} Crítica Retrô

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Friday, July 8, 2011

O Ladrão de Bagdá / The Thief of Bagdad (1940)

Primeira versão sonorizada e em cores do filme estrelado em 1924 por Douglas Fairbanks, O Ladrão de Bagdá é uma história de amizade, malandragem, cobiça, magia e, como não podia deixar de ser, amor.

This is the first sound and color version of the film starred in 1924 by Douglas Fairbanks. “The Thief of Bagdad” is a tale of friendship, mischief, greed, magic and, of course, love.
O estreante John Justin é Ahmad, príncipe que, amaldiçoado pelo rival Jaffar (Conrad Veidt), fica cego e passa a viver como mendigo. Sabu é Abu, o ladrão do título que, ao contrário da versão original, nada quer com a princesa, aqui interpretada por June Duprez, substituindo Vivien Leigh.

Newcomer John Justin plays Ahmad, a prince that was cursed by his rival Jaffar (Conrad Veidt), becomes blind and has to live as a beggar. Sabu plays Abu, the thief referred to in the title. Contrary to the original version, the thief has nothing to do with the princess, played by June Duprez, but a role intended for Vivien Leigh.
Cinco diretores assinam o filme, com destaque para Michael Powell que, através da produtora The Archers e da parceria com Emerich Pressburger, faria grandes filmes como “Os Sapatinhos Vermelhos” (1948) e “Narciso Negro” (1946). A trilha sonora é de Miklós Rósza, contratado após a ideia de usar valsas vienenses ter sido descartada. O filme teve cenas rodadas na Inglaterra e nos Estados Unidos, por isso os cinco diretores. Essa diferença é facilmente notada: nas partes gravadas em solo norte-americano, por conta da censura, as personagens estão mais vestidas e com decotes menores.

Five directors sign the movie. We highlight Michael Powell who, with the production company The Archers and his partner Emeric Pressburger, would still make great movies such as “The Red Shoes” (1948) and “Black Narcissus” (1946). The soundtrack was composed by Miklós Rósza, who was hired after nobody agree with the use of waltzes from Vienna in the soundtrack. The film was shot both in England and in the United States, with the five directors divided on the two continents. This difference is visible: in the scenes shot in the US, due to censorship, the characters show less cleavage and have more clothes on.  
No ano seguinte, o filme levou três prêmios Oscar: melhores fotografia, efeitos especiais e direção de arte. De fato, apesar dos olhos críticos e cínicos do público (notadamente da juventude) atual desdenharem dos efeitos da época, são eles que criam a magia até hoje crível, fazendo da película uma espécie de Alladin do tempo dos nossos avós.

The following year, the movie took home three Oscars: best Cinematography, Special Effects and Art Direction. Indeed, although critical and cynical eyes from the modern viewer usually disdain the dated special effects, it is because of these effects that the film exhales a magic that remains fresh more than 70 years after the original release. “The Thief of Bagdad” becomes, with its special effects, an Alladin from the times of our grandparents. 
Tudo o que vem à nossa mente ao mencionarmos a Arábia e As Mil e Uma Noites pode ser encontrado em O Ladrão de Bagdá. Tapetes voadores, feiticeiros, sultões, dançarinas de véu, cavalos alados, gênios da lâmpada que concedem três pedidos.  E mais algumas mágicas cinematográficas fora do mundo árabe, como uma aranha gigante ou a transformação do menino em cachorro. Um truque usado até hoje foi usado pela primeira vez neste filme: a gravação em fundo azul para depois colocar o cenário colorido durante a edição. Técnicas e Technicolor para criar o melhor clima de ação e aventura possível.

Everything that comes to our minds when we think about the Arab world and the 1001  Nights can be found in “The Thief of Bagdad”. Flying carpets, magicians, sultans, veil dancers, horses with wings, lamp genies that grant three wishes. And also some film magics outside the Arab world, like a giant spider or a boy being transformed in a dog. A trick used until today was created for the film: the chroma key, the scene shot in front of a blue background in order to add the scenario during the editing process. Techniques and Technicolor to create the best mood of action and adventure.

Sabu, carismático ator indiano sempre em papéis exóticos como o luxurioso príncipe de Narciso Negro e o menino lobo Mogli (1942, 25 anos antes de Walt Disney colocá-lo para dançar entre os animais da floresta em desenho animado), é o destaque como o divertido, espirituoso e leal ladrão. Conrad Veidt, o alemão com cara de mau que esteve nos clássicos O Gabinete do Dr. Caligari (1919) e Casablanca (1942), convence como vilão. John e June estão bem como o casal principal, mas infelizmente suas carreiras não progrediram. Não podemos dizer o mesmo das técnicas de efeitos especiais que, embora tenham feito progresso, perderam a real magia que só os sonhos ou os filmes como O Ladrão de Bagdá mantém.

