, pois a “acusavam” de ser virgem, e, portanto, não ter nenhuma experiência para escrever tal livro. Por trás deste plano maligno está o repórter Bob Weston (Tony Curtis), ele próprio com muita experiência prática sobre o assunto.
Como a médica se recusa a dar uma entrevista para a revista STOP, Bob tira proveito do drama conjugal de seu amigo e vizinho Frank (Henry Fonda), um vendedor de meias que sofre com o ciúme da mulher, Sylvia (Lauren Bacall). Bob finge que é Frank para se consultar com a doutora Helen. Você já imagina o que vai acontecer, não é? Amor à primeira consulta.
Tony Curtis e Natalie Wood têm mais tempo em cena. Em seguida vem Henry Fonda, com uma boa sequência na excêntrica fábrica de meias, cena que poderia ter sido até mais longa. Do quinteto principal (Mel Ferrer interpreta o psiquiatra Rudy), quem tem menos destaque é Lauren Bacall. A moça já havia provado que sabia fazer comédia em “Como Agarrar um Milionário / How to Marry a Millionaire” (1953). Talvez fosse toda a aura séria e sedutora que Lauren tinha desde sua estreia no cinema, aos 20 anos. Talvez seja um problema mais grave: em 1964 Lauren Bacall completou 40 anos, e são poucas as oportunidades para mulheres desta idade em uma indústria sexista como Hollywood quase sempre foi. Mesmo com Fonda admitindo que este era o filme que ele menos gostou de fazer, ele brilha e diverte, mesmo sub-aproveitado. Mas a verdade é que Lauren desempenha bem seu papel. Ela tem química com Henry Fonda, e dá vontade de ver os dois juntos em mais filmes (e dançando o twist, se possível - veja o vídeo:).
Falando em sub-aproveitado, temos também Edward Everett Horton, coadjuvante sempre delicioso de se ver, como o chefe de Bob na revista STOP. Edward, já no final da carreira, tem apenas duas cenas. Outro importante comediante que faz uma breve participação como um policial é Larry Storch.
O passeio no zoológico de Helen e Bob é uma metáfora dos instintos primitivos aflorando, o que fica ainda mais evidente com os gestos de mímica de Tony Curtis em frente à jaula dos macacos. E é assim que o sexo é tratado no filme todo: podíamos estar às vésperas da grande revolução sexual, mas Hollywood ainda não estava totalmente preparada para lidar com o assunto abertamente. Tony Curtis usa o termo “inadequado” para dizer que não conseguia satisfazer a esposa fictícia. Ao final, o filme não é responsável por nenhum grande avanço no tratamento do sexo no cinema, e é provável que desagrade às feministas. Pensando bem, o filme funcionaria perfeitamente se fosse protagonizado por Rock Hudson e Doris Day!
“Sex and the Single Girl” é o título de um best-seller verdadeiro, escrito por, sim, Helen Gurley Brown. Helen foi editora da revista Cosmopolitan, e vendeu os direitos de seu livro e de seu nome por 200 mil dólares para a Warner Bros. O filme nada tem a ver com o livro, apenas utiliza seu título, mas qualquer um ficaria feliz em receber 200 mil para ser interpretado pela linda Natalie Wood nas telas, não?
Os últimos quinze minutos são dignos de uma screwball comedy, com uma divertida perseguição e várias infrações de trânsito. Este é sem dúvida o ponto alto do filme, embora uma sequência anterior também arranque muitas risadas: vestindo um roupão florido, Tony Curtis é comparado, mais de uma vez, “àquele ator, Jack Lemmon” (Lemmon e Curtis se vestiram de mulher no clássico “Quanto Mais Quente Melhor / Some Like It Hot”, de 1959).
O sensacionalismo do título, a crítica inteligente à imprensa dentro da revista STOP, a comédia leve e maluca, o grande elenco: tudo isso rendeu 4 milhões de dólares nas bilheterias. Foi um sucesso, mas visto em 2015 pode ser considerado muito conservador. É um filme bom, mas poderia ser muito melhor.

This is my contribution to the Lauren Bacall Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.
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