} Crítica Retrô

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Tuesday, July 17, 2012

Prévia de Agosto

Olá, queridos leitores! Eu não costumo fazer prévias ou coisa parecida em meu blog (prefiro o elemento surpresa!), mas acredito que dessa vez será importante. São cinco pontos rápidos (e não se desanime com o tamanho do primeiro):

1-    Minhas colaborações em diferentes sites e blogs estão aumentando! Há mais de um ano escrevo quinzenalmente para o Leia Literatura e esta última vez, coincidentemente tratei de um filme estrelado por Peter O’Toole justo na semana em que este grande ator anunciou sua aposentadoria. Além desse, escrevo todo sábado no Antes que Ordinárias sobre grandes personalidades femininas. Todas as mulheres inteligentes e os homens interessados em conhecer a opinião feminina devem conferir esse site! Ainda esta semana será publicado meu primeiro post oficial no Red Apple Pin-Ups na coluna em que falarei sobre como o cinema influenciou a moda. E, por fim, no Filmes e Games publico sobre influências do cinema clássico a cultura pop.
2-  Já participei de várias blogagens coletivas de blogs internacionais e em agosto acontecerá durante o mês todo um evento baseado na programação do TCM de lá. Por isso a maioria das postagens do próximo mês serão relacionadas a esse evento – mas com a qualidade de sempre!
3-    De 9 a 19 de agosto acontece a Bienal do Livro de São Paulo e (rufem os tambores!) meus dois livros estarão à venda por lá! 


4-    Percebi que havia demasiada poluição visual na barra lateral e por isso transferi os selinhos que ganhei para a recém-criada Página Coadjuvante do blog.Isso significa que posso ganhar muitos outros selinhos, porque agora tenho espaço de sobre para eles! ;)
5-    Estou concorrendo ao Top Blog, um prêmio para os melhores blogs com votação online. Quem quiser fazer sua boa ação do dia e votar na Crítica Retrô, por favor clique no banner dourado aqui do lado. São aceitos votos pelas contas do Facebook, do Twitter e de e-mail.
Ufa! Hoje foi tudo muito diferente do habitual, mas logo voltarei ao normal.
Beijos e obrigada por lerem!        

Thursday, July 12, 2012

As várias danças acrobáticas de Russ Tamblyn

Musicais não são feitos só de sapateados e danças de rosto colado! Bem, ao menos não a partir da década de 1950. Profissionais cada vez mais bem preparados fisicamente foram incorporados e junto com eles foram inseridas técnicas novas, oriundas, por exemplo, do circo. Russ Tamblyn, um ginasta, foi absorvido por Hollywood e dançou como ninguém nunca havia bailado: com uma leveza e travessura encantadoras.

Sete noivas para sete irmãos / Seven brides for seven brothers (1954): Como Gideon Pontipee, o mais novo dos filhos, participa do número “Lonesome polecat”, em que os irmãos mostram suas várias habilidades, incluindo equilíbrio em troncos de árvores e malabarismos com machados. Nunca houve número de dança mais macho!
Gatilho Relâmpago / The fastest gun alive (1956): A festa no saloon está desanimada? E só chamar Russ que ele faz um espetáculo com apenas uma pá. Ou duas. E um chão forrado de feno, é claro.
Tom Thumb (1958): Neste filme parecido com a fábula do Pequeno Polegar, Russ interpreta o protagonista e, estando em miniatura, dança entre objetos do cotidiano em um belo e colorido balé.
Amor, sublime amor / West side story (1961): Como Riff, o líder dos Jets, Russ tem bons momentos, como o prólogo, além de “Cool” e “Gee, Officer Krupke!”. Curiosamente, ele fez o teste para o papel de Tony.
The Wonderful World of Brothers Grimm (1962): Os contos de fada foram transportados para as telas neste espetáculo visual. Aqui, Russ faz a dança cigana com Yvette Mimieux e, pasmem, ele tem até uma capa da invisibilidade!
Semana passada tive a honra de receber de minha amiga Iza do blog Vintage Iz este lindo selinho que veio com algumas regras. E uma delas é indicar outras 10 pessoas para ganhá-lo!

Bem vocês podem ver que é um selinho bem de mulherzinha. Por isso, só escolhi meninas para receberem. Desculpe, amigos blogueiros do sexo masculino, mas sei que vocês entendem a situação. E as escolhidas são:
All Classics                                                                                          

Friday, July 6, 2012

De repente, num domingo / Vivement dimanche! (1983)

Se houve um diretor que coletou mais influências ao longo de sua vida e carreira também como espectador, este foi sem dúvida François Truffaut. Como se esquecer de seu alter-ego, o diretor Ferrand de “A Noite Americana / La Nuit Américaine” (1973), que coloca diversos livros sobre as obras de diretores que admirava sobre uma mesa, a fim de lê-las para obter inspiração?

The director who collected most influences througout his life is career, especially as a moviegoer, was without a doubt François Truffaut. How can we forget his alter ego, director Ferrand in “Day for Night / La Nuit Américaine” (1973), who put over a table several books about the works of directors he admired, wanting to read them and be inspired?
Um dos que mais o influenciou foi Alfred Hitchcock, que acabou dando uma série de entrevistas a Truffaut que mais tade se transformariam em um livro. Por isso não é de se espantar que o realizador francês tenha feito várias referências e homenagens à obra de Hitchcock em seus próprios filmes. Prova disso são os thrillers “Atire no pianista!” (1960) e “A noiva estava de preto” (1968). Seu último filme também não deixa de ser incrivelmente hitchcockiano. Em cada país “Vivement dimanche!” ficou conhecido por um nome: aqui no Brasil é “De repente, num domingo”, o que não é muito correto, enquanto nos países de língua inglesa é “Confidentially Yours”, denunciando um subtexto romântico. A melhor tradução do francês, no entanto, seria “finalmente domingo!”. 