Sabu was a charismatic Indian actor who always played exotic roles such as the luxurious prince from “Black Narcissus” and Mowgli (from the 1942 “The Jungle Book”, made 25 years before Walt Disney put Mowgli to dance amidst the jungle animals in the cartoon). Here Sabu is the scene stealer as the fun, witty and loyal thief. Conrad Veidt, the German with an evil face that was in classics like “The Cabinet of Doctor Caligari” (1919) and “Casablanca” (1942), is great and convincing as the villain. John and June perform well as the main couple, but unfortunately they didn't have much success in their later careers. But we can't say the special effects weren't successful! Although there was great progress in the field through the years, there was a loss of the real magic that only dreams or movies like “The Thief of Bagdad” can have.

Tuesday, July 5, 2011

O primeiro O Maravilhoso Mágico de Oz (1910)

Antes de Monteiro Lobato criar a turma do Sítio do Pica-Pau amarelo, em 1921, surgiu, por assim dizer, o primeiro best-seller infantil: a série de livros de The Wonderful Wizard of Oz, criada em 1900 por L. Frank Baum. Não demorou para que o recém-nascido cinema flertasse com a obra, adaptando-a já em 1910.
Baseado mais na peça de teatro de 1902 do que no próprio livro, esta versão dirigida por Otis Turner traz uma jovem Bebe Daniels como Dorothy, efeitos “especiais” primitivos e estranhas fantasias. Vale lembrar que não há certeza quanto ao elenco deste filme, apenas especulações são feitas com base em fatos e fotos da época.

Para começar, Dorothy conhece o espantalho ainda em sua fazenda no Kansas e, só então, ela é levada pelo tornado, junto com o espantalho, um equino (cavalo ou burro?), uma e Toto. Olhos levemente arregalados: simular um tornado nunca foi ou será fácil. Com a tecnologia de 1910, então, foi um grande feito. Em Oz, eles encontram o homem de lata, o leão, a bruxa má (chamada aqui de Momba) e, obviamente, o mágico.

Não há sapatinhos de rubi. Por obra da bruxa boa Glinda Toto se transforma em leão para combater um predador. Pessoas em roupas de animais insitem em andar quase eretas. O mágico voa para casa com Dorothy num balão. Detalhes que diferem essa versão da mais conhecida.

Apesar do aspecto primitivo, alguns pontos ainda compensam o filme. Uma trilha sonora simpática e bem conhecida, a brevidade da narrativa e, em especial, um efeito surpreendente: o escurecimento de apenas parte da tela para simular o derretimento da bruxa Momba.

Bizarro, sim, mas um marco 29 anos antes da versão definitiva e mundialmente cultuada. Mas isso é assunto para outra hora...


Friday, July 1, 2011

Humor e preconceito: americanos e italianos em “Começou em Nápoles”

Comédias românticas são quase sempre previsíveis. Este filme nos prova que assim foi desde os áureos tempos do cinema clássico. Se um casal que aparentemente não tem nada em comum começa o filme se estranhando, é final feliz na certa.


É isso que acontece com Lucia Curcio e Mike Hamilton em “Começou em Nápoles”. Eles não têm nada em comum, a não ser o fato de que Sophia Loren é bonita e Clark Gable foi bonito. Ela é uma sensual dançarina de boate, cunhada de Mike, que cria o sobrinho de ambos, Nando, após este ficar órfão. Ele, um advogado cheio de preconceitos em relação à Itália que passa a lutar pela guarda do sobrinho preocupado com o futuro do simpático garoto.  Nas idas e vindas da agitada vida noturna da ilha de Capri os dois acabam, obviamente, se apaixonando.

Lucia e Nando falam inglês porque lidam com turistas, assim como o advogado vivido pelo diretor Vittorio de Sica. Mas, quando discutem, gritam em italiano, comportamento mostrado em várias produções, como nas telenovelas brasileiras. Além de escandalosos, os italianos são mostrados como mulherengos e irresponsáveis. Lucia, por exemplo, deixa o pequeno sobrinho fumar, trabalhar até de madrugada entregando panfletos e não o leva à escola. Só mesmo a chegada de Mike para botar a vida nos trilhos!

Mas não se enganem: os americanos também são criticados, através de uma canção. Na boate, Sophia Loren canta, vestida com um maiô e uma saia retalhada, a música “Tu Vuò Fa’ L’Americano”. Segundo a letra, para os italianos os americanos se resumem a “Whisky & Soda e Rock n’Roll”.  


Preconceitos à parte, vemos na tela o crepúsculo de um ídolo, Gable, já acima do peso e grisalho, contrastando com a beleza de uma estrela em ascensão, Loren, jovem e fogosa. Um casal que dificilmente convence o público, afinal, são 33 anos que separam suas datas de nascimento!

