} Crítica Retrô

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Wednesday, October 31, 2012

Val Lewton: diretor de uma só cena

Quem leva para casa a estatueta dada ao vencedor do Oscar de Melhor Filme é o produtor da película. Apesar de ficar com o prêmio mais importante da Academia, poucos produtores são reconhecidos ou ficam famosos. São eles que investem em um filme que ninguém sabe se será um sucesso e acabam esquecidos pelo público! Um dos mais lembrados produtores é David O. Selznick, responsável por grandes feitos da sétima arte, como “Nasce uma Estrela / A Star is Born” (1937), “E o Vento Levou... / Gone with the Wind” (1939) e a contratação de Alfred Hitchcock por um estúdio de Hollywood.
Outro nome que deveria ser lembrado é Val Lewton, produtor de diversos filmes de terror na década de 1940 feitos com baixo orçamento, mas que hoje são considerados obras-primas. Assim como Selznick, Lewton trabalhou em outras funções antes de produzir filmes. Como diretor foi responsável por apenas uma sequência de um único filme. Mas que sequência!
“A Queda da Bastilha / A Tale of Two Cities” é um filme de 1935 baseado em um livro de Charles Dickens. Conta a história do bondoso e íntegro advogado Sydney Carton (Ronald Colman) que se vê em meio à Revolução Francesa enquanto sofre com uma paixão proibida.
Sem dúvida a parte mais importante é o início a Revolução, que se dá justamente pela tomada da prisão da Bastilha em 14 de julho de 1789. Essa sequência é de uma complexidade incrível, capaz de deixar qualquer espectador boquiaberto. Foi exatamente esta a experiência desafiadora de Val Lewton atrás das câmeras. 
Depois de quase uma hora de projeção, tem início a Revolução Francesa e uma das mais espetaculares e didáticas sequências do cinema. Como numa produção épica a exemplo de “Intolerância” (1916) e “Ben-Hur” (1925), a multidão toma conta de cenários grandiosos e temos a impressão de estarmos realmente vivendo aquele momento.
Não pensem que essa foi a única experiência de Lewton em proporções grandiosas. Contratado por David Selznick durante as filmagens de “E o vento Levou...”, ele ajudou na sequência da tomada de Atlanta e depois, para fazer piada, inventou uma cena cara que incluía uma tomada aérea com centenas de soldados feridos no chão. Não precisa nem dizer que Selznick levou a ideia a sério.
Lewton não esteve sozinho nas filmagens da sequência revolucionária. O outro responsável por essa cena era Jacques Tourneur, francês que mais tarde seria o diretor do noir “Fuga do Passado / Out of the Past” (1947), além de vários filmes de terror produzidos pelo próprio Lewton que, a partir de 1942 passou a fazer parte da sessão de horror da RKO, produzindo uma série de excelentes filmes B.
Sua primeira empreitada foi “Sangue de Pantera / Cat People” (1942). Lewton, aliás, tinha pavor de gatos e teve a ideia para a sequência desse filme, “Maldição do Sangue de Pantera / The Curse of the Cat People” (1944) quando nadava e viu alguns gatos na beira do rio, entrou em pânico e quase se afogou.
Lidando com o baixo orçamento da RKO, seu primeiro filme usou aquilo que ele faria com frequência: o terror psicológico e o poder de sugestão para assustar. Porque não são múmias ressuscitadas ou criaturas do outro mundo que nos dão arrepios, mas sim barulhos e sombras na escuridão. Resultado: “Sangue de Pantera” foi o maior sucesso da RKO no ano. Sendo responsável também pelo roteiro, reescrevendo-o sempre de madrugada, Lewton seguiu com uma série de sucessos, em que se destacam “A Morta-Viva / I Walked with a Zombie” (1943), “A Sétima Vítima” (1944) e “O Túmulo Vazio / The Body Snatcher” (1945).
Este russo, sobrinho de Alla Nazimova, faleceu aos 46 anos, em 1951, deixando contudo uma série de filmes de terror memoráveis e perfeitos para o Halloween. Um ano após sua morte, ele e seu ex-patrão Selznick serviram de inspiração para o personagem de Kirk Douglas em “Assim estava escrito / The Bad and the Beautiful”, pois o personagem está prestes a produzir o filme “Doom of the Cat Men”, usando cenas sugestivas ao invés de mostrar o horror: algo que todos os cineastas do gênero deveriam aprender com Val Lewton.

This is my contribution to the Val Lewton Blogathon, hosted by Kristina at Speakeasy and Stephen at Classic Movie Man. Happy Halloween! 