One of the directors that influenced him the most was Alfred Hitchcock, who even agreed to give a series of interviews to Truffaut, that were later published in a book. That's why it's no surprise that the French filmmaker has referenced and paid tributes to Hitchcock's work in his own films. As examples we have the thrillers “Shoot the Piano Player!” (1960) and “The Bride Wore Black” (1968). His last film was also incredibly Hitchcockian. In each country “Vivement Dimanche!” had a different title: in Brazil it is “Suddenyl, on Sunday”, which is a so-so translation, while in English-speaking countries it is “Confidentially Yours”, which gives away the romantic subplot. The best translation from French, however, would be “Finally Sunday!”.
A trama gira em torno de Julien Vercel (Jean-Louis Trintignant), um corretor de imóveis acusado de uma série de assassinatos. A protagonista é, no entanto, Barbara (Fanny Ardant), a secretária de Julien que passa a investigar os crimes. Todos se relacionam com a mulher dele, Marie-Christine, cujo comportamento promíscuo era desconhecido pelo marido.

This is the story of Julien Vercel (Jean-Louis Trintignant), a house dealer accused of a series of murders. The leading lady is Barbara (Fanny Ardant), Julien's secretary and the woman who decides to investigate the crimes. All of the murders are related to his wife, Marie-Christine, whose promiscuous behaviour was unknown to her husband.
O filme tem todo um clima de filme noir, principalmente por ser em preto-e-branco, mas também pelo mistério, os locais insólitos de investigação e os ambientes fumacentos a serem explorados no meio da noite. A década de 1940 é evocada, mesmo sendo esta a época dos filmes considerados menos famosos dentro da obra de Hitch. Truffaut não faz nenhuma referência explícita aos filmes de Hitch, mas há algo de voyeurismo na pequena janela do escritório em que Barbara e Julien podem ver os pés das pessoas que passam na rua. A única referência ao cinema americano é a sessão no cinema de “Glória feita de sangue” (1957), dirigido por outro ídolo de Truffaut, Stanley Kubrick.


The movie has a film noir feeling, especially because it is shot in blakc and white, but also because it has mystery, odd places for investigation and smoky places to be explored in the middle of the night. The 1940 atmosphere is present, even though Hitchcock's most famous movies weren't made in this decade. Truffaut doesn't make any explicit reference to Hitchcock's films, but there is something voyeuristic in Barbara's and Julien's behaviour when they peek through an office window and see the feet of people walking down the street. The only refenrece to American cinema is the cinema exhibiting “Paths of Glory” (1957), directed by other of Truffaut's idols, Stanley Kubrick.
Outro ponto de convergência é a ideia de um homem ser acusado injustamente. Aqui não sabemos se ele é ou não culpado, como acontece nos filmes de Hitchcock em que o protagonista é claramente inocente, como “Intriga Internacional” (1959). E mais uma conexão é a parte cômica em que Barbara sai de um ensaio da peça “O corcunda de Notre Dame” e vai investigar o caso vestida com o figurino da produção. Hitchcock sempre usava doses de humor em seus filmes.

Another convergence point is the theme od a man wrongly accused. Here we don't know if he is guilty or innocent, something that does'nt happens in Hitchcock movies in which the leading man is obviously innocent, like “North by Northwest” (1959). Another connection is the comic moment when Barbara leaves the rehearsal of the play “The Hunchbak of Notre Dame” directly to investigate a case, still wearing her outfit for the play. Hitchcock always used little doses of humor in his films.
Algo interessante é que Truffaut, ao contrário de Hitchcock, geralmente tem mulheres no papel principal de seus filmes de suspense. Para Hitch, quem investiga o caso é James Stewart, Cary Grant, Henry Fonda ou outro no mesmo estilo bom moço. Para Truffaut, é uma de suas musas, como Jeanne Moreau ou a própria Fanny, com quem ele teve uma filha. Mas isso não quer dizer que o mestre do suspense não tenha tido suas “musas”: vale citar Grace Kelly, Tippi Hedren (um caso controverso, é verdade) e Ingrid Bergman, por quem Hitch teria se apaixonado sem ser correspondido. 


Something interesting is that Truffaut, unlike Hitchcock, usually has women in the leading role in his thrillers. For Hitch, the one who will investigate the case is James Stewart, Cary Grant, Henry Fond or another with the good guy persona. For Truffaut, it is one of his muses, like Jeanne Moreau or Fanny herself, with whom Truffaut had a daughter. But this doesn't mean that the Master of Suspense didn't have his muses: we can mention Grace Kelly, Tippi Hedren (a controversial example, to be fair) and Ingrid Bergman, whom Hitchcock might have fallen in love with, without being corresponded.
Sem dúvida a cena que mais lembra a obra de Hitch é o breve momento em que Barbara está dirigindo. Seu rosto é focalizado, nenhuma palavra é pronunciada e ela teme estar sendo seguida. Acrescente uma trilha sonora de suspense e voilà: imitamos a fuga de carro de Marion Crane (Janet Leigh) em “Psicose”!

