} Crítica Retrô: Fredric March

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Monday, September 7, 2015

Nada é Sagrado / Nothing Sacred (1937)

Em 1927, William A. Wellman dirigiu “Asas”, famoso por ter sido o primeiro ganhador da história do Oscar de Melhor Filme. Dez anos depois, Wellman trabalhava para David O. Selznick, que tinha ambições multicoloridas naquele ano de 1937. Foi o ano em que a parceria Wellman/Selznick rendeu dois filmes: “Nasce uma Estrela / A Star is Born” (meu filme favorito de todos os tempos) e “Nada é Sagrado / Nothing Sacred”. Enquanto o primeiro é um drama, o segundo é uma das melhores screwball comedies de todos os tempos. E, bônus: em glorioso Technicolor!

In 1927, William A. Wellman directed “Wings”, a film famous because it was the frist ever to win the Best Picture award at the Oscars. Ten years later, Wellman worked for David O. Selznick, who had colorful ambitions for the year of 1937. It was the year in which the Wellman/Selznick partnership originated two movies: “A Star is Born” (my favorite film of all time) and “Nothing Sacred”. While the first one is a drama, the later one is one of the best screwball comedies ever made. And with a bonus: it is in glorious Technicolor!
Wally Cook (Fredric March) é um jornalista que não averiguou bem suas fontes e acabou levando um falso sultão a um grande jantar. Como punição, ele passa a trabalhar na sessão de obituários, mas não por muito tempo: Wally sabe fazer boas reportagens, de “interesse humano”, e convence seu chefe a deixá-lo voltar à ativa para cobrir um caso de contaminação por rádio.

Wally Cook (Fredric March) is a journalist who hasn’t checked his sources and took a fake sultan to a dinner party. As a reprimand, he is sent to the obituaries section, but not for long: Wally knows how to identifies good news and top report things of “human interest”, and that’s how he convinces his boss to send him to cover a case of radium contamination.
Apesar da pouca simpatia dos habitantes da pequena cidade de Warsaw, Wally por fim encontra Hazel Flagg (Carole Lombard), a moça que tem pouco tempo de vida por causa da contaminação. Ele a convence a ir para Nova York, mas há segundas intenções: enquanto Hazel quer se divertir, Wally e a equipe do jornal pensam em explorar o drama dela a qualquer custo. Entretanto, a própria Hazel e o médico excêntrico que a acompanha, o doutor Enoch Downer (Charles Winninger), guardam um segredo.

Although he is not met with niceness by the population of the little town of Warsaw, he eventually finds Hazel Flagg (Carole Lombard), the lady who has little time to live because she was contaminated. He convinces her to go to New York, but with second intentions: while Hazel wants to have fun, Wally and the newspaper team want to explore her drama to the most. However, Hazel and the doctor who is travelling with her, doctor Enoch Downer (Charles Winninger), are keeping a secret.
Carole Lombard está, como sempre, ótima. Como Hazel, ela fala rápido, age despretensiosamente e tem expressões faciais impagáveis, melhor ainda captadas em Technicolor. Seu papel havia sido pensado para Janet Gaynor, que contracenara com March em “Nasce uma Estrela / A Star is Born”, obtendo muito sucesso. Apesar do grande talento de Janet, é inegável que não havia melhor escolha que Carole. “Nada é Sagrado / Nothing Sacred” pode não chegar ao nível de maestria de outros filmes da atriz, como “Irene, a Teimosa / My Man Godfrey” (1936), mas está quase lá.

Carole Lombard is great, as always. As Hazel, she is a fast talker who acts carelessly and has amazing facil expressions – that look even better in Technicolor. Her role was intended to be played by Janet Gaynor, who acted alongside Fredric Marc in “A Star is Born” with great success. Even though Janet was talented, we can’t deny that Carole was the best choice. “Nothing Sacred” may not be as good as her other films, like “My Man Godfrey” (1936), but it is in her TOP 5.
Talvez se William Powell interpretasse o jornalista Wally Cook (e eu consigo visualizá-lo perfeitamente no papel) o filme seria ainda melhor. Mas ele não deixa de ser bom, e deve isso a Carole e ao roteirista Ben Hecht. Hecht recebeu das mãos de Val Lewton, então um jovem subordinado de Selznick, um conto de James H. Street e decidiu adaptá-lo para o cinema. Hecht criou um personagem para John Barrymore, seu grande amigo, mas Selznick se recusou a trabalhar com o ator, então nos últimos anos de sua carreira e de sua batalha com o alcoolismo. Hecht abandonou o projeto (embora ainda receba crédito), Selznick fez algumas mudanças no roteiro, os dois fizeram as pazes e trabalharam em mais filmes juntos.