Thursday, October 25, 2012

Made in Sweden: Suecas no Cinema

A Suécia produziu um dos mais cultuados diretores de cinema: Ingmar Bergman, sempre pronto para atiçar nossas mentes com filmes sobre enigmas filosóficos e existenciais. Graças a ele vários atores e atrizes suecos são nossos conhecidos e até mesmo ganharam o mundo. Claro que outros suecos também fizeram fama internacional sem precisar de ajuda de Bergman, mas sem dúvida são suas musas as que melhor representam este país gelado.

Bibi Andersson (1935): Depois de um relacionamento com Ingmar Bergman que durou quatro anos, Bibi ainda trabalhou com ele em 10 filmes. Sua interpretação da enfermeira em “Persona” (1966) rendeu-lhe muitos elogios e convites para outros trabalhos, inclusive com os diretores John Huston e Robert Altman. Em 1990 foi diretora de teatro, passando o resto da década trabalhando nos palcos, na televisão e escrevendo sua autobiografia, publicada em 1996.
Cena do filme "Para não falar de todas essas mulheres" (1964)

Harriet Andersson (1932): Descoberta por Bergman aos 20 anos, inspirou-o a escrever o roterio de “Mônica e o Desejo” (1953). Uma de suas melhores interpretações é a da protagonista doente de “Através de um Espelho” (1961). Internacionalmente, participou de “Deadly Affairs” (1966), de Sidney Lumet, e “Dogville” (2003).

Ingrid Thulin (1926 – 2004): A estudante de balé passou para os palcos e mais tarde para as telas. Seus 10 filmes com Bergman levaram-na mais longe, trabalhando também com Luchino Visconti e mudando-se para a Itália na década de 1960. Falava francês, italiano e inglês fluentemente, embora na refilmagem de 1962 de “Os quatro cavaleiros do apocalipse” sua voz tenha sido dublada por Angela Lansbury.

P.S.: Uma das mais belas musas de Bergman e presente em 10 de seus filmes, Liv Ullman, não é sueca. Sua família é norueguesa e ela nasceu no Japão (!).

Estrelas Suecas Internacionais:

Anna Q. Nilsson (1888 – 1974): Ao se formar com as melhores notas da turma, Anna foi contratada como vendedora em uma loja, o que já ajudaria sua família, mas o emprego era pouco para ela. Na América foi enfermeira, modelo e estrela do cinema mudo. Fez apenas um filme na Suécia e pequenas participações em filmes falados, notadamente como uma das “figuras de cera” que jogam cartas com Norma Desmond em “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” (1951).


Greta Garbo (1905 – 1990): Com um rosto perfeito fabricado em Hollywood, foi com certeza a única atriz que permaneceu com o mesmo prestígio depois da transição do cinema mudo para o falado. Femme-fatale, andrógina, frígida ou mesmo uma bolchevique alegre, Greta brilhou por 15 anos nas telas americanas. 

Ingrid Bergman (1915 – 1982): Ela não era parente de Bergman, embora uma das esposas do diretor fosse sua xará. Ingrid alcançou estrelato internacional no início da década de 1940, transitou por dramas e comédias, aprendeu a falar inglês e italiano e procurou sua felicidade sem se importar com a opinião alheia. Ganhou três Oscars, dois de Melhor Atriz por “À Meia-Luz / Gaslight” (1944) e “Anastacia” (1956) e um de Atriz Coadjuvante por “Assassinato no Expresso do Oriente” (1973).

Anita Ekberg (1931-2015): Antes de entrar na Fontana di Trevi com roupa e tudo, Anita foi Miss Suécia em 1950 e conseguiu um contrato como modelo nos Estados Unidos que a levou a outro contrato, desta vez com Howard Hughes. Depois de um começo morno na década de 1950 que incluiu a comédia “Artistas e Modelos” (1955), Anita firmou uma carreira no cinema americano com algumas passagens pela Itália, mesmo nunca tendo trabalhado na Suécia. 

Max von Sydow (1929): Depois de uma parceria inesquecível com Bergman que  rendeu treze filmes, Max alçou voos internacionais e interpretou papéis inesquecíveis, como Jesus em  “A maior  história de todos os tempos / The Greatest Story Ever Told” (1965), o padre de “O Exorcista / The Exorcist” (1973) e na sequência de 1977, participando também de “Conan, o Bárbaro” (1982), “Hannah e suas irmãs” (1986) e “Tão forte e tão perto” (2011), que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar.

Ann-Margret (1941): Nascida em Estocolmo, mudou-se para os Estados Unidos aos cinco anos, tornando-se cidadã americana aos oito. Depois de uma breve carreira musical, participou de filmes de sucesso com “Bye, Bye Birdie” (1963) e “Amor a toda velocidade / Viva Las Vegas” (1964) e contracenou com astros como Elvis Presley, Alain Delon, Jack Lemmon, Walter Matthau e Anthony Hopkins.  