There is no doubt about the scene that reminds Hitchcock's work the most: the brief moment in which Barbara is driving. Her face is in a close-up, no word is uttered and she fears being followed. Add a suspenseful score and voilà: we imitate Marion Crane's (Janet Leigh) car escape in “Psycho”!
Como a maioria dos cineastas, Truffaut não sabia que este seria seu último filme. Ele tinha o plano de dirigir 30 produções e então se aposentar para escrever livros. Mas ele adoeceu e faleceu precocemente em 1984, aos 52 anos, vítima de um tumor cerebral. Ele dirigiu 28, entre curtas e longas-metragens. Mais divertido do que sombrio em seu final, “De repente, num domingo” nos deixa com a certeza de que Truffaut foi um romântico e um intelectual. Afinal, não somos todos?

Like most filmmakers, Truffaut didn't know that this would be his last film. He had planned to direct 30 films and then retire and write books. But he got sick and died young in 1984, at age 52, because of a brain tumor. He directed 28, between short and feature films. More fun than dark in the final minutes, “Confidentially Yours” gives us the certainty that Truffaut was a romantic and an intellectual. But aren't we all?

This post is my entry for "The Best Hitchcock Films Hitchcock Never Made" blogathon, hosted by  Tales of the Easily Distracted and ClassicBecky's Brain Food.

Thursday, June 28, 2012

Joseph Cotten: um coadjuvante de luxo

Ele nunca foi indicado ao Oscar. Seu nome não é conhecido pelo público leigo. No entanto, os cinéfilos clássicos devem se lembrar com carinho do belo e versátil Joseph Cotten, que teve a sorte de estar em uma série de filmes importantes, entrando para a história da sétima arte e escrevendo seu nome num seleto grupo de atores que teve o privilégio de trabalhar com gênios como Alfred Hitchcock e Orson Welles.
Seu desejo de estar em um palco e representar foi despertado na infância. Nasceu no sul, estudou interpretação em Washington, trabalhou como vendedor de aspiradores e tintas em Nova York e guarda-costas e crítico de teatro em Miami. Em 1936 conheceu Orson Welles, de quem se tornaria amigo íntimo, sendo inclusive seu padrinho no casamento com Rita Hayworth. Na ocasião do encontro, Welles ateou fogo a um cesto de lixo e, em outra história curiosa, ele e Joseph estavam ensaiando para um programa de rádio quando tiveram um ataque de riso incontrolável. Ele também ajudou Welles a fundar o Mercury Theatre.
Em “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941) ele é Jedediah Leland, amigo de Charles Foster Kane e crítico de teatro. Trabalha para a cadeia de jornais e, após ficar bêbado, Kane termina uma crítica por ele. Joseph trabalhou com Welles também em “Soberba / The Magnificent Ambersons” (1942), “Jornada do Pavor / Journey into Fear” (1943), no qual foi também roteirista, "O Terceiro Homem / The Third Man" (1949), “A Marca da Maldade / Touch of Evil” (1958), no qual não foi creditado, e participou de “Verdades e Mentiras / F for Fake” (1973), o último fime de Welles. Ele também participou do curta “Too much Johnson”, que foi a primeira experiência de Orson com o cinema, em 1938. A pequena produção era exibida antes das apresentações do Mercury Theatre.
Com o mestre do suspense Cotten trabalhou nos filmes “Sob o signo de Capricórnio / Under Capricorn” (1949) e “A sombra de uma dúvida / Shadow of a Doubt” (‘1943), este provavelmente seu mais famoso trabalho. Ele também participou da série “Alfred Hitchcock Presents”, aparecendo em três episódios.
Em 1939 ele foi C. K. Dexter Haven na peça “The Philadelphia Story”, contracenando com Katharine Hepburn. Em 1940 a peça virou filme e o papel de Cotten ficou com Cary Grant. Em 1954, foi Linus Larabee em “Sabrina’s Fair”, peça que no mesmo ano daria origem ao filme protagonizado por Audrey Hepburn. Desta vez, Humphrey Bogart fez o papel de Cotten, embora a contragosto.
Joseph Cotten casou-se duas vezes, com ambos os relacionamentos durando mais de 30 anos. Criou a filha de sua primeira esposa, Lenore La Mont, e depois da morte dela casou-se com a atriz Patricia Medina. Era grande amigo de David O. Selznick, tendo trabalhado quatro vezes com a esposa de David, Jennifer Jones. Em uma festa na casa de Selznick, aliás, Cotten e Ingrid Bergman (com quem contracenou em “À Meia-Luz / Gaslight”), por diversão, foram garçom e garçonete. Outra atriz com quem contracenou bastante foi Teresa Wright, com quem fez nove filmes.
Nos anos 50 e 60 Cotten fez várias participações na televisão, ganhando seu próprio show em 1956. Também trabalhou nos filmes “O abominável Dr. Phibes / The abominable Dr. Phibes” (1971) e “Aeroporto 77”. Na velhice, além de trabalhar esporadicamente, dedicava-se à jardinagem e escreveu uma autobiografia, “Vanish will get you somewhere”, considerada uma das melhores e mais bem-escritas do gênero. Faleceu em 1994 e, apesar de ter feito parte de enormes sucessos, é um dos mais subestimados atores do cinema clássico. E um dos mais belos perfis.  