Maybe, if William Powell had played Wally Cook (and I can perfectly envision him in the role), the film would have been even better. But it is a nice movie, thanks to Carole and screenwriter Ben Hecht. Hecht received from Val Lewton, then a Selznick subordinate, a short story written by James H. Street and decided to adapt it to the screen. Hecht wrote the character to John Barrymore, his good friend, but Selznick refused to work with the actor, who was then in the last years of his career and figtning alcoholism. Hecht abandoned the projet (even though he received credit in the movie), Selznick made some changes in the script, the two became friends again and worked togheter in many other films.
É impossível agradar a todos / You can't please them all
Mas precisamos falar sobre o subestimado diretor William A. Wellman. Em minha opinião, Wellman merece um lugar entre os melhores diretores de todos os tempos, junto com Hitchcock, Fellini, Truffaut, Leo McCarey e W.S. Van Dyke. Mas, assim como os dois últimos, Wellman não se tornou um auteur. Wellman não tinha uma marca registrada, não trabalhava com um só gênero ou só um grupo de atores, mas dominava as técnicas de sua arte. Basta uma cena do filme para percebermos isso: quando Wally e Hazel estão andando pelas ruas de Warsaw, eles ficam um longo momento com os rostos encobertos por um tronco de árvore. Como todas as tomadas dos filmes são planejadas, não se trata de um erro, mas sim de um truque de Wellman: filmar uma cena com bom enquadramento é fácil, difícil é filmar uma cena que esconda o rosto dos protagonistas – que estão eles mesmos escondendo suas verdadeiras intenções – de um jeito tão íntimo e revelador.

But we really need to talk about underrated director William A. Wellman. In my opinion, Wellman deserves to be cited among the best directors of all times, next to Hitchcock, Fellini, Truffaut, Leo McCary and W.S. Van Dyke. But, just like the two last ones, Wellman didn’t become an auteur. Wellman didn’t have a registered mark, didn’t work in only one genre or with a small group of actors, but he knew all about the film techniques. In one scene we can realize his status as a master: when Wally and Hazel are walking by the streets of Warsaw, they stay a long while with their faces covered by a tree trunk. Since all the film shots are planned, it is not a mistake, but a trick by Wellman: to shoot a scene with a good framing is easy, but it is difficult to shoot a scene in which the leads’ faces are hidden – because the leads are, themselves, hiding their true intentions – in such an intimate and revealing way.

Em Technicolor, Carole Lombard nunca esteve tão bonita – nem tão frágil. É doloroso pensar que a comédia trata de uma moça destinada a morrer jovem, quando sabemos que o destino de Carole foi a morte em um acidente aéreo em 1942, quando ela tinha apenas 33 anos. Mas esqueçamos por um momento a vida e vamos nos concentrar na arte: porque só Carole Lombard (com uma ajudinha de Wellman, que foi inclusive colocado em uma camisa-de-força em uma brincadeira da atriz) poderia fazer um filme tão delicioso quanto este.

In Technicolor, Carole Lombard never looked so beautiful – or so fragile. It’s painful to think that the comedy is about a woman who is going to die young, when we know that Carole died in a plane crash in 1942, when she was only 33. But let’s forget real life for a moment and pay attention to fiction: because only Carole Lombard (with a little help from William Wellman, who was even put in a straightjacket by Carole in a prank) could make such a delightful film. 
Carole está DESMAIADA / Carole has FAINTED

“Nada é Sagrado / Nothing Sacred” (1937) está disponível no YouTube e no Internet Archive. Aproveite!

“Nothing Sacred” (1937) is available on YouTube and Internet Archive. Enjoy!

This is my contribution to the William Wellman Blogathon, hosted by Liz at Now Voyaging.


Saturday, April 12, 2014

O vento será tua herança (1961) / Inherit the Wind (1961)

“O vento será tua herança” é um filme, sobretudo, sobre as relações entre o velho e o novo. O tema principal é o embate entre religião e ciência e, por consequência, entre as velhas e novas crenças. E na tela vemos atores de diversas faixas etárias, desde os mais experientes, ganhadores do Oscar, até novatos na profissão, passando por intérpretes com uma carreira ainda em construção. Embora tenhamos nossa opinião sobre a questão central, criacionismo contra evolucionismo, não podemos negar que o filme só é esplêndido graças à mistura do antigo e do novo. 