Além do romance certo, o filme nos reserva boas risadas. Logo no início podemos gargalhar com a recepção promovida por De Sica (aliás, ótimo sempre que aparece) e mesmo perto do fim a audiência no tribunal não deixa de ser divertida. E, nas cenas de Gable convivendo alegremente com seu sobrinho fictício, temos a oportunidade de acrescentar mais uma emoção: a tristeza disfarçada em um leve sorriso. É impossível não imaginar que Gable seria daquele jeito feliz e cúmplice com seu filho se tivesse vivido para conhecê-lo. 


Monday, June 20, 2011

Nasce um astro: Kids Auto Races at Venice (1914)


Durante seis minutos, uma situação cômica se repete. Durante 240 segundos, uma figura chama nossa atenção: um homem de trajes rotos, chapéu e bengala, com modos elegantes. É a primeira aparição do adorável vagabundo (The Tramp, chamado por aqui de Carlitos) criado por Charles Chaplin.
Sim, é um curta histórico. Mas isso não ameniza suas falhas. A situação cômica é repetida à exaustão. O vagabundo nada mais faz do que entrar na frente de um cinegrafista que grava a corrida das crianças. Parece engraçado no início, mas conforme o filme avança temos a impressão de que, de “acidente”, a ação passa a travessura, e o vagabundo irrita-se ao ter sua intervenção criticada. Ele invade a pista e atrapalha a corrida das crianças e parece fazer isso de propósito.

Ainda distante nos modos e no bom coração do mendigo que faz de tudo para que sua amada volte a enxergar em “Luzes da Cidade” (City Lights, 1931) ou o pedinte que aceita ser preso no lugar de uma bela órfã em “Tempos Modernos” (Modern times, 1936), aqui a personagem parece sempre zangada.  Embora não seja tratado com polidez pelos cinegrafistas, há algo de furioso e desagradável em sua expressão facial. Ele chega inclusive a irritar-se com as crianças passando, mesmo sabendo que ele é que está no lugar errado.

A estreia pode não ser cheia de glamour ou méritos, mas arranca algumas risadas. Felizmente, durante mais de 20 anos, Chaplin pôde desenvolver ao máximo as potencialidades cômicas da personagem e, finalmente, chegar ao ápice com obras-primas como “Em busca do ouro” (The gold rush, 1925) e as duas pérolas valiosas do cinema mudo da década de 1930. 

Thursday, June 16, 2011

Lugar de louco é no cinema



Um mesmo tema pode ser usado para causar riso ou fazer denúncia. Em meados do século XX, a loucura foi retratada no cinema das mais diversas formas.  Em dramas comoventes ou comédias amalucadas, lá estavam enfermeiras, psiquiatras, camisas-de-força, choques elétricos e outras terapias convivendo no ambiente sinistro dos manicômios.

Este mundo é um hospício / Arsenic and Old Lace (1944): Cary Grant acaba de se casar e leva a esposa para morar com sua excêntrica família. Dividem a mesma casa duas tias idosas que envenenam velhos solitários, um irmão que pensa ser Theodore Roosevelt e, como se não bastasse, chega também um irmão desaparecido há tempos, acompanhado de um cirurgião plástico, responsável pela operação que o deixou parecidíssimo com Boris Karloff. 

Lembre-se: Cary era o normal
da família
Meu amigo Harvey / Harvey (1950):James Stewart continua adorável, mas desta vez tem como melhor amigo um coelho branco gigante que só ele vê. Sua irmã, vivida por Josephine Hull, em uma performance ganhadora do Oscar, decide interná-lo em um manicômio, mas ela é que é considerada louca. É uma comédia, mas o ambiente sombrio e desumano dos hospícios está lá.

Quando fala o coração / Spellbound (1945): Gregory Peck, o novo diretor de uma clínica psiquiátrica, parece ser mais perturbado que seus pacientes. Cabe à cerebral doutora Constance (Ingrid Bergman) descobrir o que o perturba – e tentar domar seus próprios sentimentos amorosos pelo colega/paciente. A sequência idealizada por Salvador Dalí, a música de Miklós Rózsa e a surpreendente causa da perturbação de Peck compensam os diálogos didáticos sobre a psicanálise.

Na cova da serpente / The snake pit (1948): Olivia de Havilland está internada em um manicômio e sofre com as condições impostas pelas enfermeiras. Em um ambiente dividido em pavilhões de acordo com a gravidade do estado dos doentes, ela só encontra esperança com o doutor Krik, que está disposto a ajudá-la a se curar, nem que para isso precise de choques elétricos e soros da verdade. Com uma explicação comum de traumas de infância, esse filme se torna célebre por mostrar a dura realidade, o que demandou uma minuciosa pesquisa de campo por parte de Olivia.