Thursday, June 21, 2012

The Gay, the Bad and the Ugly: desvios de sexualidade e de comportamento no cinema dos anos 50

A censura ainda existia e a ameça comunista virava histeria. Neste contexto se desenvolveu o cinema dos anos 1950, em que por várias vezes os homossexuais foram retratados como vilões ou ao menos personagens perturbados. Qualquer desvio do comportamento considerado adequado era sinal de que havia algo mais de errado com aquela pessoa.
Lembremo-nos, por exemplo, de um célebre vilão, daquele que é meu filme favorito de Hitchcock: “Pacto Sinistro / Strangers on a Train” (1951): Bruno Anthony (Robert Walker), que propõe a troca de assassinatos com Guy Haines (Farley Granger). 

Em 1954, o peculiar faroeste “Johnny Guitar” contou com Mercedes McCambridge, usando roupas escuras e um pouco masculinizadas, como antagonista de Joan Crawford. Mercedes é amargurada porque, segundo algumas teorias, teria sentimentos mal-resolvidos por Vienna. Nem preciso dizer que Mercedes é a vilã da história. Outro exemplo de mulher-macho no western é Jane Calamidade, vivida por Doris Day no musical de mesmo nome de 1953.
 Se James Dean atrai todos os olhares durante a projeção de “Juventude Transviada / Rebel without a cause” (1955), é Plato (Sal Mineo) o personagem mais interessante. Sem amigos e vendo Dean ao mesmo temo como uma figura paterna e heroica, fica quase claro que se trata de um homossexual. A grande crítica que faço é o fato de o personagem não ter família, aumentando a crença na ideia absurda de que a homossexualidade pode ter causas como a desestruturação familiar. Como a maioria das personagens de “comportamento reprovável”, o inocente Plato serve de bode expiatório. Mais uma demonstração de inadequação à sociedade por causa da opção sexual pode ser vista no filme “Chá e Simpatia” (1956).  

Outro filme com subtexto gay é “Gata em teto de zinco quente / Cat in a hot tin roof” (1957), haja vista o desespero e desilusão de Brick (Paul Newman) após a morte de um amigo, fato que o leva a exagerar na bebida e tentar pular obstáculos como no passado. O resultado é uma perna quebrada logo na primeira cena do filme. Ele também é um pouco frígido em relação à esposa, Maggie (Elizabeth Taylor), e o fato de eles não terem ainda herdeiros incomoda o pai dele (Burl Ives).
 O ano de 1959 trouxe dois bons exemplos de intolerância: em “De repente, no último verão / Suddenly, Last Summer”, o personagem Sebastian, que nunca aparece, tem uma relação estranha com a sufocadora mãe, Violet (Katharine Hepburn) e acaba muito mal ao expor a sensual prima Catherine (Liz Taylor) em uma praia. Em “Ben-Hur”, há uma sutil história de amor entre o vilão Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston), algo que apenas Boyd sabia, o que influenciou bastante sua atuação. Por causa dessa temática, inclusive, Rock Hudson rejeitou o papel, aconselhado por seu agente. 

A década de 1950 não foi feita só de dramas: os musicais e as comédias também estiveram presentes. Novamente alguns personagens secundários carregavam o estereótipo do “sissy”, interpretado com maestria na década de 1930 por Edward Everett Horton. Eram retratados como cômicos solteirões, amigos do protagonista., como o personagem de Jack Buchanan em “A Roda da Fortuna / The Band Wagon” (1953).

Chegando em 1960, há ainda um resquício da subjetividade ao tratar do tema, perceptível numa das cenas mais discutidas de todos os tempos: o banho de Crassus (Laurence Olivier) por Antoninus (Tony Curtis) e o famoso discurso sobre “gostar de comer ostras e caracóis”. Só este breve momento já mostrava que o assunto continuaria presente nas décadas seguintes...

This is an entry for the Queer Film Blogathon, in its second edition, at Garbo laughs and Pussy Goes Grrr. Stay tuned in the event!
 

Saturday, June 16, 2012

Bernard Herrmann: você já o ouviu em algum lugar

Às vezes, você está tão entretido com o enredo de um filme que acaba nem prestando muita atenção à trilha sonora. Se não for um musical, é provável que suas lembranças depois de acabada a sessão se refiram apenas à trama cinematográfica e não à percepção da música de fundo.