Britt Ekland (1942): Vivendo longo tempo na Inglaterra, Britt foi a Bond Girl do filme “007 - O Homem da Pistola Dourada / The Man with the Golden Gun” (1974). Ela também foi casada com Peter Sellers, tendo com ele uma filha e sendo interpretada por Charlize Theron na cinebiografia do ator. Também gravou um disco que ficou entre os mais vendidos na Suécia.  

Isso não é tudo, pessoal!

Antes de terminar, tenho duas tarefas a cumprir: falar sete coisas sobre mim e escolher alguns blogs para receber o selho Versatile Blogger, que me foi dado por meu bom amigo Gilberto do blog Gilberto Cinema. Apesar de não ser muito boa em falar sobre mim mesma, cumpro a tarefa:

1- Além de filmes antigos, gosto muito também de séries e desenhos antigos, feitos nas décadas de 60 e 70. Um extra: vou começar a falar sobre isso no blog em breve!
2-  Meus dois autores brasileiros favoritos são Machado de Assis e José de Alencar.
3-  Adoro coleções. Colecionava gibis e bichos de pelúcia, mas há tempos não compro novos itens.
4- Sou filha única, moro com minha mãe e meus avós. Vejo todo tipo de filme clássico com minha avó e em especial westerns com meu avô.
5- Embora eu faça faculdade de História, algo que eu sempre quis, não estou muito certa do que fazer depois que acabar o curso.
6- Durante o Ensino Médio, duas de minhas matérias favoritas eram Química e Literatura.
7- Enquanto muitas garotas sonham com cabelos lisos, eu passo horas com bobes para que meu cabelo fique cacheado.  


Os premiados:



Friday, October 19, 2012

Uma carta para Giulietta

Dear readers, before you start, please note that Google translator is a little dumb, so it refers to Giulietta almost always as a male. Please change in your heads the male possessive pronouns to female ones and, if any doubt still persists, feeel free to ask me. 

Querida Giulietta Masina (ou Giulia Anna Masina, seu nome de batismo),



Acredito que você vá ficar feliz ao receber minha carta, que mostra como você foi e ainda é importante para muitas pessoas. Não deixou filhos, mas todos que tomam contato com as obra-primas “A Estrada da Vida / La Strada” (1954) e “Noites de Cabíria” (1957) se impressionam e se apaixonam por você. Por seu sorriso, por sua simplicidade e, acima de tudo, por seu talento.
Poucas pessoas conhecem você, e isso me entristece. Quantas vezes eu já me enfureci por ver seu nome ser escrito ou pronunciado errado! Mesmo encontrar dados sobre sua vida é difícil, e quer coisa mais frustrante para um fã? Creio que na Itália as novas geraçoes também não te conheçam muito, o que é uma pena, ainda mais porque você foi uma grande sortuda em seu trabalho. Invejo-a por ter a oportunidade de contracenar com Katharine Hepburn em “A Louca de Chaillot / The Madwoman of Chaillot” (1969). E que dizer da sua parceria com Marcello Mastroianni em “Ginger e Fred” (1985)? Mesmo já tendo ambos passado dos 60 anos, como vocês dançaram!
Clique aqui para ler o que Giulietta disse sobre trabalhar com Katharine
E por falar em dança e música, como não me lembrar de Nino Rota, que deu mais vida a seus filmes com músicas espetaculares? Sabendo que a trilha sonora de “A Estrada da Vida” era sua favorita e foi tocada em seu funeral, não pude deixar de emocionar ainda mais.  E outra música bela e emocionante foi composta em sua homenagem por um cantor brasileiro, Caetano Veloso:
Com certeza, Giulietta, muitos conhecem o seu Romeu, o diretor Federico Fellini. Mas o que a maioria não sabe é como você foi importante para ele. Existiria Giulietta sem Fellini, mas nunca o Fellini que conhecemos sem sua Giulietta. Você costumava ficar quieta enquanto ele criava seus filmes mirabolantes, mas sempre chegava um momento em que ele pedia sua opinião. Gosto de imaginar o que em cada filme de Fellini foi sugerido por você. Gosto ainda mais de pensar em vocês dois no apartamento do casal, nas viagens, nas reuniões com amigos, sempre uma dupla de respeito que, além de ter muito talento, se amava muito. Um amor tão forte e tão comovente que ele a deixou um dia depois de suas Bodas de Ouro, e você conseguiu esperar só cinco meses para se juntar a ele. Você dizia que sofria de “crepacuore”: “coração partido”.
Claro que eu não concordo com todos os passos que você deu durante seus 73 anos de vida. Eu nunca imaginaria largar uma carreira de atriz para ser mãe e dona-de-casa. Assim que você se casou com Fellini você fez isso. Infelizmente um aborto e a morte de um filho com um mês de vida trouxeram muita tristeza para a vida conjugal, mas devolveram você aos palcos e depois a introduziram às telas. O que seria de Cabíria e Gelsomina se elas fossem interpretadas por outras atrizes?
Também discordo com o fato de você não querer fazer filmes longe de sua casa e de seu marido. Sei que você cresceu durante o regime fascista de Mussolini, foi uma época difícil, e também que várias ideias conservadoras ficaram enraizadas em seu pensamento. Talvez eu seja liberal ou ambiciosa demais para prender-me a um marido e perder uma oportunidade de emprego. Pensando mais um pouco, não sei se Hollywood seria o lugar ideal para seu talento. Talvez você ficasse estereotipada como Gelsomina, a Chaplin de saias. Aliás, não sei se Charlie teve a oportunidade de conversar com você aí no céu, mas você era a atriz favorita dele. Que honra, não?  
Não escrevo só para reclamar, de maneira nenhuma. Escrevo para dizer o quanto você me inspira. A ser uma pessoa melhor. Encontro vários documentários sobre você em italiano e francês e foi essa sede de informação que me fez começar a aprender italiano sozinha e, no futuro, também francês. Suas roupas também me inspiram. Você usava roupas adoráveis e, com seu sorriso constante, sua baixa estatura e seus cabelos ruivos, era uma verdadeira boneca!   
Realmente não encontro mais palavras para esta carta. Você foi um daqueles nomes do cinema clássico que entrou na minha vida e me deixou obcecada. Você se tornou uma das minhas atrizes favoritas, motivo constante de buscas na Internet, nas redes sociais, e cada vez que eu me deparo com alguém que sabe quem você é eu abro um sorriso. Porque isso significa que sua genialidade não será perdida com o tempo.   
Um baccio, Giulietta! 