De repente, no último verão / Suddenly, Last Summer (1959): Catherine (Elizabeth Taylor) foi mandada pela tia Violet (Katharine Hepburn) para um hospício para passar por uma lobotomia. A intenção é descobrir o que causou a morte do amado filho de Violet, Sebastian, presenciada por Catherine e que a deixou profundamente perturbada. Montgomery Clift, o médico encarregado da instituição psiquiátrica superlotada e sem muita infraestrutura, decide investigar o caso, conhecendo melhor a excêntrica relação entre mãe e filho e convencendo Catherine a contar o que aconteceu “de repente, no último verão”.
Uma cruz à beira do abismo / The nun’s story (1959): Gabrielle van der Mal, ou melhor, irmã Luke (Audrey Hepburn) é uma freira sem muita vocação que deseja ser enfermeira no Quênia. Antes disso, ela terá de passar por verdadeiras provas de fogo, como servir em um manicômio na Bélgica, lidar com loucas perigosas e vivenciar um cotidiano de choques elétricos, banhos “terapêuticos” e camisas-de-força.

Menção honrosa para Fogueira de Paixões / Possessed (1945): Louise (Joan Crawford), internada em estado de choque e tomando soro na veia, narra seu passado.

Friday, June 10, 2011

Luz, câmera, paixão!

As demonstrações dos diversos tipos de amor mudaram muito ao longo dos tempos. Na vida e nas artes, as relações estão cada vez menos ingênuas e discretas. Por ser um tipo de arte recente e em constante transformação, o cinema é uma grande fonte de exemplos destas mudanças.

Nos primórdios da sétima arte, quando os gestos largos e expressivos compensavam a falta do som, o galanteio era comum. Belos cavalheiros tiravam as cartolas e faziam mesuras diante das damas apaixonadas de saias compridas. Discrição total era a palavra de ordem da “belle époque”.

Com o advento do som, das guerras e da Grande Depressão, a mulher ganha destaque na sociedade e na relação. Filmes com herdeiras inconseqüentes à caça de um marido viram moda, criando comédias amalucadas com final feliz.

Mesmo assim, o beijo não era comum. As investidas amorosas se estendiam durante o filme, e a rendição ao amor coroava o final. Beijos amistosos entre pessoas do mesmo sexo chocavam as plateias. Polidez e bons modos, só excetuados pela selvageria romântica de Tarzan e Jane!

Tempos depois, foi dado enfoque ao casamento e suas agruras. Passada a paixão e os primeiros beijos, o mar de rosas dá lugar ao mar revolto. Entretanto, o casal conseguia superar as adversidades, salvo em memoráveis casos em que os pombinhos se separavam no final, embora “sempre tivessem Paris”.

Rick e Ilsa: casal-símbolo do romantismo hollywoodiano 
Depois da época em que confusões de identidade acabavam em romance nos musicais, chegaram os casais modernos, com grande diferença de idade, fazendo um cativante jogo de sedução. Assim, as polêmicas cenas de maior intimidade conjugal dividiam as telas com traições escandalosas.

Já foi retratado o amor bandido, além da vida, que se repete fora dos filmes, juvenil, senil, erótico, platônico, impossível, destrutivo, divertido ou destruído pelas ambições de uma “femme fatale”. Sem dúvida, o cinema romântico é uma prova irrefutável de que a arte imita a vida.  

Monday, June 6, 2011

Grandes Coadjuvantes

Eles nunca viram seus nomes em destaque nos créditos iniciais, mas isso não impede que suas atuações sejam tão brilhantes quanto a dos mais elogiados protagonistas. Vários são os eternos coadjuvantes que roubam a cena e a nossa admiração.

Thelma Ritter: Pobre Thelma! Foi seis vezes indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante e nunca ganhou (Deborah Kerr tem esse mesmo recorde na categoria de Melhor Atriz). Quatro dessas indicações foram consecutivas (1950 – 1954). Mesmo assim, esteve em vários filmes importantes, como “A Malvada”, “Janela Indiscreta” e “Os Desajustados”. Sem grandes atrativos físicos, desempenhava com maestria os papéis de enfermeira ou governanta.  Ganhou um Tony em 1958, empatada com Gwen Verdon.
Em Confidências à Meia-Noite, Thelma Ritter
está a cara da Giulietta Masina!

Walter Brennan:  Ao contrário de Thelma, Walter teve seu talento reconhecido: foi três vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por “Meu filho é meu rival” (1936, ano em que a categoria foi criada), “Romance do Sul” (1938) e “O galante aventureiro” (1940). Foi animador das tropas da Primeira Guerra e amigo de Gary Cooper. Fazia todos os tipos de papéis, mas ficou famoso por seus velhos personagens caipiras e peculiares (um acidente que deixou-o quase sem dentes criou marcas que o faziam parecer bem mais velho do que era). Começou no cinema mudo, mas não era creditado. Fez também várias participações em séries de TV.

