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Saturday, February 23, 2013

13 filmes que amo de montão

Não costumo ver filmes repetidas vezes. Esse é um hábito da infância que abandonei, uma vez que costumava, por exemplo, ver episódios de meus desenhos favoritos até decorar as falas. Quanto a meus filmes favoritos, prefiro ver uma vez, talvez duas, e depois assistir a um pedacinho no computador ou quando eles são exibidos na televisão. E quais filmes merecem essa regalia de minha parte? Aí estão eles, em ordem crescente “de idade”:
A caixa de Pandora (1929): Nunca revi este filme que coloco entre minhas películas silenciosas favoritas. Mesmo assim, a vontade que tenho é de ver tudo de novo e de novo, para gravar cada ato na memória, bem como cada ação, reação e figurino da linda Louise Brooks.
Inimigo Público / The Public Enemy (1931): Vi este filme duas vezes em menos de um ano. Bastaram alguns minutos para que James Cagney se tornasse meu ator favorito, e sua performance aqui é digna de replay.
E o mundo marcha / The world moves on (1934): John Ford é um dos meus diretores favoritos. Seu nome me atraiu a atenção para este filme, que acabou sendo uma boa surpresa. Contando a história de uma família que administra uma companhia de algodão durante as primeiras décadas do século XX, possui excelentes e proféticos momentos.
Nasce uma Estrela / A Star is Born (1937): Este é meu filme favorito de todos os tempos. Ponto.
A dama de Xangai / The lady from Shanghai (1947): Orson Welles, seu gênio louco! Depois de pintar de loiro o cabelo de sua então esposa Rita Hayworth, que entrava com o pedido de divórcio, ele criou uma obra-prima noir, com direito a muitos pensamentos profundos, inclusive sobre os tubarões do Brasil.
Forte Apache / Fort Apache (1948): O filme que me fez prestar mais atenção a Henry Fonda, aqui interpretando um vilão, transformou-se também em meu western favorito, ao lado do pouco convencional “Johnny Guitar”, de 1954.
Shirley Temple no poster
Um dia em Nova York / On the Town (1949): Musicais são o remédio perfeito para curar a tristeza. Com Gene Kelly, meu melhor terapeuta, passeei por Nova York na companhia de um grupo adorável e me diverti muito.
Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard (1951): Neste exato momento, eu colocaria “Crepúsculo dos Deuses” no topo do ranking de melhores filmes de todos os tempos. Pelo menos, é o melhor filme sobre filmes já feito.
Cinco Dedos / 5 fingers (1952): Talvez desconhecido, mas não por isso menos brilhante. James Mason, como um criado do embaixador inglês que também é espião, está excelente num filme capaz de surpreender qualquer um.
O homem de mil faces/ Man of a thousand faces (1957): Mais James Cagney! Como o astro do cinema mudo Lon Chaney, ele está maravilhoso em um filme comovente, que me despertou a curiosidade sobre o próprio Lon.
Cupido não tem bandeira / One, two, three (1960): A divertida comédia com James Cagney usa um momento histórico tenso como mote para muita diversão. Este filme também me ensinou as duas únicas expressões que eu sei em alemão: “Guten tag” (Bom dia) e “Sitzen machen” (Sentem-se). 
Robin Hood de Chicago / Robin and the seven hoods (1964): Esse é um presente perfeito para os fãs de filmes de gângster e musicais, pois ele consegue juntar os dois. Com muito humor e música, o Rat Pack subverte os clichês e nos faz morrer de rir.
O Artista / The Artist (2011): Também não revi este vencedor de cinco Oscars, mas ver um filme mudo no cinema foi indescritível. Assim como “As aventuras de Hugo Cabret / Hugo”, pretendo assisti-lo várias vezes quando for exibido na televisão!
Analisando a lista, percebo que vi a maioria destes filmes pela primeira vez justamente na época em que não tinha tempo para ver tantos filmes. Devido ao fato de ter um precioso tempo para sentar, relaxar e ver um filme, eu aproveitava mais esses momentos. E como eram raros, era mais fácil eu me lembrar de detalhes de um filme, pois o intervalo entre um e outro era longo. Não digo que me arrependo de ver muitos filmes, apenas que, de fato, qualidade conta mais que qualidade.
Conheça mais filmes que os blogueiros amam de montão em: “I totally f***ing love this movie blogathon”, at The Kitty Packard Pictorial.