“Inherit the Wind” is above all a movie about the relationship between old and new. The main theme is the feud involving science and religion and, as a consequence, the old and the new beliefs. On the screen we see actors of several ages, from veteran Oscar winners to newcomers, and also the ones still building a career and playing in new genres. We may have our personal opinion about the main theme (Creationism versus Evolutionism), but we cannot deny that the film is only fantastic because of this mix of old and new.


Anos 1920, cidade de Hillsboro. Além de ser afastado da escola, o professor Bertram Cates (Dick York) é preso por estar ensinando a teoria da evolução de Darwin para sua turma de biologia. O que era uma questão local acaba se tornando um debate que chama a atenção do país inteiro, boa parte graças à cobertura da imprensa. Entre os jornalistas destaca-se E.K. Hornbeck (Gene Kelly), que faz de tudo em busca de uma grande notícia. E o debate toma tamanhas proporções que são chamados dois renomados advogados para o caso: Matthew Harrison Brady (Fredrich March) fica com a acusação e Henry Drummond (Spencer Tracy) com a defesa. Para piorar a situação, a namorada de Bertram, Rachel (Donna Anderson), é filha do pastor que o está perseguindo.

1920s, city of Hillsboro. Teacher Bertram Cates (Dick York) is withdrawn from his classes at scholl and also arrest because he is teaching Darwin's evolutionary theory at his Biology class. This local question becomes a national debate thanks to the press coverage. Among the journalists we have E.K. Hornbeck (Gene Kelly), who can do anything for a scoup. And the debate becomes so big that two famous lawyers are called: Matthew Harrison Brady (Fredrich March) works for the prosecution and Henry Drummond (Spencer Tracy) is hired for the defense. To make things worse, Bertram's girlfriend, Rachel (Donna Anderson) is the daughter of  the preacher who is discursing against him.


Muitas vezes o filme mostra como toda a situação é absurda. Em pouco tempo nós nos cansamos e ficamos com raiva da música-tema dos conservadores, “Give me that old time religion”. A recepção calorosa de Matthew Brady é acompanhada por coros de mulheres pedindo decência e um desfile com muitos cartazes que dizem “deixem o demônio longe de Hillsboro”, “fora com Darwin” (“down with Darwin” no original), “não coloque uma cauda em mim” (?!), “Godliness, not gorillas”, “ateísta, volte para seus macacos”, “você não pode nos fazer de macacos” e alguns até aproveitam a situação para fazer propaganda de seus restaurantes, anunciando que “a comida é celestial”. Isso tudo contribui para que o debate pareça ridículo, mas não se engane: em muitos locais (atenção, leitores americanos), os pais ainda podem proibir seus filhos de terem aulas que contradigam o criacionismo!

At many moments the film shows how absurd the situation is. We quickly get tired and angry at the conservative theme song “Give me that old time religion”. The warm wlecome to Matthew Brady is filled with choruses of women asking for decency and a parade of posters saying “leave the devil far from Hillsboro”, “down with Darwin”, “don't put a tail in me” (?!), “Godliness, not gorillas”, “atheist, go back to your monkeys”, “you can't make us monkeys” and even some use the situation to advertise their restaurants, saying that “the food is heavenly”. This makes the debate look ridiculous, but don't be fooled: in many places (attention, American readers), parents can still forbid their children to attend classes that contradict creationism.



Mesmo que quase todos vejam o filme já acreditando na teoria da evolução, há ainda um interessante debate que devemos acompanhar. Embora as testemunhas chamadas por Drummond sejam recusadas pelo tribunal, ele ainda consegue dar seu recado, e o faz de maneira muito interessante: chamando Brady, o advogado da acusação, como testemunha, e fazendo-o confrontar os fatos da Bíblia e os fatos científicos. Mas não se enganem: o filme tem um rumo bem diferente do esperado!

Even though most of us see the movie with the firm belief in the evolutionary theory, there is still an interesting debate we should follow. Although the witnesses called by Drummond are not accepted by the court, he still can make his point, and does it in a very interesting way: he calls Brady, the prosecution lawyers, as a witness, and makes him compare stuff written at the Bible and the scientific facts. But don't be fooled: the film follows not as you expect!