Mary Astor: Filha de mãe portuguesa e pai alemão, jovem atriz do cinema mudo, Mary passou para o cinema falado em papéis secundários. Entre seus trabalhos estão “O Falcão Maltês”(1941) e “Agora seremos felizes”(1944). Ganhou um Oscar em 1942 por “A Grande Mentira” . Lutou com o alcoolismo, tentou suicídio e viveu alguns escândalos conjugais. Escreveu várias memórias que se transformaram em best-sellers.

Peter Lorre: Austro-húngaro, protagonista da obra-prima de Fritz Lang “M – O vampiro de Dusseldorf”(1930) e da primeira versão de “O homem que sabia demais”(1934), Peter Lorre foi aos EUA e conseguiu bons papéis secundários em  “O Falcão Maltês”(191), “Casablanca”(1942) e “Passagem para Marselha” (1944). Duas curiosidades: Lorre foi aluno de Freud em Viena e convenceu Humphrey Bogart e Lauren Bacall a se casarem apesar da diferença de idade.

Mercedes McCambridge: Ganhadora do Oscar em sua estréia cinematográfica (“A Grande Ilusão”, 1949), Mercedes fazia, em geral, mulheres amarguradas e antagonistas. Trabalhou também no teatro, fazendo, por exemplo, a protagonista de “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, e no rádio. Fez parte do Mercury Theater, grupo de teatro de Orson Welles. Alguns de seus trabalhos mais importantes foram em “Johnny Guitar” (1954), “Assim Caminha a Humanidade” (1956) e como a voz demoníaca de “O Exorcista” (1973).

Claude Rains:  O grande Capitão Renault de Casablanca era quase cego de um olho (devido a ferimento na Primeira Guerra Mundial), deu aulas de  teatro numa universidade, foi casado seis vezes, era nervosinho, sovina e desenhou a lápide do próprio túmulo. Mas era um grande profissional: memorizava as falas de todos os atores, mesmo não sendo protagonista. Entre seus trabalhos destacam-se: “Lawrence da Arábia”(1963), “Interlúdio”(1946), “Vaidosa”(1944) e “A estranha passageira”(1942).

Celeste Holm: A bela loira nunca passou dos papéis secundários, embora já tenha passado dos 90 anos. Mas isso não impediu que ela deixasse sua marca em filmes como “A Malvada” e “Alta Sociedade”, onde, inclusive, faz um dueto com Frank Sinatra. Outros grandes feitos da coadjuvante foram: estrear no teatro em “Hamlet”, ao lado de Leslie Howard; fazer cinco peças com o lendário George M. Cohan; ganhar um Oscar por “A Luz é para todos”(1948) ; ser porta-voz da UNICEF e ter um título de cavaleira dado pelo rei da Noruega. Desde os anos 50 participa de diversas séries de TV e agora está de volta à tela grande.

Donald Crisp: O ganhador do Oscar por “Como era verde meu vale” tem um currículo invejável. Estreou em 1908, aos 26 anos, esteve em 170 filmes, atuou no cinema mudo e no sonoro com o mesmo sucesso, dirigiu 72 produções (a maioria no cinema mudo)... tudo isso sem ser o protagonista. Além disso, foi membro dos exércitos inglês e americano e conheceu Winston Churchill ainda jovem. Ele teve a honra de estar no primeiro filme de Griffith (The Muskeeters of Pig Alley), em “O Nascimento de uma Nação” (como o general Grant), como um extra em “Intolerância”, vivendo o pai autoritário de Lillian Gish em “Lírio Partido”(1919),  
na primeira versão de “O Grande Motim” (1935) e muito mais!

Thursday, June 2, 2011

Um privilegiado de quatro patas

Muitos fãs sonham em chegar perto de seus ídolos. Muitos sonham em se tornar também ídolos para outros fãs (não no estilo Eve Harrington em “A Malvada”, 1950, espero). Nem todos conseguem. Por outro lado, enquanto os humanos se decepcionam com o sonho de fama e fortuna, muitos animais chegam ao topo do Olimpo cinematográfico, protagonizando diversos filmes de sucesso e contracenando com as maiores estrelas de sua época.

Many fans dream about getting near their idols. Many fans dream about also becoming idols to other fans (not in Eve Harrington style, I hope). Not all of them succeed. On the other hand, while humans get disappointed with the shattered dreams of fame and fortune, many animals reach the top of the cinematographic Olympus. They are leads in many successful films and share the screen with some of the biggest stars of their time.
Skippy foi um deles. Se os anos 20 tiveram Rin-Tin-tin e os 40 contaram com Lassie, os anos 30 viram esse cãozinho se tornar superestrela. Talvez eu esteja exagerando, mas quando Skippy aparecia, ele roubava a cena.