This is my blog contribution to the A Letter to the Stars Blogathon, hosted by Marcela, Rianna and Natalie at Best of the Past; Frankly, My Dear and In the Mood. Good reading!

Sunday, October 14, 2012

Aos mestres, com carinho


Além do Dia dos professores, comemorado neste quinze de outubro, os mestres têm outro dia este mês para comemorar, embora a maioria não saiba disso: o Dia Mundial do Professor, 5 de outubro. Como uma imagem vale mais que mil palavras, ao invés de escrever longamente deixo um vídeo e uma galeria com 16 professores notáveis da sétima arte e mais alguns que aparecem no vídeo que abre esta postagem. 

  • O Professor de “Inocente Pecadora / Way Down East” (1920), que estudava borboletas.
  • Emil Janings em “O Anjo Azul” (1931)
  • Cary Grant em “Levada da Breca / Bringing up Baby” (1938)
  •  Robert Donat em “Adeus, Mr Chips / Goodbye Mr Chips” (1939)
Peter O'Toole também interpretou Mr. Chips em 1969
  •  Marie (Greer Garson) e Pierre Curie (Walter Pidgeon) em “Madame Curie” (1943)
  • William Holden em “Nascida Ontem / Born Yesterday” (1951)
  • Glenn Ford em “Sementes da Violência / Blackboard Jungle” (1956)
  • Deborah Kerr em “O Rei e Eu / The King and I” (1956)
  • Anne Bancroft em “O Milagre de Anne Sullivan / The Miracle Worker” (1962)
  • Jerry Lewis no original “O Professor Aloprado / The Nutty Professor” (1963)

  • Rex Harrison em “My Fair Lady” (1964)
  • Sidney Poitier no inesquecível “Ao mestre, com carinho / To sir, with love”(1968)
  • Indiana Jones (Harrison Ford) na série homônima
  • William Hurt em “Filhos do Silêncio / Children of a Lesser God” (1986)

  • Edward James Olmos em “O Preço do Desafio / Stand and Deliver” (1987)
  • Robin Williams em “Sociedade dos Poetas Mortos / Dead Poets Society” (1989) 
E vocês, leitores, quem gostariam de ter como mestres nessa notável galeria? 

Monday, October 8, 2012

Jack Lemmon: fatos rápidos

Ele nasceu no elevador de um hospital em Massachussets, em 1925, e faleceu em 2001, vítima de câncer de cólon e câncer metástico de bexiga.

He was born in the elevator of a hospital in Massachussets in 1925 and died in 2001, due to colon cancer and methastic bladder cancer. 
Aos oito anos já sabia que queria ser ator e, durante a faculdade em Harvard, participou de diversos clubes de teatro. Depois de formado, serviu na Marinha.