Essa foi uma breve descrição do que normalmente acontece quando eu assisto a algum filme. Devo confessar que perco um bocado ao não prestar muita atenção à trilha sonora. Uma das coisas que perco é sem dúvida a apreciação do talento de vários compositores, entre eles o brilhante Bernard Herrmann.   
Herrmann, descendente de russos, nasceu em Nova York em 1911. Aos treze anos ganhou um concurso de composição e aos 20 formou sua própria orquestra. Em 1934 passou a trabalhar na rádio CBS, onde pôde levar ao público composições quase desconhecidas de grandes músicos e também obras curiosas de personalidades como os reis Henrique VIII e Luis XIII. Foi também na CBS que conheceu Orson Welles e compôs para o Mercury Theatre, inclusive sendo de sua autoria a trilha sonora da avassaladora transmissão de “A Guerra dos Mundos”, feita em 1938 por Welles.
Se o programa de rádio levou Welles para o cinema, ele levou junto Bernard Herrmann, que estreou com chave de ouro, compondo para “Cidadão Kane / Citizen Kane” (1941) e “Soberba / The Magnificent Ambersons” (1942), trabalho pelo qual não foi creditado. Logo em seu primeiro ano no cinema ganhou o Oscar por “The Devil and Daniel Webster”. 
A parcela mais famosa de seu trabalho surgiu através da parceria com o diretor Alfred Hitchcock, que utilizava o talento musical de Bernard mesmo quando havia apenas silêncio: em “Os Pássaros / The Birds” (1963), filme sem trilha sonora, Herrmann foi consultor de efeitos sonoros. O compositor até deu uma de Hitch e fez uma breve aparição em “O homem que sabia demais / The man who knew too much” (1956), como o regente da orquestra. No entanto, nesse filme duas melodias importantes não foram compostas por Herrmann: a gahadora do Oscar “Que sera, sera“ e “Storm Clouds Cantata”, tocada pela orquestra, que foi composta para a primeira versão do filme, em 1934.
A colaboração com Hitch começou em 1955, com “O Terceiro Tiro / The Trouble with Harry” e se estendeu por oito produções, sendo as mais lembradas “Psicose / Psycho” (1960), em que ele inovou ao usar como base os instrumentos de corda, e “Um corpo que cai / Vertigo” (1958), uma obra-prima que voltou às manchetes este ano ao ser incluída na trilha sonora de “O Artista”. A parceria terminou quando Hitchcock se desentendeu com Herrmann ao não aceitar a música dele para “Cortina Rasgada / Torn Curtain”, pedindo “algo com mais ritmo de jazz”. Apesar de nunca mais terem trabalhado juntos, continuaram amistosos.   
Consagrado como compositor de filmes de suspense, Hermann foi chamado por François Truffaut, admirador de Hitchcock, para compor para “Fahrenheit 451” (1966) e “A noiva estava de preto / The Bride Wore Black” (1968). Para Brian de Palma, trabalhou em “Sisters” (1973) e “Obssession” (1974) e teria trabalhado em “Carrie, a estranha” se não tivesse falecido. Foi Brian que indicou Bernard para Martin Scorsese, que o contratou para “Taxi Driver” (1976), o último filme de Herrmann. 
Ele gostava de ter liberdade criativa para compor, algo raro entre os de sua classe, e assim influenciou gerações. A música que fez para Truffaut, por exemplo, serviu de base para os arranjos da canção “Eleanor Rigby”, dos Beatles. Vez ou outra surge uma homenagem na mídia, a exemplo da discografia lançada em 1996 que acabou ganhando um prêmio no Festival de Cannes. Talentoso e versátil, Herrmann também compôs para uma série de filmes de aventura e ficção, como “O dia em que a Terra parou / The Day the Earth Stood Still” (1951), e para a primeira temporada da série “The Twilight Zone”. Além disso, fez uma ópera baseada em “O morro dos ventos uivantes” em 1951. Surpreeendentemente, a composição de que mais gostava era a de um romance: “O Fantasma Apaixonado / The Ghost and Mrs.Muir” (1947). 

Clique nos títulos dos filmes para carregar a trilha sonora no YouTube e leia mais sobre "O Fantasma Apaixonado" aqui.

Monday, June 11, 2012

Made in Canada: Canadenses no Cinema – Parte 2


Norma Shearer: Ela era meio vesga, mas conquistou um magnata, o produtor Irving Thalberg, milhões de fãs e um Oscar em 1930. Norma trouxe também do Canadá seu irmão Douglas, que trabalhou no departamento de som da MGM. Ele ganhou 12 Oscars por seu trabalho e surpreendentemente aprendeu tudo o que sabia por conta própria. Sua irmã Athole também foi para Hollywood, casando-se com o diretor Howard Hawks.

Marie Dressler: Esta comediante conquistou os palcos e depois as telas, ganhando o Oscar de Melhor Atriz em 1931, por “Lírio no Lodo”. Ela trabalhou vendendo bônus de guerra na Primeira Guerra Mundial, sendo homenageada pelos militares, que batizaram uma rua com seu nome. Um de seus primeiros filmes foi com Chaplin e Mabel Normand, em 1914, e em 1917 ela escreveu e dirigiu um filme, “Fired”.  

Yvonne De Carlo: Criada pelos avós e descoberta através de sua bela voz e talento para a dança, durante algum tempo ela foi a rainha do Technicolor, marcando presença como a esposa de Moisés (Charlton Heston) em “Os dez mandamentos”. Muitos se lembram desta atriz por causa de sua interpretação de Lily, matriarca de uma família sinistra na série “Os Monstros”, para a qual foi chamada para recuperar-se de uma depressão.
 Geneviève Bujold: Se você pensou na província do Quebec, acertou. Essa canadende de nome francês ficou conhecida mundialmente ao interpreter Ana Bolena em “Ana dos mil dias”, contracenando com Richard Burton e ganhando um Globo de Ouro de Melhor Atriz. Geniviève trabalhou também com Charlton Heston, Michael Douglas e Clint Eastwood.

Glenn Ford: Tendo ido para os EUA aos oito anos, Glenn adotou o nome da cidade natal do pai como seu nome artístico. Logo após se naturalizar, combateu na Segunda Guerra e, em 1946, teve sua grande chance ao protagonizar “Gilda”, ao lado de Rita Hayworth, com quem faria mais quatro filmes. Passeou por diversos gêneros, sendo seus faroestes sucesso de público.