Wednesday, February 20, 2013

Uma personalidade, vários intérpretes: Abraham Lincoln

O décimo sexto presidente dos Estados Unidos teve de enfrentar tempos tempestuosos durante a Guerra Civil Americana e também graças aos debates sobre a abolição da escravatura. Hoje ele é um dos mais populares ex-presidentes e com certeza o que foi assunto de mais filmes. Em seu discurso no SAG (Screen Actors Guild) Awards, prêmio do sindicato dos atores, Daniel Day-Lewis ponderou que, uma vez que foi um ator, John Wilkes Booth, que matou Lincoln, muitos outros atores se esforçaram para dar novamente vida a ele, mesmo como personagem fictício.
O primeiro filme sonoro de D. W. Griffith foi justamente uma cinebiografia de Lincoln. Com menos de uma hora e meia, nem parece parte da obra do exagerado diretor. A vida de Lincoln é contada inteira e com muitas licenças poéticas. Coube a Walter Huston, pai do diretor John Huston e avô de Anjelica Huston, interpretar o presidente. Algumas cenas de Huston foram editadas e inseridas nove anos mais tarde no filme “Land of Liberty”, uma colagem de cenas de vários filmes que, juntas, contavam a história dos Estados Unidos.
Com belas costeletas, Henry Fonda interpretou Abraham em “A mocidade de Lincoln / Young Mr. Lincoln”, de 1939. Neste filme é focado apenas o período em que ele era um advogado em início de carreira, na cidade de Springfield. Lá ele aceita defender dois irmãos acusados de matar um homem durante uma briga. A perfeição e perspicácia da interpretação de Fonda é tanta que o jornal The Guardian afirmou que o Lincoln de Day-Lewis seria uma continuação perfeita do Abraham de Fonda. Outra performance elogiada foi a de Raymond Massey em “O Libertador / Abe Lincoln in Illinois”, de 1940.  
O irmão mais velho de John Ford, Francis, ele próprio um prolífico ator e diretor, aparece em “A mocidade de Lincoln” como Sam Boone. Abraham já havia aparecido brevemente em dois outros filmes de John Ford, “The Iron Horse” (1925) e “O prisioneiro da ilha dos tubarões” (1936), mas em nenhum John deixou seu irmão interpretar o presidente, embora Francis tenha dado vida a Lincoln em sete filmes entre 1912 e 1913. Outro campeão no quesito “interpretar Abraham” foi Ralph Ince, recriando o papel nove vezes na era muda. Parece que interpretar múltiplas vezes o presidente é uma sina, pois isso aconteceu também com Benjamin Chapin (14 vezes, em todos os seus créditos como ator, sendo ele diretor, produtor e roteirista de alguns desses filmes) e George A. Billings (cinco vezes), só para citar atores do cinema mudo.  
Às vezes os holofotes não estão totalmente em Lincoln, e ele se contenta em fazer apenas uma participação especial em alguns filmes. Em “O nascimento de uma nação” (1915), por exemplo, ele é interpretado por Joseph Henabery. Ironicamente, quem interpreta o assassino John Wilkes Booth neste filme é Raoul Walsh, que depois se tornaria diretor, e que era amigo do irmão mais velho de Booth, Edwin. Em 1935, Shirley Temple teve o prazer de se sentar no colo do presidente, interpretado por Frank McGlynn, em “A pequena rebelde / The littlest rebel”.
Mesmo sem aparecer, Lincoln é citado em outra infinidade de filmes. Quem assistiu a “Anna e o rei do Sião” (1946) com certeza se lembra de que o rei (Rex Harrison) envia uma carta a Lincoln oferecendo-lhe um casal de elefantes que, depois de procriarem, ajudariam o presidente a vencer a guerra civil.
Muitas minisséries e programas de televisão que contavam fatos históricos apresentaram Lincoln. Em “Norte e Sul” (1985 – 1986), minissérie com grandes atores, o presidente é interpretado por Hal Holbrook. Antes dele, Gregory Peck interpretou Lincoln e, anos depois, Tom Hanks também o encarnaria na televisão.
Gregory Peck em "The Blue and the Gray"
São muitas performances e abordagens diferentes para analisar. Afinal, no IMDb constam mais de 300 filmes e produções de TV com o personagem Abraham Lincoln. Talvez, como homem e político, Lincoln seja uma figura tão fascinante ao ponto de histórias sobre ele nunca se esgotarem, afinal, ele já foi até caçador de vampiros. Mesmo assim, a explicação romântica de Daniel Day-Lewis é plausível e bastante cinematográfica, não?

This is my second contribution to the 31 Days of Oscar Blogathon, hosted by Aurora, Kellee and Paula at Citizen Screen, Outspoken and Freckled and Paula’s Cinema Club.