When he was eight he already wanted to be an actor. During college in Harvard, he was part of several theater clubs. He was even president of the Harvard Hasty Pudding Club! After graduation, he served in the Marine. 
Em 1954 fez sua estreia oficial no cinema ao lado de Judy Holliday na comédia “Demônio de Mulher”. Antes disso, ele havia sido um extra em “Até Parece Mentira”, de 1949.

In 1949 he made his official film debut alongside Judy Holliday in the comedy “It Should Happen to You”. Before that, he was an extra in “The Lady Takes a Sailor”, from 1949.
Trabalhou como o diretor Billy Wilder em sete filmes. Wilder dizia que ele era como um “presunto fino, que apenas precisava ter a fina camada de gordura retirada”, referindo-se à necessidade de burilar o talento de Jack, que tendia a exagerar em algumas atuações.

He worked with director Billy Wilder in seven films. Wilder said that Lemmon was like “fine ham, only needing a little of his fat chopped off”. In this quote Wilder is mentioned Jack’s tendency of overacting, so he had to control and downplay every now and then.
Fez quatro filmes com Blake Edwards, dois com Tony Curtis e onze com seu amigo Walter Matthau. O único filme dirigido por Lemmon, Kotch (1971), rendeu a Matthau uma indicação ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante.

He made four films with Blake Edwards, two with Tony Curtis and eleven with his good friend Walter Matthau. The only film ever directed by Jack Lemmon, Kotch (1971), gave Matthau a Supporting Actor nomination at the Oscars.
Sua produtora JML esteve por trás de “Rebeldia Indomável” (1967). Como prova de sua gratidão pelo apoio, Paul Newman, o astro do filme, convidou Lemmon para interpretar Sundance Kid em “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969), mas o ator recusou pois não gostava de andar a cavalo e também acreditava que vários de seus personagens anteriores tinham traços de Sundance.

His producer JML was behind “Cool Hand Luke” (1967). To thank him for the support, Paul Newman asked if Jack wanted to play Sundance Kid in “Buth Cassidy and the Sundance Kid” (1969). Lemmon refused the offer because he didn’t like to ride horses and also because he thought several of his former characters were similar to the Sundance Kid.
Ele chegou a gravar um disco enquanto filmava “Quanto mais quente melhor / Some like it hot” (1959).

He recorded an album while filming “Some Like It Hot” (1959)

Ele aprendeu a tocar piano sozinho, e também era capaz de tocar órgão, gaita e contrabaixo. 

He taught himself to play the piano and was also able to play the organ, the harmonica and the double-bass.
Ganhou um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1956 por “Mister Roberts” e outro de Melhor Ator em 1974 por “Sonhos do Passado”, sendo o primeiro a conseguir este feito. Também é um dos três felizardos a ganhar duas vezes o prêmio de Melhor Ator em Cannes (os outros dois são Marcello Mastroianni e Dean Stockwell).

He won the Best Supporting actor Oscar in 1956 for “Mister Roberts” and the Best Actor one in 1974 for “Save the Tiger”, being the first actor to do so (Kevin Spacey did the same in 1996 and 2000, and thanked Lemmon in his later speech). He is also one of the three men who won the Best Actor award at Cannes twice (the other two are Marcello Mastroianni and Dean Stockwell).

Foi casado duas vezes e teve um casal de filhos, um de cada casamento.

He was married twice and had two children: Chris, from hsi first wife, and Courtney, from his second wife, actress Felicia Farr.
Em 1998 foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator num filme feito para a TV e perdeu para Ving Rhames. Durante seu discurso, Rhames chamou-o ao palco e lhe deu o prêmio.

In 1998 he was nominated for a Best Actor in a TV-Movie Golden Globe and lost to Ving Rhames. During his speech, Rhames asked Lemmon to go on the stage and handled him the award.

Wednesday, October 3, 2012

Há coisas que merecem ser divulgadas


Há coisas que merecem ser divulgadas, e não são apenas meus livros.
Vez ou outra, vocês leitores devem perceber que eu participo de “blogathons”, blogagens coletivas internacionais. São eventos virtuais em que vários blogueiros se comprometem a escrever sobre um mesmo tema em uma determinada data, cada um ficando responsável por uma variação ou abordagem.
Toda vez que eu vejo que haverá uma nova blogagem coletiva eu me animo, e isso aconteceu de novo recentemente. Mas foi diferente, porque eu fiquei muito mais animada com a ideia brilhante que deu origem a “A Letter to the Stars Blogathon”: nós, fãs de cinema clássico, temos a triste desvantagem de idolatrar pessoas mortas. Por isso não podemos em sã consciência escrever e enviar cartas para os atores e atrizes que admiramos. Mas teremos três dias para fazer isso!
Nos dias 21, 22 e 23 de outubro três ótimas blogueiras (Marcela, Rianna e Natalie) serão as anfitriãs desta “blogathon”! Basta escolher uma estrela morta, escrever uma carta e mandar o link por e-mail. E vale tudo: post no blog, no Tumblr e em algumas “blogathons” eu já vi até posts em vídeo!
Eu vou participar e gostaria muito de ver meus outros amigos blogueiros participando também, pois com certeza será muito divertido e interessante, além de ser uma forma de conhecermos uns aos outros mais profundamente, afinal, é uma carta para escrever com emoção! Se você quiser participar, não perca tempo e vá até um dos blogs das meninas dizer qual será seu destinatário!