Gene Lockhart: Ele estreou no cinema mudo e interpretou vários coadjuvantes ilustres, como em “Jejum de Amor”, “O lobo do mar”, “Milagre na Rua 34” e “Carrossel” (1956). Também foi roteirista de teatro, escreveu letras de músicas e deu aulas de interpretação. Sua família é toda de atores, incluindo a esposa Kathleen, a filha June e a neta Anne.   
Gene e Kathleen Lockhart
 Walter Pidgeon: Ele teve uma vida e tanto: sofreu um acidente durante a Primeira Guerra, foi bancário, recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Ator, ficou viúvo aos 24 anos e depois se casou com sua secretária. Para completar, foi descoberto por Fred Astaire enquanto cantava em uma festa! Em sete filmes interpretou o marido de Greer Garson. Esteve em “Planeta Proibido”, de 1956, com outro canadense, Leslie Nielsen.

Raymond Massey: Sua história é bem incomum: combateu na Primeira Guerra e, ao voltar para casa traumatizado, foi mandado para a Sibéria, onde pela primeira vez atuou. A partir daí ele foi para os palcos de Londres e protagonizou o primeiro filme falado de Sherlock Holmes. Um de seus mais famosos papéis é o de Jonathan, o irmão de Cary Grant que fica igual a Boris Karloff após uma plástica em “Esse mundo é um hospício”. O ator também interpretou o presidente Lincoln em três filmes.

Christopher Plummer: O mais novo detentor do recorde de mais velho ganhador do Oscar. Antes disso, Chris esteve no musical “A Noviça Rebelde”, papel que ele afirma não ter gostado, e interpretou John Barrymore nos palcos, ganhando um Tony (prêmio da Broadway) de Melhor Ator. Seu desejo de atuar foi despertado ao ver Laurence Olivier em “Henrique V”. Um grande ator com uma admirável carreira.

Leslie Nielsen: Seus maiores sucessos são a série “Corra que a polícia vem aí” e o filme “Apertem os cintos, o piloto sumiu”, mas Leslie apareceu em mais de 100 filmes e 1500 programas de TV, totalizando mais de 220 personagens. Curiosamente, seu primeiro e seu último trabalho foram participações como narrador.
Dan Aykroyd: Oriundo da primeira leva de comediantes do Saturday Night Live, Dan estabeleceu uma parceria com James Belushi, co-estrelando com ele três filmes. Ele também se aventurou como diretor, roteirista, músico e vinicultor.   

Menção honrosa para o grande pioneiro Louis B. Mayer, que nasceu na Rússia, mas cresceu no Canadá.

Thursday, June 7, 2012

Made in Canada: Canadenses no Cinema – Parte 1

Canadá e Estados Unidos são grandes parceiros comerciais. Se por um lado o país mais ao Norte importa muitos produtos ds EUA, há um fluxo inverso no mundo das artes: foram várias as estrelas exportadas para o vizinho mais ao Sul.
Florence Lawrence: A primeiríssima estrela do cinema americano era canadense. Mais conhecida como “Biograph Girl”, Florence foi a protagonista das primeiras produções de Griffith. Ela também inventou o sistema em que atores e diretores podem ver o resultado das filmagens e então corrigir o que estiver errado. Após a fundação de Hollywood, ela desistiu da carreira por não querer ir para a costa da Califórnia.

Mary Pickford: A namoradinha (estrangeira) da América foi, sem dúvida, a maior celebridade do cinema mudo. Pequena, de cabelos cacheados e ar angelical, fez mais de 250 filmes. No entanto, atraiu mais atenção por seu casamento com o astro Douglas Fairbanks e por ter sido a segunda ganhadora do Oscar de Melhor Atriz. Seus irmãos Lottie e Jack também trabalharam em filmes mudos, morrendo respectivamente em 1936 e 1933.

Mack Sennett: Ele foi o fundador dos Estúdios Keystone, responsável por lançar estrelas como Mabel Normand e Gloria Swanson. Fez parte de divertidas comédias na época do cinema mudo, produzindo mais de 1100 filmes, estrelando em 362 e dirigindo 322.
Warner Brothers: Os quatro canadenses mudaram a história do cinema com o filme “O Cantor de Jazz”, mas começaram como distribuidores do filme “O grande roubo do trem”, de 1903. Sam Warner faleceu pouco antes da estreia do revolucionário filme falado, deixando seus irmãos Jack, Harvey e Albert envoltos em brigas.

Fay Wray: Dona de um dos gritos mais famosos da sétima arte, começou no cinema aos 16 anos, em produções mudas. Fez alguns filmes de terror, até ser escalada como substituta de Jean Harlow em King Kong (1933). Nos anos 50 participou do seriado Perry Manson ao lado de outro canadense, Raymond Burr.

Ruby Keeler: Ela fez vários musicais bem-sucedidos e psicodélicos sob a direção de Busby Berkeley na década de 1930. Seu primeiro marido foi o cantor Al Jolson, protagonista do revolucionário “O Cantor de Jazz” de 1927. Ela deixou o cinema em 1940 e só retornou à Broadway nos anos 70.
Deanna Durbin: Cantora clássica e uma estrela adolescente, Deanna encerrou a carreira aos 27 anos. Seu primeiro trabalho foi em um curta ao lado de Judy Garland.