Saturday, February 16, 2013

Apostas & respostas

Mais uma vez, contrariando o conselho de meu avô (Teime, mas não aposte), indico aqueles que acredito que ganharão o Oscar no dia 24 de fevereiro de 2013. Desta vez, vou com mais cautela, pois há apenas dois prêmios óbvios na noite (Atriz Coadjuvante e Ator) e, nas categorias sobre as quais estou mais em dúvida, indico uma segunda opção. Vamos lá? A sorte está lançada!

Filme: Argo
Diretor: Steven Spielberg, com Ang Lee como segunda opção
Ator: Daniel Day-Lewis
Atriz: Jennifer Lawrence, com Emmanuelle Riva como segunda opção
Ator coadjuvante: Christoph Waltz, com Tommy Lee Jones como segunda opção
Atriz coadjuvante: Anne Hathaway
Roteiro Original: Django Livre
Roteiro Adaptado: Lincoln
Canção Original: Skyfall
Trilha sonora: As aventuras de Pi
Maquiagem: O Hobbit
Fotografia: Lincoln
Efeitos visuais: As aventuras de Pi
Documentário: Searching for sugar man
Documentário de curta-metragem: Open Heart
Filme em língua estrangeira: Amor
Longa animado: Valente
Curta animado: O avião de papel
Curta: Death of a Shadow (um enredo muito interessante, pelo menos)
Figurino: Anna Karenina
Direção de arte: As aventuras de Pi
Montagem: As aventuras de Pi
Edição de som: As aventuras de Pi
Mixagem de som: Os Miseráveis


Depois e fazer as apostas, minha tarefa é algo que tenho muito mais chance de acertar: responder um questionário. Quem me indicou essa tarefa foram as meninas do blog “Não para de sonhar”. Até pensei em fazer uma resposta em vídeo, mas como boa parte do meu público vem de outros países e usa o tradutor de textos para ler o conteúdo, ficaria complicado para eles. Assim, respondo da maneira tradicional. J

1. Como escolheu o nome do seu blog?
Estava em outra cidade fazendo vestibular e fiquei pensando em planos futuros (não durante a prova, é claro). Imaginei que seria o máximo escrever uma coluna sobre cinema clássico para um jornal ou revista. De súbito, me veio o nome “Crítica Retrô”, perfeito para essa coluna de sonho. Foi quando eu percebi que não precisaria esperar anos e uma oferta para uma coluna só minha para transformar a Crítica Retrô em realidade: bastava rebatizar meu velho blog.    
2. Há quanto tempo tem o seu blog?
Entrei na moda do blog logo no começo, por volta de 2003. Sem assunto ou muito afinco, passei por vários servidores e nomes. Como “Crítica Retrô”, com atualizações semanais sobre cinema, o blog existe desde janeiro de 2011.
3. Como você divulga o seu blog?
Através das redes sociais, como twitter e facebook.
4. Quais assuntos têm mais visualizações no seu blog?
As críticas de filme. Segundo as estatísticas, o post mais visualizado de todos é “Gandhi” (1982), seguido por “Chaplin” (1992).
5. O que motivou você a criar um blog?
A vontade de dividir meu amor pelo cinema clássico, pois não conhecia pessoalmente ninguém com o mesmo interesse, e também levar curiosidades sobre estes filmes para os leitores que, felizmente, hoje são muitos.
6. Onde você mora?
Moro em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais.
7. Quais são os objetivos do seu blog?
Espalhar informações sobre o cinema clássico.
8. Quais blogs você visita frequentemente?
São muitos para citar! Do meu feed, gosto muito de todos! Também os blogs sobre cinema que estão na barra lateral.
9. O que te inspira na hora de criar os posts?
Filmes, é claro! Sempre tenho boas ideias quando estou assistindo a uma película e algo nela me remete a outra.
10. Qual é a sua idade?
Tenho 19 anos.
11. Além do blog, tem alguma outra ocupação? Se sim, qual?
Sou estudante e escrevo para outros sites e blogs, além de publicar livros esporadicamente.
12. O que mais gosta de fazer nos finais de semana?
Ver filmes! Também gosto de ler e passear.
13. Gosta de café?
Sim, tomo uma xícara de café todos os dias depois do almoço.
14. Pretende fazer algo no blog em 2013?
Dois assuntos novos foram abordados em janeiro: desenhos antigos e livros sobre cinema. Pretendo escrever mais sobre estes tópicos e trazer outras novidades.

Essas mesmas perguntas devem ser respondidas por alguns blogs que eu escolher. E os eleitos são...
La vie en rose, de Ruby

Monday, February 11, 2013

O Oscar e a surpreendente década de 1950

Quem não gosta de uma boa surpresa? Com certeza, quem depende de apostas. Sejam aquelas feitas com dinheiro, ou apenas entre amigos, ninguém gosta de perder uma aposta. E quando a aposta em questão é um bolão do Oscar, um palpite errado pode gerar desapontamento e raiva no cinéfilo ou comentarista que tinha toda a certeza de quem seria o vencedor. Não sei se apostas desse tipo eram feitas na década de 1950, mas, em caso afirmativo, a Academia nesta década enganou vários apostadores e surpreendeu muita gente dentro e fora da indústria cinematográfica.