Skippy was one of those lucky animal stars. If the 1920s had Rin-Tin-Tin and the 1940s had Lassie, the 1930s saw this little dog becoming a superstar. Mybe I’m exaggerating, but when Skippy showed up, he was a scene-stealer.
Não se sabe ao certo se Skippy nasceu em 1931 ou 1932. O fox terrier de pelo crespo esteve presente em famosas produções como os dois primeiros filmes da série The Thin Man (A Ceia dos Acusados e A Comédia dos Acusados), Cupido é moleque teimoso (1937) e Levada da Breca (1938).  Ele se aposentou em 1939, não sem antes lançar tendência: assim como a collie Lassie na década seguinte, na década de 1930 espalhou-se uma febre de fox terrier: todos queriam ter um cãozinho como Skippy.

We can’t know exactly when Skippy was Born – either 1931 or 1932 have appeared as birth dates. The Wire Fox Terrier was in famous films like the first two of The Thin Man series (The Thin Man and After the Thin Man), “The Awful Truth” (1937) and “Bringing Up Baby” (1938). He retired in 1939, but had already become fashionable: just like the Border Collie Lassie did in the following decade, in the 1930s Skippy originated a Fox Terrier fever. Everybody wanted to have a dog like Skippy.
Muitas vezes Skippy chegou a ser creditado com o resto do elenco, como em “A Ceia dos Acusados”, feito na época em que na abertura imagens das estrelas eram mostradas acompanhadas de seus respectivos nomes.  E não é para menos: em uma série de momentos ele rouba a cena e sua fofura desvia todos os olhares para ele.

In many occasions Skippy was credited alongside the rest of the cast, like in “After the Thin Man” (1936), made in a time when the opening credits had photos of the stars and their names. And Skippy deserves the star treatment: in many moments he steals the scene with his cuteness.
Em “Cupido é Moleque Teimoso”, por exemplo, atendendo pelo nome do Mr Smith, é motivo de uma briga judicial do casal recém-divorciado e sem filhos.

In “The Awful Truth”, for instance, he is called Mr Smith and is in the center of a legal battle of a just-divorced childless couple.


Em “Levada da Breca”, o cão George esconde o osso de dinossauro procurado por Cary Grant.

In “Bringing Up Baby”, the dog George hides the dinosaur bone that is pursued by Cary Grant.

Mesmo tendo mordido Myrna Loy, ele é digno de menção como um animal privilegiado. Não apenas porque ganhava de 200 a 250 dólares por semana, mas principalmente porque contracenou com estrelas de tamanha magnitude – mesmo sem ter consciência disso.

Even though having bitten Myrna Loy, Skippy is still worth being called a lucky animal, not only because he earned from 200 to 250 dollars a week, but because he acted alongside such wonderful stars – even we wasn’t aware of what acting was. 

Friday, May 27, 2011

Cupido Não Tem Bandeira (1961) / One, Two, Three (1961)

Uma divertida análise do capitalismo e crítica ao comunismo em plena Guerra Fria.

A fun analysis of capitalism and a critique to communism during the Cold War.

James Cagney estrela esse filme como o chefe da filial da Coca-Cola em Berlim, que tenta levar o refrigerante-símbolo do imperialismo norte-americano para o lado vermelho da cortina de ferro. De olho na promoção para chefe das operações europeias, ele aceita hospedar a espevitada filha do chefe em sua própria casa. Mas as coisas se complicam quando ela se apaixona por um jovem da Berlim Oriental.

James Cagney is the star of this film, playing the manager of a Coca-Cola franchise in Berlin. He tries to bring the soda that symbolizes North-American imperialism to the red side of the Iron Curtain. Wanting the position of chief of European opperations, he accepts to receive his boss' naughty daughter as a guest in his own house. But things get difficult wuen she falls in love with a young man from East Berlin.

Cupido Não Tem Bandeira” foi um filme divertido para o público, mas não para Cagney: após o filme, ele se aposentou, fazendo apenas mais uma pequena aparição em “Na Época do Ragtime” (1981). Dizem que durante a produção o veterano ficava furioso com Horst Buchholz, que tentava roubar a atenção para si nas cenas que faziam juntos. Se eu estivesse em uma produção com James Cagney, meu ator favorito, jamais tentaria roubar a atenção. Talvez eu me levantasse toda vez que ele passasse, como fazem aqui seus funcionários!

One, Two, Three” was a fun movie for the audience, but not for Cagney: after the film, he retired and only made another appearance in “Ragtime” (1981). It's said that, during the production of this film, the veteran actor got mad at Horst Buchholz, who tried to steal the attention for himself in all the scenes he had with Cagney. If I was in a production with James Cagney, my favorite actor, I'd never try to steal the attention. Maybe I'd stand every time he entered the room, just like his employees do!