Ann Rutherford: Ann interpretou a irmã caçula da família O’Hara em “E o vento levou”, preenchendo a vaga que ficou disponível após Judy Garland ser chamada para fazer “O mágico de Oz”. Ann também estrelou diversos filmes da série Andy Hardy, ao lado de Mickey Rooney.

Lorne Greene: Ele fez carreira na televisão, ficando famoso ao interpretar o patriarca Ben Cartwright durante 14 anos na série Bonanza. Mas Lorne também gravou discos no estilo country, que foram outro grande sucesso em sua carreira.

Walter Huston: O patriarca da família Huston, pai de John e avô de Anjelica, se dividiu entre o cinema e o teatro com sucesso. Ele ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1949, tendo sido dirigido por seu filho John em “O Tesouro de Sierra Madre”. A festa foi generalizada na cerimônia, pois John ganhou como Melhor Diretor.

Hume Cronyn: Mais conhecido por suas participações nos filmes de Hitchcock “Sombra de uma Dúvida” e “Um barco e nove destinos”, também colaorou nos roteiros de “Festim Diabólico” e “Sob o signo de Capricórnio”. Embora pouco lembrado, este ator foi também boxeador, marido de Jessica Tandy, apareceu na lista negra durante a histeria comunista e teve um asteroide batizado com seu nome. 

Friday, June 1, 2012

Aves sem ninho / Sparrows (1926)

Sim, cinéfilos, Mary Pickford está na moda! Depois de uma boa surpresa na temporada de premiações com a consagração de “O Artista”, em que Jean Dujardin interpreta um alter-ego de Douglas Fairbanks, marido de Pickford, foi a vez de um frenesi tomar conta devido à necessidade de preservação e patrocínio do Mary Pickford Institute. Infelizmente, nem a mobilização generalizada dos fãs impediu que os estúdios dessa pequena notável fossem demolidos, mas este triste fato serviu para unir os admiradores da mocinha que inventou Hollywood e atrair a atenção para essa importante personalidade, que em breve ganhará uma cinebiografia.

Yes, cinephiles, Mary Pickford is in vogue! After a good surprise during awards season with a plethora of prizes going to “The Artist”, in which Juan Dujardin plays a Douglas Fairbanks (Mary's husband) alter-ego; what followed was a frenzy to preserve and support the Mary Pickford Institute. Unfortunately, the fans getting together wasn't enough and the building where Mary's studio was located was demolished. But this sad fact helped to unite Mary's admirers, and to attract attention for her important contribution to the film world.

Quando “Aves sem Ninho” foi feito, Mary tinha uma sólida carreira de mais de 15 anos no cinema e 34 anos de idade. Mesmo assim, ela interpreta uma garota bem mais nova, mas que tem de amadurecer para cuidar das crianças que chegam a uma fazenda, onde são submetidas a trabalhos forçados. O dono do local, o malvado e manco Sr. Grimes (Gustave Von Seyffertitz), além de explorar a mão-de-obra infantil, vez ou outra ameaça jogar uma criança para que afunde no pântano. O que vai mudar tudo é o arriscado negócio que ele fez: combinar o sequestro de uma criança, a filha do rico Dennis Wayne (Roy Stewart), que fica sob os cuidados de Molly, que, assim como outras personagens de Mary, é sofredora, porém decidida e corajosa. Ela não hesita em enfrentar Ambrose (‘Spec’ O’Donnell), o mimado e glutão filho dos “patrões”.

When “Sparrows” was made, Mary was 34 years old and had a solid career in film, that had been going for over 15 years. However, she was a playing a much younger girl who has to become mature to take care of the children who arrive in a hard labor farm. The owner of the place, the evil and limping Mr Grimes (Gustav Von Seyffertitiz), besides exploiting child labor, sometimes threatens to trow a child in the swamp. What will change everything is a risky business Mr Grimes has made: he set up the kidnapping of the heir of wealthy Dennis Wayne (Roy Stewart). The kidnapped little girl is overseen by Molly (Pickford), a suffering, but courageous character. She doesn't think twice to fight Ambrose ('Spec' O'Donnell), the fat and spoiled boss' son.


Como não podia deixar de ser, mais este filme mudo está cheio de belas imagens, começando pelos grandes e expressivos olhos de Mary. Uma das mais belas, em minha opinião, é quando todas as crianças colocam suas mãos nos vãos da madeira do celeiro para acenar, dizendo adeus ao recém-vendido Splutters. Mas, sem dúvida, a mais pungente é a da morte de um bebê, quando Jesus aparece para buscá-lo dos braços de Molly. É impossível não fazer uma ligação com uma cena de mesmo conteúdo feita por Lillian Gish em 1920 no filme “Inocente Pecadora”. Certamente o evento em si é mais bonito no filme de Mary, mas não há dúvida que Lillian é mais tristemente convincente quando se trata de crianças moribundas.

This silent film has a lot of beautiful images, like many other do, starting with Mary's big and expressive eyes.In my opinion, one of the more beautiful images involves all the children with their hands in the porthole of the barn, saying goodbye to Splutters, who has been sold. But, without a doubt, the most harrowing of them all involves the death of a baby, and in this scene Jesus appears to take the child from Molly's arms. We have to make here a connection with a similar scene starred by Lillian Gish in “Way Down East” (1920). Certainly the scene is more beautifully shot in Mary's movie, but there is no doubt that Lillian is more saddening and convincing around dying children.