Marcela (Best of the Past): http://best-ofthepast.blogspot.com.br/
Rianna (Frankly, my dear): http://franklymydear-blog.blogspot.com/
Natalie (On the Mood): http://theswingmood.blogspot.com/

P.S.: Como Natalie e Rianna, além de outros participantes, entendem inglês, eu sugiro que você disponibilize um tradutor em seu blog ou mesmo escreva sua carta em inglês.
Fica a dica!                                                                
Lê    

Thursday, September 27, 2012

Paramount: os anos silenciosos


100 anos! E parece que foi ontem que Adolph Zukor fundou a Famous Players, companhia que se destinava a levar para as telas do cinema peças de teatro. Quatro anos mais tarde ela se juntaria a outra companhia formando a Famous Players-Lasky Corporation. O nome era muito bizarro, por isso em 1930 seus administradores decidiram adotar o nome de uma pequena distribuidora que havia sido absorvida por eles: Paramount, nome que passou a figurar em todos os filmes a partir de 1935. Mas o que aconteceu antes de a Paramount ser Paramount?  
Norma narrando sua época de estrela do cinema mudo para uma plateia atenta
O primeiro filme a ser distribuído pela companhia foi o francês “Les amours de lareine Élisabeth”, estrelado pela lendária atriz de teatro Sarah Bernhardt. A transformação de peças de teatro em filmes atraiu um novo segmento para os cinemas. Os mais ricos até então desprezavam a nova arte, considerada por eles uma forma de diversão barata (lembre-se dos nickelodeons, onde as entradas custavam apenas cinco centavos) para as camadas inferiores. Na época muitas pessoas, incluindo alguns artistas, acreditavam que o cinema era uma moda passageira.  
Quem estava lá logo no início era Cecil B. De Mille, que dirigiu, junto com Oscar Apfel, “The Squaw Man”, em 1914. De Mille lançou a moda dos remakes ao dirigir novamente o filme em 1918 e 1931, obtendo sempre sucesso. A versão de 1914 foi a primeira filmada em Hollywood. De Mille alugou um pedaço de terra na futura Meca do cinema por 75 dólares para filmar um ataque de índios e assim começou uma longa história.  De Mille e Apfel dirigiram uma série de filmes para a Famous Players, sendo que De Mille não era creditado, pois ainda estava aprendendo o ofício com Apfel. E, quando se tornou diretor exclusivo de seus filmes, fez história, por exemplo, com o primeiro filme baseado em um livro homônimo, “The Virginian” (1914).
Outro nome importante presente nos primeiros anos da Paramount foi Mary Pickford. Na nascente companhia ela fez alguns de seus filmes que são famosos até hoje, como “Cinderella” (1914) e “Madame Butterfly” (1915). Claro que não foram só sucessos. Seguindo a ideia de peças transformadas em filmes, Adolph Zukor filmou “A Good Little Devil”, peça da Broadway em que Mary trabalhava, exatamente como se fosse um teatro em 1913. Mary mais tarde se referiria ao trabalho como “um dos piores filmes que eu já fiz... foi mortal”. Foram 17 filmes em dois anos, dos quais 15 chegaram praticamente intactos à nossa era.
A ideia da Broadway para o cinema continuou com força total, e em 1916 foi feita uma versão de “Oliver Twist” (a quinta da era muda), apresentando Marie Doro no papel principal, que ela já fazia com grande sucesso na Broadway. Da obra de Charles Dickens para a dos irmãos Grimm: no mesmo ano virava filme “Branca de Neve”, versão esta que serviu de inspiração para o desenho de Walt Disney.
Grandes nomes marcaram presença na década de 20, como Gloria Swanson e John Barrymore, além do mágico Harry Houdini. Aliás, esta década, que eu considero como a maturidade do cinema mudo, foi de muitos sucessos na Paramount, incluindo até uma versão de Peter Pan em 1924. De Mille usou todo seu talento para levar às telas “Os Dez Mandamentos” em 1923. “O Grande Gatsby” foi adaptado para o cinema pela primeira vez em 1926, mas infelizmente esta versão hoje está perdida. William Powell estava neste filme, e esteve também na primeira produção falada da Paramount: “Interference”, de 1928. E novamente Bill estaria num filme importante, que marca o fim de uma era na então Famous Players-Lasky: “The Four Feathers”, o último filme mudo da companhia. A época silenciosa da Paramount acabou não sem antes render uma honra ao estúdio: o primeiro Oscar de Melhor Filme para “Asas”. Muito sucesso havia sido alcançado em menos de vinte anos e, embora esta frase tenha sido cunhada na Warner Bros., ela também se aplica a este glorioso estúdio: vocês ainda não ouviram nada!    