Tanto Spencer Tracy quanto Fredric March tinham dois Oscars na bagagem. March era três anos mais velho que Tracy. Dois dos melhores atores dos anos 30 estão aqui mais velhos, March careca e Tracy mais gordo, mas o talento continua o mesmo. É impossível escolher qual dos dois está melhor, e ambos são absolutamente críveis e, como bons advogados, têm argumentos muito convincentes. Brady e Drummond são velhos conhecidos cujos caminhos se desviaram em um ponto da vida e, mesmo de lados opostos, ainda se estimam. Prova disso é a conversa que têm na varanda. Observe, nesta cena, como as cadeiras de balanço oscilam em direções opostas: são as opiniões conflitantes mostradas através de uma perspicaz metáfora visual.

Both Spencer Tracy and Fredric March had two Oscars. March was three years older than Tracy. Two of the best actors from the 1930s are older here, March is bald and Spencer is a bit fatter, but the talent didn't change. It's impossible to point out who is better, both are believable and, as good lawyers, have very convincing arguments. Brady and Drummond are old acquaintances whose paths deviated somewhere in life and, although they are at opposite sides of the court, they still like each other. We can see it with the conversation they have at the balcony. Pay attention on how the rocking chairs move in different directions: their opposite opinions are shown through this wise visual metaphor.



Mais uma do time mais velho é Florence Eldridge, que interpreta Sarah, a esposa de Brady, e era também casada com March na vida real. Florence alcançou fama e colecionou elogios na década de 1920, tanto nas telas quanto nos palcos. Ao se casar com March, em 1927, sua carreira passou a ser composta de personagens coadjuvantes nas telas, mas ainda alguns sucessos no teatro. Enquanto March e Tracy fizeram seus últimos filmes em 1967, Florence atuou pela última vez em 1978, dez anos antes de falecer e três anos depois de ter ficado viúva de March.

Another actress from the older generation is Florence Eldridge, who plays Sarah, Brady's wife. Florence was also married to March in real life. She became famous in the 1920s, and was successful both in film and theater. When she got married to March, in 1927, she started playing character parts onscreen, but still had a lot of success at the theater. March and Tracy did their final films in 1967, and Florence acted for the last time in 1978, three years before dying and ten after March had passed away.


Gene Kelly, vivendo já a decadência dos musicais, desempenha muito bem um papel que não é de todo dramático, mas sim bastante irônico. Na turma mais nova também estão Donna Anderson, naquele que é seu papel mais conhecido, e o sempre reconhecível Dick York, com sua expressão de espanto que ficaria famosa no rosto de Darrin Stephens, esposo da protagonista da série “A Feiticeira”. Este foi o último filme de York, que passou então a atuar exclusivamente na TV. Curiosidade: York foi o responsável por escrever a cena da prisão de seu personagem em “O vento será tua herança”.

Gene Kelly, experiencing the decadence of musicals, perfectly plays a role that is not totally dramatic, but very ironic. Other young performers are Donna Anderson, in her best known role, and the always recognizable Dick York, whose shock expression became famous at Darrin Stephens's face, when he played the husband of the lead in “Bewitched”. This was York's last film, and from then on he only worked on TV. Trivia: York was the one who wrote the prison scene for his character in “Inherit the Wind”.


O filme é a adaptação de uma peça que conta, com várias mudanças, o evento de 1925 que ficou conhecido como “Scopes Monkey Trial”, sendo Scopes o sobrenome do professor real. Os nomes foram todos trocados e aqui uma decisão é muito curiosa: Matthew Brady, nome escolhido para o advogado conservador, foi o responsável pela acusação no caso que acabou com a carreira de Roscoe “Fatty” Arbuckle. Os autores da peça também aumentaram a tensão acrescentando cenas de hostilidade para com Drummond. E lembre-se de que a peça foi escrita durante o McCarthismo, e o direito de pensar livremente é um ponto fundamental.

The film is an adaptation of a play that tells, with several factual changes, the 1925 event that became known as “Scopes Monkey Trial”, since Scopes was the last name of the real teacher. The names were all changed for the play and movie, and here we have a very curious decision: Matthew Brady, the name chosen for the conservative lawyer, was the name of the guy responsible for the prosecution on the case that ended Roscoe 'Fatty' Arbuckle's career. The authors of the play also added the tension by adding hostility situations towards Drummond. Remember that the play was written during McCarthism, and the right of free thinking is a main point. 
 