Muito interessante nesse filme é a referência a outros filmes, algo raro até então. Cagney solta uma frase proferida por Edward G. Robinson. A esposa dele, Phyllis (Arlene Francis), diz: “O que aconteceu com Scarlet? E o Vento Levou...”. Schlemmer se veste de mulher para confundir os comunistas, assim como Jack Lemmon em “Quanto mais quente melhor” (1959), dirigido também por Billy Wilder. Atravessando a fronteira, um policial faz uma imitação de ... James Cagney! E Cagney quase usa um “grapefruit” como arma novamente! (Quem pode esquecer a pobre Mae Clarke tendo a fruta espremida no rosto em “Inimigo Público”, de1931?).

Something very interesting in this film are the references to other films, which wasn't so common back in the 60s. Cagney quotes a line once used by Edward G. Robinson. His wife Phyllis (Arlene Francis) says: “What happened to Scarlet: She is gone with the wind...” Schlemmer dresses as a woman to deceive the communists, and Jack Lemmon does the same in “Some Like It Hot” (1959), also directed by Billy Wilder. Crossing the border a police officer imitates... James Cagney! And Cagney almost uses a grapefruit as a weapon once again! (Who can forget poor Mae Clarke receiving a mashed grapefruit in her face in “The Public Enemy”, from 1931?).


A zombaria com o comunismo é ponto de partida de diversas piadas. O carro usado em Berlim Oriental está obsoleto quase 30 anos. Há paradas com multidões uniformizadas carregando imagens do líder Kruschev, como em “Ninotchcka” (1939), com a diferença que o líder no filme com Garbo (cujo co-roteirista era, por sinal, Wilder) era Stalin. Um dos camaradas, batendo contra a parede, derruba a foto do líder atual, mostrando a do líder anterior, episódio, aliás, verídico. O jovem pretendente da garota americana é preso por carregar um balão dizendo: “caiam fora, comunistas!” e um relógio cuco que toca “Yankee Doodle Dandy”. A sessão de tortura consiste na fita da versão americana de “Biquíni de Bolinha Amarelinha” tocando incessantemente. E, é claro, numa citação de Karl Marx, é citado também Groucho Marx.

Many jokes are there only to mock communism. The car used in East Berlin is almost 30 years outdated. There are parades with crowds in uniforms carrying images of the leader Kruschev, just like in “Ninotchcka” (1939), with the difference that the leader in the film with Greta Garbo (a film co-written by none other than Wilder) was Stalin. One of the comrades, knocking on a wall, makes the picture of the current leader fall, revealing the image of the former leader – an episode that really happened. The young man who loves the American girl is arrested because he's carrying a balloon with the words “go away, communists!” and a cuckoo clock that plays “Yankee Doodle Dandy”. The torture session consists of a tape of the American version of “Itsy Bitsy Teenie Weenie Yellow Polka Dot Bikini” playing non-stop. And, of course, when Karl Marx is mentioned, another mention is made to Groucho Marx.

Mais do que isso: zomba-se do nazismo. Os trabalhadores da empresa, educados e doutrinados durante o Terceiro Reich, repetem os obséquios mecanicamente e se levantam com disciplina militar toda vez que o personagem de James Cagney atravessa o escritório.

More than that: Wilder mocks Nazism. The workers of the factory, raised and indoctrinated during the Third Reich, repete their actions mecanically and stand up following discipline every time James Cagney’s character enters the office.

Cupido não tem Bandeira”, entretanto, não é um filme para ser apreciado por qualquer um. O único nome de peso, além do diretor Billy Wilder, é James Cagney. Além disso, é um filme datado e conteudista. Na época, com a construção do Muro de Berlim acontecendo e, principalmente, hoje, o filme perdeu o aspecto de farsa presente, por exemplo, em “Quanto Mais Quente Melhor”. Mas, se visto com os olhos de 1960, de Guerra Fria sem Muro, continua a divertir.

One, Two, Three”, however, is not a film that can be enjoyed by anyone. The only big name, besides director Billy Wilder, is James Cagney. Besides that, it's a dated film that demands some history knowledge to be understood. At the time, with the building of the Berlin Wall and, in special, today, the film lost the farce facet that, for instance, “Some Like It Hot” has. But, if it is seen with 1960 eyes, thinking about the Cold War without a Wall, it can still be fun.

Monday, May 23, 2011

Pequenas e Notáveis


Tamanho não é documento? Em Hollywood, nunca foi. Desde cedo, as baixinhas como eu fizeram sucesso. Aliás, era comum nos primeiros filmes que as protagonistas fossem pequenas. Mary Pickford (1,54 m), por exemplo, com sua baixa estatura e seus longos cabelos cacheados, fez papeis infantis até perto dos 30 anos. As primeiras protagonistas altas foram Greta Garbo e Katharine Hepburn (ambas com mais de 1,70). Por isso, esqueçamos os apelidinhos delicados e vejamos uma lista de grandes pequenas atrizes:

OBS.: Consideradas as atrizes com até 1,60 metro. Dados de imdb e Wikipedia.