This entry is part of the Paramount Centennial Blogathon, hosted by Angela at The Hollywood Revue. After this introduction to silent years, go learn more about Paramount!

Friday, September 21, 2012

Roubando a cena: Walter Brennan e Mercedes McCambridge

Alguns personagens realmente chamam toda a atenção para si quando aparecem na tela. O caso mais memorável para mim é de Madame De Farge em “A Queda da Bastilha / A Tale of Two Cities” (1935) que, histericamente, pede que todos os réus sejam condenados à guilhotina. Quem a interpreta é a desconhecida atriz Blanche Yurka, mas vez ou outra surgem intérpretes igualmente inesquecíveis. Quem não se lembra do sempe divertido Edward Everett Horton? Ou da talentosa coadjuvante Thelma Ritter? Ou desses dois atores que são o assunto do post?
Walter Brennan foi ganhador de três Oscars de Melhor Ator Coadjuvante, incluindo na primeira cerimônia em que esse prêmio foi apresentado, em 1936. Um de seus papéis mais marcantes é Eddie em “Uma Aventura na Martinica / To Have and Have Not” (1944). Eddie bebe muito e tem um andar peculiar, que Brennan obteve colocando uma pedra em um de seus sapatos. Companheiro de Humphrey Bogart, mas de maneira mais cativante que o pianista Sam de Casablanca, ele tem direito até a uma divertida frase de efeito: “Você já foi picado por uma abelha morta?” (Was you ever bit by a dead bee?)
Seus personagens são normalmente tipos peculiares e mais velhos que o ator. Um acidente, em condições que eu desconheço, deixou-o quase sem dentes e criou marcas em seu rosto. Sua voz ficou rouca após combater na Primeira Guerra Mundial, quando o ator ficou exposto a diversas substâncias tóxicas. Ao voltar da guerra, mais uma tragédia: Walter perdeu quase todo seu dinheiro no início da década de 1920, quando se envolveu com a especulação financeira. Foi neste momento que ele começou a participar de filmes como extra, roubando a cena sempre que lhe era permitido.
Mercedes McCambridge ganhou apenas um Oscar, e no seu filme de estreia, “A Grande Ilusão / All the King's Men” (1949). E continuou com grandes atuações ao longo da carreira. Mercedes é uma de minhas atrizes coadjuvantes favoritas e só de ver seu nome na tela eu já me alegro porque, sem dúvida, verei uma grande atuação.
Em “Johnny Guitar”(1954), ela ganha destaque como Emma, a antagonista invejosa e mal-amada. Este é meu western favorito, e com certeza Mercedes é fundamental para que eu goste tanto desse filme. Dentro e fora do filme ela teve uma rivalidade com Joan Crawford, que não gostou nem um pouco de ter como sua antagonista uma mulher mais jovem.
No ano de 1956 ela apareceria em poucos minutos do longo épico “Assim caminha a humanidade /Giant”, mas seria de total importância. Como Luz Benedict, a decidida e fatalmente teimosa irmã de Bick (Rock Hudson), ela está incrível. Implicando com Elizabeth Taylor e protegendo James Dean, sua presença é curta, mas fundamental para a história. Por sua atuação ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, perdendo para Dorothy Malone.
Em 1958 ela maltrata a pobre Janet Leigh enquanto seu marido Charlton Heston está ocupado com Orson Welles em “A Marca da Maldade / Touch of Evil”. No ano seguinte ela voltaria a contracenar com Elizabeth Taylor, desta vez interpretando a mãe da bela moça, em “De repente, no último verão”.
Em “Cimarron” (1960) ela é uma mãe de família que vai para o oeste em busca de terras, conhecendo as personagens de Glenn Ford e Maria Schell. Seu tempo na tela é ínfimo, mas marcante. E na década seguinte vem o filme que a tornou uma estrela cult: “O Exorcista” (1973). Tendo sofrido de bronquite a vida toda, Mercedes usou o problema a seu favor para dublar o demônio (isso mesmo). Ela não foi creditada, mas posteriormente seu nome foi adicionado aos créditos.
Você não esperava ver isto

Vinda do famoso Mercury Theatre, grupo de teatro de Orson Welles que levou muitos talentos ao cinema, Mercedes teve uma carreira de sucesso no rádio antes de chegar ao cinema e na década de 1970 voltou aos palcos em uma série de peças, como “A Ratoeira” e “Gata em teto de zinco quente”. Sempre em papéis secundários, roubando a cena e fazendo muito sucesso.