By Glen Brogan
Mesmo depois de escrever tudo isso sobre o filme, creio que ainda não lhe fiz justiça. Nem se o roteiro inteligentíssimo estivesse publicado aqui, ainda não seria suficiente para demonstrar a grandeza do filme. Veja (ou reveja) “O vento será tua herança”. Preste atenção nos diálogos, nos detalhes, tire um tempo para refletir depois que o filme acabar. Talvez não seja um filme que mudará drasticamente sua vida. Mas, se todos vissem este filme, creio que o mundo seria um lugar melhor.

Even after writing that much about the film, I don't think I've been fair to it. Not even if the very witty screenplay was published here, it still wouldn't be enough to show how wonderful the film is. Watch (or rewatch) “Inherit the Wind”. Pay attention to the dialogs, the details, take your time to think when the film is over. Maybe it won't be a film that will change your life drastically. But if everybody could watch this film I believe the world would be a better place.

This is my contribution for the Diamonds and Gold Blogathon, hosted by dynamic duo Rich at Wide Screen World and Patricia at Caftan Woman.


P.S.: Não se esqueçam de conferir minhas duas novas empreitadas: a coluna semanal Crítica Retrô no site Os Cinéfilos e o blog de literatura Diário de uma Quase-Escritora.

Thursday, July 26, 2012

E se... “O Paciente Inglês” tivesse sido feito em 1936?

Eu e mais muitas outras pessoas preferimos o cinema clássico ao atual. Mas não podemos negar que há uma série de bons filmes feitos recentemente. Um deles é o ganhador de nove Oscars em 1996, “O Paciente Inglês”.  

A enfermeira Hanna (Juliette Binoche) cuida um homem quase totalmente queimado (Ralph Fiennes) e estabelece seu leito em um convento abandonado, pois era impossível chegar ao hospital em um estado tão grave. Quando ele melhora, começa a contar seu passado como cartógrafo na África, quando se envolveu com Katharine Clifton (Kristin Scott Thomas), esposa do colega de trabalho Geoffrey (Colin Firth). Hanna começa a sentir afeto pelo paciente, e nos momentos em que não está cuidando dele, sai com o soldado Kip (Naveen Andrews).
Mais uma coisa que eu e muitos outros fãs de cinema clássico gostam é de criar hipóteses malucas e imaginar como um filme atual seria feito na Era de Ouro de Hollywood. Imaginemos que “O Paciente Inglês” tivesse sido filmado 60 anos antes, em 1936:
O novo elenco: Hanna (Binoche): Jean Harlow
Conde Lazslo de Almasy (Fiennes): Clark Gable
Katharine (Scott Thomas): Myrna Loy
(Firth): Fredric March
Kip (Andrews): Gary Cooper
Dirigido por George Cukor

Mas... Por quê? Com este elenco, “O Paciente Inglês” seria um all-star movie de deixar “Grande Hotel” (1932) com inveja. Ele reuniria as estrelas mais populares da época. Ver Clark Gable boa parte do tempo enfaixado seria por si só interessante, mas nas cenas de flashback ele usaria todas as suas habilidades de sedução para ficar com Myrna Loy, com quem contracenava frequentemente. O marido de Myrna seria Fredric March por um motivo simples: William Powell jamais serviria para o papel, porque Myrna não o trocaria por nada neste mundo (mas Fred também era muito bom!). Jean Harlow tinha a simpatia e a bondade necessárias para dar vida à personagem de Binoche. Eu consigo visualizar perfeitamente Jean na cena em que Hanna é levada pelo namorado para fazer um passeio especial e ver os afrescos no alto das paredes da igreja. Além disso, ela faria um belo casal com Gary Cooper, vocês não acham?
Acredito que George Cukor seria o diretor perfeito para o filme porque ele mostrou muito bem que não dirigia só mulheres talentosas. Cukor passeava por diversos gêneros e se saía muito bem em melodramas românticos. Só haveria um problema: para dirigir este filme, ele provavelmente teria de abandonar a direção de “A Dama das Camélias / Camille”. O outro grande problema seria driblar o Código Hays para que a produção saísse do papel!

This post is my entry for the Great Recasting Blogathon, hosted by Frankly, My Dear and In the Mood. It was a swell idea!