Nas imagens: Mary Pickford (ao lado), Giulietta Masina (com o marido, Federico Fellini) e Carmen Miranda (reparem nas plataformas para parecer mais alta!).

Janet Gaynor (1,52 m)

Edna Purviance (1,57m)

Judy Garland (1,51 m)

Giulietta Masina (1,57 m)

Rosemary DeCamp (1,59m)

Norma Shearer (1,55m)

Ann Sothern (1,56m)

Helen Hayes (1,52 m)

Carmen Miranda (1,52 m)

Jane Wyman (1,59 m)

Leslie Caron (1,56 m)

Jean Harlow (1,55 m)

June Allison (1,55 m)

Betty Bronson (1,53 m)

Merle Oberon (1,57 m)

Julie Christie (1,57 m)

Natalie Wood (1,54 m)

Linda Blair (1,57 m)

Debra Paget (1,57 m)

Simone Simon (1,57 m)

Shirley Booth (1,58 m)

Ann Blyth (1,57 m) 

Saturday, May 14, 2011

A idade não diz nada

Em Hollywood, a data de nascimento em sua carteira de identidade não quer dizer muita coisa. O importante é quantos anos você aparenta ter. Exemplos não faltam de duplas e famílias na tela em que os atores tinham diferenças bizarras de idade. Quer ver?
Em “Rosa da Esperança” (Mrs Miniver, 1942) Greer Garson era apenas onze anos mais velha que seu filho nas telas (Richard Ney). Tanto é que, logo depois que o filme acabou de ser rodado, os dois se casaram.
Em “Intriga Internacional” (North by Northwest, 1959), Cary Grant era apenas sete anos mais novo que sua mãe fictícia, Jessie Royce Landis.
Em “Young Philadelphians”, Paul Newman era quatro anos mais velho que sua mãe.
Em “A Canção da Vitória” (Yankee Doodle Dandy, 1942), a situação era mais extrema: James Cagney era onze anos mais velho que Rosemary DeCamp, a atriz que fazia sua mãe!
Em Hamlet (idem, 1948), Laurence Olivier tinha 41 anos. A atriz que interpretava sua mãe, Eileen Herlie, tinha 28. A ideia de escalar uma atriz tão jovem era de criar um complexo de Édipo em Hamlet e despertar a paixão em Claudius.
Em “Gata em Teto de Zinco Quente” (Cat on a Hot Tin Roof, 1958), Burl Ives, que interpretava Big Daddy, era um ano mais velho que Jack Carson, que fazia o primogênito, e 16 anos mais velho que Paul Newman, o caçula.
Em “A Rainha”(The Queen, 2006), Helen Mirren é 11 anos mais nova que Sylvia Syms, sua mãe no filme, e 12 anos mais velha que Alex Jennings, seu filho.

Tuesday, May 10, 2011

A Rainha / The Queen (2006)

Passados alguns dias da febre Real que tomou conta das notícias, vamos a um dos mais famosos filmes recentes sobre a realeza britânica, que rendeu a Helen Mirren o Oscar de Melhor Atriz. Aqui, Elizabeth II é retratada como a maioria de nós a imaginamos: uma mulher sóbria e séria, sempre seguindo o protocolo real.
God save the Queen: Elizabeth Alexandra Mary (1926) é a atual rainha da Inglaterra. Subiu ao trono há 59 anos, em 1952, após o falecimento de seu pai, o rei George VI (o rei gago do filme O Discurso do Rei). Chegou a servir, antes da coroação, no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial. É a monarca inglesa que mais tempo viveu até hoje e a segunda com o mais longo reinado. Foi também a primeira rainha a enviar um e-mail, em 1976 e, dizem, é fã de produtos de alta tecnologia.
Licença Cinematográfica: Tudo o que é mostrado em “A Rainha” veio de informações e conversas com pessoas próximas à família real na época da morte de Diana. No entanto, a emblemática e simbólica sequência da caça ao veado é fictícia. Segundo o diretor brasileiro Fernando Meirelles, ela não tem simbologia definida: cada telespectador tira sua própria conclusão sobre ela.
Muitos erros já esperados aconteceram, por exemplo, o uso de equipamentos e modelos de carro inexistentes na época. No entanto, há algo curioso sobre os telefones: a maioria deles é muito obsoleta pra a época!
É bom saber: Para dar um ar de contraste, as cenas da família real foram gravadas com câmeras 35mm (próprias e comuns do cinema, mais grandiosas) e as da família de Tony Blair com câmeras 16mm (próprias e comuns da televisão, mais próximas do telespectador).   
Helen Mirren se transformava de tal maneira na Rainha que os componentes da equipe técnica costumavam ficar calados e em posição rígida e respeitosa quando ela estava presente no set.
Embora já tenha se encontrado com Helen Mirren duas vezes, a Rainha Elizabeth nunca assistiu ao filme.
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