1951: Dois nomes consagrados do meio eram as favoritas ao Oscar de Melhor Atriz: Gloria Swanson por “Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard” e Bette Davis por “A Malvada / All About Eve”. Todos ficaram de boca aberta quando o prêmio foi para a quase novata Judy Holliday, por “Nascida Ontem / Born Yesterday”.
1952: Enquanto as torcidas para Melhor Filme se dividiam entre “Um Lugar ao Sol / A Place in the Sun” e “Uma rua chamada pecado / A streetcar named desire”, Vincente Minnelli, Gene Kelly e Arthur Freed chegaram sem fazer barulho e ganharam, além dessa categoria, mais cinco estatuetas. No dia seguinte, havia uma faixa na MGM com um desenho do leão mascote do estúdio dizendo: “Honestly, I was just standing ‘in the sun' waiting for ‘a streetcar’” (Honestamente, eu só estava parado ao sol esperando por um bonde), numa clara troça com os derrotados.      
1953: Este ano traz um filme que é considerado um dos piores ganhadores do Oscar de Melhor Filme: “O maior espetáculo da Terra / The greatest show on Earth”, que derrotou os superiores “Depois do vendaval / The quiet man” e “Matar ou morrer / High Noon”. O claro subtexto de caça aos comunistas no último filme com certeza atrapalhou seus votos, mas nada justifica a derrota da película de John Ford, ganhador do prêmio de Melhor Diretor naquele ano. 1953 também o foi o ano da primeira transmissão nacional da cerimônia do Oscar pela televisão.
1955: Se o ano anterior representou a volta triunfal de Judy Garland ao cinema, era de se esperar que ela fosse a vencedora do Oscar de Melhor Atriz. Dezenas de repórteres ficaram alertas no quarto de hospital onde Judy e seu filho recém-nascido estavam, prontos para transmitir o discurso de agradecimento da atriz. Mas quem ganhou o prêmio foi Grace Kelly por “Amar é Sofrer / The country girl”, numa das maiores surpresas e injustiças do Oscar. Novamente Humphrey Bogart e Marlon Brando se enfrentaram, mas, ao contrário de 1952, desta vez Brando saiu vencedor.  Neste ano Greta Garbo também foi escolhida para receber um prêmio honorário mas, como era de se esperar, não apareceu na cerimônia.
1957: Outro controverso ganhador do Oscar de Melhor Filme: “A volta ao mundo em 80 dias / Around the world in 80days”.  A vitória sobre “Assim caminha a humanidade / Giant”, “Sede de viver / Lust for life” e o épico “Os dez mandamentos” surpreendeu a todos. Mais uma surpresa foi o exótico Yul Brynner ser escolhido Melhor Ator por “O Rei e Eu / The King & I”, vencendo Kirk Douglas, magnífico como Vincent van Gogh. E, depois de um período de ostracismo e trabalho na Europa, Ingrid Bergman volta aos EUA e ganha o Oscar de Melhor Atriz por “Anastácia”. Para completar, neste ano foi criada a categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira. E o grande sucesso de John Ford, “Rastros de Ódio / The searchers”, não recebeu nenhuma indicação.
1959: Um musical dirigido por Minnelli volta a triunfar. “Gigi” ganhou incríveis nove Oscars, batendo o recorde de “E o vento levou / Gone with the wind”, estabelecido em 1940. As telefonistas da MGM, no dia seguinte à entrega dos prêmios, atendiam ao telefone dizendo: “Hello, M-Gigi-M”. Do mesmo ano de Gigi é o hoje consagrado “Um corpo que cai / Vertigo”, recentemente eleito o melhor filme de todos os tempos pela revista Sight & Sound. Em sua estreia, foi um fracasso de bilheteria. Indicado a dois Oscars (som e direção de arte), não ganhou nenhum.
Um brinde à vitória!
O recorde de “Gigi” não duraria muito, pois na cerimônia de 1960 o épico Ben-Hur se consagrou com onze das estatuetas da noite. Nos prêmios principais, só não ganhou nas categorias Melhor Atriz e Atriz Coadjuvante (respectivamente, Simone Signoret e Shelley Winters).
A década de 1950 esteve envolvida em muitas outras polêmicas. Com o clímax da ameaça comunista e da caça às bruxas em Hollywood, muitos envolvidos com cinema foram parar na lista negra. Diversos roteiristas, dentre eles o mais famoso caso é de Dalton Trumbo, tiveram seus créditos retirados dos filmes ou assinaram nomes falsos. Vários deles ganharam Oscars, mas não foram receber ou mesmo a academia não lhes entregou. Décadas depois, a Academia tentopu se redimir, entregando estatuetas aos roteiristas, já idosos, ou aos parentes dos já falecidos, além de ter dado crédito nos lançamentos subsequentes dos filmes.