A religião é parte importante do enredo, pois o tempo todo Molly e as crianças rezam para que sua situação melhore. Vários trechos da Bíblia são citados e até o próprio título tem explicação religiosa: Deus vigia toda ave que cai do ninho.

Religion is an important part of the plot, because all the time Molly and the children pray for their situation to get better Several parts of the Bible are cited and even the title itself has a religious explanation: God watches every single sparrow that falls from the nest.
Os intertítulos, que em minha opinião até facilitam que um espectador estrangeiro veja os filmes mudos americanos, contém várias expressões e palavras diferentes do que conhecemos e estudamos quando estamos aprendendo inglês. Como uma língua viva, o inglês está sempre se modificando, e isso fica claro quando lemos na tela “pertaters” ao invés de “potatoes”, “yer” no lugar de “you” ou “your”, “git” onde deveria estar “get”, entre outros. Há menos intertítulos na segunda metade da película, para dar lugar à ação. Logo após o clímax da fuga no pântano, há uma caçada envolvendo barcos e uma longa conversa, que parecem desnecessários e apenas desaceleram o filme, baixando quaisquer níveis de adrenalina que restavam no espectador. 

The intertitles are something that, in my opinion, make it easier for foreigners to watch an American silent movie. But this one has intertitles with several expressions and words we don’t learn when we learn to speak English. As a living language, English is in constant evolution, and it can be observed when we read “pertaters” instead of “potatoes”, “yer” instead of “you”, “git” instead of “get”, and so on. There are fewer intertitles in the second half of the movie, because there is more action. Right after the climatic escape from the swamp, there is a hunt involving boats and a long conversation, two kind of unnecessary things that only slow down the movie and the adrenaline levels.   


William Beaudine, diretor de filmes B (a exemplo de “Jesse James encontra a filha de Frankenstein” e “Billy the Kid contra Drácula”) que vez ou outra aparecia creditado como William X. Crowley, nem pôde aproveitar o sucesso do filme, pois brigou com Mary Pickford no set, abandonando a filmagem e deixando seu assistente Tom MacNamara completá-la. Mary e William, que tinham a mesma idade, nunca mais trabalharam juntos. Outra história dos bastidores tem a ver com os crocodilos, uma vez que há controvérsias em relação ao uso de animais vivos no set. Mary dizia que os animais eram verdadeiros, e ela discutiu com o diretor por este insistir que ela fizesse a cena carregando um bebê de verdade e não um boneco. No entanto, o fotógrafo envolvido na gravação afirma que não foi usado nenhum crocodilo verdadeiro, o que fica evidente quando vemos o filme com bastante atenção. Mesmo assim, a realidade da cena impressiona.

William Beaudine, B-movie director (he was behind such films as “Jesse James meets Frankenstein’s Daughter” and “Billy the Kid versus Dracula”) was sometimes credited as William X. Crowley. He couldn’t even enjoy the success of this movie, because of a big fight with Mary Pickford at the set. After the fight, William left the movie and his assistant Tom McNamara finished it. Mary and William, who had the same age, never worked together again. Another backstage story involves crocodiles, and there are controversies about using live animals in the set. Mary said that there were real animals, and she argued with Beaudine when he insisted that she shot a scene carrying a real baby among the animals, and not a doll. However, the film photographer says that no real crocodiles were used, and it becomes evident when we watch closely. No matter what, the scene still looks very convincing. 


O fato de haver crianças neste filme torna-o mais dramático e até mesmo chama mais a atenção das novas plateias. Claro que uma das crianças atrasa vez ou outra a fuga do pântano. Sem dúvida o destaque infantil é a fofa Mary Louise Miller, a garotinha sequestrada. Pickford, na época casada com Fairbanks e sem filhos, mostrou interesse em adotar a pequena, o que os pais da atriz mirim de apenas dois anos recusaram. Em seu terceiro casamento, com Charles ‘Buddy’ Rogers, Mary Pickford acabaria adotando um casal de filhos.

The fact that the film is focused on children makes it more dramatic and can even attract a young audience. Without a doubt the outstanding child actress in the cast is cutie Mary Louise Miller, the little girl who is kidnapped. Pickford, at the time married to Fairbanks and childless, showed interest in adopting the two-year-old girl, but her parents refused the offer. During her third marriage, with Charles ‘Buddy’ Rogers, Mary adopted a boy and a girl.  

Duas Marys
Depois que completou trinta anos, Mary Pickford decidiu abandonar o estilo “menininha”, o que desagradou os fãs. Por isso ela voltou à velha persona cinematográfica para este filme de despedida, considerado um dos melhores de sua carreira e que sobreviveu muito bem ao tempo. Depois de “Sparrows”, Mary faria mais um filme mudo e conquistaria o Oscar com seu primeiro filme falado, “Coquette”, de 1929. Ela se aposentou aos 41 anos e viveu em sua mansão Pickfair até a morte, em 1979.

Since turning 30, Mary Pickford abandoned the “little girl” style, and fans weren’t happy. That’s why she returned to her old film persona to this final performance, considered one of the best of her career, and also one that stood the test of time. After “Sparrows”, Mary would do only one more silent and win the Oscar for her first talkie, “Coquette”, from 1929. Mary retired at 41 and lived at Pickfair until dying in 1979.

This post is part of the Mary Pickford Bogathon, hosted by KC at Classic Movies. Check out this cool banner and the whole event:

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