This is my contribution for the What a Character! Blogathon, hosted by the three wise girls Paula, Aurora and Kellee at Paula’s Cinema Club, Once Upon A Screen and Outspoken & Freckled.  

Saturday, September 15, 2012

Homem de Mil Faces / Man of a Thousand Faces (1957)


Universal é um dos poucos estúdios, se não o único, a ter uma visita guiada por seus bastidores. A Universal também mantém o mais antigo set de filmagem erguido e conservado, mas infelizmente ele não está aberto à visitação. Trata-se do set de um filme de terror de 1925, “O Fantasma da Ópera”, protagonizado pelo talentoso e inesquecível homem de mil faces, Lon Chaney, que faleceu logo depois da chegada do som e ganhou uma cinebiografia em 1957.
Lon Chaney (James Cagney), como muitos astros do cinema, começou no vaudeville. Muito de sua vida pessoal é explorado, uma vez que mesmo antes de ter sucesso nas telas Lon viveu amores e problemas, foi casado com a cantora Cleva Creighton (Dorothy Malone) e teve com ela seu filho Craig, que mais tarde adotaria o nome Lon Chaney Jr. Foi só em 1912 que Lon foi para Hollywood a conselho de seu amigo, que ironicamente diz no filme que ele “deveria aproveitar a chance. Não sabemos por quanto tempo os filmes existirão”, mostrando uma crença até comum na época: de que o cinema era uma moda passageira.
E Chaney fez sucesso com sua incrível capacidade de se transformar de acordo com o papel que viveria nas telas. Desde o vaudeville ele desenhava esquemas que o ajudavam na transformação, e técnicas interessantes de maquiagem e de domínio corporal faziam-no ficar irreconhecível. Num dos mais impressionantes papéis de sua carreira, reproduzido com perfeição por Cagney na cinebiografia, Lon interpreta um gangster (percebe a ironia?) mutilado que precisa se arrastar para se locomover no filme “The Miracle Man” (1919), que foi baseado numa peça de George M. Cohan (Cagney interpretou Cohan em “A Canção da Vitória / Yankee Doodle Dandy”. De repente, tudo se conecta!). Depois da Primeira Guerra Mundial, vários soldados voltaram para casa mutilados e o cinema logo tratou de retratá-los em dramas ou mesmo filmes de terror. Uma grande oportunidade para Lon.
Os estúdios são mostrados como parte importante da vida de Chaney. É interessante observar como os filmes mudos eram rodados, vários de uma vez e com os cenários montados muito perto uns dos outros, música ao vivo para criar o clima e diretores dando as ordens aos atores enquanto a cena era rodada. Do lado de uma cena dramática e romântica, um western era filmado e muitas flechas atiradas.     
Outra representação maravilhosa do estúdio é a do set de “O Corcunda de Notre Dame” (1923). Além da construção precisa e grandiosa, a maquiagem é impecável e o discurso de Irving Thalberg (Robert J. Evans) define bem a atuação de Lon: ele pôs neste filme toda sua experiência pessoal, quando criança soube bem o que é ser discriminado por ser diferente, uma vez que seus pais eram surdos-mudos e ele se comunicava com eles através da língua de sinais. No filme sua esposa Cleva fica horrorizada ao descobrir que seus sogros são deficientes, temendo pelo filho que nascerá. Na realidade, Cleva já sabia que os pais de Chaney eram surdos-mudos antes de se casar com ele.
A cinebiografia é uma bela homenagem a Lon Chaney. Cagney revive com perfeição os momentos cruciais na vida do ator. Rodar os filmes com certeza foi uma tarefa árdua e dispendiosa para o próprio Chaney, imaginem para um ator que tem que recriar todas as imagens dos bastidores. Dorothy Malone está perfeita como a decadente Cleva e Jane Greer não poderia ser mais doce em sua interpretação de Hazel, segunda esposa de Chaney. E ainda há o fato de ser um dos melhores filmes sobre os bastidores de Hollywood, e sem dúvida aquele que melhor retratou os sets de um estúdio.    

This is my second entry to the Universal Backlot Blogathon, hosted by the awesome Kristen at Journeys in Classic Films.

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