This is my first contribution to the 31 Days of Oscar Blogathon, hosted by Aurora, Kellee and Paula at Once upon a screen, Outspoken and Freckled and Paula’s Cinema Club.

Tuesday, February 5, 2013

Mas que palhaçada!


Em festas infantis, programas de TV dedicados às crianças e, especialmente, no circo, os palhaços são o grande destaque. Fazendo trocadilhos ou apenas gestos, com roupas bufantes e muita maquiagem, eles fazem a alegria das crianças e de muitos adultos. Mas nem tudo é riso: muitos palhaços já foram mostrados, pelo menos no cinema, como criaturas demoníacas e em programas ou desenhos cômicos há sempre uma personagem que tem medo de palhaços. Aliás, como Crítica Retrô também é cultura, preciso dizer que o medo exagerado de palhaços é chamado coulrofobia. Não importa sua vestimenta ou sua natureza boa ou má, os palhaços são parte importante da galeria de personagens do cinema. 
Reconheceu o James Stewart?
Koko, the clown: Max Fleischer estava fazendo uma experiência com um aparelho denominado rotoscope e para isso fotografou seu irmão Dave vestido de palhaço. Ele transformou essa imagem em desenho e desde 1919, Koko protagonizou centenas de curtas, sendo o primeiro companheiro de cena de Betty Boop, criada em 1933.
Lágrimas de Palhaço / He who gets slapped (1924): Depois de ser ridicularizado em público, o professor Paul Beaumont (Lon Chaney) torna-se um palhaço que é estapeado  para fazer o público rir. Ele se apaixona pela bela Consuelo (Norma Shearer em seu primeiro papel como protagonista), mas ela gosta do acrobata Bezano (John Gilbert), e mesmo assim o pai da moça quer lhe arranjar um casamento com o arqui-inimigo do ex-professor. Lon Chaney voltaria a interpretar um palhaço apaixonado em “Lugh, clown, laugh” (1928).
O Circo / The circus (1928): Após ser confundido com um ladrão e ir parar em um circo, o vagabundo (Charles Chaplin) acaba no meio da apresentação dos palhaços e faz a maior confusão. O que ele não esperava é que suas trapalhadas fizessem tanto sucesso com o público.
O maior espetáculo da Terra / The greatest show on Earth (1952): Buttons (James Stewart) é um palhaço com o rosto sempre escondido por maquiagem e que tem um segredo sujo em seu passado. Com um personagem tão interessante, o filme peca por não explorá-lo o suficiente.
Scaramouche (1952): O título refere-se a um personagem do teatro cômico popular da França pré-revolucionária, que nada mais é que um palhaço com uma máscara de nariz pontudo. Não é à toa que André (Stewart Granger) escolha este disfarce para escapar da fúria de um nobre (Mel Ferrer), fazendo sucesso na companhia itinerante de sua namorada (Eleanor Parker).
Poltergeist (1982): Assim como Chuck, o boneco assassino, um brinquedo se transforma em pesadelo e assusta o público em Poltergeist.
Palhaços Assassinos / Killer Klowns from outer space (1988): Se existisse uma regra para julgar um filme pelo título, ela seria: nunca confie num filme com as palavras “from outer space”. Se Ed Wood já fez sua loucura no espaço sideral em 1959, imagine o que acontece quando palhaços assassinos chegam do espaço.
It, uma obra-prima do medo / It (1990): Com mais de três horas de duração, esta minissérie inspirada em livro de Stephen King conta a história de um grupo que tem de enfrentar o mesmo palhaço demoníaco que viram na infância.
Os Simpsons – O filme: Krusty, o palhaço politicamente incorreto da série, também apareceu no filme.
O Palhaço (2011): Valdemar e Benjamim, pai e filho, vividos por Paulo José e Selton Mello, são os palhaços Puro Sangue e Pangaré num circo itinerante. Problemas começam a surgir quando Benjamim acredita que não é mais engraçado.
Menção honrosa para o Coringa, vilão de diversos filmes do Batman e que usa uma maquiagem de palhaço, embora não faça palhaçadas. Personagem semelhante a ele visualmente aparece no filme de 1928 “O homem que ri”.
Por fim, um vídeo adorável com Gene Kelly e Judy Garland cantando “Be a Clown” no filme “O Pirata”.