Saturday, March 24, 2012

Quem foi o melhor Norman Maine?

Quem lê meu blog com frequência provavelmente sabe que meu filme favorito é a versão de 1937 de “Nasce uma Estrela”. O motivo principal, além do excelente roteiro ganhador do Oscar, é o belo uso das cores, com uma tecnologia ainda nascente. Mas não é só de Technicolor que se faz um filme: os protagonistas têm um peso enorme no impacto da produção. E Janet Gaynor e Fredric March conseguem levar muito bem o ritmo do drama. Em 1954, a história ganhou um remake musical, desta vez estrelado por Judy Garland e James Mason. Todo remake faz surgir a inevitável compração: quem se saiu melhor? Portanto, apertem os cintos, porque hoje a atração é March contra Mason!

1- Charme & simpatia: Em 1937, March tinha 40 anos. Em 1954, Mason tinha 45. Podem ser as cores maravilhosas do Technicolor de 37 que me hipnotizam sempre, mas Fredric March sempre me pareceu mais atraente. Além disso, muitos depoimentos e livros dizem que Mason era um homem um pouco calado e deprimido. Nada contra, mas March ganha meu voto um pouco parcial.


2- Melhor cena de bêbado no Oscar: Ambos estão muito bem como penetras na maior festa do mundo cinematográfico. Eles têm outras cenas embriagados, é verdade, mas James Mason causa riso e constrangimento em dois momentos marcantes: logo no número inicial, ele invade o palco, deixando para uma Judy desesperada consertar a situação. E, é claro, dá um show durante a entrega do prêmio.



3- Melhor química com Vicky Lester: March tem uma atitude quase paternal para com a ingênua e desajeitada Esther Blodgett de Janet Gaynor (ele a ajuda quando ela quebra alguns pratos na festa em que eles se conheceram). Já Mason trata a personagem de Judy com mais carinho. A escolha é difícil, mas aqui quem ganha é James Mason.


4-    Melhor despedida: A que ficou na minha memória foi a do primeiro filme. March, vestido com seu roupão, diz que vai dar uma volta. Seus pés são mostrados caminhando na areia e, à beira do oceano, ele tira as sandálias. Depois, vemos apenas as notícias dos jornais. Ponto para March!
5-  Prêmios & indicações: Tanto March quanto Mason foram indicados ao Oscar de Melhor Ator por suas atuações, mas ambos perderam. March foi indicado ao Oscar em mais quatro ocasiões, ganhando duas vezes (por “O médico e o monstro / Dr. Jekyll and Mr Hide”, em, 1931, e “Os melhores anos de nossas vidas / The best years o four lives”, em 1946), além de prêmios nos festiviais de Berlim, Veneza e um Globo de Ouro em 1952. James Mason foi indicado ao Oscar mais duas vezes e nunca ganhou. Pelo personagem Norman Maine venceu o Globo de Ouro. Foi homenageado com prêmios por críticos americanos e ingleses em duas ocasiões. Ambos têm duas estrelas cada na Calçada da Fama. Quem ganha na categoria é: March.


6-  Opinião dos leitores: Foram dez votos de leitores e Mason ganhou por sete a três. Até minha mãe votou nele.

E o resultado final foi... (rufem os tambores!) empate! Três a três!

A ideia original veio do filme de 1932 “What price Hollywood?” dirigido por George Cukor e estrelado por Constance Bennetl e Lowell Sherman. Em 1937 March deu vida ao decadente astro em um filme que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro. Em 1954, James Mason deu seu toque pessoal ao personagem que, embora conte com momentos idênticos, não mimetiza a performance de March. Em 1976, foi a vez de Barbra Streisand e Kris Kristofrerson serem o casal principal do filme que ganhou o Oscar de Melhor Canção com “Evergreen”. Há boatos de uma nova adaptação, a ser dirigida por Clint Eastwood e protagonizada por Beyonce. Deus abençoe esta loucura!

P.S.: Em 1954, foram também considerados para o papel Cary Grant (o favorito de Judy), Laurence Olivier, Tyrone Power, Marlon Brando, Richard Burton, Montgomery Clift, Humphrey Bogart, Frank Sinatra e Errol Flynn (os últimos três afirmaram que queriam muito o papel).  
This entry is part of the March in March Blogathon, hosted by Jill at Sittin' on a Backyard Fence.
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