Laço de incentivo à leitura
Minha querida amiga Iza do blog Vintage Iz me passou este laço de incentivo à leitura. Nada poderia ser tão propício para uma escritora! Preciso responder à pergunta: “Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?”.
Bem, além de meu livro de estreia “Escritos de Garota – Contos, crônicas e poemas dos 7 aos 17” (propaganda básica), eu indico qualquer livro da coleção “Para gostar de ler”, publicada pela editora Ática. Lançada em 1977, a coleção traz contos, crônicas e poemas de consagrados autores brasileiros contemporâneos. Ela já sofreu alterações estéticas e também devido à reforma ortográfica, e hoje conta com mais de 40 volumes, além da coleção derivada “Para gostar de ler júnior”. Sendo os temas e estilos bem variados, creio que haverá histórias para todos os gostos, e começar com textos curtos é o melhor meio para formar um bom leitor.
Ao invés de passar o laço para outros dez blogs, deixo o questionamento para todos os leitores que se dispuserem a pensar: “Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?”.

Falando em leitura, não deixem de ler minha entrevista para a Revista Innovative, disponível aqui. 

Tuesday, January 29, 2013

Vocês ainda não ouviram (nem leram) nada

Bazinga! Ainda não é uma notícia sobre mais um de meus livos!

Se há livros que viraram filme, há também o caminho contrário: livros sobre cinema, a alegria de qualquer cinéfilo que é também rato de biblioteca. Minha mais recente incursão nesse tipo de literatura se deu com “Vocês ainda não ouviram nada – A barulhenta história do cinema mudo”, de Celso Sabadin.

Alguns pontos bem interessantes do livro dizem respeito exatamente aos assuntos menos conhecidos, como, por exemplo, os outros pioneiros do cinema, além dos irmãos Lumière, Thomas Edison e Georges Méliès; aqueles que tentaram desenvolver, com mais ou menos sucesso, máquinas que colocassem imagens em movimento. A formação dos estúdios, incluindo não só os mais conhecidos, mas também os já extintos e os internacionais, é bastante completa e bem detalhada. A animação, às vezes negligenciada, também surgiu durante a era muda, para espanto dos leigos e deleite dos leitores. A produção muda europeia e até mesmo a brasileira têm capítulos próprios, o que é ideal para que se conheça um assunto tão menosprezado, se comparado a Hollywood.
Cena de "Cabiria", filme italiano de 1914
Em muitas ocasiões erros de digitação e de concordância saltam aos olhos. Não posso reclamar disso, porque este blog já sofreu deste mal algumas vezes. Confesso que é mais fácil caçar erros no papel que na tela, ainda mais para uma leitora minuciosa como eu. No entanto, tenho o direito de reclamar de erros factuais. Mesmo uma pessoa nem tão versada no cinema mudo, porém não totalmente leiga, pode apontar os erros. Talvez um especialista encontre mais alguns. Por exemplo, na página 85, há não um, mas dois erros sobre as irmãs Gish. Está escrito que o primeiro filme delas, An Uneasy Enemy, foi feito em 1912, quando Lillian tinha 16 e Dorothy, 14 anos. De fato, as irmãs estrearam no cinema em 1912, mas o filme se chama “An Unseen Enemy”, e na ocasião Lillian Gish tinha 19 anos. Um erro que é repetido por duas vezes diz respeito à cinebiografia de Charles Chaplin, feita em 1992. Enquanto o autor insiste que ela se chamou Charlie, na verdade o título é “Chaplin”. Também relativo ao ator, na página 139 seu filme “Shoulder Arms” (1918) vem com a tradução literal “Ombro Armas”, em alusão ao comando do exército. No entanto, o título no Brasil é “Carlitos nas Trincheiras”. Senti falta de alguns nomes importantíssimos, como Mabel Normand, ao mesmo tempo em que alguns pontos foram citados mais de uma vez. Nem parece que o publicitário transformado em crítico Celso Sabadin tenha demorado cinco anos pra escrever o livro. Considerando apenas esta sua obra, eu não frequentaria nem recomendaria algum de seus cursos sobre cinema mudo, também porque a maioria das informações importantes está disponível na Internet, inclusive centenas de filmes sobreviventes do período. Sei que a primeira edição do livro saiu em 1999, mas o IMDb, a Bíblia dos cinéfilos, existe desde 1990 cheio de informações impecáveis.     
Em "O Cantor de Jazz", Al Jolson profere a frase
"vocês ainda não ouviram nada"
Segundo a Wikipedia, o livro está em sua terceira edição, publicada pela Summus Editora. Li a segunda edição, que saiu pela Lemos Editorial, e tem, sugestivamente, uma imagem de Douglas Fairbanks com um enorme megafone na capa. Espero que a nova edição tenha corrigido os vários erros. Tirando isso, o livro traz boas informações e aumenta a lista dos filmes a serem vistos.

Wednesday, January 23, 2013

O Homem-Mosca / Safety Last! (1923)

Por maior que seja o número de filmes que um cinéfilo veja, sempre haverá algo por descobrir. No meu caso, uma das lacunas que faltavam é referente à obra do grande comediante do cinema mudo Harold Lloyd. Para descobri-lo, precisei do incentivo de Kate do Tumblr TheFilmWriter, uma grande fã do cinema silencioso, e também da Laura do blog Laura’s MiscellaneousMusings, que fez uma lista de 10 clássicos que ela verá pela primeira vez em 2013. “Safety Last!” é o primeiro da lista, e ela incentivou outros blogueiros a acompanhá-la nessa descoberta e depois escreverem o que acharam dessa empreitada.

No matter how many films a cinephile has seen, there is always something missing. In my case, what was missing was diving into Harold Lloyd’s body of work. To discover him, I needed the help from Kate at TheFilmWriter Tumblr, a great silent film fan, and also from Laura at the blog Laura’s Miscellaneous Musings, who made a list of 10 classics to see for the first time in 2013. “Safety Last!” is the first one in the list, and she has called other bloggers to go with her on this discovery journey and write down their thoughts.
Ah, se você ficou curioso ao ver “A invenção de Hugo Cabret” e quer saber por que aquele homem de chapéu estava pendurado em um relógio no filme que Hugo e Isabelle viam, aqui está a resposta.

Oh, and if you were curious when you saw “Hugo” and wants to know why that man was hanging from a clock in the movie Hugo and Isabelle were watching, here we have the answer.
De Harold Llloyd, tinha assistido apenas ao curta “Just Neighbors”, de 1919, que também tem no elenco Bebe Daniels. Por essa pequena experiência já pude perceber como Harold é inventivo e tem o dom de fazer rir.

From Harold Lloyd, I had only wacthed the short film “Just Neighbors”(1919), that also stars Bebe Daniels. Only with this short film I already could see that Harold in an inventive man who knows how to make us laugh.

Um garoto (Harold) vai para a cidade grande em busca de uma vida melhor e também de dinheiro suficiente para se casar com sua namorada (Mildred Davis). Desde o começo temos surpresas, pois a maneira como a estação de trem é filmada, junto com o texto dos intertítulos, nos dá a impressão de que o personagem está preso e pronto para ser enforcado. Cena muito semelhante abre o curta “O Enrascado”, feito um ano antes e estrelado por Buster Keaton. Em menos de vinte minutos de filme, Keaton tenta transportar uma mobília logo depois de ser dispensado pela filha do prefeito, e acaba virando alvo de uma perseguição. Nada muito criativo, ao contrário do filme de Lloyd.

A boy (Harold) goes to the big city to pursue a better life, and earn enough Money to marry his girlfriend (Mildred Davis). Since the beginning we have surprises, because the way the train station is filmed (plus the intertitles) makes us believe that the main character will be executed by hanging. A very similar scene opens the short film “Cops”, shot one year before and starred by Buster Keaton. In less than 20 minutes, Keaton tries to move furniture right after being dumped by the mayor’s daughter, and he is chased by cops. It’s not very creative, and the opposite of Lloyd’s movie.
O único trabalho que o garoto consegue é o de vendedor de tecidos em uma loja de departamento, ocupação cansativa e até perigosa, em especial nos dias de liquidação. No entanto, ele escreve para sua garota dizendo que está muito bem e ganhando muito dinheiro. Isso a incentiva a fazer-lhe uma visita surpresa. Tendo de se passar por gerente, ele enfrenta vários problemas, sempre arquitetando as mais criativas saídas. Quando ouve seu chefe dizer que daria mil dólares para quem tivesse uma ideia para atrair mais compradores para a loja, o garoto encontra sua grande oportunidade.

The only job the boy gets is as a clothes salesman in a department store, a tiring and sometimes dangerous occupation, especially when the store has big sales. However, he writes to his girl that he is doing fine and making a lot of money. This gives her the idea to surprise Harold at his job. He has to pretend he is the manager and face several problems, always imagining the most creative solutions for them. When he hears that his boss will give a thousand dollars to anyone who has an idea to attract customers, the boy sees his big opportunity.
A ideia é justamente escalar o prédio da loja sem nenhum equipamento de segurança, atraindo uma grande multidão de curiosos. Quem faria essa proeza seria o colega de quarto do garoto (Bill Strother), pois a ideia veio exatamente de uma escalada similar, em que o amigo literalmente subiu pelas paredes para fugir de um policial. Lloyd também teve a ideia não somente para a escalada, mas para todo o filme, ao ver Bill fazer tal ato enquanto dublê. Harold ficou escondido, com medo de que Strother caísse, mas ao vê-lo são e salvo, logo lhe propôs a parceria para o filme.

The Idea is to have someone climbing the store’s building without any safety equipment, attracting a crowd of curious people. Who would do this trick would be the boy’s roommate (Bill Strother), because the idea came from a similar climbing trick, when the friend climbed walls to escape the police. Lloyd also was inspired not only for the climbing, but to do the whole movie, when he saw Bill doing the trick as a double. Harold stayed far away, fearing that Strother would fall, but when he saw the double safe from the climbing, Harold told him the idea for the film.
Ora, se Harold fica pendurado no relógio é porque ele escalou o prédio! Na verdade, o policial volta a perseguir o amigo, restando a Lloyd a tarefa de cumprir com a promessa e atrair o público. Por muito tempo se especulou como a escalada foi filmada e muitos acreditaram que de fato Harold Lloyd desafiou a morte em frente às câmeras. Só depois de seu falecimento que os truques foram revelados: embora o ator tivesse feito ele mesmo a maior parte das cenas, em alguns momentos ele contou com a ajuda de um dublê, como quando o personagem fica sacudindo a perna para um rato sair de sua calça.

Well, if Harold ends up hanging from the clock, the reason is that he was the one who climbed the building! What happens is that a policeman once agains chases Strother, and Lloyd has to do the trick and attract the public. For a long time it was speculated how exactly the climbing was filmed, and many people believed that Harold Lloyd really defied death in front of the cameras. Only after his passing the truth was told: although Harold had done himself most of the scenes, in a few moments he had a double, like when his character shakes his leg to get rid of a mouse that entered his pants.
Para a famosa cena do relógio, tudo foi filmado com ângulos sensacionais que davam a impressão de altura. Mesmo sem grande perigo, Harold testou a resistência dos ponteiros com um boneco que se estatelou no chão. O próprio astro se dependurou, após os devidos acertos, e segurou os ponteiros com apenas oito dedos: em 1919, um acidente com uma bomba que deveria ser cenográfica decepou os dedos polegar e indicador da mão direita do ator e ele passou a usar luvas que dessem a impressão de uma mão perfeita nas telas. 

For the famous clock scene, everything was filmed with camera angles that faked height. Even without danger, Harold tested if the pointers could stand the weight of a doll. Guess what? They couldn’t. Harold himself was hanging from the clock, after changes were made, and holding them with only eight fingers: in 1919, an accident with a supposed cenographic bomb cut off two fingers from his right hand. From then on he had to wear gloves to disguise the effects of the accident.
O título se justifica pela sequência final. Embora o termo “homem-mosca” exista em outras línguas e possa ser traduzido como “human fly “para o inglês, significando alguém com a habilidade de escalar paredes, eu acredito que seria bem melhor o termo “homem-lagartixa”, réptil habilidoso que, além de subir pelas paredes, tem a capacidade de assustar minha avó. Saindo dessa reflexão, preciso ressaltar que Mildred Davis, estrela feminina do filme, casou-se com Lloyd ainda em 1923, abandonando o cinema e ficando ao lado do ator até que a morte os separasse, em 1969. Eles tiveram um casal de filhos e adotaram mais uma menina.

The title is justified by the final sequence. In Portuguese the film is called “the human fly” because of Harold’s ability to climb the walls, but I believe he could also be called “the human lizard” and the effect would be the same. Forgeting this, I’ve got to point out that Mildred Davis, the leading lady in this film, married Lloyd in 1923, left the movie business and lived with him until death did them apart, in 1969. They had two children, a boy and a girl, and adopted another girl.
E o que tudo isso, mostrado em apenas uma hora e treze minutos de filme representaram para alguém que vê um longa-metragem de Harold Lloyd pela primeira vez? Só posso dizer que, embora a escalada seja o clímax, todo o caminho construído para chegar lá é muito feliz, cheio de excelentes momentos cômicos para fazer qualquer um gargalhar. O que mais posso dizer? Três vivas para Harold Lloyd!   


All this was shown in only on hour and thirteen minutes. What did this represent to someone who sees a Harold Lloyd feature film for the first time? I can only say that, even though the climbing is the climax, all the way to arrive there is very good, full of wonderful comic moments to make anyone laugh. What else can I say? Hooray for Harold Lloyd!

“O Homem-Mosca” está disponível no YouTube. 

"Safety Last!" is available on YouTube.
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